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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.39 no.4 Viçosa Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982010000400023 

RUMINANTES

 

Fontes de energia em suplementos múltiplos para novilhos em pastejo durante o período das águas1

 

Energy sources in multiple supplements for steers on pasture during rainy season

 

 

Michele Lopes do NascimentoI; Mário Fonseca PaulinoII; Edenio DetmannII; Maria Ignez LeãoII; Sebastião de Campos Valadares FilhoII; Lara Toledo HenriquesIII

IPrograma de Pós-graduação em Zootecnia, UFV. Viçosa, MG. CEP: 36571-000
IIDepartamanto de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG. CEP: 36571-000
IIIPós-doutoranda, DZO-UFV. Bolsista da Capes

 

 


RESUMO

Avaliou-se a influência do fornecimento de fontes de energia amiláceas e fibrosas em suplementos múltiplos sobre o desempenho e as características nutricionais de novilhos mestiços Holandês × Zebu em terminação em pastagem de Brachiaria decumbens Stapf. no período das águas. A área experimental consistiu de cinco piquetes de 2,0 ha, com disponibilidade média de MS de 5.853,0 kg/ha. Utilizaram-se 24 novilhos mestiços castrados, com aproximadamente 27 meses de idade e peso vivo inicial de 377,03 ± 7,28 kg. A cada animal, destinou-se casualmente um dos suplementos: mistura mineral à vontade, grão de sorgo ou grão de milho como fontes amiláceas de energia; e casca de soja ou farelo de trigo como fontes fibrosas. Às fontes de energia foram adicionados: mistura mineral, farelo de algodão e ureia para comporem suplementos com 33% de PB, com base na matéria seca, fornecidos na proporção de 1,0 kg/animal/dia. Nos animais sob suplementação com fontes energéticas, o ganho médio diário foi 33,4% maior. Os novilhos que consumiram suplemento com grão de sorgo foram os que apresentaram maior ganho de peso médio diário e maiores consumos nutrientes do pasto em comparação aos que consumiram grão de milho. A digestibilidade aparente total da fibra em detergente neutro corrigida para cinzas e proteína não foi afetada pela suplementação, independentemente da fonte de energia. O teor de nitrogênio ureico urinário foi menor nos animais sem suplementação. Suplementos múltiplos fornecidos em quantidade equivalente a 0,3% do peso vivo promovem ganho de peso superior ao obtido com mistura mineral em novilhos mestiços na fase de terminação durante o período das águas. Suplementos formulados com fontes fibrosas ou fontes amiláceas proporcionam desempenho produtivo semelhante.

Palavras-chave: braquiária, consumo, digestibilidade, suplementação


ABSTRACT

This study evaluated the supply of starch and fibrous energy in multiple supllements on the performance and nutritional characteristics of finishing crossbred Holstein × Zebu steers grazing Brachiara decumbens Stapf. in the rainy season. The experimental area was constituted of five 2 ha paddocks with dry matter average avaibility of 5,853.0 kg/ha. It was used 24 castrated crossbread steers aproximately at the age of 27 months and initial live weight of 377.03 ± 7.28 kg. It was given to each animal one of the following suplements: mineral mixture ad libitum, sorghum grain or corn grain as starch energy sources, and soybean hulls or wheat bran as fibrous energy sources. For the energy sources, the following were added: mineral mixture, cotton seed meal and urea to compose suplements with 33% crude protein based on dry matter given at 1.0 kg/animal/day proportion. For the animals under energetic source suplementation, the daily average gain was 33.4% higher and those that consumed suplement with sorghum grain were the ones that showed higher daily average grain and higher pasture nutrients intake regarded to the animals that consumed corn grain. The fiber total aparent digestibilidty in neutral detergent corrected for ashes and protein was not affected by the suplementation, regardless to the energy source. Urinary ureic nitrogen level was lower in animals with no suplementation. Multiple suplements provided in quantity equal to 0.3% of the live weight promote weight gain higher to that obtained with mineral mixture in finishing crosbread steers in the rainy season. Fibrous or starch source formulated suplements provide a similar yield performance.

Key Words: digestibility, intake, signal grass, supplementation


 

 

Introdução

Elemento-chave na eficiência de conversão de forragem em produto animal é a sincronização entre o suprimento de amônia no rúmen e o suprimento de substratos produtores de energia (Dove, 1996; Caton & Dhuyvetter, 1997).

