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Revista Brasileira de Zootecnia

versão On-line ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.39 no.5 Viçosa maio 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982010000500030 

SISTEMAS DE PRODUÇÃO ANIMAL E AGRONEGÓCIO

 

Correlações entre medidas determinadas in vivo por ultrassom e na carcaça de ovelhas de descarte

 

Correlations between in vivo measurements through ultrasound and on the carcass of discard ewes

 

 

Rafael Silvio Bonilha PinheiroI; André Mendes JorgeII; Marcos Juniti YokooIII

IDBZ/FEIS/Unesp - Ilha Solteira, SP, Brasil
IIDPA/FMVZ/Unesp - Botucatu, SP, Brasil
IIIPrograma de Pós-graduação em Genética e Melhoramento Animal da FCAV/Unesp - Jaboticabal, SP, Brasil

 

 


RESUMO

Objetivou-se estudar as medidas de espessura de gordura subcutânea, área de olho-de-lombo, comprimento e profundidade máxima do músculo longissimus dorsi entre a 13a costela e 1a vértebra lombar determinadas por ultrassom e na carcaça de ovelhas de descarte abatidas em diferentes estágios fisiológicos, além dos coeficientes de correlação e determinação das medidas avaliadas. Utilizaram-se 21 ovelhas da raça Santa Inês, distribuídas nos seguintes grupos: OL = ovelhas que permaneceram por 60 dias em lactação com seus cordeiros e foram abatidas um dia após o desmame dos mesmos; OSC = ovelhas que permaneceram por 60 dias em lactação com seus cordeiros e mais 30 dias sem os cordeiros e foram posteriormente abatidas; e ONP = ovelhas que não pariram durante o ano. O comprimento máximo do músculo longissimus dorsi obtido pelo ultrassom e na carcaça dos animais não foi influenciado pelos estágios fisiológicos. O ultrassom pode ser utilizado com razoável precisão para estimar características da carcaça de ovelhas de descarte, em particular a espessura de gordura subcutânea.

Palavras-chave: área de olho-de-lombo, características da carcaça, gordura subcutânea, longissimus dorsi, ovinos


ABSTRACT

The objective of this paper was to study subcutaneous fat thickness, loin eye area, length and maximum depth measurements of the longissimus dorsi muscle between the 13th rib and the 1st lumbar vertebra determined by ultrasound examination and on the carcass of discard ewes slaughtered in different physiological stages, besides correlation and determination coefficients among measurements evaluated. It was used 21 Santa Ines ewes distributed into the following treatments: EL = ewes that remained in lactation for 60 days with their respective lambs and slaughtered one day after weaning; EWL = ewes that remained in lactation for 60 days with their respective lambs one more period of approximately 30 days without the lambs and slaughtered afterwards; and ENC = ewes that did not give birth during the year. Results showed that the maximum length of the longissimus dorsi muscle obtained by ultrasound examination and on carcass of the animals were not influenced by the experimental treatments. The ultrasound can be used with reasonable accuracy to estimate characteristics of the carcass of discard ewes, particularly the thickness of subcutaneous fat.

Key Words: carcass traits, longissimus dorsi, rib eye area, sheep, subcutaneous fat


 

 

Introdução

As medidas determinadas no músculo longissimus dorsi com o equipamento de ultrassom no animal vivo tem sido próximas às obtidas na carcaça após o abate do animal (Hedrick, 1983; Prado et al., 2004). A medida de área de olho-de-lombo (AOL) do músculo longissimus dorsi entre a 12a e 13a costelas apresenta alta correlação com a musculosidade da carcaça, assim como a espessura de gordura subcutânea (EGS) nesta mesma seção (12a e 13a costelas) com a quantidade de tecido adiposo da carcaça bovina (Forrest, 1968; Suguisawa et al., 2006).

A seção entre a 12a e 13a costelas é muito utilizada para determinar a AOL e EGS. Stanford et al. (1995) relataram que alguns trabalhos indicam maior precisão nas medidas realizadas entre a 13a costela e 1a vértebra lombar da carcaça de ovinos em relação à medida determinada entre a 12a e 13a costelas. No entanto, são escassos os estudos com avaliação das características da carcaça ovina nesta seção (13a costela e 1a vértebra lombar).

