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Revista Brasileira de Psiquiatria

Print version ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.31 no.2 São Paulo June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462009000200014 

REVISÃO

 

Atividade física sistematizada e desempenho cognitivo em idosos com demência de Alzheimer: uma revisão sistemática

 

Systematized physical activity and cognitive performance in elderly with Alzheimer's dementia: a systematic review

 

 

Flávia Gomes de Melo CoelhoI; Ruth Ferreira Santos-GaldurozII; Sebastião GobbiI; Florindo StellaI,III

IPrograma de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Rio Claro (SP), Brasil
IIInstituto do Sono - Associação Fundo de Incentivo à Psicofarmacologia, (AFIP), São Paulo (SP), Brasil
IIIAmbulatório de Psiquiatria Geriátrica, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas (SP), Brasil

Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO : Apesar da crescente evidência dos benefícios do exercício físico para a cognição, existem controvérsias a respeito da prática de atividade física sistematizada em pacientes com doença de Alzheimer. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi o de realizar uma revisão sistemática dos estudos que analisaram o efeito da atividade física sistematizada no desempenho cognitivo em idosos com doença de Alzheimer.
MÉTODO : Efetuou-se uma pesquisa na PsycINFO, Biological Abstracts, Medline, Web of Science, Physical Education Index e SPORTDiscus, no período de 1990 a 2008, utilizando-se as seguintes palavras-chave: "physical activity", "physical therapy", "exercise", "fitness", "aerobic", "strength", "intervention", "cognition", "cognitive performance", "Alzheimer's disease", "Alzheimer's dementia", "Alzheimer", além de referências cruzadas dos artigos selecionados.
RESULTADOS: Foram encontrados oito estudos que preencheram os critérios de inclusão adotados para o presente trabalho. Estes estudos mostraram que a atividade física sistematizada contribuiu para melhorar pelo menos temporariamente as funções cognitivas em paciente com doença de Alzheimer, particularmente, atenção, funções executivas e linguagem.
CONCLUSÃO: Não foi possível estabelecer um protocolo de recomendações a respeito do tipo e intensidade da atividade física sistematizada necessária para produzir benefícios no funcionamento cognitivo. No entanto, a prática regular de atividade física sistematizada parece contribuir para a preservação ou mesmo melhora das funções cognitivas em pacientes com doença de Alzheimer.

Descritores: Exercício físico; Cognição; Idoso; Doença de Alzheimer; Revisão


ABSTRACT

OBJECTIVE: Despite the growing evidence of the benefits of physical exercise for cognition, there is a controversy about the systematic practice of physical activity in patients with Alzheimer's disease. Therefore, the objective of this study was to procedure a systematic review of studies that analyzed the effect of systematized physical activity on cognitive performance in elderly individuals with Alzheimer's disease.
METHOD: We conducted a search in PsycINFO, Biological Abstracts, Medline, Web of Science, Physical Education and SPORTDiscus Index from 1990 to 2008, using the following keywords: "physical activity", "physical therapy", "exercise", "fitness", "aerobic", "strength", "intervention", "cognition", "cognitive performance", "Alzheimer's disease", "Alzheimer's dementia", "Alzheimer's", and cross-references of selected articles.
RESULTS: There were found eight studies that met inclusion criteria adopted for the present work. These studies showed that systematized physical activity contributed to at least improve temporarily some cognitive functions of patients with Alzheimer's disease, particularly, attention, executive functions and language.
CONCLUSION: Unable to establish a protocol of recommendations about the type and intensity of systematized physical activity required to produce benefits in cognitive functioning. However, the practice of regular systematized physical activity appears to contribute to the preservation or improvement of cognitive functions in patients with Alzheimer's disease.

Descriptors: Physical exercise; Cognition; Aged; Alzheimer's disease; Review


 

 

Introdução

A demência do tipo Alzheimer (DA) é um processo de declínio de funções cognitivas que se estende para desorganização do comportamento e sintomas psicóticos. Entretanto, o quadro é insidioso e, frequentemente, antecipado por comprometimento cognitivo leve, uma condição considerada, por vários autores, como pré-demência1-2.