Neste contexto, o fornecimento de suplementos proteicos/energéticos poderia ampliar a disponibilidade de proteína metabolizável com o aumento da relação proteína:energia absorvida com a consequente melhora no desempenho de animais a pasto (Poppi & McLennan, 1995).

A quantidade, a utilização e degradação simultânea da proteína e dos carboidratos da dieta são necessárias para o ótimo crescimento microbiano (Sinclair et al., 1995). Como proposto por Hoover & Stokes (1991), a taxa de degradação dos carboidratos da dieta e a sincronização desta taxa com a da degradação da proteína têm grande impacto sobre a síntese de proteína microbiana, uma vez que, quanto mais sincronizadas, melhor o aproveitamento de proteínas e carboidratos.

Por outro lado, o efeito da adição de carboidratos de alta degradabilidade em dietas à base de forragem, pode ser benéfico ou indesejável, dependendo da fonte utilizada e, sobretudo, da quantidade ingerida pelos animais. As fontes mais utilizadas para o suprimento de energia são grãos com alto nível de amido, que, dependendo da quantidade fornecida, podem provocar redução no consumo de forragem e na degradação da fibra. Horn & McCollum (1987) sugeriram que a suplementação energética até o nível de 0,7% do peso vivo não afetaria a utilização da forragem. Subprodutos da indústria alimentícia, como casca de soja, polpa cítrica e farelo de trigo, cuja utilização é limitada na alimentação humana, têm sido confirmados como fontes alternativas de energia para ruminantes. Essas fontes possuem alta concentração de fibra solúvel e/ou fibra insolúvel altamente digestível e baixa concentração de amido, o que resulta em menor efeito negativo sobre a digestão da forragem quando utilizadas como fonte de energia (Grigsby et al., 1992; Carey et al., 1993; Kim et al, 2007).

Objetivou-se avaliar o efeito de fontes de energia ricas em amido (milho e sorgo) ou fibra (casca de soja e farelo de trigo) em suplementos múltiplos sobre as características nutricionais da dieta e o desempenho de novilhos em pastejo.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido em três períodos experimentais de 28 dias, entre os meses de dezembro de 2006 e março de 2007, período das águas (Figura 1), no Setor de Bovinocultura de Corte da Universidade Federal de Viçosa.

Utilizaram-se como unidades experimentais 24 novilhos Holandês × Zebu (da raça Gir), castrados, com peso vivo inicial médio de 377,03 kg e 27 meses de idade, distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, em cinco tratamentos: um com cinco repetições e os demais, com quatro.

A área experimental foi constituída de cinco piquetes de 2,0 ha, formados com Brachiaria decumbens Stapf. Os lotes de animais, formados de acordo com o tratamento, foram submetidos ao rodízio nos piquetes, a cada sete dias, visando reduzir as diferenças na disponibilidade de forragem.

A cada unidade experimental destinou-se casualmente um dos cinco tratamentos: mistura mineral à vontade, grão de sorgo ou grão de milho como fontes amiláceas de energia; casca de soja ou farelo de trigo como fontes fibrosas. Às fontes de energia foram adicionados: mistura mineral, farelo de algodão com línter e ureia para comporem suplementos com 33% de PB, com base na matéria seca (Tabela 1).

A quantidade diária de suplemento múltiplo fornecida aos animais foi de 1 kg/animal/dia (matéria natural), o que correspondeu ao fornecimento médio de 0,3% do peso vivo, e ao suprimento aproximado de 30% das exigências de proteína bruta de um novilho castrado, com 400 kg de PV e ganho esperado de 1 kg/dia, segundo recomendações do NRC (2000). Os suplementos foram ofertados diariamente em cocho conjunto dentro de cada piquete, às 10 h, o que permitiu o acesso simultâneo dos animais.

Os animais foram pesados no início do experimento e ao final de cada período. As pesagens intermediárias serviram apenas para monitorar o desenvolvimento dos animais, uma vez que o ganho de peso total foi estimado pela diferença entre o peso final e o peso dos animais ao início do experimento. Ao final do experimento, todos os animais foram abatidos.

