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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.32 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982003000200023 

Exigências de minerais para cabras durante a gestação: Na, K, Mg, S, Fe e Zn1

 

Minerals requirements of goats during the pregnancy: Na, K, Mg, S, F and Zn

 

 

Roberto Germano CostaI; Kleber Tomás de ResendeII; Marcelo Teixeira RodriguesIII; Cláudio Borela EspechitIII; Augusto César de QueirozIII

IDepartamento de Agropecuária do Campus IV da UFPB, Bananeiras-PB, CEP 58.220-000. E-mail rgermano@cft.ufpb.br
IIDepartamento de Zootecnia da FCAV/UNESP, Campus de Jaboticabal-SP, CEP 14.870-000
IIIDepartamento de Zootecnia da UFV, Viçosa-MG. CEP 36.570-000

 

 


RESUMO

O trabalho foi realizado com o objetivo de estimar a retenção e a exigência líquida dos minerais Na, K, Mg, S, Fe e Zn durante a gestação de cabras com um ou dois fetos. A estimativa de retenção foi baseada na diferença entre o total de cada mineral depositado no feto, útero, membranas, fluídos fetais e glândula mamária dos animais nas diferentes etapas da gestação e o total de cada mineral armazenado nas cabras vazias, utilizando-se o modelo de predição ln=A+Bx+Cx2, em que x=tempo de gestação. Os conteúdos de Na, K, Mg, S, Fe e Zn, durante as gestações de um e dois fetos foram de: 13,2 e 21,4 mg; 13,3 e 21,3 g; 2,1 e 3,7 mg; 5,5 e 9,3 mg; 575,5 e 981,0 mg; 112,6 e 164,7 mg nas gestações, resultando em exigências líquidas diárias de 0,13 e 0,11 g; 0,21 e 0,31 g; 0,06 e 0,11g; 0,17 e 0,21 g; 22,94 e 40,51 mg; 2,63 e 2,78 mg, respectivamente.

Palavras-chave: cabras, gestação, minerais, retenção de minerais


ABSTRACT

This work was carried out with the purpose of evaluating the retention and the requirement of Ca e P minerals during the pregnancy of goats with one or two foetus. The estimate of retention was based in the difference between the total of each mineral stored in the foetus, uterus, membranes, fetals fluids and mammary gland of animals in the differents phases of pregnancy and the total of each mineral stored in the empty goats, using the model of prediction ln=A+Bx+Cx2, where x=time of pregnancy. The comparison of the estimative with the real values obtained show that the suggested model explained with coherence and precision the biological behavior of minerals retention during all pregnancy. The contend of Na, K, Mg, S, Fe e Zn was: 13.2 and 21.4 mg; 13.3 and 21.3 g; 2.1 and 3.7 mg; 5.5 and 9.3 mg; 575.5 and 981.0 mg; 112.6 and 164.7 mg in the pregnancy of one and two foetus, respectively, that resulted in a diary liquid requirement of 0.13 and 0.11 g; 0.21 and 0.31 g 0.06 and 0.11g; 0.17 and 0.21 g; 22.94 and 40.51 mg; 2.63 and 2.78 mg, respectively.

Keywords: goats, minerals, minerals retention, pregnancy


 

 

Introdução

A subnutrição é comumente aceita como uma das limitações mais prejudiciais aos animais nos países tropicais. Deficiências de minerais são responsáveis por baixa produção, bem como por distúrbios reprodutivos amplamente observados entre os ruminantes (Conrad et al., 1985).

A gestação é uma fase importante na vida produtiva do animal. Durante a gestação, a nutrição adequada tem extrema importância, sobretudo nos últimos 45 dias, quando os tecidos fetais têm maior desenvolvimento (Kadu & Kaikini, 1987).

No Brasil, às exigências nutricionais de caprinos têm sido pouco estudadas e os cálculos de rações têm sido baseados em normas norte-americanas, tradicionalmente conhecidas pelo boletim do NRC, que assume essas exigências como iguais aos de ovinos e bovinos.

