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Revista CEFAC

Print version ISSN 1516-1846On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.17 no.4 São Paulo July/Aug. 2015

https://doi.org/10.1590/1982-0216201517421614 

ARTIGOS ORIGINAIS

Linguagem oral de adolescentes deficientes auditivos: avaliação fonoaudiológica e relato dos professores

Edinizis Belusi de Melo1 

Thaís Regina Monteiro2 

Vera Lúcia Garcia3 

1Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.

2Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil.

3VLFG Formação Profissional, São Paulo, SP, Brasil.


Resumo:

OBJETIVO:

caracterizar a linguagem de adolescentes deficientes auditivos oralizados que frequentam a escola regular, assim como a percepção do professor a respeito da comunicação desses alunos.

MÉTODOS:

amostras de fala espontânea de adolescentes portadores de perda auditiva pré-linguística de grau severo ou profundo e entrevista com os professores.

RESULTADOS:

as maiores dificuldades apresentadas pelos indivíduos na avaliação fonoaudiológica foram em relação à linguagem abstrata e à inteligibilidade de fala; no relato dos professores foram em relação à argumentação em avaliações escritas e à conversação com mais de um interlocutor.

CONCLUSÃO:

apesar do grau de perda auditiva apresentado pelos indivíduos, observou-se um bom desempenho destes quanto à comunicação, sendo esta efetiva em sua vida diária e escolar.

Descritores: Perda Auditiva; Adolescente; Linguagem

Abstract:

PURPOSE:

to characterize the language of oralized hearing impaired adolescents attending regular school, as well as the perception of the teacher about this student's communication.

METHODS:

sample of spontaneous speech of adolescents with pre-linguistic severe to profound hearing loss and interview with their teachers.

RESULTS:

the main difficulties presented by individuals in clinical assessment were concerning to the abstract language and speech intelligibility; teacher reports were in relation to argumentation in written tests and conversation with more than one person.

CONCLUSION:

despite the hearing loss that such individuals present, they have obtained a good and effective communication performance.

Keywords: Hearing Loss; Adolescent; Language

Introdução

A linguagem sofre modificações durante a adolescência1 2. Embora a definição de adolescência seja complexa, abrangendo vários fatores que se manifestam nessa fase da vida, pode-se dizer que ela começa quando o indivíduo tem cerca de onze anos de idade e termina por volta dos vinte. A transição da fase infantil para a fase adulta envolve transformações biológicas, psicológicas e sociais3.

O adolescente passa a ter maior habilidade de compreensão de aspectos subjetivos e mais capacidade para o uso de palavras com múltiplos significados, como o emprego da linguagem figurada, e torna-se capaz de inferir conteúdos implícitos. Ele adquire maior capacidade de abstração e raciocínio lógico. O adolescente é capaz de utilizar habilidades metalinguísticas, ou seja, utilizar a linguagem para falar e pensar sobre ela2.

A adolescência é um período de desenvolvimento com mudanças significantes também nas relações interpessoais4; uma fase de conflitos e instabilidade emocional. Para o adolescente deficiente auditivo, essa fase é ainda mais conturbada em razão das suas dificuldades de comunicação e de inserção social5. Dificuldades na comunicação podem prejudicar o desenvolvimento da criança ou do adolescente e ser a origem de comportamentos agressivos e inadequados por causa da dificuldade de interagir com o ambiente em que vive6. A surdez profunda pré-linguística pode exacerbar os conflitos biopsicossociais pelos quais passa um adolescente7.

A falta da audição traz grandes dificuldades além da alteração auditiva8. A deficiência auditiva se caracteriza pela privação sensorial, e suas consequências interferem nos aspectos linguísticos, emocionais, educacionais, sociais e culturais9. A audição é um dos instrumentos essenciais para aquisição de competências linguísticas orais; ela auxilia na interação com o ambiente, sendo um pré-requisito para o desenvolvimento global da criança10. Por meio da audição, a aquisição da comunicação oral se faz possível. A privação sensorial imposta pela deficiência auditiva não interfere somente na efetividade da comunicação oral, como também favorece a ocorrência de distúrbios de linguagem11. A pessoa que apresenta uma perda auditiva, mesmo que de grau leve, poderá ter importantes dificuldades no seu desenvolvimento. Se o indivíduo não for adequadamente exposto às cadeias de sons e palavras e à forma como elas se organizam, dificilmente conseguirá adquiri-las de forma correta, o que acarreta as dificuldades fonéticas, fonológicas e sintáticas de grande parte dos deficientes auditivos. O mesmo pode ser dito a respeito dos aspectos semântico-lexicais12 13.

