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Revista Brasileira de Psiquiatria

versão impressa ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.33 no.2 São Paulo jun. 2011 Epub 25-Jun-2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462010005000011 

rbp

Comorbidade entre o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e o abuso e dependência de álcool e outras drogas: evidências por meio de modelos animais

 

Comorbidity between attention deficit/hyperactivity disorder and substance use disorders: evidence from animal models

 

 

Leandro F. VendruscoloI; Reinaldo N. TakahashiII

ICommittee on the Neurobiology of Addictive Disorders, The Scripps Research Institute, La Jolla, CA, EUA
IIDepartamento de Farmacologia, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever algumas teorias recentes sobre a comorbidade entre o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e os transtornos relacionados ao abuso e dependência de álcool e outras drogas, e discutir a utilidade de um modelo animal de transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade, os ratos espontaneamente hipertensos, para o estudo da comorbidade entre transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e abuso e dependência de álcool e outras drogas.
MÉTODO:
Compilação dos principais estudos comportamentais investigando o efeito de drogas de abuso em ratos espontaneamente hipertensos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os ratos espontaneamente hipertensos, além de apresentarem as principais características do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (impulsividade, hiperatividade e déficit de atenção), parecem ser mais sensíveis a psicoestimulantes, canabinoides e opioides e bebem grandes quantidades de álcool. Além disso, o tratamento repetido destes ratos com metilfenidato (droga psicoestimulante de escolha para o tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade) ou a exposição continua a ambientes lúdicos durante a adolescência resultou, respectivamente, em aumento ou diminuição no consumo de álcool na idade adulta, enfatizando que fatores ambientais podem tanto favorecer como conferir resistência à comorbidade transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e abuso e dependência de álcool e outras drogas. Apesar dos estudos estarem em fase inicial nesta área, a linhagem de ratos espontaneamente hipertensos parece ser um modelo promissor para o estudo da comorbidade frequentemente observada entre transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e abuso e dependência de álcool e outras drogas.

Descritores: Transtornos relacionados ao uso de substâncias; Alcoolismo; Diagnóstico duplo (psiquiatria); Dopamina; Modelos animais


ABSTRACT

OBJECTIVE: To describe some recent theories regarding the comorbidity between attention deficit/hyperactivity disorder and substance use disorders and discuss the utility of using spontaneously hypertensive rats (an animal model of attention deficit/hyperactivity disorder) for the study of attention deficit/ hyperactivity disorder and substance use disorders comorbidity.
METHOD: We compiled the main results of studies investigating the behavioral effects of drugs of abuse in spontaneously hypertensive rats.
RESULTS AND DISCUSSION: Spontaneously hypertensive rats, in addition to expressing the main features of attention deficit/hyperactivity disorder (impulsivity, hyperactivity, and attention deficit), appear to be more sensitive to psychostimulants, cannabinoids, and opioids and drink large amounts of alcohol. Repeated treatment of spontaneously hypertensive rats with methylphenidate (a firstchoice drug for the treatment of attention deficit/hyperactivity disorder) or exposure to an enriched environment during adolescence resulted in an increase or decrease, respectively, in alcohol consumption in adulthood. These results suggest that environmental factors can either favor or confer resistance to attention deficit/hyperactivity disorder and substance use disorders comorbidity. Although research is at the very early stage in this field, SHR rats appear to be a useful animal model for the study of attention deficit/ hyperactivity disorder and substance use disorders comorbidity.

Descriptors: Substance-related disorders; Alcoholism; Diagnosis, dual (psychiatry); Dopamine; Models, animal


 

 

Introdução

A comorbidade entre o transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade (TDAH) e outros transtornos psiquiátricos é muito comum e dentre elas, a comorbidade do TDAH com os transtornos relacionados ao abuso e dependência de álcool e outras drogas(ADAD) é uma das mais prevalentes. Em comparação com indivíduos normais controles, pacientes com o TDAH parecem apresentar um consumo mais precoce de álcool e outras drogas, inclusive em termos de quantidades e dependência1. Por isso, a identificação de mecanismos neurobiológicos subjacentes à associação TDAH e ADAD pode contribuir com o desenvolvimento de estratégias mais efetivas de prevenção, diagnóstico e tratamento destas patologias.

