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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.34 no.1 Viçosa Jan./Feb. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982005000100002 

FORRAGICULTURA

 

Avaliação agronômica de linhagens selecionadas de guandu (Cajanus cajan (L.) Millsp)

 

Agronomic evaluation of selected pigeon-pea lines (Cajanus cajan (L.) Millsp)

 

 

Rodolfo Godoy; Luiz Alberto Rocha Batista; Patrícia Menezes Santos; Francisco Humberto Dübbern de Souza

Pesquisadores da Embrapa Pecuária – Sudeste Caixa Postal 339 – 13560-970 – São Carlos, SP (godoy@cppse.embrapa.br; lbatista@cppse.embrapa.br; patricia@cppse.embrapa.br; fsouza@cppse.embrapa.br)

 

 


RESUMO

Com o objetivo de reavaliar agronomicamente 17 linhagens de guandu, originárias de acessos anteriormente selecionados por diversas características de interesse agronômico, foram instalados experimentos em cinco locais do Estado de São Paulo. A confirmação dessas características foi necessária, uma vez que as amostras de sementes dos acessos originais apresentavam mistura mecânica e segregação, razão pela qual, após serem selecionados, os acessos passaram por processo de purificação em condições controladas de polinização. Nesses experimentos, as linhagens foram submetidas a cortes para avaliação da produção de forragem, ocasião em que foram determinados o número de plantas na área útil da parcela e a altura média dessas plantas. Foi também determinado o teor de proteína bruta e de taninos de amostras da forragem produzida. Entre as linhagens testadas, g58-95 e g127-97 confirmaram ter plantas de baixa estatura, g3-94, g167-97 e g29b-94 confirmaram oferecer boas produções de forragem e g146-97 destacou-se quanto à produção inicial de matéria seca.

Palavras-chave: seleção, forrageira, qualidade da forragem, taninos, proteína bruta


ABSTRACT

With the purpose of re-evaluating seventeen pigeon-pea lines originated from accessions previously selected for favorable agronomic characteristics, experiments were installed in five locations of the State of São Paulo. The confirmation of those characteristics was necessary because the original accessions presented various degrees of mechanical mixtures and segregation and were submitted to purification process in pollination controlled conditions. In those trials, the lines were cut in several occasions to evaluate forage yield. Each time, it was determined the number of plants in each parcel and its average height. Also it was determined their crude protein and tannins contents. Among the tested lines, g58-95 e g127-97 confirmed to have low plants, g94, g167-97 and g29b-94, confirmed to offer good forage yields, while line g146-97 presented good initial forage yields.

Key Words: selection, forage plant, forage quality, tannins, crude protein, selection


 

 

Introdução

O guandu é importante fonte de proteína em muitos países da África e da Ásia, sendo considerado de múltiplo uso e freqüentemente citado por sua tolerância a condições adversas de clima e solo. No Brasil, graças a essas qualidades, vem sendo utilizado nas mais diversas regiões, com os mais diversos propósitos, sendo sua mais tradicional aplicação na alimentação animal (Werner, 1979; Wutke, 1987). Relatos sobre sua produtividade de forragem e capacidade de suporte foram feitos, entre outros, por Kim & Han (1988), Udedibie & Igwe (1989) e Peres et al. (1990). A qualidade da forragem de guandu também tem sido objeto de estudos: Kim & Han (1988), Peres et al. (1990), Udedibie & Igwe (1989), Costa & Paulino (1990) e Au-Gupta et al. (2001) estudaram variações nos teores de proteína bruta de genótipos de guandu.

O teor de taninos é importante característica da forragem de guandu, pois pode afetar sua qualidade e digestibilidade (Burns, 1963). Taninos, assim como outros compostos fenólicos, são produtos do metabolismo não-essencial das plantas que, ao serem consumidos provocam efeitos adversos em animais ruminantes (Chaves, 1994). Sua presença tem sido associada ao controle do timpanismo em ruminantes e à melhoria na utilização de proteínas pelos animais. Entretanto, também têm sido associados, à redução da palatabilidade. Foram também encontradas correlações negativas entre os teores de taninos de vinte espécies e sua digestibilidade in vitro (Chaves, 1994).