O uso adequado e sistemático de dispositivos eletrônicos de amplificação sonora individual tem papel determinante no desenvolvimento de linguagem verbal oral, na leitura e nas habilidades acadêmicas14com deficiência auditiva. O uso da prótese auditiva é, muitas vezes, interrompido ou prejudicado justamente na fase da adolescência3. Nessa fase, os jovens sentem necessidade de se parecerem uns com os outros, na busca de uma identidade que os faça serem aceitos pelos demais jovens e pelo grupo. A utilização de uma prótese auditiva geralmente implica expor a deficiência auditiva, o que pode gerar exclusão. Enfrentar essa diferença na adolescência pode ser algo bastante conflituoso. Ainda assim, há muitos adolescentes que não abrem mão do uso da prótese auditiva, tendo em vista os seus benefícios, mesmo que isso os diferencie esteticamente5.

Pessoas com deficiência auditiva têm maior dificuldade de leitura, escrita, abstração, memorização e comunicação4. Para o aluno com perda auditiva, a aprendizagem da leitura é bastante complexa por causa da privação sensorial15. A linguagem tem importância primordial nas relações entre professor, aluno e escola16. As dificuldades de linguagem oral, que geralmente acompanham a deficiência auditiva, podem repercutir de forma contundente no processo de aquisição da leitura e da escrita17.Quanto maior o grau da perda auditiva de um indivíduo, pior tende a ser o seu desempenho na comunicação.18 O ato de falar ou escrever adequadamente abrange a capacidade de se adequar às regras linguísticas e de usar a língua de forma apropriada para produzir o efeito de sentido pretendido em determinada situação. A oralidade e o letramento são concebidos como atividades interativas e complementares no contexto das práticas sociais e culturais19.

As interações entre o sujeito e o meio são essenciais para o desenvolvimento cognitivo. A aquisição de um novo conhecimento envolve relações intra e interpessoais, num processo de mediação que pode ser potencializado pela ação do educador20. Assim, mesmo uma pequena dificuldade na linguagem pode trazer prejuízos ao completo desenvolvimento do indivíduo, particularmente no deficiente auditivo adolescente.

Em razão da escassez de trabalhos abordando a linguagem de adolescentes com perda auditiva e a relevância do assunto para a inclusão do deficiente auditivo no ambiente escolar e social, o presente estudo teve como objetivo caracterizar a linguagem dos adolescentes deficientes auditivos oralizados que frequentam a escola regular, assim como a percepção do professor a respeito da comunicação desse aluno.

Métodos

Este trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo, sendo aprovado sob Protocolo n. 026. Todos os indivíduos participantes deste estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme as determinações do Conselho Nacional de Saúde.

Foram selecionados indivíduos com o seguinte perfil: adolescente, portador de perda auditiva neurossensorial pré-linguística de grau severo ou de grau profundo (Northern and Downs, 2005)21, oralizado e estudante de escola regular. O grupo de estudo foi constituído por nove indivíduos adolescentes, quatro do gênero feminino e cinco do gênero masculino, com idade entre 12 e 17 anos. Três indivíduos do gênero masculino e um do gênero feminino apresentaram perda auditiva neurossensorial severa bilateral e cinco indivíduos (dois do gênero feminino e três do gênero masculino) apresentaram perda auditiva neurossensorial profunda bilateral.

Todos os sujeitos se encontravam em terapia fonoaudiológica de abordagem oralista. O início da terapia fonoaudiológica se deu de 8 a 13 anos antes do estudo (média de 10,7 anos). O início do uso da prótese auditiva de forma bilateral se deu de 7 a 15 anos antes (idade auditiva). Os critérios de exclusão do estudo foram uso não sistemático de prótese auditiva, a ausência de matrícula em escola de ensino regular.

Neste trabalho, foram recolhidas amostras de fala espontânea para a avaliação de linguagem a partir da gravação de áudio em mídia MD com equipamento modelo G Protection, com duração de 15 minutos, além de gravação de vídeo com filmadora S-VHS modelo M9000, com duração de aproximadamente 20 minutos.

As gravações foram feitas tendo sempre três interlocutores: a pesquisadora, o adolescente avaliado e sua terapeuta fonoaudióloga. A análise das gravações foi feita por pelo menos duas avaliadoras capacitadas para a atividade e pesquisadoras do projeto, sendo que quando houve alguma divergência de análise, uma terceira avaliadora, também treinada, foi consultada para análise dos dados. Foi elaborado um protocolo (Anexo 1) para avaliação de linguagem oral, específico para adolescentes deficientes auditivos, com base nas propostas de Boéchat (1992)22Damico (1993)23 e Paul (1995)24. Esse protocolo foi utilizado para a descrição e análise do desempenho observado nas gravações de linguagem.

