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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.29 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982000000200027 

Determinação da Exigência Nutricional de Treonina para Poedeiras Leves e Semipesadas1

 

Sandra Roselí Valerio2, Paulo Rubens Soares3, Horacio Santiago Rostagno3, Martinho de Almeida e Silva4, Luiz Fernando Teixeira Albino3, Geraldo Roberto Quintão Lana5, Cláudia de Castro Goulart6, João Luís Kill7

 

 


RESUMO - Desenvolveu-se este experimento com o objetivo de determinar a exigência nutricional de treonina para poedeiras leves e semipesadas no período de 21 a 36 semanas. Foram utilizadas 576 aves, 288 poedeiras leves e 288 semipesadas, durante quatro períodos experimentais de 28 dias cada. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 6 x 2 (níveis x marcas), com seis repetições e oito aves por unidade experimental. Os tratamentos consistiram em uma ração basal contendo 14,2% de proteína bruta, suplementada com cinco níveis de L-treonina (0,025; 0,050; 0,075; 0,100; e 0,125%), resultando em um total de 0,510; 0,535; 0,560; 0,585; 0,610; e 0,635% de treonina. O desempenho produtivo e a qualidade interna dos ovos foram avaliados. Consumo de ração, produção de ovos massa de ovos e o ganho de peso foram superiores para as poedeiras semipesadas. A produção e qualidade interna dos ovos, a conversão alimentar e o ganho de peso não foram influenciados pelos níveis de treonina utilizados. O nível de 0,510% de treonina, que corresponde a 515 mg/ave/dia (0,423% de treonina digestível) e 535 mg/ave/dia (0,440% de treonina digestível), foi suficiente para atender, satisfatoriamente, o desempenho e a qualidade interna dos ovos das poedeiras leves e semipesadas, respectivamente, para as características avaliadas.

Palavras-chave: poedeiras leves, qualidade interna dos ovos, semipesadas, treonina

Determination of Threonine Nutritional Requirement for White-Egg and Brown-Egg Laying Hens

ABSTRACT - An experiment was carried out to determine the nutritional threonine requirement for white-egg and brown-egg laying hens, during a period from 21 to 36 weeks. Five hundred and seventy six laying hens, 288 from white-egg and 288 from brown-egg, were used during four experimental periods of 28 days each. A complete randomized blocks design in a fatorial arangement (level x trademarks), with six replicates (eight birds/replicate), was used. The treatments consisted on a basal diet with 14.2% crude protein supplemented with 0.025, 0.050, 0.075, 0.100, and 0.125% of L-threonine providing a total of 0.510, 0.535, 0.560, 0.585, 0.610, and 0.635% of threonine. The productive performance and internal egg quality were evaluated. Feed intake, egg production, egg mass and weight gain were superior for the brown-egg laying hens. Egg production and internal egg quality, feed: gain ratio, body weight gain were not influenced by the used threonine levels. The level of 0,510% of threonine, that correspond to 515 mg/hen·day (0,423% of digestible threonine) and 535 mg/hen·day (0,440% of digestible threonine), was sufficient to meet the performance and to the internal egg quality for the studied characteristics of both white-egg and brown-egg laying hens, respectively.

Key Words: internal egg quality, light-weight hens, requirement, semi-heavy hens, threonine


 

 

Introdução

As recomendações do nível protéico das rações de poedeiras baseiam-se principalmente, nas respostas de desempenho, quanto ao consumo de ração, à produção de ovos, qualidade dos ovos e conversão alimentar. ROSTAGNO et al. (1983) sugeriram, para as condições brasileiras, os níveis de 15,9 e 14,5% de proteína bruta (PB) para poedeiras, com base no consumo de 100 e 110 g de ração/ave/dia, respectivamente. Da mesma maneira, RHODIMET (1993) recomendou, para poedeiras leves e semipesadas, os níveis de 14,5 e 14,2% PB, considerando consumo de 110 e 120 g de ração/ave/dia, respectivamente. Já o NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC (1994) cita, como exigências para poedeiras leves e semipesadas, os níveis de 15,0 e 16,5% PB, com base no consumo de 100 e 110 g de ração/ave/dia, respectivamente.

