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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

Rev. Bras. Zootec. vol.30 no.6 Viçosa Nov./Dec. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982001000700017 

Níveis de Energia e Relações Energia:

Proteína para Frangos de Corte de 22 a 42 dias de Idade

 

José Humberto Vilar da Silva1, Luiz Fernando Teixeira Albino2, Adriana Helena do Nascimento3

 

 


RESUMO - Níveis de energia metabolizável (EM) de 2900, 3100 e 3300 kcal e relações energia: proteína (EM: PB) de 128, 148, 168 e 188 kcal/%PB foram avaliados em frangos de corte machos de 22 a 42 dias de idade, distribuídos ao acaso em um esquema fatorial 3 x 4, com quatro repetições de 18 aves por tratamento. O aumento da relação EM: PB apresentou efeito linear decrescente sobre consumo de ração, peso vivo aos 42 dias, ganho de peso, consumo de proteína, consumo de energia metabolizável, peso da carcaça, peso da carne de peito, peso de pernas (coxa+sobrecoxa) e elevou linearmente a porcentagem de gordura abdominal na carcaça em todos os níveis de energia. A relação EM: PB de 148 (20,95% PB) dentro do nível de EM de 3100 kcal atende às exigências de ótimo crescimento de frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, enquanto a relação EM: PB de 188 dentro de todos os níveis de energia estudados se mostrou inadequada. Em virtude do aumento do custo da ração, a redução da relação EM: PB, em rações práticas, deve ser avaliada para otimizar o modelo de produção em que a qualidade da carcaça também deve ser considerada.

Palavras-chave: desempenho, gordura abdominal, peso da carcaça, frangos de corte

Energy Levels and Metabolizable Energy: Protein Ratio for Male Broiler Chicks from 22 to 42 Days of Age

ABSTRACT - Levels of metabolizable energy (ME) of 2,900, 3,100 and 3,300 kcal and energy to protein ratio (EM: PB) of 128, 148, 168 and 188 kcal/%CP were evaluated with male broiler chicks from 22 to 42 days of age, assigned to a completely randomized 3 x 4 factorial design, where each treatment had four replications of 18 birds. Increasing the ME: CP ratio resulted in linear decreasing effect on feed intake, live weight, weight gain, crude protein intake, energy intake, carcass weight, breast meat weight, drumsticks weight and linearly increased abdominal fat percentage within each level of energy. The 148 ME:CP ratio (20,95% CP) in the level of 3100 kcal ME met the broilers requirements to optimum growth from 22 to 42 days of age, while 188 ME:CP ratio was inadequate. Because of the high costs, decreasing EM: PB ratio must be evaluated to optimize a production system where the carcass quality is also considered.

Key Words: abdominal fat, broiler male chicks, carcass weight, performance


 

 

Introdução

Há cerca de 50 anos, foi reconhecido que a composição da carcaça poderia ser alterada pela manipulação nutricional da ração (FRAPS, 1943), no entanto, este princípio vem sendo pouco aplicado na formulação de rações para frangos de corte. Segundo BUYSE et al. (1998), a excessiva deposição e os problemas de saúde associados com o consumo de gordura são, atualmente, a maior preocupação de produtores, abatedores, indústrias de processamento e consumidores.

Ótimas revisões têm sido publicadas listando os principais fatores que afetam a qualidade da carcaça de frangos de corte (LEENSTRA, 1986; LIN, 1980, 1981; EMMANS, 1987 e 1995; PESTI, 1999; e ALBINO et al., 2000) e a proporção caloria:proteína, pelas implicações sobre a quantidade de gordura suplementar e custo da ração, taxa de crescimento, conversão alimentar e composição corporal (PESTI, 1999), além das interações com a genética e o ambiente das aves, é, provavelmente, o fator mais importante.

Segundo EMMANS (1987), em virtude das rápidas mudanças no melhoramento genético das linhagens de frangos de corte, a realização de testes periódicos com rações variando a relação energia:proteína deve contribuir para detectar possíveis falhas nos programas de seleção, em relação à qualidade de carcaça, e orientar eventuais correções nos planos de nutrição, a fim de evitar excesso de gordura na carcaça.

Avaliando o efeito do aumento das relações EM:PB de 139 para 160 e 188, em frangos de corte de 28 a 56 dias de idade, GRIFFITHS et al. (1977) não observaram efeito sobre o ganho, mas o consumo e a gordura abdominal aumentaram em termos absolutos e a conversão alimentar piorou.

