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Revista CEFAC

On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.14 no.3 São Paulo May/June 2012 Epub Apr 26, 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462012005000033 

A postura corporal e as funções estomatognáticas em crianças respiradoras orais: uma revisão de literatura

 

Body posture and the stomatognathic functions in mouth breathing children: a literature review

 

 

Patricia Girarde MachadoI; Carolina Lisbôa MezzomoII; Ana Fátima Viero BadaróIII

IFisioterapeuta; Mestranda do Curso de Pós-graduação em Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil; Especialista em Atividade Física, Desempenho Motor e Saúde
IIFonoaudióloga; Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil; Doutora em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil
IIIFisioterapeuta; Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil; Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A postura corporal das crianças é objeto de crescente estudo na fisioterapia, assim como as crianças respiradoras orais o são na fonoaudiologia. Este estudo tem por objetivo verificar, na literatura científica, as funções estomatognáticas, a postura corporal e suas relações, em crianças respiradoras orais. Trata-se de uma revisão da literatura sobre a postura corporal, e o sistema estomatognático e suas relações em respiradores orais obstrutivos e funcionais. Buscou-se nas bases de dados eletrônicos MEDLINE, SCIELO e LILACS, e Googlecientífico, artigos que relacionassem esses temas nos últimos 10 anos. Os artigos selecionados foram organizados de acordo com os autores, o título, a origem, a faixa etária e o ano de publicação. Após a seleção dos textos, foram identificados apenas quatro trabalhos que relacionam postura, sistema estomatognático e respiração oral; dois que relacionam sistema estomatognático e postura; e a maioria, treze que estudam sistema estomatognático e respiração oral; dentre outros. Notou-se que há uma escassez de informações sobre a relação da postura corporal com o sistema estomatognático em respiradores orais. A escassez é ainda maior quando se compara o grupo de respiradores orais obstrutivos e respiradores orais funcionais relacionando a postura corporal com o sistema estomatognático.

Descritores: Postura; Sistema Estomatognático; Respiração Bucal; Criança


ABSTRACT

Children's body posture has been studied more and more by physical therapy, as well as mouth breather children have been studied by speech-language-hearing therapy. This study tries to check, through scientific literature, the relationship between stomatognathic functions and body posture in mouth breather children. This is a review of literature on body posture and the stomatognathic system in obstructive and functional mouth breathers. We searched, in electronic data basis such as MEDLINE, SCIELO and LILACS, and Google Scientific, articles related to these topics, published in the last 10. The selected articles were organized according to authors, title, source, age, and publishing year. When related to the type, the studies were considered: literature review articles; descriptive data analysis; field research. After selecting the texts, we identified four studies that relate posture, stomatognathic system and mouth breathing; two studies that relate stomatognathic system and posture; 13 studies relating to the stomatognathic system and mouth breathing. We may perceive that there is a lack of studies correlating body posture and stomatognathic system in oral breathers. The lack is even higher when we compare obstructive oral breathers and vicious oral breathers relating the body posture to the stomatognathic system.

Keywords: Posture; Stomatognathic System; Mouth Breathing; Child


 

 

INTRODUÇÃO

O Sistema Estomatognático (SE) é formado por um conjunto complexo de estruturas que podem ser divididas em estáticas, passivas e dinâmicas ou ativas. As primeiras são constituídas pelos arcos dentários, maxila e mandíbula, relacionadas entre si pela articulação temporomandibular (ATM). Fazem parte destas estruturas o osso hióide e outros ossos cranianos. Já as dinâmicas ou ativas são representadas pela unidade neuromuscular, que mobiliza as partes estáticas. Essas estruturas se interligam para a realização das funções vitais do organismo (respiração, sucção, mastigação, deglutição) e sociais (fonação e articulação), que são de extrema importância para a manutenção de todo o equilíbrio físico-biológico do ser humano. Elas formam um sistema de características próprias, localizadas na cavidade oral, e não são especializadas em uma só função. Portanto, alterações em qualquer de suas partes levam a um desequilíbrio geral desse sistema1,2.