As medidas mais usuais para predizer características da carcaça são a AOL e a EGS no músculo longissimus dorsi por ultrassom e na carcaça. Segundo Palsson (1939) outras medidas também podem ser utilizadas, como a profundidade máxima do músculo longissimus dorsi, que indica a musculosidade da carcaça. O comprimento máximo do músculo longissimus dorsi também tem sido determinado em estudos com carcaças ovinas (Mccutcheon et al., 1993; Pinheiro, 2006).

O crescimento do rebanho de ovinos para produção de carne tem aumentado muito nestes últimos anos, o que também gera grande número de animais de descarte para o abate. Atualmente, não existe uma preocupação muito grande com os ovinos de descarte direcionados para o abate e sim, uma preocupação com os animais jovens. Portanto, não se sabe qual o melhor momento de se abater esses ovinos de descarte nem como fazer sua terminação para que apresentem adequadas características de carcaça e qualidade da carne.

Este estudo foi realizado para avaliar as medidas in vivo por ultrassom em tempo real e na carcaça, determinadas no músculo longissimus dorsi entre a 13a costela e a 1a vértebra lombar de ovelhas de descarte da raça Santa Inês abatidas em diferentes estágios fisiológicos com o objetivo de identificar a precisão entre as medidas determinadas por ultrassom e na carcaça e suas possíveis correlações.

 

Material e Métodos

Foram selecionadas para o experimento 21 ovelhas de descarte da raça Santa Inês (após um período de estação de monta) de um rebanho comercial localizado na cidade de Jaguariúna, São Paulo. O descarte dos animais ocorreu por não estarem mais nos critérios de seleção adotados, diagnosticados por meio da escrituração zootécnica do rebanho.

No início do estudo, os animais apresentaram peso corporal médio de aproximadamente 43 ± 2,87 kg e 72 ± 11 meses de idade. As fêmeas foram distribuídas nos seguintes grupos: OL = ovelhas que permaneceram por 60 dias em lactação com seus cordeiros e foram abatidas um dia após o desmame dos mesmos; OSC = ovelhas que permaneceram por 60 dias em lactação com seus cordeiros e mais um período de aproximadamente 30 dias sem os cordeiros, no intuito de recuperar o peso corporal perdido durante o período de amamentação, e foram posteriormente abatidas; e ONP = ovelhas que permaneceram por 60 dias juntas das ovelhas dos grupos OL e OSC até o abate e que não pariram durante o ano. Utilizaram-se 7 ovelhas por estágio fisiológico. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com três tratamentos e sete repetições.

As ovelhas permaneceram em regime de confinamento em instalação coberta com área de solário, alimentação e água à vontade durante todo o período do experimento. Todas as ovelhas foram abatidas no mesmo dia, portanto as fêmeas do OSC pariram um mês antes das do OL, e todos os partos foram simples (parição de um cordeiro por ovelha).

A dieta fornecida às ovelhas apresentou relação volumoso:concentrado de 70:30. O volumoso foi o feno de capim-tifton - 85 (Cynodon spp), e o concentrado constituído de 69,60% de grãos de milho moídos, 24,80% de farelo de algodão, 0,80% de calcário calcítico, 0,80% de fosfato bicálcico e 4,00% de suplemento mineral.

A composição bromatológica da dieta foi de 89,13% de matéria seca, 4,97% de matéria mineral, 11,81% de proteína bruta, 2,12% de extrato etéreo, 58,46% de fibra em detergente neutro e de 30,29% de fibra em detergente ácido. Os animais receberam duas refeições diárias, às 7 h e às 16 h, em cocho de madeira que permitiu o acesso de todos os animais ao mesmo tempo. Os cordeiros tiveram acesso a comedouro seletivo onde foi oferecido concentrado à vontade, no intuito de reduzir o desgaste promovido pelo período de lactação das ovelhas. Todos os animais tiveram acesso a sal comum fornecidos em cocho.

Um dia antes do abate, as ovelhas foram pesadas e, em seguida, foram realizadas as medidas por ultrassom após tosquia da região entre a 13a costela e 1a vértebra lombar, do lado direito do animal. Utilizou-se óleo vegetal no dorso do animal, para o acoplamento acústico (standoff), o qual foi disposto de maneira perpendicular ao comprimento do músculo longissimus dorsi para a tomada da imagem, cuja leitura foi a medida do comprimento e da profundidade máxima do músculo, em centímetros (cm), além da espessura de gordura subcutânea, em milímetros (mm). Calculou-se a área de olho-de-lombo, conforme descrito por Silva Sobrinho (1999), em cm2. Também calculou-se a área de olho-de-lombo ajustada (AOLA) para 15 kg de carcaça (cm2/15 kg de carcaça). O equipamento de ultrassom utilizado foi o PIEMEDICAL, modelo Aquila, equipado com sonda linear de 18 cm e 3,5 MHz, e guia acústica para o acoplamento ao animal. As imagens obtidas com o equipamento de ultrassom foram realizadas por um técnico experiente em determinar medidas in vivo com esse aparelho em ovinos.

