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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.34 no.5 Viçosa Sept./Oct. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982005000500024 

MONOGÁSTRICOS

 

Níveis de lisina digestível em rações para frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, mantidos em ambiente de termoneutralidade1

 

Requirements of dietary digestible lysine for broilers from 22 to 42 days old on thermoneutral environment

 

 

Sandra Roselí Valerio LanaI; Rita Flávia Miranda de OliveiraII; Juarez Lopes DonzeleII; Paulo Cézar GomesII; Roberta Gomes Marçal Vieira VazIII; Wilkson de Oliveira RezendeIV

IProfessora da UFAL
IIProfessor do DZO/UFV. E.mail: flavia@ufv.br; donzele@ufv.br
IIIEstudante Pós-graduação DZO/UFV. E.mail: robertavaz@lycos.com
IVSecretaria de Agricultura - Cuiabá - MT

 

 


RESUMO

Dois ensaios foram conduzidos para se avaliarem os efeitos de níveis de lisina digestível em rações, mantendo ou não a relação aminoacídica, sobre o desempenho de frangos de corte dos 22 aos 42 dias, criados em ambiente de termomeutralidade. No ensaio 1, foram utilizados 210 frangos de corte machos Avian Farms com peso inicial médio de 662,5 g e, no ensaio 2, 168 frangos com peso inicial médio de 623,7 g. Em ambos os ensaios, o delineamento experimental foi o inteiramente casualizado; no ensaio 1, as aves foram distribuídas em cinco tratamentos (níveis de lisina digestível em rações convencionais) e seis repetições, com sete aves cada e, no ensaio 2, em quatro tratamentos (níveis de lisina em rações mantendo a relação aminoacídica) e seis repetições, com sete aves cada. Nos ensaios 1 e 2, os níveis de lisina digestível da ração influenciaram de forma linear crescente o ganho de peso e a conversão alimentar. No ensaio 1, observou-se efeito linear crescente dos tratamentos sobre o peso absoluto da carcaça. Não foi observado efeito dos tratamentos sobre o peso relativo da carcaça e os pesos absoluto e relativo de cortes nobres e de gordura abdominal. No ensaio 2, os pesos absoluto e relativo do peito e da coxa aumentaram linearmente, enquanto o peso absoluto da sobrecoxa elevou de forma quadrática até o nível de 0,955% de lisina. O peso relativo da sobrecoxa e os pesos absoluto e relativo da gordura abdominal não foram influenciados pelos tratamentos. Concluiu-se que frangos de corte machos Avian Farms na fase de 22 a 42 dias de idade, mantidos em ambiente de termomeutralidade, exigem no mínimo 1,015 e 1,075% de lisina digestível na ração convencional e na ração mantendo a relação aminoacídica, respectivamente, correspondente a um consumo estimado de 28 g de lisina digestível.

Palavras-chave: conforto térmico, frango de corte, lisina digestível, proteína ideal


ABSTRACT

Two trials were conducted to evaluate the effects of increasing dietary digestible lysine levels, maintaining or not the amino acid relation, on performance of broilers from 22 to 42 days old on thermoneutral environment. Two hundred and ten male broilers (averaging initial weight of 662.5 g) and 168 broilers (averaging initial weight of 623.7 g) were assigned to a completely randomized experimental design in trials 1 and 2, respectively. In trial 1, the broilers were allotted to five treatments (digestible lysine levels in conventional diets) and six replicates of seven broilers. In trial 2, the broilers were allotted to four treatments (digestible lysine levels in diet maintaining amino acid relation) and six replicates of seven broilers. In both trials, linear effect of digestible lysine levels on body weight gain and feed:gain ratio were observed. In trial 1, the increasing dietary digestible lysine levels increased linearly absolute carcass weight. There was no effect of lysine levels on relative carcass weights and on absolute and relative weichts of abdominal fat. In trial 2, absolute and relative breast and thigh weights increased linearly, while the absolute drumstick data increased quadraticly up to 0.955% digestible lysine level. No treatment effects on relative drumstick weight and absolute and relative weights of abdominal fat was observed. It was concluded that male broilers, Avian Farms, in the period from 22 to 42 days old, require at least 1.015 and 1.075% digestible lysine in conventional diet or in a diet maintaining the amino acid relation, respectively. This corresponds to an intake of 28 g digestible lysine for birds on a thermoneutral environment.