O TDAH e o ADAD apresentam similaridades em termos de sistemas de neurotransmissão e estruturas anatômicas, por exemplo, o sistema dopaminérgico mesolímbico. Além disso, a noradrenalina, que é um neurotransmissor conhecido por exercer um papel integral em diferentes aspectos do comportamento, como a atenção e o alerta, também tem sido implicada na neurobiologia do TDAH. Teorias atuais do TDAH relacionam o desenvolvimento de alguns sintomas com fatores que afetam processos cognitivos. As implicações deste padrão comum nas alterações neurofisiológicas e no controle da inibição de respostas comportamentais em ambos os transtornos constituem foco de vários estudos e suas possíveis relações podem ser observadas na hipótese apresentada em recente publicação2 (Figura 1).

 

 

O TDAH é geralmente tratado com psicoestimulantes como o metilfenidato (MFD) ou anfetamina (ANF). O potencial de abuso destas drogas é bem documentado, mas permanece controversa a questão de se a farmacoterapia dos pacientes com TDAH contribui para os altos índices de abuso destas substâncias (Figura 2). Da mesma forma que existem evidências de que o tratamento farmacológico do TDAH aumenta o risco de dependência, outros estudos sugerem que este tratamento atenua o risco de dependência às drogas. Entretanto, o tratamento farmacológico do TDAH é especialmente arriscado em pacientes com transtornos relacionados ao uso de drogas, pois é conhecido que cerca de 1/3 dos pacientes com TDAH medicados relatam abuso de sua medicação psicoestimulante3.

 

 

Apesar do reconhecimento da expressiva relação entre TDAH e ADAD por parte da comunidade médica e científica, as pesquisas e a etiologia desta comorbidade psiquiátrica permanecem inconclusivas, em grande parte devido à escassez de modelos animais. Em recente revisão de nosso grupo sobre este tópico4, foi destacado que vários modelos animais de TDAH têm sido propostos e, embora criticados, estes modelos têm propiciado avanços importantes para

o conhecimento na área. Dentre estes, o modelo animal de TDAH mais validado e utilizado é constituído pelos ratos espontaneamente hipertensos (SHR). Uma revisão extensiva das características, utilidade elimitações desta linhagem como modelo de TDAH foge dos objetivos deste texto, mas pode ser encontrada em literatura recente5,6.

 

Método

A revisão consiste da compilação dos principais resultados de estudos comportamentais investigando os efeitos de drogas de abuso em ratos SHR. A busca por artigos consistiu basicamente em pesquisa no banco de dados Medline (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/).

 

Resultados e discussão

A linhagem SHR foi desenvolvida na Universidade de Kyoto, Japão, cerca de 45 anos atrás, derivada da linhagem Wistar-Kyoto (WKY), por meio de cruzamentos seletivos para a hipertensão arterial. A linhagem isogênica SHR e os ratos WKY (como controles normotensos) tornaram-se modelos amplamente utilizados para o estudo da hipertensão. Além dos estudos fisiológicos, um grande número de estudos se concentrou na caracterização comportamental destas linhagens. Fundamentados em algumas destas características, como déficit de atenção, hiperatividade sob certas condições e impulsividade motora, alguns autores propuseram a linhagem SHR como modelo genético de TDAH5. Além disso, estes ratos são ávidos por novidade e assumem comportamentos de risco, cujas características são frequentemente observadas em pacientes com TDAH. Dentre algumas anormalidades genéticas e neuroquímicas potencialmente associadas com o perfil comportamental dos SHR, vale ressaltar as variações no gene transportador da dopamina (DAT1). Alterações no DAT1 podem afetar a recaptura (reciclagem) e o metabolismo de dopamina (DA), mecanismos consistentes com a hipótese dopaminérgica do TDAH7.