Redução significativa no ganho de peso e pior conversão (NASCIMENTO et al., 1998), além de aumentos significativos nas porcentagens de gordura abdominal e extrato etéreo e queda no teor de proteína da carcaça (ALBINO et al., 2000), foram observadas em frangos, na fase inicial, alimentados com rações contendo relações energia:proteína, que passaram de 125,0 para 136,9 e 151,5.

O NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC (1994) e ROSTAGNO et al. (2000) recomendaram relação EM: PB de 160, para permitir ótimo crescimento, e conversão alimentar em frangos de corte de 22 a 42 dias de idade. Porém, é importante investigar se esta relação atende também as exigências das aves para o ótimo crescimento de carne de peito, coxa e sobrecoxa e se as proporções de ambos são alteradas quando a mesma relação energia: proteína é usada com diferentes níveis de energia da ração.

Em grande parte dos estudos, as relações proteína e outros nutrientes importantes da ração, como lisina, metionina+cistina, cálcio, fósforo disponível e sódio, não foram mantidas, à medida que as relações caloria:proteína foram determinadas, e variações não controladas de peso e de composição da carcaça podem ter ocorrido em muitos ensaios, em virtude de possíveis interações entre os diferentes nutrientes da ração.

O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar o efeito da relação EM: PB na ração com níveis baixo, médio e alto de energia, mantendo fixas as relações proteína:lisina, metionina+cistina, cálcio, fósforo disponível e sódio sobre o desempenho e a qualidade da carcaça de frangos machos de 22 a 42 dias de idade.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Aviário do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa.

Foram utilizados 864 pintinhos machos da linhagem Avian Farms, com peso inicial de 0,502 + 0,0054 kg, criados de 1 a 21 dias em condições convencionais. A escolha de frangos machos foi justificada pelo maior peso absoluto de carne de peito (SMITH et al., 1998) e de pernas em relação às fêmeas, no intuito de detectar possíveis tendências das rações promoverem aumentos nas deposições de carne de peito, coxa e sobrecoxa.

Aos 21 dias, as aves foram pesadas e distribuídas em boxes de 1,0 x 2,0 m, com cama de maravalha, e criadas até 42 dias de idade com ração farelada e água à vontade. Utilizou-se um programa de luz contínuo (24 horas de luz/dia), enquanto a temperatura e a umidade do ambiente foram acompanhadas diariamente às 8, 13 e 18 h.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 4 x 3, quatro relações energia:proteína (EM:PB) de 128, 148, 168 e 188 kcal/%PB e níveis baixo, médio e alto de EM na ração (2900, 3100 e 3300 kcal), como fatores principais e interações. As relações EM: PB foram definidas com base na relação de 160, recomendada pelo NRC (1994) e por ROSTAGNO et al. (2000).

O aumento da relação EM: PB em cada nível de EM foi proporcionado pela redução do conteúdo de PB, variando as proporções de milho, glúten de milho e farelo de soja, e o aumento da EM foi assegurado pelo acréscimo da proporção de óleo de soja em substituição parcial ao milho. Os teores de lisina, metionina + cistina, cálcio, fósforo disponível e sódio foram mantidos constantes em relação à proteína, com as adições de L-lisina·HCl, DL-metionina, calcário, fosfato bicálcico e sal comum, respectivamente (Tabela 1).

Além do consumo de ração, ganho de peso, conversão alimentar e consumo de proteína bruta e energia metabolizável, a relação da eficiência protéica (PER) foi obtida pela relação entre o ganho de peso (g) e o consumo de proteína (g).

Aos 42 dias de idade, após jejum de seis horas, quatro aves de cada parcela experimental foram abatidas, depenadas e evisceradas (com pés e cabeça), para as avaliações de carcaça em relação ao peso vivo, e de pernas (coxa+sobrecoxa), peito+osso+pele, carne de peito e gordura abdominal em relação ao peso da carcaça limpa. A carne de peito foi obtida pela retirada da pele e desossa manual. A gordura abdominal constituiu-se da parte aderida à moela, bolsa de Fabricius, cloaca e músculos abdominais adjacentes.

As análises estatísticas foram realizadas pelo programa SAEG (UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV, 1982). Quando as interações foram significativas (P<0,05) ou relevantes (P<0,10), realizou-se o desdobramento da soma de quadrados dos tratamentos, para obter-se os modelos lineares simples, considerando os respectivos coeficientes de determinação (R2), tendo como variável independente a relação EM: PB.

