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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.32 no.5 Viçosa Sept./Oct. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982003000500021 

PRODUÇÃO ANIMAL

 

Análise bioeconômica da introdução de período de monta em sistemas de produção de rebanhos de cria na região do Brasil Central

 

Bioeconomic analysis of breeding season introduction in productive systems of beef herd in Brazil Central region

 

 

Urbano Gomes Pinto de AbreuI; Ivo Martins CezarII; Robledo de Almeida TorresIII

IMed. Vet., MS., Embrapa Pantanal, Rua 21 de setembro, 1880, Bairo Nossa Senhora de Fátima, Caixa Postal 109, CEP 79320-900, Corumbá, MS. Correio eletrônico: urbano@cpap.embrapa.br
IIEng.-Agr., Ph.D., Embrapa Gado de Corte, BR 262, km 4, Caixa Postal 154, CEP 79002-970 Campo Grande, MS. Correio eletrônico: ivocezar@cnpgc.embrapa.br
IIIEng.-Agr., D S., Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa (DZO/UFV), Av. P.H. Rolfs s/n - Campus Universitario, CEP 36570-000, Vicosa, MG. Correio eletrônico: rtorres@mail.ufv.br

 

 


RESUMO

Utilizando modelo de simulação bioeconômico de produção de bovinos de corte, foram analisados quatro efeitos decorrentes da implantação de período de monta (PM) no sistema de produção de bovinos de corte na fase de cria. Os efeitos foram: redução da taxa de mortalidade de bezerros de 10 para 4% (efeito A); redução na relação touro:vaca de 1:25 para 1:33 (efeito B); aumento da taxa de natalidade das vacas de 65 para 75% (efeito C); e redução na mão-de-obra permanente de vaqueiros (efeito D). Através destes efeitos foram simulados cinco cenários. O aumento percentual do valor presente líquido anual (VPL) calculado a partir da receita líquida, e da margem bruta (MB) anual, de toda atividade, em relação ao cenário sem estabelecimento de PM (cenário 1), ao final de seis anos de simulações, foram estimados em 7,64 e 7,68%; 12,91 e 13,84%; 25,36 e 25,25%; e 30,39 e 31,31%, respectivamente. A implementação de PM proporcionou melhoria substancial na economicidade e na eficiência biológica do sistema, sendo o aumento da taxa de natalidade o efeito de maior impacto positivo na atividade. Os efeitos acumulados da implantação de PM aumentaram a margem bruta anual da atividade em 31%.

Palavras-chave: período de monta, gado de corte, simulação bioeconômica


ABSTRACT

Four effects related to the establishment of breeding season in production systems were analysed using a bioeconomic simulation model arise from implantation of breeding season in production systems. The effects were: decrease calf's mortality rate (10 to 4%) (effect A); reduction of bulls:cows relation from 1:25 to 1:33 (effect B); increase reproduction of cows (65 to 75%) (effect C); and reduction of herdsman number (effect D). With these effects were five scenery. The rate increase of present net value and brute margin, in relation to scenery without breeding season (scenery one) were respectively 7.64 and 7.68%; 12,91 and 13.84%; 25.36 and 25.25%; and 30.39 and 31.31%. The breeding season implementation provided increase in economical and biological systems efficiency. The reproductive rate growth was the effect with mayor impact in activity. The accumulate effects of breeding season implantation were able to increase gross margin in 31%.

Key Words: breeding season, beef herd, bioeconomic simulation


 

 

Introdução

O processo de tomada de decisão do produtor rural é complexo e quase sempre marcado por múltiplos objetivos, sendo que alguns dos quais não são de natureza econômica (Perkin & Rehman, 1994; Cezar et al., 2000). Entretanto, independentemente do conjunto de objetivos a ser alcançado, a decisão do pecuarista será sempre guiada pela insatisfação com a situação atual e pelas perspectivas de sua atividade como negócio. Diante do quadro que apresenta a pecuária, pode-se afirmar que, em um primeiro momento e em um ambiente de total interdependência, aumentar os desempenhos produtivo e econômico da atividade se constitui hoje no objetivo mais importante das decisões (Cezar, 2001).

