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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.39 no.1 Viçosa Jan. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982010000100009 

FORRAGICULTURA

 

Produção de forragem e carga animal de pastagens de Coastcross sobressemeadas com forrageiras de inverno

 

Forage production and stocking rate of Coastcross pastures overseeded with winter grasses

 

 

Clair Jorge OlivoI; Gilmar Roberto MeinerzII; Carlos Alberto AgnolinII; Edilene SteinwandterIII; Magnos Fernando ZiechII; Fernando Reimann SkonieskiII

IDepartamento de Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil
IIGraduação em Zootecnia, UFSM
IIIEmpresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S/A - EPAGRI

 

 


RESUMO

O objetivo nesta pesquisa foi avaliar a produção de forragem e a carga animal de quatro pastagens: Coastcross (Cynodon dactylon L. Pers.) sobressemeada com azevém (Lolium multiflorum Lam. cv. Comum); Coastcross sobressemeada com azevém e trevo-branco (Trifolium repens L., cv. Yi); azevém e trevo branco; e azevém. O experimento foi realizado no período entre 15 de maio e 24 de outubro de 2006, quando foram realizados cinco ciclos de pastejo. Utilizaram-se vacas da raça Holandesa recebendo concentrado (3,5 kg/dia) como suplemento alimentar. Nos períodos pré e pós-pastejo, foram avaliadas a massa de forragem, as composições botânica e estrutural da pastagem e a carga animal. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos (pastagens), duas repetições (piquetes) e cinco períodos de avaliação (pastejos). Não foram detectadas diferenças entre pastagens para as médias de massa de forragem e carga animal. As pastagens exclusivamente de azevém tiveram maiores produções de lâminas foliares de azevém. As pastagens sobressemeadas apresentaram maior produção de forragem. A sobressemeadura do azevém e do trevo-branco em Coastcross permite estender o período de utilização da pastagem anual e aumenta a produção de forragem.

Palavras-chave: bovinos leiteiros, carga animal, composição estrutural, pastagens de inverno, pastagens mistas


ABSTRACT

The objective of this research was to evaluate the forage production and stocking rate (SR) of four Coastcross (Cynodon dactylon L. Pers.) pastures overseeded with ryegrass (Lolium multiflorum Lam. cv. Common); ryegrass plus white clover (Trifolium repens L., cv. Yi) over bermudagrass; ryegrass plus white clover and ryegrass. The experiment was carried out from May 15 to October 24, 2006, in five grazing periods. Holstein cows receiving 3.5 kg/daily complementary concentrate feed were used in the evaluation. In the pre and post grazing periods, the forage mass, botanical and structural pasture composition and the stocking rate were assessed. A randomized complete design was used, with four treatments (pastures) and two replications (paddocks), in five grazing cycles. No differences in herbage mass and stocking rate averages were detected among pastures. The ryegrass pastures had larger ryegrass leaf blade herbage mass production. The overseeded pastures had larger forage production. Overseeding with ryegrass and white clover on Coastcross extend the use period of annual grass and increase forage production.

Key Words: dairy cattle, mixed pastures, stocking rate, structural composition, winter pastures


 

 

Introdução

Em diferentes regiões do Brasil, a utilização de cultivares de gramíneas do gênero Cynodon sob pastejo tem sido crescente, especialmente em propriedades leiteiras. A cultivar Coastcross (Cynodon dactylon L. Pers.) vem se destacando por suas características nutricionais e de produtividade (Vilela et al., 2006), além da adaptabilidade a diversas condições ambientais e flexibilidade de uso (Carnevalli et al., 2001). Em pesquisas com alimentação à base de pastagens de Coastcross, os resultados têm sido promissores. O hábito da espécie, predominantemente estolonífero, e sua estacionalidade em períodos mais frios do ano permitem sua consorciação com espécies forrageiras de inverno, estendendo a oferta de forragem e aumentando o suprimento de volumoso de boa qualidade no final do inverno e início da primavera (Utley et al., 1976). Esse manejo proporciona maior estabilidade na forragem ofertada, o que é de grande importância, considerando a dificuldade do produtor em trabalhar com carga variável (Roso & Restle, 2000).