Poedeiras recebendo rações contendo baixo conteúdo protéico, suplementadas com aminoácidos essenciais, têm apresentado bons resultados, mas não o máximo desempenho (JOHNSON e FISHER, 1959; NOVACEK e CARLSON, 1969; e Fisher e Morris (1970), citados por HARMS e RUSSELL, 1993), sugerindo que a suplementação com aminoácidos em rações com baixo nível de proteína não resulta, necessariamente, em produção máxima de massa de ovos.

KESHAVARZ et al. (1980) e KESHAVARZ (1984, 1986) observaram, em vários estudos, que o desempenho de aves alimentadas com rações de baixo conteúdo de proteína bruta e suplementadas com aminoácidos foi inferior àquelas aves, cuja ração continha altos níveis protéicos. Do mesmo modo, SUMMERS et al. (1991), alimentando poedeiras com rações contendo 10,0% PB, suplementadas com lisina, metionina, arginina e triptofano, obtiveram 11,0% menos massa de ovos, quando comparadas às aves, recebendo rações contendo 17,0% PB, indicando que a produção e o peso de ovos respondem de maneira similar, ao elevar o nível protéico da ração. Já os trabalhos realizados por FERNANDEZ et al. (1973) demonstraram que ração contendo 13,0% de PB e suplementada com lisina e metionina pode ser tão eficiente quanto aquelas contendo 15,0; 17,0; ou 18,0% PB, para manter a produção e o tamanho de ovos. Resultados semelhantes foram encontrados por HARMS e RUSSELL (1993), quando determinaram melhor desempenho para as poedeiras consumindo rações com baixo conteúdo protéico (14,89%) suplementadas com aminoácidos essenciais (metionina, lisina, arginina, treonina, triptofano e valina).

ADKINS et al. (1958) forneceram às poedeiras rações contendo níveis crescentes de L-treonina. A melhor produção de ovos foi obtida na ração com 0,42% de L-treonina. O consumo de ração para as poedeiras alimentadas com rações contendo elevados teores de treonina (0,42; 0,47; 0,52; 0,57; e 0,62%) foi maior, correspondendo, em média, a 89,00; 79,71; 99,85; 82,14; e 85,71 g/ave/dia, respectivamente. Ocorreram perdas de peso de aproximadamente 412 e 77,6 g para as poedeiras, consumindo ração com 0,27 e 0,42% de L-treonina, respectivamente. Similarmente, HUYGHEBAERT e BUTLER (1991) observaram perda de peso das aves nas rações com baixas concentrações de treonina (inferiores a 0,40%). Além disso, as poedeiras recebendo rações contendo 0,51 e 0,37% de treonina apresentaram, respectivamente, taxa de postura de 86,9 e 70,7%, peso dos ovos de 60,5 e 55,0 g, massa de ovo de 52,6 e 38,9 g/dia e conversão alimentar de 2,37 e 2,83. Neste aspecto, o peso dos ovos foi mais sensível aos níveis de treonina que a taxa de postura, para poedeiras consumindo rações ligeiramente deficientes em aminoácidos.

Ao estudar o efeito da redução do nível protéico da ração de poedeiras e a relação com o requerimento de treonina, triptofano e isoleucina, WEERDEN et al. (1984) concluíram que o requerimento de treonina, durante o pico de produção, ficou entre 0,38 e 0,47%, para consumo de 103,45 a 112,78 g de ração/ave/dia e conversão alimentar de 2,44 a 2,12, respectivamente.

Pesquisas com ratos (LEUNG et al., 1968; TEWS et al., 1979, 1980) e aves (DAVIS e AUSTIC,1982a) revelaram que as rações podem ser desbalanceadas em treonina, quando outros aminoácidos são adicionados às rações que estão adequadas em treonina. Por outro lado, KOELKEBECK et al. (1991), estudando o efeito do excesso de aminoácidos em poedeiras, durante o pico de postura, constataram que a adição de 1,0% de lisina, metionina, treonina ou triptofano, em rações com 16,0% PB, não apresentou efeitos significativos sobre o desempenho das poedeiras.

