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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versão On-line ISSN 1982-0232

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.16 no.2 São Paulo abr./jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011000200013 

ARTIGO ORIGINAL

 

Eficácia do programa de remediação metafonológica e de leitura para escolares com dificuldades de aprendizagem

 

 

Simone Aparecida CapelliniI; Adriana Marques de OliveiraII; Fábio Henrique PinheiroIII

IDepartamento de Fonoaudiologia e Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil
IIPrograma de Pós-Graduação (Mestrado) em Educação da Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil
IIIPrograma de Pós-Graduação (Doutorado) em Educação da Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Verificar a eficácia do programa de remediação metafonológica e leitura, elaborado em versão computadorizada para escolares com dificuldades de aprendizagem.
MÉTODOS: Participaram deste estudo 600 escolares de 2ª a 4ª série do ensino público fundamental, distribuídos em dois grupos: Grupo I (GI) e Grupo II (GII). O GI, composto por 300 escolares com dificuldades de aprendizagem, foi subdividido em GIc: 150 escolares que não foram submetidos ao programa de remediação metafonológica e de leitura; e GIe: 150 escolares do GI submetidos ao programa de remediação. O Grupo II (GII), composto por 300 escolares com bom desempenho escolar, foi subdividido em GIIc: 150 escolares que não foram submetidos ao programa de remediação; e GIIe: 150 escolares submetidos ao programa de remediação. Foi elaborado um programa computadorizado de remediação metafonológica e de leitura em versão avaliativa e interventiva. O programa foi composto por três fases: pré-avaliação, intervenção e após-avaliação.
RESULTADOS: Houve diferença entre a situação de pré e após avaliação para os escolares do GIe em todos as provas da versão avaliativa e em todas as habilidades trabalhadas na remediação e para o GIIe nas provas de reconhecimento de som, segmentação e manipulação fonêmica.
CONCLUSÃO: Os achados deste estudo evidenciam que a eficácia do programa de remediação metafonológica e de leitura elaborado para este estudo, pois os escolares com dificuldades de aprendizagem submetidos ao programa desenvolveram habilidades metafonológicas necessárias para o desenvolvimento da leitura.

Descritores: Aprendizagem; Avaliação/métodos; Leitura; Transtornos de aprendizagem; Compreensão; Instrução por computador


 

 

INTRODUÇÃO

Para que desenvolva suas capacidades metafonológicas, ou seja, para que passe a refletir sobre sua linguagem e adquira habilidade de pensar a própria língua, a criança deve desenvolver em paralelo a aspectos da linguagem (níveis fonológico, morfológico e sintático) a capacidade metafonológica, em seu nível fonológico. Passa, assim, a refletir sobre o sistema sonoro da língua, e adquire consciência de frases, palavras, sílabas e fonemas como unidades menores(1-4).

Estudos demonstram que as habilidades de processamento fonológico estão relacionadas com a aquisição da leitura(5,6); porque o processo fonológico é dividido, em: consciência fonológica, relacionada à consciência da estrutura sonora da fala; nomeação rápida, referente à velocidade de nomeação de objetos, letras ou cores, refletindo, assim, na habilidade de decodificar e ler palavras; e a memória fonológica, relacionada à capacidade de codificação ou impressão de informação fonológica temporária, antes de armazená-la na memória de longo-prazo(7).

Assim, a instrução direta da consciência fonológica combinada à instrução da correspondência grafema-fonema auxilia na aquisição do princípio alfabético e o desenvolvimento adequado das habilidades metafonológicas, favorecendo a aquisição da leitura(2,3,8,9).

Em geral, os estudantes que falham na aquisição do princípio alfabético falham também no desenvolvimento de habilidades iniciais de leitura de palavras; ou seja, os escolares com dificuldade de leitura apresentam dificuldade em tarefas metafonológicas. Tal fato sustenta a ideia de que esses escolares apresentam um déficit fonológico central, e, conforme progridem na seriação escolar, passam a manifestar problemas com a fluência e compreensão da leitura(10,11).