Na região Sudeste, uma das principais estratégias para aumento da eficiência dos sistemas de produção de carne e leite é a utilização de plantas forrageiras adequadas aos solos de baixa fertilidade e à longa estação seca. Por suas características, destaca-se o guandu, porém seus atuais cultivares comerciais possuem algumas limitações que, restringem sua adoção, como falta de uniformidade e pouca longevidade. Recentemente, vários trabalhos enfocando a produtividade e a qualidade de forragem de guandu foram publicados. Borkert et al. (2003) encontraram rendimentos de matéria seca variáveis entre genótipos de guandu e concluíram também que o guandu acumula quantidades apreciáveis de nitrogênio e satisfatórias de Ca, Mg e micronutrientes. Higuera Moros et al. (2001) encontraram significativas diferenças para o efeito de altura de cortes e idade nos teores de P, K, Ca, Na, Mg, Zn e Mn em folhas e caules de três cultivares de guandu e concluíram que somente os níveis de P e Mn podiam ser considerados suficientes para suprir as necessidades nutricionais de ruminantes quando o guandu é usado como forragem.

Com o objetivo principal de desenvolver novos cultivares de guandu, Godoy & Batista (1994) e Godoy et al. (1997) relataram a avaliação de agronômica de duas coleções de germoplasma, que resultaram na seleção de 40 acessos com uma ou mais das seguintes características favoráveis: produção de matéria seca total e de folhas, altura de plantas, baixos teores de taninos e altos teores de proteína bruta. Esses acessos passaram por número variável de ciclos de autofecundação e seleção em casa de vegetação – mínimo de três ciclos – até que as características morfológicas do material fossem estáveis e iguais às predominantes nos acessos originais, para obtenção de linhagens puras. O presente trabalho relata as produções de matéria seca e a qualidade da forragem, expressa pelos teores de proteína bruta e taninos, obtidas por dezessete dessas linhagens puras em cinco locais do estado de São Paulo.

 

Material e Métodos

Foram utilizadas 17 linhagens puras, obtidas a partir de acessos que se destacaram nos ensaios descritos por Godoy & Batista (1994) e Godoy et al. (1997): por baixa estatura de plantas (g58-95, g66-95, g47-94, g124-95 e g127-97); por retenção de folhas no inverno (g17-94); por produção de matéria seca da planta inteira (g3-94, g18-95, g19b-94, g27-94, g29b-94 e g167-97); por produção de matéria seca de folhas (g3-94, g6-95, g19b-94, g27-94, g101-97 e g167-97); por alto teor de proteína bruta (g146-97, g167-97 e g184-97); e por baixos teores de taninos (g101-97, g124-95, g146-97, g154-95 e g167-97).

Os ensaios foram instalados em cinco locais do estado de São Paulo (Tabela 1), com vinte tratamentos, as dezessete linhagens puras e três testemunhas, os cultivares Caqui, Anão e Fava Larga. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições, exceto em São Carlos, onde apenas três repetições foram utilizadas. As parcelas foram constituídas por cinco linhas de 5 m de comprimento, com espaçamento entre linhas de 0,5 m e entre plantas de 0,25 m, com área útil de três linhas de 4 m de comprimento. Periodicamente, foram efetuados cortes a 0,40 m de altura, sendo determinados, a partir do segundo corte, número de plantas na área útil, altura média de plantas, produção de matéria seca total e das folhas. No primeiro corte, foram determinados: número de plantas na área útil, altura média de plantas e produção de matéria seca total.

A altura média das plantas foi determinada a partir de medidas de cinco plantas da área útil da parcela. A produção de matéria seca dos acessos foi estimada pelo corte das plantas da área útil das parcelas, seguida de determinação do peso total. Amostras foram então pesadas e secas em estufas a 60ºC, até peso constante. A partir do segundo corte, o mesmo foi feito com amostras das folhas das plantas. Para a estimativa da produção de matéria seca de folhas, foi feita a determinação da proporção de folhas em cada parcela. Nas amostras foram determinados os teores de proteína bruta (PB - expressos em porcentagens da matéria seca), de acordo com a AOAC (1984), e os teores de taninos, expressos em percentuais equivalentes de ácido tânico, determinado pelo método de Folin-Denis, descrito por Burns (1963).

