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Revista Brasileira de Zootecnia

versión On-line ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. v.36 n.6 Viçosa nov./dic. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982007000800025 

PRODUÇÃO ANIMAL

 

Efeitos do livre acesso de bezerros ao creep-feeding sobre os esempenhos produtivo e reprodutivo de vacas primíparas1

 

Effects of free access of beef calves to creep-feeding on productivity and reproductive performance of primiparous cows

 

 

Alexandre Nunes Motta de SouzaI; José Fernando Piva LobatoII; Mikael NeumannIII

IDoutorando em Produção Animal do PPG em Zootecnia da UFSM. Rua Romeu Beltrão, 110, Camobi, CEP: 97110-640, Santa Maria, RS
IIDep. de Zootecnia - UFRGS, Pesquisador 1C do CNPq. C. Postal 15100, CEP: 90001-970 - Porto Alegre
IIICurso de Medicina Veterinária da UNICENTRO-PR

 

 


RESUMO

Os efeitos do livre acesso ao creep-feeding sobre os desempenhos produtivo e reprodutivo de vacas primíparas mantidas em pastagem nativa melhorada de azevém (Lolium multiflorum Lam.), trevo branco (Trifolium repens Lam.) e cornichão (Lotus corniculatus Lam. cv. São Gabriel) foram avaliados nesta pesquisa. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado composto por quatro tratamentos segundo esquema fatorial 2 x 2 (dois sexos: vacas amamentando bezerros ou bezerras; dois sistemas de alimentação: vacas amamentando bezerros (as) com ou sem acesso a creep-feeding), totalizando 16 unidades experimentais. As vacas primíparas do sistema com creep-feeding apresentaram peso corporal e escore de condição corporal, no final do experimento, mais altos que as do sistema sem creep-feeding (412 kg e 3,94 vs. 399 kg e 3,77, respectivamente). Vacas do sistema com creep-feeding tiveram ganho de peso médio diário mais elevados que o de vacas com bezerros não-suplementados (0,549 vs. 0,449 kg/dia). O creep-feeding e o sexo dos animais não influenciaram a taxa de prenhez das vacas primíparas.

Palavras-chave: condição corporal, ganho de peso, prenhez


ABSTRACT

The research evaluated the effects of the creep-feeding on the productive and reproductive performance of the primiparous cows, maintained on improved natural pasture with ryegrass (Lolium multiflorum Lam.), white clover (Trifolium repens Lam.) and cornichão (Lotus corniculatus Lam. cv. São Gabriel). A completely randomized experimental design composed by four treatments according to 2 x 2 factorial arrangement (two sex: cows suckling male or female calves; two systems of feeding: cows suckling male or female with or without access creep-feeding, totalizing 16 experimental units. The primiparous cows of the creep-feeding system showed body weight and corporal condition, in the end of the experiment, higher in relation to the ones without creep-feeding system (412 kg and 3.94 versus 399 kg and 3.77, respectively). Cows in the creep-feeding system showed average daily weight gain higher than the cows with calves without access to creep-feeding (0.549 vs. 0.449 kg/day). Creep-feeding and the sex of calves did not influence the pregnancy rate of primiparous cows.

Key Words: body condition, pregnancy, weight gain


 

 

Introdução

Uma das maiores causas da baixa eficiência reprodutiva em vacas de corte com cria é o extenso intervalo da parição à primeira ovulação, influenciado por vários fatores, especialmente o nível nutricional pré e pós-parto, o estímulo supressor decorrente da presença da cria e a condição corporal ao parto e no início do período reprodutivo. De acordo com dados do NRC (1996), o requerimento energético de uma vaca lactante dos 90 aos 180 dias pós-parto é 57% maior que em uma vaca não-lactante, sendo necessário maior aporte nutricional nesta fase.

O efeito do aleitamento, em conjunto com baixo aporte alimentar, tem efeito supressor no retorno da atividade cíclica ovariana, por meio da liberação de opióides endógenos promovidos por estímulos táteis, visuais e olfatórios (Short et al., 1972).

Com vistas ao aumento da eficiência reprodutiva, diferentes tecnologias têm sido aplicadas em rebanhos bovinos, incluindo várias modalidades de desmame e diferimentos de pastagens destinadas a vacas no pré e pós-parto. Simeone & Lobato (1996) salientaram a importância da alimentação no pré e pós-parto para o desempenho produtivo das vacas, haja vista o reflexo do peso e da condição corporal ao parto e/ou início do acasalamento sobre o desempenho reprodutivo, principalmente no intervalo parto-primeiro cio e na porcentagem de prenhez.

