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Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica

Print version ISSN 1516-1498On-line version ISSN 1809-4414

Ágora (Rio J.) vol.22 no.3 Rio de Janeiro Sept./Dec. 2019  Epub Sep 23, 2019

https://doi.org/10.1590/1809-44142019003004 

Artigo

A FORACLUSÃO DO NOME-DO-PAI: LÓGICA DO SIGNIFICANTE E TOPOLOGIA DOS NÓS

The foreclosure of the name of the father: logic of the significant and topology of the borromean knot

VIVIANE TINOCO MARTINS1 
http://orcid.org/0000-0002-4502-0502

1 Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), Rio de Janeiro/RJ, Brasil


RESUMO:

O artigo objetiva estabelecer uma discussão acerca do conceito de foraclusão extraído por Lacan da obra freudiana. O percurso teórico acompanha o ensino de Lacan desde a formulação do conceito de foraclusão, definido a partir da lógica da exclusão do significante do Nome-do-Pai. O desenvolvimento da topologia borromeana faz do Nome-do-Pai um sinthome que amarra os três registros - simbólico, imaginário e real. No final de seu ensino, Lacan concede novo relevo teórico ao conceito de foraclusão, compreendido como sinal da desamarração do nó borromeano.

Palavras-chave: psicose; foraclusão; Nome-do-Pai; topologia borromeana; sinthome

Abstract:

The present article aims to establish a discussion regarding the foreclosure concept, extracted by Lacan from the Freudian work. The theoretical path accompanies Lacan’s teaching since the formulation of the foreclosure’s concept, defined from the exclusion of the significant of the Name of the Father’s logic. The development of the borromean topology makes the Name of the Father a sinthome that ties the three orders symbolic, imaginary and real. At the end of his teachings, Lacan grants a new theoretical relief to the concept of foreclosure, understood as sign of the untying of the borromean knot.

Keywords: psychosis; foreclosure; Name of the Father; borromean topology; sinthome

INTRODUÇÃO

Lacan demonstra servir-se do conceito de foraclusão do Nome-do-Pai durante todo o seu ensino, ainda que tenha introduzido algumas inovações. A evolução de suas contribuições teóricas é correlata de um processo de extração de consequências concernentes à sua investigação clínica das psicoses, proveniente da prática psicanalítica, à sua apresentação de doentes no Hospital de Sainte-Anne e ao amparo na leitura da obra de Freud. Desde sua tese de 1932, a “psicose foi constantemente uma das principais fontes de progresso em seu trabalho de elaboração. Foi a psicose que proporcionou um ponto de ancoragem excêntrico em relação ao descobrimento freudiano” (MALEVAL, 2002, p. 145).

Ao longo de seu ensino, Lacan realizou algumas formulações e reformulações acerca da psicose. De acordo com Laurent, “de 1936 a 1976, a cada dez anos, houve no ensino de Lacan uma reformulação sobre o enigma das psicoses” (LAURENT, 1995, p. 110). Lacan parte do paradigma fenomenológico de sua tese de doutoramento nos anos 30, adota o estruturalismo nos anos 50, avança na formulação do objeto a nos anos 60, até sua formulação acerca da topologia do nó borromeano na década de 70. Maleval (2002) destaca que as contribuições de Lacan para a clínica das psicoses ao longo de quatro décadas abriram possibilidades para que novas formulações fossem elaboradas pelos psicanalistas na contemporaneidade.

Miller (2003) demonstra que o ensino de Lacan pode ser dividido em três momentos distintos. O chamado primeiro ensino corresponde aos dez primeiros seminários ministrados por Lacan, entre a década de 50 e início da década de 60. O segundo ensino tem início com a conceituação do objeto a. O terceiro, e também chamado de último ensino, se instaura após as contribuições de O Seminário 20 - Mais, ainda (1972-1973/1998) e “gira em torno do ato da nomeação” (MILLER, 2006, p. 25), com destaque na abordagem sobre a obra de James Joyce, que conferiu ao escritor um nome, que se inscreveu no Outro social, no movimento surrealista da arte de sua época. Trata-se de um ensino que extrai as consequências da pluralização dos Nome-do-Pai mediante a topologia dos nós.

Neste artigo, seguiremos o itinerário de Lacan que, apesar de ser marcado por “audácias sucessivas” (MALEVAL, 2002, p. 28), não prescindiu de uma ancoragem ainda que “excêntrica” na obra de Freud. Tal itinerário começa pelo chamado “retorno a Freud”,de onde Lacan pinça o termo Verwerfung, atribuindo-lhe uma conceituação própria, até o que Miller denominou de “desenlace” (MILLER, 2003, p. 6-7), quando Lacan se distancia de Freud mediante sua invenção da topologia do nó borromeano.