Por outro lado, o crescimento e a persistência das gramíneas são frequentemente limitados pela deficiência de nitrogênio no solo, que, como principal nutriente para produção das gramíneas forrageiras, contribui de forma expressiva no aumento dos custos da produção de leite (Alvim & Botrel, 2001). A consorciação de gramíneas com leguminosas forrageiras, decorrente da capacidade destas espécies de fixarem nitrogênio, pode contribuir para o aumento da produção e da qualidade da forragem (Santos et al., 2002).

As pesquisas existentes no Brasil sobre gramíneas do gênero Cynodon referem-se, em sua maioria, ao uso de pastagens sob cultivo exclusivo; são escassas informações científicas com a avaliação dessa cultura em associação a outras espécies forrageiras. O consórcio com espécies como azevém, trevo-branco e amendoim forrageiro pode constituir estratégia de alimentação importante para equilibrar a oferta e a qualidade de forragem, uma vez que essas espécies apresentam alto valor nutritivo e picos de produção em épocas distintas (Gerdes et al., 2005; Ladeira et al., 2002).

Assim, objetivou-se com este trabalho avaliar a produção de forragem, a composição botânica e estrutural e a carga animal de pastagens de Coastcross sobressemeadas com forrageiras de inverno.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido junto ao Laboratório de Bovinocultura de Leite do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), localizado na região fisiográfica denominada Depressão Central do Rio Grande do Sul, com altitude de 95 m, latitude 29° 43' Sul e longitude 53° 42' Oeste. O solo da área experimental, classificado como Argissolo Vermelho Distrófico Arênico, pertence à unidade de mapeamento São Pedro (Embrapa, 1999). O clima da região é o Cfa (subtropical úmido), conforme classificação de Köppen (Moreno, 1961).

O período experimental se estendeu de 15 maio a 24 outubro de 2006, totalizando 161 dias. O período de pastejo foi de 111 dias, entre 5/7/2006 e 24/10/2006. A temperatura e a precipitação média do período entre os meses de maio e outubro foram de 16,1 °C e 117,4 mm mensais, respectivamente. Os dados foram coletados na Estação Experimental Meteorológica da UFSM, situada a cerca de 500 m da área experimental.

Os tratamentos foram constituídos pelas seguintes pastagens: Coastcross sobressemeado com azevém; Coastcross sobresseamado com azevém e trevo branco: azevém e trevo branco; e azevém. A área experimental foi de 1,4 ha, subdividida em oito piquetes, cada um com 0,175 ha. Em metade da área, o capim-coastcross já havia sido implantado em março de 2003, manualmente, utilizando-se mudas provenientes da subdivisão de touceiras, oriundas de área experimental do próprio Laboratório. Em meados de maio de 2006, foi realizada a roçada da área. Posteriormente, preparou-se superficialmente o solo, por meio de gradagem leve. O azevém e o trevo-branco foram estabelecidos por sobressemeadura a lanço, seguida de gradagem leve para incorporação das sementes. A outra metade da área vinha sendo manejada com culturas anuais de inverno e verão. Nessa área, o estabelecimento foi feito pelo cultivo mínimo, com densidade de semeadura do azevém de 35 kg/ha e a do trevo-branco de 3 kg/ha nos tratamentos correspondentes.

A adubação de base das pastagens foi feita com adubo da fórmula 05-20-20, à razão de 15-60-60 kg/ha de NPK, com base nos resultados da análise de solo e nas recomendações da Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC (2004). A adubação nitrogenada de cobertura foi de 135 kg/ha de N e consistiu de quatro aplicações de ureia, a primeira 30 dias após a semeadura e as demais nos dias 17/7, 14/8 e 10/10/2006.

