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Revista CEFAC

On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.15 no.3 São Paulo May/June 2013 Epub Apr 05, 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462012005000027 

Ocorrência das estratégias de reparo para os fonemas plosivos, considerando o grau do desvio fonológico

 

Occurrence of repair strategies for the stops considering the severity of the phonological disorder

 

 

Aline BerticelliI; Helena Bolli MotaII

IFonoaudióloga; Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de Santa Maria - Rio Grande do Sul, Brasil. Bolsista CNPq
IIFonoaudióloga; Professora Adjunta do Curso de Fonoaudiologia e do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de Santa Maria - Rio Grande do Sul, Brasil; Doutora em Lingüística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: verificar a ocorrência ou não de estratégias de reparo para os fonemas /b/, /d/, /k/ e /g/ e a relação destas estratégias com a gravidade do desvio fonológico.
MÉTODO: selecionados 54 sujeitos com diagnóstico de desvio fonológico que apresentavam estratégias de reparo para as consoantes plosivas /b/, /d/, /k/ e /g/ nas posições de onset inicial e/ou medial, com emprego de 40% em seu sistema fonológico. Os dados foram submetidos à análise estatística por meio do programa Statistical Analysis System, versão 8.02, utilizando-se o Teste Exato de Fisher. O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5% (p< 0.05).
RESULTADOS: verifica-se diferença estatisticamente significativa para o /b/ com maior frequência de dessonorização nas crianças com desvio moderadamente-grave e desvio grave, e de posteriorização, sendo utilizadas duas ou mais estratégias pelas crianças com desvio grave. Diferença estatisticamente significativa para o /d/ com maior frequência de posteriorização nos sujeitos com desvio leve, de dessonorização e duas ou mais estratégias naqueles com desvio moderadamente-grave e a dessonorização por aqueles com desvio grave.
CONCLUSÃO: quanto mais complexos em termos de aquisição e produção são os fonemas plosivos, mais estratégias de reparo são utilizadas. E ainda, quanto maior o grau do desvio fonológico, maior é a quantidade de vezes que este recurso é usado, demonstrando que a criança possui um menor conhecimento fonológico.

Descritores: Criança; Linguagem Infantil; Fala


ABSTRACT

PURPOSE: to check the occurrence of repair strategies for the phonemes /b/, /d/, /k/ e /g/ and their relation to the severity of phonological disorder.
METHOD: 54 subjects were selected with a diagnosis of phonological disorder who had repair strategies for the stops / b /, / d /, / k / and / g / in the onset positions (initial and / or medial), with 40% of employment in their phonological systems. Data were statistically analyzed using the Statistical Analysis System program, version 8.02, and using the Fisher Test. The level of significance was 5% (p< 0.05).
RESULTS: there was a significant difference for / b / with greater frequency of devoicing in children from moderate-severe and severe degrees, and backing and use of two or more strategies in the severe degree. Statistically significant difference for /d/ with greater frequency of backing in the subjects with mild degree, of devoicing and use of two or more strategies in patients with moderate-severe degree, and devoicing in those with severe degree.
CONCLUSION: the more complex in terms of acquisition and production are the stops, most repair strategies are used. And yet, the greater is the degree of phonological disorder, the greater is the number of times where these strategies are used, showing that the child has less phonological knowledge.

Keywords: Child; Child Language; Speech


 

 

INTRODUÇÃO

O processo de aquisição e desenvolvimento do conhecimento fonológico ocorre até a idade de 5:0, em um processo gradativo, não-linear e com variações individuais1. Neste momento vários eventos acontecem ao mesmo tempo e a criança precisa coordená-los de forma a produzir som associando ao código fonológico de sua língua2. Porém, algumas apresentam alterações em sua linguagem oral, o que é chamado de desvio fonológico. Este consiste em uma dificuldade de fala, caracterizada pelo uso inadequado dos sons, de acordo com a idade e com variações regionais, que podem envolver erros na produção, percepção ou organização dos sons3. O mesmo tem sido objeto de diferentes estudos, sendo em sua maioria o enfoque na análise da eficácia dos modelos de terapia fonológica4-8.

