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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598

R. Bras. Zootec. vol.33 no.6 supl.1 Viçosa Dec. 2004

https://doi.org/10.1590/S1516-35982004000700018 

PRODUÇÃO ANIMAL

 

Avaliação morfométrica de eqüinos da raça Mangalarga Marchador: índices de conformação e proporções corporais1

 

Morphometric evaluation of Mangalarga Marchador horse: conformation index and body proportions

 

 

Grasiele Coelho CabralI; Fernando Queiroz de AlmeidaII; Célia Raquel QuirinoIII; Pedro Cezar Nehme de AzevedoIV; Luís Fernando Batista PintoV; Edson Mauro SantosVI

IZootecnista. Mestre em Zootecnia – UFRRJ – Seropédica – RJ. E.mail: g.ccabral@bol.com.br
IIProfessor Adjunto – UFRRJ. Bolsista de Pesquisa II do CNPq. Correspondência: DMCV-IV-UFRRJ BR 465, Km 7. Seropédica, RJ, CEP: 23890-000. E.mail: falmeida@ufrrj.br
IIIProfessor Associado – LMGA-CCTA-UENF – Campos dos Goytacazes – RJ. E.mail: crq@uenf.br
IVProfessor Adjunto. DG-IB-UFRRJ BR 465, Km 7. Seropédica, RJ, CEP: 23890-000. E.mail: nehme@ufrrj.br
VDiscente de graduação em Zootecnia. Bolsista de Iniciação Científica FAPERJ
VIDiscente de graduação em Zootecnia. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq - UFRRJ

 

 


RESUMO

Objetivou-se, com este trabalho, avaliar as relações entre medidas lineares de eqüinos em crescimento, do nascimento aos doze meses, e de animais adultos da raça Mangalarga Marchador. As medidas utilizadas foram peso corporal e medidas de altura, de comprimento, de largura e de perímetro dos animais. Os índices Corporal (IC), Meloscópico (IM), Dáctilo-Torácico (IDT) e de Carga na Canela (ICC) foram utilizados no estudo das relações entre as medidas, enquanto o Sistema Eclético de Proporções Lineares, na avaliação das proporções entre as medidas lineares e o comprimento da cabeça. Ao nascimento, os potros e potras foram classificados como brevilíneos, por o IC ter sido igual a 81,36 e 82,33, respectivamente, e, aos quatro meses de idade, como mediolíneos, por o IC ter sido superior a 85,0. Na idade adulta, os machos e fêmeas foram classificados como mediolíneos, por apresentarem IC iguais a 87,17 e 85,18. Considerando o IM, os potros e potras foram classificados como longilíneos ao nascimento, tendendo a mediolíneos com o avançar da idade, ao passo que machos e fêmeas adultos, como mediolíneos. O IDT classificou os potros e potras como animais hipermétricos, por terem apresentado valores acima de 10,8. O ICC variou de 26,18 a 6,60 e de 25,93 a 7,04, nas potras e potros, respectivamente, enquanto, nos garanhões e éguas, foi igual a 4,16 e 4,96, respectivamente. As medidas lineares com maiores taxas de crescimento que o comprimento da cabeça sofreram aumento das proporções do nascimento à idade adulta, enquanto as de menor taxa de crescimento que o comprimento da cabeça tiveram comportamento inverso.

Palavras-chave: conformação, crescimento, potras, potros


ABSTRACT

This work aims to evaluate the relationships between body measures of foals from birth to twelve months of age and mature animals of Mangalarga Marchador breed. Measures were body weight and measures of height, length, width, girth of animals. Corporal Index (CI), Meloscopic Index (MI), Dactilo-thoracic Index (DTI) and Weigth in Cannon Index (WCI) were used to evaluate the relationship between measures. The Eclectic System of Linear Proportions was used to evaluation the proportions between linear measures and head length. Colts and fillies were classified as small shape at birth, because the CI were 81.36 and 82.33, respectively. Colts and fillies with four months of age, already presented CI higher than 85.0, and were classified as medium shape. Stallions and mares were classified as medium shape, with CI of 87.17 and 85.18, respectively. Considering the MI, colts and fillies were classified as large shape at birth, changing to medium shape with increase of age and stallions and mares were classified as medium shape. The DTI classified the colts and fillies as hipermetric animals because presented values above 10.8. The WCI ranged from 26.18 to 6.60 for fillies and from 25.93 to 7.04 for colts, while for stallions and mares were 4.16 and 4.96, respectively. Linear measures with greater rates of growth than the head length presented increase of the proportions from birth to adult age, while the measures of smaller rates of growth than the head length presented reverse behavior.

