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Revista CEFAC

versão On-line ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.14 no.4 São Paulo jul./ago. 2012 Epub 14-Fev-2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462012005000009 

Zumbido e ansiedade: uma revisão da literatura

 

Tinnitus and anxiety: a literature review

 

 

Marine Raquel Diniz da RosaI; Anna Alice Figueirêdo de AlmeidaII; Flávia PimentaIII; Caroline Gonçalves SilvaIV; Maria Aline Ribeiro LimaIV; Margareth de Fátima Formiga Melo DinizV

IFonoaudióloga; Professora Assistente do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, João Pessoa-PB, Brasil; Mestre em Distúrbios da Comunicação pela Universidade do Tuiuti - UTP, Doutoranda do programa de Pós-graduação em Produtos Naturais Bioativos e Sintéticos-LTF/UFPB, João Pessoa-PB, Brasil
IIFonoaudióloga, Professora Adjunto do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa-PB, Brasil; Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
IIIMédica; Professora de Hematologia Centro de Ciências Médicas - UFPB; Doutoranda do programa de Pós-graduação em Produtos Naturais Bioativos e Sintéticos-LTF/UFPB, João Pessoa-PB, Brasil
IVDiscente do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB); vinculada ao Programa Institucional de Voluntários de Iniciação Científica - PIVIC/UFPB, João Pessoa-PB, Brasil
VMédica e Farmacêutica; Professora Associada III do Departamento de Ciências Farmacêuticas - UFPB; Professora do programa de Pós-graduação em Produtos Naturais Bioativos e Sintéticos-LTF/UFPB, João Pessoa-PB, Brasil; Doutora em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos-LTF/UFPB

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O zumbido, som percebido pelo indivíduo sem que haja estímulo externo, resulta da interação dinâmica de centros do sistema nervoso central, incluindo vias auditivas e não auditivas. O resultado desta interação, especialmente sistema límbico e sistema nervoso autônomo, seria responsável pelo desencadeamento de associações emocionais negativas e reações de incômodo em pacientes com zumbido. A ansiedade, condição fisiológica inerente ao ser humano, quando exacerbada gera um transtorno de humor, comprometendo o pensamento, o comportamento e a atividade psicológica. Se um estímulo interno ou externo for interpretado como perigoso ou ameaçador, desencadeará uma reação emocional caracterizada como estado de ansiedade. Este artigo tem como objetivo realizar uma revisão da literatura sobre a relação do zumbido e da ansiedade. Em se tratando do zumbido, a forma como o som é percebido pode ser alterado pela ansiedade, aguçando assim a sensibilidade para detectar sons que parecem uma ameaça em potencial, pois para muitos o zumbido é sinônimo de enfermidade grave. A etiologia do desenvolvimento da depressão e ansiedade pode estar relacionada ao zumbido. Muitos adquirem esse sintoma por problemas físicos e, consequentemente, desenvolvem a depressão e a ansiedade. Outros com graus diferentes de angústias adquirem o zumbido devido ao comprometimento emocional. Dessa forma, existe um vínculo entre o zumbido e problemas emocionais, mas nem sempre é fácil identificar o precursor. Estudos demonstram que pacientes acometidos pelo zumbido apresentam maior tendência ao suicídio, depressão e ansiedade. Além disso, referem o efeito aditivo da ansiedade e da depressão na qualidade de vida e no zumbido dos indivíduos.

Descritores: Zumbido; Ansiedade; Depressão


ABSTRACT

Tinnitus is a sound perceived without external stimulus, and results from the dynamic interaction of the centers in the central nervous system, including non-auditory and auditory ways. The result of this interaction, especially with the limbic system and autonomic nervous system, would be responsible for triggering negative emotional associations and distress in patients with tinnitus. Anxiety, a physiological condition inherent to human beings, when exacerbated, generates a mood disorder, affecting thinking, behavior and physiological activity. If an inner or outer stimulus is interpreted as dangerous or threatening, it may trigger an emotional reaction characterized as a state of anxiety. This work aims to review the relationship between tinnitus and anxiety. The tinnitus sound is perceived can be altered by anxiety, thereby, sharpening the sensitivity in detecting sounds that seem a potential threat, because for many people, tinnitus is synonymous with a serious illness. The etiology for the development of depression and anxiety may be related to tinnitus. Many people acquire this symptom by physical problems and hence develop depression and anxiety. Others with different degrees of distress due to tinnitus acquire emotional problems. Thus, there is a probable link between tinnitus and emotional problems, but it is not always easy to identify which one occurs first. Studies show that patients affected by tinnitus have a greater trend for suicide, depression and anxiety. They also refer to the additive cumulative effects of anxiety and depression on the quality of life of tinnitus sufferers.

Keywords: Tinnitus; Anxiety; Depression


 

 

INTRODUÇÃO

O zumbido, também denominado acúfeno ou tinnitus, é o som percebido na ausência de um estímulo sonoro externo. É considerado o terceiro pior sintoma para o ser humano, sendo superado apenas pelas dores e tonturas intensas e intratáveis1. É um transtorno que produz extremo desconforto, de difícil caracterização e tratamento, e de acordo com sua gravidade pode excluir os acometidos do convívio social e até levar ao suicídio2.

A literatura mostra que a gravidade dos zumbidos não é atribuída apenas pela percepção da intensidade, visto que mais de 80% dos indivíduos acometidos percebem-no em intensidades menores que 20dB (nível de um sussurro), enquanto que menos de 5% em intensidades maiores que 40dB 3. Outros fatores apontados como agravantes do quadro são as sensações referentes ao tipo de som, à constância, à duração e à localização do zumbido.

