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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versión impresa ISSN 1516-8034

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.17 no.1 São Paulo enero/mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000100017 

RELATO DE CASO

 

Professor especializado na área da deficiência visual: os sentidos da voz

 

 

Denise Cintra Villas BoasI; Léslie Piccolotto FerreiraII; Izabel Cristina ViolaIII

IPrograma de Pós-graduação (Doutorado) em Fonoaudiologia, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP – São Paulo (SP), Brasil
IICurso de Fonoaudiologia e Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP – São Paulo (SP), Brasil
IIICurso de Fonoaudiologia, Faculdades Integradas Tereza D'Ávilla – FATEA – Lorena (SP), Brasil; Curso de Especialização em Voz, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP – São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste relato de caso foi investigar o sentido atribuído à voz de professores especializados na área de deficiência visual e sua prática em sala de aula. Participaram oito professoras, divididas em três grupos: quatro videntes, duas com visão subnormal e duas professoras cegas. Foram realizadas entrevistas individuais, com todas as participantes, que responderam a seis perguntas semidirecionadas, previamente elaboradas, que abordaram o tema da comunicação entre professor especializado e o aluno com deficiência visual, no ambiente de sala de aula. Depois de transcritas e analisadas, foram estabelecidas três categorias de respostas: o trabalho da professora, vivência diária, e apoios necessários. A atuação pedagógica subsidia-se nos princípios de fornecer todos os possíveis detalhes e informações a respeito do conteúdo, adaptar materiais, orientar quanto à mobilidade, entre outros, por meio dos recursos vocais e corporais. A importância da voz para o desenvolvimento de uma pessoa com deficiência visual foi explicitada nos relatos que a consideram essencial para a convivência no contexto social e escolar. Observou-se a importância da interação, em sala de aula, favorecida pelos recursos vocais e corporais, tanto das professoras quanto dos alunos, para haver uma comunicação mais clara e objetiva. O sentido atribuído à voz, de acordo com as participantes, contribuiu para reconhecê-la como principal meio de comunicação com seus alunos.

Descritores: Voz; Docentes; Portadores de deficiência visual; Educação especial; Saúde pública


 

 

INTRODUÇÃO

Por meio da oralidade, uma gama de informações pode revelar as características de quem fala e, dessa forma, são denominados marcadores sociais, físicos e psicológicos. Assim, características da voz, bem como as da fala, da linguagem e comportamentos não verbais se desenvolvem de acordo com o meio social e a personalidade de cada indivíduo(1).

A voz é uma ferramenta flexível de comunicação, que pode ser utilizada para evidenciar informações sobre o estado emocional e atitudes, e, ainda, para atribuir e inferir opiniões sobre o comportamento das pessoas(2).

As marcas da fala, conferidas à personalidade do falante, são definidas pelo ouvinte, a partir do seu próprio conceito e atribuições da personalidade. É dado ao falante a possibilidade de inferir, a partir da qualidade vocal, informações que apresentam diferentes funções que caracterizam um sujeito(2).

A Fonoaudiologia tem se preocupado com questões sobre a expressividade e, mais recentemente, ao utilizar tal termo, tem realizado estudos com diferentes públicos, principalmente entre os denominados profissionais da voz.

Nessa perspectiva, o termo expressividade pode contemplar a questão do corporal e do oral. Em especial, neste estudo, o termo expressividade oral foi adotado, a partir do referencial teórico(3). O termo oral é usado para não sugerir a dissociação entre fala e voz, uma vez que tal dissociação não se justifica fisiologicamente e, tampouco, para se atribuir maior ênfase, em aspectos da dinâmica da voz ou da qualidade vocal. Desta forma, a expressividade oral é o processo no qual o falante utiliza, consciente ou inconscientemente, o som em sua forma simbólica, por meio de simbolismos adquiridos em uma cultura.

O ouvinte pode fazer inferências sobre os aspectos biológicos, psicológicos e sociais do falante, de acordo com o que é revelado por seus gestos vocais e corporais. Ainda neste estudo(3), a expressividade, por meio das características do grupo social (orais, corporais e discursivas), ao qual o falante pertence, demonstrará a subjetividade e a singularidade do mesmo. Em paralelo a esse estudo, tais características são importantes tanto para o trabalho do professor especializado, em sala de aula, quanto para os alunos.

O professor especializado em deficiência visual precisa estar sempre junto de seus alunos, que são cegos e/ou apresentam visão subnormal, para favorecer experiências sensoriais e perceptivas (auditivas, olfativas, gustativas, táteis e cinestésicas); trabalhar com as atividades de vida diária; orientar quanto à locomoção no ambiente escolar; treinar a escrita cursiva, para que pessoas com deficiência visual possam assinar documentos; ensinar a leitura e escrita Braille, entre outras(4).

Seu trabalho conta, ainda, com a promoção de situações que favoreçam o ajustamento pessoal e social dos alunos, na sala de recursos e outros ambientes, por meio de equipamentos e programas específicos de informática, gravação de textos em fitas, orientação da família, entre outras atividades(5).

O aluno que apresenta deficiência visual precisa encontrar um ambiente escolar adequado às suas necessidades educacionais especiais, assim como educadores aptos a compreendê-lo. Essas são condições essenciais na construção do vínculo em sala de aula, uma vez que as necessidades educacionais e o processo de desenvolvimento equivalem aos das crianças videntes.

