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Revista CEFAC

versão On-line ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.14 no.4 São Paulo jul./ago. 2012 Epub 13-Dez-2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462011005000139 

A influência do ambiente familiar e escolar na aquisição e no desenvolvimento da linguagem: revisão de literatura

 

Family and school environment influences on language acquisition and development: literature review

 

 

Ramilla Recla ScopelI; Valquíria Conceição SouzaII; Stela Maris Aguiar LemosIII

IAcadêmica do curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais
IIAcadêmica do curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais
IIIFonoaudióloga; Professora Adjunto do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais; Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

TEMA: o termo linguagem é definido como organizado sistema de símbolos, com propriedades particulares que desempenham a função de codificação, estruturação e consolidação dos dados sensoriais, o que permite que experiências sejam comunicadas e seus conteúdos transmitidos. O desenvolvimento da linguagem depende não somente das condições biológicas inatas de cada indivíduo, como também sofre influência de fatores ambientais presentes nos meios em que as crianças estão inseridas, como por exemplo, a família e a escola.
OBJETIVO: descrever e analisar as produções científicas relevantes para o entendimento da influência do ambiente familiar e escolar na aquisição e desenvolvimento da linguagem em crianças por meio de revisão da literatura.
CONCLUSÃO: as produções científicas apresentadas apontam a relevância da estimulação no âmbito familiar e escolaridade dos pais, porém pôde-se perceber a carência de estudos que relacionassem o desenvolvimento infantil com o ambiente escolar. Outro fator que chamou atenção foi a falta de estudos que correlacionem vocabulário e fonologia com os fatores ambientais escolares e familiares. A partir da revisão da literatura abrem-se novas perspectivas de trabalhos a serem realizados na Fonoaudiologia para que as lacunas existentes possam ser preenchidas com novos conhecimentos sobre desenvolvimento infantil.

Descritores: Ambiente; Família; Linguagem; Fonoaudiologia; Creches; Desenvolvimento Infantil


ABSTRACT

BACKGROUND: the term language is defined as organized system of symbols, with properties, that has a role in encoding, consolidation and structuring sensory data, allowing for experiments to be reported and their contents communicated. Language development depends not just on the innate biological conditions of each individual, but is also influenced by environmental factors in the environments where children are inserted, such as family and school.
PURPOSE: to describe and analyze scientific studies relevant to understanding the influence of family and school environment in language acquisition and development in children through a literature review.
CONCLUSION: the scientific studies point out to the importance of stimulation in the family and parents' education, but one can perceive a lack of studies in children's development within school en vironment. Another factor that drew attention was the lack of studies to correlate vocabulary and phonology with the school and familial environmental factors. From the literature review opens up new prospects for work to be performed in speech pathology so that such gaps can be filled up with new knowledge on child development.

Keywords: Environment; Family; Language; Speech, Language and Hearing Sciences; Child Day Care Centers; Child Development


 

 

INTRODUÇÃO

O termo linguagem pode ser definido como um organizado sistema de símbolos, com propriedades particulares que desempenham a função de codificação, estruturação e consolidação dos dados sensoriais, o que permite que experiências sejam comunicadas e seus conteúdos transmitidos. Deste modo, a linguagem pode ser definida como um sistema de troca de informações 1.

As diferentes línguas são compostas por fonemas distintos. A criança, durante o seu desenvolvimento, aprende a ignorar alguns fonemas e dirige a atenção aos mais utilizados em sua língua materna. As regras permitem ao sujeito fazer a distinção entre os diversos fonemas da língua considerando suas particularidades 2. Na aquisição fonológica normal, o domínio do sistema fonológico da língua alvo é atingido espontaneamente, em uma sequência e faixa etária comum à maior parte das crianças (quatro a seis anos)3.

O desenvolvimento lexical mantém inter-relação com as experiências sociointeracionais da criança e essas experiências fornecem as formas lexicais convencionais adquiridas no início do desenvolvimento; contudo o crescimento do vocabulário depende da variação individual de cada pessoa 4.

