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Revista Brasileira de Zootecnia

versão On-line ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.28 no.2 Viçosa mar./abr. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35981999000200017 

Desempenho de coelhos em crescimento alimentados com diferentes níveis de levedura de recuperação (Saccharomyces sp.), seca por rolo rotativo ou por Spray-Dry1

 

Performance of growing rabbits fed with different levels of restorative yeast (Saccharomyces sp), dried by rotative roller or by Spray-Dry

 

 

Cláudio ScapinelloI; Haroldo Garcia de FariaII; Antônio Cláudio FurlanI; Elias Nunes MartinsI; Ivan MoreiraI

I Professor do Departamento de Zootecnia, UEM- Av. Colombo 5790 - 87020-900 - Maringá, PR
II Zootecnista, Biotério Central, UEM

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi estudar a levedura de recuperação (Saccharomyces sp), seca por rolo rotativo (LRRR) ou spray-dry (LRSD), no desempenho de 176 coelhos em crescimento, 88 machos e 88 fêmeas, da raça Nova Zelândia Branco, de 40 a 90 dias de idade. Os animais foram distribuídos em delineamento experimental em blocos cazualizados, com 11 tratamentos (cinco níveis de cada uma das leveduras: 4,0; 8,0; 12,0; 16,0; e 20,0%) em substituição gradativa da proteína bruta (PB) do farelo de soja (FS) de uma dieta testemunha, com oito repetições de dois animais por unidade experimental. O peso vivo aos 70 dias de idade, o ganho de peso diário e o consumo diário de dieta de 40 a 70 dias de idade diminuíram linearmente, à medida que se elevou o nível de LRRR nas dietas. No período total, de 40-90 dias de idade, o consumo diário dos animais que receberam ração com LRRR diminuiu linearmente, com melhora linear na conversão alimentar. A inclusão de LRSD nas dietas não influenciou o desempenho dos coelhos nos níveis estudados. A inclusão de 16 e 20% de LRRR e LRSD na dieta acarretou em elevada mortalidade dos animais, com quadro de enterite aguda, especialmente no período de 40 a 70 dias de idade. Os dados indicam que a LRSD substituiu mais eficientemente a PB do FS que a LRRR, entretanto, devido à elevada mortalidade, recomenda-se não usar mais que 15% de inclusão das leveduras estudadas.

Palavras-chave: coelhos, desempenho, levedura de recuperação


ABSTRACT

The objective of this work was to study the restorative yeast (Saccharomyces sp) dried by rotative roller (RYRR) or by spray-dry (RYSD), on the performance of 176 growing rabbits, 88 males and 88 females, white New Zealand breed, from 40 to 90 days of age.The animals were distributed in a randomized complete block design, with 11 treatments (five levels of each one yeast: 4.0, 8.0 12.0 16.0, and 20,0%) in gradually replacement of soybean meal (SM) crude protein (CP) of a control diet, with eight replicates and two animals per experimental unit. The live weight at 70 days of age, daily weight gain and the daily diet intake from 40 to 70 days of age decreased linearly as the RYRR level increased in the diet. In the total period, from 40 to 90 days of age, the daily intake of the animals that received RYRR decreased linearly, with linear improvement in the feed:gain ratio. The inclusion of RYSD on the diets did not influence the performance of rabbits in the studied levels. The inclusion of 16 and 20% of RYRR and RYSD in the diet caused a higher mortality of animals, with acute enterite, especially during the period from 40 to 70 days of age. The data showed that RYSD replaced more efficiently the CP of SM than RYRR. However, due to the high mortality, the recommendation is not to use more than 15% of inclusion of the studied yeast.

Key Words: rabbit, performance, restorative yeast


 

 

Introdução

A principal fonte de proteína de dietas para coelhos é o farelo de soja, porém outros subprodutos da agroindústria devem ser pesquisados na tentativa de viabilizar sua utilização como componente de dietas para animais.

