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Brazilian Journal of Poultry Science

Print version ISSN 1516-635XOn-line version ISSN 1806-9061

Rev. Bras. Cienc. Avic. vol.2 no.3 Campinas Sept. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-635X2000000300004 

Óleo de Soja, Óleo Ácido de Soja e Sebo Bovino Como Fontes de Gordura em Rações de Frangos de Corte

Soybean Oil, Acidulated Soapstock, Beef Tallow, and Mixtures of Fat Sources in Broilers Diets

 

 


Autor(es) / Author(s)

Gaiotto JB1
Menten JFM2
Racanicci AMC1
Iafigliola MC1

1-Estudante de pós-graduação - Departamento de Produção Animal, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"- USP.

2-Professor - Departamento de Produção Animal, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"- USP

 

Correspondência / Mail Address

José Fernando Machado Menten

Depto. de Produção Animal
Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" -USP
Av. Pádua Dias, 11
13418-900 - Piracicaba - SP

E-mail: jfmmente@carpa.ciagri.usp.br

 

Unitermos / Keywords

frango de corte, óleo de soja, óleo de ácido de soja, sebo bovino, gordura abdominal

broiler, soybean oil, beef tallow, acidulated soapstock, abdominal fat

 

Observações / Notes

Projeto financiado pela FAPESP.

RESUMO

O experimento avaliou o desempenho de frangos de corte suplementados em 4% na ração com três fontes de gordura: óleo ácido de soja (OAS4) e sebo bovino (SEBO4), óleo de soja (SOJA4) e misturas de 2% entre estas: (OAS2/SEBO2), (OAS2/SOJA2) e (SOJA2/SEBO2). Foram utilizados blocos casualizados, com 6 tratamentos, 6 repetições e 40 aves por parcela. Foram avaliadas as variáveis: consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), peso vivo (PV), conversão alimentar (CA), fator de produção (FP) e viabilidade (VB), aos 42 dias de idade. Para análise, foram utilizados contrastes não ortogonais:

1- SOJA4 X (OAS4 + SEBO4 + OAS2/SEBO2);
2- SOJA4 X (OAS2/SOJA2 + SOJA2/SEBO2);
3- OAS2/SOJA2 X SOJA2/SEBO2;
4- OAS4 X OAS2/SOJA2;
5- OAS4 X OAS2/SEBO2.

No contraste 1, observou-se um menor CR, melhor CA, superior GP, PV e FP para SOJA4 em relação a média OAS4, SEBO4 e OAS2/SEBO2. A comparação do SOJA4 com (OAS2/SOJA2 + SOJA2/SEBO2) do contraste 2 não foi significativa. O contraste 3 não indicou diferença entre OAS2/SOJA2 e SOJA2/SEBO2, exceto para VB. No contraste 4, OAS2/SOJA2 resultou em maior GP, PV e FP e melhor CA que OAS4. A mistura (OAS2/SEBO2) não foi vantajosa ao OAS4 para as variáveis (contraste 5).
A gordura abdominal não foi afetada pelos tratamentos, somente a composição dos ácidos graxos das gorduras. O óleo de soja proporcionou melhor desempenho das aves, tanto em misturas 1:1 quanto como fonte única adicionada à ração. O óleo ácido de soja, o sebo e a mistura destes resultaram em depressão do desempenho das aves.

 

ABSTRACT

The objective of this research was to evaluate less expensive fat sources as alternatives to soybean oil in broiler diets. A total of 1,440 day-old male Ross chicks were raised to 42 days of age in a randomized block design of six treatments and six replicates, fed diets containing 4% supplemental fat from the sources: soybean oil (SOY4), beef tallow (TAL4), acidulated soapstock (SOAP4), mixtures 2%:2% (SOAP2/TAL2), (SOAP2/SOY2) and (SOY2/TAL2). Liveweight, weight gain, feed intake, feed:gain ratio and viability were analyzed using non-orthogonal contrasts:

1- SOY4 X (SOAP4 + TAL4 + SOAP2/TAL2);
2- SOY4 X (SOAP2/SOY2 + SOY2/TAL2);
3- SOAP2/SOY2 X SOY2/TAL2;
4- SOAP4 X SOAP2/SOY2;
5- SOAP4 X SOAP2/TAL2.

