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Revista Brasileira de Psiquiatria

versão impressa ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. v.23 n.4 São Paulo dez. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462001000400007 

especial

 


Consenso sobre o tratamento da dependência de nicotina

Consensus on the treatment of nicotine dependence

 

Ana Cecilia P R Marques (SP), Angelo Campana (RS), Analice de Paula Gigliotti (RJ), Maria Teresa C Lourenço (SP), Montezuma Pimenta Ferreira (SP) e Ronaldo Laranjeira (SP)

Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria


 

 

Apresentação

Os protocolos, as diretrizes, os guidelines ou guias de conduta ou consensos surgiram graças ao Evidence-Based Medicine Working Group, dos Estados Unidos, que elaborou as bases científicas desses métodos. O objetivo é a elaboração de práticas recomendadas ao médico em relação a diversos temas. É a compilação de um conjunto de orientações a ser seguidas, preservando a autonomia do médico. Para elaborar um consenso formal, isto é, aquele em que se define previamente o tema, reúnem-se especialistas com a tarefa de realizar a revisão sistemática da literatura para organizar o conhecimento científico. As associações médicas têm desempenhado um papel fundamental em auxiliar seus afiliados nessa tarefa. A Associação Médica Brasileira (AMB) tem considerado a criação de consensos como uma de suas mais importantes metas.

O Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria optou por começar seus trabalhos com a realização do Consenso sobre a síndrome de abstinência do álcool, publicado em junho de 2000 por esta revista. Este ano desenvolveu-se o Consenso sobre a dependência de nicotina. Um pouco mais experientes, mas não menos cuidadosos, com a mesma metodologia utilizada na elaboração do consenso anterior, acreditamos ter cumprido mais essa tarefa, que agora vemos também publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria. A divulgação, a discussão e a atualização continuada dessas diretrizes devem ser consideradas prioridades dessa associação e desse departamento, que, diante de temas tão complexos, ainda compartilhará muito trabalho pela frente.

 

A Equipe

 

 

RESUMO
Têm sido atribuídas à dependência de nicotina 20% das mortes nos EUA. Estudos têm mostrado que 30% a 50% das pessoas que começam a fumar escalam para um uso problemático. Nos últimos 20 anos, a educação e a persuasão não foram suficientes para promover uma mudança política, cultural e social relacionada ao comportamento de fumar. As intervenções para interromper o uso de tabaco ainda não estão integradas às rotinas dos serviços de saúde no mundo. A falta de estratégias de integração, de tempo disponível para acoplar ações assistenciais mais específicas e mesmo a percepção dos profissionais de saúde de que os tratamentos para a dependência de nicotina são pouco efetivos são algumas das barreiras apontadas. Assim, elaborar um consenso sobre a dependência de nicotina teve como objetivos:

• levantar dados epidemiológicos relevantes relacionados ao uso do tabaco no mundo e no Brasil;

• revisar as ações gerais e centrais da nicotina;

• elaborar um protocolo de triagem mínimo para serviços de atenção primária à saúde;

• recomendar diretrizes básicas de avaliação, diagnóstico e tratamento para todos os níveis de atenção à saúde em relação à dependência de nicotina;

• fornecer sugestões para a abordagem de grupos especiais de pacientes: adolescentes, gestantes, idosos, pacientes em regime de internação, obesos e pacientes com comorbidades psiquiátricas, cardiovasculares e respiratórias.

Descritores: Dependência de nicotina. Tratamento.

 

ABSTRACT
Twenty percent of mortality rates in the US have been attributed to nicotine dependence. Thirty to fifty percent of nicotine dependent patients will reach a stage of problematic use in a short-term follow-up. Over the last 20 years, educational programs and persuasive techniques aimed to the general population were not able to have a significant impact on political, cultural and social beliefs to change smoking behavior. Treatment programs to stop smoking are not yet integrated in health services routines worldwide. The lack of integration among different levels of prevention programs; general practitioners' perception that treatment outcome is not effectual, and time unavailability to further assess the problem are considered the main barriers to achieve successful treatment results. Thus, the objectives of creating a consensus about nicotine dependence were the following:

• gather major epidemiological data about tobacco use worldwide and in Brazil;

• review general and central actions of nicotine in the body;

• create a protocol for screening primary health service;

• set guidelines for assessment, diagnosis and treatment to be applied in the different levels of public health services;

• give recommendations about approaches for specific groups: adolescents, pregnant women; elderly people; obese, hospitalized patients, and psychiatric patients, and for patients with heart and respiratory conditions.

Keywords: Nicotine dependence. Treatment.