As exigências minerais para caprinos são determinadas, basicamente, pelo método fatorial, já que o método direto, ou análise química dos tecidos do animal, é o mais preciso (Morand-Fehr et al., 1992). Porém, a moagem de todo o animal torna-se difícil como rotina experimental, estimulando a utilização de outras metodologias que freqüentemente conduzem a imprecisões nas suas estimativas.

Diante disso, justifica-se a realização de pesquisas sobre nutrientes inorgânicos em caprinos, principalmente na fase reprodutiva, considerando-se a importância dos minerais na gestação dos animais domésticos. O objetivo deste trabalho foi determinar as exigências de Na, K, Mg, S, Fe e Zn para cabras em diferentes estádios de gestação com um e dois fetos.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido com um grupo de 55 fêmeas, com peso médio de 42 kg, não gestantes, sem raça definida (SRD). Após a adaptação às instalações e a um mesmo tipo de ração, cinco cabras foram abatidas, para efeito de análise comparativa das carcaças. Quarenta e cinco dias após a primeira cobrição, foram realizados o diagnóstico da gestação e a contagem do número de fetos, por meio de laparotomia.

Foram constituídos 10 lotes de cinco animais cada um. Metade dos lotes era formada de gestações simples e a outra metade de gestações de dois fetos. No 50o dia, dois dos 10 lotes, com diferentes números de fetos, foram tomados ao acaso e abatidos. A partir desse momento, quatro grupos de cinco cabras gestantes de um ou dois fetos continuaram com a alimentação ad libitum e foram destinados ao abate aos 100 e 140 dias. Os quatro grupos restantes, também de um ou dois fetos e abates previstos para 100 e 140 dias, passaram a receber alimentação restrita, na base de 20% acima da exigência de energia metabolizável para mantença.

Após o sacrifício dos animais, foram removidos a glândula mamária e o útero. O trato reprodutivo foi separado na cérvice e dissecado em útero, feto, membranas e fluídos fetais, que foram pesados separadamente. Os fetos de 100 e 140 dias de gestação foram triturados separadamente em moedor de carne. Os fetos de 50 dias de concepção, em razão do pequeno peso individual, foram triturados em grupo (5 animais do mesmo tratamento).

Após obtenção das amostras, foi determinada a matéria seca de cada constituinte acima mencionado e preparada a solução mineral pela técnica via úmida (Silva, 1998). A solução mineral foi encaminhada ao laboratório para determinação dos macroelementos: sódio (Na), potássio (K), magnésio (Mg), enxofre (S), e dos microelementos: ferro (Fe) e zinco (Zn). O enxofre foi analisado por colorimetria, enquanto os demais minerais foram determinados por espectrofotometria de absorção atômica, conforme metodologia estabelecida pela AOAC (1975).

As estimativas de retenção foram baseadas na diferença entre o total de cada mineral depositado no feto, útero, membranas, fluidos fetais, glândula mamária e corpo vazio dos animais nas diferentes etapas da gestação, e o total de cada mineral armazenado nas cabras vazias (testemunha), conforme a metodologia estabelecida pelo ARC (1980).

As estimativas de exigências diárias foram calculadas assumindo-se uma biodisponibilidade de 50% para Fe e Zn (Ferrel et al., 1982); para Na e K, 91% e 100%, respectivamente (ARC, 1980) e 20% para Mg (Haenlein, 1992). Para o S, utilizou-se o valor de 80%, referente à eficiência de incorporação de S na proteína microbiana, que é similar à usada para a incorporação de nitrogênio da uréia (ARC, 1980).

O delineamento experimental utilizado foi um fatorial 3 x 2 x 2, envolvendo os fatores: época de gestação (3); tipo de alimentação (2) e número de fetos (2). Os dados dos minerais retidos nos diferentes constituintes da gestação foram submetidos à análise de regressão, para se estabelecerem equações de predição ,em função dos fatores estudados e, por conseguinte, a deposição diária de cada elemento mineral nesses constituintes. Para tanto, foi utilizado o modelo de predição: ln Y = A + Bx + Cx2, em que: Y = conteúdo de mineral no componente da gestação; A, B e C = constantes obtidas pela análise de regressão e x = tempo de gestação.