Key Words: broiler, thermoneutral environment, digestible lysine, ideal protein


 

 

Introdução

O progresso genético na taxa de crescimento, na conversão alimentar e no rendimento de carcaça é um desafio constante do ponto de vista nutricional. Uma vez que a expressão fenotípica do potencial genético depende do ambiente e da nutrição, é importante conhecer as exigências nutricionais das aves em processo de melhoramento, para se obter o máximo desempenho das mesmas.

A formulação de rações para aves com base na proteína bruta, envolvia perda de energia, principalmente quando do excesso de aminoácidos na ração. Atualmente, com a disponibilidade de aminoácidos sintéticos a preços acessíveis, as rações passaram a ser formuladas com níveis de aminoácidos mais próximos das necessidades das aves, reduzindo o nível de proteína bruta das rações com a suplementação de aminoácidos sintéticos.

A lisina, apesar de ser o segundo aminoácido limitante, depois da metionina, na alimentação de aves, foi escolhida como aminoácido referência por ser utilizada, em seu metabolismo, quase que exclusivamente para deposição de proteína corporal (Pack, 1995). Han & Baker (1994) obtiveram os níveis de 0,85%, para máximo ganho de peso, e de 0,89% de lisina digestível, para melhor conversão alimentar de frangos de corte na fase de 21 a 42 dias de idade. Entretanto, recomendações de exigência de lisina em termos de lisina digestível são ainda escassas.

Avaliando os efeitos dos níveis de lisina digestível em rações, mantendo-se a relação entre a lisina e os demais aminoácidos essenciais para frangos no período de 22 a 42 dias de idade, Conhalato et al. (1999) constataram que o nível de 1,02% de lisina digestível propiciou os melhores resultados de desempenho. Posteriormente, Costa et al. (1999) estimaram em 1,16 e 1,06% os níveis de lisina total e digestível, respectivamente, para frangos no período de 22 a 40 dias de idade. Posteriormente, Barboza et al. (2000) e Rostagno et al. (2000) demonstraram que os frangos no período de crescimento (22 a 42 dias de idade) exigem, respectivamente, 1,03 e 1,045% de lisina total e digestível.

Realizou-se este trabalho para avaliar o efeito de níveis de lisina digestível em rações, mantendo-se ou não a relação aminoacídica, para frangos de corte machos de 22 a 42 dias de idade, mantidos em ambiente de termoneutralidade.

 

Material e Métodos

Os  ensaios foram conduzidos no Laboratório  de Bioclimatologia Animal  do  Departamento de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa, MG.

Ensaio 1 - Níveis de lisina digestível em rações convencionais para frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, criados em ambiente de termoneutralidade

Foram utilizados 210 frangos de corte machos Avian Farms, com peso inicial de 662,5 g ± 4,6 g, mantidos em câmaras climáticas, com temperatura e umidade relativa controladas, segundo as recomendações do manual Avian Farms (Tabela 1) para esta categoria.

 

 

Durante o período inicial (1 a 21 dias de idade), as aves, mantidas em galpão convencional, foram alimentadas com ração com 3.000 kcal de EM/kg e 21% de PB para satisfazer suas exigências nutricionais, segundo Rostagno et al. (1996) e manejadas conforme Lana (2000).

Aos 22 dias de idade, os frangos foram pesados e transferidos para as câmaras climáticas, quando se deu início ao período experimental. As aves foram alojadas em baterias com compartimentos de 0,85 x 0,85m, providos de comedouro e bebedouro tipo calha. As condições ambientais das salas foram monitoradas diariamente, duas vezes ao dia, por meio de termômetros de bulbos seco e úmido, de globo negro e de máxima e mínima, mantidos no centro das salas. O programa de luz adotado foi o contínuo (24 horas de luz artificial), durante todo período experimental, utilizando-se duas lâmpadas fluorescentes de 75 watts por sala. As aves foram distribuídas em  delineamento  inteiramente casualizado, com cinco tratamentos, seis repetições e sete aves por repetição.