Durante alguns anos o trabalho fonoaudiológico relacionado ao sistema estomatognático se restringiu, basicamente, à função de deglutição. Porém, atualmente, vários autores têm mostrado a importância de outras funções, como a mastigação e a respiração, para o desenvolvimento e o crescimento desse sistema3. Além disso, outros profissionais, como fisioterapeutas, odontólogos, otorrinolaringologistas e oftalmologistas, têm se associado para ampliar esses estudos.

Desde o nascimento, a respiração nasal é uma situação vital para o ser humano. Essa é a respiração fisiológica, a qual favorece o crescimento e um bom desenvolvimento anatômico e funcional das mais diversas estruturas do corpo. Influencia diretamente a manuten-ção da organização esquelética, dentária e muscular do sistema estomatognático, das funções orofaciais, além do desenvolvimento físico e intelectual4-6.

Interrompendo o processo fisiológico da respiração, tem-se a respiração oral (RO), uma adaptação funcional que acarreta modificações não somente nos órgãos e aparelhos diretamente envolvidos, mas também na dinâmica corporal como um todo 4,5,7. A RO é uma função adaptativa do sistema estomatognático que pode promover alterações estruturais que permitem sua instalação e funcionalidade. Quando isso acontece, compromete o equilíbrio existente entre as funções mastigatórias, de deglutição, respiração e fonação, condição necessária para o bom desenvolvimento e normal crescimento desse sistema8.

Por essa razão, favorece o aparecimento de alterações posturais, pois a criança que respira cronicamente pela boca, para conseguir respirar melhor, necessita adaptar a postura da cabeça, anteriorizando-a para que o ar chegue mais rapidamente aos pulmões, ou seja, flexiona o pescoço para frente, retificando o trajeto das vias respiratórias9. A anteriorização da cabeça provoca alterações da postura da mandíbula, do osso hióide e da língua, trazendo consequências para o crescimento ósseo facial e para a oclusão e interferindo na competência das funções alimentares (sucção, mastigação e deglutição), o que se deve à conformação anatômica em cadeia dos elementos ósteo-musculares dessa região1,2.

No intuito de compensar este mau posicionamento da cabeça em relação ao pescoço, a coluna e o restante do corpo sofrem alterações. Ao flexionar o pescoço para frente, as escápulas se elevam e a região anterior do tórax fica deprimida, tornando a respiração mais rápida e curta, com pequena ação do diafragma. O relaxamento deste músculo e do músculo reto-abdominal, associado a uma ingestão de ar constante, leva a criança respiradora oral a projetar o abdômen. Essas alterações musculares fazem com que o corpo tenda a ir para frente e para baixo, provocando novas compensações na postura de braços e pernas, que por sua vez assumem um alinhamento corporal fora dos padrões anatômicos ideais para compensar os desequilíbrios causados pelas alterações respiratórias10. Essas alterações podem levar a descompensações pulmonares, cardíacas, viscerais, físicas, comportamentais, entre outras1.

Atualmente, muitos estudos sobre a RO têm sido desenvolvidos, discutindo suas características e todas as alterações que este padrão respiratório acarreta. Também muitos profissionais são solicitados para tratar dessa patologia, já que as suas consequências podem ser as mais variadas possíveis. Diante do exposto, o presente estudo apresenta uma revisão da literatura nos últimos 10 anos sobre a temática que envolve as funções estomatognáticas e a postura corporal de crianças respiradoras orais obstrutivas e funcionais.

 

MÉTODO

Este é um estudo exploratório em que se utiliza a técnica de revisão não-sistemática da literatura, com a qual se buscou construir um referencial teórico sobre a postura corporal e o sistema estomatognático em respiradores orais obstrutivos e funcionais. A fim de se atingir o objetivo do estudo, foi realizada uma pesquisa de artigos em diferentes bases de dados eletrônicos, a saber MedLine/PubMed, SciELO, LILACS e Googlecientífico.

