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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.36 no.4 Viçosa July/Aug. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982007000400010 

MONOGÁSTRICOS

 

Redução da proteína bruta e suplementação de aminoácidos para suínos machos castrados dos 30 aos 60 kg mantidos em ambiente de alta temperatura1

 

Reduction of dietary crude protein levels and amino acid supplementation for 30 to 60 kg barrows maintained in a high environmental temperature

 

 

Rony Antonio FerreiraI; Rita Flávia Miranda de OliveiraII; Juarez Lopes DonzeleII; Edilson Paes SaraivaIII; Francisco Carlos de Oliveira SilvaIV; Uislei Antonio Dias OrlandoIII; Roberta Gomes Marçal Vieira VazIV

IUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB, Itapetinga-BA
IIUniversidade Federal de Viçosa - UFV, Viçosa-MG. Bolsista do CNPq
IIIDoutor em Zootecnia - UFV, Viçosa-MG
IVEPAMIG, Viçosa, MG

 

 


RESUMO

Um experimento foi conduzido para avaliar a influência da redução da PB com a suplementação de aminoácidos na dieta sobre o desempenho de suínos machos castrados mantidos em ambiente de alta temperatura. Foram utilizados 60 leitões mestiços (Landrace x Large White) com peso inicial médio de 29,8 kg, em delineamento inteiramente ao acaso, com cinco tratamentos (17, 16, 15, 14 e 13% PB), seis repetições e dois animais por unidade experimental. As dietas experimentais e a água foram fornecidas à vontade até o final do experimento, quando os animais atingiram o peso médio de 59,9 kg. A temperatura média no interior da sala foi mantida em 32,2ºC, a umidade relativa em 74,4% e o Índice de Temperatura de Globo e Umidade em 82,8. A redução do nível de PB da dieta influenciou o ganho de peso (GP) dos animais, de modo que aqueles alimentados com a dieta com 14% de PB apresentaram redução significativa no GP. O consumo também foi influenciado pelos níveis de PB da dieta, pois foi menor nos animais alimentados com a dieta com 14% de PB em comparação àqueles alimentados com dieta com 16 e 13% de PB. A conversão alimentar não foi influenciada pelos níveis de PB da dieta. Observou-se efeito dos tratamentos sobre as deposições de proteína (DP) e gordura (DG); os animais alimentados com a dieta com 14% de PB apresentaram os menores valores de DG e de DP na carcaça. Os animais que receberam o nível mais elevado de PB apresentaram maiores pesos, absoluto e relativo, dos rins. O nível de PB de dietas para suínos machos dos 30 aos 60 kg em ambiente de alta temperatura pode ser reduzido de 17 para 13%, pois, até esse nível, a redução não influencia negativamente o desempenho e a DP na carcaça, desde que as dietas sejam devidamente suplementadas com aminoácidos essenciais limitantes.

Palavras-chave: aminoácidos, calor, nutrição, suínos


ABSTRACT

This experiment was carried out to evaluate the influence of the reduction of dietary CP levels and amino acid supplementation on performance of barrows maintained in a high environmental temperature. A total of sixty crossbreed (Landrace x Large White) piglets (average body weight = 29.8 kg) was allotted in a completely randomized experimental design with five treatments (17, 16, 15, 14 and 13% CP), six replications and two animals per experimental unit. Diets and water were suplied ad libitum until the end of the experimental period, when the animals reached the average weight of 59.9 kg. The average temperature in the room was maintained at 32.2ºC and the relative humidity at 74.4%, corresponding to a Black Globe-Humidity Index of 82.8. The reduction of dietary CP level affected weight gain (WG). The animals fed 14% CP diet showed significant WG reduction. Feed intake (FI) also was affected by CP level, and the animals fed 14% CP diet showed smaller FI values than those fed 16 and 13% CP diets. Feed:gain ratio was not affected by treatments. The animals fed the diet with 14% CP showed the smallest values of protein and fat deposition rates in the carcass. The animals fed the diet with 17% CP showed higher kidneys weights. It was concluded that dietary CP level for barrows from 30 to 60 kg body weight, maintained in a high environmental temperature, can be reduced from 17 to 13% with no effect on performance and protein deposition rate in carcass since diets are supplemented with essential amino acids.

