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Revista CEFAC

On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.13 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2011  Epub June 24, 2011

https://doi.org/10.1590/S1516-18462011005000056 

Identificação da disfunção temporomandibular (DTM) em usuários de dispositivo de proteção auditiva individual (DPAI)

 

Identification of the temporomandibular (TMD) dysfunction in users of individual auditory protective devices (IAPD)

 

 

Hilda Santos de Souza Mendes AquinoI; Silvia Damasceno BenevidesII; Tatiana de Paula Santana da SilvaIII

I Fonoaudióloga pela Universidade Católica de Pernambuco; Especialista em Audiologia pela Universidade Federal Pernambuco
IIFonoaudióloga; Docente do curso de Graduação em Fonoaudiologia  da Universidade Federal da Bahia; Mestre em Fisiologia pela Universidade Federal de Pernambuco
IIIFonoaudióloga; Mestranda em Hebiatria pela Universidade de Pernambuco 

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: descrever e classificar a presença de disfunção temporomandibular em trabalhadores usuários de equipamentos de proteção auditiva individual.
MÉTODO: tratou-se de um estudo transversal descritivo, com caráter observacional, desenvolvido em uma indústria de tintas. A população foi composta por 46 funcionários de ambos os sexos (com 94,44% do gênero masculino) com idade entre 20 a 50 anos (idade media de 36,24 anos), expostos a ruído intenso (90 dBNA) que faziam uso de equipamento de proteção individual auditiva tipo concha. Na coleta de dados foram realizados os seguintes procedimentos: triagem fonoaudiológica das funções orais, avaliação clínica otorrinolaringológica e diagnóstico de disfunção temporomandibular ao exame clínico. Os dados foram analisados pela estatística descritiva.
RESULTADOS:
a queixa predominante foi dor na região que envolve a orelha e articulação temporomadibular. Observou-se que 87% apresentaram diagnóstico positivo de DTM, em que 83% tinham dor miofacial, 11% dor miofacial com limitação de abertura oral e 6% apresentaram diagnóstico de dor miofacial associada a deslocamento de disco com redução de abertura.
CONCLUSÕES: a maioria dos trabalhadores apresentou disfunção de ordem muscular. Ressalta-se a importância de considerar a possibilidade da influência deste equipamento sobre o aparecimento ou intensificação do transtorno mencionado.

Descritores: Transtornos da Articulação Temporomandibular; Dor Facial; Saúde do Trabalhador; Proteção Auditiva Individual


ABSTRACT

PURPOSE: to describe and classify the presence of temporomandibular joint disorders in workers using individual hearing protection equipment.
METHOD: this is a transversal descriptive study, with observational character, developed in a paint industry. The population was composed of 46 employees of both genders (94.44% of which were male) aged between 20 and 50 years (average 36.24-year old), exposed to hazardous noise (90 dBNA) that had been using personal protective equipment (ear muff). In collecting the data, the following procedures were made: speech pathology screening of the oral functions, otorhinolaryngological evaluation and diagnosis of temporomandibular joint dysfunction by using a clinical examination. Data were analyzed using descriptive statistics.
RESULTS:
the main complaint was pain around the ear and temporomandibular joint. It was observed that 87% showed a positive diagnosis of TMD while 83 % had myofacial pain, 11% myofacial pain with oral opening limitation and 6% showed myofacial pain diagnosis associated with disc displacement with reduction.
CONCLUSIONS: the majority of the screened workers showed dysfunctions of muscular order. The possibility that the use of this equipment may influence the occurrence or intensification of the mentioned dysfunction must be emphasized.

Keywords: Temporomandibular Joint Disorders; Facial Pain; Occupational Health; Hearing Protective Devices


 

 

INTRODUÇÃO

De acordo com a NR-6 quando esgotados todos os meios conhecidos para a eliminação do risco de acidentes ocupacionais e este persistir, mesmo que reduzido, é necessária a utilização, pelo trabalhador, de equipamentos de proteção auditiva individual (EPAI) que consistem em todos os dispositivos de uso individual que são destinados a proteger a integridade física do trabalhador, podendo ser utilizados na forma de vestimentas e equipamentos confeccionados nos mais diversos tipos de materiais 1.

Os protetores auditivos são instrumentos utilizados nas indústrias. Estes são classificados basicamente em dois modelos: os circum-auriculares, também chamados extra-auriculares, supra-aurais ou "de concha" e os de inserção, intra-auriculares ou simplesmente conhecidos como "plugs" 2.

Pesquisas na área da saúde auditiva do trabalhador 3,4 demonstram uma crescente preocupação com o conforto do trabalhador com relação ao uso dos EPI's, na qual se observa que, embora esta seja a única opção individual viável para redução do nível de pressão sonora elevado, são constatadas a presença de dores na região pré-auricular e na articulação temporomandibular (ATM) em alguns colaboradores das empresas, o que pode promover a retirada constante dos equipamentos durante a jornada de trabalho, aumentando assim a incidência de perda auditiva 5.