Uma das alternativas utilizadas para melhorar a condição corporal das vacas e aumentar o peso ao desmame de bezerros é o creep-feeding. No entanto, em razão desta técnica ainda ser pouco utilizada, são escassos os estudos científicos nas condições ambientais do Rio Grande do Sul.

No aspecto reprodutivo, o creep-feeding, ao proporcionar melhor aporte nutricional ao bezerro, pode suprir parte da alimentação antes fornecida pela vaca. Neste caso, a redução da ingestão de leite pode representar menores exigências dos bezerros em relação aos níveis produtivos das vacas, promovendo menor variação da condição corporal e mantendo a atividade estral dentro dos padrões regulares.

No entanto, Brito & Sampaio (2001) alertam sobre a variação dos resultados da efetividade do creep-feeding quanto à melhoria na porcentagem de prenhez de vacas em lactação, principalmente de fatores endógenos e cronológicos. No efeito endógeno, mesmo em vacas com bom estado corporal, muitas vezes não se obtêm resultados satisfatórios de prenhez, em razão, principalmente, do estímulo supressor provocado pela presença da cria. No efeito cronológico, Benedetti et al. (2002) e Monteiro et al. (2002, mencionaram que o consumo de concentrado no creep-feeding é significativo a partir dos 100-120 dias de idade do bezerro, não contribuindo para a redução do desgaste da lactação na vaca durante o período de monta.

Este experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar os efeitos da utilização do creep-feeding para bezerros sobre o ganho de peso e o desempenho reprodutivo de vacas primíparas aos dois anos de idade.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Empresa Agropecuária Guatambu, Dom Pedrito, região da Campanha do estado do Rio Grande do Sul.

O experimento foi desenvolvido no período de 21/11/2003 a 9/4/2004, subdividido em cinco subperíodos de avaliação de 28 dias cada, totalizando 140 dias.

Segundo o sistema de classificação de Köppen, o clima da região é do tipo "Cfa 2", subtropical temperado, apresentando amplitude térmicas que variam de verões secos e quentes, onde a temperatura média é de 18,2ºC, com invernos frios e úmidos e temperaturas mínimas variando de 3 a 8ºC (Moreno, 1961). A precipitação média anual é de 1.376 mm. Seguindo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Brasil, 1973), a área experimental encontra-se na unidade de mapeamento denominada Ponche Verde, com solo classificado como Brunizem Hidromórfico Vértico.

A cobertura vegetal dos solos do experimento é superior a 80%, sendo formada, principalmente, por campos médios (considerados de boa qualidade) e grande número de espécies de gramíneas com boa freqüência de leguminosas. Essas espécies crescem especialmente na primavera-verão. Entre as gramíneas, predominam a grama-forquilha (Paspalum notatum Flügge), o capim-melador (Paspalum dilatatum Poir.) e a grama-tapete (Axonopus compressus Chase) e entre as leguminosas, o pega-pega (Desmodium incanum) e o trevo nativo (Trifolium polymorphum). As espécies forrageiras exóticas introduzidas na pastagem nativa foram azevém (Lolium multiflorum Lam.), trevo branco (Trifolium repens Lam.) e cornichão (Lotus corniculatus Lam. cv. São Gabriel).

Foram utilizadas 64 vacas Braford primíparas aos dois anos de idade, cujas crias constituem 32 machos e 32 fêmeas, com média de idade de 70 dias no início do experimento. As vacas foram distribuídas nos tratamentos descritos a seguir, mantendo-se a homogeneidade de peso e o escore de condição corporal: vacas amamentando bezerros com livre acesso ao creep-feeding; vacas amamentando bezerras com livre acesso ao creep-feeding; vacas amamentando bezerros sem suplementação; e vacas amamentando bezerras sem suplementação.

A área experimental utilizada correspondeu a 100 ha de pastagem nativa melhorada (21/11/2003 a 9/4/2004), divididos em dois potreiros de 50 ha, de modo que os animais foram manejados com carga média de 548,3 kg de peso vivo/ha e disponibilidade forrageira média de 2.717,7 kg/ha de MS (Tabela 1).

