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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.34 no.3 Viçosa May/June 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982005000300038 

RUMINANTES

 

Efeito do dia de ocupação sobre a produção leiteira de vacas mestiças em pastejo rotacionado de forrageiras tropicais1

 

Days of occupation on crossbred cows milk production in a rotational grazing system tropical

 

 

Andréa Luciana dos SantosI; Maria Lúcia Pereira LimaII; Telma Teresinha BerchielliIII; Paulo Roberto LemeIV; Euclides Braga MalheirosIII; José Ramos NogueiraII; Maria da Graça PinheiroII; Nilson Carlos LimaV; Flávia Fernanda SimiliI

IAluna do Curso de Pós graduação em Zootecnia/FCAV/UNESP/Jaboticabal . End. Correspondência: Rua Prof. Paulo Mont Serrat, nº501, JD Ricetti - São Carlos - CEP: 14870-240 (andrealsfia@ig.com.br)
IIPesquisador Científico do Instituto de Zootecnia, AV: Bandeirantes 2419 - 14030-670, Ribeirão Preto, SP (marialucia@aptaregional.sp.gov.br)
IIIProfessor da FCAV - Unesp - 14870-000 - Jaboticabal, SP (ttberchi@fcav.unesp.br; euclides@fcav.unesp.br)
IVProfessor da FZEA/ USP - 13630-000 - Pirassununga, SP (prleme@usp.br)
VZootecnista formado na FCAV - Unesp- 14870-000 Jaboticabal, SP

 

 


RESUMO

O trabalho foi conduzido para se observar as flutuações na produção leiteira de vacas mestiças em sistema de pastejo rotacionado de capim-elefante cv. Guaçu (Pennisetum purpureum Schum.) e capim-tanzânia (Panicum maximum Jacq.), de acordo com períodos de ocupação (dois dias de ocupação e 40 de descanso e três dias de ocupação e 33 de descanso, respectivamente), adubados com 200 kg de N/ha/ano. Foram estudados 19 piquetes de capim-elefante e 15 de capim-tanzânia. A análise estatística foi realizada considerando-se fase de lactação das vacas, piquete e dia de ocupação. Para o capim-elefante houve efeito da fase da lactação com interação com o dia de ocupação, mas não houve diferença para o dia de ocupação. As médias foram 10,3 ± 3,3 e 10,4 ± 3,2 kg de leite/vaca/dia para o 1º e 2º dia de ocupação, respectivamente. Para o capim-tanzânia, houve diferença significativa na produção de leite, conforme o dia de ocupação, e interação significativa para piquete e dia de ocupação. As médias foram 10,6 ± 3,0; 11,0 ± 3,1; 10,6 ± 3,2 kg de leite/vaca/dia, respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiro dias de ocupação.

Palavras-chave: capim-elefante, capim-tanzânia, Panicum maximum Jacq, Pennisetum purpureum Schum


ABSTRACT

The study was carried out to observe the fluctuation of milk yield of crossbred cows in two rotational grazing systems of elephant grass cv. Guaçu (Pennisetum purpureum Schum and Tanzaniagrass (Panicum maximum Jacq.), according of period of occupation (2 days of occupation with 40 days resting and 3 days of occupation with 33 days resting, respectively), fertilized with 200 kg of N/ha/year. Nineteen paddocks of elephantgrass and 15 of Tanzaniagrass were studied. The statistical analysis was performed considering lactation phase of cows, paddocks and days of occupation. For elephantgrass there was an interaction effect of lactation phase and days of occupation, but no difference was observed for days of occupation. Averages of daily milk yield were 10.3 ± 3.3 and 10.4 ± 3.2 kg/day for 1st and 2nd of days of occupation, respectively. For Tanzaniagrass there was a significant effect for milk yield, according to days of occupation and for interaction of paddocks and days of occupation. The averages of daily milk yield were 10.6 ± 3.0; 11.0 ± 3.1; 10.6± 3.16 kg/cow/day for 1st, 2nd and 3rd days of occupation, respectively.