Key Words: amino acids, high environmental temperature, nutrition, swine


 

 

Introdução

Os suínos em crescimento-terminação são particularmente suscetíveis à alta temperatura, em razão de sua baixa temperatura crítica evaporativa (Black et al., 1999). Quando expostos à alta temperatura ambiental, a capacidade desses animais em dissipar calor para o ambiente é limitada, o que torna a redução da ingestão de alimentos um dos mecanismos para diminuir a quantidade de calor a ser dissipado (Ferguson & Gous, 1997; Quiniou et al., 2000b).

Estudos têm evidenciado que a digestão de proteína aumenta a produção de calor do animal (Le Bellego et al., 2001) e que a redução do incremento calórico tem resultado em melhora no desempenho de suínos expostos a alta temperatura (Stahly et al., 1979; Sathly & Cromwell, 1979).

Considerando que dietas com menor teor de proteína têm baixo incremento calórico, sua utilização em ambiente de alta temperatura poderia, então, amenizar as conseqüências do estresse por calor na ingestão voluntária de alimentos pelos suínos (Quiniou et al., 2000a).

Diversos pesquisadores (Lopez et al., 1994; Tuitoek et al., 1997; Liu et al., 1999) constataram que a redução de 2 a 3% no teor de PB em dietas com inclusão de aminoácidos industriais não reduz o desempenho de suínos em crescimento e terminação. Entretanto, quando a concentração de proteína é reduzida por mais de três unidades percentuais, a eficiência alimentar e o ganho de peso dos animais são reduzidos (Tuitoek et al., 1997; Liu et al., 1999).

De acordo com Leibach & Ganapathy (1996), a absorção de aminoácidos pelas células da mucosa intestinal ocorre principalmente na forma de di e tri peptídios. Assim, a reduzida quantidade de aminoácidos ligados à proteína em dietas contendo baixo teor protéico poderia contribuir para piorar o desempenho dos animais (Otto et al., 2003).

Em estudo para avaliar os efeitos da redução de proteína em dietas para suínos mantidos em ambiente de alta temperatura, Stahly et al. (1991) verificaram que, nos animais alimentados com dietas com alto teor de PB (19,8%), o ganho de peso foi menor que naqueles alimentados com dietas com baixo teor de PB (16%) suplementadas com L-lisina-HCl.

No entanto, Myer et al. (1998), em estudo posterior com suínos na fase dos 29 aos 112 kg, relataram que o aumento da densidade da dieta via suplementação de aminoácidos piorou o desempenho dos animais no verão (21 a 32ºC).

Há evidências de que o nível de proteína de dietas para suínos pode ser significativamente reduzido pela suplementação com aminoácidos sintéticos, contudo, não há consenso quanto ao nível dessa redução. Este estudo foi realizado para avaliar os efeitos da redução do nível de PB da dieta e suplementação de aminoácidos industriais (para manter a relação aminoacídica das dietas) sobre o desempenho de suínos machos castrados de 30 a 60 kg mantidos em ambiente de alta temperatura (32ºC).

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura do Departamento de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa, MG.

Foram utilizados 60 leitões mestiços (Landrace x Large White), machos castrados, em fase inicial de crescimento, com 80,9 ± 1,41 dias de idade, peso inicial de 29,8 ± 0,49 e final de 59,9 ± 4,72 kg, distribuídos em delineamento experimental inteiramente casualizado, com cinco tratamentos (17, 16, 15, 14 e 13% de PB na dieta), seis repetições e dois animais por unidade experimental, mantidos em ambiente de alta temperatura (32ºC).

Os animais foram alojados em gaiolas metálicas suspensas, com piso ripado e laterais teladas, providas de comedouro semi-automático e bebedouro tipo chupeta, mantidas em sala de alvenaria com piso de creche, janelões de vidro tipo basculante, teto com forro de madeira e telhas de barro tipo francesas.