 

 

Foram utilizados animais reguladores para ajuste da carga animal, de modo que a cada 14 dias foi realizada a troca de potreiros entre os tratamentos, com o objetivo de anular o efeito do potreiro nas unidades experimentais.

O suplemento do creep-feeding foi composto por milho moído (60%), farelo de soja (30%), cloreto de sódio (8%) e mistura mineral comercial (2%) com teores médios de PB e NDT, respectivamente, de 17,5 e 73,6% (Tabela 2). O concentrado foi fornecido aos bezerros ad libitum, em cochos.

 

 

As vacas foram pesadas desde o início do experimento, a cada 28 dias, com jejum de sólidos e líquidos de 14 horas.

A estimativa da massa de forragem disponível na pastagem nativa melhorada foi feita a cada 28 dias, utilizando-se 14 cortes rentes ao solo, em cada pasto, e um quadro de 0,25 m2. Foram coletadas três amostras compostas de forragem de cada potreiro, encaminhadas à estufa de ventilação forçada a 60ºC por 72 horas, para determinação do teor de MS. As amostras dos resíduos da pastagem, após secagem, foram trituradas em moinhos tipo Wiley com peneira de malha de 1 mm e acondicionadas em sacos plásticos para posteriores análises bromatológicas. A análise qualitativa da pastagem disponível foi determinada pelo teor de PB, adotando-se o método micro Kjeldahl (AOAC, 1984), e de FDN (Goering & Van Soest, 1970).

Peso corporal, ganho de peso médio diário, condição corporal e porcentagem de prenhez das vacas foram os parâmetros avaliados.

O experimento foi conduzido segundo delineamento experimental inteiramente casualizado, composto por quatro tratamentos, em esquema fatorial 2 x 2 (dois sexos: vacas amamentando bezerros ou bezerras; dois sistemas de alimentação: vacas amamentando bezerros com ou sem acesso a creep-feeding), no total de 16 unidades experimentais, conforme modelo estatístico a seguir:

em que Yijkl = variáveis independentes; µ = média geral das observações; Ci = efeito do sistema de alimentação de ordem "i" sendo 1 = creep-feeding e 2 = testemunha; Sj = efeito do sexo de ordem "j", sendo 1 = bezerros e 2 = bezerras; (C*S)ij = efeito da interação i-ésimo sistema de alimentação × j-ésimo sexo do bezerros; Rk (C*S)ij = efeito aleatório baseado dentro da combinação (C*S)ij (erro a); Pl = efeito do subperíodo de avaliação de ordem "l" sendo 1 = 1º subperíodo, 2 = 2º subperíodo, 3 = 3º subperíodo, 4 = 4º subperíodo, 5 = 5º subperíodo; (C*P)il = efeito da interação i-ésimo sistema de alimentação × l-ésimo subperíodo de avaliação; (S*P)jl = efeito da interação j-ésimo sexo dos bezerros (as) l-ésimo subperíodo de avaliação; (C*S*P)ijl = efeito da interação i-ésimo sistema de alimentação × j-ésimo sexo do bezerros × l-ésimo subperíodo de avaliação; Eijkl = erro aleatório residual (erro b).

Os dados foram submetidos à análise de regressão polinomial, considerando a variável período (dias) e analisados pelo procedimento "General Linear Model" (PROC GLM) do programa estatístico SAS (1993) e a comparação de médias, pelo teste Tukey, a 5% de significância.

O ECC entre os diferentes tratamentos foi testado pelo teste Kruskal-Wallis por meio do procedimento PROC NPAR1WAY do SAS® (SAS, 1993). As porcentagens de prenhez foram comparadas pelo teste qui-quadrado (Steel & Torrie, 1989).

 

Resultados e Discussão

Foi observada interação (P<0,01) sistemas de alimentação subperíodo de avaliação para PC e GMD. Não houve efeito de interação (P>0,05) das variáveis estudadas sobre o parâmetro CC. Notou-se diferença (P<0,01) para o PC das vacas, em função do sexo das crias dentro de cada sistema de alimentação (Tabela 3).

 

 

No sistema de alimentação com creep-feeding, observou-se que as vacas amamentando bezerros foram mais pesadas no início do experimento (21/11/2003), diferença (P<0,01) que se manteve até o final (09/04/04) em relação às vacas que amamentavam bezerras (339,2 vs 331,2 kg em 21/11/2003; 418,4 e 405,7 kg em 9/4/2004). Esta tendência também foi observada no sistema de alimentação sem creep-feeding, no qual vacas amamentando bezerros apresentaram pesos inicial (339,4 kg) e final (406,6 kg) maiores (P<0,01) aos das vacas amamentando bezerras (332,1 e 390,6 kg, no início e final do experimento).

