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Brazilian Journal of Poultry Science

Print version ISSN 1516-635XOn-line version ISSN 1806-9061

Rev. Bras. Cienc. Avic. vol.2 no.1 Campinas Jan./Apr. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-635X2000000100008 

Fontes de Sódio e Relação Sódio:Cloro para Frangos de Corte

Sodium chloride levels in broiler diets

 

 


Autor(es) / Author(s)

Fischer da SilvaAV1
Flemming JS2
Borges SB3

1 - Prof. Dpto de Fisiologia SCB / UFPR

2 - Prof Dpto Zootecnia SCA / UFPR

3 - Doutorando Zootecnia UNESP / FCAV

 

Correspondência / Mail Address

Ana Vitória Fischer da Silva

Dpto. de Morfologia e Fisiologia / FCAV - UNESP
Rodovia Carlos Tonanni, km 5
14870-000 - Jaboticabal - SP - Brasil

E-mail - avitoria@fcav.unesp.br.

 

Unitermos / Keywords

bicarbonato de sódio, cama, cloreto de sódio, desempenho

sodium bicarbonate, litter, sodium chloride, performance

RESUMO

Foram utilizados 2.880 pintos de corte, para avaliar os efeitos de diferentes fontes de sódio (Na+) e relações sódio:cloro (Na+:Cl-) na ração. As aves receberam ração e água ad libtum. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e seis repetições. O ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade não foram influenciados (p>0,05) pela substituição da fonte tradicional de Na e pelas diferentes relações Na:Cl. A umidade da cama foi afetada pela fonte e níveis de Na na ração. Os resultados mostraram que pode-se utilizar o NaHCO3 como fonte parcial à exigência de Na para frangos de corte de 1 a 47 dias de idade.

 

ABSTRACT

A trial was carried out with 2,880 day old chicks to evaluate different sources of sodium (Na+) and Na+:Cl- ratio in diets. Water and diets were available in "ad libitum" feeding. Experimental design was completely randomized with four treatments and six repetitions. The performance (feed intake, body weight, feed conversion and mortality) was not affected (P>0.05) by treatments, but different levels and sources of Na+ increased litter moisture. The NaHCO3 can be used in chicken broilers diets in partial substitution of Na for day 1 to 47.


 

 

INTRODUÇÃO

A suplementação de sódio (Na+) e de cloro (Cl-) visa suprir as necessidades fisiológicas para obtenção de melhor desempenho zootécnico. Na maioria dos ingredientes para rações, o teor de sódio é mais baixo do que o de cloro. Normalmente, as rações à base de milho e farelo de soja não atendem às exigências dietéticas de sódio, fazendo-se necessária fonte adicional. Diferentes fontes de suplementação de sódio podem ser utilizadas na alimentação de aves, entre as quais, as mais comuns são o cloreto de sódio (NaCl: 39,7% de Na+) e o bicarbonato de sódio (NaHCO3: 27,0% Na+).

Há uma grande variação nas recomendações de sódio e de cloro para frangos de corte. O National Research Council (NRC, 1994) recomenda níveis de 0,20%, 0,15% e 0,12% de Na+ e Cl- para os períodos de 0 a 3, 3 a 6 e 6 a 8 semanas de idade das aves, respectivamente. Em geral, as rações comerciais apresentam níveis de 0,30% a 0,40% de NaCl, fornecendo de 0,12 a 0,16 % de Na+, mais, aproximadamente, 0,05% proveniente dos alimentos utilizados na formulação. Borges et al. (1998) concluíram que o aumento do NaCl na ração promoveu melhoria no ganho de peso, acompanhada de maior ingestão de água, resultando em cama mais úmida. A substituição do NaCl pelo NaHCO3 na ração, em até 30%, tem sido demonstrada como benéfica (Lesson & Summers, 1997). A utilização de NaHCO3 como alternativa de controle do estresse calórico resultou em melhor ganho de peso e conversão alimentar, porém não comprovado estatisticamente. Apesar disso, níveis elevados de NaHCO3 (1,0 e 1,5%) aumentaram a umidade da cama (Fischer da Silva & Flemming, 1990; Fischer da Silva et al. 1994; Borges, 1997).

O presente trabalho teve por objetivo avaliar os efeitos da suplementação de diferentes níveis de cloreto de sódio e relações Na+:Cl- , bem como a substituição da fonte tradicional de Na+ (NaCl) pelo NaHCO3, sobre o consumo de ração, ganho de peso, conversão alimentar, mortalidade, canibalismo e umidade da cama.

 

MATERIAL E MÉTODOS

As aves foram criadas em galpão de alvenaria dividido em boxes (2,0 X 5,0m), com cobertura de telha de barro e pé-direito de 3 metros. Foram utilizados comedouros tipo bandeja e bebedouro de alumínio até o sétimo dia de idade, e após, comedouros tubulares com capacidade para vinte quilos e bebedouros pendulares. Para aquecimento, na fase inicial cada boxe foi composto por uma campânula à gás. Foi utilizada cama de maravalha de pinho com espessura de ± 5cm. Na primeira semana, as cortinas permaneceram fechadas, e após esse período, foram gradativamente abertas, de acordo com a temperatura ambiente e o comportamento das aves. As campânulas foram desligadas durante o dia e acesas à noite, até o final da segunda semana.

Foram utilizados 2.880 pintos de corte, 50% de machos e 50% de fêmeas, criados em duas fases: de 1 a 21, e de 22 a 47 dias de idade. Os tratamentos foram definidos de modo a obter-se relações sódio:cloro (Na+:Cl-) de 0,6:1,0 e 1:1, utilizando o bicarbonato de sódio (NaHCO3) como fonte suplementar de cloreto de sódio (Tabela 1). As aves receberam rações à base de milho e farelo de soja, com consumo à vontade, sendo que os o teores de sódio e cloro dos ingredientes da ração foram considerados na formulação.