Os artigos foram incluídos de acordo com os seguintes critérios: data de publicação e abordagem de temas relacionados às questões de postura corporal, funções estomatognáticas e/ou respiração oral em crianças. Utilizou-se para a busca dos artigos os seguintes termos: Respirador Bucal/Oral; Respirador Bucal/Oral Obstrutivo; Respirador Bucal/Oral Funcional; e Sistema Estomatognático e Postura. Também foram feitas buscas pelas associações: sistema estomatognático e postura; sistema estomatognático e respiração bucal/oral; respiração bucal/oral e postura. Foram excluídos os artigos que tratavam do tema relacionado a adultos.

Os temas foram pesquisados nos títulos e/ou nos resumos dos estudos examinados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão.

Os artigos selecionados foram organizados de acordo com os autores, o título, a origem, a faixa etária e o ano de publicação. A classificação dos periódicos foi realizada conforme o tipo do estudo e a temática envolvida. Quanto ao tipo, os estudos foram considerados: artigo de revisão de literatura; análise descritiva dos dados; pesquisa de campo; estudo observacional; estudo de caso e estudo piloto.

Para a classificação da temática, utilizou-se as seguintes associações: sistema estomatognático e postura (SE/PO); sistema estomatognático e respiração oral (SE/RO); respiração oral e postura (RO/PO); respirador oral obstrutivo e respirador oral funcional (ROO/ROF); sistema estomatognático, postura e respirador oral (SE/PO/RO), sendo os resultados obtidos para estas associações apresentados por frequência simples. Após, as informações derivadas da literatura foram delineadas considerando as temáticas mais gerais, a saber: 1. Sistema Estomatognático e a respiração oral; 2. Relação da postura corporal com as funções estomatognáticas; e 3. Relação da postura corporal com as funções estomatognáticas nos respiradores orais.

Após a seleção dos textos, identificaram-se as seguintes relações temáticas:

- Sistema estomatognático e respiração oral (SE/RO) (14);

- Sistema estomatognático e postura - (SE/PO) (3);

- Sistema estomatognático, respiração oral e postura (SE/RO/PO) (5);

- Sistema estomatognático, respiração oral (obstrutivo e funcional) e postura (SE/ROO/ROF/PO) (1);

- Respiração oral e postura (RO/PO) (8);

- Postura e respirador oral - obstrutivo e funcional - (1);

- Sistema estomatognático e respirador oral obstrutivo e funcional (1);

- Respiração oral (6);

- Fala e respirador oral (1).

Tais associações foram utilizadas apenas para busca e posterior classificação dos estudos, a fim de torná-lo mais didático. Conforme foram sendo realizadas as buscas, as associações previstas na metodologia não atenderam aos resultados encontrados, portanto optou-se por ampliar as combinações previamente estabelecidas.

Segue-se a descrição dos resultados da apresentação dos textos, seguindo o método citado anteriormente. Conforme busca: 1. Sistema Estomatognático e a respiração oral; 2. Relação da postura corporal com as funções estomatognáticas; e 3. Relação da postura corporal com as funções estomatognáticas nos respiradores orais.

 

REVISÃO DA LITERATURA

A partir da busca realizada, seguindo os critérios pré-estabelecidos, foi encontrado um total de 40 artigos. A Figura 1 mostra o número de artigos encontrados na busca, organizados de acordo com os autores, o título, a origem, a faixa etária e o ano de publicação. Ainda, apresentam a classificação dos periódicos conforme o tipo do estudo e a classificação da temática.

Conforme apontada na Figura 1, ao classificar os artigos quanto ao tipo, observou-se que 5 apresentam análise descritiva dos dados; 21 referem-se à pesquisa de campo; 1 diz respeito à estudo observacional; 1 à estudo de caso e 1 à estudos piloto. De forma geral, observa-se uma predominância de estudos nacionais na literatura consultada. Quanto à classificação da temática, observou-se que há um maior número de estudos sobre sistema estomatognático. Observa-se, assim, um predomínio de artigos que relacionam sistema estomatognático e respiração oral (13) e a escassez de artigos que trazem informações sobre sistema estomatognático e respirador oral obstrutivo e funcional. Assim como uma escassez entre a relação que há de postura e respiração oral obstrutiva e funcional.