É importante destacar que o itinerário lacaniano não possui uma característica linear, pelo contrário, apresenta um “estilo sinuoso” (MALEVAL, 2002, p. 28) que se acomoda em um “único conceito, o de foraclusão do Nome-do-Pai, introduzido em 1957, dando assim continuidade a trabalhos desenvolvidos desde 1946 e ao longo de mais de trinta anos” (idem). Assim, o conceito de foraclusão, tão caro ao ensino de Lacan, se constitui como o fio que nos conduz em nosso percurso teórico. Maleval destaca que a manutenção deste conceito, ao longo de seu ensino, levou Lacan a “reconsiderar periodicamente a foraclusão do Nome-do-Pai à medida que foi avançando em sua concepção da descoberta freudiana” (MALEVAL, 2002, p. 28). Tais reconsiderações não foram acompanhadas de uma refundação do conceito de foraclusão. Neste sentido, Maleval destaca que “a primeira acepção do termo ‘foraclusão’, que fazia ênfase na exclusão de um significante, tende a ficar suplantada pela noção de falha de um atamento borromeano” (ibidem, p. 134).

Apesar de constatar as reconsiderações de Lacan relativas ao conceito de foraclusão do Nome-do-Pai, Maleval destaca que, ao longo de seu ensino, não houve nenhuma retificação vistosa deste conceito. A única mudança de paradigma que se evidencia no ensino de Lacan se deu antes da conceituação da foraclusão e refere-se à contrastante virada da década de 30 para a década de 50, na qual ele abandonou a fenomenologia para aceder à lógica estruturalista. Cabe ressaltar que, ao longo do desenvolvimento de sua tese de doutoramento em psiquiatria, Lacan tem seu primeiro contato com a obra freudiana, contato esse decisivo para o seu rompimento com a lógica da compreensão oriunda da fenomenologia. Assim,é possível concluir, com Maleval, que as distintas abordagens lacanianas da psicose vão se encaixando umas nas outras, de tal maneira que este autor se apropria da metáfora das “bonecas russas” para demonstrar sua consideração (MALEVAL, 2002, p. 27).

Em nossa trajetória teórica acerca do conceito de foraclusão do Nome-do-Pai no ensino de Lacan, partiremos do paradigma do significante, terreno conceitual de sua definição inaugural nos anos 50. Em seguida, destacaremos o estabelecimento do grafo do desejo que introduz uma barra sobre o Outro, tornando-o incompleto, e a pluralização do Nome-do-Pai, que se deu em consequência do advento da conceituação do objeto a extraído do limite entre o sujeito e o campo do Outro. Por fim, elaboraremos uma discussão acerca da topologia do nó borromeano, que requer um quarto elemento, o sinthoma, responsável pelo enlace dos três registros.

Em seu itinerário excêntrico, Lacan introduziu uma “depreciação do Nome-do-Pai” e o reduziu a um “sintoma”, a um mero “utensílio” (MILLER, 2005a, p. 8). Tal redução ocorreu na década de 70, com as contribuições de seu seminário sobre o sinthome. Tal depreciação pode ser atribuída à condição inerente a todo aquele que se coloca diante da tarefa de operar a função paterna, na medida em que todo pai apresenta falhas.

Ao longo deste artigo, destacaremos o que Maleval denominou como “os três grandes modelos” (MALEVAL, 2002, p. 28) de se conceber a psicose. O primeiro, anterior à conceituação da foraclusão, refere-se às contribuições da década de 40, mais especificamente relativas ao seu escrito Formulações sobre a causalidade psíquica(1946/1998), no qual define a psicose como um “visco imaginário”,como uma “cola ao espelho” (MALEVAL, 2002, p. 28). O segundo diz respeito às formulações de seu terceiro seminário, inteiramente dedicado às psicoses, onde é definida a noção de foraclusão do Nome-do-Pai. A psicose é tomada pela manifestação da “intrusão psicológica do significante” (idem), que faz seu retorno no real. Por fim, o terceiro modelo da psicose corresponde ao desatamento da cadeia borromeana.

Maleval (2002) destaca a disparidade destes três modelos e chega a indagar se a foraclusão do Nome-do-Pai seria um conceito disperso. O autor conclui que, apesar desta disparidade manifesta, em nenhum momento do ensino lacaniano há um rompimento com este conceito. Entretanto, ainda que as novas contribuições de Lacan se encaixem tal como as bonecas russas, algumas concepções da psicose foram revisadas. A conceitualização do objeto a na década de 60 proporcionou uma análise mais fina das manifestações de invasão de gozo que testemunhamos na clínica com sujeitos psicóticos atormentados por alucinações verbais e pelo olhar onipresente de um perseguidor. Assim, a “deslocalização do gozo se converte, nos anos setenta, em um sinal clínico da estrutura psicótica, e sua importância é equivalente à dos transtornos de linguagem (...) sintoma essencial nos anos cinquenta” (MALEVAL, 2002, p. 28).

