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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.36 no.6 Viçosa Nov./Dec. 2007

https://doi.org/10.1590/S1516-35982007000800012 

MONOGÁSTRICOS

 

Efeito dos níveis de lisina digestível e da ractopamina sobre o desempenho e as características de carcaça de suínos machos castrados em terminação

 

Effect of digestible lysine levels and of ractopamine on the performance and carcass characteristics of finishing barrows

 

 

Paula Cambraia MarinhoI; Dalton de Oliveira FontesII; Francisco Carlos de Oliveira SilvaIII; Martinho de Almeida e SilvaII; Francisco Alves PereiraIV; Cláudio Luiz Corrêa AroucaIV

IMestre em Zootecnia - Escola de Veterinária da UFMG
IIDepartamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG
IIIEPAMIG/CTZM, Viçosa - MG, CEP: 36571-000
IVPós-Graduação - Escola de Veterinária da UFMG

 

 


RESUMO

Foi conduzido um experimento com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes níveis de lisina digestível em rações suplementadas ou não com ractopamina (RAC) sobre o desempenho e as características de carcaça de suínos machos castrados em terminação. Quarenta suínos, híbridos comerciais, foram distribuídos em delineamento experimental de blocos ao acaso, em arranjo fatorial 2 x 2 – dois níveis de lisina digestível (0,67 e 0,87%), com ajuste para os demais aminoácidos para a relação de proteína ideal, e dois níveis de RAC (0 e 5,0 ppm) – em um período de 28 dias. A suplementação com RAC resultou em maiores ganho de peso diário e taxa de deposição de carne magra diária e melhor conversão alimentar. Os níveis de lisina não influíram no desempenho dos animais, porém reduziram a espessura de toucinho nos pontos P1 e P2 e aumentaram a taxa de deposição de carne magra diária na carcaça de suínos alimentados com dietas contendo 0,87% de lisina digestível quando avaliadas in vivo. Concluiu-se que as características de desempenho e de carcaça dos suínos alimentados com ração suplementada com RAC na fase de terminação melhoraram, porém, o efeito da RAC sobre a profundidade de lombo foi maior no nível de 0,87% de lisina digestível.

Palavras-chave: aditivos, alimentação, aminoácidos, carne magra, exigência nutricional, nutrição


ABSTRACT

An experiment was carried out with the objective of evaluating the effect of different lysine levels in diets supplemented or not with ractopamine (RAC) on the performance and carcass characteristics of finishing barrows. Forty commercial hybrid swines were distributed to a randomized experimental block design, in a 2 x 2 factorial arrangement, with two digestible lysine levels (0.67 and 0.87%), with adjustment for the others amino acids to achieve an ideal protein relationship, and two levels of RAC (0 and 5.0 ppm) in a period of 28 days. Supplementation with RAC resulted in a higher daily weight gain and of daily lean meat deposition rate, and better feed conversion. The lysine levels did not affect the performance of the animals, however there was a reduction of backfat thickness on P1 and P2 points and increased the daily lean meat deposition rate on the carcass of swine fed with diets containing 0.87% of digestible lysine when in vivo evaluated. In conclusion, performance and carcass characteristics of swine fed with diets supplemented with RAC in the finishing phase improved; however the effect of RAC on the loin depth was higher for the higher level of 0.87% of digestible lysine.

Key Words: addictive, amino acids, feeding, lean meat, nutrition, nutritional requirement


 

 

Introdução

Para suprir o mercado e incrementar o ganho em carne magra, alternativas nutricionais têm sido avaliadas com a finalidade de diminuir a deposição de gordura e aumentar a deposição de músculo na carcaça de suínos, elevando-se a eficiência produtiva dos animais. O uso de aditivos, principalmente os repartidores de nutrientes, é uma das alternativas.

A ractopamina (RAC), por proporcionar melhorias significativas no desempenho e nas características de carcaça dos suínos, tem sido bastante recomendada em rações formuladas em granjas comerciais para suínos em crescimento e terminação.

