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Revista Brasileira de Ciência Avícola

Print version ISSN 1516-635X

Rev. Bras. Cienc. Avic. vol.3 no.1 Campinas Jan./Apr. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-635X2001000100008 

Utilização de Prebióticos, Probióticos ou Simbióticos em Dietas para Frangos

Utilization of Prebiotics, Probiotics or Symbiotics in Broiler Chicken Diets

 

 


Autor(es) / Author(s)

Maiorka A1
Santin E l
Sugeta SM1
Almeida JG1
Macari M1

1- Depto. de Morfologia e Fisiologia Animal - FCAV/UNESP

 

Correspondência / Mail Address

Alex Maiorka

Depto. de Morfologia e Fisiologia Animal - FCAV/UNESP
Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n
14870-000 - Jaboticabal - SP - Brasil

Email: amaiorka@fcav.unesp.br

 

Unitermos / Keywords

antibióticos, frangos, prebióticos, probióticos, simbióticos.

antibiotic, broilers, prebiotic, probiotic, symbiotic

 

Observações / Notes

Os autores agradecem à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) pelo suporte financeiro deste trabalho.

RESUMO

Foi investigado o efeito da substituição de antibióticos por prebiótico, probiótico e simbiótico em dietas para frangos de corte de 1 a 45 dias de idade. Foram utilizados 750 pintos de 1 dia de idade, distribuídos em cinco tratamentos, sendo: T1-sem aditivos, T2-antibiótico (Olaquindoxâ e Nitrovinâ ), T3-prebiótico (0,2% de parede celular de S. cerevisiae), T4-probiótico (300 ppm de B. subtilis) e T5-simbiótico (T3 + T4). O desempenho dos frangos de 1-45 dias de idade foi influenciado pelos diferentes tratamentos, sendo o melhor ganho de peso observado em aves que receberam o simbiótico, seguido daquelas com antibiótico, prebiótico e probiótico. O pior ganho de peso foi observado nas aves que não receberam qualquer tipo de aditivo na dieta. A conversão alimentar, no período de 1 a 45 dias de idade, também foi influenciada pelo tipo de aditivo. As aves que não receberam suplementação apresentaram pior conversão alimentar quando comparadas com as aves dos demais tratamentos. Os resultados deste experimento permitem concluir que a substituição de antibióticos por simbióticos na ração de frangos é uma alternativa viável, pois não compromete o desempenho das aves, contudo a ausência de aditivos na dieta piora o desempenho das mesmas.

 

ABSTRACT

This study was carried out with the objective to test the substitution of antibiotics by prebiotics, probiotics or symbiotics in broiler chickens diet up to 45 days of age. Day-old chicks (n=750) were divided in five treatments, as follow: T1-no additives, T2-antibiotics (Olaquindoxâ e Nitrovinâ ), T3-prebiotic (0.2% de S. cerevisiae cell wall), T4-probiotics (300ppm B.subtilis) and T5-symbiotic (T3+ T4). The performance of broilers up to 45 days of age was influenced by treatments, with better weight gain observed in the birds fed with symbiotics, followed by antibiotcs, prebiotics and probiotics. The worse body weight gain was obtained by the broilers whose diet was not supplemented by any additive. During this period, feed conversion was also affected depending on the additive used, since the birds not supplemented showed the worse results when compared to the birds of the other treatments. The findings of this study suggest that the substitution of antibiotics by symbiotics in broiler chicken diets is an alternative to poultry industry, since no negative effect was found on performance. However, the total absence of additives in the diets worsened the broiler chicken performance.


 

 

INTRODUÇÃO

A pouca diversidade da microflora intestinal de aves recém nascidas, além de ser considerada como um fator limitante para a digestão, também possibilita a colonização intestinal por patógenos entéricos. A ausência de contato com a microbiota natural logo após o nascimento pode afetar o desenvolvimento do trato gastrintestinal (TGI) e, por conseqüência, prejudicar o crescimento das aves. Assim, os efeitos negativos desse processo têm sido contornados com o uso contínuo na ração de antibióticos em doses subterapêuticas. Entretanto, no momento, o uso desses produtos está sendo questionado devido à possível relação deles com a resistência aos antibióticos usados na antibioticoterapia humana. Nesse aspecto, várias medidas têm sido estudadas para possibilitar o rápido desenvolvimento de bactérias no trato digestivo benéficas ao hospedeiro. O conceito moderno de probiótico foi definido por Fuller (1989) como sendo microorganismos (MO) vivos que, suplementados constantemente na dieta, afetam beneficamente o organismo animal, atuando no equilíbrio da microbiota intestinal. Já os prebióticos são considerados aqueles ingredientes não digestíveis que estimulam o crescimento e/ou a atividade de um limitado número de MO capazes de proporcionar um ambiente intestinal saudável ao hospedeiro (Gibson & Roberfroid, 1995). Carboidratos não digestíveis, como parede celular de plantas e leveduras, são classificados nesse grupo, pois são constituídos de complexo de glicomanonoproteínas, em particular de mananoligossacarídeos, capazes de ligarem-se à fímbria das bactérias e inibir a colonização no TGI. Podem também serem utilizados como nutrientes pelas bactérias. Alguns autores atribuem aumentos na retenção de alguns minerais e a mineraliação óssea a suplementação com prebióticos Bradley & Savage (1994) e Onifade et al. (1999). A combinação de probiótico e prebiótico é denominada de simbiótico e constitui um novo conceito na utilização de aditivos em dietas para aves. O presente experimento foi desenvolvido para avaliar o efeito da adição de parede celular de Saccharomyces cerevisiae (PSCS) como prebiótico, do Bacillus subtilis como probiótico e da associação de ambos (simbiótico) na dieta sobre o desempenho de frangos.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Animais