Embora a pesquisa nesta área esteja em estágio bem inicial, os resultados abordados a seguir foram resumidos em nossa recente revisão4 e sugerem que os ratos SHR sejam mais sensíveis aos efeitos comportamentais de psicoestimulantes (conforme citado anteriormente, substâncias desta classe constituem farmacoterapia de primeira escolha no tratamento do TDAH), canabinoides e opioides, do que outras linhagens de ratos (Tabela 1). Diferentes linhagens ("raça") de ratos podem apresentar diferentes níveis de sensibilidade e consumo de drogas, refletindo, possivelmente, diferenças neurobiológicas entre os indivíduos. Os resultados sugerem que os ratos SHR podem estar dentre as populações de maior sensibilidade e consumo de drogas. Considerando o papel chave do sistema de DA na etiologia de ambos, TDAH e ADAD, alterações no sistema dopaminérgico podem explicar, ainda que parcialmente, o perfil comportamental dos ratos SHR.

Parte dos resultados apresentados na Tabela 1 foram obtidos em testes comportamentais de locomoção, analgesia e preferência de lugar. Em modelos de locomoção, os animais são avaliados em caixas de atividade equipadas com células fotoelétricas que registram a movimentação do animal após administração de diferentes doses de uma droga. Alternativamente, locomoção pode ser medida em um campo aberto onde o número de quadrantes percorridos pelo animal é registrado. Analgesia é tipicamente avaliada por meio da exposição a estímulos nociceptivos (i.e., dor) como, por exemplo, aplicação de calor nas patas (teste da placa quente) ou na cauda (teste da retirada da cauda). Efeito analgésico é evidenciado quando um animal leva mais tempo para reagir ao estímulo nociceptivo sob efeito da droga em comparação ao próprio tempo de reação sem droga ou quando comparado a um grupo controle que recebe placebo. Um fato interessante é que praticamente todas as drogas de abuso têm efeito analgésico e afetam a locomoção, supostamente refletindo a ativação de sistemas cerebrais de recompensa. Outro teste comum nesta área é o teste de preferência de lugar, que consiste em um processo de condicionamento no qual o animal aprende a associar um determinado ambiente com o efeito da droga e um ambiente distinto com placebo. Quando dada a oportunidade de livre escolha entre os compartimentos, o animal frequentemente mostra preferência pelo ambiente previamente pareado com a droga. Este efeito comum às drogas de abuso é interpretado como desejo/ busca da droga ou "fissura".

Os ratos SHR também bebem grandes quantidades de álcool comparados a ratos de outras linhagens, além de serem mais sensíveis aos efeitos ansiolíticos do álcool no teste do labirinto em cruz elevado. Este labirinto em forma de cruz consiste em dois braços fechados por paredes e, perpendicularmente, dois braços abertos elevados do chão. Uma plataforma central dá livre acesso a qualquer um dos quatro braços. Drogas com propriedades ansiolíticas aumentam seletivamente o tempo de exploração nos braços abertos. Neste modelo, ratos SHR apresentaram elevada sensibilidade aos efeitos ansiolíticos do álcool, um efeito interessante, pois se acredita que o efeito ansiolítico/relaxante do álcool seja um fator motivacional importante na iniciação e consumo excessivo de álcool em humanos.

É oportuno lembrar que o fenótipo TDAH-símile dos ratos SHR é determinado pela interação dos genes com o ambiente. Por exemplo, manipulações ambientais (estresse, atividade física, tratamento farmacológico), que sabidamente influenciam a maturação e a função cerebral durante os estágios críticos de desenvolvimento (e.g., adolescência), podem causar alterações comportamentais persistentes e, concomitantemente, alterar a sensibilidade e o consumo de drogas por esta linhagem. Desnecessário enfatizar que as intervenções ambientais e os estudos em ratos adolescentes SHR são particularmente importantes, tendo em vista que alterações no sistema dopaminérgico ocorrem durante este período de intenso amadurecimento físico e emocional e porque muitas pessoas iniciam o abuso de drogas neste período da vida.