No pré e pós-pastejo, a massa de forragem foi determinada pela técnica de dupla amostragem (Wilm et al., 1944). A forragem proveniente das amostras cortadas foi homogeneizada e uma subamostra foi retirada para estimativa da composição botânica da pastagem e estrutural do azevém e do capim-coastcross. As amostras foram secas em estufa de ar forçado a 65 ºC, por 72 horas, para estimativa do percentual de matéria seca (MS). A produção total de forragem foi calculada somando-se as produções em cada ciclo de pastejo.

O método de pastejo adotado foi o rotacionado, com ocupação de um dia, tendo como critério para entrada dos animais a disponibilidade de massa de forragem entre 1.600 e 2.000 kg/ha. A carga animal foi calculada buscando manter resíduo de forragem de 900 kg/ha, adotando-se um valor estimado de taxa de desaparecimento de MS de 3% do peso vivo. A oferta de forragem foi calculada dividindo-se a carga animal pela massa de forragem pré-pastejo.

Como animais experimentais, foram utilizadas vacas em lactação da raça Holandesa, com peso médio de 514 kg e produção média de 20,04 kg de leite, submetidas a duas ordenhas diárias, às 7 h e às 16 h, mantidas nas pastagens das 9 h às 15h30 e das 18 h às 6h30. Como complementação alimentar, cada animal recebeu diariamente 4 kg de concentrado, com 20% de proteína bruta e 1,0 kg de MS de silagem de sorgo. Os animais foram pesados quinzenalmente, sempre após a ordenha da tarde. Fora dos períodos experimentais, as vacas foram mantidas sob manejo similar, com pastagens da época e mesmo suplemento alimentar.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com quatro tratamentos (pastagens), duas repetições (piquetes) e cinco períodos de avaliação (pastejos). Os dados referentes às variáveis avaliadas (massa de forragem, composições botânica e estrutural no pré e pós-pastejo e a carga animal) foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Tukey a 5% de significância. Também foram realizadas análises de regressão polinomial, considerando os dias de pastejo, com auxílio do pacote estatístico SAS (1997).

 

Resultados e Discussão

Durante o experimento, foram conduzidos cinco ciclos de pastejo, com períodos de 1 dia de ocupação e de 31 dias de descanso aproximadamente. Ciclos de pastejo semelhantes foram observados por Pereira et al. (2008) em pastagens de capim-bermuda sobressemeada com aveia-preta e azevém e azevém em cultivo exclusivo. Segundo Deresz et al. (2001), períodos de ocupação curtos, de 1 a 3 dias, e de descanso, entre 30 e 45 dias, estão associados à melhor qualidade da forragem ofertada.

A massa de forragem inicial (Tabela 1) apresentou diferença significativa apenas no pastejo feito em setembro e foi maior (P<0,05) para a pastagem de capim-bermuda sobressemeada com azevém e trevo-branco em relação às pastagens de azevém e trevo-branco ou somente de azevém. Nesse período os valores de massa de forragem foram mais elevados em todas as pastagens, em decorrência do ápice de produção do azevém no início da primavera. Os valores de massa de forragem foram superiores à faixa ideal de disponibilidade de forragem requerida para o máximo desempenho animal, que, em espécies temperadas, situa-se entre 1.200 e 1.600 kg/ha de MS (Rocha et al., 2003). Para lâmina foliar do azevém, os valores médios situaram-se entre 754 e 916 kg de MS/ha. Silva et al. (2004), trabalhando com pastagem de azevém com 350 e 600 kg/ha de massa de lâminas foliares, revelaram que os melhores resultados econômicos foram obtidos com disponibilidade de 600 kg/ha de MS de lâminas foliares em pastagem de aveia e azevém sob pastejo contínuo. Mesmo nas áreas sobressemeadas (Tabela 1), a disponibilidade de lâminas foliares de azevém foi similar à recomendável.