Para estimativa da disponibilidade total de forragem, foram feitas coletas na metade de cada período, por meio do corte da forrageira a 5 cm do solo em quatro áreas aleatórias dentro de cada piquete, segundo recomendações de McMeniman (1997), com o auxílio de um quadrado de 0,25 m2. As amostras obtidas foram pesadas e homogeneizadas por período, retirando-se duas subamostras para avaliação da disponibilidade total de matéria seca (MS) e determinação da composição do pasto nas frações colmo senescente, colmo verde, folha senescente e folha verde.

Para avaliação da composição química da forragem consumida pelos animais, realizaram-se coletas via simulação manual de pastejo, na metade de cada período experimental, sempre pela manhã e pela mesma pessoa, a fim de diminuírem-se os erros amostrais. Os animais permitiram a aproximação do observador, o que possibilitou a simulação do comportamento de pastejo de maneira satisfatória sem afetar o pastejo.

Das amostras destinadas à estimativa da disponibilidade total de matéria seca, foi calculado o percentual de matéria seca potencialmente digestível (MSpD) ofertada aos animais, por meio do resíduo insolúvel em detergente neutro avaliado após incubação in situ das amostras por 264 horas (Casali et al., 2008), segundo a equação de Paulino et al. (2006):

MSpD = 0,98 X (100 - FDN) + (FDN - FDNi); em que: 0,98 = coeficiente de digestibilidade verdadeira do conteúdo celular; FDNi = FDN indigestível.

Para avaliação das características nutricionais foi realizado um ensaio de dez dias, utilizando-se os mesmos animais da avaliação de desempenho produtivo. Para os cálculos referentes a este ensaio, foram utilizadas as características bromatológicas da amostra de pastejo simulado e do peso dos animais experimentais correspondentes ao primeiro período experimental, quando o ensaio foi realizado.

Na estimativa da excreção fecal, utilizou-se como indicador externo o óxido crômico, fornecido na quantidade de10g por dia aos animais, durante os nove primeiros dias do ensaio. O indicador foi acondicionado em cartuchos de papel e introduzido no esôfago, com auxílio de um aplicador de PVC.

As amostras de fezes foram coletadas entre o 8º e o 10º dias após o início do fornecimento do indicador, seguindo os horários de coleta: 8º dia -16 h, 9º dia - 12 h e 10º dia - 8 h. Depois de secas e moídas (1 mm), as amostras de cada horário de coleta foram compostas com base no peso seco ao ar.

A excreção de matéria seca fecal estimada foi obtida pela relação entre a quantidade fornecida do indicador e sua concentração nas fezes, segundo Burns et al. (1994):

No 10º dia do ensaio, cerca de 4 horas após a oferta do suplemento, foram realizadas coletas de sangue e amostras spot de urina em micção espontânea dos animais. Após a coleta, as amostras de urina foram diluídas em 40 mL de H2SO4 (0,036N) e congeladas a -20ºC para posterior quantificação dos teores de creatinina, ureia e derivados de purina. As amostras de sangue foram coletadas em tubos a vácuo e gel acelerador da coagulação e imediatamente centrifugadas (20 minutos a 2700 x g). O soro foi, então, congelado (-20ºC) para posterior quantificação dos teores de ureia.

Amostras de alimentos e fezes foram pré-secas em estufa de ventilação forçada (60ºC por 72 horas), processadas em moinho de facas (1 mm) e incubadas em duplicata (20 mg de matéria seca/cm2) em sacos de tecido não-tecido (TNT - 100 g/m2) no rúmen de duas novilhas mestiças durante 264 horas como proposto por Casali et al. (2008). Após este período, o material remanescente da incubação foi submetido à extração com detergente neutro para quantificação dos teores de FDNi e posteriormente à extração com detergente ácido para quantificação dos teores de FDA indigestível (FDAi).

Para a estimativa do consumo voluntário de forragem, utilizou-se como indicador interno a FDAi a equação proposta por Detmann et al. (2001):

em que: EF = excreção fecal (kg/dia); CIF = concentração do indicador nas fezes (kg/kg); IS = indicador presente no suplemento (kg/dia); CIFO = concentração do indicador na forragem (kg/kg) e CMSS = consumo de matéria seca de suplemento (kg/dia).

As análises laboratoriais foram realizadas de acordo com as técnicas descritas por Silva & Queiroz (2002), com exceção das avaliações de FDN, que seguiram o método proposto por Mertens (2002). As correções referentes aos teores de cinzas e proteína residuais na FDN e FDA foram realizadas conforme recomendações de Mertens (2002) e Licitra et al. (1996), respectivamente.

