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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.32 no.5 Viçosa Sept./Oct. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982003000500014 

MELHORAMENTO, GENÉTICA E REPRODUÇÃO

 

Estimação de parâmetros genéticos para probabilidade de prenhez aos 14 meses e altura na garupa em bovinos da raça Nelore

 

Estimation of genetic parameters for probability of pregnancy at 14 months and hip height in Nelore beef cattle

 

 

Josineudson Augusto II de Vasconcelos SilvaI; Marcelo Hessel Van MelisII; Joanir Pereira ElerIII; José Bento Sterman FerrazIII

IPós-doutorando, Bolsista FAPESP, FZEA/USP, Pirassununga, SP, CP. 23, CEP: 13635-970. E.mail: jaugustovs@yahoo.com
IIMS em Zootecnia, FZEA/USP. E.mail: mhvmelis@yahoo.com
IIIProfessores da FZEA/USP. E.mail: joapeler@usp.br; jbferraz@usp.br

 

 


RESUMO

Registros de 24.703 animais da raça Nelore, provenientes de seis fazendas, foram utilizados para estimar os coeficientes de herdabilidade e a correlação genética relativos às características probabilidade de prenhez aos 14 meses (PP14) e altura na garupa aos 450 dias de idade (AG450). O modelo matemático incluiu os efeitos fixos de grupo de contemporâneo (181 grupos) e classe de idade da mãe ao parto (7 classes) para PP14 e o efeito fixo de grupo de contemporâneo (584 grupos) para AG450. Os efeitos aleatórios incluídos em ambos os modelos foram genético aditivo do touro e residual. Os componentes de variância e covariância foram obtidos pelo método Â. As estimativas de herdabilidade foram iguais a 0,73 ± 0,01 e 0,30 ± 0,00 para PP14 e AG450, respectivamente. A estimativa da correlação genética entre as características foi 0,10 ± 0,01. Os resultados mostram que PP14 pode ser usada em programas de seleção de touros com o intuito de aumentar a precocidade das novilhas, dado o alto valor de herdabilidade estimado para esta característica. A baixa correlação genética entre PP14 e AG450 sugere que seleção para crescimento, medida na altura da garupa, pouco poderá afetar a precocidade das novilhas medida pela PP14.

Palavras-chave: altura na garupa, correlação genética, herdabilidade, método Â, prenhez de novilha


ABSTRACT

Records of 24,703 Nelore cattle from six herds were used to estimate coefficients of heritability for probability of pregnancy at 14 months (PP14) and hip height (HH) traits. For PP14, the mathematical model included as fixed effects the contemporary groups (181 groups) and dam age class at calving (7 classes) and for HH only contemporary groups (584 groups). Random effects included were genetic additive of sire and residual effects. Variance and covariance components were obtained by method Â. Heritability estimates were 0.73 ± 0.01 and 0.30 ± 0.00 for PP14 and HH, respectively. Genetic correlation estimate between PP14 and HH was 0.10 ± 0.01. Results reveal that PP14 is of high heritability and, therefore, it can be indicated for selection programs of bulls with the objective of increasing the heifer fertility. The value of the genetic correlation suggests low genetic correlation between the two traits, indicating that selection for growth, measured by the HH, is not a so strong antagonism to the precocity of the heifers measured by PP14.

Key Words: genetic correlation, heritability, hip height, method Â, probability of pregnancy at 14 months


 

 

Introdução

As avaliações genéticas com a disponibilização da diferença esperada na progênie (DEP) têm sido uma ferramenta fundamental para a obtenção de progresso genético nos rebanhos de corte. As características relacionadas ao crescimento têm sido as mais trabalhadas e acredita-se que em pouco tempo um ponto ótimo para as diversas regiões de criação deverá ser atingido nos rebanhos para estas características. No entanto, Melton (1995) e Formigoni (2002), afirmam que a reprodução é o principal fator que influencia a rentabilidade de um rebanho de corte e enfatizam a importância da precocidade e da fertilidade sobre a produtividade de rebanhos comerciais, especialmente na exploração do sistema de cria.