Inicialmente, o paciente apresenta maior comprometimento da memória recente e, com a evolução do quadro clínico, ocorrem distúrbios de memória semântica, dificuldade de nomeação e de elaboração da linguagem, déficits de atenção, prejuízos nas habilidades vísuoespaciais e nas funções executivas3-4. Estes déficits cognitivos prejudicam o paciente em suas atividades de vida diária, incluindo-se a convivência familiar, bem como o desempenho social e ocupacional5-6.

A neuropatologia da DA caracteriza-se por dois mecanismos críticos que determinam a morte neuronal: 1) formação de placas amilóides externas aos neurônios a partir da clivagem da proteína precursora de amilóide pela gama-secretase e beta-secretase; 2) hiperfosforilação da proteína tau, que leva à formação de emaranhados neurofibrilares dentro dos neurônios. Estes mecanismos determinam o processo de atrofia cerebral, inicialmente em áreas mesiais do lobo temporal, como hipocampo e córtex entorrinal - áreas associadas ao processamento de memória recente - e atrofia do núcleo de Meynert, bem como dos núcleos septais, no prosencéfalo basal. Estes núcleos são responsáveis pela produção de acetilcolina, um neurotransmissor mediador da atividade cognitiva. Progressivamente, o processo neurodegenerativo acomete todo o córtex cerebral, determinando o declínio das demais funções cognitivas, além de distúrbios de comportamento7-9.

Ainda não existe um tratamento definitivo que possa curar ou reverter a deterioração do funcionamento cognitivo causada pela DA. Do ponto de vista farmacológico, o tratamento atual consiste na prescrição de anticolinesterásicos (rivastigmina, donepezil e galantamina) e de memantina (antiglutamatérgico), tanto para declínio cognitivo, quanto para distúrbios de comportamento10. Entretanto, intervenções não-farmacológicas têm apontado resultados favoráveis no manejo de pacientes com DA. Programas de estimulação cognitiva, psicoterapia de orientação para a realidade, terapia ocupacional, atividades em grupo, treinamento de cuidadores e outros procedimentos têm proporcionado impacto benéfico na atenuação do declínio cognitivo e na melhora dos distúrbios de comportamento em pacientes com DA11-13. Outra alternativa nãofarmacológica inclui a prática regular de atividade física, a qual tem propiciado benefícios aos pacientes com demência14-16.

Algumas pesquisas têm demonstrado a ação benéfica do exercício físico sobre a cognição17. Colcombe e Kraemer, em uma metanálise, concluíram que o treinamento aeróbio, em pessoas idosas, proporcionou melhora no funcionamento cognitivo, especialmente nas funções executivas18. Heyn et al. também, por meio de metanálise, destacaram vários estudos nos quais ocorreram melhora significativa nas funções cognitivas globais com a prática de exercícios físicos em indivíduos com declínio cognitivo leve ou com demência14.

Apesar da crescente evidência dos benefícios do exercício físico para a cognição, poucos estudos foram realizados com utilização da atividade física sistematizada em pacientes com DA. Também existe uma lacuna no detalhamento dos programas de exercícios físicos aplicados e as recomendações (intensidade, tipo de exercício, freqüência, duração) para a prática de atividade física sistematizada nesta população.

Devido à significativa prevalência da DA, ao impacto negativo na qualidade de vida dessas pessoas, e aos custos elevados gerados pela patologia, é relevante analisar as publicações sobre exercício físico em indivíduos com DA. Assim, o objetivo do presente trabalho foi realizar uma revisão sistemática dos estudos que analisaram o efeito da atividade física sistematizada no desempenho cognitivo em idosos com DA.