A Disfunção temporomandibular (DTM) é definida como uma disfunção na ATM, compreendendo desordens músculo-esqueléticas nas estruturas associadas ou ambos. Com relação à etiologia, apresenta-se multifatorial, com aspectos referentes à oclusão dentária, psicológicos, traumas, hábitos parafuncionais e condições sistêmicas 6.

Sobre a classificação propõe-se que as desordens intra-articulares acometem a parte interna da articulação e caracterizam-se por lesões e deslocamentos no disco articular. Já as desordens musculares compreendem as alterações nos músculos mastigatórios, neste grupo são enquadrados o espasmo muscular, a contração muscular de proteção, mialgia, fibromialgia e a síndrome da dor miofacial esta é considerada como um conjunto de desordens clínicas músculo-esqueléticas que envolve a musculatura mastigatória, articulação temporomandibular e estruturas associadas. Pode ter sua origem por doenças infecciosas, vasculares, neoplásicas e estar associada a danos teciduais na musculatura mastigatória, que compõem um dos subgrupos da DTM 6,7.

Devido ao alto índice de funcionários que trabalham expostos ao ruído intenso, fazendo uso de EPI's do tipo concha, apresentarem queixas de dores na região pré-auricular e na ATM durante e após o uso destes 8 faz-se necessária a investigação acerca da presença de DTM's. Desta forma, o presente estudo objetivou identificar a presença da DTM em usuários deste equipamento.

 

MÉTODO

Tratou-se de uma pesquisa de série de casos descritiva, com caráter observacional, desenvolvida em uma indústria de tintas, com nível médio de ruído de 90 dBNA.

A partir da população de 281 trabalhadores que participaram de exames relativos à saúde ocupacional, identificou-se que 80 colaboradores queixaram-se de desconforto na região da ATM e pré-auricular por uso de DPAI do tipo concha. Foram convidados a participar do estudo todos os trabalhadores, de ambos os sexos, com queixa de desconforto pelo uso do equipamento de proteção auditiva individual (DPAI) (abafador do tipo concha) de qualquer origem.

Para a confirmação da queixa dolorosa e investigação da presença de sinais otológicos realizou-se uma triagem fonoaudiológica com os participantes (Figura 1). Posteriormente os participantes foram submetidos à avaliação otorrinolaringológica com objetivo de excluir participantes que apresentassem problemas otológicos com sintomatologia dolorosa o que, por sua vez, poderia confundir-se com o diagnóstico de DTM comprometendo os resultados (Figura 2). Em apenas um participante encontrou-se otite média unilateral.

Desta forma, a amostra final constou de 46 colaboradores, sendo 43 homens e 3 mulheres com idade entre 20 e 50.

A média da idade em anos da população foi de 36,24 com desvio padrão de + 9,57, o gênero predominante foi o masculino (94,44%), e utilizavam DPAI's do tipo concha (abafadores) por 8 horas por dia.

Para verificação de DTM, o Research Diagnostic Criteria For Temporomandibular Disorders (RDC/TMD) eixo I 9 (Figura 3) foi aplicado por um fonoaudiólogo pesquisador experiente. O protocolo que consta de um conjunto de critérios de diagnóstico relativos a limitações funcionais e alterações estruturais, para fins de pesquisa. Este envolve a realização de procedimentos e exame clínico da articulação temporomandibular.

O estudo foi desenvolvido obedecendo aos critérios éticos determinados pela Resolução 196/96 que emanam diretrizes para a pesquisa envolvendo seres humanos, na qual o projeto recebeu aprovação pelo Comitê de Ética do Hospital Agamenon Magalhães sob o protocolo nº57/2009. Todos os voluntários assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido expondo assim sua permissão em participar do estudo.

Os dados foram tabulados com auxílio do software SPSS na versão 13.0. Para a análise estatística adotou-se a descrição da freqüência percentual e relativa dos dados.

 

RESULTADOS

A caracterização e distribuição das queixas apresentadas pelos trabalhados a respeito do uso do DPAI está disposta na Tabela 1.

 

 

Do total da amostra 87% (36 participantes) já apresentavam algum sintoma doloroso após o uso o DPAI, e obtiveram diagnóstico positivo de DTM, segundo o RDC/TMD Eixo I, conforme descrito a seguir (Tabela 2)

 

 

A dor miofacial apresentou-se mais freqüente na população (83%), já a dor miofacial com limitação foi observada em apenas 11%. O diagnóstico menos evidenciado no estudo foi o deslocamento de disco que corresponde aos desarranjos intra-articulares, que foi percebido em apenas 6% do total da amostra.

Com relação ao tempo de profissão dos participantes com diagnóstico positivo de DTM observa-se que a maioria tem tempo de serviço de um a cinco anos (36,1%) seguidos de participantes com 11 a 15 anos de profissão fazendo uso de DPAI tipo concha (Tabela 3).