O principal motivo para as características reprodutivas não serem consideradas amplamente em programas de melhoramento genético se deve ao fato destas, em geral, apresentar baixa herdabilidade, em parte por tratar-se de características categóricas, que não apresentam expressão fenotípica contínua. O emprego de metodologias modernas e adequadas para obtenção dos parâmetros genéticos de características categóricas e de crescimento, por meio de análises multivariadas, é de interesse ao melhoramento genético animal, especialmente para as características reprodutivas e pode trazer grande contribuição para a pecuária de corte.

As características reprodutivas taxa de prenhez de novilha (Evans et al., 1999) e probabilidade de prenhez aos 14 meses (PP14) (Eler et al., 2001) são similares, uma vez que ambas indicam a probabilidade de uma novilha estar prenhe após o término da estação de monta. É uma característica binária, ou seja, recebe o valor 1 (um) caso o diagnóstico confirme prenhez e 0 (zero), em caso contrário. As estimativas de herdabilidade reportadas na literatura para a característica PP14 foram de 0,21 ± 0,11; 0,13 ± 0,89 e 0,57 ± 0,01, segundo Doyle et al. (1996), Evans et al. (1999) e Eler et al. (2001), respectivamente, sendo indicada pelos autores como uma característica a ser utilizada na seleção de touros.

A maioria dos trabalhos publicados com características indicadoras de precocidade está relacionada ao perímetro escrotal. Esta característica apresenta correlação negativa com características reprodutivas, tais como, idade ao primeiro parto, dias para o parto e duração de gestação (Pereira et al., 1998). Desta forma, seleção para perímetro escrotal implicaria em ganhos genéticos para estas características de eficiência reprodutiva. Com base na altura da garupa de animais da raça Brahman, Vargas et al. (1999) dividiram os animais em três grupos: pequenos (115 a 126 cm), médios (127 a 133 cm) e grandes (134 a 145 cm), e relataram que as fêmeas dos grupos pequeno e médio alcançaram mais cedo a idade a puberdade, pariram mais cedo, tiveram melhores taxas de desmama e produziram mais quilogramas de bezerros por vaca exposta do que as fêmeas do grupo grande.

Existem ainda evidências de que a altura na garupa (AG) seja uma característica com correlação moderada e positiva com perímetro escrotal (Vargas et al., 1998), peso à desmama (Vargas et al., 2000), peso aos 378 dias de idade, e outras medidas corporais (Cyrillo et al., 2001).

As estimativas de herdabilidade para AG podem ser consideradas expressivas. Vargas et al. (2000) encontraram valores de 0,73 e 0,87, para AG à desmama e aos 18 meses de idade, em animais Brahman. Por outro lado, Cyrillo et al. (2001) e Cyrillo et al. (2002) obtiveram os valores de 0,33 e 0,48 em animais da raça Nelore com modelo touro e modelo animal, respectivamente.

O objetivo deste estudo foi estimar os parâmetros genéticos para as características probabilidade de prenhez aos 14 meses e altura na garupa em animais da raça Nelore.

 

Material e Métodos

Dados

O conjunto de dados analisado contou com 24.703 animais da raça Nelore, todos com pai e mãe conhecidos e nascidos durante os anos de 1993 a 1999. Os dados foram provenientes de seis fazendas da Agro-Pecuária CFM Ltda, constante do banco de dados processado pelo Grupo de Melhoramento Genético Animal da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos - USP, Pirassununga / SP.

A Agro-Pecuária CFM Ltda possui animais da raça Nelore, consistindo em, aproximadamente, 17.000 vacas e vendendo em média 2.000 tourinhos por ano de uma produção de aproximadamente 7.000 machos desmamados. As fazendas estudadas estão situadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

O resumo do conjunto de dados editado após eliminação dos grupos de contemporâneos (GC) sem variabilidade para PP14, ou seja, aqueles em que todos os animais apresentam mesma categoria de resposta (0 ou 1), é mostrado na Tabela 1. O conjunto de dados incluiu 282 touros e 14.536 mães.