 

 

Diretrizes básicas sobre a dependência de nicotina

Introdução

A difusão do tabaco no começo do século XX fez com que seu consumo aumentasse durante a 2ª Grande Guerra Mundial, atingindo o auge nas décadas de 50 e 60. Declinou discretamente em alguns países desde 1970, mas os problemas associados a esse consumo têm estimulado mais pesquisas, pois os dados são alarmantes. Existem mais de 1 bilhão de fumantes no mundo, e a metade deles, se permanecer fumando, morrerá prematuramente.1,2

Em 1990, 20% das mortes nos EUA foram atribuídas ao tabagismo.3 Entre as 25 doenças relacionadas ao hábito de fumar, são causas de morte em homens e em mulheres, em ordem de incidência: doenças cardiovasculares (43%); câncer (36%); doenças respiratórias (20%); e outras (1%).3-5

Já em 1988, um importante relatório norte-americano concluiu que: (1) o cigarro e outras formas de uso do tabaco geram dependência; (2) a nicotina é a droga presente no tabaco que causa essa dependência; (3) os processos farmacológicos e comportamentais que determinam a dependência de nicotina são similares àqueles que determinam a dependência de outras drogas como a heroína e a cocaína.6

A prevalência da dependência de nicotina na população adulta norte-americana diminuiu, desde 1965, de 42% para 25%, e, desde então, esse número não se modificou.7 Um dos aspectos relevantes que explicam parte desse fenômeno é que apenas 2,5% de todos os fumantes alcançam a abstinência a cada ano.8,9 No Brasil, a prevalência observada em um estudo recente na população adulta de São Paulo é semelhante à norte-americana: em torno de 24%.10

Estudos têm mostrado que 30% a 50% das pessoas que começam a fumar escalam para um uso problemático.11,12 O Serviço Nacional de Saúde dos Estados Unidos mostrou que entre os 70% dos adolescentes que começam a fumar, 25% passam rapidamente a fumar todos os dias.13 O uso das demais drogas nessa população declina com a idade, mas isto não acontece com o tabaco. A idade média de início de consumo é 13-14 anos nos EUA e no Brasil, mas a vulnerabilidade para dependência não está relacionada apenas à idade.13,14

A expectativa de vida de um indivíduo que fuma muito é 25% menor que a de um não fumante.15 Nos últimos 20 anos, a educação e a persuasão não foram suficientes para promover uma mudança política, cultural e social relacionada ao comportamento de fumar. Investimentos continuados e mais consistentes voltados para a prevenção e o tratamento são necessários em função das projeções sobre a mortalidade no período de 2000 a 20497,16 (Figura 1).

 

 

As intervenções para interromper o uso de tabaco ainda não estão integradas às rotinas dos serviços de saúde no mundo. A falta de estratégias de integração, de tempo disponível para acoplar ações assistenciais mais específicas e mesmo a percepção dos profissionais de saúde de que os tratamentos para a dependência de nicotina são pouco efetivos são algumas das barreiras apontadas.17,18 A efetividade dos tratamentos ainda é baixa, mas demonstrou-se que, com aumento dos recursos durante o tratamento, melhora-se o sucesso das intervenções.19

Assim, diante de dados tão alarmantes em relação à mortalidade, à morbidade e ao alto custo socioeconômico com a saúde determinados pelo uso de tabaco, além das dificuldades na implementação do tratamento, organizou-se um conjunto de recomendações básicas para o tratamento da dependência de nicotina, com o objetivo de sistematizar as práticas clínicas, psicológicas e sociais.

O levantamento da literatura internacional, por meio das publicações da Associação Psiquiátrica Norte-Americana, do Departamento de Saúde dos Estados Unidos e do Departamento de Saúde do Reino Unido (United States Department of Health and Human Services; United Kingdon Institute of National Health and The Tobacco Advisory Group of The Royal College of Physicians of London), forneceu dados para a elaboração deste consenso, cujos objetivos foram:

• levantar dados epidemiológicos relevantes relacionados ao uso do tabaco no mundo e no Brasil;

• revisar as ações gerais e centrais da nicotina;

• elaborar um protocolo de triagem mínimo para serviços de atenção primária à saúde;

• recomendar diretrizes básicas de avaliação, diagnóstico e tratamento para todos os níveis de atenção à saúde em relação à dependência de nicotina;

• fornecer sugestões para a abordagem de grupos especiais de pacientes: adolescentes, gestantes, idosos, pacientes em regime de internação, obesos, pacientes com comorbidades psiquiátricas, cardiovasculares e respiratórias.

Aspectos gerais da ação farmacológica da nicotina

A queima de um cigarro produz monóxido de carbono e dezenas de outros produtos tóxicos responsáveis pela alteração da oxigenação dos tecidos. Libera nicotina, a substância responsável pela dependência do tabaco, uma amina terciária volátil capaz de estimular, deprimir ou perturbar o sistema nervoso central e todo o organismo, dependendo da dose e da freqüência com que é utilizada.20 Cada cigarro contém 7-9 mg de nicotina, dos quais se estima que pouco mais de 1 mg seja absorvido pelo fumante. A nicotina é rapidamente absorvida pelos pulmões, atingindo o cérebro em dez segundos e sendo distribuída para todos os sistemas.21 A meia-vida de eliminação da nicotina é de aproximadamente duas horas. Sua metabolização ocorre principalmente no fígado. Apenas 5% da nicotina são excretados em sua forma original pelos rins.6 Seu metabólito principal é a cotinina, cuja detecção pode ser sistematizada como um coadjuvante no tratamento da dependência de nicotina, monitorando a abstinência.