As médias de produção de matéria seca foram ajustadas para 48 plantas na área útil, de acordo com a metodologia proposta por Steel & Torrie (1984), pois provavelmente em razão das diferenças na qualidade das sementes, foram encontradas variações no número de plantas na área útil. Os dados obtidos foram submetidos a análises de variância e, para efeito de classificação apenas, foi aplicado o teste Duncan (Steel & Torrie, 1984) às médias, que foram comparadas com as médias das melhores testemunhas pelo teste Dunnett (Steel & Torrie, 1984), a 5% de probabilidade, que é a única referência estatística na discussão.

As datas de instalação dos experimentos e as datas dos cortes são apresentadas na Tabela 1. Foram feitos cortes enquanto houve rebrota das plantas, o que fez com que fossem efetuados números de cortes diferentes em cada local. Constam na Tabela 2 as características químicas dos solos de cada local separadamente, por ocasião da instalação dos ensaios.

 

Resultados e Discussão

A altura de plantas é importante característica a ser considerada pois determinadas populações de guandu têm porte arbóreo e podem se tornar inadequadas para uso como planta forrageira. A análise de variância conjunta dos dados de altura de plantas nos cinco locais revelou valores de F significativos (P<0,01) para a interação tratamentos (linhagens e testemunhas) x cortes. Constam da Tabela 3, para cada local e época de corte, as menores alturas médias de plantas, as alturas médias da melhor testemunha, as maiores alturas médias, a média e o coeficiente de variação.

Em São Carlos, o cultivar Anão foi a testemunha de menor altura nos dois primeiros cortes. Em janeiro de 2000, quando não mais havia plantas vivas do cv. Anão, e em junho de 2001, Fava Larga foi a menor testemunha. Em maio e dezembro de 2000, a testemunha de menor altura foi o cv. Caqui. As linhagens g146-97, g18-95, g184-97, g154-97, g19b-94, g27-94, g66-95, g47-94, g6-95, g127-97 e g17c-94, em janeiro de 2000, com alturas médias respectivas de 133, 130, 129, 129, 127, 118, 118, 93, 84, 73 e 54 cm, e g127-97 (96 cm) e g17c-94 (88 cm), em maio de 2000, foram significativamente mais baixas que as menores testemunhas. Nas demais épocas, não foram encontradas diferenças significativas.

Em Jaboticabal, nas duas primeiras épocas, g58-95 apresentou as plantas de menor estatura do ensaio, embora sem diferença estatística em relação à menor testemunha. Na terceira época, g146-97 (143 cm), g47-94 (131 cm), g127-97 (100 cm) e g17c-94 (71 cm) apresentaram plantas significativamente menores que Fava Larga, a menor testemunha; g17c-94 (66 cm) tinha plantas significativamente mais baixas em maio de 2000.

Embora o guandu seja adaptado à condições de baixa fertilidade, o número maior de rebrotas conseguido em Pirassununga provavelmente está associado à boa fertilidade do solo e maior teor de matéria orgânica. Verifica-se que nas duas primeiras épocas, a linhagem g58-95 apresentou plantas praticamente iguais ao cv. Anão, menor testemunha. A partir da terceira época, quando não mais havia plantas vivas desses dois genótipos, muitas linhagens superaram estatisticamente a menor testemunha, cv. Caqui em maio de 2000 e Fava Larga nas demais épocas: em janeiro de 2000, g19b-94 (176 cm), g6-95 (155 cm), g101-97 (153 cm), g184-97 (153 cm), g47-94 (151 cm), g66-95 (150 cm), g124-95 (145 cm), g167-97 (140 cm), g154-95 (136 cm), g127-97 (105 cm), g146-97 (95 cm) e g17c-94 (68 cm). Em maio de 2000, g101-97 (124 cm), g47-94 (122 cm), g127-97 (115 cm) e g17c-94 (88 cm). Em dezembro de 2000, g19b-94 (137 cm), g124-95 (130 cm), g146-97 (120 cm), g66-95 (118 cm), g154-95 (118 cm), g18-95 (118 cm), g167-97 (109 cm), g184-97 (108 cm), g101-97 (108 cm), g27-94 (102 cm), g6-95 (98 cm) e g47-94 (75 cm). Em junho de 2001, g167-97 (122 cm) e g146-97 (118 cm).