Na comparação entre sistemas de alimentação, não foi observada diferença (P>0,05) no peso corporal das vacas no início do experimento (21/11/2003) para os sistemas com e sem creep-feeding (335,2 vs. 335,7 kg). No entanto, na avaliação do peso corporal no final do experimento (9/4/2004), observou-se, no sistema de alimentação com creep-feeding, PC mais elevado (P<0,01) para estas vacas em relação às do sistema sem creep-feeding (412,0 vs. 398,6 kg). Na análise da regressão do PC, em função do dia de avaliação, vacas de ambos os sistemas de alimentação apresentaram relação linear positiva no decorrer dos subperíodos.

Os pesos observados neste experimento estão abaixo dos 380-400 kg preconizados por Rovira (1973), para peso no início do período reprodutivo de vacas primíparas. Quadros & Lobato (1996) também observaram PC inferiores ao preconizado no início do acasalamento, de 355,3 e 365,5 kg, para vacas primíparas aos três anos de idade. No entanto, a porcentagem de repetição de prenhez foi de 86,84 e 96,77%, quando submetidas a lotações de 320 e 240 kg de PC/ha em campo nativo, respectivamente.

PC e CC mais elevados foram observados por Pötter & Lobato (2004), no início do acasalamento de vacas primíparas Hereford e Braford paridas aos três anos de idade. Em vacas Hereford, esses autores observaram PC e CC no início do acasalamento de 368,7 kg e 3,56 e no final do acasalamento, de 394,1 kg e 4,01, respectivamente. As vacas Braford apresentaram PC e CC mais elevados no início (404,1 kg e 3,71) e final do acasalamento (427 kg e 4,08), proporcionando taxas de repetição de prenhez de 95,6 e 86,9% para vacas Hereford e Braford, respectivamente.

Na avaliação da CC (Tabela 4), as observações dentro dos tratamentos foram semelhantes ao PC. No sistema creep-feeding, vacas amamentando bezerros apresentaram melhor CC (P<0,01) no início e final do experimento (3,31 e 3,99 pontos, respectivamente) em relação a vacas amamentando bezerras (3,02 e 3,89 pontos, respectivamente). No sistema sem creep-feeding, também observou-se melhor CC no início e final do experimento (3,11 e 3,90 pontos) para vacas amamentando bezerros em relação àquelas amamentando bezerras (2,99 e 3,65 pontos).

 

 

Na comparação entre sistemas de alimentação, a CC não apresentou diferença (P>0,05) na avaliação inicial entre os sistemas com ou sem creep-feeding (3,16 e 3,05 pontos, respectivamente). No entanto, na avaliação da CC final, o livre acesso a creep-feeding pelas crias possibilitou melhor CC para as vacas em comparação ao sistema sem creep-feeding (3,95 vs. 3,77 pontos, respectivamente). Na análise da regressão da CC, em função do dia de avaliação, todos os tratamentos apresentaram relação linear positiva.

Siqueira et al. (2001) não observaram diferença (P>0,05) na CC das vacas com bezerros recebendo ou não suplementação em creep-feeding (3,96 vs. 3,83 pontos, respectivamente, na escala de 1 a 9). Estas vacas perderam peso em todo o período analisado, contudo, vacas com crias suplementadas em creep-feeding perderam menos peso (P<0,05). Prichard et al. (1989) também não observaram diferenças (P>0,05) em vacas com ótimas CC, quando seus bezerros consumiram ou não concentrado em creep-feeding (7,3 vs. 7,1 pontos, na escala de 1 a 9, respectivamente).

A análise de variância não demonstrou diferença (P>0,05) para GMD, quando as vacas amamentaram bezerros ou bezerras, dentro de cada sistema de alimentação (Tabela 5). No entanto, na análise entre sistemas de alimentação, foi constatado incremento (P<0,01) no GMD das vacas quando suas crias consumiram concentrado em creep-feeding (0,549 vs. 0,449 kg/dia). O GMD das vacas em ambos os sistemas apresentaram relação cúbica na análise da regressão desta variável com o dia de avaliação.