No manejo pré-abate, as ovelhas foram mantidas em jejum de sólidos por 16 horas e em seguida foram insensibilizadas com eletronarcose, quando então foram seccionadas as veias jugulares e as artérias carótidas para sangria. Após a retirada da pele, a evisceração e a retirada das extremidades dos membros e da cabeça, as carcaças foram transferidas para câmara frigorífica a 5ºC por 24 horas. Ao final desse período, as carcaças foram divididas longitudinalmente em duas partes, e da meia-carcaça direita foi retirada a seção entre a 13a costela e a 1a vértebra lombar. Posteriormente, nesta seção da carcaça, foram feitas mensurações para cálculo de área de olho-de-lombo conforme descrito por Silva Sobrinho (1999). Também foram realizadas medidas com o auxílio de um paquímetro para determinação da espessura de gordura subcutânea, do comprimento e da profundidade máxima do músculo. Estas medidas foram, então, correlacionadas com as obtidas in vivo pelo ultrassom e a área de olho-de-lombo foi ajustada.

A diferença esperada entre as medidas obtidas por ultrassom e na carcaça foram calculadas da seguinte maneira: diferença esperada da AOL = AOL por ultrassom (AOLU) - AOL na carcaça (AOLC); diferença esperada para EGS = EGS por ultrassom (EGSU) - EGS na carcaça (EGSC); diferença esperada para PMM = PMM por ultrassom (PMMU) - PMM na carcaça (PMMC) e diferença esperada para CMM = CMM por ultrassom (CMMU) - CMM na carcaça (CMMC).

Para as análises de variância foi utilizado o procedimento do SAS (SAS, 1996). As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. Para determinar o coeficiente de correlação entre as variáveis estudadas nesta pesquisa, foi utilizada a correlação de Pearson, segundo procedimento CORR do programa SAS (SAS, 1996). Foram determinadas equações de regressão linear simples para estimativa das medidas na carcaça a partir de medidas realizadas in vivo por ultrassom.

 

Resultados e Discussão

O comprimento máximo do músculo longissimus dorsi entre a 13a costela e a 1a vértebra lombar, obtido com o ultrassom e também na carcaça, não foi influenciado (P>0,05) pelo estágio fisiológico da ovelha (Tabela 1), resultado semelhante ao obtido por Pinheiro (2006), que mediu com paquímetro o comprimento máximo do longissimus dorsi nesta mesma seção da carcaça de ovelhas de descarte ½ Ile de France ½ Ideal. A profundidade máxima do músculo longissimus dorsi medida por ultrassom nas ovelhas abatidas um dia após o desmame dos cordeiros foi menor (P< 0,05) que a mesma medida obtida nas ovelhas nos demais estágios fisiológicos (Tabela 1). Essas ovelhas também apresentaram menor área de olho-de-lombo e área de olho-de-lombo ajustada em comparação às OSC e ONP, fato explicado pela alta correlação entre área de olho-de-lombo e profundidade máxima do músculo longissimus dorsi.

De acordo com Gonzaga Neto et al. (2006), a área de olho-de-lombo é uma medida que indica a quantidade de carne comercializável e, segundo Hashimoto et al. (2007), a profundidade do músculo longissimus dorsi pode predizer a quantidade de músculo da carcaça. Portanto, valores menores de área de olho-de-lombo ou de profundidade máxima do músculo longissimus dorsi podem indicar proporções menores de músculo na carcaça.

A espessura de gordura subcutânea medida por ultrassom no animal vivo e na carcaça diferiu significativa-mente entre os estágios fisiológicos (Tabela 1), com menores valores para as ovelhas OL em relação às OSC. O resultado deste estudo para espessura de gordura subcutânea in vivo e na carcaça dos animais OSC foi semelhante ao de espessura de gordura subcutânea na carcaça de cordeiras (2,07 mm) obtido por Motta et al. (2001). Os valores de profundidade máxima do músculo longissimus dorsi e os de área de olho-de-lombo e de área de olho-de-lombo ajustada diferiram entre os estágios fisiológicos (Tabela 1); porém, as medidas obtidas no longissimus dorsi das ovelhas OSC não diferiram (P>0,05) das medidas realizadas no mesmo músculo dos animais OL e ONP.

