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Revista Brasileira de Psiquiatria

Print version ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.26 no.2 São Paulo June 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462004000200015 

CARTAS AOS EDITORES

 

Comentário sobre o editorial "Uso de maconha na adolescência e risco de esquizofrenia"

 

 

EA Carlini; José Carlos Galduróz; Ana Regina Noto; Solange A Nappo

CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da UNIFESP/EPM

 

 

Neste editorial, os autores K Weiser, M Weiser e M Davidson comentam:

"Na população brasileira, recente pesquisa da SENAD (Secretaria Nacional Antidrogas) demonstrou que 9% dos adolescentes (grifo nosso) já utilizaram maconha pelo menos uma vez. Este conceito (grifo nosso), no entanto, tem sido contestado por recentes estudos longitudinais(...). Isto nos alerta para o fato de que o uso "inocente" (aspas pelos autores) de drogas..."

Devido à confusão não propositada dos autores, acreditamos ser importante fornecer os seguintes esclarecimentos:

1. A pesquisa citada foi planejada e desenvolvida pelo CEBRID (Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas) da UNIFESP/EPM (Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina); a SENAD apenas financiou a pesquisa;

2. Na nossa pesquisa, 6,9% da população entrevistada, com idade variando de 12 a 65 anos, declarou ter feito uso de maconha pelo menos uma vez na vida; não foi; portanto, 9% dos adolescentes que declararam este uso;

3. O conceito de uso na vida (lifetime use) não pode ter sido contestado "pelos recentes estudos longitudinais" por se tratar de diferentes desenhos metodológicos. De fato, uso na vida revela apenas que a pessoa já utilizou, pelo menos uma vez na vida, a droga; ou seja, pode ter usado, uma, duas, dez ou mil vezes a maconha;

4. Portanto, sugerir que uso na vida possa ser um uso "inocente" pode ser contestado.