Key words: colts, conformation, fillies, growth


 

 

Introdução

Proporções, na avaliação morfológica dos animais, são as relações entre as diversas regiões do corpo e o conjunto formado por elas (Ribeiro, 1988). O eqüino é considerado bem proporcionado se as partes do corpo, observadas em conjunto, são adaptadas à função a que ele se destina, como sela, esporte ou tração (Costa et al., 1998).

As proporções corporais podem ser avaliadas a partir de índices que evidenciem relações entre as medidas de comprimento, de perímetro e de peso (Oom & Ferreira, 1987). O Sistema Eclético de Proporções Lineares, proposto por Lesbre (1920) e citado por Torres & Jardim (1981), tem sido utilizado há várias décadas no estudo das proporções de cavalos de sela, baseia-se no comprimento da cabeça e apresenta as seguintes relações, entre outras: a altura na cernelha e na garupa e o comprimento do corpo equivalem a duas vezes e meia so comprimento da cabeça, assim como o comprimento do pescoço e das espáduas apresentam o mesmo valor do comprimento da cabeça (Ribeiro, 1988).

Costa (1997) avaliou as proporções morfométricas de pôneis da raça Brasileira utilizando o Sistema Eclético de Proporções e observou que, em relação ao comprimento da cabeça, os machos registrados apresentaram todas as outras características morfométricas proporcionalmente menores que as fêmeas, exceto a largura da cabeça e do peito.

Segundo Oom & Ferreira (1987), os cavalos bem proporcionados devem ser tão altos quanto compridos, ou seja, a razão da altura na cernelha com o comprimento do corpo deve ser igual a 1. Em um estudo biométrico do cavalo Alter, esses autores observaram que, nos machos, essa proporção é mais fiel, enquanto as fêmeas são ligeiramente mais compridas que altas.

Willoughby (1975) analisou as proporções do comprimento do corpo em relação à altura na cernelha, em eqüinos da raça Quarto de Milha, e encontrou valores de 76 e 76,2%, ao nascimento, e de 106,7 e 107,6%, à idade adulta, nos machos e nas fêmeas, respectivamente. Segundo Carulla (1998), ao nascimento, os potros da raça PSI são mais altos que compridos, mantendo-se esta estrutura até um ano de idade, quando o comprimento do corpo começa a aumentar rapidamente, igualando-se à medida de altura entre os dois e três anos de idade e chegando à idade adulta 5 a 10 cm maior que a altura na cernelha.

De acordo com Dias (1990), o cavalo Mangalarga Marchador pode ser considerado um eqüino eumétrico – tem volume e peso medianos, variando de 350 a 500 kg – e também mesomorfo – possui medidas longitudinais e verticais equilibradas com as transversais, apresentando proporcionalidade nas linhas das regiões do corpo.

Conduziu-se o presente trabalho com o objetivo de avaliar a morfometria de eqüinos da raça Mangalarga Marchador, em diferentes idades, utilizando o Sistema Eclético de Proporções Lineares e alguns índices corporais.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no período de agosto de 2000 a março de 2002 em criatórios de cavalos da raça Mangalarga Marchador, nas Regiões Serrana e Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Foram utilizados 98 eqüinos em crescimento (55 machos e 43 fêmeas), mensurados ao nascimento e, a partir daí, a cada trinta dias até os 12 meses de idade. Os animais eram filhos de 14 diferentes garanhões, representantes das mais diversas linhagens da raça Mangalarga Marchador. O manejo nutricional e sanitário adotados foram descritos por Cabral et al. (2004).

As medidas foram obtidas utilizando-se hipômetro, fita métrica e balança eletrônica portátil. Os animais foram mensurados sempre do lado direito do corpo, posicionados em estação forçada sobre piso de cimento, menos irregular possível e sem declividade.

Para avaliação das proporções corporais dos animais, foram empregadas, segundo Oom & Ferreira (1987) e Torres & Jardim (1981), as seguintes medidas (Figuras 1 e 2):

 

 

 

 

Peso corporal: medida aferida utilizando-se balança eletrônica para animais de grande porte, com precisão de 0,5 kg e capacidade para 2000 kg.