Devido a estas considerações, realizou-se este trabalho, objetivando determinar a exigência nutricional de treonina para poedeiras leves e semipesadas, no período de 21 a 36 semanas.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na seção de Avicultura do Departamento de Zootecnia, da Universidade Federal de Viçosa, utilizando 576 poedeiras, 288 aves Lohman Selected Leghorn (leves) e 288 Lohman Brown (semipesadas). As poedeiras com 21 semanas de idade foram submetidas a quatro períodos experimentais de 28 dias cada. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 6 x 2 (níveis x marcas), com seis repetições e oito aves por unidade experimental.

Os tratamentos consistiram em ração basal (Tabela 1) com 14,2% de proteína bruta (PB), formulada de modo a satisfazer às recomendações nutricionais (ROSTAGNO et al., 1983), suplementada com cinco níveis de L-treonina (0,025; 0,050; 0,075; 0,100; e 0,125%). Para o preparo das rações experimentais com os diferentes níveis de treonina, foram feitas duas rações basais, sendo uma sem suplementação de L-treonina, mantendo o nível de 0,510% de treonina (tratamento 1) e a outra suplementada com L-treonina, para fornecer o nível máximo de treonina (0,635%, tratamento 6). As duas rações foram misturadas proporcionalmente, de modo a fornecer os níveis intermediários de treonina. Dessa forma, os tratamentos foram:

 

 

Tratamento 1 - Basal, fornecendo total de 0,510% treonina;

Tratamento 2 - Basal + 0,025% treonina, fornecendo total de 0,535% treonina;

Tratamento 3 - Basal + 0,050% treonina, fornecendo total de 0,560% treonina;

Tratamento 4 - Basal + 0,075% treonina, fornecendo total de 0,585% treonina;

Tratamento 5 - Basal + 0,100% treonina, fornecendo total de 0,610% treonina; e

Tratamento 6 - Basal + 0,125% treonina, fornecendo total de 0,635% treonina.

As variáveis estudadas foram: consumo de ração (g/ave/dia), produção de ovos (%), peso dos ovos (g), massa de ovos (g/ave/dia), ganho de peso corporal (g), conversão alimentar e qualidade interna dos ovos (Unidade Haugh e Índice de Gema e Albúmen).

As aves foram criadas até a 17a semana de idade, em galpão com piso de maravalha, seguindo as recomendações contidas no manual da marca, sendo transferidas no início da 18a semana de idade para o galpão de postura. As poedeiras foram alojadas segundo o peso médio, de modo que todos os tratamentos no início do período experimental apresentassem aves com peso corporal semelhante. A distribuição dos tratamentos foi feita de forma que cada quatro gaiolas constituíssem uma repetição, sendo, portanto, duas aves por gaiola.

O experimento teve início quando as poedeiras atingiram 21 semanas de idade. As aves foram novamente pesadas individualmente, para terem seu peso médio inicial aferido, tendo em vista posterior cálculo de ganho de peso. O peso médio inicial e a taxa de postura inicial foram, respectivamente, 1319,26 g ± 48,41 g e 47,92% para poedeiras leves e 1597,85 g ± 38,35 g e 45,14% para as poedeiras semipesadas. O fornecimento de ração foi à vontade, durante todo o período experimental. O programa de luz utilizado seguiu as recomendações do manual da marca. O consumo de ração foi determinado ao final de cada período experimental (28 dias). Com base neste consumo e na porcentagem de treonina em cada tratamento, determinou-se o consumo de treonina em mg/ave/dia. A conversão alimentar foi expressa em termos de quilos de ração consumida por quilo de ovos produzidos.

A coleta de ovos foi realizada diariamente, e o cálculo de produção baseou-se no número de ovos/ave/dia. Os ovos foram pesados nos cinco últimos dias de cada período experimental, para o cálculo de peso e massa de ovo.

As Unidades Haugh (UH) foram tomadas pela amostragem dos ovos de cada tratamento e repetição, obtidos no segundo dia de cada pesagem, utilizando-se um aparelho de Unidade Haugh tipo AMES S ¾ 6428, para medir a altura do albúmen, segundo EGG grading manual - EGM (1964). Os Índices de Gema (IG) e Albúmen (IA) foram calculados pela relação média dos diâmetros das gemas e albúmen, medidas por paquímetro. O ganho de peso foi calculado por diferença de peso das aves, no início e no final do experimento.