A RAC tem sido incluída em dietas com 16% de PB para suínos com peso corporal entre 41 e 109 kg (Apple et al., 2004). Entretanto, dietas formuladas para suínos em terminação podem ser suplementadas com aminoácidos sintéticos, visando atender à relação ideal de aminoácidos. Segundo Schinckel et al. (2003), a porcentagem de lisina na proteína depositada por suínos consumindo ração suplementada com RAC aumenta de 6,80 para 7,15%. Portanto, a concentração de aminoácidos proposta com base na proteína ideal pode não ser suficiente para atender às exigências de suínos consumindo ração contendo RAC (Webster et al., 2002; Schinckel et al., 2003).

Entre os aminoácidos essenciais, a lisina é considerada o primeiro aminoácido limitante para suínos e seu nível de inclusão deve ser aumentado nas dietas que contenham RAC. Além disso, os ajustes dos demais aminoácidos em relação à lisina devem ser observados durante a formulação destas dietas (Yen et al., 1990).

Objetivou-se com esta pesquisa avaliar os efeitos dos níveis de lisina digestível (0,67 e 0,87%), com o ajuste dos demais aminoácidos para relação ideal, associados a dois níveis de ractopamina (0 e 5 ppm), sobre o desempenho, a composição corporal e as características de carcaça de suínos machos castrados em terminação.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura da Fazenda Experimental Vale do Piranga (EPAMIG), localizada no município de Oratórios, Minas Gerais. Os animais foram alojados em galpão de alvenaria com piso de concreto, coberto com telhas de amianto. As baias continham comedouros semi-automáticos, bebedouros tipo chupeta e dispunham de área de 1,87 m2/animal. Foram utilizados termômetros, de máxima e mínima, colocados no interior do galpão para registro diário da temperatura durante todo o período experimental. As temperaturas mínimas e máximas do período experimental foram, respectivamente, 19 ± 2ºC e 28 ± 2,8ºC.

Quarenta suínos machos castrados, híbridos comerciais originados de linhagens selecionadas geneticamente para deposição de carne magra, com peso inicial de 85,17 ± 0,28 kg, foram distribuídos em delineamento experimental de blocos ao acaso em arranjo fatorial 2 x 2 – dois níveis de lisina digestível (0,67 e 0,87%), com ajuste para demais aminoácidos para a relação ideal, e dois níveis de RAC (0,0 e 5,0 ppm) – , cinco repetições e dois animais por unidade experimental. Na distribuição dos animais, adotou-se como critério o peso inicial dos animais, cuja identificação foi individual, por meio de brincos.

As dietas experimentais (Tabela 1), à base de milho e farelo de soja, suplementadas com vitaminas, minerais e aminoácidos, foram formuladas segundo exigências mínimas descritas por Rostagno et al. (2000) para conterem 0,87% de lisina digestível. O nível de 0,87% de lisina digestível foi estabelecido porque os animais tratados com RAC devem consumir 30% a mais de lisina para atingirem resultados significativos de desempenho e qualidade de carcaça (Mitchell et al., 1991; Xiao et al., 1999).

 

 

Nas dietas formuladas com base no conceito de proteína ideal (0,87% de LD), foram utilizadas as relações de 62, 57 e 18%, respectivamente, para treonina, metionina + cistina e triptofano com lisina (PIC, 1999). Às dietas formuladas foi adicionada ou não a RAC (0 e 5 ppm).

Durante todo o período experimental, as rações e a água foram pesadas periodicamente, ao passo que os animais foram pesados, individualmente, no início, aos 21 e aos 28 dias (final do período experimental) para determinação do peso final, do ganho de peso diário, da conversão alimentar, do consumo de ração diário e do consumo de lisina digestível diário.

