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Brazilian Journal of Psychiatry

versão impressa ISSN 1516-4446versão On-line ISSN 1809-452X

Rev. Bras. Psiquiatr. v.27 n.1 São Paulo mar. 2005

https://doi.org/10.1590/S1516-44462005000100018 

CARTA AOS EDITORES

 

Diagnóstico precoce do Transtorno Bipolar

 

 

Sr. Editor,

Um problema grave na psiquiatria é a demora no diagnóstico correto e o conseqüente tratamento adequado das patologias. Talvez o problema mais grave seja em relação ao Transtorno Bipolar (TB). Muitas vezes, os pacientes são erroneamente diagnosticados e tratados como esquizofrênicos, devido aos episódios psicóticos; em outras, nas formas mais leves do transtorno, como deprimidos, devido ao não reconhecimento de alguns sintomas, como irritabilidade, impulsividade e hiperatividade.1

Esta doença é um importante problema de saúde pública. A prevalência é de, aproximadamente, 1%;2 entretanto, quando são também consideradas formas mais leves deste transtorno (o chamado espectro bipolar), estudos indicam uma prevalência de até 6% na população geral.3

Uma amostra de 70 pacientes diagnosticados como portadores do Transtorno Bipolar foi coletada por meio da entrevista clínica estruturada para o DSM-IV transtornos do eixo I (SCID-I),4 em atendimento regular no Programa de Tratamento do Transtorno de Humor Bipolar (PROTHABI) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), RS, Brasil. Estes indivíduos vêm de vários lugares, incluindo encaminhamentos de médicos generalistas, especialistas e psiquiatras, pois o HCPA é um dos poucos hospitais terciários mantidos pelo governo com acesso fácil disponível em toda a região da grande Porto Alegre e interior do estado.

A demora no diagnóstico desta doença foi evidente nesta amostra. O tempo, desde o uso da primeira medicação psiquiátrica na vida até o diagnostico de TB ser firmado, foi de 7,65 anos, com a média de idade de diagnóstico de 34,73 ± 12,34 anos e a do uso de medicação pela primeira vez na vida de 27,08 ± 11,86 anos (Figura 1). Esta diferença foi estatisticamente significativa (p < 0,01). É importante salientar que o início da doença geralmente se manifesta no fim da adolescência e início da idade adulta,5 mais próxima dos 27 anos, o que corrobora o fato destes pacientes não estarem sendo diagnosticados e tratados no tempo certo nos locais onde são atendidos primariamente.

 

 

Estes dados servem de alerta para o problema, pois os prejuízos que essa demora diagnóstica e, conseqüentemente terapêutica, acarreta são imensuráveis para os pacientes, suas famílias e para a sociedade em geral.

 

Fernando Kratz Gazalle
Centro de Pesquisas: Laboratório de Psiquiatria Experimental
do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA),
RS, Brasil; e Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas: Psiquiatria – Faculdade de Medicina – Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), RS, Brasil

Ana Cristina Andreazza
Centro de Pesquisas: Laboratório de Psiquiatria
Experimental do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(HCPA), RS, Brasil

Márcia Kauer-Sant'Anna
Centro de Pesquisas: Laboratório de Psiquiatria
Experimentaldo Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(HCPA), RS, Brasil; e Serviço de Psiquiatria do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre (HCPA), RS, Brasil

Aida Santin
Centro de Pesquisas: Laboratório de Psiquiatria Experimental
do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), RS, Brasil;
Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de
Porto Alegre (HCPA), RS, Brasil; e Departamento de Psiquiatria
e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), RS, Brasil

Flávio Kapczinski
Centro de Pesquisas: Laboratório de Psiquiatria Experimental
do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), RS, Brasil;
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria
– Faculdade de Medicina – Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), RS, Brasil; Serviço de
Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), RS,
Brasil; e Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS), RS, Brasil

 

Referências

1. Gorwood P. Confusing clinical presentations and differential diagnosis of bipolar disorder. Encephale. 2004;30(2):182-93.

2. Goodwin FK, Jamison KR. Clinical description. In: Goodwin FK, Jamison KR. Manic-depressive illness. New York: Oxford University; 1990. p.15-55.

3. Akiskal HS, Bourgeois ML, Angst J, Post R, Moller H, Hirschfeld R. Re-evaluating the prevalence of and diagnostic composition within the broad clinical spectrum of bipolar disorders. J Affect Disord. 2000;59(Suppl 1):S5-S30.

4. First MB, Spitzer RJ, Gibbon M, Williams JBW. Structuredclinical interview for DSM-IV axis I disorders-patient edition (SCID-I/P, Version 2.0, 4.97 Rev.) New York: New York State Psychiatric Institute; 1997.

5. Kaplan H, Sadock B. Kaplan and Sadock's synopsis of psychiatry – behavioral sciences/clinical psychiatry. 8th ed. Baltimore, MD; Williams & Wilkins; 1998.

 

 

Instituições de realização: Centro de Pesquisas: Laboratório de Psiquiatria Experimental. Hospital de Clínicas de Porto Alegre (UFRGS). Serviço de Psiquiatria. Programa de Atendimento do Transtorno de Humor Bipolar. Hospital de Clínicas de Porto Alegre (UFRGS)
Financiamento: Fundo de Incentivo à Pesquisa e Eventos – FIPE (HCPA)

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