O Brasil é o maior produtor de álcool, e os resíduos obtidos no processamento da cana-de-açúcar podem ser de grande importância na alimentação humana e animal, com a utilização direta na alimentação ou por meio do emprego como fertilizantes. Segundo LIMA (1983), a levedura obtida na produção de álcool (Saccharomyces cerevisiae) é um produto que pode ter significativa importância na alimentação animal.

As leveduras são consideradas importantes suplementos protéicos dos cereais, devido a seu alto conteúdo de lisina; portanto, quando utilizados com alimentos ricos em aminoácidos sulfurados, permitem adequadas formulações de dietas (HANSSEN, 1980).

Em virtude de sua riqueza de nutrientes, as leveduras apresentam três opções de uso na alimentação de monogástricos: fonte de proteína, fonte de fatores desconhecidos de crescimento e fonte de vitaminas (MOREIRA, 1984).

Existem diferentes métodos industriais de secagem da levedura para sua incorporação em rações. O mais conhecido e utilizado atualmente nas usinas é o de rolo rotativo; neste método, o processo básico consiste na centrifugação da vinhaça após destilação do vinho para possibilitar a separação da levedura da parte solúvel. A seguir, a levedura passa por processo de secagem, em que a temperatura nos rolos varia de 110 a 128°C, sendo obtida película de concentrado protéico com teor de proteína bruta de 18 a 32% (SALGADO, 1976).

No método de secagem por spray-dry, o creme de levedo termolizado é pulverizado no topo do corpo do equipamento e recebe ar aquecido de 200 a 220°C. O ar e o levedo atravessam o corpo do secador e saem pela parte inferior, em direção a um ciclone onde ocorre a separação entre o ar e o levedo seco, que é ensacado logo em seguida (informações colhidas na usina produtora - Destilaria Vale do Ivaí).

Embora poucas pesquisas sobre a utilização da levedura de recuperação (Saccharomyces sp.) tenham sido desenvolvidas com coelhos (FAZANO et al., 1989; CARREGAL e FONSECA., 1990; e CARREGAL et al., 1990), vários trabalhos foram realizados com outras espécies, entre elas suínos, indicando sua viabilidade da utilização (MIYADA e LAVORENTI, 1979., 1979; MOREIRA., 1984; BERTO., 1985; NUNES., 1988; MIYADA et al., 1992; LANDELL et al., 1994; e MOREIRA et al., 1994). Por outro lado, na literatura consultada, apenas SCAPINELLO et al. (1996) informam sobre o uso de levedura seca por spray-dry na alimentação de coelhos.

Como a tecnologia spray-dry tende a se expandir e, portanto, maior volume de levedura produzida por este meio estará disponível no mercado, sendo importante aos nutricionistas conhecerem o seu potencial de utilização na alimentação animal.

Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a inclusão da levedura de recuperação (Saccharomyces sp.), seca por rolo rotativo ou por spray-dry, em substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja, em dietas para coelhos em crescimento.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Cunicultura da Fazenda Experimental de Iguatemi, da Universidade Estadual de Maringá, no período de março a abril de 1996.

Foram utilizados 176 coelhos da raça Nova Zelândia Branco, 88 machos e 88 fêmeas, com 40 dias de idade, alojados em gaiolas de arame galvanizado, providas de bebedouros automático e comedouros semi-automático de chapa galvanizada, localizados em galpão de alvenaria, com cobertura de telha francesa, pé direito de 3,0 metros, piso de alvenaria, paredes laterais de 50 cm em alvenaria e o restante em tela e cortina de plástico para controle de ventos. A temperatura média registrada no período experimental foi de 21°C, sendo que a máxima registrada foi de 22°C e a mínima, de 19°C.

Os animais foram distribuídos em delineamento experimental em blocos casualizados com 11 tratamentos e oito repetições de dois animais por unidade experimental. Foi formulada dieta referência de acordo com as recomendações do AEC (1987) para coelhos em crescimento, sendo que, para as demais dietas, a proteína bruta do farelo de soja foi sendo substituída gradativamente com inclusão de levedura de recuperação (4, 8, 12, 16 e 20%), seca em rolo rotativo ou por spray-dry.