SOBRE A CAUSALIDADE PSÍQUICA

Durante as décadas de 30 e 40, Lacan desenvolveu seu estudo sobre as psicoses orientado pelo que Maleval denominou uma “psicologia concreta” (ibidem, p. 27). Para este autor, esta chamada psicologia concreta, baseada na dialética hegeliana, se constituiu como o ponto de partida de Lacan e o leva a “enfatizar a necessidade de uma passagem alienante pelo Outro para que o infans advenha como sujeito” (ibidem, p. 35).

Neste momento de seu ensino, Lacan define a loucura a partir da noção de identificação, como “a estase do ser numa identificação ideal” (LACAN, 1946/1998, p. 173). Cabe ressaltar a natureza desta identificação, à qual Lacan atribui o caráter de “sem mediação”. A possibilidade de mediação é atrelada ao desejo, assim, “o próprio desejo do homem constitui-se sob o signo da mediação: ele é desejo de fazer seu próprio desejo reconhecido” (ibidem, p. 183).

Aqui, é oportuno que façamos um retorno ao estádio do espelho (Lacan, 1949/1998), uma vez que, nele, a identificação é atravessada pela mediação do desejo do Outro. Uma identificação imediata aponta para um “fracasso” do estádio do espelho característico da psicose, uma vez que a constituição de uma imagem unificada do corpo, quando ocorre, carece de um suporte simbólico. O efeito de tal fracasso é a vivência de um corpo despedaçado e a ausência de mediação nas identificações.

No fracasso no estádio do espelho, vemos surgir, na psicose, a dificuldade do sujeito possuir uma apreensão imaginária do corpo unificado. O corpo é suscetível de se reduzir a um puro pedaço de carne. Em Ulisses,Joyce nos dá uma indicação disso, ao descrever um momento em que Stephen Dedalus, seu alter-ego, estabelece uma relação contemplativa e especular com o personagem Bloom. Nesta relação especular, o espelho não possui o caráter simbólico do qual nos fala Lacan. Para Joyce, trata-se de um “espelho da carne”. Vejamos a citação original: “Silentes, contemplando cada um o outro em ambos os espelhos da carne recíproca de suasdelenãodele mesmas caras” (JOYCE, 1983, p. 655).

O PARADIGMA DA EXCLUSÃO DE UM SIGNIFICANTE

“O que não veio à luz do simbólico aparece no real” (LACAN, 1954/1998, p. 390).

Antes de tecer considerações acerca da estrutura psicótica que repousa sobre o conceito de foraclusão do Nome-do-Pai, é digno de nota definir a noção de Nome-do-Pai, abordando seu papel de significante e sua função metafórica.

Ao longo dos anos 50, Lacan estabelece uma leitura particular do complexo de Édipo e destaca a função do Nome-do-Pai na articulação da ordem simbólica. Em seu seminário dedicado à relação de objeto, Lacan tece considerações acerca da função paterna e destaca que esta é, para o sujeito, “da ordem de uma experiência metafórica” (LACAN, 1956-1957/1995, p. 387). Tal experiência remete ao estádio do espelho, onde a ordem simbólica representada pelo Outro, permite ir além da dupla imaginária do espelho. O Nome-do-Pai se insere neste contexto, funcionando como a “instância ‘pacificadora’ das armadilhas do imaginário” (MALEVAL, 2002, p. 76).

Em seu Seminário livro 3 - As psicoses, Lacan parte do seguinte axioma: “O inconsciente é, no fundo dele, estruturado, tramado, encadeado, tecido de linguagem” (LACAN, 1955-6/1988, p. 139). É sustentado por este instrumento, que Lacan situa a causa dos fenômenos constitutivos da psicose no plano da linguagem e abre a possibilidade de tratamento através do discurso. É partindo deste axioma, que Lacan ressignifica a máxima freudiana acerca da psicose, que diz respeito ao funcionamento a céu aberto do inconsciente. Assim, o psicótico sofre os efeitos da linguagem, na ausência da ordenação simbólica. Enquanto “mártir do inconsciente” (LACAN, 1955-1956/1988, p. 153), o psicótico testemunha a invasão dos distúrbios de linguagem.