O adequado desenvolvimento da linguagem verbal é de grande importância para o inicio do processo de alfabetização, contribuindo para que ocorra uma boa comunicação escrita. O vocabulário e a fonologia adequados possibilitam um bom desempenho social da linguagem por meio de uma emissão eficiente e pronúncia correta 2.

O desenvolvimento da linguagem depende não somente das condições biológicas inatas de cada indivíduo, como também sofre influência de fatores ambientais presentes nos meios em que as crianças estão inseridas, como por exemplo, a família e a escola 5.

O meio assume um papel essencial no processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem, pois nele a criança vai se desenvolver de forma progressiva. Em um ambiente estimulante e facilitador a complexidade da linguagem da criança ou de cada individuo se desenvolverá de forma natural respeitando o ritmo individual 6.

A escola é um dos ambientes que proporcionam o processo do desenvolvimento infantil. Cabe às instituições criar condições que propiciem ao indivíduo uma aprendizagem contínua, em que os conhecimentos adquiridos nos os primeiros anos de vida possam ser explorados, confrontados e aprofundados na instituição escolar 7.

As crianças estão sendo colocadas cada vez mais cedo e num período maior de tempo em instituições de educação infantil, portanto é importante que o ambiente escolar também seja avaliado, de forma que esse possa oferecer as melhores condições possíveis para o desenvolvimento infantil. Estes devem ser ambientes ricos em recursos em estimulação ao desenvolvimento de linguagem, principalmente na fase pré-escolar, fase na qual a criança começa a desenvolver conhecimentos e capacidade importantes para o bom desempenho não apenas escolar, mas também social e emocional 8.

O atraso de linguagem causa prejuízos escolares significantes na vida das crianças. A detecção precoce desses atrasos, bem como o conhecimento dos seus fatores de risco e proteção, possibilita ações de promoção de saúde no campo da atenção primária em saúde com a melhor capacitação dos profissionais da área e organização de programas de intervenção na infância 9 .

Dada a relevância do tema, se faz primordial, inicialmente, a análise do conhecimento já produzido acerca dessa temática. Procurando oferecer subsídios que permitam reflexões e que tragam contribuições para a intervenção fonoaudiológica. Deste modo, o presente estudo tem o objetivo de descrever e analisar as produções científicas relevantes para o entendimento da influência do ambiente familiar e escolar na aquisição e desenvolvimento da linguagem em crianças por meio de revisão da literatura.

 

MÉTODOS

Trata-se de uma revisão da literatura. Para construção do estudo as seguintes etapas foram realizadas: elaboração da pergunta norteadora, busca na literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão dos resultados e apresentação da revisão integrativa

A pergunta norteadora do presente estudo consistiu em: Qual a influência do ambiente familiar e da creche no desenvolvimento da linguagem infantil?

Foi realizado levantamento bibliográfico nas bases de dados do Portal Capes, Lilacs, a base em Ciências da Saúde em Geral da Bireme, Scielo e Google Acadêmico, sobre o assunto de interesse publicado no período de 2005 a 2010.

Os descritores utilizados nas pesquisas foram: ambiente, família, linguagem, fonoaudiologia, creches, desenvolvimento infantil e comunicação. Para a busca em inglês foram utilizados os seguintes descritores: language, speech, language development, speech language and hearing sciences,enviroment, day care center. Para realização da busca em espanhol foram utilizados os seguintes descritores: desarrollo infantil, desarollo del lenguaje, medio ambiente e comunicación.

Os critérios de inclusão dos artigos da presente revisão integrativa foram: artigos publicados completos em periódicos nacionais e internacionais; artigos que abordassem a temática do estudo, dentro da área de interesse da fonoaudiologia e artigos publicados nos últimos cinco anos. A busca às bases de dados resultou em 24 publicações.