Os tratamentos consistiram de uma ração basal (Tabela 2) à base de milho, farelo de soja e glúten de milho, formulada para atender as exigências das aves, segundo recomendações de Rostagno et al. (1996), exceto em lisina. A ração basal foi suplementada com L-lisina 99% (0,00; 0,06; 0,12; 0,18 e 0,24) em substituição ao caulim, resultando em rações experimentais contendo 0,88 e 0,775%; 0,94 e 0,835%; 1,00 e 0,895%; 1,06 e 0,955%; 1,12 e 1,015% de lisina total e digestível, respectivamente. Os valores de aminoácidos totais dos ingredientes da ração experimental foram obtidos por meio de análises laboratoriais e, em seguida, foram corrigidos para aminoácidos digestíveis, utilizando-se os coeficientes de digestibilidade das tabelas Rhodimet-Rhône-Poulenc (1993) (Tabela 3). O fornecimento de ração e água foi ad libitum, trocando-se a água duas vezes ao dia.

 

 

Foram avaliados peso corporal, ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar. Adicionalmente, no final do período experimental (42º dia), após jejum alimentar de 12 horas, as aves foram pesadas e quatro aves de cada repetição, com peso médio de ± 10% em relação à média de repetição, foram abatidas. Após serem sangradas e depenadas, as aves foram evisceradas e as carcaças pesadas. Em seguida, a gordura abdominal foi retirada e pesada. Foram avaliados os pesos absoluto (g) e relativo (%) das carcaças inteiras, dos cortes nobres (peito, coxa e sobrecoxa) e da gordura abdominal. Na determinação do rendimento de carcaça, foi considerado o peso da carcaça limpa em relação ao peso vivo após jejum. A gordura abdominal foi considerada como tecido adiposo em torno da cloaca, da Bursa de Fabricius e dos músculos abdominais adjacentes, conforme descrito por Smith (1993). O peso relativo dos cortes nobres foi calculado em relação ao peso da carcaça eviscerada.

As análises estatísticas das variáveis estudadas foram realizadas utilizando-se o programa SAEG (Sistema para Análises Estatísticas), desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa – UFV (1999).

As estimativas de exigências de lisina digestível para frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, em ambiente de termoneutralidade, foram estabelecidas com base nos resultados de desempenho, por meio de modelos de regressões linear, quadrática e/ou descontínuo "Linear Response Plateau" (LRP), conforme o melhor ajuste obtido para cada variável.

Ensaio 2 – Níveis de lisina digestível em rações, mantendo-se a relação aminoacídica, para frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, criados em ambiente de termoneutralidade

Foram utilizados 168 frangos de corte machos Avian Farms, com peso inicial de 623,7 ± 1,95 g. O ensaio foi realizado com aves de 22 a 42 dias de idade, mantidas em salas climatizadas com temperatura de 23,8 ± 0,55ºC e umidade relativa de 60,3 ± 1,68%.

Durante o período inicial (1 a 21 dias de idade), as aves foram criadas em galpão convencional, alimentadas com ração contendo 3.000 kcal de EM/kg e 21% de PB para satisfazer suas exigências nutricionais, segundo Rostagno et al. (1996), e manejadas conforme Lana (2000).

Aos 22 dias de idade, os frangos foram pesados e transferidos para as câmaras climáticas, quando se deu início ao período experimental. As aves foram alojadas em baterias com compartimentos de 0,85 x 0,85 m, providos de comedouro e bebedouro tipo calha. As condições ambientais das salas foram monitoradas diariamente, duas vezes ao dia, por meio de termômetros de bulbos seco e úmido, de globo negro e de máxima e mínima, mantidos no centro das salas. O programa de luz adotado foi o contínuo (24 horas de luz artificial) durante todo o período experimental, utilizando-se duas lâmpadas fluorescentes de 75 watts por sala. As aves foram distribuídas em delineamento experimental inteiramente casualizado, com quatro tratamentos, seis repetições e sete aves por repetição.