As análises químicas e bromatológicas das rações experimentais foram executadas de acordo com SILVA (1990). Os conteúdos de aminoácidos das rações basais foram obtidos de valores médios de determinações resultantes de análises laboratoriais. Os dados foram submetidos às análises estatísticas, utilizando-se o programa SAEG desenvolvido na UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV (1982). Os efeitos dos níveis de suplementação de L-treonina foram estudados por meio de análise de variância e modelos de regressão linear e quadrática.

 

Resultados e Discussão

Os resultados referentes ao consumo médio de ração (CR) e de treonina (CT), à produção de ovos (PROD), ao peso de ovos (PO), à massa de ovos (MO) e à conversão alimentar (CA) das poedeiras leves e semipesadas, nos vários níveis de treonina, encontram-se na Tabela 2. O consumo de ração, a produção e massa de ovos e o ganho de peso foram superiores para as poedeiras semipesadas. Ambas as marcas apresentaram valores semelhantes para peso médio dos ovos e conversão alimentar (Tabelas 2 e 3).

 

 

Pode-se observar que houve variação no consumo médio de ração das aves leves, provavelmente em função do menor consumo de ração (95,27 g/ave/dia) das poedeiras que receberam a ração contendo 0,535% de treonina, em relação às aves submetidas à ração com 0,510% de treonina, que ingeriram 101,06 g de ração/ave/dia. Não foi encontrada explicação biológica para o menor consumo de ração observado nestas poedeiras. No entanto, houve efeito quadrático (P<0,05) e a exigência de treonina encontrada para as mesmas foi de 0,574%, para consumo mínimo de 95,65 g de ração/ave/dia. Da mesma maneira, constatou-se este efeito sobre o consumo de treonina, possivelmente em virtude do consumo de ração. Para as poedeiras semipesadas, o consumo de treonina aumentou (P<0,05) linearmente, à medida que níveis crescentes de treonina foram adicionados à ração, mostrando que esses níveis não influenciaram o consumo de ração. As equações para consumo de ração e de treonina, ajustados por meio de regressão linear e quadrático para poedeiras leves e semipesadas, foram, respectivamente:

= 450,956 - 1237,03x + 1076,70x2 (R2 = 0,65)

= 1,96692 - 5,92395x + 6,01770x2 (R2 = 0,97)

= 0,0378169 - 0,967480x (R2 = 0,99)

Os resultados obtidos divergem, em parte, dos encontrados por ADKINS et al. (1958), que constataram maior consumo de ração para as poedeiras alimentadas com maiores níveis de treonina, 0,42 a 0,62%, que consumiram, em média, 374,0 a 531,0 mg de treonina/ave/dia, respectivamente. De maneira semelhante, WEERDEN et al. (1984) observaram, durante o pico de postura, variação no consumo de ração (103,45 a 112,78 g/ave/dia), em poedeiras alimentadas com rações contendo 0,38 a 0,47% de treonina, correspondendo ao consumo de 393,0 a 530,0 mg de treonina/ave/dia. Já HUYGHEBAERT e BUTLER (1991) notaram que poedeiras alimentadas com rações contendo 0,51% de L-treonina, com consumo médio de 125,0 g/ave/dia e 637,5 mg de treonina/ave/dia, apresentaram melhores resultados de desempenho que aves alimentadas com rações contendo 0,37% de L-treonina, que consumiram, em média, 111,0 g de ração/ave/dia e 410,70 mg de treonina/ave/dia.

As poedeiras leves e semipesadas atingiram o pico de postura com 26 semanas de idade, produzindo, respectivamente, 86,01 e 90,67%, sendo estes resultados inferiores aos citados no manual da marca (92,0 a 95,0% e 90 a 93%).