Na ausência de interações significativas, os dados foram apresentados como contrastes dentro de cada fator principal, sendo as médias comparadas pelo teste de Student-Newman Keuls (P<0,05). Foi utilizado o seguinte o modelo estatístico:

em que: yijk = efeito do i-éssimo nível de EM e j-éssima relação EM:PB na k-éssima parcela experimental; m = média geral do experimento; Ei = efeito do i-éssimo nível de EM, sendo i= 2900, 3100 e 3300 kcal EM; Ei: Pj = efeito da j-éssima relação EM: PB, sendo j= 128, 148, 168 e 188 kcal/%PB; Ei: Pj/Ei = efeito de interação entre as j-éssimas relações EM: PB e os i-éssimos níveis de EM; eijk = erro experimental na k-éssima parcela, sendo o erro NID (0, s2).

 

Resultados e Discussão

O ambiente climático, durante o experimento, foi favorável à produção de frangos de corte, conforme as médias diurnas de temperatura de 26 ºC, e umidade relativa do ar de 79%. Observa-se que a temperatura média não ultrapassou o limite máximo da zona de conforto de frangos de corte, considerada por CAMPOS (1995) e BAETA e SOUZA (1997) de 27o C.

Por outro lado, como os níveis de lisina, metionina+cistina, cálcio, fósforo disponível e sódio foram fixos em relação à concentração de proteína, as exigências mínimas das aves nestes nutrientes, nas relações EM: PB de 168 e 188 dos níveis de energia baixo e médio e de 188 do nível alto de energia, não foram atendidas. Isto permitiu o uso de regressões lineares simples para interpretar as respostas de desempenho e composição anatômica da carcaça.

Em todos os níveis de EM, o consumo de ração reduziu linearmente (P<0,01), nas taxas de 1,86; 5,05; e 3,26 g a cada unidade de aumento na relação EM: PB (ou declínio da PB da ração), nos níveis baixo, médio e alto de energia, respectivamente (Tabelas 2 e 5). Observa-se maior taxa de declínio nas aves alimentadas com 3100 kcal EM, recomendado para a fase de crescimento de frangos de corte (ROSTAGNO et al., 2000). Este resultado sugere que, independente da densidade calórica, o aumento do nível de proteína da ração tem efeito estimulante do consumo em frangos de corte, em virtude, provavelmente, da necessidade das aves atenderem a deposição máxima de tecido magro na carcaça.

Interações significativas entre a densidade energética e as relações EM: PB foram detectadas para o peso vivo aos 42 dias (P<0,05) e o ganho de peso (P<0,07).

O ganho de peso sofreu reduções lineares nas taxas de 0,007; 0,009; e 0,009 g/ave/dia a cada unidade de aumento na relação EM: PB, nos níveis de energia baixo, médio e alto, respectivamente (Tabelas 2 e 5 e Figura 1).

 

 

Este resultado é diferente daquele obtido por GRIFFITHS et al. (1977), que não detectaram efeito das relações EM: PB de 138,7; 159,5; e 187,6 sobre o ganho de peso de frangos de corte de 28 a 56 dias de idade, entretanto concorda com aqueles de LEESON et al. (1996), que observaram declínios no ganho de peso.

Não houve diferença significativa (P>0,05) para os ganhos de peso nos níveis médio e alto de EM dentro das relações EM: PB de 128 e 148, mas na relação de 168 o nível mais alto de energia proporcionou o maior ganho de peso (P<0,05) e os níveis médio e baixo de energia não diferiram entre si. No entanto, não houve diferença significativa entre os ganhos de peso proporcionados pelos níveis de EM na relação de 188. Portanto, o nível de 3100 kcal de EM e relação EM: PB de 148 (20,95%PB) parece suficiente para permitir o ótimo crescimento de frangos de corte.

A relação EM:PB de 148 é inferior àquela recomendada pelo NRC (1994) e ROSTAGNO et al. (2000) de 160 (19,37%PB e 3100 kcal EM). Esta discrepância deve ser explicada pelas diferenças existentes entre sexo. No presente estudo, usaram-se apenas frangos machos, enquanto que as recomendações dessas tabelas convencionais são para lotes mistos (machos e fêmeas), que devem apresentar, em média, menores exigências nutricionais.

A conversão alimentar não foi afetada pela interação (P>0,10), mas sim pelos efeitos principais da relação EM:PB e do nível de energia (P<0,05). As melhores conversões foram obtidas com a ração contendo o nível alto de energia e a menor relação EM: PB (Tabela 2).

BARTOV e PLAVNIK (1998) também observaram melhor conversão alimentar em frangos de corte, quando a ração apresentou relação EM: PB de 130 (mais proteína), em comparação à de 140 (menos proteína). Os resultados do presente trabalho também corroboram a afirmação de PRAK (1999) de que as linhagens atuais de frangos de corte exigem menores relações EM: PB, para atingir máximo ganho e melhor conversão alimentar, em comparação às normalmente usadas na prática.