Nas pastagens de capim-coastcross, a produção de lâminas foliares do azevém foi menor (P<0,05) nos dois primeiros pastejos, feitos em junho e julho, em decorrência da supressão do crescimento do azevém com a presença do capim-coastcross (Tabela 1). No último pastejo, feito em outubro, a produção de lâminas foliares de azevém foi maior nas pastagens sobressemeadas, o que contribuiu para estender o período de uso dessa mistura forrageira. Na média, os valores de lâminas foliares do azevém foram similares (P>0,05) entre os pastos. Para o colmo mais bainha de azevém, a variabilidade foi maior e em média inferior (P<0,05) nas pastagens sobressemeadas. Adicionando-se, no entanto, a participação de colmo + bainha de Coastcross, os valores médios foram similares, resultado que pode ser confirmado pela não-significância (P>0,05) entre os sistemas forrageiros para massa de forragem média.

A participação do trevo-branco foi pequena nas pastagens e foi maior na consorciação com Coastcross, possivelmente em razão da menor contribuição do azevém, que implica menor competitividade. Também a presença de Coastcross pode ter contribuído para melhorar a cobertura do solo (Carnevalli et al., 2001), proporcionando condições mais favoráveis ao estabelecimento do trevo-branco (Fontaneli et al., 2005).

Para o material morto, verificou-se diferença (P<0,05) no primeiro e segundo pastejos, com os maiores valores nas pastagens de Coastcross, em decorrência do acúmulo de material senescente dessa forrageira nessa época do ano. Esse comportamento pode ter influenciado a participação de outras espécies no pastejo inicial, feito em junho, que foi menor (P<0,05) nas pastagens sobressemeadas.

Avaliando apenas as pastagens com Coastcross, não foi observada diferença entre os componentes estruturais avaliados. Em média a participação dessa forrageira foi de 38% e está relacionada às temperaturas mais amenas verificadas no período de avaliação. Em trabalho conduzido por Rocha et al. (2007) sob condições ambientais normais, na mesma região e com metodologia semelhante à deste trabalho, a participação do capim-bermuda foi de 24%. A maior contribuição dessa forrageira ocorreu nos dois primeiros pastejos feitos no início do período hibernal, confirmando informações de Prohmann et al. (2004) de que essa cultivar apresenta maior sensibilidade às baixas temperaturas em comparação às demais cultivares do gênero Cynodon.

Os dados de pós-pastejo (Tabela 2) indicam que houve similaridade no manejo empregado. Os valores de massa de forragem residual média mantiveram-se dentro do preconizado para o experimento, situando-se entre 900 e 1.000 kg/ha de MS. Esses resultados confirmaram que a utilização da taxa de desaparecimento de 3,0% do PV (consumo e perdas de forragem) para determinação da carga animal foi adequada, considerando o método de pastejo e a complementação alimentar utilizada.

Os valores residuais dos componentes estruturais do azevém e da Coastcross guardam relação com os valores de pré-pastejo. As taxas de desaparecimento de lâminas foliares e da fração colmo + bainha de azevém não diferiram (P>0,05) entre as pastagens nem entre os períodos de avaliação. As médias de desaparecimento foram de 75,8 e 49,9%, respectivamente. A taxa de desaparecimento de lâminas foliares e de colmo + bainha da Coastcross também não diferiu (P>0,05) entre as pastagens, com médias de 58,85 e 54,39%, respectivamente.