A nicotina promove um rápido, mas pequeno aumento do estado de alerta, melhorando a atenção, a concentração e a memória em animais.22 Além disso, diminui o apetite.15,23

Tragar um cigarro produz um rápido efeito estimulante no sistema nervoso central, semelhante àquele descrito pelos usuários de cocaína/crack.24 Esse efeito, em contraposição aos sintomas desagradáveis da falta da substância no cérebro, pode contribuir para a dificuldade na manutenção da abstinência, pois, entre os fumantes que já tentaram parar de usar o tabaco, cinco a sete tentativas são necessárias.15

A sensação de relaxamento e calma descrita pela maioria dos usuários tem sido atribuída à inibição de sintomas desagradáveis da síndrome de abstinência em vários estudos.25,26

As conseqüências do uso do tabaco incluem efeitos destrutivos em vários tecidos, produzindo desde doenças pulmonares simples até alterações celulares que predispõem ao câncer, assim como alterações cardíacas e vasculares.

A neurofarmacologia da nicotina

As ações da nicotina no sistema nervoso central são mediadas por receptores nicotínicos.27,28 A maioria desses receptores é iônica, está distribuída por todo o cérebro e coluna vertebral. Os receptores nicotínicos periféricos estão em gânglios autonômicos, na supra-renal, nos nervos sensitivos e na musculatura esquelética.29

As pesquisas em animais mostram que a nicotina induz tolerância e dependência a partir de sua ação no sistema mesolímbico dopaminérgico.30,31

A partir de múltiplos sítios de ação, a nicotina produz vários efeitos, preponderantemente excitatórios32 (Figura 2). A administração aguda de nicotina em ratos pode aumentar a liberação de dopamina no sistema límbico e na via nigroestriatal.33,34 A nicotina diminui o metabolismo da glicose no córtex, refletindo na modulação dopaminérgica do núcleo acumbens, causando uma diminuição da atividade talâmica.35

 

 

A nicotina estimula a liberação de noradrenalina em algumas áreas, como as vias noradrenérgicas que emergem do locus ceruleus, passam pelo hipocampo e chegam ao córtex e são responsáveis pela vigília e pelo comportamento de busca.36,37

Estudos mais recentes identificaram que vias serotoninérgicas que emergem do núcleo da rafe interagem com o sistema dopaminérgico e são responsáveis pelos efeitos reforçadores da cocaína.38 Receptores nicotínicos foram encontrados nela, onde a nicotina promoveria a liberação da serotonina, além de diminuir seu turnover.39 A nicotina diminui a concentração de serotonina em regiões do hipocampo, o que, cronicamente, reduz a resposta de adaptação ao estresse ambiental.40

Em relação aos aminoácidos excitatórios, a nicotina agiria inibindo a liberação do glutamato. Já em relação à acetilcolina, a nicotina liberaria esse neurotransmissor no hipocampo.41

Estudos eletroquímicos em animais mostraram que os efeitos comportamentais da nicotina advêm do efeito direto no sistema nervoso central.42 Seu uso produz tolerância aguda e crônica nesse sistema.43 Nem todas suas ações são reforçadoras, mas a auto-administração de nicotina intravenosa foi diminuída por seu antagonista: o chlorisondamine.44

Concluindo, o uso freqüente de tabaco leva ao desenvolvimento de tolerância e dependência.45 Como outras dependências, a da nicotina é um transtorno progressivo, crônico e recorrente, mediada pela ação da substância em receptores centrais e periféricos. O processo da dependência envolve vários fatores: ambientais, biológicos, psicológicos. Fatores não-farmacológicos são importantes para a determinação dos problemas relacionados ao uso de tabaco e sua prevalência, mas os fatores farmacológicos são aqueles que definem a tolerância e a dependência pela substância.46

Alguns fatores inerentes ao indivíduo, ainda pouco conhecidos, podem contribuir para o início do consumo de cigarros. Entre eles, os genético-hereditários, que poderiam estar relacionados à modulação do humor pela nicotina.47,48 Existem também outros aspectos relacionados ao uso do tabaco na adolescência, como a utilização do tabaco pelos pais, pelos colegas mais velhos e a influência da mídia, considerados fatores preditores de consumo.13,49

Estima-se que 60% daqueles que venham a fumar por mais de seis semanas continuarão fumando por mais 30 anos. Embora o primeiro uso do cigarro seja tipicamente marcado por efeitos desagradáveis, como dor de cabeça, tonturas, nervosismo, insônia, tosse e náusea, esses efeitos diminuem rapidamente.50 Isto possibilita novas tentativas até que se desenvolva tolerância à droga, estabelecendo um padrão típico de consumo diário. Num período que pode ser de apenas alguns meses, alguns fumantes já começam a apresentar os primeiros sintomas de uma síndrome de abstinência.6

A decisão de experimentar uma droga se relaciona a uma expectativa de efeitos positivos, mas a explicação para esse fenômeno ainda não está claramente evidenciada52 (Heishman,51 1994). No caso da nicotina, os efeitos estimulantes são qualitativamente semelhantes aos da cocaína e da anfetamina, mas os fumantes também procuram na nicotina o alívio da ansiedade e a diminuição da reatividade a estímulos que causam irritação (Figura 2).6,53