Key Words: elephantgrass, Panicum maximum Jacq, Pennisetum purpureum Schum, Tanzaniagrass


 

 

Introdução

O uso de sistemas de pastejo rotacionado tem aumentado em fazendas destinadas à produção leiteira, no intuito de melhorar a qualidade da forragem ofertada aos animais e aumentar a lotação, reduzindo os custos de produção. Mesmo assim, muitas dúvidas acerca do manejo adequado e de suas conseqüências precisam ser esclarecidas.

Segundo Corsi (1994), no Brasil, parece que a necessidade de conhecimento básico para o estudo e a execução de sistemas de manejo das pastagens impõe-se de maneira muito lenta, em virtude de dispormos, nos trópicos, de uma infinidade de estratégias para produção e uso das plantas forrageiras.

Outras dificuldades, como problemas sanitários, custo dos insumos, plantas forrageiras de baixa qualidade e o desfavorecimento do clima tropical, geram dificuldades que poderiam ser revertidas com o uso de tecnologias apropriadas, que alteram significativamente os índices de produtividade e o retorno financeiro (Camargo, 1996).

Entre as gramíneas tropicais, o capim-elefante destaca-se pela alta produtividade e qualidade de forragem produzida. Sua utilização sob a forma de pastejo é recente e os resultados têm comprovado excelente potencial para produção animal, inclusive na produção leiteira (Deresz & Mozzer, 1990; Veiga, 1990; Corsi, 2000).

Vários estudos indicam que vacas mantidas em pastagens de capim-elefante podem produzir de 8 a 14 kg de leite/dia, dependendo do potencial de produção e do estádio de lactação das vacas, assim como da lotação utilizada (Lucci et al.,1969; Lucci et al., 1972; Veloso & Freitas, 1973; Deresz & Mozzer, 1990; Olivo et al., 1992; Cóser et al., 1999; Aroeira et al., 1999).

Segundo Aranovich (1995), a gramínea Panicum maximum é uma das principais forrageiras cultivadas no Brasil, ocupando, inclusive, área superior a seis milhões de hectares. Na década de 70, representou cerca de 32% da área total de pastagens do estado de São Paulo. Sua introdução, uma vez que é de origem africana, não está bem esclarecida, mas atribui-se sua chegada à importação de escravos africanos, estabelecendo-se nos lugares onde os navios eram descarregados. Porém, embora se reconheça seu potencial produtivo, há informações de que as áreas de Panicum no país estejam decrescendo, cedendo lugar às gramíneas do gênero Brachiaria, sobretudo em razão da exigência em boa fertilidade do solo e do manejo inadequado.

Recentemente, este quadro vem se revertendo em função de novos cultivares, inclusive o capim-tanzânia, mais produtivo que o capim-colonião (Euclides, 1995).

Teixeira et al. (1999), trabalhando com capim-tobiatã (Panicum maximum Schum. cv. Tobiatã), na EMBRAPA de São Carlos, avaliaram a produção de leite de vacas holandesas com 72 dias de lactação, manejadas de forma que ingerissem apenas as pontas das folhas e que o restante da forragem fosse consumido por animais de repasse. A média de produção de leite por vaca, no início da lactação, foi de 30,6 kg/dia; o concentrado foi oferecido na proporção de 1 kg para 2,8 de leite, ou seja, a média de consumo de concentrado foi de 11 kg/dia. No entanto, publicações sobre a produção de leite de vacas mantidas em capim-tanzânia não têm sido encontradas.

Trabalhos realizados no exterior, avaliando o potencial de produção de leite em Panicum maximum indicaram produção diária de leite de 9,5 a 10,7 kg/vaca (Davison et al., 1985a;b).

No sistema de pastejo rotacionado, o produtor deve conhecer as flutuações na produção diária das vacas leiteiras, relacionadas à ocupação de cada piquete (Deresz, 1994). Cóser et al. (1999) estudaram as oscilações na produção de leite em pastejo rotacionado de capim-elefante com 1, 3 e 5 dias de ocupação e encontraram menores flutuações para um dia de ocupação e maiores para cinco dias de ocupação, mas não encontraram interações que pudessem afetar a produção leiteira.

