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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versão impressa ISSN 1516-8034

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.15 no.2 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342010000200001 

Editorial

 

 

Profa. Dra. Fernanda Dreux M. Fernandes

 

 

A quantidade e a qualidade dos manuscritos enviados à Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia indicam o amadurecimento e a produtividade da nossa ciência. Essa realidade tem possibilitado a evidente evolução qualitativa do material publicado, o que, sem dúvida, contribuirá para a ampliação do impacto deste periódico.

Nesta edição, contamos com 17 Artigos Originais, três Relatos de Caso, dois Artigos de Revisão, um artigo Refletindo Sobre o Novo, uma Resenha e quatro Resumos.

O estudo de Lacerda, Figueiredo, Massarolo Neto e Marques tem o título Achados audiológicos e queixas relacionadas à audição dos motoristas de ônibus urbano e investigou 24 motoristas de uma cidade do interior do Paraná. Foi observado entalhe bilateral nas audiometrias de 83,3% dos casos, indicando, segundo os autores, a necessidade de ações preventivas voltadas a essa população.

A Relação entre os achados audiométricos e as queixas auditivas e extra-auditivas dos professores de uma academia de ginástica foi estudada por Andrade e Russo. As autoras investigaram os limiares tonais de 32 professores de ginástica e concluíram que 68,75% dos professores apresentaram queixas extra-auditivas e que já existe entalhe audiométrico em pelo menos uma orelha na metade dos professores participantes do estudo.

A Avaliação auditiva na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida foi realizada por Matas, Marcon, Silva e Gonçalves em estudo que investigou 56 indivíduos de ambos os generos, entre 18 e 58 anos de idade, portadores de HIV/AIDS. Os resultados indicaram que a perda auditiva neurosensorial foi a alteração mais frequentemente encontrara, quer nos sujeitos que estavam sendo submetidos a tratamento anti-retroviral quer nos que não estavam recebendo esse tratamento. O grupo exposto ao tratamento anti-retroviral apresentou mais alterações auditivas periféricas.

Griz, Barbosa, Silva, Ribeiro e Menezes apresentam a pesquisa Aspectos demográficos e socioeconômicos de mães atendidas em um programa de triagem auditiva neonatal que teve como objetivo descrever aspectos demográficos e socioeconômicos de mães de neonatos e lactentes atendidos no serviço de Triagem Auditiva Neonatal. Participaram dessa pesquisa 1.193 mães e as autoras concluem que a população estudada encontra-se em condições consideradas desfavoráveis para a saúde e o desenvolvimento infantil e que esses resultados servem de alerta para o desenvolvimento de ações de promoção da saúde.

As Emissões otoacústicas em lactentes expostos a infecção intra-útero foram estudadas por Silveira, Durante, Almeida, Taguchi e Greco em uma pesquisa com 40 bebês com idades entre 37 e 41 semanas. Os autores concluem que a exposição a infecções intra-útero podem atenuar o nível de resposta das emissões otoacústicas no período neonatal.

Oshima, Jacob, Amorim, Moret, Alvarenga, Bevilacqua e Lauris escrevem o artigo Early Listening Function (ELF): adaptação para a língua portuguesa, que teve como objetivo traduzir, adaptar culturalmente e avaliar a confiabilidade do teste. Após a tradução, o ELF foi aplicado, em ambiente silencioso e ruidoso, em 30 crianças entre zero e três anos de idade. Os autores mantiveram, na tradução para o Português, a sigla ELF.

Os Conhecimentos e práticas de professores de educação infantil sobre crianças com alterações auditivas foram estudados por Silva, Santos, Lemos, Carvalho e Perin que aplicaram entrevista estruturada com 45 professores de educação infantil da rede pública de ensino e concluíram que existe falta de experiência e de capacitação dos educadores para lidar com a criança com deficiência auditiva.

Cárnio, Csipai e Couto investigaram a Relação entre níveis de compreensão e estratégias de leitura utilizadas por surdos sinalizadores em um programa terapêutico com o objetivo de determinar as mudanças referentes às estratégias de aprendizagem nos níveis de compreensão de leitura durante um programa de intervenção fonoaudiológico direcionado aos surdos sinalizadores aplicado a cinco estudantes surdos com idades entre dez e 15 anos. As autoras concluíram que o programa de intervenção propiciou mais estratégias de elaboração e menos de monitoramento, ou seja, maior compreensão literal do texto.

A Atribuição de falsas crenças no desenvolvimento de linguagem de crianças com síndrome de Down foi estudada por Silva, Silva, Tamanaha e Perissinoto em um grupo de 11 crianças com Síndrome de Down e 85 crianças em desenvolvimento típico. As autoras concluíram que em todas as questões as crianças com desenvolvimento típico tiveram melhor desempenho, comparação ao grupo de crianças com síndrome de Down.