Nos EUA, 90% dos fumantes usam mais que cinco cigarros ao dia. A maioria dos fumantes que já experimentaram reduzir o uso descreve vários sintomas de abstinência.54 A síndrome de abstinência se instala se o consumo for reduzido em apenas 50%.55 Parece que quanto maior o consumo, maior a gravidade da síndrome de abstinência.6 Os sintomas e a magnitude da síndrome de abstinência podem persistir por meses e, dependendo de sua gravidade, são pouco tolerados.40,56 Em função desse desconforto, é difícil para os usuários manter a abstinência.57,58

A síndrome de abstinência é mediada pela noradrenalina, inicia-se oito horas após o último cigarro, atinge o auge no terceiro dia e inclui craving ou "fissura", ansiedade, irritabilidade, sonolência diurna e insônia, apetite aumentado para doces, desempenho cognitivo (concentração e atenção), batimentos cardíacos e pressão arterial diminuídos e tosse (Tabela 1).59

 

 

Diagnóstico

O consumo de tabaco geralmente começa na adolescência. Quanto mais precoce o início, maiores serão a gravidade da dependência e os problemas a ela associados.60 Além disso, a maioria dos fumantes que alcançam a abstinência sozinhos recai em poucos dias.61

A relutância do fumante em procurar ajuda e a falta de serviços dotados de profissionais treinados para detectar o paciente de risco são barreiras na procura de tratamento.62

Todos os indivíduos que chegam aos serviços de saúde devem ser investigados quanto ao hábito de fumar. Isto pode ser feito a partir de um protocolo simples com apenas algumas perguntas (Anexo 1). Se fumam, devem ser aconselhados a interromper o uso de tabaco.63 Caso não seja possível aconselhar adequadamente, é melhor encaminhar o fumante para um serviço especializado.19 Neste, duas perguntas são fundamentais para a triagem e para o início do diagnóstico do indivíduo que fuma:64

• qual o consumo diário de tabaco;

• se o fumante acredita ter problemas associados a esse consumo.

Essa avaliação mínima também pode ser aplicada por qualquer profissional, em qualquer nível de atenção à saúde, pois é simples, objetiva e breve. A essas perguntas, segue-se um protocolo de aconselhamento com dois objetivos: orientar aqueles que desejem parar de fumar ou motivar aqueles que não quiserem largar o cigarro. Essa intervenção tem se mostrado efetiva (Figura 3).7,65

 

 

Questionários, inventários e escalas desenvolvidos para elaborar o diagnóstico e melhor avaliar a gravidade do consumo de tabaco podem ser introduzidos para fundamentar a intervenção. A Classificação Internacional das Doenças (CID-10) da Organização Mundial da Saúde66 e a quarta edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico (DSM-IV) da Associação Psiquiátrica Americana67 são utilizados para avaliação diagnóstica do uso do tabaco. Recomenda-se a utilização da CID-10 (Tabela 2).

O "Questionário de Tolerância de Fagerström para Dependência à Nicotina" (Anexo 2);40 o Tobacco Dependence Screener68 e o The Heaviness of Smoking Item69 avaliam sua gravidade e são mais utilizados em serviços especializados com maior complexidade de recursos.

Tratamento

Existem vários modelos de tratamento propostos, e a escolha do mais adequado ao paciente depende de uma boa avaliação inicial, pela qual fatores extrínsecos (do modelo disponível, das condições socioeconômicas) e intrínsecos (da motivação do paciente e do diagnóstico) devem ser levados em consideração.23

Em todos os tratamentos, a abstinência é a meta mais importante e a mais difícil de ser mantida. A abordagem de um dos sintomas mais proeminentes da síndrome de abstinência, o craving ou "fissura", deve ser cuidadosamente considerada, já que este é o maior obstáculo para parar de fumar.57,70,71 A maioria dos fumantes que tentam se manter abstinentes recai em poucos dias.72 Com algum nível de cuidado, o período de abstinência aumenta para uma semana ou mais (Tabela 3).73

Segundo pesquisadores americanos e ingleses, o tratamento pode ser definido a partir do consumo de cigarros (gravidade e problemas associados) e da modalidade de intervenção disponível. Os métodos de tratamento preconizados como primeira linha são a terapia de reposição de nicotina, a utilização de bupropiona e a terapia comportamental breve em grupo ou individual.