O zumbido clinicamente importante é o resultado da interação dinâmica de alguns centros do Sistema Nervoso Central, incluindo vias auditivas e não auditivas. O resultado da interação dinâmica entre estes centros, especialmente o Sistema Límbico e o Sistema Nervoso Autônomo, seria responsável pelo desencadeamento de associações emocionais negativas e reações de incômodo referidas pelos pacientes com zumbido clinicamente significante4.

Ao ativar o Sistema Límbico, responsável pelas emoções, o indivíduo passa a percebê-lo com maior intensidade e esse continua perceptível o dia inteiro (15% dos casos). E em 5% dos casos, ao ser ativado o Sistema Nervoso Autônomo (incômodo), outra via não auditiva, são liberadas determinadas substâncias que podem aumentar a frequência cardíaca e respiratória, provocar insônia e aumentar o incômodo do zumbido5.

Os pacientes com zumbido queixam-se de insônia e falta de concentração, tais manifestações interferem na qualidade de vida desses indivíduos6. Além disso, o zumbido é frequentemente associado com depressão, ansiedade e outras desordens psicológicas e psiquiátricas7.

A ansiedade é uma condição normal desencadeada como uma resposta de adaptação do organismo, propulsora do desempenho, com envolvimento de componentes psicológicos e fisiológicos. A ansiedade passa a ser patológica apenas quando a intensidade ou frequência da resposta não corresponde à situação que a desencadeia, ou quando não existe um objeto específico ao qual se direcione. Essa diferenciação vai depender da situação em si, das características do indivíduo e da interpretação que ele faz da situação8.

O modo pelo qual o som é percebido pode ser alterado pela ansiedade, aguçando assim a sensibilidade para detectar sons que possam parecer uma ameaça em potencial. Em se tratando do zumbido, a sensação e incômodo que este traz na vida de cada indivíduo depende da associação que o indivíduo faz com esse sintoma, pois para muitos é sinônimo de enfermidade grave. Esse fato por si só pode gerar a ansiedade.

Ao discorrer sobre as bases neuronais dos estados da ansiedade, é importante mencionar sua relação com os mecanismos reguladores do comportamento de defesa diante de estímulos ameaçadores ou em situações de perigo9.

Em pesquisas observa-se um conjunto de respostas que caracterizam uma reação de defesa que normalmente acompanha os estados aversivos característicos da ansiedade. Salienta a existência e os tipos de manifestações corporais involuntárias mais comuns para esse fenômeno: secura da boca, sudorese, palpitações, vômitos, arrepios, tremor, dores abdominais e outras alterações biológicas e bioquímicas detectáveis por métodos apropriados de investigação, ainda lista alguns outros atribuídos que podem ser incluídos na descrição da ansiedade: ser normal ou patológica, ser leve ou grave, ser prejudicial ou benéfica, ser episódica ou persistente, ter uma causa física ou psicológica, ocorrer sozinha ou junto com outro transtorno, e afetar ou não a percepção e a memória 9,10.

A literatura aponta que uma das possíveis causas para o desenvolvimento da depressão e ansiedade pode estar relacionada com o zumbido, esteja ele associado ou não à perda de audição. Muitas pessoas adquirem o zumbido por problemas físicos e, por consequência, desenvolvem a depressão e a ansiedade. No entanto, pessoas que estão em fases complicadas da vida, com graus diferentes de angústias adquirem o zumbido devido ao comprometimento emocional. Dessa forma, existe um vínculo grande entre zumbido e problemas emocionais, mas nem sempre é fácil identificar quem é o precursor5.

Estudos demonstram que o zumbido está frequentemente associado à ansiedade e à depressão6, 7. Além disso, evidenciam o efeito aditivo da ansiedade e da depressão na qualidade de vida e no zumbido dos indivíduos acometidos11 Por ter essa relação com a ansiedade e a depressão, faz-se necessária a investigação de possíveis questões psicológicas em pacientes com zumbido e nesse contexto, existem pesquisas que preconizam o uso de questionários de auto-avaliação do zumbido, como por exemplo, o THI (Tinnitus Handicap Inventory), como preditor de pacientes com alto grau de ansiedade e depressão, ou seja, pode servir de triagem para aqueles pacientes que necessitam de uma avaliação psicológica mais completa11, 12.

Sendo assim, a identificação da ansiedade e de desordens depressivas em pacientes com zumbido é importante sob o ponto de vista terapêutico, visto que até o momento não se tem nenhuma droga, totalmente eficaz, que atue na eliminação do zumbido. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é realizar uma revisão da literatura sobre zumbido e ansiedade, e a relação entre ambos.

 

MÉTODO

A busca na literatura foi realizada entre os meses de março e dezembro de 2010, a partir das seguintes bases de dados on-line: Lilacs, Medline, SciELO, Bireme, Pubmed e Portal de Periódicos CAPES.

Foram utilizados os descritores: tinnitus (zumbido) e anxiety (ansiedade). Os artigos pesquisados foram na língua portuguesa e inglesa, sendo selecionados os artigos de maior relevância e atuais sobre os temas. Além disso, foram pesquisados também livros e capítulos de livros escritos por autores/pesquisadores renomados nos temas de zumbido e ansiedade.

Após identificação dos artigos, estes documentos foram agrupados por ordem cronológica da temática discutida, facilitando, assim, a análise, o que permitiu conhecer as perspectivas das pesquisas sobre zumbido, ansiedade e sua relação.