A análise dos dados extraídos foi realizada de forma descritiva, em duas etapas. Na primeira, foram identificados os dados de localização do artigo, ano e periódico de publicação, autoria, objetivo, metodologia, resultados principais. Na segunda etapa ocorreu a análise crítica dos artigos e a discussão quanto ao "estado da arte" das produções na área, análise dos principais achados e avanços evidenciados pelos estudos, quais lacunas teóricas e "práticas" a serem preenchidas e perspectivas a serem consideradas em futuros estudos.

 

REVISÃO DE LITERATURA

A presente revisão de literatura é composta por 24 estudos, sendo 20 nacionais e 4 internacionais. Os estudos foram separados por eixos temáticos e serão apresentados a seguir.

Nas Figuras de 1 a 3 estão apresentados a metodologia e os principais achados referentes à temática da influência do ambiente familiar e da creche no desenvolvimento fonológico e lexical infantil, segundo a distribuição pelos subtemas fonologia/ambiente, vocabulário/ambiente e ambiente familiar/creche/linguagem.

Na Figura 4 foram distribuídos os temas que foram mais estudados nos últimos 5 anos.

A Figura 5 apresenta um gráfico quantitativo dos estudos que abordaram os seguintes assuntos: escolaridade dos pais, nível socioeconômico, histórico do distúrbio na família, ambiente escolar, relação entre fonologia e vocabulário e categorização das alterações.

A Figura 6 apresenta os principais fatores indicadores de risco que aparecem nos artigos selecionados para a revisão bibliográfica, bem como as principais conclusões a que esses estudos chegaram.

O objetivo deste trabalho foi reunir informações relevantes para o entendimento da influencia do ambiente familiar e da creche no desenvolvimento da linguagem infantil.

De acordo com os dados da Tabela 1, verificou-se que dos 8 artigos que estudaram a influência do ambiente no desenvolvimento fonológico infantil, 3 correlacionaram a presença do transtorno fonológico em um dos familiares com a alteração fonológica infantil 10-12 e desses apenas um artigo não encontrou relação direta entre o transtorno fonológico em um dos familiares e a alteração fonológica infantil 12. Apenas um artigo 13 correlacionou a alteração fonológica nas crianças com nível de escolaridade dos pais. Os demais artigos 14-17 verificaram variáveis como sexo, idade e nível socioeconômico da família. Por tanto, ressalta-se a necessidade mais estudos que verifiquem a influência do ambiente familiar com o desenvolvimento fonológico das crianças, além disso, é necessário que os autores utilizem mais de uma variável nos seus estudos. É importante destacar ainda o fato de não terem sido encontrados artigos que retratem a influência do ambiente da creche no desenvolvimento fonológico da criança, tornando-se evidente a necessidade de mais estudos na área.

Foram encontrados apenas 4 artigos 18-21 que correlacionaram o ambiente com o desenvolvimento lexical das crianças (Figura 2). Nenhum dos artigos estudou o ambiente da creche como fator que influência o desenvolvimento lexical infantil. Nos artigos encontrados, as variáveis estudadas foram: renda familiar 20, cujo estudo revelou que quanto maior a renda maior é a extensão frasal da criança; escolaridade dos pais 19, e quanto menor a escolaridade materna e paterna maiores os riscos para o desenvolvimento infantil; estímulos presentes no ambiente familiar 21, em que se observou o efeito de um ambiente estimulador, diretamente proporcional ao maior vocabulário expressivo na criança e por fim a idade da criança 18, no qual se constatou que o número de nomeações aumenta à medida que a faixa etária avança.

Os temas de investigação variaram ao longo dos anos, no entanto, verificou-se uma escassez de publicações que abordem de forma mais profunda a relação entre ambiente e o desenvolvimento lexical e fonológico das crianças.

A Tabela 3 é composta por 8 artigos que tratam do desenvolvimento da linguagem infantil de crianças no ambiente familiar e escolar. Dos 6 artigos que estudaram o desenvolvimento da linguagem em escolares 8,22-26 apenas 2 estudos8,25 avaliaram a qualidade do estímulo ambiente escolar, levando em consideração fatores como escolaridade dos professores, tamanho do grupo de crianças e qualidade do ambiente da sala de aula e ambos os estudos encontraram relação direta entre o desenvolvimento da linguagem infantil e a qualidade do ambiente escolar. Pesquisas nesta área são importantes indicadores para a necessidade de melhorias no ambiente escolar, com conseqüente melhora para o desenvolvimento infantil.