Os grupos de auto-ajuda e outros medicamentos são considerados de segunda linha e podem ser coadjuvantes efetivos.74 A associação de recursos melhora sua efetividade.75

As sessões de aconselhamento podem ser mínimas (3 minutos), de baixa intensidade (de 3 a 10 minutos) e intensivas (de 10 a 30 minutos).68 Quanto mais intensiva é a intervenção, melhores serão os resultados em longo prazo.76

Nos tratamentos especializados, a avaliação inicial investiga, além da história detalhada do uso de tabaco na vida, comorbidades psiquiátricas mais prevalentes, como transtorno depressivo ou ansioso, outras dependências e déficit de atenção e hiperatividade, entre outros (Figura 4).77-79

 

 

O aconselhamento

Freqüentam serviços gerais de saúde 90% dos fumantes americanos, sendo que 80% visitam o clínico geral pelo menos uma vez ao ano.80 Nesses serviços, um aconselhamento mínimo pode ser aplicado, pois é a forma de intervenção mais utilizada na abordagem individual ou grupal (Anexo 3). Essa intervenção consiste em: (1) perguntar sobre o uso de tabaco; (2) aconselhar sua cessação; (3) investigar sobre o desejo de interromper o uso; (4) oferecer assistência e acompanhamento do processo; e (5) efetuar seu seguimento (Tabela 4).

 

 

Caso o fumante não esteja interessado em interromper o uso, estratégias motivacionais devem ser implementadas. São elas: informar sobre aspectos individuais relevantes para cessação; relatar sobre os riscos do tabagismo (agudo, crônicos e ambientais); descrever as recompensas decorrentes da cessação; investigar as barreiras na procura do tratamento; e repetir os tópicos relevantes da avaliação inicial (Tabela 5).

Para aqueles que desejem interromper o uso, uma abordagem mais intensiva e um tratamento mais estruturado como a intervenção breve podem ser prontamente indicados.81,82 Se essa ação falhar, o paciente deve ser encaminhado para o especialista. Materiais didáticos podem ser também utilizados.

A intervenção breve

A intervenção breve é um modelo de tratamento mais estruturado, replicável em qualquer nível de atenção à saúde, pois seu formato é simples e, portanto, de fácil treinamento.83 O referencial teórico mais recomendado para essa intervenção é a terapia comportamental, e a abordagem mais utilizada é a grupal.84,85 Essa modalidade pode envolver até 25 pacientes, sendo considerada de baixo custo.86

A entrevista inicial é individual e direcionada para história de uso do tabaco na vida, para gravidade do consumo, para problemas associados, para aspectos relacionados a tratamentos anteriores (quantas vezes tentou interromper o uso) e para avaliação do grau de motivação para o tratamento.

A fase de aquisição da intervenção em grupo é composta de quatro ou cinco sessões. A sessão tem a duração de uma hora, e sua freqüência depende do contrato. Na primeira sessão do grupo, faz-se a apresentação e fornecem-se algumas informações sobre cada um dos pacientes. Discute-se também a utilização da terapia de reposição da nicotina como parte da intervenção, se esta tiver sido indicada. A seguir, é feito o aconselhamento sobre a importância de interromper o uso e sobre os riscos associados à saúde, de uma forma clara, firme e individualizada. Nessa sessão, determina-se a data de interromper o uso e a proposta contratual de assistência.

Na segunda sessão, pode ser discutida a terapia de substituição com a nicotina, oferecendo aos pacientes todas as explicações necessárias para seu uso, dependendo das dificuldades de cada um. Nas demais sessões, as situações de risco e de proteção são discutidas com o objetivo de traçar estratégias de manutenção da abstinência. Na quarta sessão, os pacientes são orientados quanto à fase de seguimento, acompanhamento após a alta. Esse período pode ser de até mais quatro sessões. A rede social ou familiar, ou ambas, podem ser inserida no tratamento (Tabela 6).

A terapia comportamental-cognitiva também pode ser utilizada, pois a base teórica é a mesma: a teoria do aprendizado social de Bandura,87 segundo a qual qualquer uso de drogas é um comportamento aprendido, desencadeado e mantido por eventos e emoções específicos, possível de ser modificado. Esse tratamento também é breve, focal, estruturado em três níveis: a modificação do comportamento de uso e dos pensamentos automáticos disfuncionais, a resolução dos problemas associados e o reajuste social e ambiental. O período de duração da intervenção é mais longo, podendo alcançar de 12 a 16 sessões.

Farmacoterapia

O único tratamento farmacológico considerado de primeira linha licenciado na Inglaterra é a terapia de substituição da nicotina, que tem como objetivo aliviar os sintomas da síndrome de abstinência da substância.88-90 Já nos Estados Unidos, além dessa intervenção, o antidepressivo bupropiona foi aprovado recentemente como medicação de primeira escolha. As demais intervenções farmacológicas como a clonidina e a nortriptilina são consideradas de segunda linha por ambos (Tabela 7).