Altura na cernelha: medida aferida do ponto mais alto da região interescapular, localizado no espaço definido pelo processo espinhoso de T5 e T6, até o solo;

Altura na garupa: medida aferida do ponto mais alto da garupa, especificamente sobre a tuberosidade sacral, até o solo;

Distância codilho-solo: distância entre o vértice do olécrano e o solo;

Comprimento da cabeça: distância entre a extremidade proximal da cabeça, que coincide com a crista nucal, e a porção medial ou central da arcada incisiva inferior;

Comprimento do pescoço: distância entre a porção cranial do arco dorsal do atlas e o terço médio da borda cranial da escápula;

Comprimento da espádua: distância entre a borda dorsal da cartilagem da escápula e o ângulo distal da escápula ou porção central da articulação escápulo-umeral;

Comprimento do dorso-lombo: distância entre as extremidades do processos espinhosos de T8 e T9 e a porção cranial da tuberosidade sacral;

Comprimento da garupa: distância entre as porções cranial da tuberosidade ilíaca e caudal da tuberosidade isquiática;

Comprimento do corpo: distância entre as porções cranial do tubérculo maior do úmero e caudal da tuberosidade isquiática;

Largura da cabeça: distância entre a porção livre da borda supra-orbital direita e a borda esquerda;

Largura do peito: distância entre as bordas laterais das articulações escápulo-umeral direita e esquerda;

Largura das ancas: distância entre as porções laterais das tuberosidades ilíacas;

Perímetro do antebraço: medida de circunferência aferida na região mediana do antebraço, formada pelos ossos rádio e ulna;

Perímetro do joelho: medida de circunferência aferida na região mediana do joelho, compreendida pelos ossos carpianos;

Perímetro da canela: medida de circunferência aferida na região mediana da canela de um dos membros anteriores, formada pelos ossos metacárpicos II, III e IV;

Perímetro torácico: medida de circunferência aferida com fita métrica posicionada logo após o final da cernelha, entre os processos espinhosos T8 e T9, passando pelo espaço intercostal da 8ª e 9ª costelas, até a articulação da última costela com o processo xifóide.

Os pais e as mães dos potros foram mensurados, para obtenção dos valores médios das medidas estudadas, em animais adultos. Na raça Mangalarga Marchador, são considerados adultos os animais com idade acima de 36 meses. No presente experimento, a menor idade observada para os animais adultos foi de 56 meses e a maior, de 220 meses.

Foram calculados alguns índices que evidenciam relações existentes entre as medidas de comprimento, perímetro e peso, segundo Oom & Ferreira (1987):

Índice Corporal (IC) - índice que relaciona o comprimento do corpo com o perímetro torácico, classificando os animais em longilíneos, mediolíneos e brevilíneos.

Longilíneos IC > 90
Mediolíneos 86 < IC < 88
Brevilíneos IC < 85

Índice meloscópico (IM) - índice que relaciona a altura do membro anterior com três perímetros do mesmo membro e, também, classifica os animais em longilíneos, mediolíneos e brevilíneos.

Longilíneos IM > 1
Mediolíneos IM = 1
Brevilíneos IM < 1

Índice dáctilo-torácico (IDT) - índice que relaciona o perímetro da canela com o perímetro torácico e indica a relação existente entre a massa de um animal e os membros que a suportam, classificando os animais em hipermétricos (cavalos pesados), eumétricos (cavalos médios) e hipométricos (cavalos leves).

Hipermétricos IDT > 11,5
Eumétricos 10,5 < IDT < 10,8
Hipométricos IDT < 10,5

Índice de carga na canela (ICC) - relaciona o perímetro da canela com o peso e indica a capacidade dos membros de deslocar a massa corporal.

Utilizando as medidas de comprimento da cabeça, os animais foram avaliados em suas proporções, segundo o Sistema Eclético de Proporções Lineares descrito por Lesbre (1920), citado por Torres & Jardim (1981) (Tabela 1).

 

 

Resultados e Discussão

Nas Tabelas 2 e 3, são apresentados os valores médios observados para os índices de conformação, dos machos e das fêmeas, do nascimento aos 12 meses de idade e dos animais adultos.

 

 

 

 

Quanto ao Índice Crporal, que classifica os eqüinos em longilíneos, mediolíneos e brevilíneos, notou-se que, ao nascimento, os valores de 81,36 e 82,33 para machos e fêmeas, respectivamente, classificaram-nos como brevilíneos, porém, aos quatro meses de idade, esses animais apresentaram índice superior a 85, passando para o grupo dos animais mediolíneos.

À idade adulta, os machos e as fêmeas foram classificados como mediolíneos, pois mantiveram Índice Corporal superior a 85, discordando de Zamborlini (1996), que classificou a raça Mangalarga Marchador de tamanho médio e brevilínea, por ter apresentado índice corporal de 85,0 em animais adultos.