 

 

Ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade foram avaliados aos 21 e 47 dias. A umidade da cama foi determinada no final do experimento pela metodologia de "escore", com avaliação visual de três pessoas - que atribuíram uma nota (bom, regular e ruim), e o comportamento das aves quanto ao canibalismo foi observado diariamente.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e seis repetições de 120 aves cada. Os resultados obtidos foram submetidos à análise estatística, utilizando-se modelo matemático proposto por Banzatto & Kronka (1995), e as médias, comparadas pelo teste de Tukey (5%).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na fase de 1 a 21 dias de idade das aves, não houve diferença significativa (p>0,05) no ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade, entre as diferentes fontes e níveis de Na+ e relações Na+:Cl- (Tabela 2). Esses resultados contrastam com os obtidos anteriormente por Britton (1991) e Lott et al. (1992), que mostraram melhores resultados com as aves alimentadas com altos níveis de NaCl. Porém, Butolo et al. (1995) e Borges et al. (1998) verificaram que ganho de peso, consumo de ração e mortalidade não foram influenciados por níveis elevados de NaCl na dieta, mas a conversão alimentar foi melhorada.

 

 

O National Research Council (NRC, 1994) alterou a recomendação de NaCl para frangos de corte na fase inicial de criação (0 a 3 semanas) para 0,20% de Na+ na ração, o que corresponde a cerca de 0,50% de NaCl - sendo que os requisitos de Na+ e Cl- diminuem a medida em que as aves ficam mais velhas. Rostagno et al. (1994) sugeriram níveis de Na+ de 0,053% (em 1000 kcal de energia metabolizável da ração) para frangos de corte de 1 a 28 dias. Murakami et al. (1997) concluíram que 0,25% de Na e 0,20% de Cl são suficientes para atender às exigências nutricionais dos frangos de corte na fase inicial de criação. Os resultados zootécnicos encontrados no presente estudo sugerem que 0,30 % de NaCl na ração é suficiente para atender os requisitos de Na+ e Cl- para frangos de corte, de 1 a 21 dias de idade.

A suplementação de NaHCO3 para frangos de corte em temperaturas elevadas melhorou o ganho de peso e a conversão alimentar (Fischer da Silva & Flemming, 1990; Fischer da Silva et al., 1994; Borges, 1997). Os resultados encontrados no presente experimento, embora não significativos, demonstram que o NaHCO3 pode ser utilizado como fonte alternativa, complementar à exigência de Na+ para frangos de corte; sendo o uso dependente do custo e disponibilidade.

Não foi verificada diferença (p>0,05) entre os diferentes níveis de suplementação de NaCl, fontes de Na+ e relação Na+:Cl- sobre o ganho de peso o consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade, de 22 a 47 dias de idade (Tabela 2). Lott et al. (1992) obtiveram melhor ganho de peso na fase final de criação, embora tenham suplementado 0,50 e 1,00% de NaCl na água de bebida das aves, o que corresponde a valores de ingestão de NaCl maiores, considerando-se que o consumo de água, em condições normais, é duas vezes o consumo de ração. Borges et al. (1998), avaliando o desempenho de frangos de corte na fase de crescimento e final, verificaram que ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade não foram influenciados por níveis elevados de NaCl na dieta.

No período total de criação (01 a 47 dias) não houve diferença (p<0,05) para ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade entre os tratamentos (Tabela 2) e não foram observados casos de canibalismo durante o periodo total de criação (1 a 47 dias). A relação Na+:Cl- não afetou o desempenho das aves.

O sódio é um nutriente essencial para a ave e a sua exigência nutricional pôde ser atingida com 0,30% de NaCl na dieta. Entretanto, Borges et al. (1998) relataram que a quantidade ideal de NaCl a ser suplementada na ração (com base de milho e farelo de soja) de frangos de corte para atender ao máximo desempenho, quando considerado o período total de criação, é de 0,45%. Os trabalhos de pesquisa nessa área usualmente são realizados com rações à base de milho e farelo de soja, os quais contêm baixos níveis de sódio. Entretanto, quando se utiliza ingredientes de origem animal, que contêm níveis mais elevados de NaCl em sua composição, o nível de sódio deve ser considerado na formulação.

A umidade da cama foi afetada pela fonte e teor de Na+ da ração (Tabela 2). O tratamento T2 com 0,30% de NaCl apresentou cama com umidade dentro dos padrões usuais de criação, recebendo avaliação boa, enquanto maiores níveis de NaCl e sua associação com NaHCO3 resultaram em cama emplastada. Borges et al. (1998) relataram que a umidade da cama foi igual para frangos recebendo dietas com 0,30 e 0,45% de NaCl. O National Research Council (NRC, 1994), Borges (1997) e Borges et al. (1998) relataram que o consumo de água foi maior a medida em que se aumentou a suplementação de NaCl e NaHCO3 na ração. A elevação na umidade da cama é consequência da maior ingestão de água, porém não dificultou o manejo das aves.

 

CONCLUSÃO

O bicarbonato de sódio NaHCO3 pode ser utilizado como fonte parcial à exigência de Na+ para frangos de corte nas diferentes fases de criação. A relação sódio:cloro na ração de frangos de corte pode variar de 0,6:1,0 a 1,0:1,0, sem afetar o desempenho. A exigência de sódio pode ser atendida com a suplementação de 0,30% de NaCl na ração. A umidade da cama é afetada pela fonte e nível de sódio da ração

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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