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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.34 no.6 Viçosa Nov./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982005000600034 

PRODUÇÃO ANIMAL

 

Produção de geléia real com abelhas africanizadas selecionadas e cárnicas híbridas

 

Royal jelly production by selected africanized honeybees and carniolan hybrids

 

 

Vagner de Alencar Arnaut de ToledoI; Gisele Fernanda MouroII

IProfessor Associado do Departamento de Zootecnia - UEM - Av. Colombo, 5790. CEP: 87020-900. Maringá-PR. E.mail: vagner_abelha@yahoo.co.uk
IIZootecnista, Doutora em Zootecnia - UEM Av. Colombo, 5790. E.mail: gfmouro@hotmail.com

 

 


RESUMO

O objetivo foi avaliar a produção de geléia real em colônias de abelhas Apis mellifera, em comparação às africanizadas selecionadas para a produção de geléia real, africanizadas selecionadas para mel com cárnicas híbridas. No experimento I, foram utilizadas 10 colônias de abelhas africanizadas após seleção, para produção de geléia real; as cinco melhores rainhas foram substituídas por suas filhas e, nas restantes, foram introduzidas rainhas cárnicas, para avaliação da produção após troca da população. No experimento II, foram utilizadas 15 colônias, cinco com rainhas africanizadas selecionadas para a produção de mel (AFML), cinco selecionadas para a produção de geléia real (AFGR) e cinco cárnicas híbridas (CAHB). No experimento I, as cárnicas híbridas apresentaram maior produção de geléia real/colônia/coleta (3,95 ± 2,92 g) que as africanizadas (2,23 ± 2,13 g). As cárnicas foram superiores quanto à porcentagem de aceitação de larvas (55,4 ± 36,7%) às africanizadas (35,8 ± 28,3%). Quanto à produção de geléia real/colônia/coleta (g), no experimento II, as abelhas AFML foram significativamente superiores (4,42 ± 2,67 g) às CAHB (3,30 ± 1,85 g) e às AFGR (3,71 ± 2,13 g), que não diferiram das anteriores. Ambas as africanizadas, AFML e AFGR, produziram mais geléia real por cúpula (254,2 ± 90,7 e 253,8 ± 206,8 g, respectivamente) que as CAHB (195,8 ± 80,9 g).

Palavras-chave: Apis mellifera, abelhas selecionadas, aumento de produção


ABSTRACT

This study was conducted to compare royal jelly production from colonies of Apis mellifera Africanized honeybees selected for yields of royal jelly or honey with that from Carniolan hybrids. In the first trial, 10 colonies of Africanized honeybees selected for royal jelly production were used; the top five queens were replaced with their offspring and in the remaining colonies were introduced Carniolan queens in order to evaluate production after switch of population. In the second trial, 15 colonies were used as follows: five with Africanized queens selected for honey yield (AFHO), five with Africanized queens selected for royal jelly yield (AFRJ), and five with Carniolan hybrids (CAHB). In trial one, Carniolan hybrids showed greater royal jelly production/colony/collection (3.95 ± 2.92 g) when compared to Africanized honeybees (2.23 ± 2.13 g). In addition, Carniolan hybrids had higher acceptance percentage of grafted larvae (55.4 ± 36.7) than the Africanized counterparts (35.8 ± 28.3). In trial two, yield of royal jelly/colony/collection was significantly higher on AFHO compared to AFRJ and CAHB that did not differ in production. Both Africanized honeybees (AFHO = 254.2 ± 90.7 g and AFRJ = 253.8 ± 206.8 g) produced more royal jelly per cup than CAHB that yielded 195.8 ± 80.9 g.

Key Words: Apis mellifera, selected honeybees, yield rise


 

 

Introdução

A geléia real, um produto das secreções das glândulas hipofaringeanas (de consistência aquosa) e mandibulares (de consistência leitosa), localizadas na cabeça das abelhas operárias (Haydak, 1970), é um dos mais valorizados produtos apícolas, sendo produzida por operárias de 5 a 12 dias de idade, denominadas nutrizes.

A geléia real, para as abelhas, tem três aplicações: alimentação das larvas das abelhas operárias de até 90 horas de vida larval; alimentação da rainha durante toda sua vida (Wang, 1965); e alimentação das larvas de zangões durante toda a sua fase larvária (Haydak, 1970).