As consoantes podem ser analisadas pelo ponto articulatório como bilabial, labiodental, dental, alveolar, alvéolo-palatal, palatal, velar e glotal; pelo modo de articulação como plosiva, nasal, fricativa, africada, tepe, vibrante, retroflexa e laterais e pela atividade laríngea como sonora e surda9 .

A classe dos fonemas plosivos é constituída pelas seguintes consoantes: /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/ e são classificadas em: bilabiais /p/ e /b/, alveolares /t/ e /d/ e velares /k/ e /g/. Na produção desses fonemas os órgãos fonoarticulatórios formam uma obstrução total da passagem de ar, tendo como registro acústico um intervalo de silêncio, que pode ser preenchido por uma barra de sonoridade originada pela vibração das pregas vocais no caso dos segmentos sonoros (/b/, /d/ e /g/), o que, portanto, não é verificado nos segmentos surdos (/p/, /t/ e /k/)10.

De acordo com a Fonologia Autossegmental existe uma hierarquia entre os traços e os segmentos são constituídos por camadas. Com base nessa teoria de traços, foi proposta uma hierarquia para o português, o Modelo Implicacional de Complexidade de Traços (MICT). O MICT prevê as possibilidades da aquisição segmental sob a forma de caminhos a serem percorridos durante a aquisição. A partir do estado zero de complexidade, formado pelos fonemas /p,t,m,n/ partem caminhos levando aos traços marcados e às combinações de traços. Na hierarquia, o primeiro traço a ser especificado é o [-ant] (/r/), que tem a menor complexidade (N1), seguido pelo traço [+voz], levando à representação de /b/ e/ou /d/, que está no segundo nível (N2) e do traço [dors] (/k/), que está no nível três (N3). No nível quatro (N4), encontra-se a combinação de traços [dors, +voz], na qual irá surgir o /g/11.

Um estudo afirma que as consoantes plosivas e nasais são os primeiros segmentos consonantais a serem adquiridos pelas crianças com desenvolvimento fonológico normal, estando ambas adquiridas antes dos 2 anos de idade1. Outro estudo relata que aos três anos de idade os fonemas /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/, /m/, e /n/ já estavam adquiridos e estabilizados no sistema fonológico das crianças desta pesquisa12.

As estratégias de reparo representam os recur-sos utilizados para adequar a realização do sistema-alvo ao sistema fonológico infantil. As crianças uti-lizam estes recursos no lugar do segmento e/ou da estrutura silábica que ainda não conhecem, ou cuja produção não dominam. À medida que o processo de aquisição fonológica transcorre, os recursos uti-lizados também se modificam, visto à proximidade do sistema fonológico infantil e adulto. Tanto na aquisição normal quanto na desviante, verifica-se a presença de estratégias de reparo13.

Na literatura algumas pesquisas analisaram a ocorrência de estratégias de reparo na fala das crianças3,14-16. Dentre as estratégias mais comumente encontradas em crianças com desvio fonológico está a dessonorização de fonemas plosivos e fricativos15. Outro estudo também aponta a dessonorização como sendo uma das estratégias mais prevalentes e de maior dificuldade evolutiva na prática clínica17,18.

Como mencionado anteriormente, a classe das consoantes plosivas é considerada de aquisição inicial. Ainda assim, há estratégias de reparo que se aplicam a esta classe, como observado com frequência na clínica fonoaudiológica. Por este motivo, o conhecimento a respeito do sistema fonológico das crianças fornece ao clínico dados que ajudam na melhor maneira de condução do processo terapêutico.

O objetivo deste estudo foi verificar a ocorrência ou não de estratégias de reparo para os quatro fonemas estudados (/b/, /d/, /k/ e /g/) e a relação destas estratégias para cada um dos fonemas, de acordo com a gravidade do desvio fonológico.