Em outras palavras, os escolares que apresentam dificuldade de leitura nas séries iniciais de alfabetização, e que permanecem sem a instrução para a aprendizagem do princípio alfabético, persistirão com as mesmas dificuldades ao longo de sua vida acadêmica. No decorrer dos anos, essas dificuldades se acentuam, e há um aumento da diferença de desempenho entres os escolares com dificuldades de leitura e seu grupo-classe(12,13).

Não existe consenso sobre a definição de dificuldade de aprendizagem, nem sobre como, por quê ou quando se manifesta. Dificuldades de aprendizagem caracterizam-se por um grupo heterogêneo de manifestações que ocasiona baixo rendimento acadêmico nas tarefas de leitura, de escrita e cálculo-matemático. Podem ser categorizadas como transitórias e ocorrer em qualquer momento no processo de ensino-aprendizagem(14,15).

Assim, há a preocupação com a minimização do impacto e superação dessas dificuldades no decorrer dos anos. Nessa direção estão os estudos sobre programas de intervenção que atuem sobre a base metafonológica dessas dificuldades(16-18).

A partir do exposto, este estudo tem como objetivo verificar a eficácia do programa de remediação metafonológica e de leitura, elaborado em versão computadorizada, em escolares com dificuldades de aprendizagem.

 

MÉTODOS

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", processo número 3326/2006.

Todos os pais e responsáveis foram informados sobre os procedimentos de coleta de dados e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Participaram deste estudo 600 escolares da 2ª à 4ª série do ensino fundamental de cinco escolas da rede municipal de três municípios do interior do Estado de São Paulo (SP), de ambos os gêneros, na faixa etária de 8 a 12 anos de idade, distribuídos nos seguintes grupos:

- Grupo I (GI): composto por 300 escolares da 2ª à 4ª série do ensino fundamental com dificuldades de aprendizagem, subdivididos em Grupo Ic (GIc): composto por 150 escolares com dificuldades de aprendizagem, que não foram submetidos ao programa de remediação metafonológica e de leitura; e Grupo Ie (GIe): composto por 150 escolares com dificuldades de aprendizagem, que foram submetidos ao programa de remediação metafonológica e de leitura.

- Grupo II (GII): composto por 300 escolares da 2ª à 4ª série do ensino fundamental com bom desempenho escolar, subdivididos em Grupo IIc (GIIc): composto por 150 escolares com bom desempenho escolar, que não foram submetidos ao programa de remediação metafonológica e de leitura; e Grupo IIe (GIIe): composto por 150 escolares com bom desempenho escolar, que foram submetidos ao programa de remediação metafonológica e de leitura.

A indicação dos escolares com e sem dificuldades de aprendizagem foi realizada pelos professores das cinco escolas públicas municipais em que o estudo foi realizado, a partir do relatório de desempenho dos escolares. Os escolares não apresentavam quaisquer alterações cognitivas, auditivas ou visuais descritas em prontuário escolar.

O procedimento utilizado para a avaliação em situação de pré-testagem foi o Programa de Remediação Metafonológica e Leitura na versão computadorizada(19). Esse programa foi composto por uma sessão de avaliação de aproximadamente 30 minutos, realizada individualmente. A resposta a essas atividades foi fornecida por meio da utilização do mouse pelo escolar, que deveria indicar, com o cursor, a resposta correta, na tela do computador. As respostas foram registradas por acertos.