Liveweight, weight gain and feed:gain of SOY4 were better (p<.05) than those devoid of soybean oil in the diet, but feed intake, and viability did not differ. The mixtures containing 2% soybean oil (contrast 2) resulted in performance similar to SOY4 in all variables (p>.05) and soybean oil in the mixture equally improved the results of the alternative sources (contrast 3).
The performance of birds fed SOAP4 was inferior to those fed SOAP2/SOY2 (p<.06) but was similar to those fed SOAP2/TAL2 .
The abdominal fat did not differ among the treatments, but abdominal fats reflected the composition of the different fats.
These results confirmed the superiority of soybean oil relative to the other fat sources fed to broiler and demonstrated that the quality of acidulated soapstock and beef tallow may be improved when used in 1:1 mixtures with soybean oil.


 

 

INTRODUÇÃO

O processo de digestão, absorção e ressintetização dos lipídios poderá ser prejudicado com a variação nos níveis de ácidos graxos livres nas fontes de gordura. Algumas fontes têm como característica possuir elevados níveis de ácidos graxos livres, como é o caso das gorduras hidrolizadas e do óleo ácido de soja. Normalmente, essas gorduras são subprodutos da indústria alimentícia que acabam sofrendo uma ruptura da ligação dos triglicerídios em seu processamento, liberando glicerol e ácidos graxos. Blanch et al. (1995), utilizando óleo de soja e misturas de 1:1 de sebo com óleo de soja ou com óleo ácido de soja, obtiveram maiores valores de digestibilidade e energia metabolizável para o óleo de soja e a mistura sebo e óleo de soja, ambos diferindo significativamente (p<0,01) da mistura sebo e óleo ácido de soja.

Há constatações de que a proporção de ácidos graxos saturados e insaturados tem papel fundamental no processo de absorção de gorduras. Artman (1964) obteve diferenças significativas (p<0,05) na digestibilidade do óleo de soja quando comparado com óleo ácido de soja, sebo bovino e mistura de 1:1 entre sebo e óleo ácido de soja, adicionados 15% à ração das aves . A digestibilidade do óleo de soja foi de 95%, enquanto a do óleo ácido foi de 86,2%, a do sebo, 68,2% e a da mistura, 87%.

A melhoria da absorção de ácidos graxos saturados obtida com as misturas de gordura explica a obtenção do efeito sinérgico, pois os valores obtidos de energia metabolizável são maiores que a média aritmética dos valores individuais dos componentes da mistura (Ketels & De Groote, 1989; Zumbado et al., 1999).

Além dos vários fatores que interferem na determinação da absorção e da EM das gorduras, é necessário avaliar as alterações ocorridas nas características das carcaças das aves. Edwards Jr et al. (1973) determinaram a influência da alimentação de vários tipos de gordura, entre elas o sebo bovino e o óleo de vísceras de aves, na composição de ácidos graxos da carcaça e gordura abdominal. Apesar do tipo de gordura utilizado na dieta não ter influenciado a composição corporal das aves, alterou a composição dos ácidos graxos da carcaça e da gordura abdominal. A alimentação com sebo bovino elevou o conteúdo de ácidos graxos esteárico e oleico do tecido adiposo, enquanto que o óleo de vísceras de aves reduziu o ácido graxo linoleico e aumentou o oleico da gordura abdominal.

O objetivo principal do trabalho foi determinar o efeito da substituição do óleo de soja da dieta por partes iguais de óleo ácido de soja ou sebo bovino sobre o desempenho de frangos de corte, bem como estudar o efeito sinérgico de misturas desses ingredientes. Adicionalmente, foram estudados os efeitos dessas fontes de gordura na ração sobre o teor e composição de gordura abdominal.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Departamento de Produção Animal da ESALQ - USP. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com 6 tratamentos e 6 repetições, utilizando 40 aves por parcela, perfazendo um total de 1440 pintos machos de um dia de idade (AgRoss). Os tratamentos consistiram em rações à base de milho e farelo de soja, para as fases de 0-21, 22-35 e 36-42 dias de idade, respectivamente (Tabela 1). As dietas foram formuladas adicionando-se um total de 4% de óleo de soja com 8800 kcal EM/kg . O óleo de soja (SOJA4) foi substituído nessa porcentagem pelo óleo ácido de soja (OAS4), cujo valor energético não se encontra na literatura, ou sebo bovino (SEBO4), que apresenta variações no valor energético conforme sua composição. Foram utilizadas misturas das gorduras (adicionadas 2% de cada) para avaliar o efeito sinérgico, originando os seguintes tratamentos: óleo ácido de soja e sebo (OAS2/SEBO2), óleo ácido de soja e óleo de soja (OAS2/SOJA2) e óleo de soja e sebo (SOJA2/SEBO2).