Entre as habilidades auditivas, buscou-se conhecer a capacidade de compreensão auditiva e as estratégias comunicativas utilizadas para a compreensão da linguagem. Dessa forma, na Tabela 1, o item "Compreensão auditiva" refere-se à capacidade de compreender vocábulos, a sintaxe do interlocutor e os enunciados por meio da audição; já o item "Utilização de estratégias comunicativas" está relacionado aos recursos que os deficientes auditivos deste estudo utilizam para que possam compreender as demandas comunicativas orais. O item "Sintaxe" relaciona-se ao tipo e à extensão das orações, aos tipos de período e ao uso de palavras com significado gramatical. O item "Utilização de metalinguagem" refere-se ao domínio do uso de gírias, expressões com duplo sentido e linguagem figurada, situações muito presentes na vida do adolescente. O item "Vocabulário" refere-se ao domínio vocabular e ao acesso ao léxico. Os aspectos paralinguísticos analisados estão relacionados nos itens "Fluência" e "Inteligibilidade de fala". Os aspectos pragmáticos foram analisados nos "Tópicos conversacionais" do discurso e referem-se à capacidade do indivíduo de iniciar, manter, mudar e reparar e interromper os tópicos da conversação. Por último, o item "Funções comunicativas" está relacionado à capacidade de fornecer e solicitar informações, descrever objetos e eventos, expressar ideias e sentimentos, persuadir o interlocutor, usar a linguagem para resolver problemas e para o entretenimento (piadas e sarcasmos, por exemplo).

Para melhor categorização dos dados, considerou-se:

I - Desempenho adequado: quando o desempenho era o esperado, de acordo com a idade cronológica. Os indivíduos classificados com desempenho adequado até poderiam ser reconhecidos como deficientes auditivos, mas as alterações apresentadas por eles (de voz, por exemplo), ainda que perceptíveis, não comprometeriam sua atividade comunicativa e sua linguagem oral em nenhum grau.

II - Desempenho inadequado de grau leve: quando o desempenho repercutia em pouco prejuízo da comunicação (alterações vocais, como ressonância e pitch, e alguns desvios fonológicos leves).

III - Desempenho inadequado de grau moderado: quando eram observadas alterações frequentes que chegavam a comprometer a comunicação, de forma que a alteração de linguagem apresentada impedia a inteligibilidade da fala e/ou discurso em alguns momentos.

IV - Desempenho com alterações significantes: quando as alterações eram de tal forma frequentes a ponto de impedir a comunicação de forma efetiva.

A análise dos dados foi feita de forma quantitativa com base na análise estatística, considerando as potencialidades apresentadas pelos pacientes em questão.

Para analisar o desempenho escolar dos adolescentes, foi realizada uma entrevista, por meio de 23 questões, com o professor da disciplina de língua portuguesa de cada aluno do estudo. As questões versavam sobre o desempenho comunicativo desses alunos e estão discriminadas na Tabela 2.

Foi aplicado o teste de Wilcoxon e a correlação linear de Spearman para verificar as proporções de positividade entre o desempenho comunicativo e linguístico oral e o descrito pelo professor e também para determinar a existência ou não de associação entre esses desempenhos. O nível de significância utilizado foi de 5%.

Resultados

Os resultados obtidos na avaliação fonoaudiológica encontram-se na Tabela 1. Todos os adolescentes com perda auditiva de grau severo apresentaram desempenho comunicativo e linguístico oral adequado em pelo menos oito dos nove aspectos avaliados. Nenhum dos adolescentes deficientes auditivos apresentou desempenho comunicativo com alterações significantes (Tabela 1, item IV).

Tabela 1: Desempenho dos adolescentes deficientes auditivos na avaliação de linguagem 

Legenda: I: Desempenho adequado; II: Desempenho inadequado de grau leve; III: Desempenho inadequado de grau moderado; IV: Desempenho com alterações significantes N.o: Número; %: Porcentagem de indivíduos com desempenho adequado.

Os resultados obtidos na entrevista com os professores encontram-se nas Tabelas 2 e 3 . Em relação à percepção dos professores sobre as habilidades comunicativas de seus alunos com perda auditiva, observou-se que todos os entrevistados responderam que esses alunos se fizeram entender quando falavam, demonstrando compreensão e respondendo coerentemente quando questionados.

Tabela 2: Desempenho comunicativo dos adolescentes deficientes auditivos, segundo os professores: análise de desempenho por pergunta 

Legenda: LOF: Leitura Orofacial; N.o: Número; %: Porcentagem.