 

 

O procedimento de retirar da análise estatística os GC em que todas as novilhas integrantes deste apresentam a mesma variável resposta, sucesso ou fracasso, tem sido bastante discutido na literatura. Berger (1994), ressalta que considerar o efeito de GC como aleatório permanece discutível e considerá-lo como efeito fixo pode resultar em estimativas baixas ou altas quando estes GC sem variabilidade não são retirados. Esta discussão também é debatida por Harville & Mee (1984), os quais sugerem, como solução, a retirada dos GC com todos os escores em uma mesma categoria.

Os animais foram mantidos em regime de pasto, sem suplementação. A estação de monta teve início no mês de outubro e término em janeiro, com duração de 60 dias para as vacas e 90 dias para as novilhas. Foi utilizada inseminação artificial e monta natural, em lotes com reprodutores únicos e múltiplos. No final de cada estação de monta, as vacas vazias foram descartadas, com exceção das novilhas de 14 meses, as quais tiveram oportunidade de entrar na estação de monta seguinte. Algum descarte foi feito também por baixo desempenho da progênie ao desmame e por aspectos sanitários.

A característica PP14 foi definida como a probabilidade da novilha, com média de 14 meses de idade (12 a 16 meses), estar prenhe no diagnóstico de prenhez realizado por toque retal após 90 dias do final da estação de monta. No caso de confirmação de prenhez, as novilhas recebiam o valor um (sucesso), sendo que as diagnosticadas como vazias recebiam o valor zero (fracasso).

A característica AG foi obtida, em machos e fêmeas, no momento da pesagem por meio de fitas métricas instaladas no interior das balanças, mensurada pela distância em centímetros (cm) do solo a garupa. A medida do animal foi ajustada para 450 dias de idade (AG450), utilizando-se o coeficiente de regressão linear da altura em função da idade. A AG450 ficou igual a 0,037766 * (idade do animal na mensuração), com a idade do animal variando de 364 a 651 dias. A AG450 apresentou média de 137,5 cm, com variação de 125,0 a 155,0 cm.

Modelo matemático

O modelo matemático para PP14 incluiu os efeitos fixos de grupo de contemporâneo (rebanho, ano de nascimento e grupo de manejo à desmama, num total de 181 grupos) e classe de idade da mãe ao parto (7 classes: 1, até 27 meses; 2, de 28 a 36 meses; 3, de 37 a 48 meses; 4, de 49 a 72 meses; 5, de 73 a 120 meses; 6, de 121 a 144 meses; e 7 maior que 144 meses). Para AG450 o modelo incluiu somente o efeito fixo de grupo contemporâneo (rebanho, ano de nascimento, sexo, grupo de manejo na desmama e grupo de manejo ao sobreano, com um total de 584 grupos). Os efeitos aleatórios considerados nos modelos descritos acima foram o genético aditivo de touro e o residual.

Os componentes de variância das características foram estimados utilizando-se os procedimentos do método  (Reverter et al., 1994b), assumindo um modelo não-linear bivariado, também chamado de modelo de limiar. A escolha pelo modelo não-linear deve-se ao fato de a característica PP14 não apresentar distribuição normal e pelo fato dos modelos lineares não considerarem a distribuição não normal do erro associado com a característica observada em categorias, como a PP14.

O método Â, desenvolvido por Reverter et al. (1994b) é um procedimento de estimação baseada na regressão linear da mais acurada na menos acurada predição genética. A predição genética mais acurada é obtida utilizando todo o conjunto de dados e a menos acurada obtida de uma amostra aleatória de 50% dos dados. O valor esperado para o coeficiente de regressão é igual a um (1). Um coeficiente de regressão maior ou menor que um (1) indica presença de viés (Reverter et al., 1994a). Quando a regressão (R) for maior que um, a herdabilidade é considerada superestimada e quando for menor que um, a herdabilidade se apresenta subestimada. O coeficiente de regressão do método  pode ser iteragido até R = 1, dentro de um pré-determinado critério de convergência. A estatística de regressão (R) usada é a seguinte:

em que, = predições mais acuradas para o conjunto de dados completo; = predições menos acuradas para uma sub-amostra aleatória de 50 % dos dados; A-1 = inversa da matriz de parentesco; R = coeficiente de regressão.