As medidas ultra-sônicas in vivo das carcaças foram tomadas no início, aos 21 e 28 dias de experimento, após as pesagens dos animais, utilizando-se um equipamento portátil de ultra-som (Piglog105®). As medidas ultra-sônicas foram tomadas a partir de pontos de leitura do aparelho obtidos sempre do lado esquerdo do animal: Ponto P1 - medido a 6,5 cm da linha dorso-lombar e a 6,5 cm da última costela na direção caudal (ETP1); Ponto P2 - medido a 6,5 cm da linha dorso-lombar e a 6,5 cm da última costela na direção cranial (ETP2) e a medida de profundidade de lombo (PL); Porcentagem de carne magra (PCM) - os preditores utilizados pelo aparelho para estimar o rendimento de carne magra foram a espessura de toucinho (nos pontos 1 e 2) e a profundidade de lombo (PL), determinando-se a porcentagem de carne magra do animal a partir dos valores obtidos; e Taxa de deposição de carne magra diária (TDCMD) - obtida dividindo-se a diferença entre a porcentagem de carne magra estimada no último dia e a porcentagem de carne magra no primeiro dia pelo número de dias em experimento.

Ao final do experimento, os animais com 121,31 ± 4,00 kg foram encaminhados ao Frigorífico Industrial Vale do Piranga (FRIVAP), localizado no município de Ponte Nova – MG, para determinação das seguintes características de carcaça: pesagem da carcaça quente, rendimento de carcaça, pesagem da carcaça fria, rendimento de pernil, rendimento de carré, espessura de toucinho, profundidade de lombo e porcentagem de carne magra.

Os dados de desempenho e das características de carcaça foram analisados utilizando-se o pacote computacional SAEG (UFV, 2000). Para os resultados das medidas ultra-sônicas in vivo (espessura de toucinho, profundidade de lombo e porcentagem de carne magra), utilizaram-se como covariável os valores correspondentes à mesma variável do início do experimento. Quando houve interação significativa, procedeu-se à comparação do nível de RAC dentro de cada nível de lisina e à comparação do nível de lisina dentro de cada nível de RAC, pelo teste t, a 5% de probabilidade.

 

Resultados e Discussão

Não ocorreu efeito de interação (P>0,10) níveis de lisina × níveis de RAC sobre o desempenho dos animais (Tabela 2).

 

 

Observou-se efeito (P<0,06) da adição de RAC sobre o peso corporal de suínos em terminação aos 21 dias de experimento, ou seja, o peso corporal de suínos suplementados com RAC em relação aos não-suplementados elevou-se em aproximadamente 3,0 kg, que corresponde a um aumento de 2,5% no peso final dos animais. Este resultado foi semelhante ao obtido por Stites et al. (1991), que, trabalhando com suínos em terminação suplementados com 5,0 ppm de RAC, observaram aumento de aproximadamente 2,0 kg sobre o peso final, em comparação àqueles que receberam a dieta não-suplementada.

Não houve efeito (P>0,10) dos tratamentos sobre o consumo de ração diário (CRD) e consumo de lisina diário (CLD). Resultados semelhantes foram obtidos por Yen et al. (1990). Entretanto, Watkins et al. (1990) verificaram redução no consumo de ração, quando utilizaram 20 e 30 ppm de RAC para suínos em terminação.

Constatou-se efeito (P<0,07) dos tratamentos sobre o ganho de peso diário (GPD), que foi maior (138 g) nos animais consumindo ração com RAC, correspondente à melhora de 9,9% em relação aos não-suplementados. Do mesmo modo, Jones et al. (1988), Mitchell et al. (1990) e Bark et al. (1992) também observaram aumento de, aproximadamente, 10% do GPD nos suínos em terminação que receberam ração com RAC. Por outro lado, Adeola et al. (1990), Aalhus et al. (1990) e Mitchell et al. (1991) não notaram efeito significativo da RAC sobre o GPD, o que foi atribuído aos diferentes níveis de PB e RAC contidos nas dietas.

Os tratamentos influenciaram (P<0,06) a CA, que apresentou melhora de, aproximadamente, 10,61% nos animais suplementados com RAC. Estes resultados foram similares aos obtidos por Stites et al. (1991) e Xiao et al. (1999), que trabalharam, respectivamente, com a suplementação de 5,0 e 20 ppm de RAC, para suínos em terminação. Infere-se que, provavelmente, ocorreu alteração na composição do ganho dos animais, em decorrência da suplementação de RAC.