 

Método

O delineamento metodológico deste estudo caracterizou-se por uma revisão sistemática da literatura orientada pela busca bibliográfica nas seguintes bases de dados: PsycINFO, Biological Abstracts, Medline, Web of Science, Physical Education Index e SPORTDiscus. As palavras-chave e os operadores boleanos utilizados foram: (Physical Activity OR physical therapy OR exercise OR fitness OR aerobic OR strength OR intervention) AND (Cognition OR cognitive performance) AND (Alzheimer's disease OR Alzheimer's dementia OR Alzheimer). Outra estratégia utilizada foi a busca manual em listas de referências dos artigos identificados e selecionados. A busca foi conduzida em fevereiro de 2008 e a seleção dos artigos baseou-se nos estudos relacionados aos objetivos e aos critérios de inclusão e exclusão descritos a seguir. Critérios de inclusão: 1) estudos longitudinais -caso-controle (grupo experimental e grupo controle), abertos (grupo experimental) e de coorte; 2) estudos randomizados e não-randomizados; 3) amostras constituídas por indivíduos acima de 60 anos e com diagnóstico clínico de DA; 4) estudos contendo funções cognitivas como variável dependente; e 5) estudos que adotaram programas de atividade física sistematizada com ou sem estimulação cognitiva. Critérios de exclusão: 1) estudos correlacionais; 2) que não envolviam a prática regular de atividade física sistematizada; e 3) aqueles em que a amostra era heterogênea quanto à patologia, ou seja, amostra composta por idosos com DA e idosos com outras demências ou declínio cognitivo leve.

 

Resultados

Seguindo a estratégia definida, a busca bibliográfica resultou em 459 artigos. Numa primeira análise, verificou-se que 423 não estavam relacionados especificamente com o tema proposto, restando, portanto, 36 artigos. Por meio de uma análise mais aprofundada destes 36 artigos, à luz dos objetivos do estudo e dos critérios de inclusão e exclusão, restaram oito artigos. Estes constituíram o grupo de publicações definitivamente considerado para a análise proposta. A Figura 1 ilustra as etapas de seleção dos artigos.

 

 

Os oito estudos que atenderam aos critérios metodológicos adotados para este trabalho são descritos a seguir.

1) Friedman & Tappen19 examinaram, segundo um modelo caso-controle, o efeito de um programa de caminhada com conversação (grupo combinado) e de um programa unicamente de conversação na capacidade de comunicação de 30 pacientes residentes em duas instituições asilares, com diagnóstico clínico de DA moderada e grave (média de idade de 72,8 anos) e com escore < 19 pontos no Mini-Exame do Estado Mental (MEEM)20. O grupo combinado (n = 15; MEEM = 6,50 ± 5,22 pontos) participou do programa de caminhada e conversação simultaneamente durante 30 minutos, três vezes por semana. O grupo de conversação (n = 15; MEEM = 6,44 ± 5,63 pontos) envolveu apenas diálogo entre os participantes, também três vezes por semana durante 30 minutos. Ambos os tratamentos tiveram a duração de 10 semanas.

O instrumento utilizado para mensurar o desempenho na comunicação foi o Communication Assessment Scale for the Cognitively Impaired (CAS) e o Communication Observation Scale for the Cognitively Impaired (COS). Estes instrumentos foram desenvolvidos especificamente para avaliar a comunicação verbal e não-verbal na população comprometida cognitivamente21. Após o período de tratamento, observou-se melhora significativa na comunicação dos pacientes que participaram do grupo combinado. O grupo conversação não apresentou melhora significativa na comunicação.

2) O estudo de Cott et al. baseou-se em um delineamento caso-controle randomizado, adotando três tipos de tratamento (grupo 1: caminhada e conversação; grupo 2: conversação; grupo 3: controle). Para os grupos 1 e 2 as sessões consistiram de 30 minutos, cinco vezes por semana. Foram incluídos 74 pacientes institucionalizados (média de idade de 82 ± 8 anos) com diagnóstico clínico de DA, residentes em três instituições asilares, com escore < 20 pontos no MEEM, sem problemas cardíacos e que apresentavam habilidade para caminhar 5m, com ou sem assistência. Após 16 semanas de tratamento, não foi observada diferença estatisticamente significante entre os grupos. Entretanto, houve diferença intra-grupos (comparação dos sujeitos nos momentos pré e pós-avaliação), sendo que os grupos 2 e 3 apresentaram melhora na comunicação social, comunicação de necessidades básicas e comunicação total (Functional Assessment of Communication Skills for Adults)22. O grupo 1 manteve o mesmo escore final na comunicação social e decréscimo no escore dos outros itens avaliados de comunicação23.