Nesse contexto, o aumento da eficiência produtiva se tornou imperativo para a lucratividade da pecuária de corte. Por outro lado, atingir o máximo de eficiência e de produção não é concentrar esforços em um único componente do sistema de produção. Isto significa que as atividades produtivas devem ser entendidas e manejadas dentro de um enfoque sistêmico. Tal abordagem se aplica a qualquer objetivo a ser perseguido, em especial, o de maximizar lucros. Os sistemas de produção de gado de corte são complexos e diversificados, não havendo fórmulas e nem recomendações únicas, que possam ser largamente aplicadas. Pelo contrário, cada produtor desenvolve seu sistema de produção, onde combina suas metas com as condições de ambiente e de mercado (Hembry, 1991).

O cenário da bovinocultura de corte indica claramente a necessidade de avanço dos sistemas de produção em direção à intensificação (Cezar & Euclides Filho, 1996). Nesse contexto, um dos primeiros passos para aumentar a eficiência de sistemas de cria de bovinos de corte é a adoção do período de monta (PM). Entretanto, torna-se importante avaliar o impacto produtivo e econômico dessa tecnologia em um sistema de produção de bovinos de corte como um todo.

A prática de monta anual sem controle é aquela em que o touro permanece no rebanho durante todo o ano, sendo os nascimentos distribuídos por vários meses, dificultando o manejo das diferentes categorias do rebanho (novilhas, matrizes, bezerros e touros). No entanto, a maior desvantagem dessa prática está relacionada com a dificuldade de efetuar controle produtivo, reprodutivo e sanitário dos animais, pela impossibilidade de aplicar de forma eficiente as práticas de manejo nutricional e sanitário. Na ausência de monta controlada, a fertilidade reprodutiva apresenta variações, vinculadas, principalmente, às condições climáticas (Valle et al., 1998).

A fertilidade é reconhecidamente o componente de impacto econômico mais importante para o sucesso da produção de gado de corte na fase de cria (Bellows & Staigmiller, 1994). O manejo reprodutivo controlado dos animais é a chave da produtividade e do desempenho do rebanho. Conseqüentemente, o rebanho não pode ser adequadamente controlado sem estações de monta e de nascimento definidas. O desempenho geral, de todas as categorias do rebanho de cria, torna-se mais eficiente se a maioria das matrizes estiver na mesma situação reprodutiva. Quando este estágio é atingido, consegue-se controlar: desempenho da mão-de-obra; reposição eficiente das matrizes e dos touros reprodutores; reprodução, parição e descarte das matrizes; desempenho dos touros reprodutores; profilaxia sanitária; e melhor preço de venda dos animais, devido à uniformidade dos lotes.

O controle do PM é a base para determinação da época de parição, desmama, venda dos produtos e análise da estratégia de reposição das matrizes. Eventos relacionados entre si e que devem ocorrer em épocas específicas e pré-determinadas, sendo necessário buscar o melhor ajuste possível visando maximizar os índices zootécnicos, ajustando-os à comercialização dos bezerros de desmama e fêmeas excedentes de descarte.

O presente trabalho foi conduzido com os objetivos de trazer à discussão alguns aspectos relacionados com o uso de estação de monta, por intermédio de simulação, e avaliar os impactos bioeconômicos da introdução do PM em sistemas de cria no Brasil Central.

 

Material e Métodos

Propriedades que realizam sistemas extensivos de cria de bovinos de corte são pouco avaliadas no Brasil. Abreu et al. (2001), monitorando sistemas reais com introdução de diferentes tecnologias (especialmente o período de monta), verificaram, em propriedades de pecuária de cria no Pantanal, diminuição da mortalidade de bezerros até a taxa de 5% ao ano, após 4 anos de acompanhamento, e aumento da taxa de natalidade de 45-56% no início do trabalho, para 65-70%, depois de quatro anos de trabalho em diferentes propriedades. Com implantação de tecnologias foi também possível aumentar a relação touro:vaca de 1:10-1:15 para 1:20-1:30 ao final do monitoramento.

Para efeito dessa análise, foram simulados seis anos de desempenho zootécnico, físico e econômico de fazenda que realiza a fase de cria em sistema extensivo, com as seguintes características: área total de 1220 hectares; 100 km de distância da cidade; 1 casa sede; 2 casas para vaqueiros; 1 curral; 26 km de cercas internas e 14 km de cercas externas. A fazenda não adquire fêmeas de reposição, mas compra touros reprodutores, e no período simulado não houve suplementação protéica de nenhuma categoria. Os seguintes efeitos foram selecionados como resultado da implantação do PM em sistemas extensivos: redução da taxa de mortalidade de bezerros de 10% para 4% (efeito A); redução na relação touro:vaca de 1:25 para 1:33, ou seja, de 4% para 3% de touros no rebanho (efeito B); aumento da taxa de natalidade das vacas de 65% para 75% (efeito C); e redução na mão-de-obra permanente de 3 vaqueiros o ano inteiro, para 2 vaqueiros na época fora da estação de nascimento dos bezerros (efeito D).

