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Brazilian Journal of Psychiatry

versão impressa ISSN 1516-4446versão On-line ISSN 1809-452X

Rev. Bras. Psiquiatr. v.28 n.1 São Paulo mar. 2006

https://doi.org/10.1590/S1516-44462006000100018 

CARTAS AOS EDITORES

 

Mogens Schou e o uso do lítio em psiquiatria

 

Mogens Schou and the use of lithium in psychiatry

 

 

Sr. Editor,

Muitos artigos na literatura científica fornecem dados históricos sobre a descoberta do lítio e seu desenvolvimento na psiquiatria, desde sua descoberta na Austrália, seu desenvolvimento primeiramente na Europa e então nos Estados Unidos.1 O grande marco na história do lítio ocorreu em 1954, quando o pesquisador dinamarquês Mogens Schou e colegas publicaram seu primeiro estudo duplo-cego do lítio na mania, iniciando um trabalho de toda a vida de Schou na pesquisa do lítio e ensino.2 O uso do lítio no transtorno bipolar (TB) causou uma revolução na psicofarmacologia, pois forçou os psiquiatras a pensarem em termos de diagnóstico, pois a utilidade do lítio nos quadros de mania clássica foi consagrada por diversos estudos científicos2-4 e pela prática clínica.

Durante muitos anos, o lítio foi o único estabilizador do humor. Mais recentemente, outras medicações começaram a ser utilizadas para esse fim, principalmente os anticonvulsivantes e antipsicóticos atípicos. Estas medicações, com características farmacológicas, posológicas e clínicas diferentes, colocaram em cheque o "reinado" do lítio e o seu papel atual no arsenal terapêutico do TB. O que se observa na prática clínica é um declínio do uso desta medicação. Diversos motivos podem ser alegados para isso: dificuldades posológicas, efeitos adversos graves (raros) e o investimento da indústria farmacêutica no desenvolvimento de novas medicações.

Contudo, o carbonato de lítio, após 50 anos, continua sendo um tratamento de primeira linha para a maioria dos pacientes bipolares. Os estudos e a prática clínica ainda consagram o lítio como o estabilizador de humor por excelência. Diretrizes elaboradas através de uma abordagem baseada em evidências consagram o lítio como primeira escolha terapêutica em praticamente todas as fases e apresentações do TB.5 Conclui-se que os psiquiatras (principalmente aqueles em formação) devem ser estimulados a conhecer de forma precisa as indicações do lítio e aprenderem a utilizar esta medicação, que tem auxiliado tantos pacientes.

O legado do brilhante professor e pesquisador Mogens Schou, falecido recentemente, permanece mais atual do que nunca.

 

Fernando Kratz Gazalle, Flávio Kapczinski
Programa de Atendimento do Transtorno de Humor
Bipolar (PROTAHBI) e Departamento de Psiquiatria e
Medicina Legal, Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), Porto Alegre (RS), Brasil

 

Referências

1. Fieve RR. Lithium therapy at the millennium: a revolutionary drug used for 50 years faces competing options and possible demise. Bipolar Disord. 1999;1(2):67-70.

2. Schou M, Juel-Nielsen N, Stromgren E, Voldby H. The treatment of manic psychoses by the administration of lithium salts. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1954;17(4):250-60.

3. Schlagenhauf G, Tupin J, White RB. The use of lithium carbonate in the treatment of manic psychoses. Am J Psychiatry. 1966;123(2):199-207.

4. Prien RF, Caffey EM Jr, Klett CJ. A comparison of lithium carbonate and chlorpromazine in the treatment of mania. Report of the Veterans Administration and National Institute of Mental Health Collaborative Study Group. Arch Gen Psychiatry. 1972;26(2):146-53.

5. Yatham LN, Kennedy SH, O'Donovan C, Parikh S, MacQueen G, McIntyre R, Sharma V, Silverstone P, Alda M, Baruch P, Beaulieu S, Daigneault A, Milev R, Young LT, Ravindram A, Schaffer A, Connolly M, Gorman CP. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) guidelines for the management of patients with bipolar disorder: consensus and controversies. Bipolar Disord. 2005;7(Suppl 3):5-69.

 

 

Financiamento: Inexistente
Conflito de interesses: Inexistente

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