Ao considerar os fenômenos da psicose enquanto fenômenos de linguagem, Lacan avança no sentido da construção de uma hipótese causal para estes fenômenos. É a partir do retorno a Freud, que Lacan pinça a noção de Verwerfung,dando-lhe uma conceituação no seio da estrutura da psicose, identificando-a como o mecanismo responsável pela eclosão dos fenômenos elementares da psicose. Assim, a noção de forclusion - termo proposto por Lacan na língua francesa para sua intervenção conceitual sobre o campo das psicoses - é colocada em relevo para o entendimento dos fenômenos que se manifestam na psicose.

A escolha do termo forclusion, oriundo do vocabulário jurídico, se constitui como uma intervenção conceitual para introduzir a dimensão da lei. “O termo foraclusão é de uso corrente no vocabulário jurídico procedimental e significa a caducidade de um direito não exercido nos prazos prescritos” (MALEVAL, 2002, p. 61). Forclusion define a situação de um processo jurídico ao qual não se pode apelar, pois o seu prazo legal expirou.

Quando lança mão do termo Verwerfung, Lacan encontra-se em plena formulação de sua concepção acerca da psicose. A foraclusão se produz no campo da articulação simbólica e “designa uma carência do significante que assegura a consistência do discurso do sujeito” (MALEVAL, 2002, p. 18). A definição que Lacan dá à Verwerfung freudiana diz respeito ao significante, ou seja, “trata-se da rejeição de um significante primordial em trevas exteriores, significante que faltará desde então nesse nível” (LACAN, 1955-1956/1988, p. 174). Este significante primordial refere-se ao Nome-do-Pai, que se constitui como ordenador da significação fálica que promove a articulação simbólica.

A articulação simbólica se dá através da rotina que se instaura com a metáfora paterna e permite a coincidência entre significante e significado. Quando esta rotina não se estabelece pela falta do significante do Nome-do-Pai, instala-se um furo no significado, dada a carência da significação fálica que promove a chamada “cascata de remanejamentos do significante” (LACAN, 1957-1958a/1998, p. 584). A noção de furo, datada da década de 50, possui uma acepção ligada ao desencadeamento da psicose. Na década de 70, o termo retorna ao ensino de Lacan, mas com uma acepção distinta, referente a uma condição inerente ao simbólico.

A carência da significação fálica se constitui como “a consequência da foraclusão do Nome-do-Pai -, razão do desencadeamento do significante constitui o fenômeno que está na base dos transtornos de linguagem do psicótico” (MALEVAL, 2002, p. 265). A coincidência entre significante e significado ausente em decorrência da foraclusão do Nome-do-Pai será restabelecida com a metáfora delirante.

Apesar de Lacan definir a foraclusão a partir de sua teoria do significante, ele não se isenta de identificar, na obra de Freud, a origem desta leitura.

Eu me regozijo de que alguns de vocês se atormentem a respeito dessa Verwerfung. Freud afinal de contas não fala disso muitíssimas vezes, e fui pegá-la nos dois ou três cantos onde ela se deixa surpreender, e mesmo algumas vezes, ali onde ela não se deixa, mas onde a compreensão do texto exige que ela seja suposta. (LACAN, 1955-1956/1988, p. 173).

A sutileza com que Lacan realiza sua leitura da obra freudiana, identificando os “dois ou três cantos” nos quais é possível entrever o mecanismo da foraclusão, demonstra o seu rigor teórico. Aqui, cabe um retorno aos textos freudianos com a lupa de Lacan, com o objetivo de trazer à luz o legado de Freud, que inaugurou a psicanálise e deixou um arcabouço conceitual para a clínica da psicose. Assim, partiremos da análise do caso do Homem dos Lobos, passando pela interpretação do caso Schreber, até o artigo sobre a negativa.

No caso dos Homens dos Lobos, Freud (1918[1914]/1996) faz uma análise acerca da alucinação do dedo amputado, como metáfora da castração. Freud ressalta que o plano genital para este sujeito havia sido rejeitado, de modo que ele se agarrava à sua teoria sexual calcada na negação da vagina, em favor do intestino. O repúdio deste sujeito em relação à diferença sexual e à castração levou Freud a contestar a hipótese de um recalque, como mecanismo produtor da fobia dos lobos e da alucinação do dedo cortado. Neste texto, Freud ressalta que o recalque é algo muito diferente de uma rejeição. É a partir desta observação, que Lacan reconhece a existência de outro mecanismo responsável pela manifestação dos fenômenos psicóticos, tal como se apresenta, neste caso, através da alucinação. A rejeição ou a foraclusão da castração tem como efeito seu retorno no real, através da alucinação, ou seja, da visão do dedinho cortado que se mantém preso ao corpo apenas por um pedacinho de pele.