Objetivou-se observar a influência do dia de ocupação dos piquetes sobre a variação na produção de leite de vacas mestiças em diferentes fases de lactação, em sistema de pastejo rotacionado de capim-elefante cv. Guaçu (Pennisetum purpureum Schum.) e de capim-tanzânia (Panicum maximum Jacq.). Também foram estudadas possíveis interações entre as fases de lactação das vacas e o dia de ocupação avaliado, em cada planta forrageira.

 

Material e Métodos

O trabalho foi conduzido no Núcleo de Pesquisas Zootécnicas Nordeste, do Instituto de Zootecnia de Ribeirão Preto, SP, localizado na latitude sul 21° 42', longitude oeste 47° 24', com altitude de 435 metros. O solo é um latossolo roxo distrófico, levemente ondulado.

O clima é classificado como CWA, com verões quentes e chuvosos e invernos secos. Os valores referentes à temperatura ambiente média, assim como as informações de precipitação pluviométrica, foram anotados diariamente e são apresentados na Figura 1.

 

 

Foram conduzidos dois experimentos distintos, um em pastejo rotacionado com capim-elefante cv. Guaçu (Pennisetum purpureum Schum.) e o outro em área com capim-tanzânia (Panicum maximum Jacq.).

As massas de forragem disponível inicial e residual foram avaliadas, nos dois experimentos, por ciclo de pastejo, utilizando-se quadrado 2 x 2 m em quatro piquetes com três repetições, das quais foram feitas subamostragens e separação em colmo, folha e material morto. No primeiro ano experimental, as avaliações das pastagens foram feitas por Rosseto (2000). Antes de se iniciar o estudo, cada área recebeu em cobertura aplicações de calcário, adubos fosfatado, potássico e micronutrientes. Durante as amostragens, foram aplicados 250 kg de N/ha/ano, em cada sistema de pastejo rotacionado.

A área de capim-elefante, em uso há oito anos, possuía 10,5 ha, subdivididos em 21 piquetes, utilizados com período de ocupação de dois dias e descanso de 40 dias. O capim-elefante foi manejado em quatro ciclos de pastejo em cada ano experimental. A produção de leite foi avaliada do 2º ao 4º ciclo de pastejo de 1999, em 16 piquetes e, no 1º ciclo de pastejo do ano 2000, em três piquetes.

A área de capim-tanzânia era utilizada há cinco anos e constava de 15,8 ha, subdivididos em 12 piquetes, utilizados com período de ocupação de três dias e 33 dias de descanso, perfazendo cinco ciclos de pastejo por ano. A produção de leite foi avaliada do 2º ao 4º ciclo de pastejo de 1999, em 13 piquetes e, no 1º ciclo de pastejo do ano 2000, foram avaliados dois piquetes.

A produção leiteira foi medida diariamente, em duas ordenhas, utilizando-se, em cada experimento, 12 vacas mestiças Holandês x Gir, no período de fevereiro a maio de 1999 e 15 em janeiro de 2000. Os animais foram classificados em três grupos de fases da lactação (de 15 a 90, de 91 a 180 e mais de 180 dias de lactação). Os animais utilizados a cada ciclo de pastejo não foram os mesmos; utilizou-se fluxo de animais a fim de se manter vacas nas três fases de lactação. Na Tabela 1, são apresentadas médias de dias em lactação das vacas no início de cada ciclo de pastejo. As vacas de 15 a 90 dias pós-parto receberam suplementação com 4 kg de concentrado por dia.

 

 

O delineamento experimental foi em parcelas sub-subdivididas, considerando-se a fase de lactação como efeito principal, os piquetes como subparcelas e o dia de ocupação como sub-subparcela. A análise estatística foi feita em separado para cada experimento (tipo de capim), utilizando-se o procedimento PROC GLM do programa SAS (SAS, 1996).

 

Resultados e Discussão

Para o capim-elefante cv. Guaçu, não houve efeito do dia de ocupação sobre a produção leiteira, que foi de 10,3 ± 3,3 e 10,4 ± 3,2 kg de leite/vaca/dia para o 1º e 2º dias de ocupação, respectivamente (Tabela 2). Observou-se pequena diferença numérica, com a maior produção de leite no segundo dia de ocupação, em razão da maior disponibilidade de folhas na pastagem no primeiro dia de ocupação, que reflete na produção de leite do dia seguinte.