 

 

A associação da terapia de reposição de nicotina com a bupropiona tem resultado em um aumento da efetividade na cessação do uso do tabaco, quando comparada ao uso de bupropiona isoladamente.91

A terapia de substituição da nicotina

Qualquer profissional de saúde treinado pode aplicar a terapia de reposição ou substituição com nicotina para pacientes que consomem mais de dez cigarros ao dia. Ela é considerada um método seguro no tratamento da dependência de nicotina, o mais popular e o menos dispendioso. Quando comparada com placebo, é mais efetiva, influenciando também a freqüência das recaídas.21,92,93

Esse tratamento pode ser aplicado por quatro formas de apresentação do produto com nicotina: a goma de mascar, o sistema transdérmico, o spray nasal e o vaporizador oral. No Brasil estão disponíveis apenas a goma de mascar e o adesivo de nicotina. O aconselhamento que acompanha a terapia de reposição com nicotina não é intensivo e, quando administrado em adultos saudáveis, tem produzido resultados positivos.94-97

A terapia de reposição alivia os sintomas da síndrome de abstinência.98,99 A remissão do uso pode durar seis meses ou mais com esse tratamento.75 Quando se associa a terapia de reposição de nicotina a outros recursos terapêuticos (aconselhamento ou outra medicação), a efetividade do tratamento pode aumentar.100,101

Para qualquer nível de consumo de tabaco, o uso de 15 mg de nicotina por dia é preconizado como dose inicial. Para fumantes pesados (25 cigarros ou mais por dia), a dose inicial pode ser maior.102

No Brasil estão disponíveis adesivos com 7 mg, 14 mg, 21 mg de nicotina ativa, com utilização pelo prazo médio de oito semanas, trocados diariamente. Essa forma de reposição de nicotina é a mais indicada, pois apresenta menos efeitos colaterais. A redução da dose é progressiva por até um ano.

A goma de mascar encontrada no Brasil contém 2 mg de nicotina ativa por unidade. A média de consumo é de 10 gomas por dia, podendo chegar até 20. Pode produzir irritação na língua e na cavidade oral, mas ainda é o tratamento de menor custo nos países desenvolvidos, quando comparado ao custo de um maço de cigarros consumido por dia.103,104 Infelizmente, o custo da terapia de reposição de nicotina não é baixo no Brasil.

Existem algumas restrições para a aplicação da terapia de reposição de nicotina, apesar dessa ser considerada muito mais segura do que fumar. Esse método não deve ser indicado para grávidas, para menores de 18 anos e para aqueles pacientes portadores de doenças cardiovasculares instáveis, como infarto do miocárdio recente, angina instável ou determinadas arritmias.

Com a administração de outras substâncias, além da nicotina, os dependentes de nicotina têm conseguido manter a abstinência em uma porcentagem duas vezes maior que aqueles que utilizaram placebo (Figura 5).8,105,106

 

 

A bupropiona é também tratamento de primeira linha nos Estados Unidos, indicada para adultos que consomem 15 cigarros ou mais ao dia. Para fumantes com depressão, a indicação também é mais precisa.107 Presume-se que sua ação é mediada pela noradrenalina e pela dopamina, diretamente agindo na diminuição da "fissura" ou craving.93,108-110

Inicia-se a bupropiona uma semana antes da cessação. A dose inicial é de 150 mg por dia até o terceiro dia, passando para 300 mg por 7 a 12 semanas. Comparada com placebo, apresentou um período de abstinência duas vezes maior e o ganho do peso menor.108,111 As contra-indicações são: condições que impliquem risco de convulsões, como antecedentes das mesmas, traumatismo cranioencefálico, retirada recente de álcool, transtorno bulímico ou anorexia nervosa, uso concomitante de inibidores da monoaminoxidase ou de compostos contendo bupropiona.

Como farmacoterapia de segunda linha, a nortriptilina tem sido comparada à bupropiona em relação a sua efetividade.112 Ela inibe a recaptação de noradrenalina e de dopamina no sistema nervoso central, produzindo um efeito antidepressivo. Observou-se que o tratamento prolongado com a droga facilita a função adrenérgica pós-sináptica, resultando em efeito ansiolítico. Os resultados mostraram que ela é efetiva apenas no seguimento de avaliação de curto prazo.112

A clonidina tem sido utilizada na dose de 0,1 mg até 0,75 mg ao dia, aliviando consideravelmente os sintomas da síndrome de abstinência, como ansiedade, irritabilidade, cansaço e craving ou "fissura".113 Efeitos colaterais como sedação e hipotensão arterial podem dificultar seu uso e levar ao abandono do tratamento. O efeito mais indesejável é a hipotensão ortostática. A suspensão abrupta da clonidina pode produzir crises hipertensivas.114

Outros medicamentos ainda sem evidências científicas suficientes

A mecamilamina é um antagonista da nicotina, que evita o reforço positivo causado por ela. Apresenta muitos efeitos colaterais, como cólicas abdominais, obstipação, boca seca e dores de cabeça. Os estudos demonstram alguma eficácia no início do tratamento, mas os efeitos colaterais levam a índices significativos de abandono no tratamento.115

A buspirona, um agonista serotoninérgico com efeito ansiolítico, produz pouca sedação, baixo potencial de abuso e eficácia na redução dos sintomas de abstinência, como a ansiedade, e baixa incidência de efeitos colaterais.116

Assim, diversas formas de cuidado com o paciente podem ser inseridas em todos os níveis de atenção à saúde, desde unidades básicas até serviços especializados, hospitais gerais e psiquiátricos, avaliando-se a necessidade e a disponibilidade de recursos de cada local.