 

 

Nogueira et al. (2001) também observaram melhor desempenho do GMD das vacas, em função da utilização do creep-feeding. No entanto, com ganhos mais baixos aos deste experimento (0,120 kg/dia no creep-feeding vs. 0,065 kg/dia no lote testemunha). Siqueira et al. (2001), quando utilizaram a técnica do creep-feeding, observaram nas vacas amamentando bezerros suplementados menor (P<0,05) perda de peso em relação às vacas com bezerros não-suplementados (0,119 vs. 0,208 kg/dia, respectivamente).

Avaliando o impacto do creep-feeding nas vacas, Monteiro et al. (2002) não observaram diferença (P>0,05) no GMD em vacas primíparas com bezerros suplementados ou não em sistema creep-feeding, com GMD de 0,175 kg/dia. Porém, cabe salientar que o consumo médio de concentrado pelos bezerros foi de 62 g/dia.

Neste experimento, foi observado, nas vacas do sistema creep-feeding, GMD de 0,739 e 0,799 kg/dia no 1º (21/11/2003 a 19/12/2003) e 2º (20/12/2003 a 16/1/2004) subperíodos de avaliação, respectivamente ao passo que, no 3º (17/1/2004 a 13/02/04) e 4º (14/2/2004 a 12/3/2004) subperíodos, declínio no desempenho para 0,419 e 0,277 kg/dia, respectivamente, decorrente dos resultados obtidos na variação da qualidade da forragem disponível no campo nativo melhorado. No 1º e 2º subperíodos de avaliação, foram obtidos teores de PB e FDN de 15,0 e 60,3% e 12,0 e 64,3%, respectivamente, enquanto no 3º e 4º subperíodos, de 9,8 e 67,7 e 9,2 e 70,9%, respectivamente.

A oscilação na qualidade da forragem está associada ao final do ciclo das espécies introduzidas (azevém, trevo branco e cornichão) no campo nativo e ao déficit hídrico observado no período experimental. Outro fator importante na oscilação da qualidade forrageira foi a variação na ocorrência de chuvas durante o experimento. No 1º e 2º subperíodos, foram observadas precipitações pluviométricas de 221 e 88 mm, respectivamente; no 3º e 4º, de 66 e 73 mm, respectivamente; e no 5º, maiores em relação ao 3º e 4º subperíodos (83 mm).

No 5º subperíodo foi observado melhor desempenho das vacas com suas crias suplementadas, que está associado ao aumento de consumo relativo de concentrado no creep-feeding pelos bezerros (0,41 e 0,66% PC no 4º e 5º subperíodos, respectivamente).

No sistema sem creep-feeding, também ocorreu variação no GMD das vacas, em função da oscilação na qualidade da forragem disponível e do déficit hídrico. No entanto, ressalta-se que este grupo de vacas apresentou maior variação no desempenho no decorrer do período experimental, alcançando perda de 0,070 kg/dia entre 17/1/2004 e 13/2/2004 (Tabela 5). Esta maior variação no GMD das vacas do sistema sem creep-feeding em relação ao sistema creep-feeding corrobora os resultados de Siqueira et al. (2001), trabalhando com vacas multíparas, em que o grupo de vacas com bezerros acessando creep-feeding experimentaram menor (P<0,05) perda de peso.

Embora as vacas amamentando bezerros tenham apresentado pesos mais elevados que as vacas amamentando bezerras em ambos sistemas de alimentação (Tabela 5), a análise da variância não detectou diferença (P>0,05) no GMD durante o período de avaliação (0,523 vs. 0,475 kg/dia, respectivamente). Na avaliação do GMD entre sistemas de alimentação, porém, vacas amamentando suas crias com livre acesso ao creep-feeding apresentaram GMD mais elevado (P<0,01) que as vacas amamentando suas crias sem suplementação (0,549 vs. 0,449 kg/dia). Esta diferença no GMD resultou em 14 kg de ganho de peso a mais para as vacas do sistema creep-feeding ao final do experimento. Estes resultados concordam com os obtidos por Nogueira et al. (2001), em que a análise da variância demonstrou diferença (P<0,05) de 7,66 kg no ganho de peso das vacas primíparas a favor do sistema creep-feeding.