Em Pratânia, enquanto o cv. Anão apresentava plantas vivas, nas duas primeiras épocas do ensaio, nenhuma linhagem a superou. Em janeiro de 2000, pelo teste de Dunnett (P<0,05), as linhagens g124-95 (123 cm), g146-97 (117 cm), g167-97 (117 cm), g154-95 (106 cm), g184-97 (105 cm), g18-95 (100 cm), g66-95 (95 cm), g47-94 (89 cm), g127-97 (85 cm), g6-95 (85 cm), g27-94 (83 cm) e g17c-94 (52 cm) apresentaram plantas mais baixas que a menor testemunha, cv. Caqui, o mesmo ocorrendo em maio de 2000 com as linhagens g6-95 (161cm), g47-94 (149 cm), g127-97 (135 cm) e g17c-94 (90 cm).

Em Itapuí, a menor testemunha nas duas primeiras épocas foi o cultivar Anão, que estatisticamente não diferiu da linhagem g58-95, que apresentou as plantas mais baixas do ensaio. Em janeiro de 2000, quando não existiam mais plantas do cv. Anão, o cultivar Caqui foi a testemunha de menor porte e estatisticamente, as linhagens g127-97 (105 cm), g47-94 (100 cm), g6-95 (92 cm) e g17-94 (65 cm), apresentaram plantas menores que essa testemunha; a linhagem g58-95 também não apresentava plantas vivas nessa ocasião. Na última avaliação, não havia plantas vivas de nenhuma testemunha.

Entre as linhagens selecionadas por altura por Godoy & Batista (1994), a linhagem g58-95 destacou-se por essa característica em todos os ensaios. Além dela, em São Carlos, a linhagem g127-97 foi, em dois cortes, significativamente menor que a testemunha de menores plantas, mas esteve nos demais cortes sempre classificada entre as mais baixas. Em Jaboticabal nenhuma das outras linhagens se destacou, ao passo que em Pirassununga, das linhagens selecionadas anteriormente por baixa estatura, g66-95 e g127-97 também confirmaram essa qualidade. Em Pratânia, g124-95 e g127-97 destacaram-se em janeiro e maio de 2000, mesmas épocas em que g66-95 e g127-97 destacaram-se em Itapuí. De modo geral, as linhagens g58-95 e g127-97 confirmaram possuir a característica de baixa altura de plantas.

No geral, as plantas de menor altura possuem menor longevidade, sugerindo que no melhoramento do guandu como planta forrageira, essa característica não deve ser necessariamente considerada. O problema do tamanho da planta em um cultivar comercial deve ser contornado com o adequado manejo.

Em todos os locais, para produção de matéria seca da planta inteira, a interação épocas de corte x tratamentos foi estatisticamente significativa. Em São Carlos, Caqui foi a melhor testemunha em todas as épocas, exceto em setembro de 1999 e dezembro de 2000, quando foi superada pelo cv. Fava Larga. As melhores testemunhas produziram, em cada época, 3.473, 1.656, 5.418, 4.589, 1.427 e 1.495 kg de matéria seca por ha e não foram superadas estatisticamente por nenhuma das linhagens superou essas testemunhas em nenhum dos cortes.

Em Jaboticabal, nas três primeiras épocas de corte, o teste Dunnett (P<0,05) não revelou nenhuma linhagem com melhor desempenho que a melhor testemunha. Entretanto, a linhagem g3-94 apresentou numericamente a maior produção total de matéria seca do ensaio (17.755 kg/ha). Em Pirassununga, estatisticamente, apenas em maio de 1999, a linhagem g146-97 (9.444 kg/ha) superou o cv. Caqui (7.226 kg/ha) (P<0,05).

Em Pratânia, em setembro de 1999, as linhagens g3-94 (6.755 kg/ha), g124-95 (5.562 kg/ha), g27-94 (5.096 kg/ha) e g167-97 (4.765 kg/ha) superaram estatisticamente a melhor testemunha, o mesmo ocorrendo com as linhagens g154-95 (12.794 kg/ha), g3-94 (12.218 kg/ha) e g124-95 (11.205 kg/ha) em maio de 2000. A produção total de matéria seca das linhagens g3-94 (33.443 kg/ha)e g124-95 (30.613 kg/ha) foi superior estatisticamente (Dunnett, P<0,05) à do cv. Caqui, melhor testemunha (18.794 kg/ha). Em Itapuí, não foram encontradas diferenças significativas.