Para quantificação dos carboidratos não-fibrosos (CNF) dos suplementos, utilizou-se a equação proposta por Hall (2000) para alimentos que contêm ureia:

CNF = 100 - [(%PB - %PBureia+ %ureia) + %FDNcp + %EE + %cinzas]

em que: PB = proteína bruta; PBureia = proteína bruta advinda da uréia; FDNcp = fibra em detergente neutro corrigida para cinzas e proteína; EE = extrato etéreo.

As concentrações de creatinina e ácido úrico na urina e de ureia na urina e no soro foram estimadas pelos métodos de Jaffé modificado (Bioclin K016-1), colorimétrico (UOD-PAP, Bioclin K052) e enzimático-colorimétrico (Bioclin K047), respectivamente. Os teores urinários de alantoína foram estimados pelo método colorimétrico, conforme Chen & Gomes (1992). A conversão dos valores de ureia em nitrogênio ureico foi realizada pela multiplicação dos valores obtidos pelo fator 0,466.

O volume urinário diário foi calculado com base na relação entre a excreção diária de creatinina (EC) e o peso vivo (PV), e na sua concentração nas amostras spot, adotando-se como referência a equação proposta por Chizzotti et al. (2008):

EC(mg/kgPV) = 32,27 - 0,01093 x PV

Desta forma, a excreção urinária diária de compostos nitrogenados foi o produto entre sua concentração nas amostras spot e o volume urinário estimado. A excreção total de derivados de purinas foi calculada pela soma das quantidades de alantoína e ácido úrico excretados na urina. As purinas absorvidas (Y, mmol/dia) foram calculadas a partir da excreção de derivados de purina (X, mmol/dia), por meio da equação:

Y = (X - 0,385 x PV0,75)/ 0,85 em que: 0,85 é a recuperação de purinas absorvidas como derivados de purinas e 0,385PV0,75, a contribuição endógena para a excreção de purinas (Verbic et al.,1990).

A síntese ruminal de compostos nitrogenados (Y, g Nmic/dia) foi calculada em relação às purinas absorvidas (X, mmol/dia) utilizando-se a equação descrita por Chen & Gomes (1992), com exceção da relação N purinas:N total das bactérias, com o valor de 0,134, conforme Valadares et al. (1999):

Y = 70X /(0,83*0,134*1000) em que: 70 é o conteúdo de N nas purinas microbianas (mgN/mol); 0,134, a relação N purinas:N total nas bactérias; e 0,83, a digestibilidade das purinas bacterianas.

O experimento foi analisado segundo delineamento inteiramente casualizado, adotando-se como covariável o peso vivo inicial para o peso vivo final e o ganho médio diário. A comparação entre suplementos foi realizada pela decomposição da soma de quadrados, relacionada a esta fonte por meio de contrastes ortogonais (Tabela 2).

Todos os procedimentos estatísticos foram conduzidos por meio do programa SAS (Statistical Analisys System, 1997), adotando-se 0,10 como nível crítico de probabilidade para o erro tipo I.

 

Resultados e Discussão

As médias observadas para MS total, MS potencialmente digestível, MS de folhas verdes, MS de folhas senescentes, MS de colmos verdes, MS de colmos senescentes (Figura 2) foram 5,853; 4,222; 1,360; 0,824; 2,672 e 0,998 t/ha, respectivamente.

A disponibilidade de matéria seca total não é um bom parâmetro para caracterizar pastagens, uma vez que não fornece informações sobre a qualidade do pasto disponível. Segundo Paulino et al. (2004), a evolução natural de conceitos é a condução do manejo de pastagem com base na oferta de matéria seca potencialmente digestível, posto que esse conceito integra quantidade e qualidade do pasto, indepentemente da época do ano. A oferta média de matéria seca digestível durante o experimento foi de 0,439 t/100 kg de peso vivo (Figura 2), devido à baixa carga animal utilizada durante o experimento (2,14 UA/ha).

