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Frações Nitrogenadas, Glicídicas e Amônia Liberada pela Cama de Frangos de Corte em Diferentes Densidades e Tempos de Confinamento

Nitrogenous and Glicydic Fractions and Ammonia Released by Broiler Litter in Different Stocking Densities and Periods of Breeding

Resumos

O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de estudar a liberação de amônia pela cama de frangos de corte, bem como o teor de umidade e de compostos glicídicos (carboidratos redutores) e nitrogenados (nitrogênio total, nitrogênio solúvel total e nitrato) presentes na mesma, em função da densidade populacional, tempo de confinamento e sexo das aves. Realizou-se o experimento em delineamento inteiramente casualizado. A cama de frango foi submetida às densidades de 10; 14; 18 e 22 aves/m² de piso, para ambos os sexos, e analisada em três épocas diferentes (24, 38 e 42 dias de idade das aves), utilizando-se de esquema fatorial 4x2x3 (densidades x sexos x épocas). De modo geral, observou-se que o sexo não influenciou o comportamento das variáveis estudadas. O aumento da densidade e o avanço da época de amostragem induziram a aumentos da quantidade de amônia liberada, do teor de umidade e dos teores de nitrogênio total e de nitrogênio solúvel, bem como diminuição do teor de carboidratos redutores. Estes resultados sugerem a necessidade de um controle rigoroso da amônia no ar dos galpões, principalmente em densidades elevadas e no período final de criação.

amônia; cama aviária; nitrogênio; carboidratos


The objective of this work was to study the ammonia released, levels of moisture, glicydic compounds (reducing sugars) and nitrogenous fractions (N-total, N-soluble, N-nitrate) of broiler litter submitted to different stocking densities (10; 14; 18 and 22 broiler per m²), both sex, and three breeding periods (24, 38 and 42 days). The experiment was carried out in a random design and analysed as a 4x2x3 factorial. In general the sex did not affect the studied variables. The amounts of released ammonia, moisture, N-total, and N-soluble enhanced with the increase of density and confining time of the broiler, but the levels of reducing sugar decreased. These results show the need of ammonia monitoring and control, mainly at high densities and at the end of breeding period.

ammonia; broiler litter; nitrogenous


Frações Nitrogenadas, Glicídicas e Amônia Liberada pela Cama de Frangos de Corte em Diferentes Densidades e Tempos de Confinamento1 1 Trabalho desenvolvido com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP.

Renata Hernandes2 1 Trabalho desenvolvido com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP. , Jairo Osvaldo Cazetta3 1 Trabalho desenvolvido com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP. , Vera Maria Barbosa de Moraes4 1 Trabalho desenvolvido com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP.

RESUMO - O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de estudar a liberação de amônia pela cama de frangos de corte, bem como o teor de umidade e de compostos glicídicos (carboidratos redutores) e nitrogenados (nitrogênio total, nitrogênio solúvel total e nitrato) presentes na mesma, em função da densidade populacional, tempo de confinamento e sexo das aves. Realizou-se o experimento em delineamento inteiramente casualizado. A cama de frango foi submetida às densidades de 10; 14; 18 e 22 aves/m2 de piso, para ambos os sexos, e analisada em três épocas diferentes (24, 38 e 42 dias de idade das aves), utilizando-se de esquema fatorial 4x2x3 (densidades x sexos x épocas). De modo geral, observou-se que o sexo não influenciou o comportamento das variáveis estudadas. O aumento da densidade e o avanço da época de amostragem induziram a aumentos da quantidade de amônia liberada, do teor de umidade e dos teores de nitrogênio total e de nitrogênio solúvel, bem como diminuição do teor de carboidratos redutores. Estes resultados sugerem a necessidade de um controle rigoroso da amônia no ar dos galpões, principalmente em densidades elevadas e no período final de criação.