Siqueira et al. (2001) também encontraram diferença na variação do ganho de peso, em que as vacas adultas amamentando bezerros com acesso ao creep-feeding perderam 20 kg e as vacas com bezerros sem suplementação, 35 kg, em 168 dias de lactação. Da mesma forma, Espasandin et al. (2001) observaram diferença na variação de peso em vacas quando se utilizou ou não a técnica do creep-feeding nos bezerros (20 vs. 80 kg de perda de peso, respectivamente, no período de lactação).

As médias para porcentagem de prenhez das vacas, em função do sistema de alimentação e do sexo das crias, são apresentadas na Tabela 6. O sistema de alimentação e o sexo não afetaram (P>0,05) a porcentagem de prenhez das vacas pelo teste qui-quadrado.

 

 

Quando se comparou a utilização ou não do creep-feeding para as crias, as porcentagens de prenhez foram de 75,0 e 78,1%, respectivamente. Na avaliação do sexo dos bezerros, as vacas também apresentaram valores similares de prenhez (P>0,05) quando amamentavam bezerros ou bezerras (75,0 vs. 78,1%, respectivamente). Estes resultados podem ser atribuídos ao desempenho das vacas no período de 21/11/03 a 16/01/2004 (período de monta), quando as vacas amamentando bezerros ou bezerras, com ou sem creep-feeding, apresentaram GMD de 0,810; 0,727; 0,820 e 0,778 kg/dia, respectivamente (Tabela 5).

Pötter & Lobato (2004) observaram GMD de 0,179 kg/dia do início à metade do acasalamento. Na avaliação da taxa de repetição de prenhez, esses autores não verificaram diferença (P>0,05) entre os tratamentos desmame precoce e desmame convencional (97,8 vs. 91,3%, respectivamente), em vacas com boas CC, evidenciando que, quando o aporte nutricional ultrapassa certo nível, obtêm-se resultados satisfatórios de prenhez.

Os valores de PC concordam com os verificados por Carrillo (1999), em vacas primíparas cruzas Angus x Hereford, que apresentaram taxas de prenhez de 94%, quando pariram com PC médio de 374 kg. No entanto, quando esse autor trabalhou com vacas parindo com peso médio de 350 kg, observou taxa de repetição de prenhez de 72,7%, concordando com os resultados médios obtidos neste experimento, de 76,5% de prenhez para as vacas que pariram com PC entre 330 e 340 kg.

A CC também está dentro do intervalo preconizado por Wiltbank (1970) e Orcasberro (1991), entre 3 e 3,5 (escala de 1 a 5) para vacas primíparas voltarem a manifestar cio no pós-parto.

Na avaliação dos efeitos da utilização da técnica de creep-feeding na porcentagem de repetição de prenhez, observa-se que, na maioria dos experimentos, não há diferenças nesta fonte de variação. Pacola et al. (1989), ao trabalharem com vacas Nelore, verificaram porcentagem de prenhez (P>0,05) de 79% para vacas amamentando bezerros com acesso ao creep-feeding e de 73,5% para vacas amamentando bezerros sem suplementação. Nogueira et al. (2001) não observaram diferença (P>0,05) na porcentagem de prenhez das vacas primíparas entre os tratamentos utilizando ou não creep-feeding para os bezerros (41 vs. 29%). Da mesma forma, Prichard et al. (1989) também não detectaram diferenças na prenhez utilizando ou não o creep-feeding para os bezerros (92,7 vs. 89,5%, respectivamente).

No entanto, Maggioni et al. (2004) observaram diferença (P<0,05) na porcentagem de prenhez das vacas amamentando bezerros com acesso ao creep-feeding (93%) em comparação àquelas amamentando bezerros sem suplementação (84%).

 

Conclusões

Vacas primíparas amamentando suas crias com livre acesso ao creep-feeding apresentaram peso vivo e escore de condição corporal no momento do desmame mais elevados que as primíparas amamentando suas crias sem suplementação.

Vacas primíparas amamentando suas crias com livre acesso ao creep-feeding apresentaram ganho de peso médio diário dos 70 aos 210 dias pós-parto mais elevado que as primíparas amamentando suas crias sem suplementação.

A porcentagem de prenhez das vacas primíparas não foi influenciada pelo sexo e pelo sistema de alimentação das crias.

 

Literatura Citada

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Recebido: 3/11/2005
Aprovado: 4/6/2007

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: jose.fernando.lobato@ufrgs.br
1 Parte da dissertação de Mestrado apresentada pelo primeiro autor.