Observa-se uma linha do tempo com os assuntos mais abordados pelos estudos nos últimos 5 anos. Os assuntos variaram ao longo dos anos, no entanto, verificou-se uma escassez de artigos que abordem de forma mais profunda a relação entre ambiente e o desenvolvimento lexical e fonológico das crianças. Ressalta-se ainda a necessidade de pesquisas que utilizem instrumentos padronizados que avaliem o ambiente familiar e escolar (Figura 4).

A análise da frequência de temas mais abordados pelos artigos indicou que muitos autores preocupam-se com a categorização das alterações 14-18 e menos com as causas das mesmas. Averiguou-se que as variáveis relacionadas ao ambiente escolar e familiar ainda são pouco exploradas, indicando a necessidade de estudos que aprofundem seus conhecimentos nessas variáveis. Além disso, percebe-se que a grande maioria dos artigos utiliza duas a três variáveis no controle de sua pesquisa; por exemplo, idade, sexo e escolaridade materna, ou ainda escolaridade dos pais e nível socioeconômico. É importante que os estudos busquem analisar o maior número possível de variáveis que incluam o ambiente em que a criança se encontra inserida. Somente dessa forma, será possível apresentar resultados significantes a respeito da influência do ambiente no desenvolvimento da linguagem infantil (Figura 5). Dentre os estudos relacionados para este estudo, foram encontrados fatores de risco que estão listados pela literatura e que podem influenciar o desenvolvimento da linguagem, esses fatores serão discutidos a seguir (Figura 6).

A analise dos resultados revelou que a variável ambiental mais estudada foi a escolaridade dos pais 9,13,19,24,26-28,30. Parte dos estudos mostrou que há influência da escolaridade materna 13,24,26,28 e apenas dois estudos relacionaram a influência da escolaridade paterna no desenvolvimento infantil 13,19. Os estudos que relataram influência da escolaridade materna e paterna no desenvolvimento infantil mostraram que quanto maior o tempo de estudo dos pais menor é a chance de as crianças apresentarem alterações, o que indica a importância do nível de escolaridade dos pais na promoção do desenvolvimento infantil.

A segunda variável ambiental e fator de risco mais estudado nos últimos 5 anos, foi a influência do nível sócio econômico no desenvolvimento infantil 20,22,24 . Um estudo 20 indicou que quanto maior a renda familiar, melhor a estruturação frasal além de ser um dos fatores que influenciam na quantidade e qualidade de estímulos fornecidos.

O histórico de distúrbio fonológico na famí- lia 10-12 foi a terceira variável mais estudada sendo que alguns estudos revelaram que crianças que apresentam desvio fonológico possuem membros na família com alterações similares, o que poderia influenciar no desenvolvimento do distúrbio 10,11. Tais estudos não corroboram parte da litera- tura 12, que revela não haver associação entre o histórico familiar de alteração fonológica e o desenvolvimento da alteração na criança. Assim, verificou-se controvérsias quanto à influência do histórico familiar no distúrbio fonológico na criança, sendo necessária a realização de investigações adicionais para verificar tal fator.Apesar de vários estudos terem sido realizados no ambiente escolar 8,14,23-25, apenas dois consideraram a avaliação do ambiente da escola 8,25. Deste modo verifica-se que há pouca pesquisa orientada para esta variável. Deve-se considerar o ambiente escolar como um importante indicador devido ao tempo em as crianças permenecem nesse ambiente.

A escolaridade das educadoras e ao grande número de alunos em sala de aula também foram considerados fatores de risco para o desenvolvimento da linguagem 8.Um estudo mostrou que quanto menor o grau de escolaridade das educadoras e maior o número de alunos por sala de aula pior a qualidade dos estímulos oferecidos para o desenvolvimento da linguagem. Visto a importância do ambiente escolar no qual a criança está inserida é relevante o estudo que correlacione a capacitação dos profissionais e a qualidade do estimulo que a criança recebe.