Tabela 3: Desempenho comunicativo dos adolescentes deficientes auditivos, segundo os professores: análise de desempenho por indivíduo 

A comparação do desempenho comunicativo dos adolescentes deficientes auditivos encontra-se na Tabela 4. Observa-se que as proporções de adequação de desempenho entre os procedimentos empregados não diferem entre si. Portanto, não foi possível determinar associações lineares entre as respostas dos adolescentes deficientes auditivos.

Em linhas gerais, os adolescentes deficientes auditivos tiveram desempenho satisfatório, pois apresentaram 56% de desempenho adequado na observação fonoaudiológica e 74% no relato dos professores, demonstrando sua eficiência comunicativa no meio em que vivem.

Tabela 4: Medidas descritivas da porcentagem (%) de respostas positivas no desempenho comunicativo e linguístico oral e entrevista realizada com os professores dos adolescentes deficientes auditivos 

Discussão

Avaliação fonoaudiológica de linguagem

O melhor desempenho apresentado pelos participantes com perda auditiva de grau severo em comparação àqueles com perda auditiva de grau profundo condiz com os relatos de Souza et al. (2011)18 de que, quanto menor for o grau de perda auditiva, melhores serão as habilidades do indivíduo em receber informações sonoras e responder oralmente a elas. Diferenças quanto ao grau da perda interferem no desempenho linguístico dos deficientes auditivos14. Assim, quanto maior for o grau de perda auditiva, maiores poderão ser os prejuízos para a aquisição da linguagem oral e também para o processo de aprendizagem25.

Os indivíduos 1, 2, 3, 4 e 5 não apresentaram dificuldades quanto à compreensão auditiva. Os demais adolescentes avaliados manifestaram alterações leves desse tipo de compreensão. As dificuldades de compreensão eram previstas, especialmente nos indivíduos com perda auditiva profunda.

A maioria dos adolescentes (cinco deles: indivíduos 1, 2, 3, 4 e 6) utilizou boas estratégias comunicativas. Os indivíduos 5, 7, 8 e 9 utilizaram algumas estratégias desistivas ou simulativas. Adolescentes com idade entre 13 e 15 anos são capazes de assumir papéis e posturas na conversação de acordo com as impressões e os sentimentos do interlocutor. Depois dessa idade, eles já devem apresentar domínio de todas as regras conversacionais e serem capazes de enfrentar as múltiplas situações envolvidas em uma conversação. Adolescentes ouvintes, com idade entre 17 a 20 anos, comunicam-se por meio de linguagem oral clara e coerente, utilizando enunciados simples e bem estruturados, com domínio das regras básicas da morfossintaxe que regem a língua portuguesa, utilizando léxico composto por vocabulários simples e rotineiro e às vezes usando sinonímias e gírias22.

Os indivíduos 1, 2, 3, 4 e 5 não apresentaram alterações no aspecto sintático. Acosta et al.(2003)26também relataram que, na adolescência, os indivíduos já têm domínio das regras sintáticas. Esse fato não foi observado nos indivíduos 6, 7 e 8, que apresentaram alterações leves, nem no indivíduo 9, que demonstrou alterações de grau moderado. As alterações mais frequentemente observadas foram quanto ao tipo de período utilizado, sendo mais rara a construção de frases coordenadas e subordinadas. Outros autores observaram que os deficientes auditivos podem apresentar alterações nos diferentes aspectos da linguagem, envolvendo forma, conteúdo e uso27.

Quanto ao item "Utilização de metalinguagem", apenas os indivíduos 1 e 3 apresentaram domínio dessa habilidade (Tabela 1). Todos os outros indivíduos demonstraram dificuldades na compreensão e no uso de linguagem figurada. Entre 8 e 11 anos de idade, o desdobramento de um pensamento mais concreto e reversível permite ao indivíduo utilizar os conceitos verbais fora de seu contexto concreto, bem como realizar classificações ou categorizações de palavras. A partir dos 11 anos, desenvolvem-se pensamentos mais complexos, o que permite ao adolescente o maior uso de termos figurativos e metafóricos na comunicação. Assim, já seria esperado o domínio da linguagem figurada na idade apresentada pela amostra. Entretanto, indivíduos deficientes auditivos têm maiores dificuldades com o raciocínio abstrato1, o que foi observado neste estudo.

Adolescentes ouvintes são capazes de compreender ambiguidades, inferências e linguagem figurada. Entre 16 e 18 anos, adolescentes ouvintes são capazes de detectar com eficiência ambiguidades lexicais, mas podem ainda ter dificuldade nas ambiguidades sintáticas e de estrutura profunda, demonstrando que, embora o adolescente deficiente auditivo possa ter dificuldades nesses aspectos, estes se relacionam à fase do desenvolvimento em que se encontra2.

