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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.39 no.9 Viçosa Sept. 2010

https://doi.org/10.1590/S1516-35982010000900019 

MONOGÁSTRICOS

 

Fontes orgânicas e inorgânicas de zinco e cobre como melhoradores de desempenho em leitões desmamados

 

Organic and inorganic source of zinc and cooper as growth promoters for weanling piglets

 

 

Mêndelson Henrique Baldassa MunizI; Dirlei Antonio BertoII; Lucélia HauptliI; Cíntia FracarolliIII; Messias Alves da Trindade NetoIV; Luis Fernando Monteiro TamassiaV; Francisco Stefano WechslerII

IPós-graduação em Zootecnia, UNESP - FMVZ, Departamento de Produção Animal, CP: 560, Faz. Lageado, CEP: 18618-000, Botucatu, SP
IIUNESP - FMVZ, Departamento de Produção Animal, Botucatu, SP
IIIBolsista Iniciação Científica - FAPESP
IVUSP- FMVZ, Departamento de Produção e Nutrição Animal, Pirassununga, SP
VTortuga Cia. Zootécnica Agrária, Mairinque, SP

 

 


RESUMO

Foram conduzidos dois experimentos para avaliar fontes orgânicas e inorgânicas de zinco e cobre nas dietas e seus efeitos no desempenho de leitões desmamados aos 21 dias de idade. Em cada experimento, foram utilizados 90 leitões em delineamento experimental de blocos ao acaso, com cinco dietas, seis repetições e três animais por parcela. As dietas utilizadas nos experimentos 1 e 2 continham 120 ppm de zinco e 10 ppm de cobre na forma de sulfato. No experimento 1, foram suplementadas com 0, 300, 600 e 900 ppm de zinco na forma orgânica ou 2.400 ppm na forma de óxido (ZnO) e, no experimento 2, com 0, 50, 100 e 150 ppm de cobre na forma orgânica ou 240 ppm de cobre na forma de sulfato (CuSO4 H2O). No experimento 1, os níveis de zinco de fonte orgânica tiveram efeito linear no consumo de ração e no ganho de peso nos períodos de 0 a 15 dias e de 0 a 21 dias pós-desmame. O ganho de peso nas fases de 0 a 35 dias e de 0 a 42 dias pós-desmame e o consumo de ração dos leitões que receberam a dieta com 900 ppm de zinco de fonte orgânica não diferiram dos valores observados naqueles que receberam a dieta com 2.400 ppm de zinco na forma inorgânica. A suplementação da dieta com zinco na forma orgânica (900 ppm) ou inorgânica (2.400 ppm) aumentou o consumo de ração e o ganho de peso de leitões nas primeiras três semanas após o desmame. A suplementação da dieta com 2.400 ppm de zinco na forma inorgânica reduziu a incidência de diarreia nas primeiras três semanas pós-desmame. No experimento 2, os níveis de cobre de fonte orgânica tiveram efeito quadrático no consumo de ração dos leitões nos períodos de 0 a 31 e de 0 a 40 dias pós-desmame. A suplementação da dieta com cobre, tanto de fonte orgânica (90 ppm) como inorgânica (240 ppm), aumenta o consumo de ração e o ganho de peso de leitões nos primeiros 40 dias pós-desmame.

Palavras-chave: desempenho, diarreia, minerais, suínos.


ABSTRACT

Two experiments were conducted to evaluate organic and inorganic sources of zinc and copper and their effects on performance of piglets weaned at 21 days of age. In each experiment, it was used 90 piglets in a randomized block experimental design with five diets and six replications and three animals per plot. The diets used in experiments 1 and 2 contained 120 ppm zinc and 10 ppm copper as sulfate. The diets of experiment 1 were supplemented with 0, 300, 600 or 900 ppm of zinc in organic form or 2,400 ppm as zinc oxide (ZnO) and in the experiment 2, the diets were supplemented with 0, 50, 100 and 150 ppm copper in organic form or 240 ppm copper as sulphate (CuSO4H2O). In the experiment 1, levels of zinc from the organic source linearly affected on feed intake and weight gain from 0 to 15 days and from 0 to 21 days post weaning. Weight gain in the 0 to 35 day phase and from 0 to 42 days post-weaning and feed intake of the piglets fed diet with 900 ppm zinc from organic source were not different from the values observed on those fed diet 2,400 ppm of zinc from the inorganic form. Supplementation of diet with zinc in the organic form (900 ppm) or inorganic form (2,400 ppm) increased feed intake and weight gain of piglets in the first three weeks after weaning. Supplementation of diet with 2,400 ppm of zinc in the inorganic form reduced the occurrence of diarrhea in the first three weeks post-weaning. In experiment 2, levels of copper from organic source had a quadratic effect on feed intake of piglets in the periods from 0 to 31 and from 0 to 40 days post-weaning. The supplementation of diet with copper in organic form (90 ppm) or inorganic form (240 ppm) increases feed intake and weight gain of piglets on the first 40 days post-weaning.