 

 

Em todos os ciclos de pastejo estudados, a proporção inicial de folhas era de 31,2 a 54,7%, caindo para 25,1 a 9,7% no resíduo após o segundo dia de ocupação (Tabela 3).

 

 

Deresz (1994) observou pequenas oscilações na produção média diária de leite por vaca, em capim-elefante, conforme o período de ocupação do piquete, de modo que o valor nutritivo da forragem consumida também foi maior no primeiro dia de pastejo, decrescendo com o tempo de ocupação.

Cóser et al. (1999) estudaram três períodos de ocupação para o capim-elefante, ou seja, 1, 3 e 5 dias de ocupação, com 30 dias de descanso, e não encontraram diferença significativa para produção de leite entre os diferentes períodos de ocupação dos piquetes, mas registrou variações diárias, com as menores flutuações no primeiro (10,3 a 10,5 kg/vaca/dia) e as maiores no quinto dia de ocupação, uma vez que houve produção em torno de 10,9 kg de leite por dia no terceiro e quarto dias de ocupação, caindo para 9,7 kg de leite no primeiro dia de ocupação. As médias das produções de leite, corrigidas para 4% de gordura, foram de 9,7; 9,5 e 9,6 no primeiro ano experimental, de 11,4; 11,5 e 11,4 no segundo ano e de 11,6; 11,5 e 11,4 no terceiro ano para dias 1, 3 e 5 de ocupação, respectivamente, com oferecimento de 2 kg de concentrado/vaca/dia. Os resultados do 2º e 3º anos são maiores que os encontrados neste trabalho.

Quanto à disponibilidade de massa de forragem inicial, Rosseto (2000) encontrou, em mesmo local e época desse experimento, média, para o primeiro ano experimental e durante a estação chuvosa, de 7.781 kg de MS/ha por ciclo de pastejo, com 44,4% de folhas, ou seja, 3.454 kg de MS de folha/ha. As informações por ciclo de pastejo encontram-se na Tabela 3. Esses resultados são superiores aos encontrados por Cóser et al. (1999), de 2.944; 2.641 e 2.912 kg de MS de folha/ha para dias 1, 3 e 5 de ocupação, respectivamente, com período de descanso de 30 dias.

Balsalobre (1996), avaliando pastejo rotacionado de capim-elefante, registrou valores semelhantes para disponibilidade de matéria seca, durante o verão, com média de 7.978 kg de MS/ha para três ciclos de pastejo e período de descanso de 45 dias, com média de produção leiteira de 13,06 kg/vaca/dia, com suplementação de 4,2 kg de concentrado por animal/dia. Silva et al. (1994) também observaram média de produção de leite em torno de 13 kg/vaca/dia, em pastejo rotacionado de capim-elefante anão, enquanto Aroeira et al. (1999) observaram média de 11,4 kg de leite/vaca/dia em pastejo rotacionado de capim-elefante, recebendo 2 kg de concentrado/dia. Os valores encontrados neste trabalho são inferiores aos citados na literatura, possivelmente pelo menor potencial genético das vacas e da menor suplementação com concentrado.

Houve interação (P<0,01) entre a fase da lactação das vacas e os piquetes estudados. Na Tabela 4, constam os resultados referentes à produção diária de leite por vaca, em cada piquete experimental, nas diferentes épocas do ano, com desdobramento para fase da lactação.

 

 

Observou-se grande variação nas médias por piquete, ou seja, a produção de leite variou de 12,1 kg/vaca/dia (piquete 1, em março de 1999) até 8,9 kg/vaca/dia (piquete 19), em janeiro de 2000. Verificou-se diminuição na proporção de folhas presentes na massa de forragem inicial do 2º para o 4º ciclo de pastejo de 1999 (Tabela 3), mesmo não havendo redução na quantidade de massa de forragem inicialmente ofertada, o que, provavelmente, explica a queda da média de produção de leite no 4º ciclo de pastejo de 1999. A menor produção leiteira nos piquetes 17, 18 e 19, registrada no 2º ano de estudo, em janeiro de 2000, pode ser explicada pela menor massa de forragem inicial obtida no ano anterior e pela menor porcentagem de folha (40,64%) em fevereiro e março de 1999 (54,7%).