Na análise do livro de Daniel Paul Schreber, Freud (1911/1996) reconhece, nos fenômenos elementares que brotam na escrita deste autor em suas Memórias, um testemunho de seu delírio: a marca do mecanismo de projeção. Entretanto, Freud retifica sua definição acerca da projeção da seguinte maneira: “Foi incorreto dizer que a percepção suprimida internamente é projetada para o exterior; a verdade é, pelo contrário, como agora percebemos, que aquilo que foi internamente abolido retorna desde fora” (FREUD 1911/1996, p. 78). Nesta retificação, é possível reconhecer que há algo extirpado, abolido pelo sujeito, que faz seu retorno como algo externo ao sujeito psicótico, mas trata-se, em verdade, de algo proveniente de sua realidade psíquica, que ele não reconhece como pertencente à sua cadeia significante. Trata-se deste significante primordial que é excluído e faz seu retorno no real - a alucinação verbal se constitui como o fenômeno elementar em que este mecanismo se manifesta, através deste significante que vem de fora, que o sujeito não reconhece como elemento constituinte de sua cadeia simbólica. Assim, “a projeção na psicose é o mecanismo que faz voltar de fora o que está preso na Verwerfung, ou seja, o que foi posto fora da simbolização geral que estrutura o sujeito” (LACAN, 1955-1956/1988, p. 58).

No artigo intitulado A negativa(1925/1996), Freud apresenta dois mecanismos distintos que determinam a posição do sujeito, em relação à estrutura: Bejahung (afirmação) e Austossung (expulsão/rejeição). A Bejahung, enquanto afirmação primordial, dá acesso ao simbólico e se constitui como modo operativo da neurose. A Austossung aus dem Ich, ou seja, a expulsão para fora do eu, vai constituir o que é designado por Lacan como o campo do real, “na medida em que ele é o domínio do que subsiste fora da simbolização” (LACAN, 1954/1998, p. 390).

A partir da formulação de Freud, instala-se uma dicotomia fundamental: “o que teria sido submetido à Bejahung, à simbolização primitiva, terá diversos destinos, o qual cai sob o golpe da Verwerfung primitiva terá um outro” (LACAN, 1955-1956/1988, p. 98). Tal dicotomia marca a dissimetria entre a neurose e a psicose, enquanto, na primeira, houve submissão à simbolização; na segunda, houve um rompimento da ordenação simbólica.

Lacan estabelece um nexo entre a Verwerfung e o complexo de Édipo a partir do reconhecimento do pai enquanto significante, ou seja, a função simbólica do pai. É o significante do Nome-do-Pai que é foracluído na psicose. Tal nexo só foi possível a partir de uma ressignificação do complexo de Édipo, o que permitiu a inserção da ordem simbólica no cerne da dinâmica deste complexo. Para além dos conflitos imaginários em jogo no complexo de Édipo, é necessário que uma lei simbólica intervenha. Tal intervenção corresponde à função do pai, enquanto simbólica. Assim, ao nos referirmos ao complexo de Édipo, é preciso inserir “uma lei, uma cadeia, uma ordem simbólica, a intervenção da ordem da palavra, isto é, do pai. Não o pai natural, mas do que se chama o pai. A ordem que impede a colisão e o rebentar da situação no conjunto está fundada na existência do nome do pai” (LACAN, 1955-1956/1988, p. 114). O Nome-do-pai, enquanto esta ordenação “que impede a colisão”, é o que organiza as relações do sujeito neurótico com o simbólico e com o real do gozo; e o que falta ao sujeito psicótico.

Além de dar o tom da relação do sujeito com o simbólico, o complexo de Édipo também desempenha uma importante função ordenadora da realidade. Lacan reconheceu esta função logo no início de sua trajetória teórica, em 1946, em Formulações sobre a causalidade psíquica. Nesse artigo, ele afirma que o complexo de Édipo revela-se capaz de “constituir normalmente o sentimento de realidade” (LACAN, 1946/1998, p. 183). Assim,“para que haja realidade, acesso suficiente à realidade, para que o sentimento da realidade seja um justo guia, para que a realidade não seja o que ela é na psicose, é preciso que o complexo de Édipo tenha sido vivido” (LACAN, 1955-1956/1988, p. 226).

Já mencionamos a função desempenhada pelo complexo edipiano na ordenação da realidade. Na ausência do significante do Nome-do-Pai, que se constitui como o operador simbólico do complexo de Édipo, o que podemos colher como efeitos? A relação do sujeito psicótico com sua realidade, que é marcada por uma ruptura e uma hiância, pode ser atribuída aos efeitos da foraclusão.