Para balanceamento da energia digestível das dietas contendo levedura, foram utilizados os valores de energia digestível obtido no ensaio de digestibilidade de 3248 kcal/kg para LRRR e de 3859 kcal/kg para LRSD. As composições percentual e química e valor energético e o custo por quilo das dietas experimentais encontram-se na Tabela 1.

Após a mistura, as dietas foram peletizadas a seco, sendo fornecidas dietas e água à vontade.

Os coelhos foram pesados no início do experimento com 40 dias de idade, aos 70 dias de idade, e no final do experimento, com 90 dias de idade. As dietas fornecidas e as sobras também foram pesadas a cada pesagem dos animais.

O abate dos animais, no final do experimento, foi realizado conforme descrição feita por SCAPINELLO (1993).

O modelo estatístico para análise das características de desempenho e carcaça e econômicas foi:

 

 

em que

Yijklm = valor observado das variáveis estudada, relativo ao indivíduo m, de sexo k, de bloco l que recebeu a fonte de proteína i, com nível de inclusão j;
μ = constante geral;
Fi = efeito da fonte de proteína i, sendo i = 1, 2 e 3 ( 1= farelo de soja 2= LRRR e 3 = LRSD);
Bl = efeito do bloco l, sendo l = 1 e 2;
bi1 = coeficiente linear de regressão da variável Y, em função dos níveis de inclusão da fonte i, para todo i maior que 1;
bi2 = coeficiente quadrático de regressão da variável Y, em função dos níveis de inclusão da fonte i, para todo i maior que 1;
Nij = efeito do nível j de inclusão de levedura da fonte i; para todo i maior que 1;
N1 = média dos níveis de inclusão de levedura da fonte i, para todo i maior que 1;
Sk = efeito do sexo k, em que k = 1e 2; e
eijklm = erro aleatório associado a cada observação.

As médias das características estudadas, obtidas com o uso da dieta testemunha, foram comparadas às obtidas com as dietas contendo diferentes níveis de inclusão de levedura por meio do teste Dunnett e teste t (P<0,05). O número de animais mortos dos tratamentos contendo diferentes níveis de levedura foi comparado com a dieta testemunha por meio do teste Fischer (P<0,06).

Para comparação das três fontes de proteína das rações, foi utilizado o teste Tukey (P<0,05).

 

Resultados e Discussão

As médias de peso vivo aos 70 dias de idade, ganho de peso diário, consumo de ração diário e conversão alimentar, no período de 40-70 dias de idade, de acordo com os diferentes níveis de inclusão de LRRR e LRSD, em substituição à proteína bruta do farelo de soja, são mostradas na Tabela 2.

Entre características avaliadas, no período de 40-70 dias de idade, aplicando-se o teste Dunnett, apenas o consumo diário dos animais que recebam dieta com 20% de LRRR, substituindo totalmente a proteína bruta do farelo de soja, foi menor (P<0,05) que o de animais alimentados com dieta testemunha, enquanto, aplicando-se o teste t, alem destes, os animais que receberam a dieta com 16% de LRRR, substituindo 80% da proteína bruta do farelo de soja, também apresentaram menor consumo diário (P<0,05) em relação à testemunha.

Comparando-se as fontes de proteínas avaliadas pelo teste Tukey, apenas o consumo diário de ração dos animais que receberam ração com LRRR foi menor (P<0,05) do que os que receberam farelo de soja e LRSD.

A análise de regressão demonstrou que a substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja pela LRRR prejudicou linearmente (P<0,05) o peso vivo aos 70 dias, o ganho de peso diário e o consumo de ração diário no período de 40 a 70 dias de idade. Os dados mostram que a queda linear no ganho de peso dos animais que receberam dietas com níveis crescentes de LRRR deve-se à redução no consumo de ração, uma vez que a conversão alimentar não foi influenciada.

Estes resultados diferem dos encontrados por CARREGAL e FONSECA (1990), em que os coelhos alimentados com ração contendo 6,22% de inclusão de levedura na dieta obtiveram melhor resultado para ganho de peso e conversão alimentar em relação aos demais níveis de inclusão de levedura avaliados até 24,88%. Esses autores constataram também que a dieta contendo somente farelo de soja proporcionou consumo inferior à dieta com levedura seca em níveis crescentes.