 

REVISÃO DA LITERATURA

Zumbido

O zumbido caracteriza-se pela presença de um ou mais sons nas orelhas ou na cabeça em ausência de estímulo sonoro externo correspondente. É também denominado acúfeno ou tinnitus, podendo ser definido como uma sensação sonora endógena, não relacionada a nenhuma fonte externa de estimulação.

É considerado o terceiro pior sintoma para o ser humano, sendo superado apenas pelas dores e tonturas intensas e intratáveis1. Ele afeta de maneira direta ou indireta o indivíduo em atividades profissionais e de lazer, chegando a atingir 15% da população dos Estados Unidos, 17% da população mundial e causa sofrimento significante em 4% das pessoas em geral. No Brasil, acredita-se que mais de 28 milhões de indivíduos sejam portadores de zumbido, o que o torna um problema de saúde pública13. Além disso, interfere em relacionamentos familiares e sociais, podendo levar até mesmo ao suicídio, em casos extremos2.

O zumbido é um dos primeiros sinais de problemas auditivos e a prevalência cresce proporcional ao aumento da idade, mas pode ser encontrado também em crianças. No entanto, pesquisa realizada em indivíduos com idade entre 24 e 83 anos demonstrou que sexo, idade e perda auditiva não influenciaram no incômodo gerado pelo zumbido14. Os sintomas mais comuns que estão associados ao zumbido são falta de concentração, insônia, diminuição da discriminação de fala, ansiedade, depressão6,7,15.

O incômodo causado pelo zumbido varia de um indivíduo para outro, visto que depende justamente de fatores psicológicos primários, como a dificuldade em lidar com o problema, alterações do humor (depressão e ansiedade), baixa concentração, irritabilidade, como também a presença de quadros psiquiátricos e traços específicos de personalidade16,17. No entanto, não há diferenças nas propriedades psicoacústicas do zumbido (intensidade, frequência e nível mínimo para sua supressão) entre os portadores de zumbido que sofrem e os que não sofrem com ele, e sim uma pequena correlação entre a intensidade do zumbido e o incômodo causado no paciente17.

O zumbido relaciona-se ainda com outras doenças, como por exemplo, as metabólicas, endocrinológicas, cardiovasculares, neurológicas, farmacológicas, odontológicas e psiquiátricas13.

Atualmente, o zumbido tem sido classificado em duas amplas categorias: objetivo e subjetivo. O tipo objetivo é um dos tipos mais comuns, o qual só pode ser ouvido pelo paciente e é difícil identificar a causa. Enquanto o subjetivo pode ser ouvido por outra pessoa, como também pelo paciente, podendo ser causado por mioclonia dos músculos da orelha média, mioclonia palatal ou vibração do fluxo sanguíneo na orelha18-20. Além disso, o zumbido pode ser transitório, quando ocorre por minutos ou poucas semanas após exposição ao ruído, ou crônico, quando permanece por mais de meses, sendo comparado a uma dor crônica19.

Causa e Fisiopatologia

Por ser considerado um sintoma, o zumbido pode ter diversas causas, dentre as que podem provocá-lo existem: otológicas (perda súbita, perda auditiva induzida por ruído, doença de Meniére, otosclerose, excesso de cerúmen), neurológica (traumatismo cervical, esclerose múltipla, neurinoma do acústico), infecciosas (otite média, meningite, sífilis), medicamentosas (salicilatos, aminoglicosídeos, antiinflamatórios, diuréticos, quimioterápicos) e odontológicas (disfunção temporo-mandibular)21.

De acordo com a visão neuro-fisiológica do zumbido, o processo pelo qual este aparece, pode ser dividido em três etapas: geração, a qual frequentemente ocorre nas vias periféricas, podendo ocorrer também nas centrais; a detecção ocorre em nível dos centros sub-corticias e baseia-se em padrão de reconhecimento; a percepção ocorre no córtex auditivo com participação importante do sistema límbico, do córtex pré-frontal e de outras áreas corticais1.

Existem teorias que explicam a fisiopatologia do zumbido, incluindo questões do sistema auditivo periférico, sistema auditivo central, sistema somatossensorial, e sistema límbico e sistema nervoso autônomo15.

No que diz respeito ao Sistema Auditivo Periférico, existem três teorias: emissões otoacústicas espontâneas, teoria Edge (teoria contraste) e teoria discordante. As emissões otoacúsitcas, primeiramente descoberta por Kemp, são sinais acústicos gerados pela eletromotilidade das células ciliadas externas da cóclea, os quais podem ser percebidos como um zumbido22. Entretanto, às vezes, mesmo suprimindo as emissões otoacústicas espontâneas o zumbido não melhora23.

A segunda teoria supracitada refere-se ao aumento da atividade espontânea na área em que há ausência ou patologia das células ciliadas externas, ou seja, região de pouca funcionalidade. A teoria discordante pode explicá-la melhor visto que um dano desproporcional entre CCE (células ciliadas externas) e CCI (células ciliadas internas), em situações traumáticas ao ouvido, como exposição ao ruído ou drogas ototóxicas, causam alteração da estrutura da cóclea, começando por lesar a membrana basilar na região das altas frequências, com alteração primeiramente das CCE e, posteriormente, das CCI, sendo esta última área particular de geração do zumbido. A membrana basilar na ausência de acoplamento dos cílios por lesão das CCE pode promover a despolarização tônica das CCI, com consequente atividade anormal das fibras aferentes, ocorrendo então, a diminuição da eferência, uma vez que há CCE que não respondem ao estímulo sonoro. Assim, como uma fibra eferente inerva cerca de 100 CCE, essa diminuição pode afetar áreas da membrana basilar em que as CCE estão normais, fazendo-as contrair livremente e estimular as CCI dessas regiões. Essa atividade poderia ser responsável pelo zumbido24.