A avaliação foi composta pelas seguintes atividades, aplicadas na mesma ordem para todos os escolares: leitura de palavras e não palavras: foram apresentadas 21 figuras para que o escolar identificasse, entre 42 palavras apresentadas, as palavras correspondentes às figuras; leitura de pseudopalavras: foram apresentadas 12 palavras reais e 12 pseudopalavras para que o escolar identificasse, entre os 24 estímulos, as pseudopalavras; identificação de rima: foram apresentadas 40 figuras para que o escolar identificasse quando os nomes das figuras apresentavam rima; identificação de aliteração: foram apresentadas 40 figuras para que o escolar identificasse a aliteração; discriminação de sons: foram apresentadas 40 figuras para que o escolar identificasse se estas começavam com o mesmo som; segmentação silábica: foram apresentadas dez figuras seguidas de números e os escolares deviam indicar o número correspondente à quantidade de sílabas da palavra apresentada; segmentação fonêmica: foram apresentadas dez figuras seguidas de números, e os escolares deviam indicar o número correspondente à quantidade de sons da palavra apresentada; manipulação silábica: foram apresentadas figuras para união da primeira sílaba da primeira figura com a última sílaba da segunda figura, formando uma nova palavra; e manipulação fonêmica: foram apresentadas figuras para que o escolar unisse o primeiro som da primeira figura com o último som da segunda figura.

Na intervenção foi utilizado o Programa de Remediação Metafonológica e de Leitura na versão computadorizada(19), composto por seis sessões de remediação por escolar, na mesma ordem de apresentação, realizadas duas vezes por semana com aproximadamente 50 minutos de duração. Em cada sessão foi apresentada a seguinte sequência:

Apresentação de sequência do alfabeto para a criança identificar o nome e o som da letra; leitura oral de palavras e pseudopalavras apresentadas na tela do computador; apresentação de grafemas/fonemas (relação grafofonêmica independente do contexto) para seleção de figuras que apresentassem o grafema/fonema alvo em posição inicial, medial e final; apresentação de sílabas para seleção de figuras que apresentassem a sílaba alvo em posição inicial, medial e final; apresentação de dois estímulos gráficos, uma palavra real e uma pseudopalavra dissílaba e trissílaba, para que os escolares formassem, a partir dos segmentos silábicos e fonêmicos, novas palavras reais dissílabas e trissílabas; apresentação de figura, para identificação daquelas que começassem com o mesmo som (aliteração) e terminassem com o mesmo som (rima); e apresentação de dez palavras a cada sessão para os escolares, a fim de verificar o número de acertos (exatidão de leitura). Foram apresentadas cinco palavras e cinco pseudopalavras diferentes em cada sessão.

O programa foi realizado na sala de informática da escola, contendo 20 computadores, com kit multimídia embutido e caixas de som, nas quais, eram emitidos os sons e palavras trabalhadas. Esse processo ocorria por meio da utilização do mouse e a ativação dos arquivos sonoros por meio do clique na tela do computador. Na sala de informática, além do pesquisador, profissional responsável pelo monitoramento da realização das atividades e indicação das tarefas que deveriam ser desenvolvidas, também havia professores e estagiários das áreas de Pedagogia e Fonoaudiologia. Depois da explicação de cada atividade, os escolares contavam com uma única chance na realização das atividades de cada item trabalhado, sendo sua resposta correta reforçada positivamente pela emissão de sons de palmas.

Os estímulos (figuras, palavras e pseudopalavras) utilizados para a elaboração do programa em sua versão avaliativa e interventiva deste estudo derivaram do banco de palavras elaborado a partir dos livros de Língua Portuguesa utilizados na Rede Pública de Ensino do Município.

A avaliação após a testagem consistiu na reaplicação do programa computadorizado de remediação metafonológica e de leitura, na versão avaliativa.

A análise dos resultados foi realizada com a aplicação do Teste de Friedman, com o intuito de verificar possíveis diferenças entre as variáveis componentes de cada estratégia de remediação, para cada grupo, e o Teste dos Postos Sinalizados de Wilcoxon com o objetivo de verificar possíveis diferenças entre grupos considerados em situação de pré e após avaliação. Os resultados foram analisados estatisticamente pelo programa SPSS (Statistical Package for Social Sciences), em sua versão 13.0, com nível de significância de 5% (0,050) para a aplicação dos testes estatísticos.