Em relação ao aspecto "Vocabulário", apenas os indivíduos 6, 8 e 9 apresentaram alterações em grau moderado (Tabela 1). Os demais apresentaram bom nível vocabular. Amemiya et al. (2013)28 observaram que crianças que apresentavam deficiência auditiva e que eram oralizadas e submetidas à fonoterapia obtinham desempenho semelhante ao de seus pares ouvintes quanto ao uso de verbos e substantivos. No entanto, outros autores relataram que indivíduos com deficiência auditiva podem apresentar vocabulário receptivo menor do que aqueles com audição normal e que isso pode ser devido, em parte, à dificuldade de detecção de novas palavras na conversa, pré-requisito necessário para o desenvolvimento lexical29. Espera-se que a criança compreenda cerca de três mil palavras a partir dos seis anos de idade e 100 mil palavras a partir dos 12 anos. Em relação à produção, estima-se que elas sejam capazes de produzir cerca da metade do que compreendem26. Adolescentes podem apresentar dificuldades de utilizar alguns advérbios2.

O item "Fluência" foi considerado normal na maioria dos indivíduos. Os indivíduos 5, 7, 8 e 9 apresentaram algum tipo de alteração, como aumento ou redução da velocidade de fala, pausas e prolongamentos. Mesmo assim, essas alterações não caracterizaram uma patologia da fluência. Um dos principais fatores que afetam a fluência do deficiente auditivo refere-se ao controle do mecanismo respiratório relativo à coordenação do mecanismo pneumofonoarticulatório30.

No aspecto "Inteligibilidade de Fala" notou-se alterações para a maioria dos indivíduos (3, 5, 6, 7, 8 e 9) (Tabela 1). Os indivíduos 5 e 8 apresentaram maior grau de alteração (moderada). Nesses indivíduos, observou-se, além de alterações de ordem fonético-fonológicas, alterações da qualidade vocal e da ressonância. Os outros indivíduos apresentaram grau leve de alteração. Deficientes auditivos, em geral, apresentam alterações no ajuste da função respiratória, nas funções da laringe e das vias aéreas superiores30. Em geral, apresentam pitch agudo, qualidade abafada e ressonância do tipo cul-de-sac com hiponasalidade. Moeller et al. (2010)31 fizeram um estudo no qual evidenciou-se que crianças com perda auditiva de grau leve a moderado podem apresentar comprometimentos significantes das habilidades comunicativas, principalmente quanto a aspectos morfológicos, fonológicos e de inteligibilidade da fala. Esse é um problema de grande impacto na socialização do adolescente, pois coloca o indivíduo portador de uma alteração articulatória em desvantagem em relação aos interlocutores, segregando-os.

Apenas o sujeito 9 apresentou alteração no item "Tópicos Conversacionais", sendo esta de grau leve. O domínio do aspecto pragmático envolve a participação em uma conversação que exige dos interlocutores o cumprimento de regras para adotar turnos, mediante os quais estabelecem e mantêm suas posições respectivas no intercâmbio. Além disso, envolve a manutenção do tema (tarefa que exige que os interlocutores sigam certas normas ou princípios) e a capacidade de se adaptar aos diferentes indivíduos, papéis e situações26, o que não foi observado no indivíduo em questão.

As funções comunicativas apresentaram-se adequadas para os indivíduos 1, 2, 3 e 4. Os sujeitos 6, 7 e 8 apresentaram alteração leve e os demais (5 e 9), em grau moderado (Tabela 1). Estudos das habilidades pragmáticas em crianças deficientes auditivas concluíram que estas apresentam funções comunicativas semelhantes às crianças ouvintes8. Entretanto, há diferença quanto ao meio comunicativo utilizado: os deficientes auditivos priorizam os gestos e os ouvintes priorizam a linguagem oral.

Conforme descrito pela literatura, a linguagem continua desenvolvendo-se por toda a adolescência, especialmente quanto aos aspectos sintático, semântico e pragmático2. Na adolescência, ocorre uma importante evolução do desenvolvimento cognitivo e a conquista da capacidade de abstrair e raciocinar por meio de hipóteses. Os pacientes avaliados apresentaram grandes dificuldades nesse aspecto. Evidenciaram-se problemas com o raciocínio abstrato e lógico, além das dificuldades de compreensão de metalinguagem1.

Entrevista com os professores

Todos os professores relataram que seus alunos deficientes auditivos utilizam a audição para compreensão. Apenas um professor relatou que seu aluno não utiliza a leitura orofacial como apoio. Nenhum relatou a utilização de gestos não naturais à comunicação do ouvinte, ou seja, o uso de gestos padronizados associados à comunicação oral (Tabela 3), o que pode ser justificado pela abordagem utilizada (oralismo).