 

 

Foram avaliados os seguintes parâmetros de desempenho: consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), conversão alimentar (CA) e viabilidade (VB). Ao final do período experimental de 42 dias, também foram avaliados o peso vivo médio (PV) e o fator de produção (FP). Os dados referentes ao período de 1 a 21 e de 1 a 42 dias foram submetidos à análise da variância utilizando-se o GLM do SAS (Statistical Analysis System, 1989) e a comparação de médias por contrastes não-ortogonais:

1- SOJA4 X (OAS4 + SEBO4 + OAS2/SEBO2);
2- SOJA4 X (OAS2/SOJA2 + SOJA2/SEBO2);
3- OAS2/SOJA2 X SOJA2/SEBO2;
4- OAS4 X OAS2/SOJA2;
5- OAS4 X OAS2/SEBO2.

O óleo de soja foi usado como uma fonte padrão de gordura, considerada de boa qualidade e rica em triglicerídios e ácidos graxos insaturados. Uma das fontes alternativas utilizadas como fonte de gordura foi o óleo ácido de soja, também chamado eventualmente de "ácido graxo de soja" ou de "borra acidulada". Essa gordura é um subproduto obtido a partir da chamada "borra" (soapstock), a qual é resíduo do refino do óleo de soja bruto. O sebo bovino foi utilizado como fonte de gordura animal, contendo elevada quantidade de ácidos graxos saturados.

Aos 42 dias de idade, foi selecionada uma ave por parcela, com peso próximo ao peso médio do boxe, cuja gordura abdominal foi abatida e coletada. Para análise do perfil de ácidos graxos, foram utilizados 20g de gordura abdominal de cada ave abatida.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de desempenho obtidos de 1 a 21 dias de idade são apresentados na Tabela 2, e a análise dos contrates na Tabela 3. No contraste 1, o tratamento SOJA4 apresentou um ganho de peso 3,0% superior à média dos tratamentos OAS4, SEBO4, OAS2/SEBO2 (0,732 vs 0,709 kg, p<0,01), acompanhado de uma melhor conversão alimentar (1,39 vs 1,45, p<0,01) (Tabelas 2 e 3).

 

 

 

 

A variável ganho de peso do contraste 4 apresentou uma superioridade de 3,7% do tratamento OAS2/SOJA2 em relação ao OAS4 (0,727 vs 0,700 kg, p<0,01), acompanhada de uma melhor conversão alimentar (1,42 vs 1,47, p<0,01).

No contraste 2, a viabilidade foi superior 1,5% no tratamento SOJA4 em relação aos tratamentos OAS2/SOJA2 e SOJA2/SEBO2 (99,5 vs 98,0%, p<0,02). No contraste 3, a viabilidade foi superior 2,1% no tratamento OAS2/SOJA2 em relação ao tratamento SOJA2/SEBO2 (99,1 vs 97,0%, p<0,01).

A superioridade do desempenho das aves recebendo óleo de soja em comparação aos tratamentos isentos deste fica evidente no contraste 1. A comparação entre o tratamento SOJA4 e as misturas OAS2/SOJA2 e SOJA2/SEBO2, assim como a comparação entre essas misturas realizadas nos contrastes 2 e 3, respectivamente, mostram que não houve diferença de desempenho quando o óleo de soja estava isoladamente ou em misturas nas rações. No contraste 4, ratifica-se a superioridade de desempenho do tratamento OAS2/SOJA2 em relação ao OAS4.

Carew Jr et al. (1972) mostraram que a digestibilidade do óleo de milho foi de 84%, enquanto o sebo bovino apresentou 40% de digestibilidade na primeira semana de idade. Na segunda semana, a digestibilidade do óleo de milho foi de 95% e a do sebo bovino de 79%, mostrando que a absorção de gordura pode variar não apenas com o tipo de gordura fornecida, mas também conforme a idade, principalmente na fase inicial de criação das aves.

O processo de menor absorção de gordura na fase inicial de desenvolvimento das aves pode ser explicado pela reduzida capacidade de produção de lipase pancreática e sais biliares. Noy & Sklan (1995) quantificaram a secreção de lipase pancreática em frangos de corte de 4 a 21 dias de idade e observaram um aumento dessa enzima à medida que as aves se desenvolveram. Gomez & Polin (1976), também estudando o desenvolvimento inicial das aves, mas medindo a absorção de gordura com a adição de ácidos biliares na dieta de aves de 0 a 21 dias, observaram um aumento significativo da absorção de lipídios conforme aumentava a adição dos ácidos biliares.

Há muitas dúvidas e contradições no que diz respeito ao uso de gordura na fase inicial de criação. Os resultados obtidos nesse trabalho, comparados aos encontrados na literatura, por si só, demonstram a necessidade de mais estudos envolvendo o uso de gordura nas primeiras semanas de vida das aves.