Os frangos receberam ração experimental (Tabela 4) à base de milho, farelo de soja e glúten de milho, segundo recomendações de Rostagno et al. (1996), suplementada com L-lisina 99%, resultando em rações contendo 1,00 e 0,895%; 1,06 e 0,955%; 1,12 e 1,015%; 1,18 e 1,075% de lisina total e digestível, respectivamente. As concentrações dos aminoácidos DL-metionina, L-treonina, L-triptofano, L-valina, L-isoleucina e L-arginina, em relação à lisina, foram mantidas em quantidades no mínimo suficientes para se obter o padrão de proteína ideal, conforme preconizado por Baker (1994), citado por Parsons & Baker (1994), para aminoácidos digestíveis, em que a lisina equivale a 100%, a metionina + cistina, a 75%, a treonina, a 70%, o triptofano, a 17%, a valina, a 77%, a isoleucina, a 67% e a arginina, a 105%. Os valores dos aminoácidos totais dos ingredientes das rações experimentais foram obtidos por meio de análises laboratoriais, e, posteriormente, corrigidos para aminoácidos digestíveis, adotando-se os coeficientes de digestibilidade das tabelas Rhodimet-Rhône-Poulenc (1993) (Tabela 3). O fornecimento de ração e água foi ad libitum, trocando-se a água duas vezes ao dia.

Os procedimentos de monitoramento do ambiente e do fornecimento de ração, a determinação das medidas de desempenho e de rendimento de carcaça, a análise e o modelo estatístico foram os mesmos utilizados no ensaio 1.

 

Resultados e Discussão

Na Tabela 5 são apresentados os resultados de desempenho e de consumo de lisina digestível dos frangos de corte alimentados com rações contendo diferentes níveis de lisina digestível, mantendo-se ou não a relação aminoacídica, no período de 22 a 42 dias de idade, mantidos em ambiente de termoneutralidade.

Constatou-se aumento linear (P<0,01) no peso final dos frangos aos 42 dias de idade, recebendo rações com diferentes níveis de lisina, mantendo-se ou não a relação aminoacídica, segundo as respectivas equações: = 1341,30 + 643,890x (r2=0,89) e = 1596,38 + 482,063x (r2=0,83). Melhoria linear no peso final das aves, em razão do aumento do nível de lisina da ração, também foi observada por Han & Baker (1994). Em contrapartida, Conhalato et al. (1999), avaliando níveis de lisina para frangos de corte alimentados com rações convencionais, desconsiderando-se o conceito de proteína ideal, não verificaram variação significativa no peso final das aves.

Os níveis de lisina das rações, mantendo-se ou não a relação entre a lisina e os demais aminoácidos essenciais, considerados mais críticos para as aves, influenciaram (P<0,01) o ganho de peso dos frangos, que aumentou de forma linear de acordo com a equação: = 711,310 + 650,324x (r2 = 0,89), quando se considerou a relação aminoacídica, e = 942,119 + 472,897x (r2 = 0,85), quando se utilizou a ração convencional. Estes resultados corroboram aqueles obtidos por Holsheimer & Ruesink (1993), Scheuermann et al. (1993) e Han & Baker (1994). Conhalato et al. (1999), Costa et al. (1999) e Barboza et al. (2000). Por outro lado, Mendes et al. (1997) não observaram influência dos níveis crescentes de lisina sobre o ganho de peso dos frangos no período de 22 a 42 dias de idade, quando mantidos a 21,1ºC.

Embora o ganho de peso tenha aumentado de forma linear, foi constatado que, quando não se considerou a relação aminoacídica, o ganho de peso entre os dois maiores níveis de lisina (0,955 e 1,015%) reduziu em 1,3%, enquanto, ao se corrigir a relação entre a lisina e os demais aminoácidos essenciais, foi obtida melhor resposta com o maior nível de lisina avaliado, que correspondeu a 1,075 e 1,18% de lisina digestível e total, respectivamente. Estes resultados indicam que a redução de 1,3%, verificada no nível de 1,015% de lisina digestível, no ganho de peso das aves que receberam a ração convencional, pode ter ocorrido em razão da limitação de um segundo aminoácido essencial.