Quanto ao Sistema Auditivo Central, a fisiopatologia do zumbido relaciona-se à hiperatividade do núcleo coclear dorsal causado pelos reajustes desta parte da via auditiva após o dano das CCE, ou seja, a diminuição do input no nervo auditivo leva à desinibição do núcleo coclear dorsal, aumentando a atividade espontânea no Sistema Auditivo Central, o qual se manifesta como zumbido. Além disso, o dano na cóclea pode aumentar a atividade neural na via auditiva (central) ocasionando uma plasticidade auditiva. Pode ocorrer também um cross-talk entre as fibras nervosas desmielinizadas, pela falta de isolamento elétrico entre elas, com o surgimento de "curtocircuito" entre as mesmas. Essa perda do isolamento elétrico pode ocorrer devido à síndrome de compressão vascular dentro do canal auditivo interno, neurinoma do acústico ou outra patologia retrococlear, resultando em aumento da atividade espontânea de diferentes fibras18.

Em relação ao Sistema Somatossensorial, esta é uma via não-auditiva que pode estar envolvida no zumbido, tendo em vista a presença do zumbido em pacientes com desordem temporo-mandibular18.

A fisiopatologia do zumbido que é mais incômodo e que causa ansiedade ou outras questões psicológicas está relacionada ao Sistema Límbico e o Sistema Nervoso Autônomo, pois estes são sistemas não auditivos que são "estimulados" dependendo da interpretação ou reação do indivíduo ao seu sintoma (zumbido), visto que estes são os sistemas ligados à emoção25.

Avaliação e Diagnóstico

Para avaliar e diagnosticar o zumbido, o paciente acometido por este sintoma deve ser submetido a uma bateria de testes para então definir sua possível etiologia e iniciar o tratamento.

Na avaliação audiológica básica, a qual inclui audiometria tonal limiar, audiometria vocal e imitanciometria, existem detalhes que definem a etiologia do zumbido. Por isso, além da avaliação básica deve ser realizada uma anamnese específica ao zumbido, pesquisando fatores associados e o handicap desses pacientes. Além da pesquisa dos níveis de desconforto para sensação de intensidade (LDL- loudness discomfort level), do loudness (sensação de intensidade), do pitch (sensação de frequência) e do limiar mínimo do mascaramento do zumbido, assim como a avaliação das frequências acima de 8kHz na audiometria13.

Inclui-se também a acufenometria26, atualmente pouco utilizada para mensurar a intensidade do zumbido, mas apresenta como principal vantagem a possibilidade de monitoração da real intensidade do zumbido, e, por consequência, a monitorização do tratamento, além de auxiliar no topo-diagnóstico das lesões auditivas27.

Existem outros exames complementares que podem trazer maiores informações sobre o zumbido: avaliação do processamento auditivo (central), emissões otoacústicas espontâneas e por produto de distorção, potencial evocado de tronco encefálico, além de avaliação otoneurológica13.

A realização de um exame de imagem como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética também poderá ser necessária para estudar o ouvido médio, interno e estruturas crânio encefálicas relacionadas28. Assim como exames laboratoriais e exame físico da região da cabeça e pescoço.

Além dos exames e testes supracitados, atualmente tem sido utilizados escala análigo-visual e questionários de auto-avaliação, visto que o relato do paciente é muito importante para avaliar e acompanhar o tratamento. Para tanto são utilizados questionários de Zumbido, como por exemplo, o THI-Tinnitus Handicap Inventory (Figura 1), mais utilizado e validado no Brasil, que avalia por meio de questões as reações funcionais, emocionais e catastróficas ao zumbido. Outra forma de avaliação é por meio da Escala Análogo-Visual uma forma gráfico-visual de determinar-se o nível de incômodo ou desconforto gerado pelo zumbido, atribuindo-se nota de 1 a 10. São valorizados principalmente os itens volume e desconforto27.

Algumas pesquisas em busca da caracterização, diagnóstico e tratamento do zumbido vem sendo desenvolvidas 29-33 Em relação aos pacientes com zumbido e audiometria normal, tem sido demonstrado que as características clínicas do zumbido (tempo de doença, localização, tipo, freqüência de aparecimento) nestes pacientes são semelhantes às de indivíduos com zumbido e perda auditiva. Entretanto, a interferência provocada na concentração e no equilíbrio emocional foi significantemente menor, o que não ocorreu em relação à interferência no sono e na atividade social. A literatura tem relatado que indivíduos com zumbido e a vertigem pode haver indício de alteração vestibular, enquanto que a associação de tontura não rotatória com alterações neurovegetativas é indicativa de ausência de alteração vestibular 29.

Em relação às habilidades no teste do processamento auditivo, quanto à habilidade de fechamento auditivo, na literatura foi observado desempenho significantemente pior nos indivíduos com audiometria normal e zumbido quando comparados aos indivíduos sem zumbido e audiometria normal30. Outro estudo 31 também observou que o zumbido interferiu na habilidade de fechamento auditivo, porém os autores utilizaram indivíduos com perda auditiva. Nas habilidades de atenção seletiva e resolução temporal não houve interferência pelo zumbido, ou seja, em indivíduos com zumbido, este não interferiu nas habilidades auditivas de atenção seletiva e resolução temporal32. A literatura especializada também demonstra que alterações nos testes auditivos centrais e anormalidades eletrofisiológicas no Potencial Evocado Auditivo de Longa Latência podem ser encontradas em pacientes com zumbido 33.