Em eqüinos da raça Alter, Oom & Ferreira (1987), registraram IC de 85,48 e 83,61, em machos e fêmeas adultos, e classificaram-nos como mediolíneos e brevilíneos, respectivamente.

Considerando o Índice Meloscópico, os valores obtidos para machos e fêmeas, respectivamente, foram de 1,19 e 1,24, ao nascimento, e de 1,13 e 1,14, aos 12 meses de idade, o que os classifica como longilíneos, porém tendendo a mediolíneos, posto que, à medida que têm a idade avançada, esse índice diminui. Neste caso, os animais adultos podem ser considerados mediolíneos pois apresentaram valores muito próximos a 1 (0,98 e 1,02, nos machos e nas fêmeas, respectivamente). Em eqüinos da raça Alter, Oom & Ferreira (1987) encontraram valores de IM de 1,16 e 1,18, nos machos e fêmeas adultos, que os classifica como longilíneos.

Quanto ao Índice Dáctilo-Torácico, que indica a relação entre a massa do animal e os membros que a suportam e classifica os eqüinos em hipermétricos, eumétricos e hipométricos, obteve-se, ao nascimento, os valores de 14,20 e 14,04, nos machos e nas fêmeas, respectivamente, o que os classifica como hipermétricos, condição que se mantém até os 12 meses de idade, apesar do maior aumento do perímetro torácico em relação ao perímetro da canela.

Segundo Cabral et al. (2004), os percentuais médios para o perímetro da canela, em relação à idade adulta, variaram de 60,6 e 60,7%, ao nascimento, para 87,8 e 89,0%, aos 12 meses de idade, respectivamente, nos machos e nas fêmeas da raça Mangalarga Marchador, enquanto os percentuais médios em relação à idade adulta para perímetro torácico variaram de 46,3 e 47,0%, ao nascimento, para 79,2 e 82,8%, aos 12 meses de idade, respectivamente, nos machos e nas fêmeas da mesma raça.

Nos animais adultos, os valores do Índice Dáctilo-Torácico (10,90 e 10,83, nos machos e fêmeas, respectivamente) foram próximos de 10,80, podendo classificá-los como eumétricos. Em eqüinos da raça Alter, Oom & Ferreira (1987), encontraram IM de 10,80 e 10,19, nos machos e nas fêmeas adultos, classificando-os como eumétricos e hipométricos, respectivamente.

O Índice de Carga na Canela reflete a capacidade de as extremidades de um animal deslocarem sua massa. De acordo com os valores calculados para os Índices de Carga na Canela, houve rápido decréscimo do nascimento ao terceiro mês, nos machos e nas fêmeas, que pode ser explicado pelo rápido ganho de peso corporal, em contraposição à pequena variação do perímetro da canela (Cabral et al., 2004).

Considerando a faixa etária dos animais, valores baixos podem significar membros fracos. Nos animais adultos da raça Mangalarga Marchador, os valores observados (4,16 nos machos e 4,96 nas fêmeas) foram superiores aos relatados por Oom & Ferreira (1987), para eqüinos adultos da raça Alter (3,89 nos machos e 3,63 nas fêmeas).

Os valores médios das proporções morfométricas em relação ao comprimento da cabeça, dos machos e das fêmeas, ao nascimento, aos 3, 6, 9 e 12 meses e à idade adulta, contrastados com o Sistema Eclético de Proporções Lineares, proposto por Lesbre (1920) e citado por Torres & Jardim (1981), encontram-se nas Tabelas 4 e 5, respectivamente.

 

 

 

 

Os valores de 2,90 e 2,95, para os machos, e de 2,98 e 3,01, para as fêmeas, das proporções da altura na cernelha e na garupa, respectivamente, ao nascimento, são maiores que os valores propostos por Lesbre (1920), citado por Torres & Jardim (1981). À medida que os animais crescem, estas proporções diminuem – os machos chegam à idade adulta com 2,63 e 2,60 e as fêmeas com 2,59 e 2,58. Estes valores demonstram, ainda, que, ao nascimento, as proporções dos machos são mais semelhantes às propostas por Lesbre (1920), citado por Torres & Jardim (1981), porém, à idade adulta, as fêmeas apresentam proporções mais próximas das propostas pelo Sistema Eclético de Proporções Lineares.