Dentre os fatores de risco abordados, foi mostrado que crianças de mães que trabalham fora e que convivem com companheiro no ambiente familiar apresentam melhor estimulação e desenvolvimento de linguagem 28. Outro fator abordado foi a influência da quantidade de irmãos. O estudo apontou que crianças mais velhas que convivem com número reduzido de irmãos menores aproveitam melhor a qualidade da estimulação do ambiente familiar 28. Visto que poucos estudos abordam os temas acima fazem-se necessárias novas pesquisas que elucidem a influência de tais fatores no desenvolvimento da linguagem.

Deve-se ressaltar ainda que, apesar de terem sido encontrados alguns artigos que correlacionem fonologia e vocabulário 29-33, nenhum dos estudos correlaciona esses dois fatores juntos com a variável ambiente. Sendo assim ratifica-se a necessidade do desenvolvimento de estudos a respeito da temática supracitada.

Dentre os indicadores de risco encontrados apenas um estudo abordou a prematuridade e baixo peso ao nascer como fatores que podem influenciar o desenvolvimento do léxico infantil 20. O estudo revelou que crianças pré-termo apresentam vocabulário expressivo inferior ao de crianças a termo. A prevalência de alterações de desenvolvimento de linguagem entre os sexos foi abordada em um estudo 17, que não encontrou diferença com significância estatística entre o desempenho de ambos os sexos e a quantidade de processos fonológicos encontrada. Os achados acima mostram a necessidade de novas produções que abordem a influência dos indicadores citados acima para que possíveis dúvidas sejam solucionadas.

Foram encontrados, ainda, estudos que correlacionam fonologia e vocabulário 29-33. A maioria dos estudos mostrou que crianças que apresentam distúrbio fonológico apresentam resultados inferiores nas provas de vocabulário, quando comparado às crianças que não apresentam alteração fonológica 31-33,tais resultados não corroboraram outro estudo que apontou que não há relação entre alteração fonológica e vocabulário 30. Deste modo verifica-se a necessidade de que se realizem mais estudos que relacionem fonologia e vocabulário, devido a importância de ambos no desenvolvimento da linguagem.

Deve-se ressaltar ainda que, apesar de terem sido encontrados artigos que correlacionem fonologia e vocabulário, nenhum dos estudos correlaciona esses dois fatores juntos com a variável ambiente. Sendo assim ratifica-se a necessidade de que se desenvolvam estudos a respeito da temática supracitada.

 

CONCLUSÃO

Um adequado desenvolvimento da linguagem depende de fatores intrínsecos e extrínsecos. As influências do ambiente no qual a criança está inserida é de grande importância para o desenvolvimento lexical e fonológico. As produções científicas apresentadas apontam a relevância da estimulação no âmbito familiar e escolaridade dos pais, porém pôde-se perceber a carência de estudos que relacionassem o desenvolvimento infantil com o ambiente escolar, visto que este é de grande importância na aquisição e desenvolvimento da linguagem. Outro fator que chamou atenção foi a falta de estudos que correlacionem vocabulário e fonologia com os fatores ambientais escolares e familiares.

Além das questões citadas, observou-se nos estudos, a falta do uso de protocolos padronizados para a realização das avaliações, além do não uso de todas as variáveis ambientais que podem influenciar no desenvolvimento da criança.

A pesquisa bibliográfica mostra lacunas e indica novas perspectivas de trabalhos a serem realizados na Fonoaudiologia.

 

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Endereço para correspondência:
Stela Maris Aguiar Lemos
Av. Alfredo Balena, nº 190, Santa Efigênia
Belo Horizonte - Minas Gerais
E-mail: lemos.stela@gmail.com

Recebido em: 01/03/2011
Aceito em: 06/06/2011
Conflito de interesses: inexistente