Avaliar os efeitos acima citados, sob a forma seqüencial e cumulativa, em uma fazenda real, é praticamente impossível. Por isso, utilizou-se um modelo de simulação bioeconômico de produção de bovinos de corte (Cezar, 1981, 1982). O modelo simula, no tempo e de forma determinística, o desenvolvimento de fazenda de pecuária de corte, podendo representar as fases de cria, recria e engorda e suas combinações. Para isso, incorpora os principais componentes do sistema de produção de gado de corte, como infra-estrutura de produção (pastagens, rebanho, benfeitorias, animais de serviço e veículo); variáveis de decisão (métodos de formação e recuperação de pastagens, crescimento do rebanho, idade de venda de machos, descartes das diferentes categorias animais, suplementação alimentar etc); manejo sanitário; e desempenho animal em função do meio, potencial genético do rebanho e índices zootécnicos, fornecidos ao modelo como dados. A dinâmica do modelo é simulada com intervalo de tempo mensal, podendo rodar por 20 anos. O modelo agrega custos e receitas e calcula o fluxo de caixa, Valor Presente Líquido (VPL), Relação Benefício Custo (B/C), Taxa Interna de Retorno (TIR) e indicadores de eficiência biológica.

Dessa forma, foram estabelecidos cinco cenários:

1) cenário 1 - sem implantação de PM;
2) cenário 2 - com estabelecimento de PM e diminuição da mortalidade de bezerros;
3) cenário 3 - com implantação de PM, diminuição da mortalidade de bezerros e diminuição da relação touro:vaca;
4) cenário 4 - com implantação de PM, diminuição da mortalidade de bezerros, diminuição da relação touro:vaca e aumento da taxa de natalidade das vacas; e
5) cenário 5 - com implantação de PM, diminuição da mortalidade de bezerros, diminuição da relação touro:vaca, aumento da taxa de natalidade das vacas e redução da mão-de-obra permanente.

Como ponto de partida, foi simulada uma fazenda de cria extensiva que adota monta durante todo o ano (Sistema Tradicional). A estrutura produtiva, valores dos bens, rebanho, coeficientes técnicos e taxas de mortalidade são apresentados nas Tabelas 1 e 2. A capacidade de suporte das pastagens não degradadas (976 ha) nas "águas" e na "seca" foram consideradas como sendo 2,0 e 1,0 unidades animais por hectare (UA/ha), respectivamente. Nas pastagens degradadas (244 ha) os valores considerados foram de, respectivamente, 1,0 e 0,5, UA/ha.

 

 

Utilizou-se o orçamento parcial de custos, sem contudo, incluir juros sobre o capital imobilizado e circulante, e pró-labore de administração. Nesse sentido, foram considerados os seguintes itens na composição dos custos: vacina contra febre aftosa (maio e novembro, segundo regulamentação do Mato Grosso do Sul - MS); vacina contra carbúnculo sintomático; vacina contra brucelose; vermifugação dos animais até dois anos, três vezes ao ano; suplemento mineral; mão-de-obra (vaqueiros); encargos sociais; reparo e manutenção de benfeitorias (casas, curral e cercas); depreciações de benfeitorias, veículo e cavalos (considerou-se 50% do valor inicial); despesas com veículo (considerou-se que são percorridos 400 km/mês); imposto sobre a terra (pagamento em setembro de cada ano); contribuição social (calculado sobre receitas, despesas realizadas em todos os meses dos anos simulados); touros de reposição, ao valor de R$ 1.800,00/cab. (adquiridos sempre no mês de agosto).

A receita estimada é constituída pela venda de todos os bezerros desmamados, das fêmeas excedentes, descartadas a 1 ano de idade, de vacas velhas (acima de 12 anos) e de touros velhos (tourunos), vendidos para abate. Uma vez o rebanho dimensionado com a capacidade de suporte, o modelo não permite a ocorrência de super-lotação. Por exemplo, quando o rebanho ultrapassa a capacidade de suporte o modelo descarta novilhas de 1 ano de idade, e depois vacas jovens. A venda dos bezerros desmamados ocorre no mês de abril, o descarte de novilhas em julho, vacas velhas em março e de tourunos em agosto.