Após a apresentação das informações sobre os tipos e classificação dos artigos encontrados, seguem informações derivadas da literatura revisada, delineadas a partir das temáticas: sistema estomatognático e a respiração oral; relação da postura corporal com as funções estomatognáticas; e relação da postura corporal com as funções estomatognáticas nos respiradores orais.

Sistema estomatognático e a respiração oral

Na primeira infância, é comum se encontrar um padrão respiratório, ora pelo nariz, ora pela boca, conhecido como padrão misto. Para que este tipo respiratório ocorra, é necessário o vedamento labial ou outros fechamentos da cavidade oral, como o contato do dorso da língua com o palato duro ou da base da língua com o palato mole. Para isso, é importante a integridade anatômica e funcional das vias aéreas, ou seja, não deve ser apresentado impedimento à passagem do ar. Caso não haja o vedamento desses pontos ou qualquer tipo de impedimento, a respiração nasal é substituída pela oral ou predominantemente oral. Quando isso ocorre por um período maior que seis meses9,10, acarreta uma condição patológica com importantes alterações morfofuncionais no sistema estomatognático1,4-6.

A RO é muito frequente na infância e, apesar de ser um sintoma, pode ser considerada uma síndrome, denominada Síndrome de Respiração Oral, envolvendo sinais e sintomas, pois acarreta várias mudanças não só nos aparelhos envolvidos com a respiração (orofaciais), como também alterações miofuncionais que modificam o eixo corporal e sua dinâmica4,11-14.

As características físicas mais relevantes atribuídas a estes pacientes observados no estudo de Filho, Bertolini e Lopes (2006)15 são as alterações faciais como: face adenoideana, olhar triste e desatento; aumento vertical do terço inferior da face; arco maxilar estreito; palato ogival; ângulo goníaco obtuso; má oclusão dentária (mordida aberta, incisivos superiores protruídos, mordida cruzada); posição baixa do osso hióide e lábio superior curto; lábio inferior evertido; além de hipotonia dos elevadores de mandíbula, labial e lingual e incompetência; e alterações da postura de língua em repouso e nas funções4,7,12.

Falcão et al. (2003)16 apresentam como alterações orofaciais: face alongada e alterações das arcadas como mordida aberta anterior e cruzada. Menezes et al. (2006)17 encontraram como alterações faciais no Respirador Oral e Respirador Nasal: vedamento labial inadequado (58,8% x 5,7%), olhos caídos (40,0% x 1,4%), palato ogival (38,8% x 2,9%), mordida aberta anterior (60,0% x 30,0%), lábios hipotônicos (23,8% x 0,0%) e olheiras (97,5% x 77,1%). Na pesquisa de Motonaga, Berte e Anselmo-Lima (2000)18 as alterações morfológicas no sistema estomatognático mais comuns foram: face sugestiva de dolicocéfalo, olheiras, mandíbula abaixada, lábios entreabertos, lábios superior e inferior alterados e alterações dentárias. Bicalho, Motta e Vicente (2006)19 demonstraram prevalência em: hipotensão em lábios (55%) e bochecha (45%), hipertensão mentual (45%), lábio inferior com eversão (45%), má oclusão (70%) e alteração de fala (65%). Na pesquisa de Cattoni et al. (2007)20 os aspectos estudados mais comuns na população de RO também foram: posição habitual de lábios entreabertos, de língua no assoalho oral, hiperfunção do músculo mentual durante a oclusão dos lábios, lábio inferior com eversão, possibilidade de vedamento labial quando solicitada, mordida alterada e palato duro alterado, e apesar destas alterações apresentaram também simetria de bochechas.

As principais manifestações dos respiradores orais apontadas pelos autores foram: sonolência diurna, cefaléia, agitação e enurese noturna, cansaço frequente, baixo apetite, bruxismo, problemas escolares e até déficit de aprendizado e problemas comportamentais7,12. Abreu et al. (2008)21, ao estudar crianças RO, detectaram: dormir com a boca aberta (86%), roncar (79%), coçar o nariz (77%), babar no travesseiro (62%), dificuldade respiratória noturna ou sono agitado (62%), obstrução nasal (49%) e irritabilidade durante o dia (43%). Felcar et al. (2010)22, concluíram que crianças com sete anos de idade, que babavam e roncavam à noite, apresentavam maior predisposição a ocorrência da respiração oral. Menezes et al. (2007)23 ao verificar a influência sócio-econômica e demográfica na determinação da respiração oral, obtiveram como resultado a maior prevalência de respiradores orais em escolas publicas do que em particulares.