Diversos fatores interferem na sua produção, incluindo-se fatores genéticos, condições internas da colméia, fluxo de alimento, postura da rainha e o meio ambiente externo (Nogueira-Couto, 1992, 1996; Azevedo-Benitez et al., 1998).

A quantidade de geléia real obtida por cúpula varia conforme o tempo que a cúpula é deixada dentro da colônia. Chang (1977) obteve maior quantidade de geléia real ao realizar a coleta 72 horas após a transferência de larvas, de 12 a 24 horas de idade larval, que após 48 horas. Baumgratz (1992), utilizando abelhas africanizadas para produção de geléia real, verificou que a coleta deve ser feita três dias após a transferência de larvas com 0 a 24 horas de idade, justificando que, com larvas mais velhas, o consumo de geléia real é maior em um mesmo período de tempo. Segundo Garcia (1992), para abelhas africanizadas, é recomendada a extração da geléia real em torno de 69 horas após a transferência, pois pode ser mais vantajosa para o apicultor em termos de quantidade e intervalo de tempo. Levy et al. (1993) recomendam a coleta da geléia real com 64 horas após a transferência das larvas.

Segundo Visscher (1986), a aceitação de larvas é maior que a de ovos e as abelhas preferem as cúpulas que estão no alto e na parte mais central do quadro. Corbella (1985) não encontrou diferença (P>0,05) entre cúpulas artificiais feitas de cera e de material plástico. O contato preliminar das cúpulas com as abelhas não tem qualquer efeito evidente no aumento da aceitação.

Cúpulas com diâmetro de 7 a 10 mm foram igualmente aceitas, enquanto as com 6, 11 e 12 mm foram rejeitadas (Chang, 1977). Silva et al. (1993) estudaram o efeito de diferentes diâmetros de cúpulas na aceitação de larvas transferidas e concluíram, entre os valores estudados (5, 7, 9, 11 e 13 mm), que o mais indicado para abelhas africanizadas é o de 9 mm, o que possibilitou uma aceitação média de 78,5%.

Santos & Message (1984) não encontraram diferença na quantidade de cúpulas aceitas nem na quantidade de geléia real por cúpula, ao compararem recrias montadas com dois ninhos de 10 quadros cada com mini-recrias, de dois núcleos com quatro quadros cada.

Camarena & Pecho (1984) verificaram que o período e o número de favos com cria operculada introduzidos na colônia órfã interferiam na produção de geléia real e obtiveram os melhores resultados quando foram introduzidos dois favos a cada sete dias.

Corbella (1981) observou correlação, para abelhas africanizadas, entre a porcentagem de aceitação de larvas e as condições climáticas, sendo a precipitação pluviométrica o fator que apresentou maior influência. Conforme Nogueira-Couto (1991), existe correlação positiva entre a porcentagem de aceitação de larvas e altas temperaturas e umidades, mas a quantidade de geléia real depositada por cúpula não se correlacionou com os dados climáticos no período estudado. Contudo, Garcia (1992) verificou que a quantidade de geléia real depositada por cúpula se correlacionou positivamente com a insolação e negativamente com a umidade relativa do ar. Segundo Azevedo (1996), a temperatura e a insolação tiveram efeitos negativos sobre a produção de geléia real, enquanto a umidade e a precipitação, efeitos positivos.

Quanto aos híbridos de Apis mellifera, segundo Durán (1991), o número de cúpulas aceitas pelas operárias não foi estatisticamente diferente (P>0,05) entre abelhas cárnicas, italianas e africanizadas. Garcia & Nogueira-Couto (1996) observaram que a produção média de geléia real por transferência e a porcentagem de aceitação de larvas transferidas tenderam a ser maiores em colônias com rainhas italianas fecundadas com zangões africanizados que naquelas com rainhas italianas puras e africanizadas. Porém, Toledo (1997) verificou que as cárnicas apresentaram maior aceitação de larvas e maior produção de geléia real que as abelhas africanizadas inseminadas com machos italianos e com africanizados e as italianas inseminadas com machos italianos e africanizados.

Pereira (1996) concluiu que as operárias filhas das rainhas e dos zangões das colônias mais produtoras de mel são mais efetivas na produção de geléia real que as descendentes das rainhas e dos zangões provenientes das colônias menos produtoras de mel.