Foram utilizadas as seguintes funções para cálculo, de peso de bezerro/vaca/ano e de peso de bezerro/vaca/ha:

O desfrute do rebanho foi estimado através da fórmula:

Também foram estimados: a média anual da margem bruta (MB) (receita - custos variáveis), para a atividade como um todo, por hectare e por animal vendido; e o valor presente líquido (diferença entre o valor presente de todas as receitas e o valor presente de todas as despesas - depreciação, reparos e manutenção de benfeitorias, manutenção de veículos, vacinações, vermífugo, sal mineral, aquisições de touros, mão-de-obra, encargos sociais, imposto territorial rural (ITR) e contribuição social - a uma taxa de desconto de 10% ao ano). Para o cálculo do fluxo de caixa, foram descontados os custos de depreciação, sendo agregado no último ano da receita, a diferença do valor do rebanho, em relação ao primeiro ano.

 

Resultados e Discussão

Os cenários, como esperado, apresentaram número de animais semelhantes. Na Tabela 3, referente ao cenário 1, verifica-se o número médio de UA que a fazenda suporta mensalmente, o número médio total de UA que a fazenda possui e o número médio de fêmeas em reprodução, em UA, que a fazenda manteve no rebanho, ao longo dos seis anos. Observa-se que o rebanho se encontra ajustado com a capacidade de suporte no período de seca (agosto, setembro e outubro), pois é a época em que as pastagens possuem menor capacidade de suporte, ou seja, há necessidade de maior número de hectares para manter o mesmo número de animais. Em paralelo, conserva o número de vacas de cria relativamente constante ao longo dos meses. As mudanças nos estoques dos animais são devidas à comercialização e ao descarte nas diferentes categorias dos mesmos.

Nas Tabela 4 e 5, são apresentados indicadores de relações entre fêmeas em reprodução e bezerros/as desmamados/as, e aquisições/vendas de animais realizadas ao longo dos seis anos de simulação nos diferentes cenários. Ao longo dos seis anos de simulação, o número de animais no rebanho de cria sofre variações em conseqüência das diferentes condições das pastagens em cada período do ano. O cenário 5, como esperado, não diferiu do 4, pois o efeito D é de eficiência de utilização de mão-de-obra que causa reflexos econômicos, mas não modifica a estrutura e a produtividade do rebanho.

O número de fêmeas em reprodução não apresentou muitas diferenças entre os cenários. Entretanto, nos cenários em que foi incorporado o efeito B (diminuição da relação touro:vaca) a quantidade de matrizes aumentou (chegando a 907 matrizes) devido ao menor número de touros no rebanho de cria, o que disponibilizou área para aumentar a quantidade de vacas de cria. A quantidade de animais desmamados apresentou tendência crescente ao longo do cenário 1 ao 5, especialmente com o efeito do aumento da taxa de parição das vacas (efeito C). Os índices kg/bezerro/vaca/ano e kg/bezerro/vaca/hectare, como esperado, acompanharam a tendência.

A única categoria que é adquirida de fora da propriedade simulada é a de touros. O efeito B diminuiu a necessidade de aquisição de touros, sendo a principal vantagem deste cenário, pois a diminuição dos custos variáveis representa uma despesa importante para rebanhos de cria (Guimarães, 1999). Por outro lado, há menos tourunos de descarte, acarretando menor número de animais vendidos quando acontece descarte na categoria.

Conforme os efeitos A, B, C e D foram incorporados aos cenários com PM, as vendas das categorias de: descarte, excedente e desmama, aumentaram (463 a 592 animais comercializados). Ressalta-se o impacto da taxa de natalidade de vacas a partir da segunda cria, que, com o incremento na taxa de natalidade de 65 para 75% (efeito C), eleva (em média) o número de animais vendidos em 16,31%, quando comparado ao sistema sem implantação de PM. Segundo Fonseca (1982), uma das grandes vantagens da implantação do PM é permitir a seleção de fertilidade sobre as vacas falhadas, orientando o descarte de vacas falhadas no sentido de: eliminar as matrizes velhas, eliminar as com defeitos fenotípicos e eliminar as que apresentarem pequena habilidade materna. Conseqüentemente, a taxa de parição das matrizes aumenta devido a identificação e descarte das vacas não produtivas ("falhadeiras").