O consumo de ração dos frangos não foi influenciado (P>0,05) pelos níveis de lisina avaliados, independentemente de ter sido mantida ou não a relação entre a lisina e os demais aminoácidos essenciais, considerados mais críticos para as aves. Estes resultados são semelhantes àqueles obtidos por Scheuermann et al. (1993) e Mendes et al. (1997). Por outro lado, divergem dos relatos de Conhalato et al. (1998), que verificaram variação significativa no consumo de ração dos frangos recebendo rações com diferentes níveis de lisina, mantendo-se a relação aminoacídica. Da mesma forma, os estudos realizados por Han & Baker (1994), Conhalato et al. (1997), Knowles & Southern (1998), Conhalato et al. (1999) e Costa et al. (1999) demonstraram variação no consumo de ração dos frangos à medida que se elevou os níveis de lisina da ração.

Os consumos semelhantes entre os diferentes níveis de lisina digestível avaliados, quando se considerou a relação aminoacídica, justificam-se pelo fato de as rações terem sido isoenergéticas e por a relação entre a lisina e os demais aminoácidos considerados mais críticos para as aves (metionina + cistina, treonina, triptofano, valina, isoleucina e arginina) ter sido mantida.

A variação não-significativa do consumo de ração dos frangos que receberam as rações convencionais, sem manter a relação aminoacídica, evidenciou que o desequilíbrio de aminoácidos, ocasionado pelas alterações nos níveis de lisina avaliados, não foi suficiente para influenciar negativamente este parâmetro.

Verificou-se efeito linear crescente (P<0,01) dos diferentes níveis de lisina sobre o consumo de lisina digestível dos frangos de corte aos 42 dias de idade que receberam as rações em que se manteve ou não a relação aminoacídica, de acordo com as equações: = -2,61510 + 28,0710X (r2=0,99) e = -0,236546 + 28,4537X (r2=0,98), respectivamente, confirmando o resultado obtido por conhalato et al. (1999). Em contrapartida, Conhalato et al. (1998) não verificaram influência dos níveis de lisina da ração, mantendo-se a relação entre a lisina e os demais aminoácidos, sobre o consumo de lisina digestível dos frangos de corte dos 22 a 42 dias de idade.

Os níveis de lisina das diferentes rações influenciaram (P<0,01) de forma linear a conversão alimentar das aves, que reduziu de acordo com as equações: = 2,56884 - 0,697554x (r2=0,82), correspondente ao consumo estimado de 27,6 g de lisina digestível, quando se considerou a relação aminoacídica, e = 2,69142 – 0,696991x (r2=0,98), correspondente ao consumo estimado de 28,6 g de lisina digestível, quando se utilizou a ração convencional. Estes resultados corroboram aqueles obtidos por Moran Jr. & Bilgili (1990), Scheuermann et al. (1993), Han & Baker (1994), Knowles & Southern (1998), Conhalato et al. (1999), Costa et al. (1999) e Barboza et al. (2000), que também observaram variação na conversão alimentar, em função dos níveis de lisina da ração. Por outro lado, Mendes et al. (1997) não observaram melhoria na conversão alimentar dos frangos dos 22 aos 42 dias de idade em razão da variação nos níveis de lisina das rações.

Apesar da similaridade de resposta, constatou-se que, entre os três níveis de lisina comuns (0,895, 0,955 e 1,015% de lisina digestível) aos dois tipos de rações utilizadas, a conversão alimentar das aves que receberam a ração com correção da relação aminoacídica foi 4,9 a 9,1% melhor. Como conseqüência desta diferença na conversão alimentar, a eficiência de utilização de lisina para ganho entre os três níveis de lisina comuns foi de 5,0 a 7,9% maior para as aves que receberam a ração com a relação aminoacídica corrigida.

Os níveis de 1,075 e 1,015% de lisina digestível, correspondentes a 1,18 e 1,12% de lisina total, que proporcionaram os melhores valores de conversão alimentar das aves quando se considerou a relação entre lisina e demais aminoácidos essenciais e a ração convencional, respectivamente, estão acima daqueles de 0,85 e 0,815% de lisina digestível, recomendados por Han & Baker (1994) e Emmert & Baker (1997). No entanto, foram muito próximos ao nível de 1,045% de lisina digestível, preconizado por Rostagno et al. (2000).