Tratamento

Por ser um sintoma e ser encontrado em diversas enfermidades otológicas e não otológicas, com uma fisiopatologia complexa, múltipla, e ainda não esclarecida, existem diversas modalidades terapêuticas têm sido empregadas na tentativa de cura ou mesmo controle do zumbido34.

Alguns autores dividem o tratamento em duas categorias: os que visam à redução da intensidade do zumbido e aqueles com o objetivo de aliviar o desconforto associado com o zumbido. A primeira categoria inclui a farmacoterapia e a estimulação elétrica e a outra consta de farmacoterapia, terapia cognitivo comportamental, terapia de som, a terapia de habituação, massagem e alongamento, e aparelhos auditivos15.

Apesar de não existir ainda nenhuma droga aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) ou pela European Medicines Agency (EMEA), tendo em vista a falta de replicabilidade dos estudos e a não redução do zumbido a longo-prazo, além de efeitos placebos, alguns medicamentos testados em estudos pré-clínicos e clínicos, vem sendo utilizados na busca da redução do incômodo do zumbido e melhora da qualidade de vida dos pacientes. Dentre eles pode-se citar: a lidocaína (administração intravenosa); benzodiazepínicos (exemplo: alprazolam, diazepam, clonazepam); antidepressivos (tricíclicos, como por exemplo, nortriptilina, amitirptilina e trimipramina); anticonvulsivantes (exemplo: carbamazepina); antiglutamatérgicos (memantina e acamprosato); dopaminérgicos (dopanima)15,20.

A estimulação elétrica por meio de pulsos elétricos restaura a atividade espontânea do nervo auditivo, suprimindo assim o zumbido35. Na terapia cognitiva comportamental enfoca-se como se pensa sobre o zumbido e na prevenção de pensamento negativo, além de utilizar a abordagem de dessensibilização sistemática que é aplicada a muitas fobias36.

A terapia sonora utiliza sons naturais (chuva, vento, cachoeira) para diminuir a intensidade da atividade neuronal relacionada ao zumbido no sistema auditivo. A terapia de habituação, conhecida como TRT (Tinnitus Retraining Therapy) consiste em dois componentes: o aconselhamento e a terapia do som. Tem como alvos as vias não-auditivas, particularmente o sistema límbico e sistema nervoso autônomo, e é baseada na suposição de que o zumbido representa um efeito colateral dos mecanismos normais de compensação no cérebro37. Massagem e alongamento do pescoço e os músculos da mastigação também tem sido associadas com a melhora significante do zumbido, visto que pacientes com zumbido podem ter sintomas somáticos de doenças da coluna cervical, incluindo cabeça, pescoço e ombro, bem como limitações na flexão lateral e rotação15.

As próteses auditivas e geradores de som (ruído branco) foram incorporados a um protocolo que emprega um aumento gradativo de estímulos auditivos por períodos prolongados de tempo. E a prática clínica tem demonstrado que portadores de perda auditiva associada a zumbido beneficiam-se com o uso de próteses auditivas, pois estas, além de melhorarem a compreensão da conversação, aliviam o zumbido38.

Ainda existem outros tratamentos alternativos para o zumbido tais como: acumputura, yoga, aromaterapia, homeopatia, fitoterapia, osteopatia, shiatsu, dentre outros.

Ansiedade

A Ansiedade pode ser definida como um sentimento de desconforto ou temor que é acompanhado por uma resposta autonômica. Sua fonte é frequentemente não específica ou desconhecida para o indivíduo, tornando-se um sentimento de apreensão causado pela antecipação de perigo. É um sinal variável que alerta para um perigo iminente e pertinente ao indivíduo, convocando-o a tomar medidas para lidar com a ameaça 39.

Para alguns autores a ansiedade é uma condição afetiva normal e quando em excesso, pode acarretar distúrbios do humor, bem como de pensamento, de comportamento e da atividade fisiológica40. As alterações psicofisiológicas que compõem a ansiedade são semelhantes às do medo, relacionando-se às reações de sobrevivência e de aspectos evolutivos da reação de luta ou fuga 41.

Para diferenciar a ansiedade normal da patológica é necessário considerar o nível de ansiedade do indivíduo em determinada situação, quanto tempo dura o episódio, com que frequência ela ocorre e o número de comportamentos disfuncionais que são provocados pela ansiedade. Outro aspecto importante a ser considerado é a avaliação da própria pessoa que experiencia a ansiedade 42.

Pode ser classificada em dois tipos: ansiedade-estado e ansiedade-traço. O primeiro tipo é relativo a uma sensação de desconforto ou tensão transitória determinada pelas circunstâncias em que o sujeito se encontra. Enquanto o segundo refere-se a uma tendência do sujeito perceber, ao longo da vida, situações ameaçadoras entre si 43. A ansiedade-traço reflete diferenças individuais na tendência à ansiedade 44.

Os indivíduos que apresentam alta ansiedade-traço tem predisposição a ver o mundo como perigoso ou ameaçador, além disso, experimentam reações de ansiedade-estado mais frequentemente e com maior intensidade que as pessoas com baixa ansiedade-traço 45.

As manifestações de ansiedade podem ser divididas em subjetivas ou psíquicas e objetivas. Atualmente, acredita-se que a ansiedade é um estado que se expressa por meio de quatro componentes: manifestações cognitivas, somáticas, comportamentais e emocionais 44.

