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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versión impresa ISSN 1516-8034

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.17 no.1 São Paulo enero/mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000100016 

ARTIGO ORIGINAL

 

Validação do Questionário de Performance Vocal no Brasil

 

 

Bruna Rabelo PaulinelliI; Ana Cristina Côrtes GamaII; Mara BehlauI

ICentro de Estudos da Voz – CEV – São Paulo (SP), Brasil
IIDepartamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – Belo Horizonte (MG), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Realizar a validação do Vocal Performance Questionnaire para o Português Brasileiro.
MÉTODOS:
Foram seguidos os passos do Scientific Advisory Committee of the Medical Outcomes Trust – SAC. Primeiramente foram analisados os aspectos de modelo conceitual e de medida, confiabilidade, validade, sensibilidade, interpretabilidade e demanda de administração e resposta. O questionário foi traduzido e também retrotraduzido por duas fonoaudiólogas fluentes na língua. As versões foram comparadas e a versão em Português do questionárion foi gerada, recebendo o nome Questionário de Performance Vocal – QPV. O questionário foi aplicado em 325 indivíduos, 160 com queixa vocal e 165 indivíduos sem queixa vocal, com distribuição semelhante de gênero e idade. Posteriormente, os escores dos dois grupos foram comparados e o questionário foi reaplicado em 39 participantes disfônicos, para avaliação da confiabilidade e reprodutibilidade do questionário. O intervalo de confiança considerado foi 95%.
RESULTADOS: Todas as 12 questões foram mantidas e o questionário apresentou medidas psicométricas confiáveis de validade, confiabilidade e reprodutibilidade e sensibilidade.
CONCLUSÃO: A versão brasileira chamada Questionário de Performance Vocal – QPV, é um protocolo confiável, válido, sensível a mudanças, de fácil aplicação e cálculo de resultados, podendo ser um instrumento importante para compor a avaliação fonoaudiológica do indivíduo disfônico.

Descritores: Voz; Qualidade de vida; Estudos de validação; Autoavaliação; Questionários; Brasil


 

 

INTRODUÇÃO

A literatura sobre qualidade de vida relacionada à saúde evoluiu muito(1) na direção de uma percepção de saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas como ausência de doença(2).

A qualidade de vida é definida como "a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações"(3,4). É uma medida que leva em conta muitos aspectos individuais (sentimentos, circunstâncias)(5). Portanto, qualidade de vida leva em conta a autoavaliação do indivíduo quanto aos sintomas de determinada doença, experiências vividas, dentre outros. Já saúde refere-se a um estado dinâmico de bem-estar físico e ausência de doença(6).

A utilização destes conceitos, portanto, pode contribuir para a melhoria da qualidade e da integralidade da assistência à saúde(7), além de poder auxiliar na tomada de decisões quanto ao tratamento(8).

É importante que os profissionais de saúde considerem o impacto do tratamento na qualidade de vida dos pacientes. Principalmente se o objetivo deste é fazer o paciente se sentir melhor em todos os aspectos de sua vida que estão sendo afetados pelo problema(9). Portanto, tem sido observado um crescimento na utilização de medidas de qualidade de vida nas práticas desenvolvidas nos serviços de saúde.

Para medir a qualidade de vida relacionada à saúde nas diversas enfermidades, uma tendência tem sido a construção e/ou adaptação de questionários(10). Estas ferramentas podem ser genéricas, como o SF-36, ou específicas, como para algumas doenças crônicas – câncer de cabeça e pescoço, pulmão, doença do refluxo laringofaríngeo, dentre outras(11-13) ou para as disfonias(9). Além de doença-específicos, existe uma preocupação que eles sejam específicos também para os diferentes tipos de população, como por exemplo idosos e crianças(14).

Tais instrumentos oferecem a melhor informação sobre o resultado de um tratamento, pois têm elevada validade e a melhor confiabilidade, com boa sensibilidade à mudança e excelente utilidade(15).