Os resultados de desempenho obtidos de 1 a 42 dias de idade são apresentados na Tabela 4, e a análise dos contrates na Tabela 5. No contraste 1, o tratamento SOJA4 apresentou um consumo de ração 1,4% inferior à média dos tratamentos OAS4, SEBO4, OAS2/SEBO2 (4,466 vs 4,529 kg, p<0,06), assim como o peso vivo das aves e o ganho de peso foram superiores 1,6% (2,692 vs 2,650, p<0,04 e 2,649 vs 2,607 kg, <0,01, respectivamente), acompanhados de melhores conversão alimentar e fator de produção (1,68 vs 1,73, p<0,01 e 370,7 vs 350,5, p<0,01, respectivamente) (Tabelas 4 e 5).

 

 

 

 

No contraste 4, o peso vivo das aves e o ganho de peso foram superiores 1,6% para o tratamento OAS2/SOJA2 em relação ao tratamento OAS4 (2,689 vs 2,647, p<0,01 e 2,646 vs 2,604 kg, p<0,01, respectivamente), acompanhados de melhores conversão alimentar e fator de produção (1,69 vs 1,73, p<0,01 e 369,4 vs 350,8, p<0,01, respectivamente).

No contraste 3, a viabilidade foi superior 3,3% no tratamento OAS2/SOJA2 em relação ao tratamento SOJA2/SEBO2 (99,1 vs 95,8%, p<0,02).

Houve efeito de blocos (p<0,05) para as variáveis estudadas, alternando-se entre o consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar, com exceção da viabilidade, que não apresentou esse efeito.

O tratamento SOJA4 resultou em melhor desempenho durante todo período de criação das aves, principalmente com relação à conversão alimentar, que foi melhor desde a primeira semana de idade, alternando semanalmente menor consumo de ração ou maior ganho de peso em relação a média dos tratamentos OAS4, SEBO4 e OAS2/SEBO2. Os resultados obtidos pela comparação desses tratamentos mostram que o óleo de soja superou, em termos de desempenho, as fontes óleo ácido de soja, sebo bovino e a mistura desses. Provavelmente, isso ocorreu pois as fontes alternativas utilizadas não possuem características adequadas no que se refere à quantidade suficiente de triglicerídios para ativar todo processo de secreção de bile e formação de micelas (no caso do óleo ácido de soja possuir apenas ácidos graxos livres). No caso do sebo bovino, provavelmente houve um desequilíbrio na proporção de ácidos graxos saturados e insaturados, comprometendo a absorção de gordura.. Com isso, a energia provida pelas gorduras alternativas para aves fica reduzida, elevando o consumo de ração ou reduzindo o ganho de peso das aves, como relatado neste experimento.

No caso do óleo ácido de soja, uma explicação plausível para seu desempenho inferior em relação ao óleo de soja seriam os elevados níveis de ácidos graxos livres, que estão diretamente ligados à falta de triglicerídios nessa fonte, para ativar a secreção de bile para a formação das micelas.

O aumento dos níveis de ácidos graxos livres reduzindo a digestibilidade e a disponibilidade de energia da gordura foi descrita por Young (1961), Wiseman & Salvador (1991) e Vila & Garcia (1996).

O sebo bovino é conhecido como fonte rica em ácidos graxos saturados e uma das prováveis explicações dada ao seu resultado inferior em relação ao óleo de soja, é não prover uma proporção adequada entre os ácidos graxos saturados e insaturados, acarretando uma menor absorção de gordura.

O ponto de maior interesse a ser discutido nesse trabalho são os resultados obtidos com as misturas das fontes utilizadas. A mistura OAS2/SEBO2 foi inserida no contraste 1, junto com OAS4 e SEBO4, para uma comparação de desempenho com o tratamento SOJA4. Os resultados mostraram a superioridade do óleo de soja em relação à média das gorduras alternativas e sua mistura.. Quando se comparou o OAS4 e OAS2/SEBO2, não se observou diferença de desempenho entre esses tratamentos. Provavelmente, a falta de triglicerídios do óleo ácido de soja não foi suprida pelo sebo bovino, assim como a falta de ácidos graxos insaturados do sebo não foi suprida pelo óleo ácido de soja. A intenção de se fazer essa mistura foi amenizar o problema de ácidos graxos livres com os triglicerídios contidos no sebo e alterar a proporção de ácidos graxos saturados e insaturados do sebo bovino para melhor absorção.