A definição freudiana acerca das psicoses aponta para um conflito entre o eu e o mundo externo, em função das exigências do isso. Em resposta aos impulsos do isso, o sujeito psicótico realiza uma reconstrução arbitrária da realidade e de seu mundo interno. Na psicose, portanto, o sujeito precisa recorrer a um “mediador” na sua relação com a realidade. Enquanto uma tentativa de cura, o delírio opera a reconstrução de uma realidade dilacerada e vem cumprir este papel de mediador. “O delírio se encontra aplicado como um remendo no lugar em que originalmente uma fenda apareceu na relação do ego com o mundo externo” (FREUD, 1924[1923]/1996, p. 169). Esta fenda, este buraco que se instala na relação do sujeito com a realidade, pode servir de metáfora do acidente ocorrido na cadeia simbólica.

Trabalhar com os efeitos da foraclusão significa trabalhar com a relação do sujeito com a cadeia significante. Na psicose, o sujeito padece de sua relação com o significante e com o gozo, mas, ao mesmo tempo,é a partir do trabalho de articulação significante próprio do delírio que se constitui como uma das possíveis tentativas de estabilização da relação entre significante e significado.

Lacan propõe que estudemos as significações da loucura através das “modalidades originais que nela mostra a linguagem” (LACAN, 1946/1998, p. 168), ou seja, através da diversidade de distúrbios de linguagem que proliferam na psicose, tais como: “os híbridos do vocabulário, o câncer verbal do neologismo, o enviscamento da sintaxe, a duplicidade da enunciação” (idem).

A alucinação verbal se constitui como um dos mais evidentes efeitos da foraclusão e também pode ser referida à rubrica dos distúrbios de linguagem. Ao defini-la como verbal, Lacan rompe com a fenomenologia, que circunscreve a alucinação no campo dos distúrbios da sensopercepção.

A INCOMPLETUDE DO OUTRO

O grafo do desejo construído por Lacan, em seu seminário sobre as formações do inconsciente (1957-8b/1999) e comentado em seu escrito intitulado Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano(1960/1998), se constitui como nosso ponto de partida para designar uma virada conceitual no ensino de Lacan decorrente da introdução de uma barra sobre o Outro. Tal grafo “arcou um giro decisivo” na concepção do Nome-do-Pai, e é “correlativo do descobrimento de uma hiância no campo do Outro” (MALEVAL, 2002, p. 87). Trata-se de uma topologia que “antecipa elaborações ulteriores” (ibidem, p. 90) e se constitui como a introdução do objeto a no ensino de Lacan.

A partir do matema S (A) a barra recai sobre o Outro, introduz-se também um furo no Outro, revelando uma hiância que é de estrutura. Trata-se de um significante que vem em resposta ao “esvaziamento simbolizado pela barra que atinge o Outro” (MILLER, 2003, p. 11). O Outro, enquanto incompleto e barrado, passa a ter uma nova concepção, distinta daquela na qual se define como tesouro dos significantes. Há um significante que não pertence ao tesouro do Outro e vem em resposta à sua incompletude.

A constatação de que há um significante que não está inserido no Outro já podia ser extraída a partir do matema da metáfora paterna, no qual o Nome-do-Pai vem substituir o lugar primordialmente simbolizado pelo desejo materno e representa o lugar da lei no Outro.

O lugar do Outro passa a portar uma hiância estrutural. “Longe de ser uma plenitude compacta, portadora de significações verdadeiras, a sincronia significante, inscrita no lugar do Outro, contém rupturas” (MALEVAL, 2002, p. 87). A incompletude do Outro demonstra ser um fato de estrutura; isto tem como consequência uma mudança em sua conceituação. Assim,“a partir do final dos anos cinquenta, é definido como ‘o lugar da falta’. Deixa de ser uma instância de garantia da boa fé do sujeito e portadora de uma verdade inteiramente formulável” (idem).

Em sua Questão preliminar a todo tratamento possível da psicose(1957-1958a/1998), Lacan situa o desencadeamento da psicose atrelado à constatação de que há um chamado ao Nome-do-Pai diante do qual o sujeito depara-se com um furo no campo do Outro que seria decorrente da foraclusão de um significante.