Protocolos desenvolvidos em uma cultura valem somente para aquela configuração específica e, a fim de serem utilizados em situações diferentes, devem ser adequadamente validados. O objetivo de uma validação é que o instrumento traduzido seja comparável ao original, portanto, as regras enfatizam a equivalência linguística, conceitual e psicométrica(1), as medidas de confiabilidade, sensibilidade, dentre outras(6). Um instrumento é considerado válido quando ele está medindo o que teoricamente deveria medir(8). Eles devem ter a confiabilidade, validade e sensibilidade conhecidas, a fim de provarem ser clinicamente úteis e produzirem uma avaliação confiável sobre o resultado do tratamento. A confiabilidade refere-se à consistência interna e estabilidade da ferramenta, livre de erro casual ou variação indesejada(15).

Com relação aos problemas de voz, existem diversos instrumentos para medir o impacto desta na qualidade de vida dos pacientes, já validados para o português brasileiro(14), tais como o Voice-Related Quality of Life (V-RQOL)(16) – Protocolo de Qualidade de Vida em Voz – QVV(17), Voice Activity and Participation Profile (VAPP)(18) – Perfil de Participação e Atividades Vocais – PPAV(19), Voice Handicap Index (VHI)(20) – Índice de Desvantagem Vocal – IDV(21). Todos medem o impacto da disfonia em diversos aspectos da vida relacionados à comunicação oral; no entanto cada um tem sua especificidades e a escolha do seu uso é uma prerrogativa do clínico. O QVV é mais curto e mais rápido; o PPAV mapeia áreas de maior impacto da disfonia; o IDV está focalizado no conceito de desvantagem e tem sido mais empregado para a verificação de resultado de tratamento(14).

Recentemente, o autor do Vocal Performance Questionnaire, juntamente com outros autores fez uma revisão de literatura sobre a importância deste na rotina clínica, assim como para analisar o impacto de fonocirurgias, tratamentos farmacológicos e abordagens combinadas(15). A literatura mostra uma excelente confiabilidade e consistência interna do protocolo (0,81 a 0,95), com elevada reprodutibilidade (0,75). A validade também foi elevada e os autores ressaltam que se o paciente não se mostra satisfeito com o tratamento, não se pode considerar que houve sucesso, apesar de melhoras atestadas por análise auditiva e acústica. Quanto à sensibilidade à mudança, os índices foram altos tanto com a terapia de voz (1,04), como com a cirurgia (0,82). Além disso, a utilidade do QPV é excelente, pelo fato de ser curto, conveniente e apresentar alta consistência interna e unidimensional para medir o grau de desvio vocal(15).

Quando se comparou o QPV com o IDV-10, o protocolo mais utilizado internacionalmente, foi verificado que a confiabilidade, a consistência interna, a validade e a utilidade são bastante similares; a reprodutibilidade do IDV-10 é um pouco maior; a sensibilidade à mudanças do QPV(1,04) é bem maior que a do IDV-10 (0,62). Este valor maior que 1 do QPV foi surpreendente, já que ele apresenta somente 12 questões(15).

Desta forma, o objetivo do estudo foi realizar a validação do Vocal Performance Questionnaire para o Português Brasileiro.

 

MÉTODOS

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Estudos da Voz (CEV), sob o número 0416/08 e os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O Vocal Performance Questionnaire (VPQ) é um protocolo para uma autoavaliação do paciente, derivado da prática clínica(15), como os anteriores listados, com apenas 12 questões e cinco alternativas de respostas, que inclui diversos aspectos do rendimento vocal, como as características do som da voz, desconforto físico ou esforço ao falar, fadiga e piora da voz com o uso, limitação de atividades pelo problema de voz, impacto negativo da voz na inteligibilidade da mensagem, comentários dos outros e preocupação em relação ao problema(22). O cálculo e a interpretação dos resultados desse protocolo são bastante simples e de fácil compreensão pelo paciente.

Para a validação do questionário foram seguidos os principais passos do SAC – Scientific Advisory Committee of the Medical Outcomes Trust(23). O processo de validação do instrumento foi realizado nas seis etapas descritas a seguir:

1. Tradução e adaptação linguistica e cultural: para esta etapa, o questionário original foi traduzido por duas fonoaudiólogas fluentes na língua inglesa, sendo uma delas professora de inglês. Logo após, a retrotradução foi realizada por uma professora de inglês, não fonoaudióloga, que não participou da etapa anterior e não tinha conhecimento do instrumento original. Em seguida, ambas as versões foram comparadas e as discrepâncias foram analisadas por um grupo de cinco especialistas em voz, também fluentes no inglês, que realizaram mudanças por consenso e chegaram ao questionário final, chamado de Questionário de Performance Vocal (QPV).

