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Revista Brasileira de Psiquiatria

Print version ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.29 no.2 São Paulo June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462007000200001 

NOTA DOS EDITORES

 

Bibliometria e visibilidade da psiquiatria brasileira

 

De uma maneira não planejada, porém não menos importante, o presente número da Revista Brasileira de Psiquiatria reúne um rol variado de contribuições que tocam a questão da visibilidade e o peso da contribuição da psiquiatria brasileira. Já nos editoriais destaca-se a contribuição de Dainesi e Pietrobon que, de forma didática, esclarecem a necessidade da adoção de índices bibliométricos que avaliem o peso da contribuição científica atribuída a um artigo, a autores, ou grupos de pesquisa. Tal análise é crucial na decisão da atribuição de recursos a fim de que eles possam ser aproveitados de forma mais eficiente. Contudo, os próprios autores advertem que é preciso conhecer as limitações desses mesmos índices para evitar sua manipulação. Um excelente exemplo nos é providenciado pelo artigo especial de Kieling e Gonçalves, que analisa o aumento de visibilidade da Revista Brasileira de Psiquiatria após sua indexação nas duas principais bases de dados em medicina: ISI e PubMed/MEDLINE.

O artigo é também uma ótima oportunidade para se entender o que significa o fator de impacto e qual sua importância para uma revista que, como a nossa, está localizada fora do eixo Europa-América do Norte. Precisamos de uma publicação sólida, cuja qualidade possa ser reconhecida por parâmetros locais e internacionais simultaneamente, que possa abrigar em seu conteúdo artigos que posicionem a produção local (Brasil e América Latina) em relação ao mundo e que ao mesmo tempo seja sensível às variações próprias de nossa cultura e geografia.

No artigo de Razzouk et al. fica claro que em nosso pólo geográfico e cultural dois países têm se destacado neste esforço: México e Brasil. Ainda assim, nossa produção é modesta e o percurso para ampliá-la é cravejado de obstáculos e conflitos de difícil conciliação. Na seção de cartas temos outro excelente exemplo. Em resposta à carta de Sougey, criticando a omissão de autores brasileiros no suplemento sobre estresse pós-traumático, Kapczinski toca em questões delicadas e pertinentes - muito do que se produz em nosso país fica retido em teses e dissertações não publicadas, ou à sombra em periódicos de pequena projeção por não estarem indexados em bases de dados com suficiente penetração na comunidade científica.

Porém, é fato que, atraídos pelo brilho da produção internacional, tendemos a negligenciar a produção local. A questão é: por quê? Dentre motivos variados, retornamos a um que é óbvio e objetivo. Quando o pesquisador nacional vai a uma base de dados internacional, ele precisa se re-encontrar lá com a produção local. Não há escapatória, se quisermos saber mais sobre nós mesmos precisamos nos projetar no exterior. Isto inclui, por exemplo, a decisão de manter os artigos originais da RBP em inglês para garantir sua visibilidade internacional, ao mesmo tempo em que asseguramos ao leitor local suplementos, revisões e atualizações em português para garantir uma educação médica continuada ampla e de alto nível.

Enfim, além da habitual seleção de artigos de qualidade, o presente número oferece a todos nós uma oportunidade de refletir sobre os objetivos de uma revista de psiquiatria brasileira e latino-americana, como alcançá-los e como nos certificar por bons parâmetros, que estamos de fato mais próximos dos nossos ideais.

 

Hermano Tavares
Euripedes C Miguel
Jair de Jesus Mari
Luis Augusto Rohde
Marcos T Mercadante
Rodrigo Affonseca Bressan