 

RESULTADOS

Quando comparadas as médias dos escolares do GIc e GIe em situação de pré e após avaliação, observou-se que não ocorreu diferença entre os resultados pré e após avaliação do GIc. Esse resultado indica que não houve diferença no desempenho destes escolares, enquanto que no GIe ocorreu diferença em todos as provas, o que revela que após a aplicação do programa na versão interventiva, os escolares melhoraram o desempenho nas provas de avaliação, evidenciando a eficácia terapêutica do programa (Tabela 1).

Quando comparadas as médias dos escolares do GIIc e GIIe em situação de pré e após avaliação, observou-se que não ocorreu diferença entre os resultados pré e após avaliação do GIIc e, portanto, não houve diferença no desempenho destes escolares. No GIIe ocorreu diferença apenas nas provas de segmentação e manipulação fonêmica, o que revela que após a aplicação do programa na versão interventiva, os escolares melhoram o desempenho nessas provas de avaliação. Evidencia-se assim a eficácia terapêutica do programa para essas habilidades (Tabela 2).

Os resultados da comparação da média, desvio padrão e mediana de acertos dos escolares do GIe e GIIe ao longo das seis sessões do programa de remediação podem ser observados nas Tabelas de 3 a 5.

 

 

 

 

 

 

Quando aplicado o Teste Friedman, observou-se que ocorreu diferença em todas as habilidades trabalhadas em situação terapêutica com GIe. Entre a primeira e a última sessão houve melhora no desempenho dos escolares. Observou-se que ocorreu diferença positiva somente na habilidade de reconhecimento de sons das letras do alfabeto, o que foi interpretado como melhora no desempenho dos escolares do GIIe em relação a esta habilidade.

 

DISCUSSÃO

Neste estudo ficou evidenciada a diferença de desempenho dos escolares do GI e GII em relação à habilidade de leitura e habilidades metafonológicas. Esse resultado corrobora os achados da literatura que evidenciam que estudantes com dificuldade de aprendizagem apresentam defasagem em relação aos seus pares em habilidades de leitura(20,21).

O desempenho inferior do GI em relação às habilidades de consciência fonológica e leitura de palavras e pseudopalavras confirma a literatura(21,22), que descreve resultados inferiores em consciência fonológica em escolares com dificuldade de aprendizagem.

Os resultados obtidos pelos escolares do GIe, que apresentaram desempenho inferior nas provas de discriminação de sons, leitura de palavras e pseudopalavras, segmentação e manipulação de sons e sílabas e também nas habilidades de consciência fonológica (rima e aliteração), se comparadas as situações pré e após avaliação, vêm ao encontro da literatura(23,24). Para esses autores os escolares com dificuldade de leitura exibem déficits na percepção do fonema e nas habilidades de ordenação temporal de julgamento, identificação e discriminação.

As dificuldades em relação ao reconhecimento de um padrão de letras na palavra como uma unidade, verificadas no desempenho inferior de GI, corroboram estudos nacionais e internacionais(25,26). Esses estudos apontam a presença de alteração na memória e na percepção auditiva em crianças com dificuldade de aprendizagem, o que prejudicaria a manutenção de uma leitura fluente. A literatura indica que programas de intervenção de base fonológica são eficientes para atingir maior da exatidão da leitura(9) e isso pode ser verificado no desempenho em leitura do grupo GIe, que apresentou melhora nesta habilidade após ser submetido ao programa de remediação, enquanto o GIc não apresentou o mesmo resultado.

O desempenho superior dos grupos experimentais nas habilidades metafonológicas e de leitura de palavra e pseudopalavras corrobora a literatura.(8) Habilidades auditivas, visuais e de memória estão implicadas na aquisição das habilidades de leitura, e são habilidades necessárias para a aprendizagem do sistema de escrita do Português Brasileiro.

