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Revista Brasileira de Psiquiatria

Print version ISSN 1516-4446On-line version ISSN 1809-452X

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.25  suppl.1 São Paulo June 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462003000500005 

Comorbidade no transtorno de estresse pós-traumático: regra ou exceção?

 

Comorbidities in posttraumatic stress disorder: rule or excemption?

 

 

Regina Margis

Laboratório de Psiquiatria Experimental, Centro de Pesquisa, Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Porto Alegre, RS, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) com frequência ocorre conjuntamente com outros transtornos psiquiátricos. Este artigo revisa o TEPT e comorbidades, tais como: transtornos de ansiedade, uso de substâncias, transtorno de humor, tentativas de suicídio, transtorno dissociativo e transtorno somatoforme.

Descritores: Transtorno de estresse de pós-traumático. Comorbidade.


ABSTRACT

Posttraumatic stress disorder (PTSD) commonly occurs in conjunction with other psychiatric disorders. The present article reviews PTSD and its comorbidities such as anxiety disorders, substance abuse, mood disorders, suicide attempts, dissociative disorder and somatoform disorder.

Keywords: Posttraumatic stress disorder. Comorbidity.


 

 

Introdução

O termo "stress" foi introduzido na área da saúde por Selye, em 1936, para designar a resposta geral e inespecífica do organismo a um estressor ou situação estressante. Posteriormente o termo passou a ser utilizado tanto para designar tanto esta resposta do organismo como a situação desencadeante.1

A resposta ao estresse é resultado da interação entre as características da pessoa e as demandas do meio, ou seja, as discrepâncias entre o meio externo e interno e a percepção do indivíduo quanto a sua capacidade de resposta. Essa resposta ao estresse compreende aspectos cognitivos, comportamentais e fisiológicos. Nesses três níveis, ela é eficaz até certo limite, que quando ultrapassado, pode desencadear um efeito desorganizador – propiciando o surgimento de transtornos psiquiátricos.

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) desenvolve-se após a exposição a um evento traumático grave, no qual o indivíduo apresenta, principalmente, sintomas de revivescência do evento traumático, evitação de estímulos associados ao evento e hiperexcitabilidade. A pessoa pode agir ou sentir como se o evento estivesse ocorrendo novamente, os flashbacks são um exemplo de sintoma de revivescência. O indivíduo também pode evitar situações ou conversas associadas ao trauma ou ter dificuldade para lembrar de aspectos importantes relacionados ao evento, ou ainda, ter menor interesse em participar de atividades significativas, podendo surgir uma sensação de afastamento em relação aos outros. Também estão presentes sintomas de hiperexcitabilidade autonômica, como alterações do sono, surtos de raiva, dificuldade de concentração, hipervigilância e propensão para "assustar-se" de forma exagerada.

Diferentes variáveis têm sido propostas como importantes para o desenvolvimento do transtorno de estresse pós-traumático, incluindo características do meio, do estressor (sua natureza e intensidade) e da pessoa (sua vulnerabilidade e habilidade para modular uma reação inicial frente ao evento traumático). É importante estar atento às diferentes formas de respota do indivíduo aos eventos estressores, uma vez que algumas pessoas podem desenvolver Reação Aguda ao Estresse e/ou TEPT, enquanto outras podem apresentar, por exemplo, crises de pânico ou depressão.

Diferentes estudos2-4 demonstram elevadas taxas de comorbidade nas pessoas com TEPT. Têm sido sugeridos diferentes motivos para este fato. Entre eles, destaca-se o fato de que a história prévia de outra doença mental pode aumentar o risco para a ocorrência de TEPT. Isso aconteceria devido a uma elevada probabilidade de exposição ao risco ou a de desenvolver TEPT, devido a existência de uma outra doença mental. Outra explicação proposta para a elevada taxa de comorbidade seria o fato do TEPT estar relacionado a um elevado risco para desenvolver outros transtornos.

Tem sido proposto que o TEPT e suas comorbidades devam ser entendidos como um "complexo efeito somático-cognitivo-afetivo-comportamental de um trauma psicológico".

TEPT e aspectos de outros transtornos psiquiátricos

Um grande número de estudos, tanto avaliando indivíduos em tratamento2,3, como a população em geral4, documentam uma elevada taxa de comorbidade psiquiátrica entre os indivíduos com TEPT.