 

Resultados e Discussão

Os parâmetros e coeficientes de determinação das equações de regressão obtidas para estimar a retenção dos minerais: Na, K, Mg, S, Fe e Zn, no útero grávido mais úbere, em função do tempo de gestação, são apresentados na Tabela 1. Todos os parâmetros das equações, obtidos pelo modelo estudado, tanto para um quanto para dois fetos, foram altamente significativos (P<0,01).

A retenção de minerais observada no útero grávido mais úbere, comparada com a estimativa obtida pelo modelo proposto, para um e dois fetos, está apresentada na Tabela 2. Analisando-se o comportamento global da retenção de minerais em todas as fases de gestação estudadas e, comparando-se com os valores reais obtidos no experimento, verificou-se que o modelo explicou com coerência e precisão o comportamento biológico da retenção de minerais durante toda a gestação, critério esse que deve ser adotado na escolha de uma equação de regressão (Doti & Adibi, 1988; Willet & Singer, 1988; Anderson-Sprecher, 1994).

Merece destaque o fato que, dos 100 aos 140 dias de gestação, a deposição de minerais para gestações com um e dois fetos, representou, respectivamente: 50,7 e 49,4% (Na); 62,0 e 63,4% (K); 73,9 e 77,3% (Mg); 64,4 e 68,8% (S); 76,7 e 82,2% (Fe); 68,8 e 66,9% (Zn) do total depositado até os 140 dias, nos produtos da gestação.

Em relação à deposição total dos minerais, observada durante a gestação, há dificuldade em se comparar os resultados obtidos, em face da inexistência de informações para a espécie caprina. Entretanto, diante dos resultados existentes na literatura para outras espécies, algumas deduções podem ser consideradas.

Na Tabela 3, estão contidos os valores referentes às exigências líquidas ou retenção diária dos minerais no útero grávido mais úbere, para um e dois fetos, respectivamente, em função do tempo de gestação. Os parâmetros para formulação das equações de regressão que estimaram esses valores encontram-se na Tabela 1.

As exigências dietéticas de minerais para gestação encontram-se listados na Tabela 4. Esses resultados foram obtidos dividindo-se as exigências líquidas de cada elemento (Tabela 3), pelos seus respectivos coeficientes de absorção.

Sódio e Potássio

A retenção líquida de Na e K estimada pelo modelo proposto ilustra bem a discussão sobre o ponto de inflexão dessas equações (Tabela 3). Dos 50 aos 120 dias de gestação ocorreu uma elevação na retenção diária desses minerais de 0,05 e 0,03 g para 0,18 e 0,22 g, reduzindo-se, respectivamente, para 0,13 e 0,20 g, aos 140 dias de gestação.

A redução da retenção líquida de Na e K no final da gestação, também foi observada em bovinos por Ferrel et al. (1982), utilizando também um modelo polinomial. Essa redução deve-se, provavelmente, à menor proporção dos fluidos fetais, em relação ao útero grávido, no final da gestação. Havre & Lyngset (1973) detectaram significativa redução na concentração desses minerais nos fluidos fetais no final da gestação de caprinos.

O ARC (1980) não traz recomendações quanto à retenção diária desses minerais para ovinos ou caprinos durante a gestação, embora afirme que as exigências de sódio são mais altas em ovinos que em bovinos e em animais jovens que em animais adultos. Entretanto, recomenda, para cordeiros pesando 10 kg, com taxa de ganho em peso diário de 200 g, uma quantidade de 0,45 g que, proporcionalmente ao peso do feto, estaria coerente com as exigências dietéticas de 0,20 e 0,32 g/dia obtidos neste experimento, entre os 100 e 140 dias, para gestações de um e dois fetos, respectivamente, já que o ganho em peso do feto nessa fase é próximo do citado anteriormente.