Todos os professores afirmaram que os alunos são capazes de acompanhar a conversação com apenas uma pessoa. Somente três os consideraram capazes de acompanhar a conversação em grupo (Tabela 2). Na conversação entre vários indivíduos, a atenção do deficiente auditivo fica dividida entre manter o tópico da conversação conforme muda o falante e determinar quem é que está falando, o que acarreta problemas na manutenção da conversação.

Dos entrevistados, seis professores relataram que seus alunos com perda auditiva foram capazes de dar informações precisas e que, durante a conversação, mudaram de assunto de forma adequada. A função pragmática envolve o domínio de diversos aspectos, entre eles a habilidade de adotar a perspectiva do seu interlocutor e o caráter social da sua linguagem, com sua habilidade para transmitir informações sobre referentes precisos, ou seja, não ambíguos26, estando adequada nesses indivíduos.

Apenas dois indivíduos, segundo os professores, costumam pedir repetições durante as aulas (Tabela 2). Esse ponto deve ser avaliado com certo cuidado, pois o fato de os alunos não solicitarem repetição pode estar associado ao receio deles de expor sua deficiência.

Oito professores julgaram a fala de seus alunos inteligível. Portanto, os professores não apresentaram, em geral, queixas quanto à inteligibilidade de fala de seus alunos, diferentemente das avaliadoras, que observaram vários indivíduos com problemas nesse aspecto. Isso provavelmente se deve aos diferentes critérios adotados: enquanto o professor utiliza o critério de funcionalidade, o avaliador utiliza como referencial a funcionalidade aliada à precisão fonoarticulatória. Também é importante salientar o fato de que os professores não são treinados para perceber nuances de fala, além da possibilidade de haver uma maior tolerância em relação aos alunos com alguma deficiência.

Os professores relataram que cinco alunos participam de discussões durante as aulas. Também citaram que três alunos não são capazes de contar sobre algo que ouviram, seja um filme, palestra ou notícia (Tabela 2). Isso demonstra a dificuldade desses alunos de lidar com as informações auditivas quando esse é o único canal de recepção das informações, além das dificuldades de narração e argumentação, habilidades necessárias nesse tipo de estratégia. Indivíduos com deficiência auditiva, mesmo que adequadamente protetizados, podem apresentar dificuldades para reconhecer e compreender a linguagem falada32 33. Evidencia-se aqui a necessidade do apoio de outras habilidades além das auditivas, como a leitura orofacial23.

Quanto à comunicação escrita, cinco dos professores relataram a falta de planejamento e argumento nas respostas das avaliações de seus alunos com deficiência auditiva. Estes geralmente apresentam muita dificuldade na aquisição da linguagem escrita19. Muitas vezes, em decorrência da privação sensorial, os deficientes auditivos podem apresentar defasagem linguística no que se refere à língua falada e escrita. Essa defasagem acaba transparecendo nos aspectos fonológicos, semânticos, morfossintáticos e pragmáticos durante uma conversação. Alunos que apresentam dificuldades na compreensão e na expressão da linguagem provavelmente terão problemas de aprendizagem, o que pode acarretar dificuldades de socialização e prejuízos no comportamento global6.

Neste estudo, cinco professores afirmaram que seus alunos com perda auditiva conseguem exprimir pensamentos na escrita e demonstrar conhecimentos nas provas e também que são capazes de contar sobre algo que leram. Alunos com perda auditiva neurossensorial de grau severo a profundo geralmente apresentam atrasos significantes na habilidade de leitura quando comparados com alunos ouvintes. Esses atrasos podem prejudicar ainda mais a aquisição de novo vocabulário34.

Ainda segundo os professores, sete alunos são capazes de completar tarefas e trabalhar sem ajuda, oito não respondem a questões de livros e não apresentam bom desempenho em resolução de problemas.

O atendimento fonoaudiológico e a escolarização aceleram o processo de aprendizagem. Crianças com deficiência auditiva apresentam melhor desenvolvimento cognitivo e de linguagem quando recebem atendimento fonoaudiológico precoce e são inseridas em ambiente escolar. Isso propicia uma melhor performance escolar, que pode ser compatível com a sua idade cronológica.

Adequação de desempenho

Quando comparadas estatisticamente as proporções de adequação de desempenho entre os procedimentos empregados, estas não diferem entre si. Portanto, não foi possível determinar associações lineares entre as respostas dos indivíduos. Dessa forma, observa-se que a maioria dos indivíduos avaliados apresenta um bom desempenho comunicativo e linguístico, principalmente aqueles com perda auditiva de grau severo.