Palavras-chave: amônia, cama aviária, nitrogênio, carboidratos

Nitrogenous and Glicydic Fractions and Ammonia Released by Broiler Litter in Different Stocking Densities and Periods of Breeding

ABSTRACT- The objective of this work was to study the ammonia released, levels of moisture, glicydic compounds (reducing sugars) and nitrogenous fractions (N-total, N-soluble, N-nitrate) of broiler litter submitted to different stocking densities (10; 14; 18 and 22 broiler per m2), both sex, and three breeding periods (24, 38 and 42 days). The experiment was carried out in a random design and analysed as a 4x2x3 factorial. In general the sex did not affect the studied variables. The amounts of released ammonia, moisture, N-total, and N-soluble enhanced with the increase of density and confining time of the broiler, but the levels of reducing sugar decreased. These results show the need of ammonia monitoring and control, mainly at high densities and at the end of breeding period.

Key Words: ammonia, broiler litter, nitrogenous

Introdução

A cama para aviários deve ter a função de absorção da umidade, diluição de uratos e fezes, isolamento térmico, além de proporcionar uma superfície macia para as aves, evitando a formação de calo no peito. Esta pode constituir-se de diversos materiais, como casca de arroz, casca de amendoim, maravalha de madeira, papel e outros, devendo ser manejada adequadamente para controlar o nível de umidade, a produção de pó e amônia, exposição a agentes transmissores de doenças e prevenir a proliferação de insetos.

Vários fatores podem afetar a composição da cama aviária, tais como tipo ou composição da ração, natureza e quantidade do material de cobertura do piso do galpão, período de permanência das aves sobre o material, número de aves por área, condições e período de estocagem (Rodriguez & Campos, 1979; citados por Oliveira et al., 1988), temperatura ambiente e utilização de equipamentos de resfriamento, como nebulizadores e ventiladores, entre outros.

Comparando sistemas de criação de frangos sobre cama e sobre malha durante um período de 8 semanas, Madelin & Wathes (1989) mostraram que as concentrações de poeira respirável (partículas menores que 10 mm de diâmetro) e número de microorganismos presentes no ar foram significativamente maiores nos criatórios que utilizavam cama. O tipo da cama não teve efeito sobre as concentrações de amônia, nem tampouco na taxa de mortalidade das aves. Parkhurst et al. (1987) também observaram que não houve influência entre lasca de madeira, serragem e papel, mas a casca de amendoim causou pior desempenho das aves.

A volatilização da amônia está relacionada com a umidade da cama e foi comprovado por Weaver Jr. & Meijerhof (1991) em um experimento com diferentes umidades relativas do ar e circulação interna do ar, onde observaram que o peso corporal foi significativamente maior aos 42 dias de idade das aves expostas a baixa umidade relativa (45%), comparada com umidades de 75% e 80%. Ainda, a ordem dos aumentos dos níveis de amônia correspondeu a aumentos na umidade relativa.

Cabrera & Chiang (1994) observaram que as perdas de amônia por volatilização variaram de 32 a 139% do amônio (NH4+) inicial e verificaram que este aumentava com o aumento da quantidade de água presente na cama estocada; então, os autores sugeriram que a cama seja estocada em lugar seco para diminuir perdas de nitrogênio.

O aumento da lotação de criação aumenta o teor de umidade da cama aviária (Hartung, 1955; Moreng et al., 1961; Stanley & Krueger, 1981; Graças et al., 1990). Como o teor de umidade está relacionado com a quantidade de amônia liberada, pode-se concluir que, aumentando a densidade populacional, aumenta-se a volatilização da amônia.

O nível de proteína bruta (N total x 6,25) na excreta das aves aumenta com a idade das aves (Kubena et al., 1973). Segundo os autores, este é um reflexo da redução da eficiência alimentar com o aumento da idade das aves, contribuindo para o aumento no teor de nitrogênio disponível na cama de frango. Experimentos realizados por Smacchia et al. (1984) demonstraram que as perdas totais de uréia e amônia originadas da cama aviária incubada a 40°C, por 65 dias, foram maiores nas camas dos frangos mais velhos do que nas camas dos frangos jovens. Um regime alimentar acompanhado para requerimentos individuais das aves poderia reduzir a emissão de amônia (Belyavin, 1992).