Godoy & Batista (1994) selecionaram por produção de matéria seca da planta inteira os acessos que deram origem às linhagens g3-94, g18-95, g19b-94, g27-94 e g29b-94 e Godoy et al. (1997), o acesso que deu origem à linhagem g167-97. Entre essas, destacaram-se nestas avaliações as linhagens g3-94 e g167-97.

Do ponto de vista forrageiro, a produção de matéria seca de folhas é provavelmente o dado mais importante a ser analisado. Constam da Tabela 4 os resultados obtidos em São Carlos.

Em São Carlos, estatisticamente, apenas em janeiro de 2000, a linhagem g29b-94 foi superior ao cv. Fava Larga, melhor testemunha. Entre as linhagens selecionadas por produtividade de matéria seca de folhas que fazem parte deste ensaio, g3-94 em apenas dois cortes não foi numericamente superior à melhor testemunha, não tendo as demais, g6-95, g19b-94, g27-94, g101-97 e g167-97, se destacado. Em produção total de matéria seca de folhas, as linhagens g29b-94 e g3-94 (7.085 kg/ha) superaram a melhor testemunha em 28 e 16%, respectivamente.

Em Jaboticabal, em setembro de 1999, as linhagens g101-97 e g3-4 (933 kg/ha) superaram apenas numericamente a melhor testemunha e em maio de 2000, g6-95 foi a linhagem mais produtiva, sem diferença estatística com as demais linhagens que ainda possuíam plantas vivas. Em produção total de matéria seca de folhas, a linhagem g3-94 (7.421 kg/ha) superou apenas numericamente a melhor testemunha, cv. Caqui.

Em Pirassununga, estatisticamente, nenhuma linhagem superou a melhor testemunha em cada época de corte. Entre as linhagens selecionadas por esse critério, g3-94 e g19b-94 estiveram sempre entre as mais produtivas: para setembro de 1999, janeiro, maio e dezembro de 2000 e junho de 2001, respectivamente, produziram, em kg/ha: 1.271, 4.572, 4.398, 3.534 e 5.876 (maior produção), e, 1.419, 4.620, 3.890, 3.936 e 4.255. Quando a produção total de matéria seca de folhas foi considerada, a linhagem g19b-94 (18.120 kg/ha) superou numericamente a melhor testemunha e a linhagem g3-94 apresentou a maior produção total.

Em Pratânia, pelo teste Dunnett (P<0,05), em setembro de 1999, as linhagens g124-95, g167-97 (1.761 kg/ha) e g154-95 (1.477 kg/ha) apresentaram produções de matéria seca de folhas superiores à melhor testemunha, cv. Caqui. O mesmo ocorreu em maio de 2000, com as linhagens g3-94 (5.678 kg/ha), g154-95 (5.485 kg/ha) e g6-95 (4.929 kg/ha). A produção de matéria seca de folhas total de três cortes de g3-94 foi estatisticamente superior à melhor testemunha.

Em Itapuí, a linhagem g101-97 apresentou a maior produção de matéria seca de folhas total.

Entre as linhagens originárias de acessos selecionados por Godoy & Batista (1994) e Godoy et al. (1997), para produção de forragem, g3-94, g29b-94 e g167-97 destacaram-se, confirmado essa característica.

Um novo cultivar de guandu, como de outras leguminosas, pode ter múltiplas utilizações. Em alguns, como para adubo verde ou para plantio consorciado com gramínea, para produção de silagem, provavelmente seja interessante que esse cultivar tenha boa produção de matéria seca no primeiro corte, não importando sua longevidade, persistência ou produtividade ao longo dos anos. Na Tabela 5, está descrita a produção de matéria seca da planta inteira no primeiro corte, nos cinco locais de ensaios.

Estatisticamente, apenas em Pirassununga a linhagem g146-97, superou a melhor testemunha (cv. Caqui), entretanto, numericamente, esta linhagem só foi superada pelas testemunhas em um dos locais (Jaboticabal); nos demais locais a média desta superioridade foi de 16%. Neste sentido as linhagens g18-95, g154-95 e g184-97 superaram numericamente a melhor testemunha em três locais, em média, em 9, 6 e 10%, respectivamente. Godoy et al. (1994) selecionaram o material que deu origem à linhagem g18-95, por produção de matéria seca na planta inteira e alto teor de proteína bruta, e as linhagens g146-97, g154-95 e g184-97 oriundas de acessos selecionados por Godoy & Batista (1997), por alto teor de proteína bruta e baixo teor de taninos, baixo teor de taninos e alto teor de proteína bruta, respectivamente.