As manifestações cognitivas incluem todos os aspectos de percepção do indivíduo e da avaliação do estímulo, tais como: nervosismo, irritabilidade, mal-estar indefinido, insegurança, entre outros. As somáticas associam-se à excitabilidade autonômica, acarretando o aumento da frequência cardíaca e respiratória, sudorese; à hiperventilação que gera tontura, dor ou pressão no peito; tensão muscular e tremores. As comportamentais abrangem o comportamento de esquiva do estímulo eliciador de ansiedade, ou outros como: gesticulação aumentada ou diminuída, mudanças na postura, sobressaltos, insônia. As manifestações emocionais são as sensações subjetivas de desconforto e desprazer 44.

A ansiedade é capaz de desencadear reações orgânicas que preparam o indivíduo para a manutenção e preservação de seu meio e vida, no entanto, quando presente em níveis elevados, compromete o desempenho da pessoa, fazendo com que este apresente comportamento inadequado para a situação vivenciada, caracterizando um quadro patológico 46.

Para fechar um diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada, a ansiedade e a preocupação deverão ser acompanhadas de pelo menos três sintomas adicionais, de uma lista que inclui inquietação, fatigabilidade, dificuldade em concentrar-se, irritabilidade, tensão muscular e perturbação do sono 47.

A prevalência de doenças mentais é alta, com relatos de até 30% na população geral, sendo de 18,1% ao ano. Os transtornos ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns tanto em crianças quanto em adultos, com uma prevalência estimada durante o período de vida de 9% e 15%, respectivamente 48.

No início da década de 90, o National Comorbidity Survey apontava uma prevalência de transtornos de ansiedade durante a vida de 24,9%, sendo o transtorno de ansiedade social (TAS) o mais frequente, com uma prevalência durante a vida de 13,3%. Nesse mesmo estudo, o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e o transtorno do pânico (TP) apresentavam prevalência durante a vida de 5,1% e 3,5%, respectivamente.

De acordo com a classificação 47 distinguem-se os seguintes tipos de transtornos de ansiedade: Transtorno de pânico com agorafobia; transtorno de pânico sem agorafobia; agorafobia sem ataque de pânico; fobia simples; fobia social; transtorno obsessivo-compulsivo; transtorno de estresse pós-traumático; transtorno de estresse agudo; transtorno de ansiedade generalizada; transtorno de ansiedade devido à condição clínica inespecífica; transtorno de ansiedade induzida por fármaco e transtorno de ansiedade não especificado.

Em pesquisas observa-se um conjunto de respostas que caracterizam uma reação de defesa que normalmente acompanha os estados aversivos característicos da ansiedade. Os tipos de manifestações corporais involuntárias mais comuns para esse fenômeno: secura da boca, sudorese, palpitações, vômitos, arrepios, tremor, dores abdominais e outras alterações biológicas e bioquímicas detectáveis por métodos apropriados de investigação, ainda lista alguns outros atribuídos que podem ser incluídos na descrição da ansiedade: ser normal ou patológica, ser leve ou grave, ser prejudicial ou benéfica, ser episódica ou persistente, ter uma causa física ou psicológica, ocorrer sozinha ou junto com outro transtorno, e afetar ou não a percepção e a memória 10.

Em pesquisas pré-clínicas, observa-se: atividade motora intensa acompanhada de saltos, ao lado de reações neurovegetativas, como aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca, da tensão muscular, da respiração, hipersecreção gástrica, piloereção, micção, defecação, exoftalmia, secura da boca, sudorese, arrepios, tremor, vômito, palpitações, dores abdominais, dentre outros sintomas. Essas respostas incondicionadas estão associadas ao chamado sistema de fuga/luta ou sistema cerebral aversivo, representado pelo hipotálamo medial, pela substância cinzenta periaquedutal dorsal e pela amígdala 39.

A amígdala possui conexões nervosas tanto com o neocórtex quanto com estruturas límbicas mais profundas. Assim, funciona como uma interface sensório-emocional. No Sistema Cerebral de Defesa, ela é responsável por avaliar o tipo e grau do estímulo. O resultado é por sua vez transmitido para o hipotálamo medial e a substância cinzenta periaquedutal dorsal. Esta última tem a função de selecionar e organizar as reações comportamentais e fisiológicas mais apropriadas. O hipotálamo medial controla a resposta da hipófise, responsável pela secreção de hormônios, como a adrenocorticotropina (ACTH), que estimula as glândulas adrenais e secreta o cortisol, que são liberados em condições de estresse39.

Outro sistema envolvido na ansiedade é o Sistema de Inibição Comportamental (SIC). Este responde a sinais condicionados de punição, estímulos ou situações novas, sinais condicionados de frustração por meio da supressão do comportamento operante mantido por recompensa ou, então, sinais de perigo inato. A ativação deste sistema acarretará em inibição de qualquer comportamento que o animal esteja realizando, aumento do nível de vigilância e atenção e preparo para ação física vigorosa. O principal substrato do SIC é o septo e o hipocampo que recebem aferências nervosas noradrenérgicas e serotoninérgicas9.

Mensuração da Ansiedade

A mensuração da Ansiedade é realizada com base em métodos indiretos, tais como escalas de avaliação subjetivas. Existem também medidas de alterações fisiológicas, porém existe baixa correlação entre os parâmetros fisiológicos, comportamentais e subjetivos. Então, o relato verbal ainda é a forma mais utilizada para a avaliação padronizada e reproduzível de estados subjetivos49. Existem escalas que medem a ansiedade normal e outras que medem a ansiedade patológica. As escalas de ansiedade medem vários aspectos, tais como: o humor; a cognição; o comportamento; o estado de hiperalerta; sintomas somáticos, dentre outros. Como também, tanto em sujeitos normais, quanto em pacientes, é útil a distinção entre ansiedade-traço e ansiedade-estado 8.