Durante o experimento, a disponibilidade de MS total e MS potencialmente digestível diminuiu, como resultado da maior taxa de senescência em detrimento à taxa de renovação de perfilhos, comprovada pelo aumento da proporção das frações senescentes (Figura 2), além da contribuição do pastejo seletivo pelos animais, selecionando folhas verdes em detrimento às senescentes. Os processos de senescência e morte de folhas e perfilhos determinam a estabilização do acúmulo líquido de forragem com o aumento da fração indigestível e do teor de lignina, resultando em menor qualidade de forragem oferecida, apesar de apresentar-se em quantidade suficiente para permitir a seletividade dos animais.

A média da fração de compostos nitrogenados nãoproteicos (NNP) da Brachiaria decumbens foi de 32,82% do nitrogênio total (Tabela 3). Em contrapartida, 49,8% da proteína verdadeira apresentou-se na forma de proteína insolúvel em detergente neutro (PIDN), de modo que 19,83% da PIDN correspondeu à proteína insolúvel em detergente ácido (PIDA), fração indisponível ao animal e aos microrganismos, e os 80,17% restantes, à fração lentamente degradável no rúmen, com taxa bruta de digestão estimada em 0,95 %/hora (Valadares Filho et al., 2006a). Essas condições favorecem a utilização de proteína verdadeira suplementar degradável no rúmen.

Forragens tropicais durante o período das águas possuem 40 a 50% do seu conteúdo nitrogenado na forma solúvel (Johnson et al., 2001), o que aumenta as chances de degradação desta fração no rúmen. Esse fato, aliado ao conteúdo de carboidratos estruturais, com menores taxas de degradação, promove falta de sincronia entre nitrogênio e esqueletos carbônicos oriundos da degradação dos carboidratos no rúmen, o que prejudica a síntese de proteína microbiana, gerando baixas quantidades de proteína metabolizável para os animais sob este perfil qualitativo de forragem. Esta interação tem sido apontada como fator responsável por ganhos limitados neste período do ano (Poppi & McLennan, 1995)

O ganho médio diário dos animais sob suplementação (Tabela 4) foi 33,4% superior (P<0,10) ao daqueles que consumiram apenas a mistura mineral, o que correspondeu ao incremento de 150 g/animal/dia. As fontes energéticas não diferiram entre si (P>0,10), tampouco houve influência das fontes fibrosas (P>0,10) neste parâmetro, porém, o suplemento múltiplo com grão de sorgo em sua constituição proporcionou aos animais maior ganho médio diário (P<0,10) em relação àquele que continha grão de milho.

A fração fibrosa do farelo de trigo e da casca de soja, em geral, é quase totalmente degradada no rúmen, em torno de 95%, o que faz com que estas fontes variem pouco entre si. Todavia, a taxa e a extensão da digestão do amido no rúmen diferem amplamente entre fontes amiláceas (Rooney & Pflugfelder, 1986; Huntington, 1997), o que provavelmente levou à diferença no ganho de peso entre estas fontes.

Não houve efeito (P>0,10) da suplementação sobre os consumos de matéria seca total, matéria orgânica total, FDNcp, FDNcp de pasto, matéria seca de pasto e matéria orgânica de pasto expressos em kg/animal/dia e g/kg de peso vivo (Tabela 5). Resultados semelhantes foram observados em ovinos por Garcés-Yépez et al. (1997), que observaram que alimentos suplementares energéticos ricos em amido ou em fibra digestível em níveis menores que 0,5% do peso vivo não afetaram o consumo de forragem nem digestibilidade da matéria seca.

Waldo (1986) relatou que a suplementação de forragem com concentrado, na maioria das vezes, aumenta o consumo total de matéria seca, mas reduz a ingestão de forragem. Segundo Herd (1997) citado por Lippke et al. (2000), em casos de suplementação no nível de 0,3 % do peso vivo, como neste estudo, não ocorreria o efeito substitutivo.

Os consumos de proteína bruta, carboidratos nãofibrosos e extrato etéreo entre os animais sob suplementação foram superiores em relação aos animais controle (P<0,10), em decorrência da contribuição destas frações via suplementação, uma vez que não houve substituição do consumo de pasto pelo suplemento (P>0,10). Os consumos de MS digerida, FDNcp digerida e FDNi (kg/animal/dia) não foram afetados pela suplementação (P>0,10), porém os consumo de MS digerida e nutrientes digestíveis totais expressos em relação ao peso vivo (g/kg de peso vivo) foram menores nos animais sob suplementação apenas com mistura mineral, o que justifica o menor desempenho produtivo desses animais (Tabela 4). As categorias de fontes energéticas não diferiram (P>0,10) entre si em nenhum dos parâmetros de consumo.