3) Tappen et al. utilizaram métodos bastante semelhantes aos do estudo de Cott et al. Ambos os estudos eram do tipo caso-controle e randomizado, com três tipos de tratamento -G1: caminhada e conversação; G2: conversação; G3: controle. Participaram 55 idosos institucionalizados (média de idade de 87 anos) com diagnóstico clínico de DA e escore médio no MEEM de 11 pontos. Para mensurar a capacidade de comunicação, os autores utilizaram o "Picture Description Test", desenvolvido por Bayles e Tomoeda24. Especificamente, este teste visa medir a capacidade linguística funcional em pacientes com DA e engloba unidades de informações produzidas, número total de palavras produzidas e concisão (calculada por meio da taxa de unidades de informações pelo número total de palavras produzidas). Apenas o grupo de conversação apresentou melhora significativa na comunicação após 16 semanas de intervenção25.

4) Lindenmuth & Moose desenvolveram um estudo aberto e reportaram melhora na capacidade cognitiva (Cognitive Abilities Screening Test)26 em 43 pacientes idosos com DA (27 mulheres e 16 homens, com média de idade de 82,8 ± 16,5 anos), após oito semanas, em dias consecutivos, de um programa de exercícios somáticos e de relaxamento isotônico27.

5) Em outro estudo longitudinal de Rolland et al., 23 pacientes com DA moderada e grave (média de idade de 78 anos e escore médio no MEEM de 16 pontos) participaram de um programa de exercícios de endurance que consistiu em caminhar e pedalar, com duração média de 35 minutos, durante sete semanas. Os pacientes melhoraram o desempenho cognitivo global de acordo com o MEEM. Entretanto, este foi um estudo aberto e não foi especificada a freqüência semanal do programa de exercícios físicos28.

6) Segundo o estudo aberto de Palleschi et al., uma sessão de 20 minutos no cicloergômetro, com intensidade de 70% da freqüência cardíaca máxima, três vezes por semana, durante três meses, foi suficiente para proporcionar ganhos significativos na atenção e em funções cognitivas globais de 15 mulheres com DA e com média de idade de 74 ± 1,5 anos. As pacientes foram classificadas nos estágios 4 e 5 da Escala de Deterioração Global29 e obtiveram escores no MEEM de 18 a 21. Os testes neuropsicológicos utilizados foram: Test of Attentional Matrix, Verbal Span Test, Supraverbal Span Test30 e MEEM31.

7) Heyn, em seu estudo aberto, adotou um programa de exercícios aeróbios, de flexibilidade e com pesos simultaneamente com estimulação cognitiva (atenção) e sensorial (tato, audição e visão). Foram incluídos 13 pacientes (12 mulheres e um homem, com média de idade de 85,7 ± 6,5 anos) com diagnóstico clínico de DA. Os pacientes tinham escore médio de 7,3 no MEEM e estavam institucionalizados32. Após oito semanas de exercício com freqüência de três vezes semanais, constatou-se manutenção das funções cognitivas avaliadas pela Brief Cognitive Rating Scale (BCRS)33.