A produção média de forragem (Tabela 3) em cada avaliação também não diferiu (P>0,05) entre as pastagens nos pastejos de junho e julho. Em agosto, no entanto, a produção foi maior (P<0,05) nas pastagens de azevém e de azevém + trevo-branco, tendência que se inverteu no pastejo feito em outubro, com maior produção nas pastagens sobressemeadas. A produção média total de forragem, no entanto, foi maior (P<0,05) nas pastagens de Coastcross, o que pode ser explicado pelo aumento da massa de forragem desta espécie tropical, especialmente no início e final do período hibernal. Os valores observados neste trabalho são similares aos obtidos por Pereira et al. (2008), que compararam pastagens constituídas por aveia e azevém sobressemeada em Coastcross, e inferiores aos relatados por Gerdes et al. (2005) para pastagem de capim-aruana sobressemeada com uma mistura forrageira composta de aveia, azevém e trevo-branco, cuja produção de forragem foi de 11.220 kg/ha de MS em seis ciclos de pastejo no segundo ano de avaliação. Valores menores, de 2,58 e 4,88 t/ha de MS, foram observados por Utley et al. (1976) em pastagem de Coastcross sobressemeada com azevém e azevém na forma esclusiva, respectivamente, adubadas com 168 kg de nitrogênio, 84 kg de P2O5 e 42 kg de K2O.

A oferta de forragem (Tabela 3) não diferiu (P>0,05) entre as pastagens nos cinco períodos de avaliação e nas médias, e manteve-se próxima a 5%, valor inferior ao relatado por Rocha et al. (2007), de 9,3 e 9,8% para pastagens de aveia e azevém sob cultivo exclusivo e sobressemeada em Coastcross, respectivamente. Comparativamente, o menor valor encontrado deve-se, em parte, ao manejo utilizado neste trabalho, no qual os animais receberam suplementação alimentar.

A oferta de lâminas foliares do azevém (Tabela 3) foi maior nos dois pastejos iniciais e na média nas pastagens sob cultivo exclusivo. No entanto, a oferta total de lâminas foliares não diferiu (P>0,05) entre as pastagens, em virtude da produção de lâminas foliares do capim-bermuda, que compensou a menor produção de lâminas foliares do azevém. Essa condição proporcionou resultados similares (P>0,05) de carga animal entre as pastagens. A oferta de lâminas foliares média, de 2,35 kg de MS por 100 kg de PV, é superior à relatada por Rocha et al. (2007), de 1,32 kg de MS por 100 kg de PV, em pastagem de Coastcross sobressemeada com aveia e azevém.

A carga animal média, calculada da semeadura até o ultimo dia de pastejo, foi de 1.485 kg/ha/dia, correspondente a 3,45 vacas/ha/dia, inferior aos valores verificados por Vilela et al. (2006), próximos a 5 vacas/dia. O valor obtido é superior aos observados por Rocha et al. (2007), de 1011 e 934 kg/ha/dia, e por Pereira et al. (2008), de 925 e 1.050 kg/ha/dia, em pastagens de aveia e azevém sob cultivo exclusivo e sobressemeadas com Coastcross. Utilizando a mesma adubação nitrogenada deste trabalho (150 kg/ha de N), Rocha et al. (2003) verificaram carga de 1.360 kg/ha/dia em trabalho com novilhas de corte em pastagens de aveia e azevém sob pastejo contínuo recebendo como suplemento grão de sorgo moído na proporção de 1% do PV.

 

Conclusões

A estratégia de sobressemeadura de azevém em pastagem de capim-coastcross em pastagem de azevém contribui para estender o período de utilização dessa forrageira de inverno, melhorando a distribuição do pasto no decorrer dos pastejos e proporcionando maior produção de forragem total. O uso do azevém ou do azevém e trevo-branco sobre o capim-coastcross não implica diferença na biomassa de lâminas foliares. Esse comportamento proporcionou condições de similaridade na carga animal. Nas condições climáticas da região, o capim-coastcross pode ser sobressemeado durante o período hibernal sem comprometer o desempenho da pastagem perene, consistindo, assim, em uma estratégia de produção forrageira mais sustentável se comparada ao cultivo exclusivo com azevém.

 

Referências

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Este artigo foi recebido em 11/04/2008 e aprovado em 17/12/2008.

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: clairo@smail.ufsm.br