2. Avaliação da equivalência cultural: o questionário final foi aplicado a um grupo de 17 indivíduos com queixa de voz com a opção "não aplicavel" para a identificação de questões não compreendidas ou não apropriadas. Nenhuma das questões se mostrou inválida. A versão final deste protocolo está no Anexo 1.

3. Aplicação do protocolo: o questionário final foi então administrado a 325 indivíduos brasileiros, voluntários e de nível sócio-cultural variáveis: 160 com queixa vocal, chamado de grupo disfonia, sendo 19 do gênero masculino e 141 do gênero feminino, com média de idade de 41 anos (13-80 anos), todos sem história de terapia fonoaudiológica; e 165 indivíduos sem queixa vocal, chamado grupo controle, sendo 31 do gênero masculino e 134 do gênero feminino, com média de idade 33 anos (19-79 anos). Os dois grupos foram semelhantes quanto ao gênero e idade. Nenhum dos indivíduos apresentou outras queixas de distúrbios da comunicação humana, somente alteração vocal. Os questionários foram lidos e as respostas assinaladas pelos próprios indivíduos. Os indivíduos disfônicos foram recrutados e convidados a participar da pesquisa em clínicas de Fonoaudiologia e Otorrinolaringologia de Belo Horizonte, e o grupo dos indivíduos sem problema de voz foi formado por acompanhantes de pacientes que compareceram a estas clínicas e que não tinham queixa vocal. O cálculo amostral desta etapa foi realizado por meio de amostragem aleatória simples, com erro tolerável de 0,05 com 95% de confiança. Para a caracterização da amostra, foi realizada uma análise estatística descritiva demográfica e clínica da população, no que diz respeito a idade, gênero, tipo de alteração de voz e presença ou não de queixa vocal. Para a análise das variáveis gênero e idade entre os grupos, foi utilizado o Teste de Mann-Whitney.

O QPV é composto por 12 questões e o indivíduo deve escolher a melhor opção entre cinco, de "a" a "e", na qual «a» representa o menor impacto e "e", o maior impacto. O cálculo para análise do questionário é uma somatória simples devendo-se conferir o valor de 1 ponto para cada resposta "a", de 2 pontos para cada resposta "b" e, assim por diante, até o máximo de "5' pontos para as respostas "e". O escore máximo possível é de 60 pontos e o resultado é considerado normal quando a pontuação for inferior a 12 pontos(15). Qualquer valor acima deste limite indica queda de rendimento vocal percebida pelo paciente. É um questionário curto, conveniente e apresenta alta consistência interna e unidimensional para medir o grau de desvio vocal(15).

4. Autoavaliação vocal e validação: para a validação do questionário foi solicitado que os indivíduos classificassem suas vozes por meio de uma escala de Likert de cinco pontos: excelente, muito boa, boa, razoável, ruim. Estes dados foram utilizados para a determinação da validade do protocolo, comparando-se os escores do questionário e da autoavaliação vocal, por meio da correlação de Spearman. Para a determinação da fidedignidade do questionário foram utilizados os Coeficientes de Correlação de Cronbach. Vale ressaltar que a análise de auto percepção vocal é uma estratégia comumente utilizada para validar os protocolos de autoavaliação de um impacto da disfonia(16,17,20,21).

5. Confiabilidade e Reprodutibilidade – teste-reteste: o questionário foi reaplicado em 39 indivíduos com queixa vocal em um intervalo de dois a 14 dias. Este é o período considerado suficiente para os respondentes não se lembrarem das respostas e, ao mesmo tempo, não terem sofrido maiores mudanças vocais(24). Para a determinação da reprodutibilidade foi utlizado o Teste de Wilcoxon. Para o cálculo da confiabilidade utilizou-se o teste Alpha de Cronbach.