A respiração oral pode ser de ordem orgânica (obstrutiva) ou funcional. A respiração oral orgânica deve-se a fatores obstrutivos, podendo ser causada por obstruções mecânicas no interior das cavidades nasais ou orais, nas coanas ou na rinofaringe. Os autores concordam que, dentre as alterações mais frequentes das vias aéreas superiores que podem levar a esse tipo de respiração, destacam-se: desvio do tabique ou septo nasal, hipertrofia das adenóides, malformações (congênitas) dos ossos nasais, hipertrofia dos cornetos ou de tonsilas (faríngea e/ou palatina) nasais e enfermidades pulmonares (asma, bronquite, bronquiectasia, sinusite, bronquite); infecções crônicas das amígdalas palatinas e alergias respiratórias ou doenças inflamatórias (rinite alérgica)3,9,11,13,24-26.

A respiração oral funcional ou viciosa (por hábito) não vem acompanhada de nenhuma obstrução, e se percebem como alterações mais frequentes: os vícios adquiridos, como sucção de chupeta, mamadeira e dedos; fatores psicológicos; ou também, devido à hipofuncionalidade dos músculos da face, que causa a não oclusão labial27. Falcão et al. (2003)16 observaram uma forte associação entre a RO e os hábitos bucais deletérios, como o da onicofagia.

Os resultados de Motonaga, Berte e Anselmo-Lima (2000)18 permitiram concluir que as principais causas de respiração oral em crianças foram rinite alérgica, hipertrofia de adenóide e/ou amígdala, por hábito e patologias obstrutivas associadas. Na pesquisa de Abreu et al. (2008)20, os resultados mostraram como principais causas: rinite alérgica (81,4%), hipertrofia de adenóides (79,2%), hipertrofia de amígdalas (12,6%) e desvio obstrutivo do septo nasal (1,0%). No estudo de Lemos et al. (2009)28, em que avaliaram 170 pacientes, entre 6 e 55 anos de idade, estes relatam que obstrução nasal é um sintoma predominante em quadros de rinite alérgica e está diretamente relacionada à presença de alterações funcionais do sistema estomatognático, pois os autores encontraram uma alta porcentagem de pacientes do grupo rinite com alteração do modo respiratório.

O respirador oral, em muitos casos, não pode mastigar corretamente o alimento, devido à necessidade de respirar, pois ao abrir a boca para tal, há adaptações e desequilíbrio das estruturas e funções orofaciais que comprometem a mastigação e a deglutição, e, consequentemente, gera dificuldades na alimentação. A mastigação pode ser considerada a função mais importante do sistema estomatognático, por ser a fase inicial do processo digestivo, que se inicia na boca3.

Nas funções estomatognáticas grande parte das pesquisas relata alterações, principalmente na mastigação e na deglutição. De acordo com a análise dos resultados obtidos no estudo de Lemos et al. (2006)26, concluiu-se que há uma relação estatisticamente significante entre a respiração oral e a presença de deglutição atípica. Hennig et al. (2009)29 observaram alterações na deglutição, sendo que 87,5% dos sujeitos respiradores orais apresentaram ação labial, 75% ação mentual e 75% projeção lingual como características da deglutição adaptada, enquanto que os respiradores nasais não apresentaram tais alterações. Coelho e Terra (2004)24 concluíram que os respiradores orais apresentam alterações no padrão fisiológico de deglutição devido à alta prevalência de deglutição atípica nos portadores de má oclusão, o que mostra existir uma relação muito grande entre problemas ortodônticos e o padrão de deglutição.