Conclusão

Os indivíduos avaliados com perda auditiva de grau severo ou profundo usuários de prótese auditiva e de frequentarem terapia fonoaudiológica há pelo menos oito anos, em que frequentam escola regular, tiveram um bom desempenho comunicativo e linguístico oral.

Como características da comunicação oral desses sujeitos, observou-se um bom desempenho para a maioria dos grupos quanto aos itens "Tópicos conversacionais", "Vocabulário" e "Sintaxe". As maiores dificuldades encontradas foram nos itens "Metalinguagem" e "Inteligibilidade de fala" (na avaliação fonoaudiológica), no acompanhamento de conversas com mais de uma pessoa e na argumentação em avaliações escritas (segundo o relato dos professores).

Apesar da sua limitação, por causa do pequeno número de adolescentes, este estudo levanta, numa perspectiva interdisciplinar, questões importantes a serem observadas, tanto por educadores quanto por fonoaudiólogos. Os resultados apontam para metas terapêuticas importantes a serem implementadas junto a esses indivíduos nessa fase do desenvolvimento linguístico. Cabe enfatizar a relevância dos itens destacados no desenvolvimento do adolescente com perda auditiva, tanto nos aspectos linguísticos quanto nos aspectos emocionais, educacionais e socioculturais.

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Projeto Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Processo n. 03/03279-4.

Anexo - Protocolo para avaliação de linguagem oral para adolescentes deficientes auditivos

  • Habilidades auditivas

  • a. Comportamentos auditivos

  • 1. Compreensão auditiva

  • ( ) Compreende expressões familiares

  • ( ) Ordens simples

  • ( ) Enunciados complexos

  • ( ) Compreende histórias

  • ( ) Compreende metalinguagem

  • ( ) Compreende no ruído

  • 2. Tópicos conversacionais

  • ( ) Parece manter os tópicos

  • ( ) Se confunde

  • ( ) Muda de assunto por não ter entendido

  • 3. Vocabulário e sintaxe do interlocutor

  • ( ) Compreende vocabulário ( ) simples ( ) diferenciado

  • ( ) Compreende estruturações sintáticas ( ) simples ( ) complexas

  • b. Estratégias comunicativas (Boéchat, 1992)23

  • Cognitivas:

  • 1. LOF: ( ) Olha o rosto do falante

  • ( ) Faz leitura labial

  • ( ) Observa a expressão do rosto do falante

  • ( ) Pede para falar de frente

  • 2. Contexto: ( ) Capta o sentido da mensagem ( ) Deduz pelo assunto

  • ( ) Tenta adivinhar

  • 3. Atenção: ( ) Concentra-se

  • ( ) Fixa-se no interlocutor

  • 4. Organização: ( ) Repete o que entendeu e aguarda complementação do interlocutor

  • ( ) Pede repetição

  • 5. Esclarecimento sobre a DA: ( ) Explica que não entende pois não ouve bem

  • 6. Questionamento:

  • ( ) Pergunta quando não entende

  • Interventivas:

  • 1. Aproximação ao falante: ( ) Aproxima-se do falante para ouvi-lo

  • ( ) Pede ao interlocutor para aproximar-se da prótese auditiva

  • 2. Posicionamento favorável: ( ) Posiciona-se perto da luz (LOF)

  • ( ) Coloca-se em posição estratégica em mesas e reuniões

  • 3. Afastamento do ruído: ( ) Afasta-se das fontes de ruído ( ) Reduz o ruído quando possível

  • ( ) Procura eliminar o ruído

  • 4. Solicita alteração velocidade: ( ) Pede para o falante falar mais devagar

  • 5. Limitação do número de interlocutores:

  • ( ) Conversa com no máximo duas pessoas ao mesmo tempo

  • ( ) Pede para falar apenas um de cada vez

  • ( ) Fixa-se em apenas um interlocutor

  • 6. Posicionamento favorável do interlocutor:

  • ( ) Coloca o interlocutor de frente

  • ( ) Coloca o interlocutor longe do ruído

  • Mecânicas:

  • 1. Manipulação da prótese auditiva:

  • ( ) Abaixa o volume da prótese auditiva

  • ( ) Aumenta o volume da prótese auditiva

  • 2. Utiliza dispositivos auxiliares: ( ) Usa amplificadores para telefones ( ) Usa sistema FM ( ) Outro

  • Qual:______________________________

  • Paliativas:

  • 1. Solicita repetições ( )

  • 2. Solicita aumento da intensidade da voz ( )

  • 3. Solicita diminuição da intensidade da voz ( )

  • 4. Diz não ter entendido ( )

  • Remediativas:

  • 1. Solicita ajuda de terceiros para facilitar a comunicação ( )

  • 2. Adia a conversação ( )

  • 3. Evita situações ( )