Key Words: diarrhea, minerals, performance, swines.


 

 

Introdução

O desmame de leitões no Brasil é realizado, em média, aos 21 dias de idade, quando funções fisiológicas desses animais ainda não estão adequadamente desenvolvidas para digestão de vários componentes presentes nas rações. As duas primeiras semanas pós-desmame são consideradas críticas, pois além do comprometimento no desempenho é comum o surgimento de diarreias.

O emprego do zinco inorgânico (ZnO) tem sido difundido na suinocultura como melhorador de desempenho, devido ao baixo custo e à eficiência no controle de diarreia pós-desmame (Poulsen, 1995). A exigência nutricional de Zn para leitões é de 80 ppm a 100 ppm (NRC, 1998) e os níveis utilizados como melhoradores de desempenho variam de 2.000 a 3.000 ppm (Case & Carlson, 2002; Buff et al., 2005: Gaudré & Quiniou, 2009).

O cobre é um mineral também adicionado em dietas de leitões recém-desmamados com ação melhoradora de desempenho, especialmente na forma de sulfato (Coffey et al., 1994; Veum et al., 2004), em níveis entre 100 ppm a 250 ppm, sendo a recomendação nutricional de 5 a 6 ppm (NRC, 1998).

O impacto ambiental decorrente do excesso de minerais depositados no solo, advindos dos dejetos animais tem sido crescente. A utilização dos minerais nas formas orgânicas apresenta-se como uma opção na substituição das formas inorgânicas, diminuindo a eliminação no meio ambiente, devido à maior biodisponibilidade (Hahn & Baker, 1993).

Estudos mostram melhor desempenho de leitões com dietas suplementadas com Zn na forma orgânica, em relação a leitões alimentados com dietas suplementadas com Zn na forma de sulfato (Lee et al., 2001; Buff et al., 2005).

Leitões alimentados com dietas contendo 50 ppm ou 100 ppm de cobre na forma de Cu-proteinado apresentaram consumo de ração e ganho de peso superior e maior absorção e retenção de cobre, comparados aos alimentados com dietas com 250 ppm de cobre na forma de sulfato (Veum et al., 2004).

A recomendação para o uso de minerais de fontes orgânicas, como melhoradores de desempenho na ração de leitões, seria de 100 ppm de cobre como Cu-lisina em substituição ao sulfato de cobre e de 250 ppm de zinco como Zn-metionina, em substituição ao óxido de zinco (Ward et al., 1997).

Desse modo, o objetivo neste estudo foi avaliar os efeitos de níveis de zinco ou cobre de fontes orgânicas nas dietas, em comparação a fontes inorgânicas, sobre o desempenho e a incidência de diarreia em leitões desmamados.

 

Material e Métodos

Foram conduzidos dois experimentos na Universidade Estadual Paulista, nas instalações de creche do Setor de Suinocultura da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Câmpus de Botucatu, totalizando 42 e 40 dias para os ensaios 1 e 2, respectivamente.

Em cada experimento, foram utilizados 90 leitões de genética comercial (machos castrados e fêmeas), desmamados, com idade média de 21 dias e com pesos iniciais de 5,36 kg ± 0,34 (experimento 1) e 5,68 kg ± 0,31 (experimento 2). Os leitões foram alojados em creche, confinados em baias metálicas suspensas, equipadas com comedouro, bebedouro tipo chupeta e campânula com resistência elétrica para aquecimento.

As dietas do primeiro experimento foram: dieta basal com 120 ppm de zinco (ZnO) fornecidos via suplemento mineral e outras três dietas obtidas pela suplementação da dieta basal com 300, 600 e 900 ppm de zinco na forma orgânica ou 2.400 ppm de zinco inorgânico (ZnO) (Tabela 1). As dietas do segundo experimento foram: dieta basal com 10 ppm de cobre (CuSO4H2O) fornecidos via suplemento mineral e outras três dietas obtidas pela suplementação da dieta basal com 50, 100 e 150 ppm de cobre na forma orgânica ou 240 ppm de cobre com sulfato (CuSO4 H2O) (Tabela 1). As fontes orgânicas de minerais avaliadas nos dois ensaios eram "carboaminoquelatos" e foram produzidas para fins de pesquisa por empresa privada

 

 

O delineamento experimental utilizado em ambos os experimentos foi em blocos ao acaso, com cinco dietas, seis repetições e três animais por unidade experimental.