O método  tem como principal vantagem a utilização de um algoritmo que requer apenas os valores genéticos preditos, os quais podem ser obtidos por método iterativo, não exigindo a decomposição de Cholesky do sistema de equações (DF-REML), sua inversa (EM-REML) ou derivadas (Newton-Raphson-REML). Isto implica em maior velocidade no processamento e menor demanda de memória nos computadores. Esta praticidade tem feito do método  o escolhido para estimação de componentes de variância de dominância em modelos complexos e grandes (Misztal, 1997; Misztal et al., 1997; Culbertson et al., 1998).

Segundo Reverter et al. (1994b), o método  tem propriedades desejáveis de convergência, precisão e praticidade computacional. Misztal (1997) ressaltou que, entre outras propriedades desejáveis, o método  é robusto ao viés causado pelos acasalamentos não-aleatórios, por considerar a matriz de parentesco, e que é tão robusto quanto o REML à seleção causada pelas substituições não aleatórias e pelo controle seletivo de dados.

Snelling et al. (1995) modificaram o método  para estimar os componentes de variância por modelos de "probit", de limiar máximo "a posteriori" (MAP) e a herdabilidade para a característica habilidade de permanência de vacas no rebanho, em análise univariada. Kaiser (1996) modificou o software "ds6" presente no pacote ABTK 2.0 (GOLDEN et al., 1992), usado para análises de características contínuas univariadas pelo método Â, para uma nova versão "dscat", que estima componentes de (co)variância para uma ou mais características contínuas e uma característica categórica. A modificação incluiu: correção das equações de escore de Fisher para a covariância do erro, reconhecimento de dados contínuos e categóricos e execução de análises com modelo MAP e o método  (MAP-R).

O software "dscat", presente no pacote ABTK 2.0 (Golden et al., 1992), foi utilizado para a estimação dos componentes de (co)variânca deste trabalho. Para estimação dos coeficientes de herdabilidade e correlação genética, foi realizada análise bivariada das características PP14 e AG450, em que foi utilizado o mesmo software.

Foram calculados também os intervalos de confiança a 95% para as estimativas de herdabilidade das características analisadas. O intervalo de confiança é um procedimento que permite obter informações adicionais sobre as estimativas obtidas pelo método Â, e foi obtido a partir da transformação Box-Cox, segundo procedimento descrito por Mallinckrodt et al. (1997).

Inicialmente foi utilizado modelo animal completo para obtenção dos componentes de variância e covariância, porém, a convergência para o fator de regressão referente à covariância genética não foi atingida. Esta dificuldade tem sido descrita na utilização de modelos de limiar (não lineares) quando o número de efeitos fixos é muito grande (Hoeschele & Tier, 1995; Moreno et al., 1997) e existe grande variabilidade entre os efeitos. Segundo Berger (1994), a maior parte dos estudos com aplicação de modelos não lineares tem utilizado o modelo touro ao invés do modelo animal, devido a estas dificuldades.

 

Resultados e Discussão

A estimativa do coeficiente de herdabilidade com seu respectivo erro-padrão foi igual a 0,73 ± 0,01 para PP14. Este valor foi obtido de 304 repetidas sub-amostras aleatórias de 50% dos dados, número este suficiente para obtenção de estimativa de herdabilidade média com baixo erro-padrão (Tabela 2; Figura 1). O critério de convergência utilizado foi de 10-10.

 

 

Verifica-se, na Figura 1, que o comportamento das estimativas de herdabilidade para PP14 não foi simétrico e esta falta de simetria é refletida pela diferença das estimativas da média e mediana, implicando que a mediana pode fornecer melhor medida de tendência central.