Na Tabela 6, observa-se que a principal receita é proveniente da venda de bezerros desmamados. Verifica-se também, que as vendas de animais excedentes e de descartes são de grande importância econômica para atividade, uma vez que aproximadamente 50 % da receita é oriunda destas categorias. A comercialização de novilhas e vacas excedentes e de descarte, são fatores importantes na receita da fazenda que só realiza a cria, sendo necessário cuidados especiais no manejo destas duas categorias. Portanto, além de produzir bezerros desmamados este tipo de atividade produz fêmeas para engorda e para formação de outros rebanhos de cria.

O percentual da receita oriunda da venda de bezerros desmamados, aumenta em relação às outras categorias, com a diminuição da mortalidade (efeito A),e ao aumento da taxa de natalidade das matrizes de cria (efeito C). A diminuição da taxa de mortalidade de bezerros/as quando da implementação de PM, é descrito por Sereno et al. (1996). Nos cenários 3, 4 e 5 devido ao menor percentual de touros (efeito B) no rebanho, também ocorre diminuição relativa da receita advinda da venda de tourunos.

De maneira geral, os principais itens de custos são: depreciação, sal mineral, touro, mão-de-obra e encargos sociais, que correspondem a 16, 17, 20, 13 e 16%, respectivamente, do custo total dos diferentes cenários. Na Tabela 7, são apresentados os custos e receitas anuais de cada cenário analisado. Os custos totais médios (em R$) dos seis anos simulados são: 60.927,30; 61.161,00; 56.202,50; 56.092,33 e 50.707,00, respectivamente, para os cenários 1, 2, 3, 4 e 5. A diminuição de 25% na relação touro:vaca (efeito B), levou a diminuição de custos totais médios na ordem de 8,41 e 8,82% em relação aos cenários 1 e 2, respectivamente. A utilização estratégica de mão-de-obra que a implantação do PM (efeito D) possibilita, devido à diminuição de salários e encargos sociais de 1 vaqueiro por seis meses, permitiu a diminuição dos custos em 10,84 e 10,62% em relação aos cenários 3 e 4, respectivamente.

A diminuição da mortalidade de bezerros (efeito A) causou aumento de receita de 5,12 % do cenário 1 em relação ao cenário 2. Entretanto, o maior impacto positivo na rentabilidade da atividade, foi o aumento na taxa de natalidade, verificado nas matrizes (efeito C). O aumento das receitas do cenário 4 em relação aos cenários 1, 2 e 3 em 13,33; 7,82 e 7,61%, respectivamente, confirmando que o aumento da fertilidade é fundamental para a rentabilidade de sistemas de produção de gado de corte (Bellows & Staigmiller, 1994).

Na Figura 1, verifica-se o fluxo de caixa (receita - custo) dos diferentes cenários nos seis anos simulados. Os cenários 1, 2 e 3, apresentaram maior flutuação ao longo dos anos em função da fertilidade das matrizes. Quando a fertilidade aumentou (efeito C) o fluxo de caixa tornou-se mais uniforme. Observamos que no sexto ano o cenário 2 foi mais rentável que o cenário 3, possivelmente devido ao maior número de "tourunos" sendo descartados, o que causou maior receita.

 

 

Na Tabela 8, observa-se a comparação dos diferentes cenários tomando como base à situação sem PM, todos os cenários apresentaram indicadores biológicos e econômicos positivos, confirmando as vantagens da implantação da técnica de manejo, possibilitando diversos impactos positivos em diferentes aspectos da atividade de cria. A melhora da taxa de natalidade (efeito C) foi o fator que mais contribuiu para o aumento da eficiência biológica e econômica da atividade.

 

Conclusões

Considerando os pressupostos assumidos e os resultados obtidos, pode-se concluir que a implementação de PM proporciona melhoria substancial na economicidade e na eficiência biológica do processo. A adoção dessa tecnologia é altamente vantajosa para o proprietário de fazenda de cria extensiva de gado de corte, devido ao impacto positivo no índice de natalidade. A implementação de estação de monta e os seus efeitos acumulados aumentaram a margem bruta da atividade em 31%. No contexto dos sistemas de cria extensiva, dificilmente se terá disponível uma tecnologia que seja capaz de promover tal impacto na atividade.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 23/08/02
Aceito em: 08/01/03