Foram utilizados 750 pintos de corte machos, linhagem Cobb-500â , com 1 dia de idade, distribuídos em boxes, recobertos com cama de cepilho de madeira, em galpão de alvenaria, seguindo normas tradicionais de manejo em avicultura de corte.

Dietas experimentais

De acordo com as fases, as rações foram isonutritivas (Tabela 1), à base de milho e farelo de soja, sendo fornecidas à vontade. As dietas foram isentas de antibióticos, com exceção do tratamento considerado controle positivo (T2) na qual foi utilizada uma combinação de Olaquindoxâ (inicial e crescimento 40 ppm e final 20ppm, respectivamente) e Nitrovinâ (inicial e crescimento 30ppm e final 20 ppm, respectivamente), durante todo o período experimental.

 

 

Tratamentos e delineamento experimental

O experimento foi constituído de cinco tratamentos sendo: T1-controle (dieta basal, sem aditivo); T2-controle-positivo (dieta basal suplementada com antibiótico: Olaquindoxâ e Nitrovinâ ); T3-prebiótico (dieta basal suplementada com 0,2% de PCSC (Pronadi 500â )); T4-probiótico (dieta basal suplementada com 300 ppm de Bacillus subtilis – 1010 células viáveis por 100g do produto (Calsporin-10â )); T5-simbiótico (dieta basal suplementada com 0,2% de PCSC e 300 ppm de Bacillus subtilis). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com cinco tratamentos e cinco repetições, com 30 aves cada.

Parâmetros zootécnicos

Aos 21, 40 e 45 dias de idade as aves e a sobra de ração foram pesados para avaliação do desempenho zootécnico. Para os resultados de desempenho foram analisados o consumo de ração (CR), o ganho de peso (GP) e a conversão alimentar (CA).

Determinação de cálcio (Ca) e fósforo (P)

Aos 40 dias de idade foram colhidas amostras de sangue (3 mL), da veia braquial, de duas aves por repetição (totalizando 10 aves por tratamento), com auxílio de seringas heparinizadas e esterilizadas. O sangue foi conservado em gelo e, posteriormente, centrifugado à 1000 g durante 10 minutos, para obtenção do plasma, no qual foram determinados os níveis de Ca e P sangüíneos. As leituras das análises foram realizadas através de um sistema de refletometria (Reflotron 90â , Mannhein Boehringer-Alemanha).

Rendimento de carcaça

Ao término do período experimental (45 dias de idade) foi avaliado o rendimento de carcaça. Após a pesagem, duas aves, escolhidas aleatoriamente por unidade experimental, foram submetidas a um jejum alimentar de seis horas, pesadas individualmente, identificadas e abatidas. Após sangradas e depenadas, as aves foram evisceradas e as carcaças (incluindo pés e cabeça) foram pesadas. Foram avaliados o rendimento (%) das carcaças inteiras (RC) e cortes nobres, peito (RP) e pernas (Rpe) que foi coxa + sobrecoxa.

Para determinação do RC, foi considerado o peso da carcaça limpa e eviscerada (com pés e cabeça) em relação ao peso vivo em jejum obtido antes do abate. Os RP e Rpe foram calculados em relação ao peso da carcaça eviscerada (com pés e cabeça).