 

MÉTODO

Neste estudo foi analisado o banco de dados de um projeto de pesquisa que está vinculado a uma instituição de ensino superior. O banco de dados é composto por 199 sujeitos com diagnóstico de desvio fonológico que foram submetidos à terapia fonológica. Para este estudo foram selecionados 54 sujeitos que apresentaram os critérios de inclusão e exclusão para a realização da pesquisa, através da análise dos dados pré-terapia.

Os critérios de inclusão adotados para os sujeitos participarem do estudo foram os seguintes: estarem autorizados pelos pais ou responsáveis a participarem da pesquisa por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), apresentarem o diagnóstico de desvio fonológico, ter idades entre quatro e oito anos, e realizarem a(s) estratégia(s) de substituição (dessonorização, anteriorização, posteriorização, fricatização, glotalização) e/ou omissão de alguma das consoantes plosivas do português brasileiro (/b/, /d/, /k/ e /g/ ) nas posições de onset inicial e/ou medial, com emprego de 40% ou mais da estratégia de reparo em seu sistema fonológico19.

Os critérios de exclusão estabelecidos foram: terem recebido qualquer tipo de terapia fonoaudiológica anterior à primeira avaliação do sistema fonológico, a não assinatura do TCLE, presença de alterações fonoaudiológicas além do desvio fonológico e alterações evidentes nas áreas neurológica, cognitiva e psicológica.

Os dados foram analisados antes da realização da terapia fonológica. A amostra de fala obtida através da aplicação da Avaliação Fonológica da Criança (AFC)20 foi transcrita foneticamente seguida da análise contrastiva. Após foi revisada por mais dois julgadores com experiência em transcrição fonética e análise perceptivo-auditiva.

De acordo com os resultados da análise contrastiva, determinou-se a gravidade do desvio fonológico, através do Cálculo do Percentual de Consoantes Corretas - Revisado (PCC-R)21 que não considera as distorções produzidas pelos sujeitos na contagem dos erros fonológicos e é baseado na classificação do Percentual de Consoantes Corretas (PCC)22. De acordo com o PCC, a gravidade do desvio fonológico pode ser classificada em: Leve (DL), Levemente-Moderado (DLM), Moderadamente-Grave (DMG) e Grave (DG). Calcula-se o PCC a partir da divisão do número de consoantes produzidas corretamente pelo número de consoantes totais produzidas (corretas + incorretas). Assim, os autores estabeleceram que, o DL tem PCC entre 86% e 100%, o DLM, PCC entre 66 e 85%, o DMG, PCC entre 51 e 65% e o DG, PCC menor que 50%.

Esta pesquisa recebeu aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa sob o número 052/04.

Os dados do estudo foram submetidos à análise estatística por meio do programa Statistical Analysis System, versão 8.02, utilizando-se o Teste Exato de Fisher. O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5% (p< 0.05).

 

RESULTADOS

A partir de uma análise descritiva, em relação às estratégias de reparo para os fonemas /b/, /d/ e /k/ não foi possível observar o predomínio de nenhuma estratégia, respectivamente em 59,26%, 50% e 57,41% dos casos. A estratégia de reparo dessonorização foi a predominante no fonema /g/ com percentual de 38,89%.

Mesmo não demonstrando resultado estatisticamente significativo, foi possível notar que a estratégia de reparo glotalização foi encontrada em todos os fonemas pesquisados, mas apenas nos sujeitos com DG. Caso semelhante ocorreu em relação ao uso de mais de uma estratégia que foi observado apenas em crianças com DMG e DG.

 

Tabela 1

 

As tabelas 2 e 3 apresentam as comparações entre a variável gravidade do desvio fonológico e as estratégias de reparo apresentadas pelos sujeitos para os fonemas /b/ e /d/.

