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Brazilian Journal of Psychiatry

Print version ISSN 1516-4446On-line version ISSN 1809-452X

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.26  suppl.3 São Paulo Oct. 2004

https://doi.org/10.1590/S1516-44462004000700001 

APRESENTAÇÃO

 

Transtorno bipolar: da genética à reabilitação psicossocial

 

 

O conceito do que definimos atualmente como transtorno bipolar vem do século 19 e está intimamente ligado à presença de um ou mais episódios de mania ao longo da vida. Ao descrever os pacientes com folie circulaire, em 1854, Falret já enfatizava a importância dos fatores hereditários predisponentes, curso, prognóstico e adaptação dos pacientes na sociedade. Passados 150 anos desta importante descrição, continuamos na busca de conhecimentos mais aprofundados sobre a doença. Hoje sabemos que a prevalência do transtorno bipolar tipo I se situa entre 1,0 e 1,6% da população. Apesar de ser menos prevalente do que o transtorno depressivo unipolar, o transtorno bipolar está associado a um início mais precoce, maior incapacitação dos pacientes, elevada taxa de recorrência e cronicidade. Os custos diretos (diagnóstico e tratamento), assim como os indiretos (perda de produtividade no trabalho, mortalidade por suicídio), são imensos, além do sofrimento gerado nos indivíduos e suas famílias.

Nos últimos 10 anos, assistimos a um aumento no reconhecimento do transtorno bipolar como um transtorno de grande importância de saúde pública (OMS, 1990). O conhecimento sobre o diagnóstico e o tratamento vem sendo divulgado amplamente em publicações especializadas. Em julho deste ano, o New England Journal of Medicine, um dos mais influentes jornais na área de Clinica Médica, publicou um artigo de revisão sobre transtorno bipolar.1 Portanto, nada mais atual do que a decisão da comissão editorial da Revista Brasileira de Psiquiatria de publicar um suplemento sobre o assunto.

Com a liberdade de definir os temas deste suplemento, optamos por editar algo abrangente e que fosse além da temática dos suplementos recentes em periódicos internacionais que vêm focando muito os novos tratamentos farmacológicos para mania e a estabilização do humor. Sendo assim, definimos seis áreas fundamentais:

1- Diagnóstico (conceito e estados mistos)

2- Etiopatigenia (genética e fisiopatologia)

3- Particularidades no ciclo da vida (infância e terceira idade)

4- Comorbidades

5- Tratamento (farmacológico, cognitivo-comportamental, psicossocial e multidisciplinar)

6- Aspectos transculturais

Convidamos colegas brasileiros e internacionais, que trabalham nas áreas especificas, e estes atenderam prontamente à chamada. A ordenação dos 12 artigos buscou seguir essas grandes áreas. Pedimos aos colaboradores que fizessem uma revisão crítica e sistemática sobre os temas propostos. Sempre que possível, as implicações dos dados apresentados no manejo dos pacientes foram apresentadas. Esperamos que este suplemento aumente o interesse dos psiquiatras brasileiros na importância da atualização no conhecimento sobre o diagnóstico, etiopatogenia e tratamento do transtorno bipolar. Acreditamos que nosso objetivo maior é o de auxiliar os colegas a reduzir a altíssima morbi-mortalidade associada a esse transtorno.

Beny Lafer
Jair C Soares
Marsal Sanches
José Alberto Del Porto

 

 

1. Belmaker RH. Bipolar Disorder. New Engl J Med. 2004; 351:476-89.

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