Pelo exposto acima, pode-se verificar que existem fatores que diminuem ou aumentam a quantidade de amônia presente no ar ambiente dos galpões. O melhor conhecimento destes possibilitaria a adoção de um manejo mais adequado da cama para se conseguir maior produtividade de frangos de corte. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo estudar a liberação de amônia pela cama de frangos de corte, bem como o teor de umidade e de compostos glicídicos (carboidratos redutores) e nitrogenados (nitrogênio total, nitrogênio solúvel total e nitrato) presentes na mesma, em função da densidade populacional, tempo de confinamento e sexo das aves.

Material e Métodos

O experimento foi realizado na FCAV/UNESP, campus de Jaboticabal-SP, no qual foram utilizados 4432 pintos sexados, de um dia de idade, da marca comercial "Hubbard" (2216 pintos de cada sexo), vacinados contra Bouba Aviária e mal de Marek, no incubatório. O experimento constou de oito tratamentos (dois sexos submetidos a quatro densidades populacionais: 10; 14; 18 e 22 aves/m2) e quatro repetições, em um delineamento inteiramente casualizado. O experimento teve início no verão, sendo realizado no período de 14 de janeiro a 25 de fevereiro, em que a temperatura ambiente variou de um mínimo absoluto de 20,0ºC a um máximo de 38,0ºC, com média de 28,7ºC.

O galpão utilizado era de alvenaria, sem lanternim, com pé-direito de 3,0 m e coberto por telhas de fibrocimento. O piso das instalações era de concreto e a mureta lateral de alvenaria, com 0,6 m de altura, completada com tela de arame até o telhado. O cortinado móvel externo do galão era de plástico trançado, montado em sistema de catraca. O galpão dispunha de três ventiladores para circulação de ar. Ração e água foram fornecidos à vontade.

A cama dos frangos utilizada no experimento foi composta de maravalha de madeira, que foi submetida às determinações químicas aos 24, 38 e 42 dias de idade das aves. Para isso, foram coletadas no mínimo duas sub-amostras por m2, evitando-se ao redor dos comedouros e bebedouros. As sub-amostras foram misturadas e homogeneizadas para compor a amostra a ser submetida às diferentes avaliações.

Determinação da amônia liberada pela cama dos frangos

Em frascos de 500 cm3, foram colocados 70 gramas de cama juntamente com um béquer contendo ácido bórico 2% (m/v) e indicadores, sendo a seguir tampado. O frasco incubador foi mantido em incubação por 16 horas, a uma temperatura constante de 30°C. A solução fixadora de amônia foi titulada com ácido sulfúrico 0,05N (Hernandes & Cazetta, 2001).

Determinação do teor de umidade da cama dos frangos

O teor de umidade da cama foi determinado pesando-se uma quantidade de 70 gramas de cada amostra da parcela, e levando-se à estufa por 24 horas, a 50°C. Em seguida, o material foi resfriado em temperatura ambiente e pesado, obtendo-se por diferença a umidade (AOAC,1970).

Determinação do teor de nitrogênio total da cama dos frangos

O teor de nitrogênio total foi determinado a partir da amostra seca e moída (0,1 grama do material) à qual se adicionaram 5 cm3 de uma mistura de ácido sulfúrico concentrado com ácido salicílico na proporção 5:1 (v/v) e também uma mistura digestora (5 gramas de sulfato de cobre, 1 grama de selenito de sódio e 76,71 gramas de sulfato de sódio). Após a digestão, o material foi transferido para o destilador de Kjeldhal e, em seguida, titulado com solução padronizada de ácido sulfúrico 0,05N.