Faz-se necessário mencionar ainda a existência de instrumentos com finalidades diferentes: a) diagnóstica; b) de quantificação de intensidade ou gravidade em sujeitos diagnosticados 8.

De acordo com levantamento realizado 43, as escalas de ansiedade mais utilizadas nos últimos anos são: escala de ansiedade de Hamilton (HAM-A); escala de ansiedade de Beck; escala clínica de ansiedade -Clinical Anxiety Scale-CAS; escala breve de ansiedade (BAS); escala breve de avaliação psiquiátrica (BPRS) para a escala de avaliação clínica. E para as escalas de auto-avaliação são: o inventário de ansiedade traço-estado (IDATE); escala de ansiedade de Zung; escala de ansiedade manifesta de Taylor; subescala de ansiedade do Symptom Checklist; POMS (Profile of Mood States-Poms); escala hospitalar de ansiedade e depressão (Hads).

As escalas de Hamilton e de Beck estão entre as de avaliação clínica mais utilizadas, enquanto que o IDATE e a subescala de ansiedade do "Symptom Checklist" (SCL-90) são os instrumentos de auto-avaliação mais utilizados 43.

No entanto, além da utilização das mensurações psicológicas, algumas pesquisas tem unido medidas fisiológicas mais objetivas que a mensuração subjetiva. Sendo assim, a junção de medidas psicológicas e fisiológicas auxiliaria na avaliação e diagnóstico da ansiedade, tornando-se dados, quando significativos, importantes para a terapêutica.

Tratamento da Ansiedade

O tratamento do transtorno de ansiedade engloba abordagens farmacológicas e não-farmacológicas.

Na famarcológica podem ser utilizados medicamentos em médio e longo prazo. No que diz respeito ao tratamento dos transtornos de ansiedade, diversas medicações eficazes para os transtornos de ansiedade encontrem-se disponíveis, tais como benzodiazepínicos, que são os mais utilizados, barbitúricos e alguns antidepressivos, incluindo os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (exemplo: fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina), os inibidores da monoamino oxidase (exemplo: fenelzina, tranilcipromina) e os antidepressivos tricíclicos (exemplo: amitriptilina, amoxapina, clomipramina, imipramina, nortriptilina, protriptilina). Entretanto, para o tratamento da ansiedade resistente, até o momento, nenhuma droga tem a aprovação do Food and Drugs Administration e a maioria das estratégias farmacológicas utilizadas baseia-se em número restrito de estudos, muitas vezes pequenos e abertos. Embora algumas revisões sugiram que o aumento da dose é uma estratégica eficaz no manejo da resistência, não há estudos controlados que respaldem essa conduta no TAG, no TP ou no TAS resistentes ao tratamento. Ao contrário, estudos controlados avaliando diferentes doses fixas de medicações sabidamente eficazes não comprovam uma relação entra a dose e a resposta no tratamento desses três transtornos 50.

No que diz respeito a não farmacológica a psicoterapia cognitivo-comportamental é uma das mais empregadas. No entanto, existem terapias complementares como, por exemplo, a aromaterapia que também tem propriedades em restabelecer o bem-estar emocional, reduzir depressão, ansiedade e estresse 51.

Zumbido x ansiedade

A relação entre o zumbido e a ansiedade vem sendo estudada, tendo em vista a incidência de ansiedade em pacientes com zumbido, assim como o contrário. Esta associação deve-se às conexões associativas cerebrais relacionadas, principalmente, ao Sistema Límbico, envolvido com as emoções, que no zumbido, por meio de uma via não auditiva, ativa o Sistema Límbico e Autônomo, causando reações emocionais negativas e reações fisiológicas, respectivamente25. No caso da ansiedade, está envolvida com mecanismos reguladores do comportamento de defesa diante de estímulos ameaçadores ou em situações de perigo, os quais estão também relacionados à amigdala9. Desta forma, muitas vezes o próprio zumbido poderia ser um estímulo ameaçador e desencadeador da ansiedade, ou vice-versa.

Bases teóricas referem que as conexões ao córtice associativo e à área límbica-amigdala que usam a via auditiva não clássica explicam a presença de hiperacusia, de ansiedade ou de depressão, os fatores que aumentam a severidade do zumbido52. Uma pesquisa realizada com 109 pacientes com zumbido, observou-se que o aumento da severidade do mesmo está associado aos altos níveis de ansiedade e depressão, podendo o zumbido ser consequência da ansiedade/e depressão e estes exacerbarem-no53. Problemas de intolerância ao som e exacerbação são mais comuns em pacientes com zumbido e transtorno pós-traumático do que em paciente exclusivamente com zumbido54.

O zumbido tem uma associação com doenças mentais, principalmente a ansiedade e a depressão, além dos pacientes com este sintoma apresentarem baixa auto-estima55. Para tanto, estudos tem demonstrado a relação do zumbido com a ansiedade e alguns referem que o mesmo pode conduzir à aflição, à depressão, à ansiedade, e às diminuições significantes na qualidade da vida56,11. Além disso, pacientes com zumbido apresentam mais reações fisiológicas e psicológicas durante testes de estresse, visto que o nível de excitação é alto nesta população57.

As características cognitivas, assim como pensamentos catastróficos em relação ao zumbido, tem um importante papel no incômodo causado pelo mesmo e para reduzi-lo deve-se tratar as características clínicas, tais como: loudness e pitch. No entanto, após tratamento psicológico há uma significante redução do desconforto caudado pelo zumbido sem alteração do loudness, desta forma, intervenções cognitivas podem ser importantes para a adaptação psicológica do zumbido36.