Neste sentido, vale destacar que o tratamento crônico de ratos SHR adolescentes com baixas doses de MFD pode aumentar o consumo de álcool na idade adulta38. Considerando que estes efeitos comportamentais foram observados na idade adulta, após um longo período sem tratamento com MFD, é coerente sugerir que o tratamento farmacológico do TDAH em algumas circunstâncias pode produzir alterações neurobiológicas e comportamentais persistentes e favorecer a associação TDAH e ADAD. Por outro lado, ratos SHR criados em condições ambientais lúdicas (ambiente enriquecido), que incluem brinquedos, túneis e rodas, consumiram menores quantidades de álcool em comparação com ratos criados em condições normais39. Estes resultados enfatizam que estímulos ambientais precoces podem ter tanto um impacto positivo como negativo no desenvolvimento cerebral, conferindo resistência ou vulnerabilidade à comorbidade TDAH e ADAD. Existem estudos em humanos mostrando que o tratamento farmacológico do TDAH pode aumentar o risco de ADAD40, mas este assunto ainda é controverso e motivo de debate41. Mais estudos investigando o efeito de fármacos e outros fatores ambientais na comorbidade TDAH e ADAD são necessários.

Os resultados comportamentais aqui descritos e obtidos por meio de diferentes procedimentos experimentais em ratos SHR fornecem importantes informações sobre a farmacologia de drogas de abuso; entretanto, deve ser ressaltado que, ao menos no nosso conhecimento, não existem estudos usando a técnica de autoadministração em esquema operante em ratos SHR, modelo experimental de dependência de drogas mais aceito pela comunidade científica. Neste modelo, os animais aprendem a acionar uma alavanca presente numa gaiola de condicionamento para receber uma dose da droga (oral, intravenosa ou intracerebral). As condições experimentais podem ser manipuladas de forma a controlar a quantidade de trabalho que o animal deve fornecer para obter a droga, por exemplo, elevando o número de pressões na alavanca necessárias para a obtenção de uma dose (aumento do "preço" da droga). Os testes de consumo oral de etanol descritos na Tabela 1 envolvem a apresentação de dois bebedouros na gaiola do animal, um contendo água e outro contendo uma solução de álcool. A obtenção da droga neste modelo é fácil e praticamente não envolve esforço. Uma diferença crucial entre o procedimento operante e o consumo voluntário no modelo de dois bebedouros é que o comportamento operante envolve maior motivação para obtenção da droga e portanto apresenta mais semelhança com a condição humana. Como os ratos SHR possuem altos níveis de procura por novidade (e.g., preferência por um ambiente novo comparado a um ambiente familiar) e impulsividade, fatores considerados de risco para a dependência na situação humana, acreditamos que estes animais também podem apresentar altos índices de autoadministração de drogas em modelo operante e que este comportamento pode se tornar compulsivo.

Em conclusão, a prevalência e a gravidade da comorbidade entre o TDAH e ADAD revelam a importância de se investigar a natureza da relação entre os dois fenômenos. O TDAH é um transtorno heterogêneo e o seu diagnóstico depende de critérios comportamentais, de modo que os modelos animais deste transtorno devem mimetizar a maioria dos sintomas, como hiperatividade, impulsividade e desatenção. A linhagem de ratos SHR tem sido extensivamente utilizada nas pesquisas como modelo validado de TDAH, mas outros modelos animais ainda não foram totalmente caracterizados com este propósito. Apesar destas limitações e do estágio inicial das pesquisas com ratos SHR nesta área, a presente revisão de literatura sugere que esta linhagem de ratos constitui um modelo promissor para o estudo de dependência de drogas e possivelmente sua relação com o TDAH.

 

Agradecimentos

RNT recebe apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil. Parte destes resultados foram apresentados no II Seminário Internacional da Rede de Pesquisa sobre Drogas/SENAD, realizado em Salvador, Bahia, 25/11/2009,

 

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Correspondência
Reinaldo N. Takahashi
Departamento de Farmacologia, Universidade Federal de Santa Catarina
88049-900, Florianópolis, SC, Brasil
Tel.: (+55 48) 3721-9764; Fax: (+55 48) 3337-5479
E-mail: takahashi@farmaco.ufsc.br

Submetido: 25 Março 2010
Aceito: 29 Março 2010

 

 


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