6. Sensibilidade ao tratamento: para esta etapa o questionário foi aplicado em dez indivíduos disfônicos antes do início do tratamento fonoaudiológico e reaplicado após dez sessões de fonoterapia. Para comparação dos resultados nos momentos pré e pós terapia fonoaudiológica utilizou-se o Teste de Wilcoxon.

Posteriormente, foi realizada uma análise individual das questões do protocolo e, para a comparação das questões entre os grupos e entre os momentos pré e pós-terapia fonoaudiológica, foram utlizados os testes Qui-quadrado de Pearson e Mann-Whitney.

 

RESULTADOS

Na Tabela 1 observa-se a diferença entre os escores médios dos grupos controle e disfonia, que mostra valores mais elevados para o grupo disfonia. Considerando-se os quartis, 50% dos indivíduos do grupo controle apresentaram escores menores que 18, e 75% menor que 20; enquanto que no grupo disfônico, apenas 25% dos indivíduos obtiveram escores menores que 22.

 

 

Observa-se a relação entre a autoavaliação vocal e os escores médios do QPV, evidenciando que, quanto mais o individuo percebe sua voz alterada, maiores são os valores do questionário, indicando menor rendimento vocal (Tabela 2).

Os resultados da reprodutibilidade são mostrados na Tabela 3, com os escores médios, máximo e mínimo na primeira aplicação e na reaplicação em um intervalo de dois a 14 dias (teste e reteste), o que serviu para mostrar que o questionário é reprodutível e confiável, já que não houve diferença significativa.

 

 

O questionário pode também ser considerado válido, capaz de refletir o impacto da disfonia na performance vocal do indivíduo.

Na Tabela 4 observa-se a sensibilidade do protocolo, com a indicação dos escores do QPV pré e pós terapia fonoaudiológica, mostrando a redução destes, o que reflete a percepção de aumento do rendimento vocal com a terapia, sendo esta diferença significativa.

 

 

Os valores das respostas às questões do protocolo em ambos os grupos, além do escore total, são mostrados na Tabela 5, onde se pode observar que o grupo disfonia apresenta maiores valores de respostas para 11 das 12 questões (menos para a 7, que mostrou diferença muito pequena entre os dois grupos, provavelmente pelo grau da disfonia ser, de modo geral, discreto ou moderado, não implicando em necessidade de repetir o que se fala para ser compreendido), com maior diferença em relação ao controle nas questões 1, 2, 4 e 12. São apresentados também os resultados dos valores das respostas das questões do protocolo nos momentos pré e pós fonoterapia e o QPV mostrou-se capaz de refletir os efeitos da terapia de voz, com diminuição em seu escore, mostrando aumento do rendimento vocal após intervenção fonoaudiológica.

 

 

DISCUSSÃO

O Questionário de Performance Vocal – QPV é um instrumento simples, de rápida aplicação e de fácil entendimento(15). Sua tradução e adaptação para o Português foi simples, já que a versão original era de fácil compreensão e as escalas de medidas mantiveram-se as mesmas.

Na avaliação de equivalência linguística a opção "Não aplicável" foi introduzida para cada ítem do questionário; porém, todas as perguntas da versão original foram mantidas na versão brasileira, já que nenhuma das questões se mostrou inválida.

O escore médio do grupo controle foi menor do que o disfonia, mas ainda um pouco elevado, provavelmente porque muitos indivíduos deste grupo, apesar de não terem disfonia, classificaram suas vozes como sendo razoável ou até mesmo ruim, provavelmente por questões estéticas ou desejo de terem uma qualidade superior(25).

Um problema vocal pode refletir em como o sujeito avalia sua própria voz. Embora nem todas as disfonias se manifestem por alteração na qualidade vocal, a literatura aponta uma correlação positiva entre a auto percepção do problema vocal e o impacto negativo na qualidade de vida, com melhoria após terapia fonoaudiológica(25-27).

A validade do questionário foi determinada pela comparação dos grupos controle e disfônico, considerando a correlação entre a autoavaliação vocal e os valores médios do protocolo. Pode-se observar que quanto melhor o indivíduo classifica a sua voz, menores são os valores médios do QPV. Isto indica que o questionário pode ser considerado válido, capaz de refletir o impacto da disfonia na performance vocal do indivíduo. Isto pode ser visto também em outros questionários na área de voz já validados no Brasil(14): QVV(17), PPAV(19), IDV(21).