Determinação do teor de nitrogênio solúvel total da cama dos frangos

Para a determinação do teor de nitrogênio solúvel total, foi feito inicialmente o extrato a partir de 0,2 grama de amostra previamente seca e moída, a qual foi colocada num erlenmayer de 50 cm3 contendo 20 cm3 de solução hidroalcoólica 80% (v/v) e aquecida durante 15 minutos, tampada com papel alumínio. Após este tempo, o material foi filtrado e transferido para um balão volumétrico de 100 cm3. Desse extrato, retirou-se uma alíquota de 20 cm3 e procedeu-se da mesma maneira que para o nitrogênio total, exceto que se usou o ácido sulfúrico 0,002N no lugar do ácido sulfúrico 0,05N para titular as amostras (Faleiros et al., 1988).

Determinação do teor de nitrato da cama dos frangos

A preparação do extrato foi realizada seguindo as indicações de Ligero et al. (1987) e consistiu em utilizar 0,1 grama da amostra de cama aviária, previamente seca e moída, à qual se adicionaram 2,0 cm3 de etanol 80% (v/v), obtendo-se, assim, o extrato que foi utilizado para a determinação do nitrato e carboidratos redutores.

Para a análise do nitrato presente na cama aviária, foram colocados 0,5 cm3 de extrato em tubos de ensaio e 0,160 cm3 de ácido salicílico 5% (v/v) em ácido sulfúrico concentrado, agitando-se vigorosamente e deixando-se em repouso por 20 minutos. Após este descanso, adicionaram-se 3,79 cm3 de soda cáustica 2N, deixando-se esfriar à temperatura ambiente. A seguir, foi realizada a leitura da absorbância em espectofotômetro a 410 nm (Cataldo et al., 1975), e o teor de nitrato foi obtido pela comparação da absorbância da amostra com a de uma curva-padrão preparada de forma semelhante às amostras.

Determinação do teor de carboidratos redutores da cama dos frangos

Inicialmente, preparou-se a solução de DNSA (ácido 3,5-dinitrossalicílico), no qual se pesaram um grama de DNSA, 20 cm3 de NaOH 2N e 10 cm3 de água destilada. Em seguida, foram adicionados 30 gramas de tartarato duplo de sódio e potássio, segundo Miller (1959). A determinação do extrato foi realizada de acordo com o descrito para o teor de nitrato. Para a determinação, foram usados: 0,5 cm3 de extrato e 0,3 cm3 de solução de DNSA, colocados a fervura por 15 minutos e, em seguida, adicionados 2,2 cm3 de água destilada. Os cálculos para a obtenção do teor de carboidratos nas amostras foram baseados na comparação da absorbância das amostras com a de uma curva-padrão de glicose preparada de forma semelhante às amostras.

Análise estatística

As diferentes variáveis foram analisadas em esquema fatorial 4x2x3, cujos fatores foram: densidade (10; 14; 18 e 22 aves/m2), sexo e tempo de confinamento (idade dos frangos) em que as amostras de cama aviária foram coletadas (24, 38 e 42 dias), com quatro repetições por tratamento. Tanto a densidade quanto a idade foram analisadas por meio de regressão polinomial, utilizando-se do método de Quadrados Mínimos.

Resultados e Discussão

Na Tabela 1, pode ser observado o resultado da análise de variância para as características avaliadas.

Conforme pode ser observado, para a amônia liberada pela cama aviária, houve efeito significativo da interação densidade de criação e idade das aves (tempo de confinamento). Isto significa que não houve um efeito semelhante da densidade sobre a quantidade de amônia liberada pela cama aviária nas diferentes épocas de amostragem da cama. O desdobramento desta interação mostrou ter havido um efeito linear significativo (P<0,05) das diferentes densidades para as amostras de cama coletadas aos 24 dias de idade das aves (Y = -1,376 + 0,160 ´ dens). Portanto, espera-se que, aos 24 dias de idade, o aumento de uma ave por m2 resulte em aumento da quantidade de amônia liberada pela cama de frango da ordem de 0,16 mg/100 g de cama. Já para as demais idades de coleta (38 e 42 dias de idade), não se verificaram efeitos linear e quadrático significativos de densidade sobre a liberação de amônia pela cama aviária. O comportamento do efeito da densidade nas diferentes idades sobre a quantidade de amônia liberada pela cama pode ser observado na Figura 1.