Acedo (2007) avaliou fontes proteicas no período de transição seca-águas e durante as águas e concluiu que suplementos constituídos de milho, ureia e farelo de algodão, em quantidade correspondente a 0,15% do peso vivo, não afetam o consumo nem a digestibilidade da forragem.

As fontes fibrosas não diferiram entre si em nenhum dos parâmetros de consumo avaliados (P>0,10). Diferenças entre fontes amiláceas (P<0,10) foram observadas para os consumos calculados em relação ao peso vivo (g/kg de peso vivo) de MS, MO, NDT, FDNcp, FDNi, MS de pasto, MO de pasto, FDNcp digerida e MS digerida: o suplemento com grão de sorgo moído resultou em maiores consumos em relação ao suplemento no qual foi incluído o grão de milho moído.

O melhor desempenho dos animais que consumiram suplementos múltiplos com grão de sorgo moído (Tabela 4), está, portanto, relacionado ao maior consumo pelos animais deste grupo, uma vez que o desempenho animal depende diretamente do consumo de matéria seca digestível (Mertens, 1994; Moore, 1999). Noller et al. (1996) apontaram que o consumo de matéria seca produz mais impacto na produção animal que variações na composição química ou na disponibilidade dos nutrientes.

Embora os teores de amido do milho e do sorgo sejam semelhantes ambos, em torno de 72% (Zinn, 1991), a taxa e a extensão da degradação ruminal podem variar significativamente entre essas fontes, tendo em vista características como resistência do pericarpo ao ataque microbiano e à digestão do grânulo de amido e as proporções de amilopectina e amilose. Essas variações justificam diferenças reportadas na literatura para digestão in vitro e in vivo entre fontes de grãos e as diferenças no desempenho animal (Rooney & Pflugfelder, 1986; McAllister et al., 1990; Wester et al., 1992).

As diferenças entre essas fontes provavelmente foram ocasionadas pelas características estruturais, uma vez que o processamento dos grãos foi semelhante. O processamento de grãos rompe as estruturas dos grânulos de amido e aumentaria sua fermentabilidade ruminal, devido à maior superfície de adesão ao ataque microbiano (Theurer et al., 1999). O grão de sorgo responde melhor que o grão de milho ao processamento (Huntington, 2006).

O amido do grão de milho tem efeito mais drástico sobre a extensão da digestão da FDN em comparação ao amido do grão de sorgo (Grant, 1994), logo, pode levar a um maior efeito de repleção ruminal, justificado pelo menor consumo de FDNi e de FDNcp digerida pelos animais que consumiram grão de milho, e a diferença encontrada entre estas fontes para o ganho médio diário (Tabela 4).

As digestibilidades aparentes totais da matéria seca e da matéria orgânica, assim como o teor de nutrientes digestíveis totais, não sofreram efeito (P>0,10) da suplementação múltipla (Tabela 6). Resultados semelhantes foram obtidos por Krysl et al. (1989), Del Curto et al. (1990), Freeman et al. (1992) e Matejovsky & Sanson (1995).

Os valores observados para a digestibilidade aparente total do extrato etéreo foram extremamente variados, tendo em vista o elevado coeficiente de variação e os valores negativos que originaram médias inferiores às esperadas, provavelmente devido ao baixo teor de extrato etéreo da dieta. Por este motivo, a digestibilidade aparente desta fração, para o cálculo do teor de nutrientes digestíveis totais, foi estimada segundo a equação proposta por Detmann et al. (2006a).

O fornecimento de suplementos com fontes energéticas não afetou a digestibilidade aparente total da FDNcp (P>0,10), que pode indicar que não houve efeito associativo negativo entre os componentes da forragem e os suplementos fornecidos para a digestão da fração fibrosa potencialmente digestível.

Conforme discutido anteriormente, o amido do grão de milho apresenta efeito mais drástico sobre a extensão da digestão da FDN em comparação ao amido do grão de sorgo (Grant, 1994). Logo, menor coeficiente de digestibilidade da FDNcp era esperado para o suplemento com grão de milho em relação àquele com grão de sorgo. Todavia, sabe-se que consumo e coeficiente de digestibilidade da FDN possuem relação inversa. Como o suplemento com grão de milho resultou em menor consumo pelos animais, houve um contrabalanço que levou a coeficientes de digestibilidade da FDNcp similares entre essas fontes, fato que confirma o menor consumo de FDNcp digerida (P<0,10) pelos animais que consumiram grão de milho em comparação àqueles que consumiram grão de sorgo (Tabela 5).