A temperatura interna da sala foi mantida por meio de um conjunto de seis campânulas elétricas, distribuídas em dois corredores da sala, a aproximadamente 40 cm do piso, ligadas a um termostato regulado para 32ºC, e por dois exaustores, localizados nas paredes laterais da sala.

As condições internas da sala foram monitoradas diariamente, três vezes ao dia, utilizando-se termômetros de bulbo seco e de bulbo úmido, termômetros de máxima e de mínima e termômetro de globo negro, mantidos em uma gaiola vazia no centro da sala, à meia-altura do corpo do animal. As leituras dos termômetros foram convertidas em um único valor (Índice de Temperatura de Globo e Umidade - ITGU), segundo Buffington et al. (1981), para caracterizar o ambiente térmico no qual os animais foram mantidos.

As dietas experimentais (Tabela 1) foram isolisínicas digestíveis; os demais aminoácidos foram suplementados à medida que ficavam abaixo da relação aminoacídica na proteína ideal, preconizada por Chung & Baker (1992). Os níveis de PB na dieta foram obtidos por meio da variação proporcional na quantidade de milho e farelo de soja. As dietas foram devidamente suplementadas com minerais e vitaminas e o nível de energia foi corrigido pela variação na quantidade de amido, tornando-as isoenergéticas.

Para determinação dos aminoácidos digestíveis dos ingredientes utilizados na formulação, foram aplicados os respectivos coeficientes de digestibilidade propostos pelas tabelas Rhodimet... (1993). As dietas experimentais e a água foram fornecidas aos animais à vontade. Durante o período experimental, as sobras de alimento e os animais foram pesados semanalmente para avaliação do ganho de peso, determinação do consumo e posterior cálculo da conversão alimentar.

Ao término do período experimental, os animais foram mantidos em jejum alimentar de 24 horas e um animal de cada unidade experimental foi abatido por dessensibilização e sangramento. Após o abate, procedeu-se à toalete e à evisceração para retirada dos órgãos. O fígado, os rins, o estômago e o intestino foram pendurados à sombra para escorrimento do sangue durante 20 minutos e pesados em seguida.

Um grupo adicional de cinco leitões (30,1 ± 0,52 kg) foi abatido, segundo o procedimento descrito anteriormente, para determinação da composição da carcaça no início do experimento e posterior determinação das taxas de deposição de proteína e gordura, conforme técnica descrita por Donzele et al. (1992).

As carcaças inteiras evisceradas e sem sangue, incluindo cabeça e pés, foram pesadas e trituradas em cutter comercial de 30 HP e 1.775 rpm, por 15 minutos. Após a homogeneização, retiraram-se amostras, que foram armazenadas em congelador a -12ºC. Ao preparar as amostras para análises laboratoriais, em razão da alta concentração de gordura no material, procedeu-se à pré-secagem em estufa com ventilação forçada a 60ºC, por 72 horas. Em seguida, foram realizados o pré-desengorduramento, pelo método a quente, em aparelho extrator do tipo "Soxhlet", por 4 horas, e a posterior moagem do material. As amostras pré-secas e pré-desengorduradas foram moídas e acondicionadas em vidros para posteriores análises laboratoriais. Para correção dos valores das análises subseqüentes, foram consideradas a água e a gordura retiradas no preparo das amostras.

As análises dos teores de MS, PB e gordura das amostras foram realizadas segundo o método descrito por Silva (1990), no Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da UFV.

As análises estatísticas das características de desempenho (ganho de peso, consumo e conversão alimentar), das taxas de deposição de proteína e gordura na carcaça e dos pesos dos órgãos foram realizadas utilizando-se os procedimentos do GLM do SAS versão 6.12 (1996), efetuando-se a soma de quadrados dos tratamentos decomposta em contrastes ortogonais.