Bicalho, Motta e Vicente (2006)19 estudaram 22 respiradores orais, sendo que 90,9% das crianças pesquisadas apresentaram alteração de deglutição (p<0,001), e a participação da musculatura perioral teve prevalência (72,7%), seguida de projeção anterior de língua (68,2%), projeção de cabeça (40,9%), deglutição ruidosa (9,1%) e interposição de lábio inferior (4,5%). Além disso, 95% apresentaram alterações na mastigação (p<0,001). Andrada e Silva et al. (2007)3, evidenciaram que a respiração oral interfere negativamente na mastigação em relação aos aspectos: tempo mastigatório, sobras de alimento na cavidade oral, postura dos lábios e ruído durante a mastigação. Motonaga, Berte e Anselmo-Lima (2000)18 também puderam observar alteração nos padrões normais de mastigação e deglutição nos RO. Maciel et al. (2007)30, mostraram que 84% das crianças avaliadas apresentaram distúrbio miofuncional orofacial, sendo os mais encontrados também a mastigação e a deglutição inadequadas.

No trabalho de Ferla et al. (2008)6, foram estudados dois grupos de crianças, 17 respiradoras orais (RO) e 12 respiradoras nasais (RN), as quais foram submetidas à avaliação eletromiográfica bilateral dos múscu-los temporal anterior e masseter. Nos resultados os pesquisadores puderam observar que o nível de atividade elétrica do grupo RO foi inferior para todos os músculos e estatisti-camente significante somente para o temporal esquerdo; os respiradores orais apresentaram predomínio de atividade elétrica no lado direito e no músculo temporal durante a mas-tigação habitual.

Além dos problemas de respiração, mastigação, deglutição, postura e tonicidade dos órgãos fonoarticulatórios, os respiradores orais podem apresentar também distúrbio articulatório. A má-oclusão, uma das principais características do respirador oral, pode acarretar dificuldades ou desvios de produção fonético/articulatório. Entretanto, existem poucos trabalhos que relatam a ocorrência de distúrbios articulatórios decorrentes a este tipo de respiração. A fala pode ser imprecisa com presença de ceceio anterior ou lateral e a voz pode ser alterada pelo ressecamento dos tecidos da laringe que prejudica a vibração das pregas vocais31.

Grande parte dos autores pesquisados concordam que a presença da respiração oral modifica todo o sistema estomatognático, levando a alterações significantes e muitas vezes permanente. Portanto, existe uma relação intrínseca entre os componentes do sistema estomatognático e a respiração oral, o que deve ser levado em consideração nas avaliações de todos os pacientes com esssa patologia.

Relação da postura corporal com as funções estomatognáticas

O desenvolvimento neuropsicomotor normal caracteriza-se pela aquisição gradual do controle de postura com o surgimento das reações de retificação e das reações de equilíbrio. Este processo depende da integridade do Sistema Nervoso Central e evolui de forma ordenada, de tal modo que cada etapa é consequência da precedente e necessária à posterior. O desenvolvimento das reações de retificação e de equilíbrio permite ao indivíduo manter sua postura e equilíbrio da cabeça, tronco e extremidades inferiores em todas as circunstâncias normais, contra a ação gravitacional, enquanto braços e mãos permanecem livres para a exploração do ambiente32.

Assim, deve-se observar a atitude postural funcional adequada, visando regular a postura com conceitos neurofisiológicos modernos e analisando como estes fatores incidem no complexo orofacial. As compensações, bloqueios e fixações corporais devem ser avaliados na postura global e relacionados aos movimentos e posturas orofaciais (postura de lábios, bochecha, mandíbula, língua), pois a relação entre o sistema estomatognático e a postura de cabeça é estabelecida ao se considerar que as duas regiões possuem algumas conexões nervosas em comum. A cabeça mal posicionada em relação ao pescoço compromete a musculatura orofacial (principalmente o músculo escaleno, o esternocleidomastóideo e o platisma) e acarreta alterações na coluna no intuito de compensação. Sabe-se que a postura corporal global interfere na posição da cabeça, que por sua vez é diretamente responsável pela postura da mandíbula e da língua na cavidade oral33.