Os níveis de treonina utilizados não influenciaram (P>0,01) a produção de ovos das aves leves e semipesadas. Estes resultados são divergentes daqueles encontrados por ADKINS et al. (1958), que obtiveram melhora na produção de ovos, à medida que níveis crescentes de treonina foram adicionados à ração. De maneira semelhante, HUYGHEBAERT e BUTLER (1991) constataram que poedeiras alimentadas com rações com 0,37% de treonina apresentaram menor taxa de postura (70,7%) que aquelas recebendo rações contendo 0,51% de treonina (89,6%). A menor produção de ovos observada para as poedeiras leves alimentadas com ração contendo 0,535% de treonina (76,57%), em relação às poedeiras submetidas à ração com 0,510% de treonina (83,07%), possivelmente foi ocasionada pelo menor consumo de ração (95,27 g/ave/dia) das aves que ingeriram menor quantidade de nutrientes (treonina, lisina, energia, proteína bruta e outros). Esta explicação está de acordo com os relatos de KESHAVARZ (1984), que verificou redução no desempenho das aves alimentadas com rações contendo 14,5% de proteína bruta, a qual provavelmente ocorreu em função da baixa ingestão de lisina e outros aminoácidos.

Similarmente, os valores para peso e massa de ovos, encontrados para as poedeiras leves e semipesadas, foram inferiores aos citados nos manuais das marcas, que indicam, respectivamente, ovos com 62,5 a 63,5 g e massa de ovo com 50,5 a 51,1 g/ave/dia. Resultados semelhantes foram observados por HARMS e RUSSELL (1993), que encontraram ovos com 55,8 g de peso e massa de ovo de 46,4 g/ave/dia. Entretanto, KESHAVARZ (1984) encontrou valores inferiores para peso (51,1 g) e massa de ovo (32,0 g/ave/dia), sugerindo que a suplementação com aminoácidos em rações com baixo conteúdo protéico não resulta em produção máxima de massa de ovos.

Por outro lado, REID (1976) e BRAGA (1978) encontraram resultados superiores para peso de ovos (60,2 e 62,6 g, respectivamente) e valores semelhantes para massa de ovos (46,3 e 50,4 g/ave/dia, respectivamente).

Pode-se verificar, entretanto, variação no peso dos ovos das aves leves, possivelmente em função dos menores consumo de ração (95,27 g/ave/dia) e peso dos ovos (55,90 g), resultantes do tratamento que continha 0,535% de treonina, em relação ao nível de 0,510% de treonina, com consumo de 101,06 g de ração/ave/dia e peso de ovo de 56,70 g. Do mesmo modo, esta variação foi observada para a massa de ovos, provavelmente, em decorrência do menor consumo de ração das aves que receberam ração com 0,535% de treonina, as quais ingeriram 509,67 mg de treonina/ave/dia. As exigências de treonina obtidas para peso e massa de ovos foram 0,573% de treonina, para peso mínimo de 55,18 g e 0,570% de treonina, para massa mínima de ovos de 43,81 g/ave/dia. As equações para peso e massa de ovos, ajustadas por meio de regressão para as poedeiras leves, foram, respectivamente:

= 185,455 - 454,566x + 396,539x2 (R2 = 0,88)

= 261,395 - 763,545x + 669,872x2 (R2 = 0,47)

Os resultados obtidos para peso de ovos estão de acordo com ADKINS et al. (1958), em que poedeiras alimentadas com níveis, variando de 0,42 a 0,62% de treonina na ração, produziram ovos com peso médio de 53,0 g. Todavia, o valor médio para massa de ovos (40,4 g/ave/dia) foi inferior ao encontrado neste trabalho. Já WEERDEN et al. (1984) observaram valores semelhantes para massa de ovo, que foram de 42,4 a 53,2 g/ave/dia, para níveis de 0,38 a 0,47% de treonina na ração. Por outro lado, HUYGHEBAERT e BUTLER (1991), testando rações contendo 0,51% de treonina, obtiveram resultados superiores para peso (60,5 g) e massa de ovo (52,6 g/ave/dia). Portanto, os resultados encontrados neste experimento, para peso e massa de ovos, evidenciam que a ração contendo 0,510% de treonina atendeu às exigências nutricionais das poedeiras leves.

