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Brazilian Journal of Poultry Science

versão impressa ISSN 1516-635Xversão On-line ISSN 1806-9061

Rev. Bras. Cienc. Avic. v.2 n.1 Campinas jan./abr. 2000

https://doi.org/10.1590/S1516-635X2000000100002 

Desempenho Produtivo da Perdiz (Rhynchotus rufescens) Submetida a Rações com Diferentes Níveis Energéticos

Productive Performance of Partridge (Rhynchotus rufescens) Fed Diets Containg Defferent Energy Levels

 

 


Autor(es) / Author(s)

Moro MEG1
Tavares FA2
Lima CG3

1 - Prof. Doutor Depto de Zootecnia FZEA / USP

2 - Bolsista FAPESP – Iniciação Científica (Proc. nº 97/06254-0) FZEA / USP

3 - Prof. Doutor. Depto de Ciências Básicas FZEA / USP

 

Correspondência / Mail Address

Maria Estela Gaglianone Moro

Caixa Postal 23
13630-000 - Pirassununga - SP - Brasil

E-mail: estemoro@usp.br

 

Unitermos / Keywords

alimentação, peso de ovos, produção de ovos, reprodução

alimentation, egg production, egg weight, reproduction

 

Observações / Notes

Projeto Financiado – FAPESP – Bolsa Iniciação Científica – Proc. nº 97/06254-0

Apresentado na XXXVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia – Julho/1999

RESUMO

Este trabalho teve como objetivo definir o melhor nível energético na ração para perdizes na fase de reprodução, avaliando consumo de ração, produção e peso médio dos ovos e conversão alimentar. Os tratamentos foram três rações isoprotéicas (15%PB) com níveis de energia de 2650, 2800 e 2950 kcal EM/kg. Foram utilizadas 24 aves em fase de reprodução da espécie Rynchotus rufescens, com 10 meses de idade. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 3 tratamentos (níveis de energia) e 4 repetições, com um casal por parcela. Os resultados mostraram que não houve diferença significativa para consumo, mas houve efeito significativo positivo do nível de energia sobre o peso médio e a produção dos ovos. A conversão alimentar para os níveis de 2650 e 2800 kcal EM/kg de ração foi melhor em relação ao nível de 2950 kcal EM/ kg de ração. Concluiu-se que os níveis energéticos de 2650 a 2800 kcal EM/kg de ração seriam os recomendáveis para perdizes na fase reprodutiva.

 

ABSTRACT

This experiment is aimed to define the best energy levels of ration for partridges during their reproductive phase by evaluating the feed intake, the average of eggs production and weight and feed conversion. Twenty-four Rhynchotus rufescens species, with 10 months of age, were fed with three isoproteic rations (15% crude protein) with different levels of metabolized energy (2,650; 2,800 and 2,950 kcal ME/kg). A completely randomized experimental design with three treatments and four replicates with a couple of birds per experimental unit was used. The results show that there was no significant difference in feed intake, but there was a significant effect of energy level on the mean of eggs weight, egg production and feed conversion for 2,650 and 2,800 kcal ME/kg as compared to the level of 2,950 kcal ME/kg. It was concluded that energy levels from 2,650 to 2,800 kcal ME/kg would be recommendable for partridge during their reproductive phase.


 

 

INTRODUÇÃO

A perdiz Rhynchotus rufescens é uma ave que pertence à ordem Tinamiformes e compreende um grupo de aves com distribuição restrita ao continente americano. Os integrantes dessa ordem são considerados terrícolas, com aparência galinácea, muito apreciados devido ao seu grande valor cinegético. As pesquisas feitas com essa espécie têm demonstrado sua grande facilidade de adaptação e um excelente potencial para sua exploração zootécnica.

Para viabilizar a exploração racional de perdizes, torna-se necessário o desenvolvimento de pesquisas que resultem em dados de produção, estabelecendo-se as fases de seu desenvolvimento relacionadas com suas exigências nutricionais, para que programas de alimentação sejam aplicados corretamente.

Na tentativa de estabelecer um programa de alimentação para perdizes Moro (1996) baseou-se no National Research Council (NRC 1994) para faisões e, testando programas de alimentação na fase de crescimento, obteve bom desempenho com rações que continham níveis decrescentes de proteína bruta de acordo com a idade da ave, utilizando na fase reprodutiva nível de 15% de proteína bruta e 2800 kcal EM/kg.

Devido aos poucos trabalhos com essa espécie (R. rufescens) relacionados com produção em maior escala, tomou-se como base para a elaboração das rações a espécie mais próxima quanto ao tamanho e tipo de utilização (carne nobre) usada comercialmente, o faisão.