Quanto às exigências diárias de K, o ARC (1965, 1980) também não traz recomendações para gestação, mas apenas para ovinos na fase de crescimento. Portanto, os valores 0,22 e 0,36 g/dia obtidos neste trabalho aos 120 dias, para as gestações de um e dois fetos, respectivamente, são correspondentes à recomendação, de 3,0 g/dia para ovinos com 40 kg, com uma taxa de ganho diário de 200 g, feitas por aquela Instituição.

Magnésio

As exigências líquidas de Mg obtidas aos 120 e 140 dias de gestação foram 39,2 e 61,0 mg/dia para um feto e 69,5 e 111,8 mg/dia para dois fetos, respectivamente (Tabela 3), valores semelhantes aos 25 e 38 mg/dia para um feto e 60 e 105 mg/dia para dois fetos, que foram obtidos nos mesmos períodos, em ovinos, por Field & Suttle (1967). O ARC (1965) relatou estimativas médias de deposição de Mg, de 54 e 80 mg/dia, para um e dois fetos, respectivamente, em ovelhas entre os 112 e 140 dias de gestação, os quais são correspondentes aos valores obtidos neste trabalho para gestações de um e dois fetos aos 120 dias, considerando que os fetos caprinos geralmente são mais leves que os de ovinos.

Para o estabelecimento das exigências dietéticas de Mg, o ARC (1965) passou a considerar os dados de ovinos em fase de crescimento, com ganho em peso de 200 g/dia, obtendo valores superiores ao resultado da divisão da retenção diária de Mg no útero grávido pela taxa de absorção do elemento (20%), procedimento que é recomendado por aquela Instituição. Considerando que o índice de absorção utilizado neste trabalho foi idêntico ao recomendado pelo ARC (1965) e que as exigências líquidas foram semelhantes, as exigências dietéticas obtidas também deveriam ser correspondentes, caso fosse utilizada a metodologia citada, o que curiosamente não foi obedecido. Embora essas exigências, com base em kg de peso vivo para ovinos, sejam superestimados, foi alegado que eles raramente excedem 1 g/dia.

Enxofre

As exigências de S pelos ruminantes não são bem definidos (Conrad et al., 1985). Esses requerimentos devem ser avaliados, considerando-se a relação nitrogênio:enxofre. Tecidos bovinos contêm uma relação de 15:1 e vários resultados indicam que dietas com relação N:S 12 a 15:1 são excelentes para ruminantes (ARC, 1980). Para ovinos lanados, entretanto, recomendam-se dietas contendo relação 10:1.

Utilizando-se o valor da incorporação do nitrogênio da uréia, que é cerca de 0,80 (ARC, 1980), obteve-se exigências dietéticas diárias de 0,0284 e 0,1094 mg/dia, respectivamente, dos 50-100 e dos 100-140 dias de gestação com 1 feto e 0,06 e 0,2051 g/dia para gestações de dois fetos, na mesma ordem.

Recorrendo-se as exigências líquidas de proteína desses mesmos animais, dos 50 aos 100 dias e dos 100 aos 140 dias, foram observados valores para gestações simples de 5,3 e 17,9 g/dia, respectivamente. Nas gestações duplas, os valores obtidos foram 9,2 e 26,6 g/dias, na mesma ordem. Em decorrência disso, os valores de nitrogênio seriam 0,848 e 2,864 g/dia nas gestações simples e 1,472 e 4,256 g/dias nas gestações duplas, respectivamente. Portanto, utilizando-se as exigências líquidas diárias de S, de 0,0227 e 0,0875g para um feto e 0,048 e 0,1641 g para dois fetos, respectivamente, aos 75 e 120 dias de gestação (Tabela 3), mesmo período utilizado anteriormente, a relação nitrogênio:enxofre encontrada seria 37:1 e 32:1 para gestações simples e 31:1 e 26:1 para gestações duplas, na mesma ordem.