O ADVENTO DO OBJETO A E A PLURALIZAÇÃO DOS NOMES-DO-PAI

Ao introduzir o seminário interrompido sobre os Nomes-do-Pai (1963/2005), Lacan pretendia apresentar os progressos relativos à noção de metáfora paterna introduzida no seminário sobre as psicoses, onde se deteve no estudo do caso Schreber. O autor destaca que a introdução de uma dimensão de pluralidade ao Nome-do-Pai só foi possível em função do que já havia articulado em seminários anteriores acerca da metáfora paterna e da função do nome próprio. Destaca que esse “passo seguinte” é tributário de sua maior invenção conceitual, a saber, o objeto a, oriunda de seu seminário dedicado à angústia. Pluralizar o Nome-do-Pai foi uma consequência do advento do conceito de objeto a (LACAN, 1962-1963/2005), decorrente da barra que passou a incidir sobre o Outro no grafo do desejo. Maleval destaca que a pluralização do Nome-do-Pai “corresponde a uma necessidade: a incompletude do Outro já não permite conceber o Pai como universal” (MALEVAL, 2002, p. 97).

Com a pluralização, fruto da barra que passa a incidir sobre o Outro e do advento da conceituação do objeto a, a função do pai ganha um sentido relativo ao gozo. A função paterna passa a nomear o gozo, introduzindo uma perda, que deixa um resto correspondente de um gozo singular do sujeito, a saber, o próprio objeto a.

A pluralização do Nome-do-Pai encontra-se em consonância com a dimensão plural do objeto a, que concerne à singularidade do gozo para cada sujeito Para Maleval, a articulação entre Nomes-do-Pai e objeto a introduz “as bases de uma nova abordagem da psicose” (MALEVAL, 2002, p. 104), na qual se produz um giro decisivo, o desencadeamento significante passa a ser suplantado, cada vez mais, pela constatação de um gozo não localizado. Com isso, a função do Nome-do-Pai, anteriormente definida como a que introduz uma rotina que ligue significante ao significado, passa a incluir a dimensão do gozo na articulação com a linguagem.

A TOPOLOGIA DO NÓ BORROMEANO

Com o auxílio da topologia do nó borromeano, Lacan, na década de 70, chega a afirmar que, quando se trata do Nome-do-Pai, pode haver um “número indefinido” de possibilidades, de significantes que venham fazer sua função, assim como há uma diversidade de amarrações do nó.

O Nome-do-Pai chega a ser identificado como o próprio nó, nas palavras de Lacan: “o Nome do Pai nada mais é que esse nó” (LACAN, 1974-1975, p. 46). Ao identificar o Nome-do-Pai ao nó, Lacan aponta que é somente através deste que é possível unir as três consistências independentes, a saber, real, simbólico e imaginário.

Em seu último ensino, ele lança mão da topologia do nó borromeano como auxílio para a compreensão dos três registros extraídos de sua releitura de Freud e de sua experiência analítica.

O nó borromeano é apresentado por Lacan pela primeira vez na sessão de 09/02/1972 de seu seminário Ou pior...(1971-1972/2012), e retomado na penúltima aula de seu Seminário 20, quando ele se propõe a apresentar aos seus ouvintes a importância do nó e demonstrar a relação deste com a escrita, definida como “aquilo que deixa de traço a linguagem” (LACAN, 1972-1973/1998, p. 167).

Apesar de Lacan reconhecer “a dificuldade de introdução do mental na topologia” (LACAN, 1974-1975, p. 57), dificuldade esta referente ao recalque, ele não se eximiu de introduzir em seu ensino uma nova invenção conceitual, a saber, sua topologia do nó borromeano. A propriedade que chamou a sua atenção ao inserir esta topologia em seu ensino foi o fato de os três elos enlaçados formarem uma cadeia, de modo que, havendo o rompimento de apenas um dos elos, todos os três se desenlaçam (LACAN, 1975-1976/2007, p. 20).

Ainda no Seminário 20, Lacan já adianta formulações ulteriores acerca do nó borromeano - apresentado neste momento de seu ensino com apenas três elos - que dizem respeito à necessidade de mais um elo para o encadeamento que diferencie os três registros, dado que, na demonstração borromeana de três elos, eles se apresentam como consistências homogêneas e equivalentes. Lacan já afirma que é possível introduzir um número qualquer de rodinhas, sem que se percam suas propriedades borromeanas. “Com quatro, assim como com três, basta cortar um dos elos para que todos os outros estejam livres” (LACAN, 1972-1973/1998, p. 169).

Quando Lacan introduziu esta topologia, ele ainda não havia encontrado a função do quarto elo do nó, que será articulado a partir de seu seminárioR.S.I. (1974-1975). É necessária a introdução de um quarto elo enodado borromeanamente, para que um elo seja duplicado, a saber, o elo do simbólico, permitindo a distinção dos outros três.