Pelos resultados, verifica-se diferença estatisticamente significativa entre os graus de desvio fonológico para as seguintes variáveis:

  1. Estratégias de reparo de /b/: maior frequência de dessonorização nas crianças com DMG e DG, e de posteriorização e duas ou mais estratégias nas com DG.
  2. Estratégias de reparo de /d/: maior frequência de posteriorização nos sujeitos com DL, de dessonorização e duas ou mais estratégias nos com DMG, e de dessonorização nos com DG.

Através das figuras 1 e 2, observou-se que tanto no fonema /b/ quanto no /d/, nenhuma estratégia foi verificada com maior frequência em DL diminuindo sua ocorrência conforme o aumento da gravidade do desvio fonológico. A estratégia de glotalização e o uso de mais de uma estratégia ocorreram somente nos DMG e DG e o emprego da estratégia de dessonorização aumentou conforme o grau do desvio fonológico.

 

 

 

 

Não houve diferença estatisticamente significativa para os fonemas /k/ e /g/ entre os quatro graus do desvio fonológico. Isto se deve ao fato da distribuição das estratégias de reparo em cada grau apresentar percentuais semelhantes.

 

DISCUSSÃO

Os resultados apontam que não há predomínio de nenhuma estratégia de reparo com relação aos fonemas /b/, /d/ e /k/ nos sujeitos da pesquisa. Isto pode ser explicado pelo fato desses fonemas serem adquiridos precocemente, sendo que os fonemas /b/ e /d/ surgem com 1:6 meses, o fonema /k/ com 1:7 meses e o fonema /g/ um pouco mais tarde, com 1:8 meses1. Da mesma forma um estudo verificou que quanto ao ponto de articulação, o mais comum é a aquisição na seguinte ordem labiais > dentais e alveolares > palatais e velares (ex.: /p, b/ > /t, d, s, z/ > /k, g/)23.

Dentre a classe das plosivas, houve o predomínio da estratégia de reparo dessonorização para o fonema /g/, isto se deve ao fato de esta ser uma plosiva mais complexa em termos de aquisição e produção. Como já mencionado anteriormente, o /g/ é um fonema que se enquadra na classe das consoantes velares, sendo de aquisição mais tardia. Um estudo afirma que a estratégia de dessonorização representa a dificuldade na coordenação dos eventos glóticos e supraglóticos24,25. Uma demora no início da sonorização faz as oclusivas soarem como surdas, demonstrando um impedimento na organização têmporo-espacial dos movimentos dos órgãos fonoarticulatórios26.

Uma pesquisa constatou a influência de alguns fatores articulatórios na superação da estratégia de dessonorização e na consequente aquisição das plosivas sonoras. Os fatores mencionados pela autora são: o modo de articulação (o traço de sonoridade é estabelecido mais precocemente nas plosivas do que nas fricativas); o ponto de articulação (obstruintes sonoras [+anteriores] são adquiridas mais cedo); a posição na sílaba e na palavra (plosivas com alteração no traço [voz] são mais observadas na posição de onset medial); a altura da vogal seguinte à consoante dessonorizada (maior ocorrência de dessonorização em consoantes antecedem vogais não-altas) e, por último, a influência da tonicidade da sílaba (predomínio de dessonorização em sílabas átonas)27.

A partir de um estudo sobre a fala de crianças entre 2:9 e 5:5, observou-se a ocorrência de estratégias de reparo de dessonorização na classe das plosivas23. Outro estudo, também relata que uma das estratégias mais freqüentes para plosivas foi a dessonorização preferencialmente no ponto dorsal28. Uma pesquisa também estudou a estratégia de dessonorização nos fonemas plosivos e fricativos através de avaliações acústica e perceptiva da fala de crianças29.

Um estudo que pesquisou 77 sujeitos com o objetivo de caracterizar o grau de severidade do desvio fonológico a partir da análise dos índices de substituição e omissão, realizando também a análise das estratégias de reparo utilizadas, verificou que em todos os graus de severidade a estratégia de dessonorização ficou entre as de maior incidência na fala das crianças30.