A ausência de diferença na comparação OAS4 vs OAS2/SEBO2 é uma indicação de que a melhoria da absorção da mistura óleo ácido de soja e sebo não ocorreu nesse trabalho e que a energia provida por esta mistura provavelmente não foi suficiente para se obter um desempenho equivalente ao óleo de soja.

As misturas SOJA2/SEBO2 e OAS2/SOJA2 foram comparadas com o tratamento SOJA4 no contraste 2, enquanto no contraste 3 foi realizada a comparação entre essas misturas, que continham em comum o óleo de soja. Em ambos os contrastes não houve diferença no CR, GP, CA e FP. A comparação realizada no contraste 4 mostrou a superioridade do desempenho da mistura OAS2/SOJA2 em relação ao OAS4, enquanto no contraste 5, o tratamento OAS4 não mostrou diferença de desempenho quando comparado ao OAS2/SEBO2.

A comparação dos tratamentos nos quatro contrastes citados acima mostra melhora no desempenho das aves alimentadas com as fontes alternativas quando misturadas ao óleo de soja (contrastes 2, 3 e 4), devido talvez ao fornecimento de quantidade ideais de triglicerídios que atuariam na secreção de bile. No entanto, se a secreção de bile e formação de micelas estivessem ligados apenas à quantidade de triglicerídios nas gorduras, a adição de sebo bovino ao óleo ácido de soja também seria suficiente. Entretanto, esse fato não ocorreu, como mostra o contraste 5, pressupondo que pode haver outro fator ligado a esse mecanismo.

A hipótese anterior pode ser explicada pelo óleo de soja, que além de prover triglicerídios, também provê ácidos graxos insaturados. O sebo bovino também fornece triglicerídios, mas com ácidos graxos saturados. Supõe-se que não basta apenas ter ácidos graxos insaturados ou triglicerídios isoladamente, e sim ácidos graxos insaturados ligados ao glicerol, formando os triglicerídios, caso encontrado no óleo de soja.

Levando-se essa suposição em consideração, fica explicado o desempenho semelhante das aves com o fornecimento da mistura óleo ácido de soja e sebo bovino em relação ao óleo ácido, assim como a superioridade do óleo de soja e das misturas que o contêm, em relação às demais gorduras.

Além da avaliação de desempenho das aves perante o fornecimento de diferentes fontes de gordura, há a necessidade de se avaliar as conseqüências da utilização dessas gorduras nas carcaças. Os resultados obtidos da gordura abdominal, expressos em porcentagem do peso vivo, são mostrados na Tabela 6. Os contrastes foram analisados e não houve qualquer diferença (p>0,10). A Tabela 7 apresenta o perfil de ácidos graxos das gorduras utilizadas nas rações experimentais e a Tabela 8, o perfil de ácidos graxos das gorduras abdominais.

 

 

 

 

 

 

Como foi feita apenas uma análise de perfil de ácidos graxos por tratamento, apresentando 6 aves por amostra, os resultados não foram analisados estatisticamente. Entretanto, alguns comentários podem ser feitos sobre as alterações da composição de ácidos graxos das gorduras.

O ácido graxo linoléico (18:2 w6) acumulou-se mais na gordura abdominal das aves alimentadas com fonte ricas neste ácido graxo, como óleo de soja e o óleo ácido de soja, exceto para os tratamentos SEBO4 e OAS2/SEBO2.

O ácido graxo oleico (18:1 w9) manteve sua composição constante em todas as gorduras abdominais, com exceção na mistura SOJA2/SEBO2, que apresentou o dobro de ácido graxo oleico em relação aos outros tratamentos.

Nesse trabalho, assim como nos trabalhos de Edwards Jr et al. (1973), Yau et al. e Zollitsch et al. (1996), a composição de ácidos graxos da gordura abdominal foi influenciada pelas fontes de gordura.

 

CONCLUSÕES

  • O desempenho obtido pelas aves com a adição de óleo de soja às rações foi superior ao óleo ácido de soja, ao sebo bovino e à mistura desses;

  • O uso de misturas de óleo de soja com partes iguais de óleo ácido de soja ou de sebo bovino resultou em desempenho equivalente ao obtido com o óleo de soja adicionado unicamente;

  • A mistura de óleo de soja ao óleo ácido de soja melhorou o desempenho das aves em relação ao óleo ácido de soja adicionado unicamente;

  • A adição das diferentes fontes de gordura às rações não alterou a quantidade de gordura abdominal acumulada;

  • A composição dos ácidos graxos da gordura abdominal apresentou alterações, conforme a adição de diferentes gorduras às rações.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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