As dietas no experimento 1 (Tabela 2) foram fornecidas nas fases pré-inicial (0 a 15 dias) e inicial 1 (16 aos 35 dias pós-desmame). Na última semana do período experimental (36 aos 42 dias pós-desmame), todos os leitões receberam uma mesma dieta inicial 2, com suplementação de 120 ppm de zinco. No experimento 2, as dietas experimentais (Tabela 2) foram fornecidas nas fases pré-inicial (0 aos 17 dias), inicial 1 (18 aos 31 dias) e inicial 2 (32 aos 40 dias pós-desmame).

 

 

Foram avaliados o consumo de ração diário, o ganho de peso diário e a conversão alimentar. No experimento 1, as pesagens dos leitões e o cálculo de ração consumida foram realizados no início e aos 15, 21, 35 e 42 dias e, no segundo experimento, no início e aos 17, 31 e 40 dias. Nos primeiros 15 dias dos dois experimentos, a incidência de diarreia nos leitões foi verificada por um único observador no período da manhã, uma vez ao dia. Considerou-se diarreia quando, visualmente, as fezes apresentavam consistência fluida. Os valores de incidência de diarreia, calculados como percentual médio dos animais com diarreia na baia (p), foram submetidos à transformação angular: p'= arcsen* [(p/100)], para posterior análise de variância.

Os dados de desempenho foram submetidos à análise de variância, utilizando-se o procedimento GLM (General Linear Models) do Statistical Analysis System (SAS, 2001), sendo os efeitos dos níveis de minerais de fontes orgânicas estudados pela análise de regressão. Para comparação dos resultados obtidos entre o tratamento com o maior nível de mineral de fonte inorgânica com cada um dos demais, foi utilizado o teste Dunnett-Hsu.

 

Resultados e Discussão

Os níveis de zinco de fonte orgânica determinaram aumento linear no consumo de ração (Y = 0,2048810 + 0,000050X; R2 = 0,80; P=0,01) e no ganho de peso (Y = 0,132970 + 0,000037X; R2 = 0,70; P = 0,01) no período de 0 a 15 dias pós-desmame (Tabela 3). O mesmo foi observado para o consumo de ração (Y = 0,301429 + 0,000056; R2 = 0,77; P = 0,01) e ganho de peso (Y = 0,21112 + 0,000034 X, R2 = 0,92; P = 0,05) de 0 a 21 dias pós-desmame e no consumo de ração (Y = 0,507647 + 0,000068X; R2 = 0,67; P = 0,07) no período de 0 a 35 dias (Tabela 3).

 

 

Esses resultados comprovam respostas positivas do desempenho dos leitões ao aumento dos níveis de zinco na forma orgânica até os 21 dias pós-desmame. Hollis et al.. (2005) não observaram os mesmos benefícios quando usaram níveis de 150, 300 e 500 ppm de zinco como Zn-metionina nas dietas de leitões desmamados aos 20 dias em um período experimental de 28 dias.

Nos períodos de 0 a 15 e de 0 a 21 dias pós-desmame, a suplementação de 2.400 ppm de zinco inorgânico determinou maior consumo de ração e ganho de peso (Tabela 3). Os benefícios da inclusão de níveis farmacológicos de óxido de zinco no desempenho de leitões desmamados têm sido relatados por vários pesquisadores (Hahn & Baker, 1993; Smith et al., 1997; Hill et al., 2000).

Schell & Kornegay (1996), avaliando diferentes níveis de zinco (1.000, 2.000 e 3.000 ppm) como Zn-metionina, Zn-lisina, ZnO e ZnSO4 nas rações de leitões desmamados aos 23 dias de idade, verificaram, nas duas primeiras semanas de experimento, menor ganho de peso nos leitões que receberam ZnSO4 em relação aos que receberam ZnO e Zn-metionina. Não encontraram, porém, no período total do experimento (quatro semanas), diferenças no desempenho dos animais.

O ganho de peso no período de 0 aos 35 dias pós-desmame, o consumo de ração e o ganho de peso de 0 a 42 dias pós-desmame dos animais que receberam dietas com 900 ppm de zinco de fonte orgânica não diferiram dos observados nos leitões alimentados com dietas contendo 2.400 ppm de zinco como ZnO (Tabela 3).