Um estudo 58 envolvendo um grupo de pacientes com zumbido e outro com ansiedade, refere que pode haver pouca diferença entre ambos em relação aos sintomas apresentados, visto que a única diferença significante encontrada foi a preocupação com os sintomas corporais. No entanto, a prevalência da ansiedade é uma constante nos pacientes com zumbido, conforme demonstrado em algumas pesquisas12,56,59.

Visando determinar a predominância da depressão e da ansiedade em pacientes com zumbido, realizou-se um estudo em pacientes não hospitalizados que apresentam zumbido em uma clínica Otorrinolaringológica, utilizando o questionário da escala da ansiedade e da depressão (HADS). Observou-se que a predominância total da depressão foi de 17.4%, sendo maior em mulheres (9.8%) do que em homens (7.6%). No que diz respeito à predominância total da ansiedade foi de 22.8%, sendo mais predominante em homens (11.9%) que em mulheres (10.9%). Com os dados obtidos, os autores recomendam a avaliação psicológica em pacientes com zumbido para que estes possam ser adequadamente tratados59. Em outro estudo utilizando o mesmo questionário com o mesmo objetivo observou que dos 157 indivíduos com zumbido, 25% apresentam provável ansiedade e 27% apresentaram provável56. A incidência de ansiedade e depressão também foi encontrada em pesquisa realizada com 108 pacientes, por meio: Visual Analogue Scales (VAS), Tinnitus Handicap Inventory (THI), State Trait Anxiety Inventory Form Y (STAI-T) e Beck Depression Inventory (BDI), sendo encontrado 35% com ansiendade e 13% depressão12.

O efeito aditivo da ansiedade e da depressão em relação ao zumbido foi abordado em uma pesquisa realizada com 265 pacientes com zumbido crônico, estes agem diretamente na qualidade de vida dos pacientes, sendo necessária uma investigação de ambos os sintomas na avaliação dos pacientes com zumbido11.

Considerando o zumbido como um estressor crônico e sua relação com as aflições psicológicas, dois grupos foram submetidos (um com zumbido e outro sem zumbido) a um programa de relaxamento (10 sessões) e houve redução do incômodo do zumbido e da ansiedade59.

Sabendo que o desenvolvimento de uma resposta contrária com o reflexo da sobrevivência e a participação da resposta emocional negativa são os responsáveis para a persistência do sinal e reações vegetativas do sistema nervoso autônomo. As implicações deste conhecimento para o tratamento do zumbido envolvem a aproximação de Sistema Auditivo Central com a combinação de assistência médica e terapia para a redução do som, para assim, diminuir sua percepção.

Para tanto, existem medidas como o uso que questionários de auto-avaliação do zumbido, por exemplo, o THI (Tinnitus Handicap Inventory), como bom preditor de pacientes com alto grau de ansiedade e depressão, ou seja, pode servir de triagem para aqueles pacientes que necessitam de uma avaliação psicológica mais completa11,12. Ocorrendo então, uma maior consciência sobre a relação do zumbido com questões psicológicas16.

Nesse sentido, existem pesquisas que utilizam o THI e outros questionários de avaliação do zumbido e da ansiedade com o intuito de estudar a relação entre ambos e assim, buscar respostas e tratamentos para esses problemas12. Outras pesquisas relatam o uso de antidepressivos em pacientes com zumbido, mas assim como as demais terapias para o zumbido, ainda não há evidências suficientes da real melhora dos pacientes com esse sintoma. Há controvérsias a respeito do uso de antidepressivos para o tratamento zumbido, visto que a literatura inclui o zumbido como um efeito secundário dos antidepressivos, assim como a associação do zumbido com a retirada dos antidepressivo60.

Dentro desse contexto, os Audiologistas e Otorrinolaringologistas devem estar cientes da relação do zumbido com a ansiedade e então, exigirem protocolos e testes que podem auxiliar o tratamento e melhora da qualidade de vida dos pacientes, assim como realizar os devidos encaminhamentos.

 

CONCLUSÃO

O zumbido tem sido alvo de inúmeras pesquisas que focalizam aspectos neurofisiológicos, audiológicos, terapêuticos, psicológicos e farmacológicos. Os profissionais da área da saúde estão cada vez mais envolvidos na busca de uma avaliação precisa do paciente, além de alternativas terapêuticas eficientes e definitivas. No que diz respeito às questões psicológicas, muitas apontam a incidência de doenças mentais como a ansiedade e depressão em portadores de zumbido, assim como a relação com a severidade do zumbido e o efeito aditivo destes, causando baixa auto-estima e outros prejuízos.

No entanto, muitas vezes, não é fácil identificar se o zumbido foi o precursor da ansiedade ou se ocorreu o contrário, para tanto, faz-se necessária a investigação de questões psicológicas em pacientes que apresentam queixa de zumbido. E para que isso ocorra os profissionais que lidam com esta população precisam ter conhecimento das possíveis causas e sintomas relacionados ao zumbido, mais precisamente da íntima relação do mesmo com os aspectos psicológicos e emocionais, buscando melhorar a qualidade de vida da população em questão.

 

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Endereço para correspondência:
Marine Raquel Diniz da Rosa
Universidade Federal da Paraíba
Centro de Ciências da Saúde
Assessoria de Graduação
Campus I - Cidade Universitária
João Pessoa - Paraíba
CEP: 58051-900
E-mail: marinerosa@ccs.ufpb.br
mrdrosa@yahoo.com.br

RECEBIDO EM: 28/04/2011
ACEITO EM: 19/07/2011

 

 

Conflito de interesses: inexistente