A avaliação da possibilidade de redução da PB da dieta via suplementação de aminoácidos foi feita com base nos resultados de ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar, consumos de lisina e energia digestíveis, consumo de nitrogênio, eficiência de utilização de nitrogênio para ganho e taxas de deposição de proteína e gordura na carcaça.

 

Resultados e Discussão

A temperatura interna da sala manteve-se, durante o período experimental, em 32,2 ± 0,60ºC; a umidade relativa, em 74,4 ± 6,21%; e a temperatura de globo negro, em 32,4 ± 0,63ºC. O Índice de Temperatura de Globo e Umidade (ITGU) calculado no período foi de 82,8±1,05. A temperatura de 32,2ºC verificada neste estudo pode ser caracterizada como de estresse por calor para suínos com peso entre 30 e 60 kg, por estar acima da temperatura crítica máxima (27ºC) para esta categoria animal, conforme estabelecido por Esmay (1982) e Nääs et al. (1995;1998), citados por Silva (1999).

Os resultados de desempenho (ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar), consumos de lisina e energia (ED) digestíveis, consumo de N, eficiência de utilização de N para ganho (EUNG), relação lisina:proteína bruta e taxas de deposição de proteína (TDP) e de gordura (TDG) na carcaça dos suínos são apresentados na Tabela 2.

A redução do nível de PB da dieta influenciou (P<0,01) o ganho de peso (GP) dos animais, pois aqueles alimentados com a dieta com 14% de PB apresentaram redução significativa de 16,6 e 19,8% no GP em relação aos alimentados com as dietas com 17 e 16% de PB, respectivamente. No entanto, o GP dos animais alimentados com as dietas com 15 e 13% de PB foi intermediário e não diferiu do obtido pelos animais alimentados com as demais dietas.

Os resultados obtidos neste estudo, à exceção do encontrado no nível de 14% de PB, estão de acordo com os descritos por Schoenherr (1992), que, em estudo com suínos em crescimento e terminação mantidos em ambientes de alta temperatura, não verificou influência do nível de PB, quando mantidos os níveis de aminoácidos, sobre o ganho de peso dos animais. Posteriormente, Cromwell et al. (1996) também não constataram variação significativa no ganho de peso de suínos de 22 a 50 kg, ao reduzirem o nível de proteína de 16 para 12% mantendo o nível de aminoácidos essenciais. Entretanto, Kendall et al. (1998), em experimento com suínos de 30 kg, verificaram que os animais alimentados com dieta com 12,2% de PB suplementada com aminoácidos apresentaram menor GP em comparação aos alimentados com dieta contendo 16,7% de PB.

O consumo diário de ração (CDR) também foi influenciado (P<0,01) pelas dietas e foi menor nos animais alimentados com a dieta com 14% de PB. A variação significativa no CDR dos animais deste estudo não está coerente com os resultados obtidos por Lopez et al. (1994), que, em experimento com leitoas em fase de terminação mantidas em ambiente de alta temperatura, relataram não haver efeito da inclusão de aminoácidos sintéticos em dietas formuladas com base na proteína bruta ou ideal sobre o consumo diário de alimento. A diminuição do consumo no nível de 14% de PB neste estudo não é biologicamente explicada.

Apesar da influência da redução da PB sobre o ganho de peso e o consumo, a conversão alimentar (CA) não foi afetada (P>0,10) pelas dietas, evidenciando que a variação no ganho de peso dos animais acompanhou a variação no consumo de alimento.

Esses resultados estão de acordo com os encontrados por Schoenherr (1992) e Lopez et al. (1994), que não verificaram influência da utilização de aminoácidos sintéticos ou proteína bruta sobre a eficiência alimentar de suínos em crescimento e terminação mantidos em ambiente de calor. Em contrapartida, diferem dos resultados obtidos por Smith et al. (1997) e Kendall et al. (1998), que observaram piora na CA de suínos em crescimento mantidos em termoneutralidade quando reduziram em 4,0 e 4,5% o nível de PB de dietas contendo 17,64 e 16,6% de PB, respectivamente.