Enquanto a psicose paranóica é tomada como referência de um tipo diferente de nó o nó de trevo, no qual não há distinção/disjunção entre os três registros a psicose alucinatória de Schreber é tomada por Lacan como uma referência para demonstrar o desenodamento do nó borromeano. O autor destaca a experiência alucinatória de Schreber, atormentado pelas frases interrompidas, como uma demonstração do desatamento dos elos do nó borromeano (LACAN, 1972-1973/1998, p. 173).

Lacan aproxima o desenlace da cadeia borromeana com a noção de foraclusão do Nome-do-Pai, que se constitui como a causa da manifestação de fenômenos alucinatórios da estrutura psicótica. “Não há dúvida de que as últimas elaborações de Lacan incitam a conceber a foraclusão psicótica fundamentalmente como uma carência do enodamento borromeano da estrutura do sujeito” (MALEVAL, 2002, p. 136).

Conforme já apontado, até o seminário R.S.I.(1974-1975), Lacan sustentava um modelo de amarração borromeana calcada em três elos correspondentes dos três registros. Lacan percebe que a amarração ternária é insuficiente, a partir de sua constatação de que há uma “disjunção concebida como originária do Simbólico, do Imaginário e do Real” (LACAN, 1974-1975, p. 31). Assim, destaca que é preciso um quarto elo que venha articular os três registros. Nesta nova formulação teórica calcada na topologia, o Nome-do-Pai pode ser considerado como o quarto elo, que permite o entrelaçamento dos registros. A novidade instalada pela topologia borromeana deve-se ao fato de que o quarto elo do nó, que promove amarração aos três registros e permite ao sujeito não ficar na solidão das experiências alucinatórias, não se constitui como uma propriedade exclusiva do Nome-do-Pai tal como formulado na década de 50. O próprio Nome-do-Pai pode ser considerado como uma modalidade de suplência frente à disjunção originária dos três registros.

Lacan pinçou o conceito de realidade psíquica da obra freudiana, tributário do Complexo de Édipo, para articular o quarto termo que vem atar os três registros. “É preciso uma realidade psíquica que ate essas três consistências” (LACAN, 1974-1975, p. 18). A realidade psíquica, enquanto quarto elo que vem atar real, simbólico e imaginário, é tomada por Lacan como sinônimo do Nome-do-Pai.

Em seu seminário sobre Joyce, Lacan toma como “pano de fundo” (MILLER, 2005b, p. 21) suas contribuições acerca da psicose, a saber, seu seminário consagrado ao tema e seu escrito De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose(1957-1958a/1998). Lacan se propõe a compreender o que permitiu a Joyce passar toda sua existência estabilizado e encontrou em sua obra, em sua arte, a função de “substancializar o sinthoma”(LACAN, 1975-1976/2007, p. 38).

O sinthoma ganha o estatuto de quarto elemento do nó e se diversifica, na medida em que o que faz sinthoma para cada sujeito guarda algo de singular. De tal modo que, mesmo na psicose, é possível encontrarmos sinthoma como elo que vem reparar o desenodamento da cadeia borromeana. No caso de Joyce, sua obra teve como função operar enquanto sinthoma, como quarto elo do nó que veio reparar o lapso, o desenodamento de sua cadeia borromeana.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo, nos dedicamos a apresentar o conceito de foraclusão do significante Nome-do-Pai, que se constitui como o cerne causal da estrutura psicótica. Ao nos determos nas consequências dos avanços do ensino de Lacan que incidiram sobre este conceito, chegamos à noção de sinthoma própria à topologia borromeana. Vimos como o paradigma da exclusão do significante paterno é suplantado pelo paradigma borromeano, referente ao recurso à topologia, que ganha relevo no último ensino de Lacan. Assim, a foraclusão do significante do Nome-do-Pai, articulada durante a década de 50, pode ser evidenciada pelo lapso do nó que deixa à deriva os elos referentes aos três registros. O sinthoma opera como um elo a mais, o quarto, que vem suprir o desenodamento. Esta ação suplementar é própria ao sinthoma e ao Nome-do-Pai, que passa a ser reduzido a um sintoma entre outros.

O conceito de foraclusão do significante do Nome-do-Pai, que percorremos nesse artigo, é caro para a compreensão da clínica das psicoses; tema este que requer estudos mais aprofundados. Considerando que a clínica contemporânea é marcada pelos chamados novos sintomas (tais como: anorexias, bulimias, compulsões e toxicomanias), encontramos muitos sujeitos cuja estrutura psicótica fica encoberta pela manifestação de fenômenos que obscurecem o diagnóstico diferencial entre neurose e psicose.

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Recebido: 19 de Dezembro de 2017; Aceito: 21 de Julho de 2018

Viviane Tinoco Martins - Pós-doutora em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria, Rio de Janeiro/RJ, Brasil. vtinocomartins@gmail.com.

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