As noções de classificação e seriação na criança com síndrome de Down são o tema do estudo realizado por Limongi, Carvalho, Silva, Picchi e Andrade, em que 15 crianças com síndrome de Down com idades entre cinco e 13 anos foram investigadas, segundo sua idade mental, em atividades de classificação e seriação. Em sua conclusão as autoras chamam a atenção para o caráter evolutivo e cumulativo dessas noções e que as crianças investigadas seguiram a mesma ordem de aquisição que é frequentemente observada no desenvolvimento típico.

Aspectos motores corporais e orais em um grupo de crianças com transtorno/atraso fonológico é o título da pesquisa descrita por Souza, Pergher e Pagliarin da qual participaram 80 crianças de cinco a 11 anos de idade. As autoras afirmam que não foram observadas diferenças significativas entre crianças com atraso e crianças com transtorno fonológico, demonstrando homogeneidade entre os grupos.

O uso da estratégia de alongamento compensatório em diferentes gravidades do desvio fonológico é o estudo apresentado por Brasil, Melo, Mota, Dias, Mezzomo e Giacchini que investigou 20 crianças com transtorno fonológico com idades entre cinco e dez anos. Através da análise descritiva da distribuição dos sujeitos conforme a gravidade do quadro nas duas classificações, as autoras verificaram correspondência entre as classificações quantitativa e qualitativa no que diz respeito à gravidade do desvio fonológico.

Cordeiro, Cunha, Menezes, Ubrig-Zancanella e Nemr são as autoras do trabalho envolvendo a Discriminação entre vozes adaptadas, levemente soprosas e tensas: diferenças entre os dois primeiros harmônicos. Nessa pesquisa foi investigada a eficácia dos valores da diferença entre os dois primeiros harmônicos para diferenciar vozes adaptadas de vozes levemente soprosas ou tensas. Os resultados levaram à conclusão de que a medida estudada não é eficaz para diferenciar vozes adaptadas daquelas levemente soprosas e tensas, em emissões da vogal "é" prolongada.

Côrtes e Côrtes-Gama investigaram a Análise visual de parâmetros espectrográficos pré e pós-fonoterapia para disfonias através da analise dos espectrogramas pré-e pós-terapia fonoaudiológica de 67 pacientes feita por quatro fonoaudiólogos. Embora não tenham sido observadas mudanças significativas nos parâmetros avaliados, as autoras sugerem que a espectrografia acústica deve ser complementar à avaliação perceptivo-auditiva do processo terapêutico e fazer parte de um protocolo multidimensional.

Lanziani, Yamashita, Fukushiro e Trindade pesquisaram a Correlação entre fechamento velofaríngeo e dimensões nasofaríngeas após cirurgia de retalho faríngeo avaliados por meio da técnica fluxo-pressão. Os sujeitos foram 62 pacientes com fissura de palato e lábio submetidos a cirurgia há pelo menos 12 meses e os autores concluem que a maioria dos pacientes com retalho largo apresentou fechamento velofaríngeo adequado durante a fala, mas chamam a atenção para o fato de que as dimensões dos orifícios velofaríngeos durante a respiração de repouso não podem predizer a eficácia do retalho faríngeo para a fala.

Roque, Santana e Chiari apresentam estudo a respeito da Descrição da dinâmica de alimentação de idosas institucionalizadas. Que observou 30 idosas, com media etária de 83,7 anos, residentes em uma instituição de longa permanência. As autoras relatam a observação freqüente de fatores ambientais, cognitivos e comportamentais relacionados à alimentação, que podem representar risco à deglutição para essas idosas. Foram também identificadas alterações específicas de deglutição, cujo gerenciamento é fundamental para a preservação de seus níveis de saúde.

Perfil fonoaudiológico da comunidade do Dendê: perspectiva para ações futuras é o título da pesquisa apresentada por Antunes, que teve como objetivo caracterizar os aspectos de linguagem oral e escrita, voz, audição e motricidade orofacial a partir das queixas apresentadas por 335 famílias (num total de 1704 sujeitos) da comunidade do Dendê. Verificou-se que as alterações fonoaudiológicas mais frequentes estavam relacionadas à presença de hábitos orais deletérios, seguidas por aspectos da linguagem oral e escrita. Conclui-se que o diagnóstico situacional favorece a determinação de políticas publicas de saúde e educação para a saúde.

O primeiro Relato de Caso discute a Escolha dos sons-alvo para terapia: análise com enfoque em traços distintivos e é apresentado por Ceron, Keske-Soares e Gonçalves. É apresentado o relato de uma proposta de terapia de Oposições Múltiplas aplicada a cinco crianças com desvio fonológico. Conclui-se que o modelo utilizado proporcionou a aquisição de fonemas.