As vacas no início da lactação interagiram positivamente com os piquetes que tinham maior massa de forragem inicial nos ciclos 2, 3 e 4 (Tabela 4 – piquetes nº 1 a 16), com produções de leite 40,16% superior à média de todas as vacas que ocupavam estes piquetes, enquanto aquelas com período de lactação de 90 a 180 dias apresentaram produções 5,02% acima da média e as vacas em final de lactação apresentaram produções 14,73% abaixo da média. Em janeiro e fevereiro de 2000 (piquetes nº 17 a 19), quando a massa de forragem inicial foi menor, a produção de leite das vacas no início da lactação foi apenas 9,65% maior que a média; as vacas de 90 a 180 dias de lactação tiveram produções 2,5% abaixo da média e as aquelas no final da lactação mantiveram produções semelhantes aos piquetes de nº 1 a 16, ou seja, 14,24% abaixo da média, não havendo diferença significativa entre os três grupos nos piquetes de nº 17 a 19.

No estudo com capim-tanzânia, houve diferença (P<0,01) para estádio de lactação das vacas (Tabela 5), mas não houve interação entre estádio da lactação e dia de ocupação.

 

 

Houve efeito (P<0,05) dos dias de ocupação sobre a produção de leite quanto com interação significativa (P<0,01) para piquete e dia de ocupação. As produções de leite por vaca, por dia de ocupação, em cada piquete experimental, são apresentadas na Tabela 6, com desdobramento para dia de ocupação.

 

 

Apesar de não ter havido diferença estatística, a média para o segundo dia de ocupação foi numericamente maior, provavelmente em razão da maior disponibilidade de forragem do primeiro dia em relação ao segundo e terceiro, principalmente de folhas, aumentando a produção de leite no dia subseqüente (Tabela 7). Cóser et al. (1999), estudando pastagens de capim-elefante com três períodos de ocupação (1º, 3º e 5º dias), também encontraram maiores produções de leite no 2º dia de ocupação.

 

 

As produções de leite foram menores no 4º ciclo de pastejo (piquetes 12 e 13) no final de maio, após o florescimento do capim-tanzânia (Tabela 6). Rosseto (2000), avaliando o desempenho agronômico desta forrageira em mesma época e área experimental deste ensaio, encontraram massa de forragem inicial significativamente menor e proporção reduzida de folhas com aumento na proporção de colmos e material morto após o florescimento deste capim (Tabela 7).

Santos et al. (1999), estudando capim-tanzânia em diferentes freqüências de pastejo, encontraram, para ciclo de 38 dias e adubação de 400 kg de N/ha/ano, massa de forragem média disponível de 5.772 kg de MS/ha sendo maior em janeiro e fevereiro, ao invés de em abril e maio, semelhante aos dados do presente trabalho. A relação folha:colmo diminuiu significativamente do ciclo de janeiro e fevereiro para o ciclo de abril e maio, com valores de 1,10 e 0,76 respectivamente, confirmando o decréscimo de aparecimento de folhas quando o capim inicia o estádio de florescimento. Corsi & Santos (1995) também demostraram a estacionalidade de produção do capim-tanzânia, com decréscimo de produção após o florescimento.

 

Conclusões

Não houve diferença na produção leiteira nos diferentes dias de ocupação dos piquetes de capim-elefante, demonstrando que dois dias de ocupação por piquete é o manejo adequado à produção leiteira. Os três dias de ocupação, para o capim-tanzânia, interferem na produção leiteira.

As vacas interagem com os sistemas de pastejo rotacionado, influenciando a produção de leite. No capim-elefante, há interação entre fase de lactação e piquete e, no capim-tanzânia, há interação entre dia de ocupação e piquete.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 16/12/03
Aceito em: 28/03/05

 

 

1 Projeto financiado pela FAPESP.

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