Os resultados obtidos nesse estudo são semelhantes aos verificados por Hollis et al. (2005), que compararam diferentes níveis de zinco orgânico, na forma de zinco-metionina (125, 250 ou 500 ppm), com 2.500 ppm de óxido de zinco nas dietas. Os autores observaram que no período total do experimento (28 dias) o óxido de zinco promoveu maior consumo de ração e ganho de peso, comparado com os tratamentos com zinco de fonte orgânica. Entretanto, as médias de consumo de ração e de ganho de peso dos animais que receberam fonte orgânica de zinco foram superiores à dos leitões alimentados com a dieta controle, com 125 ppm de zinco fornecido pelo suplemento mineral da ração.

Não houve efeito dos níveis de suplementação de zinco na forma orgânica e do tipo de fonte de zinco utilizada, sobre a conversão alimentar dos leitões, em nenhum dos períodos estudados (Tabela 3). Esses resultados assemelham-se aos obtidos por Case & Carlson (2002), trabalhando com leitões desmamados aos 20 dias de idade, durante 28 dias de estudo, quando compararam níveis de óxido de zinco (150, 500 ou 3000 ppm de Zn) com 500 ppm de zinco nas formas de complexo Zn-aminoácido e Zn-polissacarídeo nas dietas, não observando diferenças na conversão alimentar.

A incidência de diarreia nos 15 primeiros dias de experimento foi menor (P<0,05) nos animais que receberam 2.400 ppm de zinco na forma de ZnO na dieta, comparado com os que receberam zinco de fonte orgânica (Tabela 3). Os níveis crescentes de zinco de fonte orgânica não foram suficientes para o controle da diarreia, provavelmente pelo alto nível de farelo de soja utilizado na dieta dessa fase, pois tal ingrediente apresenta fatores antinutricionais, como inibidores de tripsina, que limitam o aproveitamento de nutrientes da dieta, e proteínas antigênicas, que causam alterações morfológicas na mucosa intestinal de leitões jovens (Hancock et al., 1990), podendo ter contribuído para os resultados inferiores de desempenho durante as três primeiras semanas do experimento. Porém, essa observação não ocorreu com os leitões que receberam zinco na forma inorgânica, mesmo com as dietas idênticas no nível de farelo de soja.

Hahn & Baker (1993) demonstraram melhoria no desempenho e na redução na incidência de diarreia em leitões desmamados aos 28 dias que consumiram altos níveis de óxido de zinco (1.000 ppm a 5.000 ppm de zinco na ração). Por outro lado, Fryer et al.. (1992) não encontraram diferenças no desempenho nem na incidência de diarreia quando altos níveis de zinco foram adicionados nas rações.

O mecanismo de controle de diarreia pelo zinco não está bem esclarecido. Carlson et al. (1999) relacionaram o efeito benéfico de doses farmacológicas de zinco como ZnO à elevação na concentração de metalotioneína, que é a proteína que regula a absorção dos minerais na mucosa intestinal, e ao aumento na síntese proteica e na proliferação celular, melhorando a condição intestinal. Além disso, o zinco atuaria também inibindo o transporte ativo de succinato para a célula de Escherichia coli, ou impedindo a atividade do sistema oxidase, inibindo a atividade da cadeia respiratória da bactéria ou mesmo impedindo a aderência das bactérias na mucosa intestinal (Arantes et al., 2005; Menin et al., 2006).

Os níveis crescentes de cobre de fonte orgânica nas dietas determinaram efeito quadrático sobre o consumo de ração (P = 0,05) nos períodos de 0 a 31 (Y = 0,534700 + 0,001826X – 0,000010X2; R2 = 0,95) e 0 a 40 (Y = 0,688100 + 0,002110X – 0,000011X2; R2 = 0,95) dias pós-desmame, com o máximo de consumo estimado para os níveis de 91,3 ppm e 95,9 ppm de cobre, respectivamente (Tabela 4). Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Veum et al. (2004), que verificaram efeito quadrático dos níveis de suplementação de cobre (até 200 ppm) de fonte orgânica (Cu- proteinado) nas dietas sobre o consumo de alimento de leitões no período de 0 a 28 dias pós-desmame.

 

 

No presente estudo, não foram observados efeitos da suplementação de cobre na forma orgânica ou inorgânica nas dietas, sobre a conversão alimentar e a incidência de diarreia dos leitões, bem como, no período de 0 a 17 dias, não foi observado efeito sobre o consumo de ração diário e ganho de peso diário (Tabela 4).

