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Brazilian Journal of Psychiatry

Print version ISSN 1516-4446On-line version ISSN 1809-452X

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.26 no.3 São Paulo Sept. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462004000300016 

CARTA AOS EDITORES

 

Situação atual da residência de psiquiatria no Centro-Oeste

 

 

Fabiano Coelho Horimoto; Juberty Antônio de Souza

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS

 

 

Sr. Editor,

Mato Grosso do Sul foi um dos estados pioneiros, no Centro-Oeste, na criação de residência médica em Psiquiatria. A primeira surgiu em 1992, na Santa Casa de Campo Grande, completando, este ano, 12 anos ininterruptos de funcionamento e ofertando, no momento, duas vagas. Após uma década (2002), foi criada a residência no Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que conta atualmente com uma vaga. Ressaltamos que os dois serviços são credenciados pelo MEC1 e formaram 32 psiquiatras, desde seu início até dezembro de 2003.

A importância de mais serviços de residência no Centro-Oeste decorre da situação, há muito diagnosticada, de falta de especialistas, principalmente fora dos grandes centros. O número de psiquiatras no Brasil, segundo estimativas da ABP, citadas por Torello,2 gira em torno de 6 mil e este ressalta que as instituições universitárias são numericamente escassas e concentradas geograficamente. As regiões Norte e Centro-Oeste representam esta tendência, pois na primeira não existe residência de Psiquiatria e, na segunda, temos apenas em Campo Grande (2), Goiânia (1) e Brasília (3), sendo que anualmente são formados, nestas seis instituições, 14 psiquiatras/ano,1 enquanto que a população da região atinge mais de 11 milhões de pessoas.3 Só o Instituto de Psiquiatria da USP4 forma, anualmente, 15 psiquiatras!

Em relação à qualidade dos serviços, em Mato Grosso do Sul, no período de 1992-2002, 28 médicos concluíram a residência ou especialização. Destes, 25 prestaram prova de Título de Especialista pela ABP e 22 (88%) foram aprovados. Acreditamos que esta é uma forma objetiva e bastante criteriosa de avaliar os profissionais que querem atuar na área, pois se exige que estejam atualizados e com conhecimentos suficientes para serem aprovados. A taxa de aprovação dos egressos dos serviços de Mato Grosso do Sul provavelmente é superior à média nacional.

Um dado interessante, em relação à interiorização dos médicos: observamos que nosso estado tornou-se um centro de formação de psiquiatras e propagação de novos conhecimentos, para diversos locais, principalmente para as regiões mais desprovidas de especialistas. Os ex-residentes estão espalhados por sete estados: Mato Grosso do Sul (20 colegas), Mato Grosso (5), Roraima (2), Goiás (1), São Paulo (2), Paraná (1) e Santa Catarina (1).

Estes dados indicam uma necessidade urgente de criação e/ou ampliação da residência em Psiquiatria no Centro-Oeste, onde observamos a carência de serviços de atendimento em Saúde Mental, numa área tão vasta e, ao mesmo tempo, tão promissora para os novos colegas, com a abertura de novas frentes de trabalho, onde não haverá o fenômeno da saturação de profissionais, que já é uma realidade em praticamente todas as grandes cidades do Sul e Sudeste.

 

Referências

1. MEC. Residência Médica de Psiquiatria. Avaiable from: URL: http://www.mec.gov.br/sesu/ftp/residencia/psiquiatria.xls.

2. Torello G. Psychiatry on Line Brazil. Avaiable from: URL: http//www.priory.com/psych/mlitalia.htm.

3. IBGE. Censo Populacional 2000. Avaiable from: URL: http://www.ibge.gov.

4. Instituto de Psiquiatria da USP. Avaiable from: URL: http://www.hcnet.usp.br/ipq.

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