Azevedo (1996), trabalhando com abelhas descendentes de colônias mais produtoras de geléia real, obteve maior aceitação de larvas transferidas e, com base nestes estudos, também verificaram maior deposição de geléia real por cúpula. Toledo (1997) recomendou selecionar as colônias de africanizadas mais produtoras de geléia real, em razão de sua grande variabilidade genética.

Objetivou-se avaliar comparativamente a produção de geléia real em colméias mini-recrias com abelhas Apis mellifera africanizadas selecionadas para a produção de mel, africanizadas selecionadas para a produção de geléia real e cárnicas híbridas filhas de rainhas fecundadas no ar e sua correlação com variáveis climáticas.

 

Material e Métodos

Este experimento foi realizado no Setor de Apicultura localizado na região Noroeste do estado, situada a 554,9 m de altitude, nas coordenadas geográficas 23º25' de latitude sul e 51º25' de longitude oeste, com clima subtropical úmido, temperatura média anual de 21,9ºC e precipitação média anual de 1.500 mm.

O método utilizado para a produção de geléia real foi o do sistema de mini-recrias, segundo Santos & Message (1984).

As colônias receberam suplementação de sacarose a 50% em cada transferência.

A cada duas semanas ou sempre que necessário, realizou-se um rodízio de favos nas mini-recrias, trocando dois com cria operculada da parte inferior para a parte superior por dois favos vazios, que passaram para a parte inferior (Santos & Message, 1984).

O quadro porta-cúpulas utilizado tinha espessura de 1,2 cm e possuía 28 cúpulas de acrílico, 14 no sarrafo superior e 14 no inferior.

No primeiro ano, as larvas destinadas às transferências foram retiradas de colônias, compostas de ninhos, com dez favos cada. No segundo ano, por falta de enxames disponíveis, as larvas para as transferências foram retiradas das próprias mini-recrias. Nos dois anos, todas as rainhas foram fecundadas no ar com machos existentes na região.

No experimento I, as colônias de africanizadas utilizadas foram coletadas na natureza em agosto de 1996 e submetidas à produção de geléia real. De setembro a novembro de 1996, foram avaliadas quanto à porcentagem de aceitação de larvas transferidas e a produção de geléia real/colônia/dia de coleta. Após esse período, e analisados estatisticamente os dados, as cinco rainhas de menor produção de geléia real das colônias de africanizadas foram substituídas por rainhas cárnicas e as cinco melhores das africanizadas permaneceram, totalizando dez colônias. Nesta segunda fase, o período experimental foi iniciado em janeiro de 1997 com a troca de toda a população, que ocorreu 60 dias após a introdução das rainhas, em novembro de 1996. Do experimento I, foram utilizados somente os dados médios de produção, para comparação com os dados do experimento II em uma análise conjunta.

O experimento II foi realizado no período de novembro/1997 a março/1998.

Foram utilizadas quinze colméias mini-recrias, cinco com rainhas cárnicas híbridas, filhas de rainhas que vieram da Alemanha, cinco africanizadas filhas da melhor produtora de geléia real do experimento I, conforme recomendado por Azevedo (1996) e cinco com africanizadas selecionadas para a produção de mel, como preconizado por Pereira (1996).

Foram avaliados, em cada mini-recria, a porcentagem de aceitação das larvas transferidas (%), a quantidade de geléia real produzida/colônia/coleta (g) e a quantidade de geléia real depositada por cúpula (mg).

A coleta de geléia real foi feita aproximadamente a cada 68 horas após as transferências das larvas com, em média, 24 horas de vida.

Foram obtidos também os dados climáticos de temperaturas máxima e mínima do dia (ºC), umidades relativas máxima e mínima do ar (%) e precipitação pluviométrica (mm).

Para a comparação entre os tratamentos, foram realizadas análises de variância e, para a comparação das médias, foi utilizado o teste Tukey. Os dados foram analisados utilizando-se um delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial. O fator de variação avaliado foi o grupo genético.

Efetuou-se a seleção das variáveis climáticas pelo procedimento de regressão "Step wise" (Draper & Smit, 1981). Neste procedimento, a ordem de inserção de uma variável no modelo foi determinada utilizando-se o coeficiente de correlação parcial das variáveis que ainda não estavam incluídas no modelo. Aquela que exibisse maior coeficiente de correlação parcial e significância de, no mínimo 5%, entraria no modelo. Uma variável permanecia no modelo se exibisse significância mínima de 5%.