Forte correlação negativa foi obtida entre o consumo de proteína (r = -0,935; P<0,0001) e a relação EM:PB, que diminuiu linearmente em todos os níveis de energia, à medida que a relação EM:PB aumentou (Tabelas 2 e 5). Este resultado confirma aquele obtido por GRIFFITHS et al. (1977).

À semelhança do observado para o consumo de ração, as maiores taxas de declínio nos consumos de proteína (-4,2 g) e energia (-15,7 kcal) foram constatadas no nível médio de energia da ração, com o aumento da relação EM: PB.

Com a aplicação da lei do retorno decrescente, a redução da relação EM: PB de 188 para 168; 168 para 148 e 148 para 128, alterou o ganho de peso de, respectivamente, 0,071 para 0,118 e 0,212 kg no nível 2900 kcal; de 0,161para 0,242 e 0,148 kg no nível de 3100 kcal; e de 0,272 para 0,148 e 0,132 kg no nível de 3300 kcal. Os maiores ganhos de peso foram obtidos com as rações contendo 2900 kcal de EM e 22,66% de PB (EM:PB de 128), 3100 kcal de EM e 20,95% de PB (EM:PB de 148) e 3300 kcal e 19,64% de PB (EM:PB de 168).

Observa-se que, ao se aumentar o nível de energia da ração, a exigência de proteína de frangos de corte tende a diminuir.

Os resultados da Tabela 2 também sugerem que rações contendo 20,95% de PB e EM de 3100 kcal parecem adequadas para promover o ótimo ganho de peso no período de 22 a 42 dias de idade de frangos de corte.

Os resultados do presente trabalho concordam com a opinião de FANCHER e JENSEN (1989) de que a redução da relação EM: PB, com o aumento da proteína na fase de 22 a 42 dias, permite melhor ganho de peso das aves.

As anormalidades de pernas e a mortalidade (dados não apresentados) não foram afetadas pelos tratamentos. Segundo LUCHESI (2000), após o surgimento das linhagens de conformação, o aumento do nível energético da ração não tem implicado em elevação da mortalidade.

Foi detectada interação significativa para o peso da carcaça (P<0,09), que declinou nas taxas de 3,9; 6,8; e 6,8 g/ave por unidade de aumento da relação EM: PB, dentro dos respectivos níveis baixo, médio e alto de energia da ração (Tabela 3).

Por outro lado, o rendimento de carcaça não sofreu interação (P>0,10). Ao contrário, BARTOV e PLAVNIK (1998) observaram melhor rendimento de carcaça em frangos alimentados com ração contendo relação EM:PB de 140 versus 160.

O peso e o rendimento de peito+osso+pele não sofreram efeitos de interação entre a relação EM:PB e o nível de EM da ração (P>0,10). Entretanto, interação significativa (P<0,09) foi constatada para o peso da carne de peito, que reduziu nas taxas de 1,1; 1,6; e 1,8 g/ave (Tabelas 3 e 5; Figura 2), à medida que a relação EM:PB foi elevada em uma unidade.

 

 

Estas taxas permitiram visualizar queda no peso da carne de peito em 66, 96 e 108 g, com o aumento da relação EM: PB de 128 para 188 no período estudado, respectivamente, nos níveis baixo, médio e alto de energia da ração, ou seja, com a redução da proteína (Tabela 1).

Na Figura 2, observa-se que o peso da carne de peito foi similar entre as aves alimentadas com os níveis médio e alto de EM dentro das relações 128 e 148, sendo que o nível alto de EM, dentro da relação EM: PB de 168, proporcionou melhor peso da carne de peito, enquanto o nível médio não diferiu do nível baixo de energia. Não houve diferenças entre os níveis de energia dentro da relação de 188. Este resultado mostra que o desenvolvimento dos músculos de peito pode ser melhorado pela redução da relação EM: PB, ou aumento da concentração de proteína, em rações com alta densidade energética e, ao contrário, nenhum efeito deve ser produzido, quando a relação EM: PB for elevada em dietas de alta energia.

O peso, mas não o rendimento, de pernas (coxas+sobrecoxas) sofreu interação significativa da relação EM: PB e do nível de EM da ração (P<0,07), caindo 1,01; 1,96; e 1,90 para cada unidade de aumento na relação EM: PB, nas densidades baixa, média e alta de energia da ração, respectivamente (Tabelas 4 e 5 e Figura 3).