Os limites inferior e superior do intervalo de confiança a 95% das estimativas de herdabilidade para PP14, que foram normalizados pela transformação Box-Cox e retransformadas para a escala dos valores das estimativas de herdabilidades obtidas, foram de 0,51 a 0,94. A amplitude entre o valor máximo e mínimo do intervalo de confiança permitem inferir, com maior confiabilidade, sobre as estimativas obtidas, que o intervalo encontrado neste trabalho foi alto, sugerindo que este fato é devido ao alto valor médio da estimativa da herdabilidade encontrada e à presença de alta quantidade de valores intermediários. Contudo, o limite inferior de 0,51 sugere alta herdabilidade para PP14.

O coeficiente de herdabilidade alto para PP14 obtido neste trabalho foi superior aos encontrados por Snelling et al. (1996), Doyle et al. (1996), Evans et al. (1999) e Eler et al. (2001), mas todos caracterizam a PP14 como uma característica herdável e que permite a obtenção de resposta à seleção. É provável que os valores mais altos obtidos neste trabalho sejam devido à utilização do modelo touro, pois este procedimento não inclui a relação das mães (mérito genético das mães), sendo a variância genética aditiva estimada somente com base nos touros e seus ascendentes sendo que na estimação da herdabilidade a variância de touro deve ser multiplicada por quatro.

Entretanto, Eler et al. (2001), obtiveram herdabilidade de 0,57 com o mesmo conjunto de dados e modelo animal univariado, incluindo todos os animais do pedigree até a décima geração, e novilhas com pai desconhecido, valor também considerado alto. Deve ser também observado que a utilização de análises bivariadas pode gerar maiores componentes de variâncias, devido ao maior relacionamento existente entre os animais pelo pedigree e a estimação da covariância genética existente das características.

A estimativa da herdabilidade e erro-padrão de AG450 foi igual a 0,30 ± 0,00 (Tabela 2). Este valor é menor que os encontrados por Vargas et al. (1998, 1999 e 2000) e similar ao de Cyrillo et al. (2001) utilizando também modelo touro. O valor da mediana foi de 0,29 e o intervalo de confiança a 95% foi de 0,20 a 0,43. Na Figura 2, observa-se que a coluna com maior quantidade de sub-amostras das estimativas engloba os valores encontrados para a herdabilidade média e a mediana, sugerindo confiabilidade na estimativa média obtida.

 

 

A correlação genética entre as características PP14 e AG450 foi de 0,10 ± 0,01. Este resultado indica correlação positiva, mas de valor que pode ser considerado baixo. Dessa forma, um animal com maior altura de garupa, sugerindo um maior crescimento corporal, não terá, necessariamente, maior probabilidade de entrar numa estação de monta aos 14 meses e emprenhar (indicativo de precocidade sexual). Não foram encontradas referências na literatura sobre a correlação entre estas duas características, mas estudos recentes mostram a não existência de correlação negativa entre crescimento e precocidade ou fertilidade (Mercadante et al., 2000; Silva et al., 2000). São necessários, portanto, mais estudos que permitam inferências mais seguras acerca de uma possível correlação de baixa magnitude entre PP14 e características de crescimento e, ainda, que permitam indicar que DEP de animais com valores altos para crescimento não trazem, de forma consistente, perdas econômicas relacionadas com a PP14.

 

Conclusões

O valor da herdabilidade da probabilidade de prenhez aos 14 meses encontrada neste trabalho (0,73) indica que esta característica pode ser utilizada em programas de seleção de touros com o intuito de aumentar a precocidade reprodutiva das suas filhas. A correlação genética entre PP14 e AG450 (0,10) indica que a seleção para crescimento, medida pela altura na garupa, tem pouca influência sobre a precocidade reprodutiva das novilhas.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 25/06/02
Aceito em: 08/04/03
Pesquisa financiada pela FAPESP e CNPq