Os consumos de lisina e de energia digestível foram influenciados (P<0,01) pela redução do nível de PB da dieta. Os animais alimentados com as dietas com 16 e 13% de PB apresentaram maiores consumos de lisina e energia digestível em comparação aos alimentados com a dieta com 14% de PB. A variação no consumo de alimento justifica esses resultados, visto que os níveis de lisina e energia digestível não variaram entre as dietas.

O consumo de N diminuiu (P<0,01) com a redução do nível de PB das dietas. Os animais alimentados com as dietas com 17 e 16% de PB apresentaram maior consumo de N em comparação àqueles alimentados com as demais dietas. No entanto, a eficiência de utilização de N para ganho (EUNG) foi influenciada (P<0,01), apresentando relação inversa com o nível de PB da dieta. Os animais alimentados com a dieta com 13% de PB apresentaram EUNG superior à daqueles alimentados com as dietas com 17 e 16% de PB.

Os níveis de PB das dietas (P<0,01) influenciaram as deposições de proteína e de gordura. Os animais que receberam a dieta com 14% de PB apresentaram os menores valores de deposição de proteína e de gordura na carcaça. O comprometimento das deposições de proteína e de gordura na carcaça desses animais está diretamente relacionado aos menores consumos de lisina e de energia digestível.

Os resultados de deposição de proteína, à exceção dos obtidos nos animais alimentados com a dieta com 14% de PB, corroboram os observados por Schoenherr & Schmidt (1991) e Tuitoek et al. (1993) em estudo com suínos em crescimento e terminação mantidos em ambiente quente. No entanto, os resultados de deposição de gordura na carcaça diferem dos obtidos por Kerr et al. (1995), que, ao avaliarem a redução da PB e a suplementação de aminoácidos em dietas para suínos em crescimento, observaram maior deposição de gordura nos animais alimentados com a dieta com menor nível de PB. De acordo com esses autores, o incremento na quantidade de gordura na carcaça pode ser atribuído ao aumento de retenção de energia nos animais alimentados com a dieta contendo baixo nível de PB suplementada com aminoácidos. Resultados mais recentes obtidos por Le Bellego et al. (2001), que, em suínos em crescimento, confirmaram que a retenção de energia, principalmente como gordura, aumenta com a redução do nível de proteína da dieta.

Os resultados de deposição de proteína obtidos neste estudo indicam que a retenção de nitrogênio não foi comprometida pela redução do nível de proteína das dietas. Resultados obtidos por Gatel & Grosjean (1992) e relatos de Howie (1999) confirmam a hipótese de que a retenção de nitrogênio nos suínos não é influenciada pela redução do nível de proteína da dieta para até 4% desde que a dieta seja suplementada com os correspondentes aminoácidos essenciais limitantes.

Os pesos absoluto e relativo dos diferentes órgãos avaliados (fígado, rins, estômago e intestino) são apresentados na Tabela 3. À exceção dos pesos absoluto e relativo dos rins, que foram maiores (P<0,01) nos animais alimentados com a dieta com o nível mais elevado de PB (17%), os pesos dos demais órgãos não variaram significativamente.

Maior peso dos rins de suínos no maior nível de proteína da dieta também foi encontrado por Kerr et al. (1995). De acordo com esses autores, o maior peso de rins pode ser conseqüência da necessidade de deaminação do excesso de aminoácidos decorrente com o nível de PB mais elevado.

 

Conclusões

O nível de PB de dieta para suínos machos castrados dos 30 aos 60 kg mantidos em ambiente de alta temperatura pode ser reduzido de 17 para 13%, pois esta redução não influencia negativamente o desempenho e a taxa de deposição de proteína na carcaça, desde que as dietas sejam devidamente suplementadas com os aminoácidos essenciais limitantes.

A redução do nível de proteína da dieta melhorou a eficiência de utilização de nitrogênio para ganho de peso dos animais.

 

Literatura Citada

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Recebido: 25/01/06
Aprovado: 27/12/06

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: rony@uesb.br
1 Projeto financiado pela FAPEMIG.