 

 

Na Figura 3, o peso de pernas foi similar para os níveis médio e alto de energia e relações EM: PB de 128 e 148, com melhor resultado para o nível alto de energia na relação 168. O nível baixo de energia novamente resultou em pior peso de pernas nas relações de 128 e 148, mas não diferiu do nível médio de energia na relação 168, nem dos demais níveis de energia na relação 188.

A maior taxa de perda de peso de pernas foi constatada para o nível médio de energia, que resultou em declínio de 117,6 g, à medida que a relação EM: PB passou de 128 para 188.

O peso da gordura abdominal não sofreu efeito de interação, mas a porcentagem de gordura abdominal cresceu linearmente (P<0,01) nas taxas de 0,01; 0,02; e 0,02% por unidade de aumento da relação EM: PB, nos respectivos níveis baixo, médio e alto de EM da ração (Tabelas 4 e 5 e Figura 4).

 

 

Como os custos energéticos da deposição de proteína e síntese de ácido úrico foram reduzidos, à medida que a relação EM: PB da ração passou de 128 para 188, mais energia ficou disponível, na forma de carboidrato e gordura, provavelmente, para a deposição de gordura na carcaça.

Evidentemente, existe um custo energético importante, durante a deposição de proteína, de cerca de 4 mol de ATP por cada ligação peptídica e, durante a excreção de um átomo de N dos aminoácidos como ácido úrico, de 6 mol de ATP/g.átomo de N (maioria dos aminoácidos que contêm um átomo de N), podendo chegar até 18 mol de ATP nos aminoácidos que contêm três átomos de N, como a histidina (MAPES e KREBS, 1978; SCHULTZ, 1978; MACLEOD, 1997; e KLASING, 1998).

Ao contrário, quanto menor a relação EM: PB, mais proteína (aminoácidos) foi depositada e o excedente na corrente sanguínea ficou disponível, provavelmente, para a síntese de ácido úrico, e o "pool" molar resultante foi utilizado como fonte de energia.

A redução da gordura abdominal, associada ao declínio da relação EM: PB, foi causada, provavelmente, pelo alto custo energético de deposição de proteína. Segundo MACLEOD (1997), a produção de calor está intimamente correlacionada com a taxa de deposição de proteína corporal, e a contribuição da excreção de N para a produção de calor deve ser pequena e contrabalançada pelo reduzido custo de deposição de proteína.

A síntese de ácido úrico apresenta relação custo:benefício positiva em rendimento de ATP (32: 68); portanto, o custo de síntese de ácido úrico é superado pela energia resultante da oxidação dos aminoácidos. Esta contribuição extra em ATP da oxidação dos aminoácidos poupa gorduras e carboidratos e, presumidamente, produz menos calor que o resultante da oxidação destes (MACLEOD, 1997).

Os resultados do presente estudo concordam com aqueles de FANCHER e JENSEN (1989), que trabalharam com fêmeas de 22 a 42 dias de idade, LEESON e SUMMERS (1997) e BARTOV e PLAVNIK (1998) e, também, com os dados de NASCIMENTO et al. (1998), que observaram aumento da gordura abdominal em frangos na fase de inicial, quando a relação EM: PB da ração passou de 125 para 137 e 152.

O último resultado não confirma totalmente a hipótese de que rações com mesma relação EM: PB produzem similar grau de obesidade na carcaça de frangos (BARTOV et al., 1974; COON et al., 1981; ALAO e BALNAVE, 1985; e BARTOV e PLAVNIK, 1998).

A relação da eficiência protéica (PER) melhorou com os aumentos do nível de EM da ração e da relação EM: PB. Este resultado corrobora opinião de MORRIS et al. (1999) de que, quanto menor a relação EM: PB, conseqüentemente, maior o consumo de proteína e menor a sua eficiência de utilização.

 

Conclusões

Rações com relação EM: PB de 148 (20,95% de PB) e nível de energia metabolizável de 3100 kcal são adequadas para ótimo crescimento de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade.

Em virtude do aumento do custo da ração, a redução da relação EM: PB em rações práticas deve ser avaliada para otimizar o modelo de produção em que a qualidade da carcaça também deve ser considerada.

 

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Recebido em: 04/03/01
Aceito em: 27/08/01

 

 

1 Professor do Departamento de Agropecuária/CFT/UFPb - CEP 58.220-000/Bananeiras-PB. E.mail: jvilar@cft.ufpb.br

2 Professor do Departameto de Zootecnia/UFV. E.mail: lalbino@mail.ufv.br

3 Agroceres-Rio Claro-SP. E-mail: adrianan@agroceres.com.br

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