Os animais que consumiram dietas contendo 5,0 ppm de RAC, possivelmente, depositaram mais carne magra e menos gordura, em razão da alteração na partição dos nutrientes pela ação da RAC. Isto resultou em alteração no metabolismo de proteínas e lipídios pelo aditivo b-adrenérgico, com o aumento da taxa e eficiência de crescimento do tecido muscular, em detrimento à deposição lipídica (Watkins et al., 1990).

Não se observou efeito (P>0,10) dos diferentes níveis de lisina digestível (LD) sobre os parâmetros de desempenho, exceto para o CLD, que foi maior (P<0,05) nos animais alimentados com a ração contendo 0,87% de LD (Tabela 2). O maior nível LD na ração proporcionou aumento de 21,2% no CLD, sem, contudo, alterar significativamente o desempenho destes animais. Uma vez que o CRD não foi influenciado (P>0,10) pelos níveis de LD, o incremento no CLD ocorreu em razão do aumento do nível de lisina na dieta. Infere-se, portanto, que o nível de 0,67% de LD foi suficiente para atender às exigências de lisina de suínos em terminação, quando a ração não foi suplementada com ractopamina.

Não ocorreu efeito de interação (P>0,10) níveis de lisina × RAC (Tabela 3) sobre o peso final, ganho de peso diário, a conversão alimentar e o consumo de ração e de lisina digestível diário, em função da suplementação de RAC, aos 28 dias de experimento.

 

 

Houve efeito (P<0,05) da adição de RAC sobre o peso final, ou seja, os animais que receberam a ração contendo 5,0 ppm de RAC depositaram 3,42 kg a mais no peso final, representando aumento de 2,78%. Estes resultados foram semelhantes ao observados por Crome et al. (1996).

O maior peso final pode ser explicado pelo aumento de 123 g ocorrido no GPD, correspondendo à melhora de 9,1%, ou seja, a suplementação de RAC influenciou (P<0,08) o GPD. Do mesmo modo, Xiao et al. (1999), ao trabalharem com a suplementação de 20 ppm de RAC para suínos em terminação, constataram aumento de, aproximadamente, 9% no GPD. Por outro lado, Adeola et al. (1990) e Aalhus et al. (1990) não verificaram efeitos significativos da RAC sobre esta variável.

Os animais tratados com RAC apresentaram melhora (P<0,05) na CA de 11,97%, semelhante àquela verificada por Mitchell et al. (1991). Do mesmo modo, Watkins et al. (1990) e Stites et al. (1991), ao trabalharem com dieta contendo 16% de PB, suplementada com 5,0 ppm de RAC para machos castrados, verificaram que a CA reduziu em 7,84 e 13,66%, respectivamente. Assim, pode-se deduzir que suínos alimentados com RAC podem ser mais eficientes na utilização de alimentos em comparação aos não-suplementados, em razão da melhora significativa sobre a CA. Este resultado pode ser explicado pelo direcionamento dos nutrientes à deposição de tecido muscular, uma vez que o tecido magro requer menos energia que a síntese de gordura (Zagury, 2002).

Constatou-se que a suplementação com 5,0 ppm de RAC na ração de suínos em terminação, durante 28 dias, não afetou (P>0,10) o CRD e CLD dos animais. Resultados semelhantes para CRD foram obtidos por Pozza et al. (2003a), utilizando fêmeas em terminação. Entretanto, Pozza et al (2003b), trabalhando com machos castrados em terminação suplementados com 5,0 ppm de RAC, verificaram redução no CDR. Segundo Schinckel et al. (2001), a suplementação de RAC em ração de suínos melhora o peso final e a eficiência da carne magra, sem alterar significativamente a ingestão diária de alimentos.