Os leitões alimentados com dietas com 10 ppm de cobre como CuSO4 apresentaram resultados inferiores de consumo de ração diário e ganho de peso diário nos períodos de 0 a 31 dias e de 0 a 40 dias (P = 0,05) pós-desmame, comparado àqueles que receberam dietas contendo 240 ppm de cobre como CuSO4 (Tabela 4), comprovando a ação favorável de altos níveis de cobre para leitões desmamados, fato também verificado em outros estudos (Coffey et al., 1994; Smith et al., 1997).

Não foram verificadas diferenças entre as médias de consumo de ração diário e ganho de peso diário dos leitões que receberam cobre de fonte orgânica, em relação ao tratamento com 240 ppm de cobre como sulfato (Tabela 4). Isso indica a possibilidade da substituição do cobre inorgânico por níveis inferiores de cobre orgânico nas dietas, sem prejuízos no desempenho dos leitões em qualquer um dos períodos avaliados. Os resultados com o nível de 50 ppm de cobre na forma orgânica foram semelhantes aos obtidos com 240 ppm de Cu na forma de CuSO4. Veum et al. (2004) observaram que o desempenho de leitões desmamados alimentados com rações contendo 50 ppm ou 100 ppm de Cu como Cu-propionato foi melhor que daqueles alimentados com 250 ppm de Cu na forma de sulfato, com aumento na absorção e retenção de cobre.

Quando mesmos níveis de cobre na forma orgânica ou inorgânica foram avaliados como melhoradores de desempenho para leitões, vários autores demonstraram vantagens para as fontes orgânicas (Coffey et al., 1994; Apgar et al., 1995; Apgar & Kornegay, 1996). Por outro lado, Stansbury et al. (1990) não observaram diferenças no desem-penho de leitões desmamados quando utilizaram diferentes fontes de Cu, em níveis de suplementação variando de 0 a 125 ppm de cobre na forma de CuSO4, de 62 ppm e 125 ppm de cobre na forma de quelato (Cu-EDTA) e de 32, 62 e 125 ppm de cobre na forma de quelato (Cu-polissacarídeo).

Do mesmo modo, Lima & Myada (2003) não verificaram efeito melhorador de desempenho para leitões, de diferentes níveis e fontes de cobre (citrato cúprico e CuSO4), justificando os resultados pelo baixo desafio ambiental a que foram expostos os animais e pela elevada digestibilidade das dietas fornecidas.

Os mecanismos de ação do cobre como melhoradores de desempenho de leitões ainda não são bem conhecidos (Apgar et al., 1995; Hill et al., 2000), porém um deles seria seu efeito antimicrobiano (Cromwell, 2001). Efeito metabólico do cobre também foi sugerido por Zhou et al. (1994), que aplicaram injeções intravenosas de histidinato de cobre em leitões desmamados, em um período de 18 dias, em diferentes dosagens, observando respostas quadráticas no ganho diário de peso e na atividade mitogênica sanguínea, além de respostas lineares na concentração de cobre no fígado, no cérebro, no sangue e na atividade da superóxido dismutase, enzima que apresenta ação antioxidante.

Os resultados desse experimento não demonstraram respostas superiores de desempenho dos leitões que receberam fonte orgânica de cobre em relação àqueles que receberam fonte inorgânica, mas evidenciaram a possibilidade de sua substituição em níveis inferiores pela fonte orgânica, propiciando a mesma eficiência produtiva e, provavelmente, a diminuição na excreção desse micromineral para o meio ambiente.

 

Conclusões

A suplementação da dieta com zinco, na forma orgânica (900 ppm) e principalmente de fonte inorgânica (2.400 ppm), aumenta o consumo de ração e o ganho de peso de leitões nas primeiras três semanas após o desmame. Dietas com 2.400 ppm de zinco na forma inorgânica reduzem a incidência de diarreia em leitões nas primeiras três semanas pós-desmame. A adição de cobre na forma orgânica (90 ppm) ou inorgânica (240 ppm) nas dietas aumenta o consumo de ração e o ganho de peso nos primeiros 40 dias pós-desmame, no entanto, a fonte de cobre (orgânica ou inorgânica) não influencia o desempenho dos animais. O cobre, na forma orgânica (até 150 ppm) ou inorgânica (240 ppm), não reduz a incidência de diarreia em leitões nos primeiros 15 dias após o desmame.

 

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Recebido em 2/4/2008 e aprovado em 25/8/2009.

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: dirleiberto@fca.unesp.br

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