Outro artigo de Relato de Caso, apresentado por Nascimento, Cassiani e Dantas discute a Disfagia em pacientes com doença de Chagas e divertículo de Zenker a partir dos casos de dois pacientes de 64 anos que apresentavam a associação entre divertículo de Zenker e esofagopatia provocada por doença de Chagas. Os dois pacientes tinham alterações do exame clínico da deglutição, evidenciadas por dificuldade de ingestão de líquidos e pastosos. As autoras chamam a atenção para a necessidade de mais estudos a respeito dessa condição em que há associação entre disfagia orofaríngea e esofágica.

O terceiro Relato de Caso, com o título Considerações sobre modificações vocais e laríngeas ocasionadas pelo som basal em mulheres sem queixa vocal é apresentado por Brum, Cielo, Finger e Manfrin que estudaram cinco mulheres sem alterações vocais ou laríngeas. Os autores concluem que o som basal promoveu efeito positivo sobre a vibração da mucosa das pregas vocais e sobre o ruído da voz, e efeito negativo sobre a ressonância e a estabilidade da voz.

Voz do professor: uma revisão de 15 anos de contribuição fonoaudiológica é o título do artigo de revisão apresentado por Dragone, Ferreira, Giannini, Simões-Zenari, Vieira e Behlau. Neste trabalho as autoras fizeram uma revisão das publicações nacionais a respeito da voz do professor no período entre 1994 e 2008, num total de 500 publicações revisadas. Segundo as autoras, esse trabalho confirma a noção de que a avaliação vocal dos professores tem sido o tema mais frequante e que a avaliação dos efeitos da intervenção são mais freqüentes e inda pouco representativas.

Gândara e Befi-Lopes realizaram uma revisão da literatura a respeito de Tendências da aquisição lexical em crianças em desenvolvimento normal e crianças com Alterações Específicas no Desenvolvimento da Linguagem em que descrevem as semelhanças e diferenças observadas em crianças em desenvolvimento normal e em crianças com alterações específicas de linguagem segundo dados da literatura atual.

Befi-Lopes e Cáceres, no artigo Refletindo sobre o Novo, comentam o artigo Language profiles in Autism Spectrum Disorders (ASD), Specific Language Impairment (SLI) and Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), publicado em 2008 e que aborda uma interface diagnóstica que merece a atenção dos fonoaudiólogos, a que diz respeito à distinção entre quadros do espectro autístico, distúrbios específicos de linguagem e transtornos de hiperatividade e déficit de atenção.

A Resenha a respeito do artigo Correlação entre comprimento de prega vocal e classificação da voz de cantores: um estudo de medidas morfológicas por meio de raios X, publicado em 2009, foi elaborada por Mello e Andrada e Silva e refere-se a um importante elemento para a classificação vocal.

Dentre os Resumos, dois deles referem-se a dissertações e dois a teses. Márcia Regina dos Reis apresenta o resumo de sua dissertação, com o título Condições de letramento de professores das séries iniciais defendida no programa de mestrado em Distúrbios da Comunicação na Universidade Tuiutí do Paraná.

Victor Gandra Quintas apresenta o resumo de sua dissertação de mestrado apresentada no programa de mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de Santa Maria, intitulada, A relação das habilidades do processamento auditivo com a consciência fonológica e com o desenvolvimento da fala.

A constituição da representação pela criança com síndrome de Down é o título da tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da Faculdade de Medicina da USP cujo resumo é apresentado por Fabíola Custódio Flabiano.

O resumo de outra tese de doutorado, defendido por Marina Leite Puglisi no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da Faculdade de Medicina da USP com o título Compreensão de sentenças em crianças com desenvolvimento normal de linguagem e com distúrbio específico de linguagem é apresentado a seguir.

Andrade e Ferreira assinam a Carta ao Editor com o tema Análise da produção científica da Fonoaudiologia: experiência no CNPq no período de 2007-2010 em que fazem uma interessante análise da produção científica da área no período em que foram representantes da Fonoaudiologia no Comitê de Assessoramento Multidisciplinar da Saúde: Educação Física, Fisioterapia/Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia no CNPq. Considero uma honra que tão conceituados representantes de nossa área tenham escolhido este periódico para apresentarem esse panorama à Comunidade Fonoaudiológica.

Mais uma vez, temos um panorama instigante e inovador na nossa ciência. A construção de uma Fonoaudiologia baseada em evidências depende de uma produção científica consistente e divulgada com seriedade, para que os resultados da pesquisa fundamentem a pratica profissional. Mais uma vez, a Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia cumpriu seu papel possibilitando o acesso de todos os fonoaudiólogos às mais recentes pesquisas de cada uma das áreas, avaliadas e divulgadas com rigor e sistematicidade.

O Editorial Convidado, escrito por Jacy Perissinoto e Letícia Mansur relata os preparativos para o Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, seguramente mais uma experiência de sucesso e mais uma oportunidade para festejar a Fonoaudiologia Brasileira.

Nos encontramos em Curitiba!