Este trabalho teve como objetivo definir o melhor nível energético na ração para perdizes na fase de reprodução, avaliando consumo de ração, produção e peso médio dos ovos e conversão alimentar.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado de outubro de 1997 a março de 1998, no galpão experimental de perdizes, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, Campus de Pirassununga.

As aves foram alojadas em um galpão medindo 30 x 7m, com piso de concreto e boxes de 2,5 x 1,6 m, separados entre si por muretas de alvenaria de 0,6 m de altura e completadas com tela até 2 m, utilizando-se como cama feno de gramínea tipo "coast-cross".

Foram utilizadas 24 aves em fase de reprodução da espécie Rynchotus rufescens, com idade inicial aproximada de 10 meses, sendo as fêmeas oriundas de um criatório localizado em Jaboticabal , SP e os machos vindos de Foz do Iguaçu , PR, as quais receberam uma anilha metálica numerada na asa para a correta identificação.

Os tratamentos consistiram em três rações isoprotéicas (15% PB), com variação nos níveis de energia metabolizável (2650, 2800, 2950 kcal EM/ kg) (Tabela 1).

 

 

A formulação das rações foi baseada no National Research Council (NRC 1994) para faisões (Phasianus colchicus), e foi preparada usando-se um misturador em "Y", utilizando-se basicamente milho, farelo de soja, farelo de trigo e suplementos vitamínico e mineral.

Fornecimento de ração

A ração farelada de cada parcela após a pesagem inicial foi armazenada em saco plástico identificado e colocado na frente do box correspondente ao tratamento. Seu fornecimento foi à vontade em comedouros lineares de chapa galvanizada que possuem tampa superior de compensado do tipo "Duratex", com aberturas de 5 cm de diâmetro.

Sob os comedouros, foram colocadas bandejas confeccionadas em chapa galvanizada para a coleta da ração desperdiçada, observando-se diariamente a quantidade de ração disponível nos comedouros.

As aves passaram por um período de adaptação de três semanas a partir de seu alojamento nos boxes definitivos, recebendo 13 horas de luz ao dia com o auxílio de iluminação artificial no interior do galpão regulada através de um "timer".

Índices avaliados

Os índices avaliados foram: consumo médio de ração ao longo do período reprodutivo, produção, peso médio dos ovos e conversão alimentar de cada tratamento.

Para a avaliação da produção de ovos em cada tratamento, utilizou-se o seguinte procedimento:

Coleta de ovos: feita diariamente no mínimo três vezes ao dia, com a inspeção dos boxes para a retirada dos ovos postos.

Pesagem dos ovos: feita logo após a coleta, em balança digital com precisão de 0,01g e com a anotação do peso dos ovos.

O controle de consumo de ração foi feito através de pesagens bi-semanais, nas quais as sobras de ração de cada comedouro mais o desperdício coletado na bandeja sob o comedouro, somados à quantidade restante no saco plástico correspondente, determinaram por diferença o consumo bi-semanal e total das rações utilizadas no experimento (g/ ave).

O índice de conversão alimentar foi calculado através da relação entre consumo total de ração (gramas) do período de postura e o peso total de ovos (gramas) produzidos de cada parcela durante o período reprodutivo.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 3 tratamentos (níveis de energia) e 4 repetições com um casal por parcela. Os dados foram submetidos à análise de variância e de contraste de regressão para os meses de reprodução. Quando os efeitos desses fatores, níveis de energia e de tempo foram significativos, realizou-se contrastes de regressão (SAS) na tentativa de se isolar os melhores efeitos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Consumo de ração

Os dados da Tabela 2 apresentam o consumo de ração pelas aves mensalmente, durante toda a fase experimental.

 

 

As aves pertencentes ao tratamento contendo 2650 kcal EM/kg de ração, com exceção do primeiro mês de estudo, consumiram maior quantidade de ração, sem diferença (p> 0,05) em relação às aves que receberam rações com os níveis de 2800 e 2900 kcal EM/kg. Esse aumento na ingestão de alimento pelas aves do tratamento com 2650 kcal EM/kg estaria relacionado com o menor conteúdo energético da ração a que esse tratamento foi submetido. Os resultados são concordantes com Monetti et al. (1982) que, trabalhando com faisões e utilizando rações com níveis de energia metabolizável de 2500, 2700 e 2900 kcalEM/kg, encontraram um consumo maior para aves alimentadas com ração de menor nível energético, assim como Murakami et al. (1993) trabalhando com codornas japonesas.

São apresentadas na Tabela 3 as médias mensais e totais de ovos produzidos pelas perdizes (Rhynchotus rufescens) nos diferentes tratamentos, no período reprodutivo.