 

 

Quanto a relação entre o tempo de uso de DPAI e sinais e sintomas de DTM,observa-se que não houveram associações significativas (Tabela 4).

 

 

DISCUSSÃO

Diversas publicações têm sido relacionadas à investigação dos DPAI's com destaque à segurança, custos e aplicabilidade destes equipa-mentos 10,11, porém poucos estudos versam sobre o desconforto destes e de suas implicações devido ao uso prolongado 12.

Entretanto,é válido ressaltar que apesar disto, obteve-se um índice considerável de DTM nesta população (87%). Estes resultados mostram-se com alta prevalência o que nos remete a possibilidade dos DPAI's do tipo concha interferirem consideravelmente no quadro doloroso.

Dos colaboradores estudados, 36,1% tinha tempo de serviço entre um a cinco anos, o que demonstra possível rotatividade neste segmento. Outro aspecto atribuído a esta variável seria que estudos na área de saúde do trabalhador apontam que quanto maior o tempo de serviço dos colaboradores, maiores são as queixas relativas a desconforto pela quantidade de exposição à pressão e peso destes equipamentos 3,8.

Destaca-se ainda, nesta pesquisa, a existência de queixas relativas a desconforto pelo uso do DPAI, na qual esta variável mostrou-se presente em todos os casos investigados. Dentre as características mais freqüentes, observou-se a dor na região pré-auricular e na articulação temporomandibular, o que nos remete a possibilidade destes DPAI's contribuírem para o desencadeamento ou intensificação das dores orofaciais de origem muscular, ou seja, as mialgias mastigatórias que,correspondem à principal causa de dor no segmento orofacial13, é um tipo de DTM de alta prevalência, que envolve os músculos temporal, masseter, pterigóideo medial e lateral (músculos mastigatórios) e é classificada como dor somática profunda, caracterizada por estados de fadiga ou dor, agravados pela movimentação passiva ou funcional da mandíbula, podendo produzir uma limitação de abertura bucal, o que se assemelha as características dolorosas descrita pela população.

Os abafadores consistem em protetores auditivos que se configuram por duas calotas posicionadas cada uma em um dos pavilhões auriculares que por sua vez pressionam o pavilhão por meio de uma banda de material plástico que podem ser ajustadas horizontalmente para o controle da pressão, porém o autor destaca que devido a esta pressão que comprime a região diminuindo a irrigação sanguínea podem ocorrem quadros de irritação ou dor na região comprimida 14.

Outro fator associado ao desconforto seria a relação direta entre a atenuação conferida e o peso do abafador, em que se segue a seguinte premissa: nos ambientes mais ruidosos (como nas fábricas) se preconiza o uso de EPI's mais pesados, que por sua vez atenuam mais o ruído ambiental. Esta característica pode desencadear casos de estresse e agravar o quadro doloroso ou causar sensações de calor e aumentar a transpiração nesta região o que por sua vez pode facilitar quadros de micose (ambiente quente e úmido), justificando a presença de prurido 15.

Referente à presença de dor na região orofacial observou-se que esta esteve freqüente em 36 dos 46 colaboradores o que reforça a hipótese descrita anteriormente da acentuada presença de DTM nos colaboradores que fazem uso de EPI do tipo concha. Desta forma, foi realizado o diagnóstico onde se comprovou que a maioria da população apresentou quadro de dor miofacial sem limitação de abertura bucal.

Estudos mostram que a pressão na região muscular pode desencadear ou acentuar os quadros de DTM 16, o que se justifica pelo aumento da pressão dos abafadores na região, estimulando os receptores mecânicos periféricos (mecanismos responsáveis pelo envio da sensação dolorosa). Uma vez aumentada à sensibilidade estes são capazes de transformar em dor os estímulos recebidos o que se configura na formação do quadro álgico 16.

Na análise entre o tempo de uso de DPAI e sinais e sintomas de DTM não foram identificadas associações entre as variáveis, o que remete a possibilidade que estudos futuros e mais aprofundados sobre o impacto dos DPAI's nas disfunções temporomandibulares devem ser realizados para possibilitar o uso de estratégias que visem à minimização destes sintomas garantindo aos funcionários uma maior satisfação e conforto.

 

CONCLUSÕES

A partir da realização deste estudo pode-se observar e classificar a presença de DTM muscular caracterizada por dor miofacial na maioria dos usuários de DPAI tipo concha.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Hilda Santos de Souza Mendes Aquino
IDE Instituto de Desenvolvimento Educacional
Rua dos navegantes 992
Boa Viagem, Recife
CEP: 51021-010
E-mail: ferri-representacoes@gmail.com
silviabenevides@ufba.br
tatianapss2@gmail.com

RECEBIDO EM: 06/07/2010
ACEITO EM: 30/12/2010

 

 

Conflito de interesses: inexistente

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