Davidson et al5 constataram uma taxa de 62% de comorbidade nos indivíduos com TEPT de uma comunidade. Outro levantamento apontou uma taxa de 92%.5 Estudos7,8 entrevistando pessoas com TEPT constataram que aproximadamente 80% dessas apresentavam um outro diagnóstico psiquiátrico, comparado com 30%7 a 44,3%8 dos indivíduos sem TEPT.

Visando examinar possíveis diferenças nas manifestações clínicas do TEPT em relação ao gênero, Zlotnick et al9 entrevistaram 138 pacientes ambulatoriais com TEPT. Nessa amostra observou-se que os homens mais freqüentemente preenchiam critérios para transtorno por uso de substância ou transtorno de personalidade anti-social. Não encontraram diferenças entre os gêneros para outros tipos de transtornos, nem para o número de transtornos comórbidos.

Foi demonstrado10 que aproximadamente 16% dos indivíduos com TEPT apresentam um outro diagnóstico psiquiátrico. Cerca de 17% têm dois outros, e até 50% apresentam três ou mais diagnósticos psiquiátricos, além do TEPT.

Com freqüência surge o questionamento sobre qual dos quadros surge primeiro. Kessler et al,10 avaliando este aspecto, constataram que o TEPT geralmente precede o transtorno afetivo comórbido ou o transtorno por uso de substância comórbido. Em mulheres, o TEPT mais freqüentemente precede transtornos de conduta. Entretanto, Kessler et al10 observaram que, em relação a outros transtornos de ansiedade, o TEPT provavelmente não precederia outros transtornos.

TEPT e outros transtornos de ansiedade

Indivíduos com Transtorno de Estresse Pós-Traumático têm duas a quatro vezes maior probabilidade de apresentar um outro transtorno de ansiedade em relação às pessoas sem TEPT. Entre os homens essa probabilidade é de três a sete vezes maior, já entre as mulheres é de duas a quatro vezes maior.10

Zayfert et al11 examinaram a prevalência da comorbidade de transtornos ansiosos com TEPT, relacionado-os a outros transtornos, numa população que buscou tratamento. Os 83 pacientes com TEPT examinados evidenciaram maior comorbidade quando comparados a pacientes com outros transtornos de ansiedade (151 indivíduos), ou outro transtorno em Eixo I (73 indivíduos). Quando comparados a indivíduos com transtorno do pânico, os indivíduos com TEPT apresentavam mais frequentemente o diagnóstico de depressão e fobia social.11

Um estudo descrito por Gershuny et al12 observou a interferência da comorbidade com TEPT no tratamento com terapia comportamental para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Este estudo constatou que os pacientes com comorbidade com TEPT não demonstravam significativa melhora nos sintomas obsessivo-compulsivos (o que havia sido percebido no grupo sem esta comorbidade). A partir destes achados, Gershuny et al12 concluíram que o tratamento com terapia comportamental para o TOC, associado ou não a farmacoterapia, pode ser prejudicado pela comorbidade com o TEPT.

TEPT e abuso de álcool e outras substâncias psicoativas

De acordo com estudo epidemiológico realizado por Kessler,10 indivíduos com TEPT têm duas a três vezes maior probabilidade de apresentar transtorno por uso de substância, em relação aos que não apresentam TEPT. Levantamentos realizados entre os indivíduos que buscam tratamento devido ao uso de substância constataram que 25% a 58% destes pacientes apresentavam comorbidade com TEPT.12-14 O transtorno por uso de substância em comorbidade com o TEPT, leva a um pior prognóstico do primeiro. Brown, Stout e Mueller,15 num estudo piloto, compararam mulheres dependentes de álcool e outras substâncias psicoativas, com e sem comorbidade com TEPT, quanto a taxas de recaída. Esses autores constataram que, ao final de 3 meses, as taxas de recaída não diferiram entre as mulheres com ou sem comorbidade com TEPT. Entretanto, as mulheres com TEPT apresentaram recaída mais precocemente.15