Entre as linhagens avaliadas, apenas g146-97, g167-97 e g184-97 eram origináriss de acessos selecionados por Godoy et al. (1997), por alto teor de proteína bruta. Constam da Tabela 6, para cada local e época de corte, os teores de PB mais elevados, da melhor testemunha, os mais baixos, a média e o coeficiente de variação, encontrados nas plantas inteiras e nas folhas, para cada época de corte, exceto no caso de teor de PB das folhas no ensaio de Jaboticabal, cuja análise estatística não revelou significância (P<0,05) para a interação época de corte x tratamentos. Nesse caso, é apresentada a médias das três épocas de corte daquela variável.

Em São Carlos, em nenhum dos cortes, nenhuma linhagem apresentou teor de PB da planta inteira superior ou das folhas superior pelo teste de Dunnett (P<0,05) ao da melhor testemunha.

Em Jaboticabal, apenas em teor médio de proteína bruta nas folhas, a linhagem g184-97 foi estatisticamente superior à melhor testemunha (Dunnett, P<0,05).

Em Pirassununga, considerando-se os teores de PB da planta inteira, a linhagem g146-97 superou estatisticamente a melhor testemunha, em maio de 1999, e numericamente em junho de 2001 e a linhagem g124-95 foi a de teor de PB mais alto em dezembro de 2000. Por outro lado, a linhagem g184-97 apresentou teores de PB das folhas estatisticamente superiores aos da melhor testemunha em dezembro de 1999 e numericamente superior à melhor testemunha em todas as avaliações. A linhagem g167-97 também foi numericamente superior à melhor testemunha em todas as avaliações e a linhagem g146-97, em setembro de 1999 e maio de 2000.

Em Pratânia, apenas em maio de 2000, o teor de proteína bruta da planta inteira da linhagem g29b-94 foi superior ao do cv. Fava Larga, melhor testemunha, pelo teste de Dunnett (P<0,05). Além disso, a linhagem g146-97 superou numericamente a melhor testemunha em todas as avaliações. O teor de proteína bruta das folhas da linhagem g58-95 superou estatisticamente a melhor testemunha, em setembro de 1999, e os teores das linhagens g146-97, g124-95 e g 184-97, em janeiro de 2000. Nas três avaliações de teores de PB de folhas, as linhagens g146-97 e g167-97 superaram numericamente a melhor testemunha.

Em Itapuí, as diferenças encontradas para a planta inteira não foram estatisticamente significativas. Para o teor de PB das folhas, em agosto de 1999, nenhuma linhagem diferiu estatisticamente, da melhor testemunha e em maio de 2000, as testemunhas não tinham mais plantas vivas. Entretanto, em janeiro de 2000, g124-95, g167-97 e g146-97 foram estatisticamente superiores à melhor testemunha, cv. Caqui.

No geral, verifica-se que as linhagens originalmente selecionadas pelos mais altos teores de proteína bruta, g146-97, g184-97 e g167-97 (Godoy et al., 1997), embora tivessem apresentado teores relativamente elevados na maior parte das avaliações, estatisticamente não superaram as melhores testemunhas, não sendo possível confirmar essa característica.

Cinco das linhagens testadas nestes ensaios foram provenientes de acessos selecionados por baixos teores de taninos, por Godoy et al. (1997): g101-97, g124-95, g146-97, g154-95 e g167-97. Consta na Tabela 7 o teor de tanino mais baixo obtido, o da melhor testemunha, o mais elevado, a média e o coeficiente de variação, encontrados nas plantas inteiras e nas folhas, para cada época de corte, exceto no caso de teor de taninos das folhas nos ensaios de Pratânia e Itapuí, cujas análises estatísticas não revelaram significância (P<0,05) para a interação época de corte x tratamentos. Nesses casos são apresentadas as médias das três épocas de corte, daquelas variáveis.