A literatura disponível não apresenta informações que possibilite comparações com esses dados. Contudo, os valores deduzidos para essa relação, demonstram coerência entre as informações, nesses dois períodos, embora a relação N:S encontre-se muito superior à citada pelo ARC (1965, 1980) e por Conrad et al. (1985), indicando que talvez seja essa a relação ideal para a fase de gestação.

Caso contrário, o estabelecimento das exigências dietéticas de S com base na retenção líquida desse mineral nos componentes da gestação, provavelmente, não seria conveniente, uma vez que a quantidade de S retida não seria suficiente para balancear a relação N:S, prejudicando, dessa maneira, a síntese de proteína microbiana e, conseqüentemente, o atendimento das exigências líquidas de proteína para gestação.

Ferro

As exigências dietéticas obtidas para o Fe, dos 100 aos 140 dias de gestação, em cabras com um e dois fetos, foram 20,1 e 37,4 mg/dia, respectivamente (Tabelas 4). As exigências de Fe para ruminantes não são bem esclarecidas para a gestação, embora o ARC (1980) cite que Hoskins e Hansard, em 1964, estimaram em 34 mg/dia as exigências para ovinos no estágio final da gestação. Os resultados deste experimento para gestações de dois fetos assemelham-se àquela informação, embora o autor não especifique se esse dado foi obtido para gestações de um ou dois fetos.

Kolb, em 1963, citado por Cardoso (1992), sugeriu uma exigência de 50-60 mg/dia de Fe para vacas em lactação, 60-80 mg para vacas em gestação e 10-15 mg para ovelhas. Segundo os seus cálculos, uma ovelha que consome 1 kg diário de MS atende às suas necessidades, desde que a ração contenha de 10 a 15 ppm de Fe.

Conrad et al. (1985) também afirmam que as exigências de Fe para ruminantes não são conhecidas precisamente, sabendo-se, contudo, que animais novos têm requerimentos superiores aos adultos. Para bovinos adultos, os autores estimaram as exigências em 20-50 ppm, enquanto para bezerros seria de 100 ppm. Os autores afirmaram, ainda, que para ruminantes em pastejo, a suplementação de Fe é muito menos importante que a de outros microelementos, pois a maioria dos solos tropicais produz pastagens com níveis de Fe excedentes aos exigidos pelos animais.

Zinco

A exigências de Zn obtida entre os 100-140 dias de gestação de cabras com um e dois fetos foi, respectivamente, 3,9 e 5,8 mg/dia (Tabela 4). Estes dados concordam com a afirmação de Mills et al. (1967), citada por Cardoso (1992), de que a suplementação de 0,2 mg de Zn/kg de peso por dia ou 10 a 15 ppm, na dieta, proporcionou crescimento normal de bezerros e cordeiros, destacando, ainda, a incapacidade dessas espécies de armazenar excessos desse elemento para ulterior utilização.

O ARC (1980) comentou que dados para estimar exigências de Zn com base no esquema fatorial são escassos e, portanto, as estimativas derivadas para esta aproximação devem ser consideradas como provisórias. Afirmou, todavia, que estimativas baseadas nos resultados de Hansard e Mohammed, em 1968, para ovinos, sugerem que a taxa de incremento no conteúdo de Zn no útero grávido pode ser 0,28 e 1,5 mg/dia na metade e final de gestação, respectivamente; correspondentes estimativas para gestação de bovinos são 1,1 e 6,6 mg/dia. Diante disso, os resultados obtidos para caprinos, neste trabalho, estariam situados entre os citados para ovinos e bovinos.

 

Conclusões

Foram constatadas diferenças entre as exigências líquidas de minerais obtidas para cabras com gestações simples e gemelares, e os dados existentes para caprinos na literatura, estimados a partir de resultados obtidos com ovinos, mesmo convertendo-se o peso do útero grávido desses animais, evidenciando a necessidade de mais pesquisas com a espécie caprina para reforçar os resultados de exigências de minerais determinadas neste trabalho.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 11/09/01
Aceito em: 19/08/02

 

 

1 Parte da Tese apresentada pelo primeiro autor a FCAVJ/UNESP, Jaboticabal-SP

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