Não foram verificados efeitos (P>0,10) dos níveis de LD (0,67 e 0,87%) sobre o PF, CDR, GPD e CA dos animais (Tabela 3). Entretanto, o CLD aumentou em 17,69% nos animais alimentados com dietas contendo 0,87% de LD. Uma vez que não foi observada diferença no CRD entre os tratamentos, infere-se que o incremento (P<0,05) no CLD ocorreu em razão do aumento do nível de lisina da dieta. Resultado semelhante foi constatado por Arouca (2003), que, ao trabalhar com níveis crescentes de lisina (0,5; 0,6; 0,7; 0,8 e 0,9%) para suínos na fase de terminação tardia, observou efeito linear crescente sobre o consumo de lisina diário.

Como não houve efeito (P>0,10) dos níveis de LD, após 28 dias de experimento, sobre o desempenho de suínos em terminação, depreende-se que o nível de 0,67% de LD foi suficiente para atender às exigências de lisina em suínos na fase de terminação.

Não ocorreu efeito da interação (P>0,10) níveis de lisina × RAC sobre as características de carcaça, em função da suplementação de RAC e dos níveis de LD aos 21 dias de experimento (Tabela 4).

 

 

Não houve efeito (P>0,10) dos tratamentos sobre a ETP1 e ETP2, medidas por ultra-som. Resultados semelhantes foram obtidos por Stites et al. (1991), que, ao avaliarem níveis crescentes de RAC (0, 5, 10 e 20 ppm), e Aalhus et al. (1990), utilizando 10 ppm de RAC, também não verificaram efeito significativo da RAC sobre a ETP1 e ETP2 de suínos em terminação. Por outro lado, Watkins et al. (1990) obtiveram redução de 5,16% na ETP2.

A profundidade de lombo (PL) não foi influenciada (P>0,10) pelos tratamentos, corroborando os resultados observados por Adeola et al. (1990). Por outro lado, divergem daqueles de Stites et al. (1991), que observaram efeito linear sobre a PL, à medida que se elevou a concentração de RAC na dieta, resultando em aumento de 8,33% nos animais tratados com 5,0 ppm de RAC.

Não foram observados efeitos (P>0,10) da suplementação de RAC, durante 21 dias, sobre a porcentagem de carne magra (PCM). Estes resultados foram diferentes dos encontrados por Watkins et al. (1990) e Stites et al. (1991), que observaram aumento de aproximadamente 3% na PCM. Entretanto, os animais apresentaram incremento (P<0,06) de 97 g na taxa de deposição de carne magra diária (TDCMD), correspondendo a incremento de 12,7%, em razão da adição de RAC nas dietas, durante 21 dias.

Não houve efeito dos níveis de LD sobre as características de carcaça obtidas in vivo (Tabela 4), com exceção da TDCMD, que foi 7,14% maior (P<0,09) para os animais que receberam a dieta com 0,87% de LD, com ajuste para demais aminoácidos para proteína ideal. Isto pode ser explicado pelo fato de o maior nível de lisina contida na dieta proporcionar maior taxa de deposição protéica nestes animais. Além disso, o balanço ideal dos aminoácidos melhora a eficiência de utilização de energia para deposição de carne magra.

Não ocorreu interação (P>0,10) níveis de lisina × RAC sobre a espessura de toucinho, profundidade de lombo, porcentagem de carne magra e taxa de deposição de carne magra na carcaça, em função da suplementação de RAC e dos níveis de LD, aos 28 dias de experimento (Tabela 5).

 

 

Não houve efeito (P>0,10) da suplementação de RAC sobre ETP1, ETP2, PL e PCM. Estes resultados são semelhantes aos encontrados por Adeola et al. (1990), utilizando suínos em terminação alimentados com uma dieta com 20 ppm de RAC, e Aalhus et al. (1990), suplementando 10 ppm de RAC durante 28 dias, que não observaram efeitos positivos da adição de RAC sobre estas características de carcaça.