Análise estatística

Os resultados foram submetidos à análise da variância (SAS, 1998), sendo a diferença entre as médias verificada pelo teste de Tukey.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de desempenho de 1 a 21 dias e 1 a 40 dias de idade estão apresentados nas Tabelas 2 e 3, respectivamente. Os diferentes tratamentos não influenciaram no consumo de ração (p = 0,102, de 1-21, e p = 0,129 de 1 a 40 dias) e no ganho de peso (p = 0,089 de 1 a 21 dias e p = 0,317 de 1 a 40 dias). Entretanto, foi observado que os tratamentos com prebiótico, probiótico e simbiótico apresentaram um ganho de peso (1 a 21 e 1 a 40 dias) numericamente superior ao tratamento que não continha qualquer tipo de aditivo (T1) e ao tratamento com suplementação de antibióticos. A conversão alimentar foi influenciada (p = 0,006 de 1 a 21 dias e p = 0,027 de 1 a 40 dias) pela utilização de aditivos. A melhor conversão alimentar foi observada em aves que receberam probiótico seguidas daquelas que receberam prebiótico, simbiótico e antibiótico, sendo que, as aves que não receberam qualquer tipo de aditivo apresentaram a pior conversão alimentar. Vargas et al. (2000) não observaram diferenças significativas entre aves submetidas a dietas sem antibióticos, com antibióticos, prebióticos, probióticos e a combinação de prebióticos e probióticos no período de 1 a 21 dias de idade e atribuíram esse resultado ao baixo desafio em que o experimento foi realizado. Santin et al. (2000) observaram diferenças significativas aos 21 e 42 dias de idade no desempenho de frangos de corte quando compararam dietas suplementadas com prebiótico (PCSC) e dietas não suplementadas, o que foi correlacionado com o aumento no tamanho de vilo da mucosa intestinal das aves suplementadas aos 7 dias de idade. Spring et al. (2000) sugeriram que os mananoligossacarídeos da parede celular de leveduras podem atuar bloqueando os sítios de ligação de bactérias patogênicas na mucosa intestinal, diminuindo assim os danos à mucosa e, conseqüentemente, o turnover dessas células, o que pode resultar em melhor utilização dos ingredientes da dieta.

 

 

 

 

Os diferentes tratamentos não influenciaram no consumo de ração e no ganho de peso dos animais de 41 a 45 dias de idade (p = 0,910 e p = 0,068). Entretanto, foi observado que as aves dos tratamentos com antibiótico e prebiótico apresentaram um ganho de peso numericamente superior àqueles dos demais tratamentos, principalmente o que não continha qualquer tipo de aditivo (T1). A conversão alimentar foi influenciada (p = 0,010) pela utilização de aditivos. As melhores conversões alimentares foram observadas em aves que receberam antibiótico ou prebiótico, seguidas daquelas que receberam probiótico e simbiótico. As aves que não receberam qualquer tipo de aditivo apresentaram a pior conversão alimentar. Esses resultados podem estar relacionados com o aumento do desafio na fase final de criação, pois a contaminação da cama nessa idade aumenta face à saturação da mesma. Assim, a utilização de antibióticos ou prebióticos pode atuar reduzindo a quantidade de bactérias patogênicas no lúmen.

Os consumos de ração durante o período total do experimento (1 a 45 dias) não sofreram influência significativa (p = 0,221) dos tratamentos estudados (Tabela 5), de forma similar aos períodos anteriores. Os ganhos de peso foram influenciados (p = 0,057) pelos diferentes aditivos sendo o melhor ganho de peso observado em aves que receberam o simbiótico, seguido daquelas que receberam antibiótico, prebiótico e probiótico. O pior ganho de peso foi observado nas aves que não receberam qualquer tipo de aditivo. A conversão alimentar no período de 1 a 45 dias de idade também foi influenciada (p = 0,001) pelo aditivo. As aves que não receberam suplementação de qualquer aditivo apresentaram pior conversão alimentar quando comparadas com as aves dos demais tratamentos. O mecanismo pelo qual a associação de prebióticos e probióticos (simbiótico) atua no organismo animal ainda não foi completamente elucidado. De acordo com Gibson & Roberfroid (1995), a combinação de probióticos e prebióticos, denominado simbiótico, pode ser benéfica ao hospedeiro por aumentar a colonização (probióticos) e a sobrevivência de bactérias no trato gastrintestinal, uma vez que os prebióticos estimulam o crescimento e aceleram o metabolismo de um limitado número de MO não patogênicos, melhorando a qualidade de vida do hospedeiro.

 

 

 

 

Os níveis plasmáticos de Ca e P não foram influenciados (p = 0,327 e p = 0,486 respectivamente) pelos diferentes aditivos aos 40 dias de idade, como demonstra a Tabela 6. Onifade et al. (1999) demonstraram que a utilização de PCSC afetou a utilização de cálcio em coelhos, aumentando a mineralização óssea. Bradley & Savage (1994) relataram que a suplementação de levedura em perus aumentou a retenção de minerais. Entretanto, o mecanismo de atuação da PCSC na absorção de minerais não foi elucidada pelos autores.

 

 

Os rendimentos de carcaça, peito e pernas não sofreram influência significativa dos aditivos estudados (p = 0,642 , p = 0,797 e p = 0,596, respectivamente) aos 45 dias de idade (Tabela 7).

 

 

CONCLUSÕES

A utilização de simbióticos (prebióticos + probióticos) na dieta de frangos é uma alternativa viável na avicultura de corte, pois não foram observadas diferenças significativas no desempenho das aves quando comparadas ao grupo tratado com antibióticos. Pelos resultados desse trabalho, é recomendada a utilização de 0,2 % de PCSC, associado ao B. subtilis (300 ppm, 1010 células viáveis por 100 g de produto).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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