Cuccia & Caradonna (2008)34 revisaram os artigos que relacionam o sistema estomatognático, principalmente as funções estomatognáticas, e a postura corporal. Dessa forma, confirmaram que tensões no sistema estomatognático podem contribuir para deficiências no alinhamento e no controle neural da postura, já que existem conexões entre o sistema trigeminal, as estruturas nervosas envolvidas no controle da postura e as cadeias músculo-fasciais. Em um dos artigos estudados por esses autores, os resultados indicaram que a total obstrução nasal, induz a mudança da postura da cabeça (elevação cervical).

Assim como as pesquisas realizadas, a prática clínica também verifica a relação importante que há entre a postura corporal e o sistema estomatognático. Não há como negar que durante as funções estomatognáticas, principalmente as funções vitais, ocorrem alterações importantes na postura corporal. Estas modificações ocorridas durante as funções se associadas a alterações já presentes na postura corporal do indivíduo, geram problemas nas funções estomatognáticas. Portanto, um indivíduo com cabeça anteriorizada consequentemente terá maior dificuldade em pelo menos algum aspecto das funções estomatognáticas e este fator é muitas vezes esquecido de ser avaliado e pesquisado, dado ao baixo número de artigos sobre o assunto.

Relação da postura com as funções estomatognáticas nos respiradores orais

Além das alterações posturais dos órgãos fonoarticulató-rios, a obstrução nasal pode ser causadora ou mantenedora de cabeça mal posicionada em relação ao pescoço, com consequências para a coluna. Para compensar o peso do crânio e manter a cabeça alinhada, torna-se necessário o equilíbrio entre as forças musculares anteriores e posteriores à coluna cervical, sendo que os músculos mais fortes, na região posterior, apoiam-se na cintura escapular (cíngulo dos membros superiores). A projeção anterior da cabeça causa também mudanças na tensão da língua, face (especialmente do músculo bucinador) e nos músculos supra e infra-hioídeos, que contraem o músculo constritor da faringe, retificando o espaço oronasofaríngeo e facilitando a entrada de ar pela boca14,35,36.

A posição da cabeça e do pescoço, em relação ao tronco, tem efeito definido sobre toda a organização do corpo. Quando o pescoço está projetado anteriormente, a musculatura do pescoço e da escápula é afetada, provocando postura anormal. Os ombros rodam internamente, ficam encurvados ("ombros caídos") deprimindo assim o tórax (peito afundado), gerando a alterações no ritmo e na capacidade respiratória, pois o diafragma passa a trabalhar numa posição mais baixa e de forma assincrônica, o que ocasiona uma respiração mais rápida e curta, criando uma deficiência de oxigenação (o volume corrente diminui associado à menor mobilidade do tórax)1,14.

Consequentemente, os grupos musculares tomam uma nova trajetória de função que passa a ser para frente e para baixo. Desse modo, ocorrem compensações posturais adaptativas de todo o organismo, como deformidades torácicas (principalmente aumento da cifose fisiológica), abdômen distendido (devido à flacidez muscular), antepulsão da pelve e alteração da curva lombar, os ombros rodam internamente ("ombros caídos"). A postura alterada dos ombros terá como consequência um desajuste das escápulas, que ficarão em posição de "asas abertas" ou escápulas abduzidas. Já que a localização das escápulas é determinada pelas clavículas, um desequilíbrio afetaria também os músculos ligados a elas. Como resultado destas posturas anormais, os joelhos também se adaptarão, apresentando-se em semiflexão e os pés apresentarão diminuição do arco plantar, pois com toda esta desorganização corporal, o centro de gravidade ficará mais anteriorizado e o apoio dos pés ficará mais frontal para manter o equilíbrio. Com isso, a marcha também poderá apresentar-se alterada1,13,34.