Os dados de porcentagem de aceitação de larvas transferidas foram analisados transformando-os para arcoseno, em que a = 0,5 (Pimentel-Gomes, 1990). A produção de geléia real por colônia/coleta (g) e a quantidade de geléia real depositada por cúpula (mg) foram analisadas sem transformação dos dados.

 

Resultados e Discussão

Os resultados obtidos para a produção de geléia real encontram-se na Tabela 1. Não houve diferença significativa (P>0,05) entre os tratamentos para a porcentagem de aceitação de larvas transferidas. Quanto à quantidade de geléia real depositada em cada cúpula, as abelhas africanizadas selecionadas para a produção de mel (AFML) foram significativamente superiores (P=0,0182) às cárnicas híbridas (CAHB), as africanizadas selecionadas para a produção de geléia real (AFGR), que não diferiram (P>0,05) das demais, com médias de 254, 195 e 253 mg, respectivamente. Ambas as africanizadas foram melhores quanto à produção de geléia real, provavelmente pelo fato de as africanizadas (AFML e AFGR) apresentarem quantidade maior de geléia real depositada por cúpula em relação às cárnicas, pois não houve diferença na porcentagem de aceitação de larvas transferidas entre os três tratamentos, como demonstra a Tabela 1.

Este mesmo fato não foi observado por Toledo (1997), que não encontrou diferença significativa na quantidade de geléia real depositada por cúpula, entre colônias com rainhas africanizadas fecundadas com machos africanizados ou com machos italianos e cárnicas inseminadas no ar, com médias 234, 205 e 243 mg, respectivamente. Queiroz et al. (2001) verificaram que a maior produção de geléia real no nordeste do Brasil foi obtida de 54 a 59 horas após a transferência, mas, neste estudo, a deposição de geléia real por cúpula foi de 254 e 253 mg, para africanizadas selecionadas para produção de mel e para as selecionadas para produção de geléia real, respectivamente, após 66-70 horas da transferência corroboram os obtidos por Durán (1991), que também não encontrou diferença significativa (P>0,05) na porcentagem de aceitação de larvas entre as híbridas de cárnicas, africanizadas e italianas.

Os dados confirmam os relatos de Pereira (1996), que observou que as colônias descendentes das melhores produtoras de mel são mais efetivas na produção de geléia real que as descendentes das menos produtoras de mel e os de Azevedo (1996) e Toledo (1997), que verificaram efeito genético na produção de geléia real e concluíram que colônias descendentes de outras melhores produtoras de geléia real apresentam também maior número de larvas aceitas e também maior quantidade de geléia real depositada por cúpula. Este fato foi comprovado neste experimento. Portanto, recomenda-se a seleção das colônias mais produtoras de geléia real.

As médias de produção de geléia real, quando comparados os dois anos de produção, encontram-se na Tabela 2.

As abelhas apresentaram maior porcentagem, 58,77% a mais (P=0,0001), de aceitação de larvas no experimento II (55,68 ± 28,30%) que no experimento I (35,07 ± 27,04%). A produção de geléia real/colônia/coleta também foi significativamente maior, 55,21% (P=0,0001), no experimento II (3,4613 ± 2,2586 g) em relação ao experimento I (2,2301 ± 2,1323 g). Quanto à quantidade de geléia real depositada por cúpula, não houve diferença significativa (P>0,05) entre os períodos, com média geral de 211,32 mg.

Quando uma colônia é submetida à produção, muitos aspectos devem ser considerados. Por exemplo, aumentos de 21 a 25% na produção de mel podem ser obtidos com a simples substituição de rainhas velhas por novas, além das técnicas de manejo na produção de geléia real (Vantooor & Littlejohn, 1994).

A utilização de abelhas africanizadas selecionadas para obtenção de um grande aumento da produtividade apícola é relatada por Ferreira (1998), que ainda menciona que, graças às abelhas africanizadas, os apicultores conseguiram vencer muitas dificuldades na produção, como modificações climáticas, escassez de flora apícola, varroa e doenças.

A relação entre alguns parâmetros de produção de geléia real com as variáveis climáticas e suas correlações está demonstrada na Tabela 3.