Em relação ao fonema /b/, houve resultado estatisticamente significativo nas estratégias de reparo de posteriorização e uso de duas ou mais estratégias em DG e dessonorização em DMG e DG. Com isso pode-se inferir que crianças com DG apresentam menor conhecimento fonológico, portanto, maior quantidade de estratégias de reparo mesmo o fonema sendo considerado de aquisição mais inicial na fala das crianças.

Nos desvios mais graves, como o DMG e o DG, ocorreram as estratégias de glotalização e o uso de mais de uma estratégia. Um estudo observou a estratégia de glotalização na fala de uma criança para a classe das plosivas e fricativas, indicando o desligamento do Nó Ponto de C para as classes mencionadas. Ainda, esta estratégia incomum determina os casos como desviantes, já que não é observada em crianças com desenvolvimento fonológico normal31. Entende-se por nó ponto de C o nó da geometria de traços que se refere aos traços de ponto de articulação: [labial], [coronal], [dorsal] e representam o lugar na cavidade oral onde o fonema é articulado11.

Um estudo enfatiza que a glotal funciona como um segmento default, sem nenhuma complexidade. Algumas crianças utilizam a glotal para preencher o espaço esqueletal de outras consoantes que seriam muito complexas. Observou também a dificuldade em perceber a glotal, sendo muitas vezes ignorada nas transcrições fonéticas e analisada como apagamento do segmento11.

No fonema /b/ verificou-se diferença estatisticamente significativa para duas ou mais estratégias aplicadas ao mesmo fonema em DG e no fonema /d/, tal fato foi estatisticamente significante em DMG. Um estudo que pesquisou as estratégias de reparo das líquidas concorda com este, onde foi observado que o DG foi o único a apresentar associação de mais de uma estratégia aplicada para o mesmo fonema32.

Quanto aos fonemas /b/ e /d/ foi observado que a estratégia dessonorização aumentou conforme o grau do desvio fonológico. Isto se deve ao fato de que sujeitos que apresentam DG mostram menor conhecimento fonológico e demonstram maior número de estratégias de reparo, pois sua fonologia está em construção. Em uma pesquisa que analisou a relação entre as estratégias de reparo e a gravidade do desvio fonológico apresentado, concluiu que quanto maior a gravidade do desvio, mais as crianças utilizam estratégias de reparo, pois ainda não conhecem o segmento ou não dominam sua produção33.

Nos fonemas /b/ e /d/ observou-se maior ocorrência de nenhuma estratégia para o DL, diminuindo conforme o aumento do grau do desvio fonológico. Dado semelhante foi encontrado em um estudo sobre as estratégias de reparo das líquidas, onde se verificou predomínio de não ocorrência de estra-tégias de reparo para os fonemas /l/, /l/ e /R/ para o DL. Os autores afirmam que nos casos de DL é observada uma fonologia mais rica, na qual existem poucas estratégias de reparo atuantes no sistema fonológico32.

Os fonemas /k/ e /g/ não apresentaram diferença estatisticamente significativa entre os quatro graus do desvio fonológico, pois demonstraram percentuais semelhantes em todos eles, evidenciando maior dificuldade na realização de fonemas plosivos velares, neste grupo de estudo.

 

CONCLUSÃO

Quanto mais complexos em termos de aquisição e produção são os fonemas plosivos, mais estratégias de reparo são utilizadas. Ainda, quanto maior o grau do desvio fonológico, maior é a quantidade de vezes que este recurso é usado, demonstrando que a criança possui um menor conhecimento fonológico.

 

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Endereço para correspondência:
Aline Berticelli
Rua Venâncio Aires, 1476/310
Centro - São Paulo - SP CEP: 05024-030
E-mail: alini_berti@yahoo.com.br

RECEBIDO EM: 07/06/2011
ACEITO EM: 31/08/2011
Conflito de interesses: inexistente