Vale ainda observar que, no grupo controle, os indivíduos que classificaram sua própria voz como "muito boa" ou "boa" apresentaram, como valor mínimo de resposta do QPV, 12 pontos, o que vai ao encontro de pesquisas que demonstram este valor como sendo o limite da normalidade em termos de rendimento vocal(15). Os indivíduos deste mesmo grupo que classificaram sua voz como "razoável" apresentaram 17 pontos como valor mínimo de resposta no QPV. Tal fato sugere que, apesar destes indivíduos não apresentarem diagnóstico clínico de disfonia, percebiam que suas vozes não eram ideais, o que pode ter refletido na elevação nos valores do QPV.

A confiabilidade e a reprodutibilidade foram comprovadas pela reaplicação do questionário, em 39 indivíduos, de dois a 14 dias após sua primeira administração. Os resultados demonstram que o questionário é confiável e reprodutível, assim como os outros já validados no Brasil(14): QVV(17), PPAV(19), IDV(21).

Além de ser muito importante mensurar aspectos do impacto da disfonia na qualidade de vida para se definir as bases do tratamento, pode ser valiosa a comparação destes resultados nos momentos pré e pós-tratamento, para medir o efeito da terapia fonoaudiológica do ponto de vista do indivíduo(27). No caso deste questionário, houve diferença significativa nos momentos pré e pós fonoterapia. Nos outros questionários validados no Brasil(17,19,21), a diferença estatística entre os momentos pré e pós terapia também foi significativa, como no QVV(17), ou seja, todos estes questionários mostram ao profissional como o paciente está se sentindo com relação ao resultado do tratamento e, assim, auxiliam na decisão da alta fonoterápica ou na possível continuidade da intervenção.

A diferença significativa entre todas as questões nos dois grupos mostra o quanto o protocolo é capaz de diferenciar os grupos estudados, assegurando a validade do instrumento.

Quando se compara os momentos pré e pós-terapia fonoaudiológica, as questões 1, 3, 4, 6, 9, 10, 11 e 12 foram capazes de detectar alterações clínicas entre os dois momentos estudados. Observamos que dentro de uma análise contextualizada de cada paciente, as questões do QPV são clinicamente úteis e possibilitam uma avaliação confiável sobre o resultado do tratamento vocal.

Quando se analisa os resultados desse questionário em relação aos outros já validados no Brasil, pode-se ver, novamente, a utilidade, a validade e a praticidade no uso de questionários para avaliar o impacto das doenças na qualidade de vida dos indivíduos(10). Principalmente quando estes questionários são específicos para alguma alteração, como, neste caso, as alterações vocais(9,11-13). Além de todas estas vantagens, a avaliação da qualidade de vida nos mostra a visão do indivíduo que está sendo tratado, e não somente a visão do clínico.

Além disso, nenhum dos outros questionários já validados no Brasil(16,18,20) contém questões referentes à fadiga e ao desconforto vocal. Já o QPV dá uma visão destes aspectos tanto no início como na comparação dos momentos pré e pós terapia, o que pode auxiliar os profissionais em mais um aspecto no sentido da satisfação ou não do paciente e, portanto, na tomada de decisão da alta fonoaudiológica.

O QPV é curto, não tem questões redundantes, é direcionado aos sintomas físicos e ao impacto sócio-econômico, suas questões vão de acordo com a intensidade do problema vocal sendo, portanto, um instrumento útil para a clínica vocal.

 

CONCLUSÃO

O Questionário de Performance Vocal mostrou-se válido, confiável, reprodutivo e sensível ao tratamento, podendo ser considerado mais uma opção na prática fonoaudiológica na relação qualidade de vida e voz.

 

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Endereço para correspondência:
Bruna Rabelo Paulinelli
Av. Prof. Mário Werneck, 1895/301, Buritis, Belo Horizonte (MG), Brasil, CEP: 30575-180
E-mail: brunapaulinelli@hotmail.com

Recebido em: 31/3/2011
Aceito em: 5/7/2011

 

 

Trabalho realizado no Centro de Estudos da Voz – CEV – São Paulo (SP), Brasil.

 

 

Anexo 1 - Clique para ampliar