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Revista Brasileira de Psiquiatria

Print version ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.32 no.4 São Paulo Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462010000400030 

BOOKS

 

When blushing hurts. Overcoming blushing

 

 

Enrique Jadresic New York Bloomington: iUniverse, Inc. 2008. 80p.

Neste livro, dirigido ao público, o psiquiatra Enrique Jadresic aborda o rubor patológico e as consequências negativas advindas dele. Ele realça os sentimentos de medo, vergonha, humilhação, culpa e constrangimento que costumam ocorrer juntamente com o rubor ou como consequência deste último. O autor afirma ainda que muitas das pessoas que ruborizam na presença dos outros, sobretudo quando são o foco das atenções, sofrem de fobia social. E que cerca de metade dos que têm fobia social ruborizam.

O autor, que sofre de rubor patológico e também de hiperidrose palmar, descreve em um dos episódios em que ruborizou uma experiência física e emocional dolorosa em que teve sintomas de despersonalização. Afirma também que a ruborização facial é egodistônica e atua como um freio, um obstáculo que o impedia de ir adiante. Narra, com coragem e franqueza, algumas de suas agruras com o rubor facial se instalando em diversos momentos da sua vida.

Algumas abordagens farmacológicas são descritas, como o uso de beta bloqueadores, benzodiazepínicos e inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS), que, conforme mencionado pelo autor, ficaram em segundo plano devido a efeitos colaterais e também à falta de resposta terapêutica. Ele admite ter feito uso de alguns destes fármacos e que experimentou efeitos colaterais com os ISRSs.

Jadresic, mesmo sendo psiquiatra, ocupa o lugar de paciente em diversos trechos do livro. Em algumas ocasiões ele se coloca como paciente para seus próprios pacientes que têm rubor patológico. Depois de conviver anos com o sintoma, decidiu submeter-se a uma simpatectomia. Exceto por algumas complicações passageiras, como irritação na traqueia, sensibilidade no tronco e uma neurite intercostal, a cirurgia foi bem sucedida e ele passou a ruborizar com menor frequência e intensidade. Uma mudança significativa descrita foi o fato de não focar mais sua atenção no rubor.

Ao escrever este livro, Jadresic rompe com o que chamou de "silêncio miserável, interminável, um mutismo que a maioria não tem coragem de romper por um medo injustificado". Embora o autor mencione que o tratamento farmacológico e técnicas de terapia cognitivo-comportamental, como a intenção paradoxal, possam ser úteis no tratamento do rubor patológico, maior ênfase é dada ao tratamento cirúrgico: a simpatectomia por endoscopia torácica, que tem algum respaldo na literatura médica como um procedimento eficaz no tratamento do rubor patológico. O autor lembra, entretanto, que algumas pessoas desenvolvem, como complicação, sudorese compensatória, sobretudo no tronco e membros inferiores, e que a cirurgia deva ser reservada aos pacientes que não responderam bem à farmacoterapia e à terapia cognitivo-comportamental. Por fim, ele descreve alguns casos de rubor patológico, enriquecidos por depoimentos, a maioria deles submetida à simpatectomia, com sucesso, e um caso tratado com sertralina e propranolol, também com sucesso.

 

Tito Paes de Barros Neto
Programa de Ansiedade (AMBAN), Instituto de Psiquiatria
(IPQ), Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina,
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil

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