Os níveis de treonina não influenciaram (P>0,01) a conversão alimentar das poedeiras leves e semipesadas. Os resultados obtidos concordam com os de WEERDEN et al. (1984), ao utilizarem níveis de 0,38 a 0,47% de treonina na ração de poedeiras. Estes autores encontraram valores de conversão alimentar (kg) entre 2,44 e 2,12. BRAGA (1978), trabalhando com duas linhagens de poedeiras legornes, não constatou diferença no valor da conversão alimentar (dz), que foi de 1,49. Ao elevar o nível protéico da ração de 13,0 para 15,0%, esse autor obteve melhora na conversão. Resultados diferentes foram obtidos por PENZ e JENSEN (1991), os quais constataram que aves alimentadas com rações contendo 13,0 e 16,0% de proteína bruta, suplementadas com lisina, apresentaram o mesmo valor de conversão alimentar (1,40). Já HUYGHEBAERT e BUTLER (1991) constataram melhora na conversão alimentar, à medida que níveis crescentes de treonina foram adicionados às rações. Apesar de serem observadas diferenças na conversão alimentar, entre as marcas comerciais, ainda há controvérsias quanto à influência do nível protéico da ração sobre a conversão em ovos.

HARMS e RUSSELL (1993) demonstraram que aves alimentadas com rações contendo baixo nível protéico e suplementadas com lisina, treonina, arginina, valina, triptofano e metionina apresentaram pequena melhora na conversão alimentar (1,77), quando comparadas com aves recebendo rações com baixo nível protéico, sem suplementação (1,79).

Os níveis de treonina utilizados não influenciaram (P>0,01) o ganho de peso e a qualidade interna dos ovos das poedeiras leves e semipesadas (Tabela 3). Portanto, os resultados para ganho de peso evidenciaram que não houve deficiência de treonina na ração. Ao contrário, ADKINS et al. (1958) encontraram perda de peso de, aproximadamente, 412,0 e 77,6 g, para as poedeiras alimentadas com rações contendo 0,27 e 0,42% de treonina, respectivamente. Da mesma forma, HUYGHEBAERT e BUTLER (1991) observaram perda de peso (média de 82,0 g) das aves, ao serem fornecidas rações contendo baixas concentrações de treonina ou inferiores a 0,40%.

Os resultados para qualidade interna dos ovos também demonstraram que não houve deficiência de treonina na ração com 0,510%. HARMS e DOUGLAS (1960), utilizando níveis protéicos, variando de 14,7 a 16,7%, encontraram melhores resultados de Unidade Haugh para as aves que receberam rações contendo 14,7% de proteína bruta. BRAGA (1978) concluiu que os valores de Unidade Haugh não foram influenciados pelos níveis protéicos e energéticos. No entanto, HAMILTON (1978), fornecendo rações com 17,0% de proteína bruta, suplementadas com lisina e metionina, apresentaram valor superior de Unidade Haugh (83,34), quando comparadas com teores de 15,0 e 13,0% de proteína bruta com suplementação. CARMO (1981) constatou que as aves alimentadas com rações contendo 13,0 e 12,0% de proteína sem suplementação de metionina apresentaram valores de Unidades Haugh superiores aos das poedeiras submetidas à ração testemunha com 15,0% de proteína.

 

Conclusões

O nível de 0,510% de treonina, correspondendo a 515 mg/ave/dia (0,423% de treonina digestível) e 535 mg/ave/dia (0,440% de treonina digestível), foi suficiente para atender, satisfatoriamente, o desempenho e a qualidade interna dos ovos das poedeiras leves e semipesadas, respectivamente, para as características avaliadas.

 

Referências Bibliográficas

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Recebido em: 16/09/98
Aceito em: 17/09/99

 

 

1 Parte da Tese de Mestrado apresentada à Universidade Federal de Viçosa pela primeira autora.

2 Zootecnista. Estudante de Doutorado do Depto de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa. E.mail: svalerio@alunos.ufv.br

3 Professor do Depto de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa.

4 Professor da Escola de Veterinária - Universidade Federal de Minas Gerais.

5 Professor do Depto de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

6 Zootecnista. Mestre em Nutrição de Monogástricos pela Universidade Federal de Viçosa.

7 Estudante de Doutorado do Depto de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa.

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