Os valores obtidos por ultrassom para as medidas de espessura de gordura subcutânea e de comprimento máximo do músculo longissimus dorsi foram inferiores aos obtidos na carcaça. Brethour (1992) mediu a espessura de gordura de cobertura entre a 12a e 13a costelas sobre o músculo longissimus dorsi de bovinos e constatou também menor espessura de gordura subcutânea pelo ultrassom em comparação à observada na carcaça. De acordo com esse autor, esse resultado está relacionado ao fato de a pele comprimir a gordura subcutânea sobre a carcaça do animal vivo e, após o abate, haver uma expansão dessa camada, após a remoção da pele do animal.

As medidas de área de olho-de-lombo e de profundidade máxima do músculo longissimus dorsi apresentaram valores menores nas mensurações realizadas na carcaça em relação às obtidas in vivo por ultrassom (Tabela 2). Andrighetto (2007) constatou valor menor de diferença esperada para a área de olho-de-lombo obtida por ultrassom (- 5,32) em relação à mesma medida realizada na carcaça de bubalinos. A maioria das medidas realizadas com o ultrassom e na carcaça das ovelhas de descarte deste estudo apresentou correlação positiva entre si (Tabela 3). A profundidade máxima do músculo na carcaça e por ultrassom apresentou alta correlação com a área de olho-de-lombo e área de olho-de-lombo ajustada, tanto por ultrassom como na carcaça (Tabela 3), o que está de acordo com o descrito por Hashimoto et al. (2007), que relataram que a medida de profundidade máxima do músculo apresenta alta correlação com a área de olho-de-lombo. Esse resultado indica que a maior profundidade máxima do músculo longissimus dorsi nesta seção da carcaça (13a costela e 1a vértebra) está relacionada à maior área de olho-de-lombo, além de ser uma medida mais fácil de ser realizada nos pequenos ruminantes em relação à área de olho-de-lombo (medida tradicional para determinar características da carcaça); o que permite a menor incidência de erros na coleta da imagem por ultrassom e na carcaça de ovinos.

Segundo Stanford et al. (1995), a coleta da imagem da área de olho-de-lombo por ultrassom do músculo longissimus dorsi de pequenos ruminantes é limitada pelo estreito espaço entre as costelas e também pela pequena área do músculo, o que proporciona aumento dos erros na coleta da imagem. Na espécie ovina, outra limitação para determinar a área de olho-de-lombo é a presença de lã na maioria das raças, que exige tosquia para se obter imagem de melhor qualidade, o que acarreta desvalorização da pele do animal.

Há baixa correlação entre a espessura de gordura subcutânea determinada por ultrassom e as demais medidas determinadas também in vivo por ultrassom (Tabela 3); porém, houve alta correlação da espessura de gordura subcutânea determinada por ultrassom com a espessura de gordura subcutânea na carcaça. A espessura de gordura subcutânea obtida neste estudo foi igual à relatada por Delfa et al. (1991) e citada por Delfa et al. (1999), que obtiveram correlação de 0,82 entre as medidas tomadas por ultrassom e na carcaça de ovelhas adultas para a espessura de gordura subcutânea. Delfa et al. (1999) obtiveram correlação de 0,74 entre a avaliação in vivo por ultrassom e na carcaça de cabritos para a espessura de gordura subcutânea determinada entre a 1a e 2a vértebra lombar.

Silva et al. (2004) constataram baixa correlação entre a espessura de gordura subcutânea determinada por ultrassom e na carcaça no início do confinamento de bovinos, e descreveram que o fato pode ser explicado pelo grande número de animais com pouca gordura de cobertura no momento da primeira avaliação da medida com o ultrassom. Portanto, quanto maior a espessura de gordura subcutânea do animal, mais fácil a mensuração da medida e menores as probabilidades de erro. Consequentemente, maior será o valor de correlação entre a medida realizada in vivo e na carcaça do animal.