Os valores de peso absoluto e de rendimento da carcaça, pesos absolutos e relativos de cortes nobres e gordura abdominal obtidos, para os frangos de corte aos 42 dias de idade, mantidos em condições de termoneutralidade, são apresentados na Tabela 6.

Com exceção do peso absoluto da carcaça, que aumentou (P<0,01) de forma linear (Tabela 7), o peso relativo da carcaça e pesos absolutos e relativos dos cortes nobres e da gordura abdominal não variaram (P>0,05) entre os tratamentos quando se utilizou a ração convencional. Em contrapartida, quando se utilizou ração com correção do balanço aminoacídico, os pesos absolutos e relativos de peito e coxa aumentaram linearmente (P<0,05), enquanto o peso absoluto de sobrecoxa variou de forma quadrática (P<0,05), diminuindo até o nível de 0,955% de lisina (Tabela 7). O peso relativo da sobrecoxa e os pesos absoluto e relativo de gordura abdominal não foram influenciados pelos tratamentos.

 

 

Os resultados de rendimento de carcaça obtidos estão coerentes com aqueles reportados por Conhalato et al. (1999), que também não encontraram variação no rendimento de carcaça dos frangos aos 42 dias recebendo rações com diferentes níveis de lisina, mantendo-se ou não o balanço aminoacídico, e confirmam o relato de Olomu & Offiong (1980) de que o rendimento de carcaça é pouco influenciado pelos níveis nutricionais da ração.

Apesar de os resultados dos cortes nobres terem aumentado de forma linear, os maiores valores absolutos de peito e de coxa obtidos com a ração mantendo-se a relação aminoacídica foram similares aos maiores valores alcançados com a ração convencional. No entanto, ao se considerar o peso relativo, os valores de peito e de coxa dos frangos que receberam a ração em que se manteve a relação aminoacídica foram numericamente maiores que os observados nas aves alimentadas com a ração convencional nos níveis de lisina correspondentes, o que evidencia que a eficiência de utilização de lisina para ganho em peito e coxa, calculada como a razão entre o peso de peito ou de coxa (g) por g de lisina consumida, foi maior quando se utilizou a ração em que se manteve a relação aminoacídica nos três níveis de lisina correspondentes (0,895; 0,955 e 1,015%).

Os ganho de peso e de peso absoluto de peito obtidos com a ração em que se considerou o balanço aminoacídico foram mais significativos que os alcançados com a ração convencional, não se observando variação no peso absoluto do peito, apesar do aumento linear no ganho de peso. De acordo com Sibbald & Wolynetz (1986), a exigência de aminoácidos essenciais para máximo rendimento de carne de peito está acima daquela considerada adequada para crescimento.

Embora não tenha ocorrido diferença significativa entre os níveis de lisina digestível das diferentes rações, foi constatado que, quando se utilizou a ração em que se considerou o balanço aminoacídico, o peso absoluto da gordura abdominal reduziu gradativamente em até 18,17% entre os tratamentos. Estes resultados estão coerentes com aqueles reportados por Han & Baker (1994), Mendes et al. (1997) e Costa et al. (1999), que também observaram redução no conteúdo de gordura abdominal em razão do aumento do nível de lisina da ração. Esta redução no conteúdo de gordura abdominal pode ter resultado da menor disponibilidade de energia excedente para armazenamento, em razão do aumento no gasto de energia para deposição de carne na carcaça, evidenciado pelo aumento dos pesos absolutos do peito e da coxa destas aves.

 

Conclusões

Frangos de corte machos Avian Farms, no período de 22 a 42 dias de idade, mantidos em ambiente de termoneutralidade, exigem, no mínimo, 1,015 e 1,075% de lisina digestível em ração convencional e em ração mantendo-se a relação aminoacídica, respectivamente, correspondente ao consumo estimado de 28 g de lisina digestível.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 17/08/04
Aceito em: 28/02/05

 

 

1 Parte da tese de doutorado da primeira autora – Projeto financiado pela FAPEMIG.

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