Por outro lado, os resultados do presente trabalho estão de acordo com os encontrados por MIYADA et al. (1992), que, trabalhando com leitões em fase de recria, verificaram redução no consumo e, como conseqüência, redução no ganho de peso dos animais, quando a levedura foi incluída em níveis acima de 13,8%.

A redução no ganho de peso observado no presente trabalho pode ser atribuído a efeito negativo na palatabilidade das dietas. Essa constatação tem como base os trabalhos realizados por MIYADA et al. (1992), que trabalhando com suínos, atribuiu os menores ganhos a efeito negativo na palatabilidade das dietas contendo levedura. TEGBE e ZIMMERMAN (1977), trabalhando com levedura para suínos, afirmam que a levedura proporcionou dietas de consistência mais pegajosa na boca dos animais, dificultando sua ingestão.

Quanto à conversão alimentar, MOREIRA (1984) também não observou diferença significativa em suínos nas fases de crescimento e acabamento recebendo rações com níveis crescentes de inclusão de levedura seca. Contudo, BRENNE et al. (1974), MIYADA e LAVORENTI (1979) e MIYADA (1987) observaram que, com o aumento dos níveis de levedura, ocorreu efeito linear depressivo sobre a conversão alimentar. Este resultado foi atribuído a maior consumo alimentar pelos animais, de modo a balancear seu consumo energético, tendo em vista que a levedura seca tem menor teor energético que o farelo de soja.

O uso de LRSD, em substituição gradativa a proteína do farelo de soja, não influenciou as características estudadas até os 70 dias de idade.

SCAPINELLO et al. (1996), avaliando os efeitos da substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja pela LRSD, até 100% para coelhos em crescimento, no período de 40-70 dias, constataram não haver efeito no desempenho dos coelhos nos níveis estudados.

As médias de peso vivo aos 90 dias de idade, ganho de peso diário, consumo diário de ração e conversão alimentar, no período de 40-90 dias de idade, de acordo com os níveis de inclusão de LRRR e LRSD, em substituição à proteína bruta do farelo de soja, são mostradas na Tabela 3.

Aplicando-se o teste Dunnett, apenas o consumo diário de ração dos animais que receberam dieta com 16 e 20% de LRRR, substituindo 80 e 100% da proteína bruta do farelo de soja, foi menor (P<0,05) que o de animais que receberam a dieta testemunha. Contudo, aplicando-se o teste t, além destes, a conversão alimentar dos animais que receberam 16% de LRRR e 12% LRSD, substituindo, respectivamente, 80 e 60% da proteína bruta do farelo de soja, foi diferente (P<0,05), quando comparada à de animais que receberam dieta testemunha.

Comparando as fontes de proteínas avaliadas, pelo teste Tukey, apenas o peso vivo aos 90 dias de idade e o consumo de ração diário dos animais que receberam ração com LRRR foram menores (P<0,05) em relação à dieta com farelo de soja.

A análise de regressão demonstrou que a substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja pela LRRR prejudicou linearmente (P<0,05) o consumo de ração diário e melhorou linearmente (P<0,05) a conversão alimentar.

Diferentes resultados foram obtidos por CARREGAL e FONSECA (1990), que, trabalhando com coelhos de 35 a 70 dias, encontraram melhor ganho de peso diário, consumo de ração e conversão alimentar com dietas que continham 6,22% de inclusão de levedura na dieta.

TEGBE e ZIMMERMAN (1977), MIYADA e LAVORENTI (1979), FORSTAD et al. (1980), HANSSEN e FORSTAD (1980) e LIMA (1983), trabalhando com suínos, também não observaram efeito significativo sobre o ganho de peso diário nas fases de crescimento e acabamento, quando a levedura foi adicionada na dieta.

Os resultados obtidos com a inclusão de LRRR são semelhantes aos obtidos por MIYADA et al. (1992), que constataram menor consumo e melhora na conversão alimentar, com níveis de inclusão acima de 13,8% para leitões em recria.