Em São Carlos, as linhagens g154-95 (1,85; 1,63; 3,47; 2,11 e 1,90%, para abril de 1999, janeiro de 2000, maio de 2000, dezembro de 2000 e junho de 2001, respectivamente) e g167-97 (1,78; 3,47; 2,84 e 1,93%, para janeiro, maio e dezembro de 2000 e junho de 2001, respectivamente) apresentaram teores numericamente inferiores aos da melhor testemunha, na planta inteira, nessas ocasiões. Em maio de 2000, a linhagem g17c-94 apresentou teor de taninos nas folhas significativamente menor que o da menor testemunha e as linhagens g124-95 e g154-95, teores numericamente inferiores aos da melhor testemunha, em três dos cortes: 2,04;3,92 e 2,78% para a primeira e 2,12; 5,54 e 2,54% para a segunda, respectivamente tem janeiro e maio de 2000 e junho de 2001.

Em Jaboticabal, o teste de Dunnett não foi significativo (P<0,05) para nenhuma das comparações. A linhagem g124-95 superou numericamente a melhor testemunha, em maio de 1999 (1,50%) e em fevereiro de 2000 (2,04%), e a g17c-94, em setembro de 1999 (1,83%), quando o teor de taninos da planta inteira foi analisado. Esta última apresentou menor teor de taninos nas folhas que a melhor testemunha em setembro de 1999 (2,08%) e fevereiro (2,08%) e maio de 2000 (2,63%).

Em Pirassununga, as linhagens g17c-94 e g154-95 superaram estatisticamente a melhor testemunha em maio de 2000 e junho de 2001, respectivamente, e g124-95 e g154-95, apresentaram valores numericamente inferiores aos da melhor testemunha em maio e dezembro de 2000 e junho de 2001, quando a planta inteira foi analisada: 1,96; 2,02; 2,09 e 2,57% para a primeira e 2,01; 1,98; 2,09 e 2,25% para a segunda. O teor de taninos das folhas da linhagem g17c-94 foi estatisticamente inferior ao do cv. Caqui em maio de 2000 e numericamente inferior (2,58%) em dezembro de 1999. As linhagens g124-95, g154-95 e g167-97, foram numericamente melhores que a melhor testemunha em dezembro de 1999, maio e dezembro de 2000 e junho de 2001, quando apresentaram os seguintes teores de taninos nas folhas, respectivamente: 2,54; 2,90; 2,50 e 3,43; 2,32; 3,04; 2,95 e 3,67; 2,24; 3,05; 2,70 e 3,50.

Em Pratânia, não foram encontradas diferenças estatísticas entre os teores de taninos, ocorrendo o mesmo em Itapuí. Entretanto, neste caso, g154-95 apresentou constantemente valores inferiores numericamente aos da melhor testemunha, quando a planta inteira foi analisada: 1,38; 1,93 e 1,48 para abril e agosto de 1999 e janeiro de 2000, respectivamente. Em maio de 2000, apresentou o menor valor do ensaio (2,34).

Aparentemente, as linhagens g124-95, g154-95 e g167-97, entre os materiais selecionados por Godoy et al. (1997), e g17c-94 têm teores de taninos relativamente baixos, pela freqüência com que se repetiram os resultados numéricos, porém não é possível a emissão de conclusão definitiva sobre o assunto, em virtude da falta de resultados estatísticos consistentes. Possíveis causas para essa falta de resultados são a falta de metodologia mais precisa, principalmente no caso dos teores de taninos, influência do meio ambiente nesses fatores ou ainda a característica ter sido perdida durante o processo de obtenção de linhagens puras, sendo esta aparentemente a hipótese menos provável.

 

Conclusões

Pelo caráter altura de plantas, as linhagens g58-95 e g127-97 confirmaram ter as características dos acessos que as originaram.

Considerando-se os locais e critérios utilizados para seleção por produção de forragem, concluiu-se que g3-94, g167-97 e g29b-94 destacaram-se, tendo mantido as características pelas quais os acessos que as originaram foram selecionados, e devem passar a ser avaliadas com animais.

A linhagem g146-97 destacou-se quanto à produção de matéria seca no primeiro corte, devendo ser avaliada para finalidades que requeiram apenas alta produtividade inicial.

Nenhuma linhagem confirmou ter superioridade quanto aos teores de proteína bruta ou de taninos, embora algumas linhagens tenham apresentado teores menores de taninos que as melhores testemunhas, em algumas épocas.

As linhagens g3-94, g29b-94, g58-95, g127-97, g146-97 e g167-97 e, possivelmente, g124-95 e g154-95, que aparentemente tinham teores menores de taninos, devem continuar no programa de melhoramento.

 

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Recebido em: 01/09/03
Aceito em: 13/10/04

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