8) Um estudo de coorte aberto foi realizado por Arkin. A intervenção iniciou-se com 24 idosos com DA, com média de idade de 78,8 ± 8,0 anos e com escore médio no MEEM de 23,4 ± 3,9 pontos. O programa de atividade física sistematizada compreendeu atividades aeróbias (esteira e bicicleta estacionária), exercícios de flexibilidade, equilíbrio e treinamento com pesos, com frequência de três sessões por semana, durante 10 semanas. Uma sessão por semana era enriquecida com atividades que estimulavam a linguagem e a memória. Para analisar as variáveis neuropsicológicas, foram utilizadas a bateria do Consortium for the Establishment of a Registry fo Alzheimer's Disease (CERAD), a Clinical Dementia Rating (CDR), o Wechsler Adult Intelligence Test-Revised (WAIS-R) e a Arizona Battery for Communication Disorders of Dementia (ABCD)24 para distúrbios da comunicação na demência. Esta bateria consiste de 14 subtestes que medem cinco constructos: estado cognitivo global, memória episódica, expressão e compreensão linguística, além de construção visuoespacial. O estudo teve duração total de quatro anos. Após um ano de aplicação do programa de atividade física sistematizada, com a participação de 24 pacientes, não se observou declínio cognitivo nos testes de Fluência Verbal34 (animais) e no subteste Similaridades da Wechsler Adult Intelligence Scale-Revised (WAIS-R)35. Após dois anos de intervenção, os 13 pacientes que continuavam participando do programa de atividade física sistematizada não sofreram declínio nos testes da Clinical Dementia Rating Scale (CDR)36, Fluência Verbal, Boston Naming Test37 e WAIS-R Similaridades. Após três anos, os oito pacientes que continuavam no programa de atividade física sistematizada conseguiram manter o desempenho nas avaliações dos instrumentos: CDR, WAIS-R Similaridades, WAIS-R Compreensão, Boston Naming Test e na ABCD. Ao final dos quatro anos de intervenção, os quatro pacientes que ainda participavam do programa de atividade física sistematizada obtiveram melhora significativa nos testes de Fluência Verbal, Boston Naming, WAIS-R Similaridades, WAIS-R Compreensão, bem como mantiveram os escores do MEEM e da CDR38.

Um resumo das características e resultados dos estudos revisados consta na Tabela 1.

 

Discussão

Do total de 36 artigos inicialmente examinados, oito foram definitivamente incluídos no presente estudo. Destes oito estudos, seis19,27,28,31,32,38 demonstraram efeitos positivos da atividade física sistematizada na cognição de idosos com DA. Funções executivas, atenção e linguagem constituíram os domínios cognitivos nos quais se observou melhora ou atenuação do declínio. Entretanto, três artigos27,28,32 não descreveram as funções cognitivas nas quais se constatou melhora significativa.

Alguns artigos39,40 demonstraram melhora ou atenuação do declínio cognitivo com exercício físico em idosos com declínio cognitivo leve, DA, demência vascular e demência mista. Porém, as amostras destes estudos tiveram constituição heterogênea, com a inclusão de pacientes com patologias diferentes compondo o mesmo grupo.

Em relação aos métodos utilizados nos trabalhos incluídos neste estudo, vários aspectos podem gerar limitações que afetam a validade das estimativas inferidas. Os mais comuns foram: ausência de grupo controle, uso de amostras reduzidas e a não randomização para a seleção da amostra e/ou distribuição nos grupos. Além disso, em alguns trabalhos as funções cognitivas não foram especificadas e a duração da sessão e freqüência semanal do exercício físico não foram descritas.

Cinco estudos19,23,25,32,38 analisaram o efeito da atividade física sistematizada combinada com estimulação cognitiva em pacientes com DA. No estudo de Friedman e Tappen, a combinação de dois tipos de estimulação (caminhada e conversação) melhorou a performance na comunicação, no entanto, torna-se obscuro saber qual delas foi mais efetiva. Segundo os autores, a ausência de um grupo controle e de um grupo com atividade física sistematizada unicamente limita a generalização dos resultados encontrados neste estudo19.

Por outro lado, Cott et al. encontraram melhora no desempenho na comunicação verbal em pacientes com DA que participaram somente do programa de conversação. Porém, não houve diferença quando os três tratamentos - caminhada com conversação, conversação e controle - foram comparados. Os autores estabeleceram algumas considerações para explicar a ausência de diferença entre os grupos e a ausência de efeito na comunicação verbal após intervenção no grupo combinado (caminhada com conversação). Houve uma considerável variabilidade interindividual nos escores do MEEM dos pacientes -o que reduz o poder de se detectar diferença significativa entre os grupos em relação à interferência da atividade motora na cognição desses pacientes. O tipo de cuidado e atenção recebida nas instituições asilares e o estágio avançado da demência também podem ter influenciado no resultado do estudo. E ainda, os pacientes que participaram do grupo combinado possivelmente tiveram sua atenção mais direcionada para o ato de caminhar, deixando então de concentrar-se na comunicação23.