Verifica-se um efeito bastante acentuado da densidade no final do período de criação (42 dias), com menor liberação de amônia pela cama nas densidades mais baixas (10 e 14 aves/m2) e um aumento bastante grande nas mais altas (18 e 22 aves/m2). Este efeito era esperado, já que a maior densidade acarreta maior produção de excretas e aumento da umidade, sendo indesejável para a criação de frangos de corte, visto que a amônia causa inúmeros danos sobre a produtividade das aves (Attar & Brake, 1989; Johnson et al., 1991). Já as amostras coletadas aos 38 dias praticamente não foram influenciadas pela quantidade de animais na baia.

Para a umidade liberada pela cama aviária, verificaram-se efeitos quadráticos significativos (P<0,01) de densidade (Y = 5,431 + 2,137 ´ dens. - 0,038 ´ dens.2) e de idade (y = 32,078 - 0,815 ´ id + 0,020 id2). Para ambos os efeitos, o coeficiente de regressão quadrático foi de magnitude bastante pequena, sugerindo a captação pela análise de uma pequena curvatura entre os níveis estudados e, conseqüentemente, um aumento não linear da umidade com o aumento na densidade de criação. Estes resultados concordam com os apresentados por Stanley & Krueger (1981) e Graças et al. (1990), segundo os quais, o aumento da lotação geralmente aumenta o teor de umidade da cama aviária. Nas Figuras 2 e 3, podem ser visualizados os efeitos de densidade e idade, respectivamente, sobre a umidade.



O sexo também influenciou significativamente (P<0,05) a umidade liberada pela cama aviária. Na Tabela 2, pode ser observado o resultado do teste de Tukey para os animais machos e fêmeas. Na literatura consultada, não foram observados relatos de teores diferentes de umidade na cama utilizada por frangos de corte machos e fêmeas.

Os compostos nitrogenados e glicídicos são fatores relacionados à quantidade de amônia liberada pela cama aviária, sendo utilizados ou produzidos nos processos físico-químicos e bacteriológicos que se desenvolvem na cama de frango na presença de excretas e umidade, durante o período de criação. Portanto, o seu monitoramento permite melhor entendimento dessas reações que ocorrem na cama, durante o período de criação dos frangos.

Para o teor de nitrogênio total nas amostras de cama, verificou-se significância apenas para o efeito linear (P<0,05) de densidade (Y = 2,112 + 0,020 ´ dens), sugerindo aumento gradativo do teor de nitrogênio total liberado pelas amostras de cama, à medida que se aumenta a densidade de criação (aumento de 0,020 g de nitrogênio total com o aumento de uma ave por m2) (Figura 4). Tal aumento pode ter sido devido ao acúmulo de excreta com o tempo (Smacchia et al., 1984) e ao aumento do teor de nitrogênio na excreta das aves mais velhas (Kubena et al., 1973).


Já para o teor de nitrogênio solúvel, não se verificou efeito significativo de densidade, mas sim efeito quadrático (P<0,05) da idade (Y = 2,837 - 0,088 ´ id + 0,0014 ´ id2). Na Figura 5, pode ser observado o comportamento do efeito de idade sobre o teor de nitrogênio solúvel na cama aviária. Diferentemente do esperado, observa-se pequena redução no teor de nitrogênio solúvel aos 38 dias (0,02 g, aproximadamente) em relação ao teor aos 24 dias, com um posterior aumento aos 42 dias de idade.