Semple et al16 realizaram exames de tomografia por emissão pósitrons em pacientes com TEPT e história de abuso de álcool e cocaína, em comparação com indivíduos normais. Observou-se maior fluxo sanguíneo cerebral na amígdala e menor fluxo sanguíneo no córtex frontal dos pacientes com TEPT e comorbidade, com abuso de álcool e cocaína, em relação aos indivídos normais.16

TEPT e transtornos de humor

Os transtornos afetivos – depressão, distimia e mania - são duas a três vezes mais prováveis de ocorrer em pessoas com TEPT, quando comparadas a pacientes sem o transtorno. Kessler et al10 constataram que homens com TEPT apresentam seis a dez vezes mais chance de apresentar transtorno afetivo do que homens sem TEPT. No que tange as mulheres com TEPT, a chance de desenvolver transtorno afetivo é quatro ou cinco vezes maior.

Neste tópico, é valido destacar o quanto alguns sintomas presentes no TEPT assemelham-se a achados em pacientes com transtorno de humor: alterações no sono, irritabilidade, menor interesse em participar de atividades, entre outros. O que reforça a importância de realizar detalhada avaliação de todos os sintomas presentes, para então possibilitar adequada formulação diagnóstica.

TEPT e risco de suicídio

Acrescenta-se a constatação de que as pessoas com TEPT tentam até seis vezes mais suicídio que os controles – o TEPT é o transtorno de ansiedade com mais forte relação com suicídio, de acordo com dados do National Comorbidity Survey.18 É importante salientar que o risco de suicídio aumentado também é observado no TEPT com expressão sintomatológica parcial.

TEPT e dissociação

A dissociação é um sintoma comum em indivíduos com Transtorno de Estresse Pós-Traumático, sendo citado como um dos sintomas mais freqüentes.19 Visando identificar a prevalência e comorbidade de transtorno dissociativo (TD) em pacientes internados, foram entrevistados 110 pacientes que, consecutivamente, foram internados em hospital psiquiátrico, sendo aplicado "Dissociative Experiences Scale". Cerca de 15% desses pacientes apresentaram escores acima do "ponto de corte" para a síndrome clínica do TD, e preencheram critérios, segundo o DSM-III, para o TD. Eles apresentaram maiores taxas para Depressão, TEPT, Transtorno por Uso de Substâncias e Transtorno de Personalidade Borderline em relação grupo internado, sendo controlados quanto a idade e gênero.20

TEPT e queixas físicas

A somatização é um achado muito comum em pacientes com TEPT. Numa amostra de 99 mulheres em acompanhamento psiquiátrico ambulatorial, com história de comprometimento somático, mais de 90% das com Transtorno de Somatização, relataram alguma forma de abuso (abuso sexual enquanto criança ou na idade adulta, abuso físico ou emocional enquanto criança).21

Apesar de um grande número de estudos ressaltar um aumento das queixas físicas em pacientes com TEPT, a razão para essa associação ainda não está clara. Ford et al22 avaliaram diferentes settings clínicos e constataram que 67% dos pacientes que procuraram atendimento com gastroenterologista e 50% dos que procuraram atendimento em clínicas para tratamento de dor, relataram a ocorrência de trauma físico na infância. Ao comparar 22 mulheres apresentando dor pélvica com 22 sem dor – randomicamente selecionadas – encontrou-se história de abuso na infância em 82% das mulheres com dor pélvica e 41% das mulheres sem queixa da dor.23

Avaliando vítimas de desastre natural em Porto Rico, foi relatado o desenvolvimento de sintomas físicos, antes inexistentes, um ano após o evento traumático. As vítimas de desastre mostraram-se mais predispostas a desenvolver sintomas gastrointestinais ou sintomas pseudoneurológicos, do que as pessoas não expostas ao desastre.24 Gurvits et al25 avaliaram 21 mulheres adultas vítimas de violência sexual na infância (12 com TEPT e nove sem o transtorno) e 38 homens veteranos da Guerra do Vietnã (23 com TEPT e 15 sem o transtorno) examinando "sinais neurológicos leves" – os quais refletem alterações neurológicas sutis, como anormalidades na linguagem, na coordenação motora, na percepção e em outras funções do sistema nervoso central. Esse estudo constatou, tanto pela história obtida, como pelo exame físico, que estes homens e mulheres com TEPT crônico apresentavam evidência de comprometimento neurológico.