Esses achados corroboram os dados da literatura, que apontam para a evidência de que a capacidade de atenção e concentração em tarefas ou atividades mais complexas declina gradativamente na DA6, bem como o desempenho em tarefas duplas (realizar duas tarefas simultaneamente) é particularmente afetado na DA39.

No estudo de Tappen et al., os achados também são semelhantes àqueles encontrados no estudo de Cott et al., no qual o grupo conversação foi mais efetivo. Possíveis explicações foram: 1) a comunicação verbal foi mais estimulada no grupo de conversação; 2) um número considerável de participantes do grupo combinado estava fisicamente debilitado e tinha receio de quedas; 3) outros pacientes necessitavam de assistência na deambulação e apresentavam dificuldade de efetuar simultaneamente caminhada e conversação.

Alterações da linguagem são características da evolução dos pacientes com DA. Dificuldades para "encontrar a palavra exata", geralmente, são os primeiros sintomas, seguidos dos problemas de nomeação de objetos e pessoas. Esses déficits podem evoluir para afasia principalmente semântica, com redução da capacidade de compreensão da fala. Nos estágios finais da doença, o paciente pode tornar-se incapaz de compreender o que lhe é comunicado e de estruturar coerentemente a expressão da fala com o intuito de comunicar-se40. Diante deste quadro, torna-se importante direcionar as intervenções no sentido da atenuação do declínio da linguagem em pacientes com DA.

Os estudos de Lindenmuth & Moose, Rolland et al. e Palleschi et al. analisaram apenas o efeito da atividade física sistematizada na cognição e encontraram melhora na função cognitiva global e na atenção. Alguns mecanismos associados à prática regular de atividade física sistematizada, que contribuem para a melhora no desempenho cognitivo, incluem benefícios neurofisiológicos como melhora na circulação sanguínea cerebral e na síntese de neurotransmissores41,42. Também têm sido descritos aumento do fator neurotrófico de crescimento neural, com repercussão favorável para a plasticidade cerebral43, além de benefícios psicológicos44 e sociais45.

Os protocolos dos exercícios físicos foram bastante variados. Dois estudos28,31 realizaram apenas exercícios aeróbios. Um estudo27 utilizou exercícios calistênicos (somáticos) combinados com os de relaxamento e respiração profunda. Três estudos19,23,25 adotaram a caminhada com estimulação cognitiva (estimulação da comunicação verbal). O estudo de Heyn examinou um programa de exercícios multivariados que consistiu de exercícios de flexibilidade, exercícios aeróbios, treinamento com pesos e estímulo cognitivo e sensorial. A intervenção no estudo de Arkin também foi bem diversificada, contendo atividades aeróbias, exercícios de equilíbrio e flexibilidade, treinamento com pesos e estimulação da memória e da linguagem.

Nesse sentido, na maioria dos estudos, diversos tipos de atividade física sistematizada (com e sem estimulacão cognitiva) foram suficientes para manter ou mesmo melhorar temporariamente funções cognitivas de idosos com DA. Contudo, não se conseguiu estabelecer um protocolo de recomendações a respeito do tipo e intensidade da atividade física sistematizada necessária para produzir benefícios no funcionamento cognitivo. Também não foram totalmente esclarecidas as funções cognitivas mais sensíveis ao exercício físico.

Em relação ao tempo de intervenção adotado pelos estudos, observou-se uma variação entre sete e 16 semanas (média de 10 ± 3,5 semanas). Estudos que verificaram o efeito do exercício físico na cognição de idosos utilizaram duração média de treinamento semelhante aos estudos desta revisão e encontraram melhora no desempenho cognitivo46,47, embora uma meta-análise encontrou maior efeito nas funções cognitivas quando o exercício físico teve duração maior que seis meses18. Para idosos com demência, o tempo de treinamento adotado em alguns estudos foi em média 18 semanas48,49.

No estudo de Arkin, adotou-se um período longo de intervenção, sendo que os pacientes que completaram os quatro anos de atividade física sistematizada obtiveram maiores benefícios na cognição comparados com aqueles que completaram apenas um ano, com manutenção e/ou melhora das funções cognitivas analisadas.