Para o nitrato, observou-se efeito quadrático significativo (P<0,05) da idade (Y= 15,23 + 4,57 ´ id - 0,064 ´ id2). Na Figura 6, pode-se observar que o maior teor de nitrato na cama ocorreu quando os animais estavam com 38 dias de idade, havendo decréscimo do teor aos 42 dias. Também houve efeito significativo (P<0,01) da interação densidade X sexo. A análise do efeito da densidade para cada sexo demonstrou não ter havido efeito significativo linear nem quadrático desta variável sobre o teor de nitrato, em ambos os sexos. Na Figura 7, pode ser observado o comportamento da densidade sobre o teor de nitrato para as fêmeas e machos. Verifica-se que a cama utilizada pelas fêmeas apresentou maior teor de nitrato para as densidades mais baixas (10 e 14 aves/m2) e para a densidade mais alta (22 aves/m2). Já para a densidade de 18 aves/m2, a cama dos machos apresentou um teor de nitrato bem maior que a das fêmeas.



Para o teor de carboidratos redutores verificaram-se comportamentos distintos para o efeito de densidade nas três idades de coleta da cama (interação densidade x idade, significativa a nível de 1%) e nos dois sexos (interação densidade x sexo significativa, em nível de 5%). Observou-se efeito quadrático significativo (P<0,01) da densidade sobre o teor de carboidratos redutores para a idade de 24 dias (Y = 1,171 - 0,075 ´ dens + 0,002 ´ dens2). A análise da Figura 8 revela que, para essa idade, houve redução do teor de carboidratos com o aumento da densidade. Esta redução também pode ser observada para a idade de 42 dias, embora esta tenha sido linear (P<0,01) ao longo das diferentes densidades (Y = 2,472 - 0,071 ´ dens). Já para a idade de 38 dias, observa-se que praticamente não houve alteração do teor de carboidratos com o aumento da densidade.


Na Figura 9, pode-se observar que tanto para as fêmeas quanto para os machos houve tendência de redução do teor de carboidratos com o aumento da densidade. Para as fêmeas, verificou-se efeito linear significativo (P<0,05) da densidade sobre o teor de carboidratos redutores (Y = 1,444 - 0,041 ´ dens.), sendo que, para os machos, esta redução não foi linear (Y = 1,349 - 0,055 ´ dens. + 0,001 ´ dens.2). A redução na quantidade de carboidratos redutores, observada nas Figuras 8 e 9, pode estar relacionada com uma maior atividade bacteriológica na cama, nas densidades mais elevadas e no período final de criação, cuja conseqüência direta é um maior consumo de carboidratos pelos microrganismos.


Conclusões

O aumento da densidade e da época de amostragem induziu aumentos da quantidade de amônia liberada, do teor de umidade e dos teores de nitrogênio total e de nitrogênio solúvel, bem como a diminuição do teor de carboidratos redutores da cama das aves.

O sexo das aves não influenciou as variáveis analisadas.

Os resultados obtidos sugerem a necessidade de um controle rigoroso da amônia no ar dos galpões, principalmente em densidades elevadas e no período final de criação, haja vista a maior liberação deste gás pela cama aviária nestas situações.

Para que medidas de controle possam ser tomadas, torna-se determinante o monitoramento dos níveis de amônia no ar dos galpões. Um método simples e acessível para a quantificação desses níveis pode ser observado em Hernandes & Cazetta (2001).

Literatura Citada

Recebido em: 19/09/00

Aceito em: 07/05/02

2 Zootecnista. Estudante de doutorado do DZO - UFV. E.mail: rehernan@bol.com.br

3 Eng. Agrônomo, Professor Adjunto do Departamento de Tecnologia da FCAV/UNESP. Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellani, s/n, CEP: 14884-900, Jaboticabal-SP. E.mail: cazetta@fcav.unesp.br

4 Zootecnista, Professora do Departamento de Zootecnia da FCAV/UNESP. E.mail: vbmoraes@fcav.unesp.br

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  • 1
    Trabalho desenvolvido com bolsa de pesquisa financiada pela FAPESP.
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      09 Set 2005
    • Data do Fascículo
      Jul 2002

    Histórico

    • Recebido
      19 Set 2000
    • Aceito
      07 Maio 2002
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