Observou-se que, para as abelhas africanizadas, a precipitação pluviométrica teve efeito positivo (P = 0,0001) sobre todos os parâmetros analisados. Para as abelhas cárnicas, a temperatura externa máxima interferiu positivamente (P = 0,0001) na quantidade de geléia real produzida por colônia em cada coleta e na quantidade de geléia real depositada por cúpula. Entretanto, contrariando estes resultados, Durán (1991) não encontrou efeito significativo da temperatura sobre a aceitação de larvas transferidas, para as abelhas africanizadas e italianas, ao passo que, para as abelhas cárnicas, temperaturas altas influenciaram negativamente esta aceitação.

Para Apis mellifera, a média da porcentagem de aceitação de larvas transferidas e a quantidade de geléia real depositada por cúpula (mg) sofreram influência (P = 0,0001) positiva da umidade relativa do ar e negativa da precipitação pluviométrica. A quantidade de geléia real produzida/colônia/coleta correlacionou-se (P = 0,0001) positivamente com a temperatura externa máxima e negativamente com a precipitação pluviométrica (Tabela 3).

Nota-se, também, que a precipitação pluviométrica (mm) interferiu negativamente em todos os parâmetros observados, de forma que, quanto maior a precipitação (em mm), menor foi a produção de geléia real. O fator que faz com que a precipitação pluviométrica diminua a produção de geléia é difícil de ser abordado; a chuva diminui a atividade forrageira das operárias fazendo com que o fluxo de alimento seja quase nulo, embora não tenha sido o caso, pois as colônias foram suplementadas com dietas artificiais energéticas durante todo o período experimental. Os dados confirmam as informações de Corbela (1981) de que a precipitação pluviométrica seria um dos fatores climáticos que mais atua na aceitação das larvas.

Azevedo (1996) verificou que as condições climáticas, como temperatura, umidade, precipitação e insolação, afetaram significativamente as áreas de cria e alimento e, conseqüentemente, a produção de geléia real, de modo que a precipitação pluviométrica teria um efeito positivo sobre a produção de geléia real, o que contraria os resultados deste experimento.

Notou-se também que as temperaturas externas máximas e a umidade relativa influenciaram positivamente na produção de geléia real. Os dados concordam com Nogueira-Couto (1991), que conclui que as temperaturas e umidades altas contribuem positivamente na aceitação das larvas transferidas em colônias de abelhas africanizadas. Azevedo (1996) observou que a temperatura externa máxima teve efeito negativo na produção de geléia real e a umidade relativa do ar efeitos positivos em abelhas Apis mellifera.

Constam na Tabela 4 os parâmetros referentes à produção de geléia real e suas correlações com algumas variáveis ambientais, para Apis mellifera africanizadas e cárnicas.

Diversos autores concordam que as variáveis climáticas têm efeito significativo sobre a produção de geléia real (Corbella, 1985; Durán, 1991; Nogueira-Couto, 1991; Garcia, 1992; Azevedo, 1996; Toledo, 1997). Deve-se considerar que as variáveis ambientais atuam como um conjunto intimamente relacionado, difícil de individualizar os efeitos particulares e que qualquer conclusão terá um valor local e temporário, segundo Corbella (1981). Pereira (1996) concluiu que as condições climáticas interferem na produção de geléia real e que a combinação dos fatores determinariam as condições ideais para esta produção.

Provavelmente, o efeito das condições climáticas seja mais acentuado nas condições internas da colméia e, indiretamente, na produção de geléia real (Azevedo, 1996).

 

Conclusões

As africanizadas, quando selecionadas, tanto para a produção de geléia real como para a produção de mel, mostraram-se mais efetivas na produção de geléia real que as cárnicas.

Recomenda-se a seleção das colônias mais produtivas quanto à geléia real, em razão da variabilidade genética dos enxames naturais de abelhas africanizadas no Brasil, como medida eficiente para elevar a produção, por apresentarem resultados significativos e serem aplicáveis à realidade do campo.

Entre as variáveis ambientais estudadas, no período em que foi realizado o experimento, a temperatura externa máxima e a umidade relativa do ar interferiram positivamente, ou seja, aumentaram a produção de geléia real, enquanto a precipitação pluviométrica influenciou negativamente.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 16/02/04
Aceito em: 14/06/05

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