A inclusão de LRSD em substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja não influiu nas características estudadas no período de 40-90 dias.

SCAPINELLO et al. (1996), trabalhando com coelhos em crescimento no período de 40-80 dias, constataram melhora linear na conversão alimentar com a substituição da proteína bruta do farelo de soja pela proteína bruta da LRSD em níveis crescente até 100%.

Os dados de peso e rendimento de carcaça de coelhos abatidos aos 90 dias são mostrados na Tabela 4.

Aplicando-se o teste Dunnett, não se verificaram diferenças entre os tratamentos que receberam inclusão de LRRR e LRSD e a dieta testemunha.

Comparando-se as fontes de proteínas avaliadas, pelo teste Tukey, apenas o peso da carcaça dos animais que receberam dieta contendo LRRR foi menor (P<0,05) que o de animais que receberam farelo de soja.

A análise de regressão demonstrou não haver diferenças no peso de carcaça e rendimento de carcaça, com a substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja pela proteína tanto da LRRR como da LRSD.

O número de mortes de coelhos nos períodos estudados, de acordo com os níveis de inclusão de LRRR e LRSD nas dietas, em substituição a proteína bruta do farelo de soja, encontram-se na Tabela 5.

Os resultados mostram que as rações com 16 e 20% de inclusão, tanto de LRRR como de LRSD, substituindo, respectivamente, 80 e 100% da proteína bruta do farelo de soja, provocaram elevadas taxas de mortalidade, especialmente no período de 40 a 70 dias de idade. Entretanto, pelo teste Fischer, apenas o número de animais mortos no tratamento em que a levedura de recuperação LRRR substituiu totalmente a proteína bruta do farelo de soja foi maior (P<0,06) em relação aos animais que receberam a ração testemunha.

A elevada mortalidade, possivelmente, pode estar relacionada com a origem da fonte de proteína, uma vez que alguns fatores, como substrato, grau de aeração do meio, métodos de fermentação, idade das células e nível de lavagem para eliminação de impurezas, podem implicar na qualidade do subproduto estudado, sendo necessário, portanto, acompanhamento constante da qualidade nutricional das leveduras comercializadas.

O custo da ração consumida por quilo de ganho de peso de coelhos, nos períodos de 40-70 dias de idade e 40-90 dias de idade, de acordo com diferentes níveis de inclusão de LRRR e LRSD nas rações, em substituição à proteína bruta do farelo de soja, são mostrados na Tabela 6.

Aplicando-se o teste Dunnet, no período de 40-70 dias de idade, o custo por quilo de peso vivo dos animais que receberam dietas com 16 e 20% de LRRR substituindo 80 e 100% da proteína bruta do farelo de soja, foi menor (P<0,05) em relação à dieta testemunha. No período de 40-90 dias de idade, tanto o teste Dunnett como o teste t acusaram diferença no custo na ração substituindo 80% da proteína bruta do farelo de soja.

Comparando as fontes de proteína avaliadas pelo teste Tukey, não houve diferença (P>0,05) entre as fontes de proteína.

A análise de regressão demonstrou que a substituição gradativa da proteína bruta do farelo de soja pela LRRR apresentou efeito linear (P<0,05) no custo por quilo de peso vivo em ambos os períodos, 40-70 dias e 40-90 dias.

 

Conclusões

A levedura de recuperação (Saccharomyces sp) seca pelo método spray-dry substitui mais eficientemente a proteína bruta do farelo de soja que a levedura de recuperação seca em rolos rotativos até os 70 dias de idade. Entretanto, considerando-se o período total do experimento, as fontes de proteína comportaram-se de forma semelhante.

Devido à alta mortalidade observada, principalmente, no período de 40-70 dias de idade, recomenda-se níveis de inclusão que não sejam superiores a 15% de ambas as leveduras, substituindo 60% da proteína bruta do farelo de soja.

 

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Recebido em: 09/02/98
Aceito em: 25/09/98

 

 

1 Projeto financiado pelo CNPq.

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