Dessa forma, verificou-se que a decodificação mais eficiente, tanto de palavras quanto de pseudopalavras, alivia a carga cognitiva, permitindo que mais atenção seja direcionada à leitura(27).

Neste estudo, os escolares com dificuldade de leitura (GI) apresentaram diferença na situação pré e após-avaliação, entre os escores obtidos para nomeação automática rápida de figuras e nomeação automática rápida de dígitos, o que foi interpretado como melhora na memória de trabalho após o programa de intervenção. Esse resultado tem um reflexo direto na habilidade de leitura devido à relação existente entre o seu desenvolvimento e o desenvolvimento da memória de trabalho, na qual irá ocorrer o estabelecimento e a manipulação das representações fonológicas(28).

Os escolares com dificuldades de aprendizagem apresentaram melhoras em todas as habilidades avaliadas, corroborando os resultados de autores(29,30), que encontraram diferença antes e após a avaliação, nas provas de acesso à consciência fonológica, após a aplicação de um programa de estimulação fonoaudiológica que incluía atividades de consciência fonológica e habilidades metalinguísticas. Esses resultados vêm ao encontro da literatura que aponta a efetividade de programas de intervenção que utilizam estratégias de consciência fonológica e leitura(16-18).

Além disso, o estudo demonstrou que ambos os grupos experimentais se beneficiaram do programa, e que o aprendizado da relação letra-som por parte dos escolares sem dificuldades favoreceu o desenvolvimento de habilidades de segmentação e manipulação fonêmica. Reforça-se assim, a necessidade da instrução da correspondência grafofonêmica característica do sistema de escrita do Português Brasileiro.

Neste estudo, observou-se que os escolares do GIe submetidos à remediação apresentaram resposta à intervenção realizada, ou seja, o programa foi eficaz pois proporcionou a aquisição de habilidades necessárias para a alfabetização; sendo assim, os professores necessitam ser orientados por fonoaudiólogos quanto à necessidade de enfocar as habilidades metafonológicas e de leitura em séries iniciais de alfabetização para favorecer a aprendizagem do princípio alfabético do Português Brasileiro, independentemente da metodologia de alfabetização utilizada em sala de aula(8).

Uma limitação do estudo é o programa computadorizado não fornecer o registro dos acertos em forma de relatório. Entretanto, essa limitação está prestes a ser superada, para uso em pesquisas posteriores.

 

CONCLUSÃO

Os achados deste estudo permitem concluir que o programa de remediação metafonológica e de leitura, em versão computadorizada, elaborado para este estudo, foi eficaz, pois tanto os escolares com e sem dificuldades de aprendizagem submetidos ao programa apresentaram desempenho superior em situação após avaliação, se comparada à situação pré avaliação.

Os escolares com dificuldades de aprendizagem, submetidos ao programa de remediação apresentaram desempenho superior em situação após avaliação, se comparado à pré avaliação nas habilidades de discriminação de sons, leitura de palavras e pseudopalavras, segmentação e manipulação de sons e sílabas e também nas habilidades de consciência fonológica (rima e aliteração), enquanto que os escolares sem dificuldades de aprendizagem apresentaram desempenho superior nas habilidades de segmentação e manipulação fonêmica, evidenciando a necessidade do uso das habilidades metafonológicas associadas à leitura para a aquisição do princípio alfabético do sistema de escrita do Português Brasileiro.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo apoio concedido para realização dessa pesquisa por meio do Edital MCT/CNPq 02/2006 - Universal, processo nº 474871/2006-1.

 

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Endereço para correspondência:
Simone Aparecida Capellini.
Av. Hygino Muzzi Filho, 737, Campus Universitário,
Marília (SP), Brasil,
CEP:17525-900.
E-mail: sacap@uol.com.br

Recebido em: 31/3/2010;
Aceito em: 5/9/2010

 

 

Trabalho realizado no Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil

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