Outra questão encontrada em alguns artigos revisados refere-se ao tamanho amostral, ou seja, reduzido número de pacientes incluídos nos respectivos estudos. Contudo, os estudos de Friedman & Tappen, Cott et al., Tappen et al. e Lindenmuth & Moose utilizaram em sua amostra um número mais elevado de pacientes, provavelmente por serem eles residentes em instituições asilares. Cabe considerar que pacientes com demência apresentam, durante a evolução do quadro clínico, maior grau de dependência física e mental, e que o risco de institucionalização é maior nestes pacientes do que em idosos sem demência50.

Um dos desafios atuais às neurociências consiste no oferecimento de subsídios teóricos consolidados para o desenvolvimento de programas específicos de atividade física sistematizada que sejam, de fato, "protetores" dos sujeitos cognitivamente preservados de evoluírem para demência, particularmente, do tipo Alzheimer. É decisivo o entendimento dos mecanismos neurobiológicos que contribuam para a prevenção da cascata que conduz à formação de placas amilóides e de emaranhados neurofibrilares - marcadores biológicos da DA. Se a intervenção motora sistematizada e regular - condição eficaz na manutenção da saúde geral - implementaria mecanismos de proteção contra a neuropatologia da DA, é um desafio a ser resolvido.

Em estudo experimental com roedores, Kramer & Erickson verificaram que exercícios físicos induzem o aumento dos níveis do fator neurotrófico de crescimento neural em hipocampo, córtex frontal e cerebelo, bem como o desenvolvimento de novos capilares sanguíneos nestas regiões51. Os autores associam este fator à cascata de mecanismos celulares e moleculares envolvidos na proteção e sobrevivência celular e na plasticidade neural. Em um estudo com sujeitos humanos idosos, que participaram de um programa específico de exercícios físicos aeróbios durante seis meses, Colcombe et al. verificaram aumento do volume da substância cinzenta em córtex frontal e temporal, além de aumento da substância branca em regiões anteriores do cérebro52. Estas mudanças parecem dever-se a uma melhor perfusão cerebral nestas regiões51. Em trabalho recente, Erickson et al. demonstraram, em idosos sem demência, que níveis elevados de exercícios físicos aeróbios estão associados com a preservação do volume do hipocampo e com um melhor desempenho em testes de memória espacial53. Na mesma linha de Kramer & Erickson51, e Erickson et al.53 acreditam que a atividade física aeróbia induz a proliferação e a proteção celular, bem como promove a plasticidade sináptica. Eles admitem, entretanto, a necessidade de estudos de longa duração com o propósito de se verificar se essas alterações se mantêm ao longo dos anos. Neste contexto, os programas de atividade física sistematizada representariam uma contribuição valiosa para a proteção da atividade neural nas fases precoces da doença ou, preferencialmente, antes do início dos processos neurodegenerativos.

 

Conclusão

Este trabalho de revisão sistemática evidenciou que, embora uma questão ainda controversa, a prática regular de atividade física sistematizada, preferencialmente associada à estimulação cognitiva, contribui para a preservação ou mesmo melhora temporária de várias funções cognitivas, particularmente de atenção, funções executivas e linguagem, em pacientes com DA. Diante da relevância do tema e dos desafios ao tratamento desta doença, a prática regular de atividade física sistematizada representa uma intervenção nãofarmacológica benéfica para estes pacientes. Há a necessidade de novos estudos controlados para se aferir quais procedimentos concomitantes de intervenção motora e de estimulação cognitiva seriam mais apropriados como recursos adicionais ao tratamento na DA.

 

Agradecimentos

Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP); Fundo Nacional de Saúde - Ministério da Saúde (FNS-MS); Fundação para o desenvolvimento da UNESP (FUNDUNESP); Pró - Reitoria de Extensão Universitária (PROEX-UNESP). Financiamento: Conselho de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

 


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Referências

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Correspondência:
Flávia Gomes de Melo Coelho
Av. 3A, 931, apto 03 - Bela Vista
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Submetido: 26 Novembro 2008
Aceito: 10 Fevereiro 2009