Os suplementos múltiplos foram superiores à mistura mineral na digestibilidade de carboidratos não-fibrosos (P<0,10), em razão da diferença de consumo desta fração (Tabela 5). O menor consumo resultou na diminuição da digestibilidade aparente devido à menor diluição da contribuição metabólica fecal (Van Soest, 1994).

A digestibilidade da proteína bruta foi maior (P<0,10) para as dietas com suplementos múltiplos. Além do maior consumo desta fração pelos animais sob suplementação (Tabela 5), que leva à diluição da fração metabólica fecal (Van Soest, 1994), a digestibilidade aparente da proteína bruta pode ter sido ampliada por maiores perdas de nitrogênio ruminal.

Diferenças entre as fontes energéticas para os parâmetros de digestibilidade aparente avaliados foram observadas apenas para o coeficiente de digestibilidade aparente total de carboidratos não-fibrosos, no qual fontes amiláceas tiveram maior coeficiente (P<0,10), devido à menor proporção desta fração nos suplementos com fontes fibrosas (Tabela 3).

Os parâmetros de digestibilidade não diferiram (P>0,10) entre as fontes de energia dentro de cada categoria.

Não houve efeito significativo (P>0,10) da suplementação sobre o nitrogênio ureico sérico, a eficiência microbiana e a síntese de compostos nitrogenados microbianos (Tabela 7).

O mesmo não foi observado para o nitrogênio ureico urinário, cuja média foi menor (P<0,10) nos animais que não receberam suplemento. De acordo com Santos et al. (2001), quanto maior a degradabilidade da proteína dietética maior a produção de amônia ruminal e maiores as perdas de nitrogênio na urina. O acréscimo no consumo de proteína degradável pelos animais via suplemento implicou maiores concentrações de nitrogênio ureico urinário.

Não houve diferenças (P>0,10) entre as fontes energéticas para os parâmetros de produção de compostos microbianos. As fontes dentro de cada categoria diferiram entre si quanto ao nitrogênio ureico sérico, cujo teor foi maior (P<0,10) para os suplementos com grão de milho e casca de soja em relação àqueles com grão de sorgo e farelo de trigo. As fontes fibrosas diferiram entre si quanto à excreção urinária ureica, cuja média foi maior nos animais que consumiram suplemento à base de casca de soja.

Embora sem efeito estatístico, o suplemento com grão de sorgo proporcionou aos animais maior valor numérico de nitrogênio microbiano, associado a valores relativamente menores de nitrogênio ureico urinário e sérico (Tabela 7), fato possivelmente relacionado ao melhor aproveitamento da fração nitrogenada e ao maior ganho de peso desses animais (Tabela 5). Se o número de animais fosse maior, possivelmente ocorreriam diferenças significativas.

O valores médios de eficiência microbiana, expressos em g de proteína microbiana/kg de NDT consumido, foram inferiores ao de 130 g/kg, empregado pelo NRC (2000), e de 120 g/kg, recomendado por Valadares Filho et al. (2006b) como referência para condições tropicais. Com base no próprio NRC (2000), a produção microbiana pode variar de 53 a 140 g/kg de NDT e a recomendação é de 130 g/kg, uma generalização que nem sempre se aplica a todas condições.

 

Conclusões

Suplementos múltiplos, fornecidos na proporção de 0,3% do peso vivo, permitem ganhos de pesos superiores aos obtidos com mistura mineral em novilhos em pastagem de Brachiaria decumbens durante o período das águas. Suplementos formulados com fontes fibrosas de alta digestibilidade ou com fontes amiláceas promovem desempenho semelhante no período das águas. Suplementos múltiplos à base de grão de sorgo moído proporcionam maior ganho de peso em comparação àqueles à base de grão de milho moído.

 

Referências

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Recebido em 17/3/2008 e aprovado em 24/4/2009.

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: mlnascime@gmail.com
1 Pesquisa financiada pela Fapemig e pelo CNPq

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