Houve alta correlação entre as medidas de área de olho-de-lombo e área de olho-de-lombo ajustada e entre a área de olho-de-lombo obtida por ultrassom em relação à determinada na carcaça (0,74). Os valores foram superiores aos obtidos por Edwards et al. (1989), ao correlacionarem as medidas de ultrassom realizadas in vivo com as da carcaça de cordeiros entre a 12a e 13a costelas. Silva et al. (2003) obtiveram correlação de 0,74 entre área de olho-de-lombo obtida por ultrassom e na carcaça de bovinos. Prado et al. (2004) constataram correlação de 0,80 entre as medidas de área de olho-de-lombo por ultrassonografia e na carcaça de bovinos, entre a 12a e 13a costelas. Os valores de área de olho-de-lombo obtidos na carcaça das ovelhas de descarte apresentaram correlação média a alta com a maioria das medidas determinadas na própria carcaça, porém, houve correlação baixa com a medida de comprimento máximo do músculo (Tabela 3).

As medidas de profundidade e de comprimento máximo do músculo longissimus dorsi entre a 13a costela e 1a vértebra lombar determinadas por ultrassom e na carcaça de ovelhas de descarte da raça Santa Inês apresentaram correlação de 0,70 e de 0,60, respectivamente (Figura 1). Valores de correlação inferiores ao deste estudo para a profundidade máximo do músculo foram relatados por Delfa et al. (1991) e citados por Delfa et al. (1999), que obtiveram correlação de 0,22 entre as medidas tomadas por ultrassom e na carcaça para profundidade máxima do músculo longissimus dorsi de ovelhas adultas da raça Aragonesa. Stanford et al. (1995) obtiveram correlação de 0,23 entre a profundidade máxima do músculo obtida na carcaça e por ultrassom em caprinos da raça Alpina com aproximadamente 101 dias de vida e peso médio de 20,50 kg.

As medidas realizadas por ultrassom e na carcaça de ovinos podem ser influenciadas principalmente por fatores como a presença de lã no animal, o tipo do equipamento e das sondas utilizadas, a habilidade do técnico, a espessura de gordura subcutânea, a área do músculo, a idade do animal e a posição do animal no momento da coleta da imagem por ultrassom, além da alteração na proporção dos tecidos da carcaça, a remoção da gordura subcutânea junto à pele no momento da esfola e o corte incorreto da seção medida in vivo. Portanto, a não-observação desses fatores pode levar a maior incidência de erros e a baixa correlação entre as medidas in vivo e na carcaça.

Os coeficientes de determinação das equações de regressão para espessura de gordura subcutânea, área de olho-de-lombo, área de olho-de-lombo ajustada e profundidade máxima do músculo na carcaça a partir de medições ultrassônicas de espessura de gordura subcutânea, área de olho-de-lombo, área de olho-de-lombo ajustada e profundidade máxima do músculo apresentaram valores médios (respectivamente, R2 = 0,67, R2 = 0,54, R2 = 0,54 e R2 = 0,49), denotando bom ajustamento dos dados às equações. O coeficiente de determinação da equação de regressão para o comprimento máximo do músculo na carcaça a partir da medida obtida por ultrassom, apresentou valor baixo, indicando baixa precisão da equação.

Maiores coeficientes de determinação das equações de regressão para espessura de gordura subcutânea e área de olho-de-lombo foram obtidos por Silva et al. (2003), ao estudarem novilhos da raça Nelore. Os autores constataram coeficiente de determinação de 0,76 para espessura de gordura subcutânea e de 0,55 para a área de olho-de-lombo entre a 12a e a 13a costelas, o que pode ser explicado pela maior espessura de gordura subcutânea obtida nos bovinos (7,4 mm por ultrassom e 8,5 mm quando determinada na carcaça).

 

Conclusões

A profundidade e o comprimento máximo do músculo longissimus dorsi de ovelhas de descarte determinados in vivo por ultrassom, como na carcaça, apresentam alta correlação com a área de olho-de-lombo. Essas medidas podem ser utilizadas como alternativa na avaliação de características da carcaça ovina pela facilidade de sua determinação e pela precisão. A espessura de gordura de cobertura e a largura máxima do músculo longissimus dorsi, quando obtidas por ultrassom, são inferiores às determinadas na carcaça. As medidas de área de olho-de-lombo, espessura de gordura subcutânea e profundidade máxima do músculo longissimus dorsi da carcaça podem ser preditas por ultrassom com razoável precisão.

 

Referências

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Recebido em 10/9/2008 e aprovado em 7/5/2009.

 

 

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