Os animais suplementados com 5,0 ppm de RAC apresentaram TDCMD maior que os do grupo controle, de 103 g/dia, que corresponde a aumento de 13,75%. Este resultado foi superior ao encontrado por Watkins et al. (1990), Stites et al. (1991) e Zagury (2002), que, ao trabalharem com a adição de 5,0 ppm de RAC para suínos em terminação, encontraram aumento de 2,7; 4,55 e 0,72%, respectivamente.

A maior TDCMD observada nos animais suplementados com RAC, tanto aos 21 quanto aos 28 dias de experimento, pode ser explicada pelo maior GPD e pela melhora na CA. Assim, pode-se inferir que houve alteração na composição do ganho dos animais, em razão da suplementação de RAC, ou seja, os animais que consumiram dietas contendo 5 ppm de RAC depositaram mais carne magra e menos gordura que o grupo controle. Isso ocorreu em razão da alteração na partição dos nutrientes pela ação da RAC, que resultou em mudança no metabolismo de proteínas e lipídios do organismo animal, com aumento da taxa de deposição protéica, em detrimento à deposição lipídica.

O nível de 0,87% de LD proporcionou, respectivamente, redução (P<0,05) da ETP1 (P<0,06) e ETP2 de 1,4 e 0,8 mm, respectivamente (Tabela 5). Entretanto, Oliveira et al. (2003), ao trabalharem com níveis crescentes de lisina total, não verificaram redução na espessura de toucinho em suínos machos castrados em terminação.

Não foi verificado efeito (P>0,10) dos níveis de LD sobre a PL, entretanto, constatou-se efeito (P<0,05) dos tratamentos sobre a porcentagem de carne magra na carcaça, que melhorou 1,36% em relação ao grupo controle, ou seja, os animais que receberam o nível mais elevado de LD foram 1,36% mais eficientes para depositar carne magra na carcaça. Constatou-se ainda aumento de 8,12% na TDCMD, que corresponde a 59 g/dia nos animais recebendo o maior nível de LD.

Não ocorreu efeito da interação (P>0,10) níveis de lisina × RAC sobre as características de carcaça (Tabela 6).

 

 

Não houve efeito (P>0,10) da suplementação da RAC sobre o rendimento de carcaça, rendimento de carré, a espessura de toucinho medida na altura da última costela, porcentagem de carne magra na carcaça e profundidade de lombo. Estes resultados foram semelhantes aos obtidos por Adeola et al. (1990) e Stites et al. (1991), que trabalharam com suínos suplementados com 20 e 10 ppm de RAC, respectivamente.

Por outro lado, com o uso da RAC foi verificada melhora (P<0,05) do rendimento de pernil de 2,88%, valor inferior aos 7% encontrados por Uttaro et al. (1993).

Os níveis de LD também não influíram no rendimento de carcaça, rendimento de pernil, rendimento de carré, na espessura de toucinho medida na altura da última costela e porcentagem de carne magra na carcaça (Tabela 6).

Houve efeito da interação (P<0,06) níveis de LD × RAC para a profundidade de lombo (mm) (Tabela 7). Verificou-se que, no nível de 0,67% de LD, não houve benefício da suplementação de RAC, enquanto no de 0,87% de LD constatou-se aumento de 6,16 mm na profundidade de lombo, correspondente a incremento de 8,75%.

 

 

Conclusões

A suplementação de ractopamina (5 ppm) em dietas para suínos machos castrados em terminação, durante os últimos 21 ou 28 dias de vida, melhora o ganho de peso diário e a conversão alimentar e aumenta a taxa de deposição de carne magra diária. O efeito da ractopamina sobre a profundidade de lombo é maior em dietas contendo 0,87% de lisina digestível.

O nível de 0,67% de lisina digestível atende às exigências de suínos em terminação para o desempenho, porém o de 0,87% proporciona melhor qualidade de carcaça, diminuindo a espessura de toucinho e aumentando a porcentagem de carne magra, a taxa de deposição de carne magra diária e a profundidade de lombo.

 

Literatura Citada

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Recebido: 12/12/2005
Aprovado: 15/5/2007
Projeto apoiado pela Elanco.

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: fcosilva@epamig.ufv.br

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