 

 

A análise dos dados mostrou diferença (p< 0,05) entre os tratamentos para produção total de ovos, observando-se que a produção média dos ovos associada aos tratamentos com 2650 e 2800 kcal EM/kg de ração foram estatisticamente superiores A do tratamento com nível de 2950 kcal EM/kg, e o tratamento de 2650 kcal EM foi numericamente superior ao tratamento de 2800 kcal EM/kg de ração.

Os resultados desse estudo discordaram dos dados obtidos por Monetti et al. (1982) que não encontraram diferenças para produção de ovos nos níveis energéticos das rações estudadas.

Houve uma concordância dos nossos resultados com o trabalho de Murakami et al. (1993) que obtiveram maior produção de ovos com o tratamento que utilizou o menor nível de energia na ração de codornas.

Em relação às recomendações do National Research Council (NRC 1994) para faisões, os dados mostraram que, para perdizes, o nível de energia de 2800 kcal EM/kg não foi o que apresentou numericamente a maior produção de ovos e sim o nível de 2650 kcal EM/kg.

Os dados referentes ao número médio de ovos produzidos ao longo do período reprodutivo não mostraram diferença (p<0,05) entre os meses de outubro a fevereiro (Tabela 3).

O peso médio dos ovos produzidos pelas perdizes nos diferentes tratamentos durante a fase de reprodução é apresentado na Tabela 4.

 

 

O nível de energia teve efeito (p< 0,05) sobre o peso médio dos ovos, mostrando que o peso dos ovos do tratamento com nível energético de 2800 kcal EM/kg foram superiores quando comparado com o das aves que receberam rações contendo os níveis de 2650 e 2950 kcal EM/kg.

Nossos resultados são discordantes dos trabalhos de Monetti et al. (1982) com faisões e de Murakami et al. (1993) com codornas, que obtiveram maior peso dos ovos com as rações de menor nível energético.

A avaliação desse índice foi coincidente na recomendação do NRC (1994), que indica o nível de 2800 kcal EM/kg na ração para faisões na fase reprodutiva.

A análise dos dados mostrou que as correlações entre consumo de ração e peso médio dos ovos foi estatisticamente diferente de zero, ou seja, existe uma correlação linear positiva entre elas.

Os valores médios do índice de conversão alimentar (Tabela 5) demonstram a eficiência da utilização da ração ingerida para transformá-la em produção de ovos (g de ração/ g de ovos). Os dados analisados mostraram diferenças (p<0,05) dos tratamentos de 2650 e 2800 kcal EM/kg em relação ao tratamento com 2950 kcal EM/kg de ração.

 

 

Nos faisões, Monetti et al. (1982) não encontraram diferença significativa para o índice de conversão alimentar nos níveis energéticos das rações estudadas. Esses autores obtiveram índices (g de ração/ovo posto) médios situados entre 300 e 500 no início do período reprodutivo. Com a estabilização do ciclo, os valores ficaram ao redor de 100 e no final da fase reprodutiva voltaram a subir para aproximadamente 300 a 400. Como média final de todo período analisado, os valores do índice de conversão alimentar de 169 a 170 (g de ração/ovo posto) não apresentaram diferenças significativas para os níveis de energia estudados.

Não encontramos na literatura consultada valores que pudessem ser comparados aos encontrados para o índice de conversão alimentar em nosso estudo com perdizes, 8,27; 8,53 e 14,22 para os tratamentos 1, 2 e 3. As fórmulas usadas para obter esse índice em outros estudos foram diferentes, não permitindo que houvesse base para comparação.

 

CONCLUSÕES

Frente aos resultados obtidos nesse trabalho em condições experimentais, indicamos para a fase reprodutiva das perdizes níveis de energia na faixa de 2650 a 2800 kcal EM/kg de ração.

Salientamos que esses estudos deverão ter seguimento para um aprimoramento na nutrição dessa ave nas diferentes fases de sua vida.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Monetti PG, Monge F, Marcomini F. Effect of dietary energy level on reproductive performance in the pheasant. Zootecnia e Nutrizione Animale. Bologna; 1982; 8(2): 115-133.        [ Links ]

Moro MEG. Desempenho e características de carcaças de perdizes (Rhynchotus rufescens) criadas com diferentes programas de alimentação. Tese Jaboticabal, SP: Universidade Estadual Paulista; 1996.        [ Links ]

Murakami AE, Ariki J, Moraes VBM. Níveis de proteína e energia em rações para codornas japonesas (Coturnix coturnix japonica) em postura. In: Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia 1993; 22: 41-51.        [ Links ]

National Research Council. Nutrient requeriments of poultry; 9th. ed. Washington: National Academy of Science; 1994.        [ Links ]

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