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Revista Brasileira de Psiquiatria

Print version ISSN 1516-4446

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.34 no.2 São Paulo June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462012000200017 

CARTA AOS EDITORES

 

Síndromes psiquiátricas decorrentes de infecção no sistema nervosa central

 

 

Antonio Lucio TeixeiraI; Tatiana BarichelloII

IUnidade de Neuropsiquiatria, Serviço de Neurologia, Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Brasil
IILaboratório de Microbiologia Experimental, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina (INCT-TM), Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Unidade Acadêmica de Ciências da Saúde, Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), Criciúma, Brasil

 

 

Prezado Editor,

Lemos com interesse o relato de caso de Baldaçara et al .1 no qual descreveram uma mulher adulta com tendências comportamentais autísticas possivelmente ligadas a uma meningoencefalite pneumocócica em sua infância.1 Este é um caso único, por ser possivelmente a primeira síndrome autística relatada após uma meningoencefalite pneumocócica. Como afirmaram com toda propriedade os autores, as complicações tardias do sistema nervoso central podem imitar transtornos psiquiátricos complexos como autismo, depressão e psicose.2

Entretanto, o esclarecimento da patogênese das síndromes comportamentais nesse contexto é complexo. Como exemplo, em um modelo experimental de meningoencefalite pneumocócica, ratos infectados apresentaram alterações de comportamento, semelhantes à depressão, paralelamente a alterações nos níveis do FNT-α no córtex pré-frontal (porém não no hipocampo).3 A imipramina - um antidepressivo tricíclico - foi capaz de reverter esse fenótipo comportamental e de normalizar os níveis de TNF-α.4

Com base em imagens de ressonância magnética coronais, bem como nos sintomas cognitivos e comportamentais relatados, a paciente parece apresentar uma lesão cortical difusa, tornando-se difícil supor danos cerebrais localizados ou circunscritos (ou seja, amígdala-hipocampo). Por esta razão, é complicado concluir que "esse caso ilustra a importância do lobo temporal medial no desenvolvimento social". Além disso, seria bem interessante dispor de informações de como as alterações de comportamento evoluíram nessa paciente depois do episódio de meningoencefalite, assim como a gravidade desta.

 

Referências

1. Baldaçara L, Diniz T, Parreira B, Milhomem J, Baldaçara R. Organic mental disorder after pneumococcal meningoencephalitis with autism-like symptoms. Rev Bras Psiquiatr. 2011;33(4):410-1.         [ Links ]

2. Teixeira AL, Malheiros JA, Oliveira JT, Nicolato R, Correa H. Limbic encephalitis manifesting as a psychotic disorder. Rev Bras Psiquiatr. 2006;28(2):163-4.         [ Links ]

3. Barichello T, Dos Santos I, Savi GD, Simões LR, Generoso JS, Comim CM, Sachs D, Teixeira AL, Quevedo J. Depressive-like-behavior and proinflamatory interleukine levels in the brain of rats submitted to pneumococcal meningitis. Brain Res Bull. 2010;82(5-6):243-6.         [ Links ]

4. Barichello T, Milioli G, Generoso JS, Cipriano AL, Costa CS, Moreira AP, Vilela MC, Comim CM, Teixeira AL, Quevedo J. Imipramine reverses depressive-like parameters in pneumococcal meningitis survivor rats. J Neural Transm. 2011; [Epub ahead of print] PMID: 22160551.         [ Links ]