Pacientes com TEPT têm maior risco que indivíduos normais para desenvolverem doenças clínicas, sendo freqüentemente observado anormalidades na função cardiovascular, desregulação endócrina e imunossupressão. Pacientes com TEPT também apresentam risco aumentado para desenvolverem alterações comportamentais como a hostilidade - que consiste em fator de risco para doença cardiovascular e é observada na personalidade tipo A - e comportamentos de risco, tal como o uso de drogas.26

TEPT e qualidade de vida

Um aspecto importante em relação a vida produtiva dos indivíduos com TEPT se refere ao comprometimento no trabalho. Este comprometimento é similar ao prejuízo associado às pessoas com depressão, mas menor que o comprometimento dos indivíduos com transtorno do pânico.27 Isso é válido tanto ao considerarmos absenteísmo, como menor produtividade. O comprometimento no trabalho também refere-se ao fato de que várias pessoas com transtorno de estresse pós-traumático, submetem-se a atividades profissionais que lhe pagam salários inferiores, por julgarem-se incapazes de lidar com o estresse provocado por um trabalho que lhes remunerem melhor.

O TEPT, em diferentes aspectos, interfere na qualidade de vida do portador, tal como na de seus familiares. Isto é notório ao constatar o quanto indivíduos com TEPT evitam realizar determinadas tarefas pelo temor constante, e o quanto este temor interfere na rotina de seus familiares. A interferência na qualidade de vida ocasionada pelo TEPT, somada ao prejuízo provocado pela comorbidade, situa a dimensão do sofrimento dos portadores deste transtorno, além do dano potencial ocasionado pelo eventual retardo para a realização do adequado diagnóstico e tratamento destes pacientes.

Considerações finais

Apesar da história de trauma ser comum na população em geral, o TEPT ainda é subdiagnosticado.28 Davidson & Smith29 entrevistaram 54 pacientes encaminhados ao ambulatório de psiquiatria quanto a presença de história de evento traumático severo. Dentre esses, 81% apresentavam história de, pelo menos, um evento traumático, sendo que 17 pacientes apresentavam sintomas de TEPT e 12 preenchiam os critérios para o transtorno, segundo o DSM-III-R . No entanto, de acordo com os registros clínicos apenas um paciente havia recebido o diagnóstico correto.

Em outro estudo, foram avaliados 95 pacientes internados devido a transtorno por abuso de álcool ou outras substâncias psicoativas. Foi observado que aproximadamente 40% dos pacientes preenchiam critérios para TEPT, mas apenas 14 pacientes receberam esse diagnóstico.30

Utilizando dados do NCS para o estudo dos efeitos do TEPT como facilitador do início de transtornos psiquiátricos subsequentes, observou-se que indivíduos com TEPT eram mais suscetíveis ao desenvolvimento de transtorno por uso de substância ou transtorno de humor. A análise desse mesmo banco de dados demonstrou que o aumento do risco para o desenvolvimento de um segundo transtorno desaparecia com a remissão dos sintomas de TEPT.

Em suma, separando-se duas amostras, uma com indivíduos com TEPT ativo e outro grupo com este transtorno em remissão, seria observado que apenas aqueles com transtorno ativo teriam risco aumentado para ocorrência de um segundo transtorno.31 Esses fatos reforçam a importância de investigar-se a história de trauma, assim como do transtorno de estresse pós-traumático em populações clínicas. Sabe-se que as elevadas taxas de comorbidade podem diminuir as chances de que se realize o diagnóstico do TEPT, pois, muitas vezes, quadros mais conhecidos são diagnosticados primeiramente. De posse de um diagnóstico que explique parcialmente o sofrimento do paciente, uma investigação mais criteriosa, que evidenciaria um quadro de TEPT, pode ser retardada, ou mesmo nunca feita. As conseqüências da demora para diagnosticar apropriadamente o TEPT, incluiriam o contínuo sofrimento do paciente e a eventuial cronificação de seu quadro.

 

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Endereço para correspondência
Regina Margis
Laboratório de Psiquiatria Experimental, Centro de Pesquisa, Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Rua Ramiro Barcelos, 2350
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