Tratamentos compostos

A associação da psicoterapia e da farmacoterapia tem se mostrado a intervenção mais efetiva.19,117-120 Materiais didáticos de auto-ajuda, aconselhamento por telefone e estratégias motivacionais ajudam a melhorar a efetividade do tratamento (Anexo 4).121,122

A utilização de tratamentos alternativos como a acupuntura e a hipnose tem sido estudada, mas os resultados têm se mostrado pouco efetivos.123

Tratamento de grupos especiais

Comorbidade psiquiátrica

A dependência de nicotina incide mais freqüentemente em portadores de certos transtornos mentais, como a esquizofrenia e a depressão.113,124,125 É provável que esses grupos necessitem de tratamento específico. A bupropiona e a nortriptilina são eficazes para o tratamento da dependência de nicotina na população geral e para o tratamento da depressão, transtorno que incide em torno de duas vezes mais na população de fumantes.48

Evidências indicam que entre 15% a 25% dos fumantes apresentam dependência de álcool recente.57,126 Intervenções para o tratamento do tabagismo não interferem na recuperação da dependência de outras drogas. Portanto, dependentes de nicotina e de outras substâncias devem ser tratados concomitantemente de todas as comorbidades, incluindo psicoterapia e farmacoterapia.

Câncer

A sobrevida de cinco anos para todos os tipos de câncer gira em torno de 50%. A cessação do tabagismo tem impacto favorável na eficácia do tratamento do câncer (quimioterapia, radioterapia e cirurgia), no menor índice de complicações e desenvolvimento de doenças futuras, assim como na mortalidade relacionada ou não ao câncer.127

Deixar de fumar aumenta em várias vezes a chance de não apresentar câncer de pulmão, pâncreas e colo uterino, além de aumentar a sobrevida daqueles que já apresentam a doença.128-130 O tratamento para o tabagismo nesses casos pode ser a reposição de nicotina e a orientação. Apesar desses dados, apenas 1/3 dos pacientes deixa de fumar após o diagnóstico de neoplasia.131

Doenças cardiovasculares e respiratórias

No alcatrão encontram-se elementos carcinogênicos como: hidrocarbonetos, fenóis, benzopirenos, metais pesados, polônio 210, nitrosaminas, DDT, entre outros.132 Muitos dos compostos carcinogênicos identificados na fumaça do cigarro não estão presentes na folha do tabaco, mas são formados pela pirólise induzida por meio das altas temperaturas encontradas na ponta do cigarro aceso. Independentemente de outros fatores de risco, fumar pode aumentar o risco de coronariopatias, doença cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de vias aéreas superiores, de trato digestivo alto e de pulmão.133

Em pacientes com doenças coronarianas, deixar de fumar reduz em 50% o risco de morte prematura.128 Fumar aumenta em no mínimo duas vezes o risco de acidentes vasculares isquêmicos e aneurismas fatais de aorta.130 Observando também os estudos sobre intervenção para cessação do uso de tabaco para esses pacientes, os resultados apontam para uma efetividade baixa, em torno de 30%.134-136

O uso do tabaco é a principal causa de doenças respiratórias, e, mesmo motivados, 75% dos pacientes tratados voltam a fumar em cinco anos.19 As taxas de cessação do uso de tabaco de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica têm se mostrado mais baixas (menor que 10%) que aquelas obtidas de pacientes com doenças cardiovasculares.137-139

A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 5.000 substâncias diferentes, sendo mais de 40 delas reconhecidamente cancerígenas. É composta de uma parte gasosa (que contém monóxido de carbono) e outra particulada (chamada alcatrão), com nicotina e água. Tanto a parte gasosa quanto a particulada induzem o aparecimento de tumores em animais de experimentação.140

Idosos

Existem poucos estudos epidemiológicos longitudinais que abranjam os idosos e o tabagismo. Um levantamento nacional domiciliar inglês, desenvolvido no período de 1972 a 1996, mostrou que este é o único grupo etário que apresentou um tendência consistente à diminuição do fenômeno.141

A cessação do uso do tabaco na faixa etária acima dos 65 anos é benéfica em termos de qualidade de vida e longevidade.142 A orientação comportamental e a reposição de nicotina podem ser aplicadas.

Jovens

Para a maioria dos fumantes, a dependência da nicotina se estabelece na adolescência, e, para uma boa parte dos jovens, esse fenômeno ainda ocorre muito antes da permissão legal para se obter o cigarro.143 Esse uso em idade tão precoce tem uma implicação importante em longo prazo na saúde individual e pública.144

Dos estudos etnográficos e epidemiológicos ingleses, obteve-se o dado de que o jovem fumante ou não, assim como o adulto, acredita que fumar relaxa.145 Portanto, medidas preventivas difundidas na mídia, cumprimento das leis quanto à venda de cigarros para menores e prevenção primária nas escolas são medidas muito importantes para essa amostra populacional, mas que têm apresentado resultados pouco efetivos.11,146 Para essa população, o grupo de orientação comportamental é bem indicado, pois a dificuldade em parar de fumar é a mesma quando se compara esse grupo com os adultos.147,148

A intenção de parar de fumar é fator preditivo de cessação em adultos, mas isto não aparece em adolescentes, sendo que o jovem recai mais que o adulto.149

Situação socioeconômica

Grupos com renda mais baixa e menor acesso à educação têm mais dificuldade em abandonar o fumo, assim como acesso mais difícil a programas de tratamento. Estudos de avaliação dos fatores preditores de consumo pesado apontam a baixa renda como um aspecto bastante significativo.150 A reposição de nicotina pela goma de mascar, associada à orientação comportamental, pode ser eficaz, além de uma estratégia de redução gradual do número de cigarros consumidos por dia.