Falcão et al. (2003)17, avaliaram a postura corporal e quase metade da amostra apresentou cabeça anteriorizada; e a grande maioria apresentou cabeça inclinada e ombros assimétricos. Yi et al. (2008)37 afirmam que o respirador oral apresenta diminuição da lordose cervical, aumento da cifose torácica, aumento da lordose lombar e anteversão da posição da pelve. Motta et al. (2009)38 concluiram que a anteriorização da cabeça é a alteração mais evidente em crianças respiradoras orais. Basso et al. (2009)39 apresentaram como resultados da avaliação postural: na vista anterior predominou a elevação do ombro direito, flexão de cotovelo e dedos; na vista posterior, observou-se abdução e elevação das escápulas e rotação dos joelhos; e, na vista lateral, anteriorização da cabeça, protrusão e rotação interna de ombros.

No trabalho de Lima et al. (2004)40, estes avaliaram 19 crianças RN, 26 ROF e 17 ROO, de 8 a 10 anos de idade, de ambos os sexos, por meio da biofotogrametria na face anterior, perfil e posterior. Os resultados mostraram que na angulação relativa à 2ª vértebra torácica, local de maior proeminência torácica e 9ª torácica (T2T9), os resultados dos RN foram significantemente maiores do que os ROO. Já na angulação da 7ª vértebra cervical, os resultados dos ROO foram significantemente maiores do que os ROF, e na medida relativa à T2T9, os resultados dos ROF foram significantemente maiores do que os ROO.

Os respiradores orais apresentam alterações no sistema estomatognático, que se manifestam na conformação e estrutura dos órgãos, fazendo com que o corpo saia de seu eixo. O sistema estomatognático é uma entidade fisiológica funcional, perfeitamente definida e integrada por um conjunto heterogêneo de órgãos e tecidos, cuja biologia e fisiopatologia são absolutamente interdependentes. Várias estruturas são importantes e participam do sistema estomatognático, sendo elas: dentes, mandíbula, músculos, ossos, ligamentos, vasos sanguíneos, complexo neural, ATM, sendo que estas auxiliam na realização das funções vitais (mastigação, sucção, deglutição, respiração) e sociais (fonação e articulação) de extrema sensibilidade e importância para a manutenção de todo o equilíbrio físico-biológico do ser humano. Existe uma íntima relação entre os ossos da face, dentes, músculos e cavidades (nasais, paranasais e orais), assim como com o sistema vascular e nervoso correspondentes. Há muito tempo é conhecida à possibilidade de ossos e dentes interferirem e provocarem alterações nas assim chamadas partes moles, sendo o inverso mais frequente, muitas vezes determinadas pelas alterações respiratórias. Ocorrem modificações contínuas em todas essas estruturas, constituindo um processo dinâmico. As alterações desse sistema provocam desequilíbrios que se manifestam na conformação dos órgãos 1.

Se estas alterações não forem detectadas a tempo, poderão transformar-se em deformidades esqueléticas degenerativas, provocando graves consequências. Porém, o indivíduo não necessita ser portador de todos os sinais e sintomas que padronizam a síndrome do respirador oral para que possa ocorrer um desequilíbrio ósseo-muscular16.

Além disso, notou-se que há uma escassez de estudos que versem sobre a relação da postura corporal com o sistema estomatognático em respiradores orais. A carência é ainda maior quando se compara o grupo de respiradores orais obstrutivos com os respiradores orais funcionais, relacionando a postura corporal com o sistema estomatognático.

 

CONCLUSÃO

Percebe-se a partir da revisão teórica realizada que a respiração oral é tema de inúmeros artigos e textos dada a sua relevância na área da saúde. Porém, há uma carência de integralização dos estudos sobre este tema por pesquisadores de pelos profissionais de áreas distintas da saúde.

Além disso, notou-se que há uma escassez de estudos que versem sobre a relação da postura corporal com o sistema estomatognático em respiradores orais. A carência é ainda maior quando se compara o grupo de respiradores orais obstrutivos com os respiradores orais funcionais, relacionando a postura corporal com o sistema estomatognático.

 

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Endereço para correspondência:
Patricia Girarde Machado
Rua São Paulo, 307, Ap. 302, Centro
São Leopoldo - RS - Brasil
CEP: 93010-170
E-mail: pati_girarde@hotmail.com

RECEBIDO EM: 03/05/2011
ACEITO EM: 03/11/2011
Conflito de interesses: inexistente