Os valores das proporções do comprimento do corpo em relação ao comprimento da cabeça, foram de 2,12 e 2,52, nos machos e de 2,18 e 2,64, nas fêmeas, ao nascimento e à idade adulta, respectivamente. Portanto, os animais nascem com as proporções menores, que à idade adulta se tornam maiores que as propostas por Lesbre (1920), citado por Torres & Jardim (1981).

As fêmeas, aos sete meses, apresentaram valor médio de 2,49 e os machos, aos 10 meses, de 2,50. Portanto, nessas idades, os animais, machos e fêmeas, enquadram-se no Sistema Eclético de Proporções Lineares, que indica 2,50 para essa proporção.

Os valores das proporções do comprimento do pescoço, em relação ao comprimento da cabeça foram de 1,01 e 1,16, nos machos, e de 1,04 e 1,12, nas fêmeas, ao nascimento e à idade adulta, respectivamente. Observou-se que, ao nascimento, sobretudo nos machos, os valores são bem próximos, porém, com o crescimento, aumentam e, nas fêmeas à idade adulta, ficam mais próximos que nos machos, conforme proposições de Lesbre (1920), citado por Torres & Jardim (1981). Contudo, essa diferença só ocorre nos animais adultos, demonstrando que os machos apresentam maior taxa de crescimento do pescoço, dos 12 meses à idade adulta, que as fêmeas, o que pode estar relacionado à puberdade, quando os machos começam a produzir os hormônios sexuais masculinos, responsáveis pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias, que conferem ao pescoço maior musculatura, maior volume pela deposição de gordura e leve arredondamento da sua borda dorsal.

As proporções do comprimento das espáduas e da largura da cabeça, em relação ao comprimento da cabeça, nos machos, foram as que mais se aproximaram na idade adulta, ao passo que, nas fêmeas adultas, as proporções que mais se aproximaram foram comprimento do dorso-lombo, que apresentou valor igual, e largura das ancas, que excedeu em 0,4 aos valores propostos por Lesbre (1920) e citado por Torres & Jardim (1981).

As proporções do comprimento do dorso-lombo e do perímetro do antebraço, em relação ao comprimento da cabeça, diminuem do nascimento aos 12 meses de idade, mas avançam à idade adulta, demonstrando que o aumento do comprimento do dorso-lombo e do perímetro do antebraço é maior que o aumento do comprimento da cabeça, após os 12 meses.

Os valores das proporções da altura na cernelha e na garupa, largura da cabeça, distância espádua-boleto, codilho-solo, codilho-joelho, joelho-boleto, soldra-jarrete, jarrete-boleto e perímetros do joelho, do boleto e da canela, em relação ao comprimento da cabeça, diminuem do nascimento à idade adulta. Por outro lado, os valores das proporções do comprimento do corpo, do pescoço, das espáduas e da garupa, altura do costado, larguras das ancas e do peito e perímetro torácico, em relação ao comprimento da cabeça, aumentam do nascimento a idade adulta.

As medidas lineares com menor taxa de crescimento que o comprimento da cabeça apresentaram redução dos valores das proporções, do nascimento à idade adulta, enquanto as medidas lineares com maior taxa de crescimento que o comprimento da cabeça, sofreram aumento nas proporções, do nascimento à idade adulta.

 

Conclusões

Os machos e as fêmeas da raça Mangalarga Marchador são classificados como brevilíneos, do nascimento aos três meses de idade, e como mediolíneos, dos quatro meses à idade adulta.

Os machos e as fêmeas da raça Mangalarga Marchador são classificados como hipermétricos, do nascimento aos 12 meses de idade, e como eumétricos quando adultos.

Os machos e as fêmeas da raça Mangalarga Marchador apresentam valores médios das proporções das medidas lineares distintos dos propostos pelo Sistema Eclético de Proporções Lineares, tornando necessário o aperfeiçoamento dos programas de avaliação morfológica dos eqüinos desta raça.

 

Agradecimento

À FAPERJ e a ABCCMM, pelo apoio financeiro e aos criadores Francismar Barbieri, Luiz Antônio Wanderlei, Hélio Belo Cavalcanti, João de Biasi, Maria Irene Batista dos Reis e Mário Freire Neto, proprietários dos criatórios participantes do projeto de pesquisa, por disponibilizarem seus animais.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 02/05/03
Aceito em: 30/03/04

 

 

1 Parte da Dissertação do primeiro autor apresentada ao Programa de Pós-graduação em Zootecnia da UFRRJ. Projeto financiado pela FAPERJ/ABCCMM.

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