  • 4. Utiliza a escrita como apoio ( )

  • Desistivas:

  • 1. Isola-se ( )

  • 2. Abandona a situação ( )

  • Simulativas:

  • 1. Monopólio da conversação:

  • ( ) Fala mais alto que os outros

  • ( ) Não deixa os outros falarem

  • 2. Entendimento simulado:

  • ( ) Responde com expressões mecânicas

  • ( ) Finge ter entendido

  • 3. Distração simulada:

  • ( ) Finge não estarem falando com ele

  • ( ) Finge não ter ouvido ( ) Disfarça

  • Habilidades de fala

  • a) Características linguísticas

  • 1. Produz várias formas sintáticas:

  • Tipo de oração:

  • ( ) afirmativa ( ) negativa

  • ( ) exclamativa ( ) interrogativa

  • - com pronomes (quem, quando, onde...) ( )

  • - sem pronomes ( )

  • - extensão das orações: ( ) 1 a 3 elementos ( ) 4 a 6 elementos ( ) 7 a 9 elementos

  • ( ) acima de 9 elementos

  • - uso de palavras com significado gramatical:

  • ( ) utiliza-as corretamente ( ) omite

  • - tipo de período:

  • ( ) simples ( ) composto

  • ( ) coordenação ( ) subordinação

  • 2. Produz linguagem figurada ou gíria ( )

  • 3. Produz vocabulário preciso:

  • ( ) comum ( ) diferenciado

  • 4. Aspectos morfológicos:

  • Flexionamentos - Desvios:

  • Verbal: ( ) pessoa ( ) tempo ( ) verbos regulares ( ) verbos irregulares

  • ( ) sem desvios

  • b) Características paralinguísticas

  • 1. Fluência

  • ( ) Velocidade aumentada ( ) Velocidade reduzida ( ) Adequada

  • 2. Inteligibilidade

  • ( ) Normal: clara: sem nenhuma dificuldade em entender a fala

  • ( ) Leve: levemente prejudicada, porém possível de entender o enunciado e compreender a ideia

  • ( ) Leve para moderada: há dificuldade para entender parte do enunciado, causando certo prejuízo na compreensão de ideias

  • ( ) Moderada para severa: há grande dificuldade para entender a maior parte do enunciado, com grande prejuízo na compreensão de ideias

  • ( ) Severa: impossível compreender o enunciado e compreender totalmente a ideia

  • 3. Acesso ao léxico:

  • ( ) Usa léxico pertinente ( ) Léxico reduzido

  • ( ) Faz uso de superextensões

  • ( ) Faz uso de perífrases ( ) Demora para acessar

  • ( ) Acessa por gestos representativos

  • c) Funções comunicativas - Aspecto pragmático

  • 1. Dá informações ( )

  • 2. Solicita informações ( )

  • 3. Descreve objetos e eventos ( )

  • 4. Expressa crenças, intenções e sentimentos ( )

  • 5. Consegue persuadir o ouvinte (sentir, acreditar) ( )

  • 6. Usa linguagem para resolver problemas ( )

  • 7. Usa linguagem para se divertir (contar piadas, sarcasmo...) ( )

  • d) Aspectos pragmáticos (discurso)

  • 1. Inicia conversação ( )

  • 2. Escolhe o tópico ( )

  • 3. Mantém o tópico ( )

  • 4. Muda o tópico ( )

  • 5. Respeita turnos ( )

  • 6. Corrige-se quando necessário ( )

  • 7. Interrompe ( )

  • e) Respeito às regras conversacionais

  • 1. Fala demais ( ) Muito pouco ( )

  • 2. Parece sincero ( )

  • 3. Faz contribuições importantes ( )

  • 4. Expressa pensamentos com clareza ( )

  • 5. É hábil ( )

  • f) Uso de comportamentos não verbais

  • 1. Usa expressões faciais ou gestos ( )

  • 2. Mantém contato ocular ( )

  • 3. Mantém proximidade (distância física do interlocutor) ( )

  • g) Capacidade de raciocínio lógico

  • 1. É capaz de resolver problemas auditivamente ( )

  • 2. É capaz de fazer deduções ( )

  • 3. Consegue sequencializar fatos de forma lógica ( )

  • LOF: Leitura Orofacial

  • DA: Deficiência Auditiva

Recebido: 19 de Dezembro de 2014; Aceito: 14 de Abril de 2015

Endereço para correspondência/Mailing address: Vera Lúcia Garcia, Rua Aurélio Menegon, 178, Botucatu - SP - Brasil, CEP: 18.603-420, E-mail: vlgarcia@uol.com.br

Conflito de interesses: inexistente

Conflict of interest: non-existent

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