Gravidez

A dependência de nicotina durante a gravidez é um fator de risco para a mãe e para o feto. Os efeitos adversos de fumar durante a gestação têm sido revisados em detalhe e incluem aborto espontâneo, nascimentos prematuros e recém-nascidos de baixo peso. A mortalidade desses bebês é maior, assim como a presença de problemas durante o desenvolvimento físico e psicológico, quando comparados aos filhos de não fumantes.151

Entre as gestantes, 30% são fumantes, sendo a maioria jovens entre 24 e 35 anos, com baixo nível de escolaridade, desempregadas ou subempregadas, segundo pesquisas epidemiológicas inglesas.152 Entre as gestantes orientadas nas consultas de pré-natal quanto aos benefícios obtidos com a interrupção do uso de tabaco para a própria pessoa e para o feto, apenas uma em cinco se propôs a interromper o uso.153 Os estudos que compararam grávidas aconselhadas com aquelas que não receberam aconselhamento não mostraram diferenças significativas na taxa de abstinência.154 Com intervenções especiais, essas taxas aumentam em 10%.155

O trabalho de motivação para permanecer em abstinência deve estender-se ao longo do período pós-parto, devido ao alto índice de recaída nessa fase.156 O emprego da terapia de reposição de nicotina só está indicado quando os riscos de continuar fumando forem maiores que o risco da reposição.

Fumantes hospitalizados

O ambiente hospitalar não permite fumar e, além desse fato, a doença que causou a internação pode estar relacionada ao tabagismo. Por meio de orientação específica e da reposição de nicotina quando necessária, o paciente pode manter-se abstinente com menos sofrimento e, após a alta hospitalar, deverá ser encaminhado para tratamento especializado.

Uma internação parece ser um momento especial para se iniciar a motivação de um paciente para interromper o uso de tabaco, mas, em estudos clínicos ingleses, mesmo para aqueles pacientes com doenças relacionadas ao tabagismo, os resultados têm sido pouco efetivos, sendo a taxa de cessação do uso ainda menor quando comparada aos pacientes com outras doenças.75 Ao contrário, alguns pesquisadores obtiveram nesse ambiente um resultado mais adequado quanto à efetividade da intervenção com tratamentos especialmente desenhados para esses pacientes.98,157

Ganho de peso

Ansiedade em relação ao ganho de peso, principalmente entre as mulheres, é um fator importante que interfere no tratamento do tabagismo.158 A maioria dos fumantes vai ganhar 10% de seu peso em até cinco anos do início do tratamento.6 Cerca de 1/5 dos fumantes ganha mais de 5 kg.61 Mulheres e fumantes de mais de 25 cigarros ao dia apresentam maior risco para o ganho de peso.159

O ganho de peso parece ser devido a um aumento da ingesta e a um reajuste metabólico. O paciente deve ser alertado sobre a possibilidade de ganho de peso, porém deve-se enfatizar que a prioridade é deixar de fumar, e que o ganho de peso é limitado. Estimular o paciente a ingerir uma maior quantidade de frutas e verduras e a exercitar-se pode ajudar. A reposição de nicotina ou a bupropiona poderão ser prescritas com o objetivo de retardar o ganho de peso.102,160

Considerações Finais

A partir do que foi sintetizado neste consenso, recomenda-se que:

• todos os indivíduos devam ser abordados e interrogados sobre o uso do tabaco, principalmente os adolescentes;

• se fumantes, todos devem ser aconselhados, motivados e auxiliados a interromper o uso;

• o acesso ao tratamento deve ser facilitado em todos os níveis de atenção à saúde;

• a terapia de reposição da nicotina deve ser adotada para a maioria dos fumantes, exceto para grupos de risco como grávidas, idosos com doenças cardiovasculares e adolescentes. A terapia comportamental breve em grupo é um recurso importante para esse tratamento;

• novas medidas preventivas para a população geral devem ser utilizadas, pois o resultado esperado quanto à redução do fenômeno não tem sido efetivo.

 

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Correspondência
Ana Cecilia Petta Roselli Marques
Depto de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo
Rua Napoleão de Barros, 925, Vila Clementino
4024-002 São Paulo, SP, Brasil
Tel.: (0xx11) 5539-0155
E-mail: anace@psicobio.epm.br

 

 

Recebido em 16/5/2001. Revisado em 20/6/2001 e 8/10/2001. Aceito em 9/10/2001.

Fonte de financiamento: Pharmacia & Upjohn Ltda.

Conflito de interesses inexistente.