A comunicação, entre professores e alunos, é um dos principais elos para a construção do conhecimento, e, nesse contexto específico, a presença do professor, como mediador, é fundamental, para ajudá-los na leitura das situações em que estão inseridos.

Para o desenvolvimento da aprendizagem, a escola é um ambiente fundamental e importante, pois fornece e exige situações sociais específicas e instrumentos de mediação e, principalmente, a atuação do professor(5,6).

Muitos desses educadores, especializados em deficiência visual, apesar da grande demanda vocal, não são conscientes de que a voz é um dos seus principais instrumentos de trabalho, provavelmente por não terem recebido, assim como os professores que atuam com qualquer outro aluno, preparo específico para tal. Como consequência, não procuram adquirir informações nessa área, pois não veem, no aspecto vocal, uma possibilidade de melhora em seu desempenho profissional(7).

Na literatura, a voz do professor tem sido objeto de muitos estudos, como verificado em levantamento bibliográfico atualizado das publicações fonoaudiológicas referentes ao tema. Em uma revisão bibliográfica(7) de 15 anos, no período de 1994 a 2008, foram contabilizadas 500 publicações. Porém, são incipientes as pesquisas que buscam entender as questões da voz de professores que atuam com alunos com deficiência. Um exemplo desse tipo de investigação refere-se aos docentes que ministram aulas para alunos surdos/deficientes auditivos(8).

Na questão da inclusão social, preconiza-se o respeito à diversidade, seja de raça, religião, pessoas que apresentam alguma deficiência, entre outras. A inserção desses indivíduos como membros participantes de uma sociedade, com os mesmos direitos e deveres, torna-se, dia a dia, mais enfática. Tal inserção é de responsabilidade de todos os setores da sociedade.

Nesse caminho, este estudo de caso interessa-se em investigar o sentido atribuído à voz e à expressividade, por professores especializados na área da deficiência visual, e a utilização de recursos vocais e corporais, em sua prática pedagógica.

 

APRESENTAÇÃO DOS CASOS CLÍNICOS

O estudo, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob o parecer nº130/2008, é de caráter qualitativo, prospectivo e descritivo. Por meio de contato inicial direto e conversa informal, foram apresentadas seis perguntas às participantes, oito professoras especializadas na área da deficiência visual, com formação em cursos de Licenciatura em Educação Especial e/ou Pós-Graduação, que atuam nos Serviços de Apoio Pedagógico Especializado, na forma de Salas de Recursos na área da deficiência visual, da Rede Estadual de Ensino de São Paulo. Diante do interesse de cada uma em participar da pesquisa, o convite foi formalizado e marcou-se uma data para que ocorresse o encontro entre a pesquisadora e as professoras.

O primeiro passo foi a entrega do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participação voluntária no estudo e explicação do objetivo da pesquisa. Para as professoras que apresentam visão subnormal e para as que são cegas, os Termos de Consentimento estavam em tipo ampliado e em Braille, respectivamente.

Desta forma, foram definidos os critérios de inclusão, a saber: acuidade visual (vidente, cego e com visão subnormal) e tempo de experiência em sala de aula, referidos pelos próprios sujeitos. Dessa forma, das oito professoras selecionadas quatro são videntes (GV), duas são cegas (GC) e duas apresentam visão subnormal (GVS); com média de idade 37 anos (mínima de 25 e máxima de 42); formação em Pedagogia, especialização em Educação de Deficientes Visuais e atuantes na Rede Estadual do Estado de São Paulo. Cinco delas, com até dez anos de atuação e, outras três, com maior tempo, todas identificadas, nesta pesquisa, pela letra P (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8) e categorizadas nos grupos: GV – P1, P3, P6 e P8; GC – P4 e P7 e GVS – P2 e P5.

Para a coleta de dados, optou-se por entrevistas individuais, com seis perguntas semidirecionadas, previamente elaboradas por meio de um roteiro, que abordou o tema da comunicação entre professor e aluno, no ambiente de sala de aula:

1) Até que ponto os recursos corporais e vocais são levados em consideração no seu trabalho?

2) Qual a importância desses recursos no desempenho da sua função?

3) Descreva uma situação típica de trabalho com seus alunos e do que encontra no seu dia a dia.

4) Qual a importância do uso da voz na transmissão do conhecimento?

5) Como é o trabalho com os alunos em sala de aula?

6) O que poderia ser feito para melhorar?

Todas as entrevistas foram realizadas em um mesmo dia e local, de fácil acesso, comum a todas as participantes. Foram gravadas, com auxílio de um gravador de voz digital/MP3, da marca Sony® e o tempo médio de duração das mesmas foi de aproximadamente 15 minutos.

As entrevistas transcritas foram submetidas à análise de conteúdo(9) que preconiza a análise do desenvolvimento das ideias, dos fatos, da inserção em seu contexto histórico e social, a partir da abordagem de práticas discursivas e produção de sentidos.

A produção de sentidos, segundo essa perspectiva(9), é uma prática social dialógica que visa a compreensão dos repertórios usados nas produções discursivas no cotidiano de indivíduos em interação.

As práticas discursivas são maneiras a partir das quais as pessoas produzem sentidos e se posicionam em relações sociais cotidianas.

Após o processo de análise das entrevistas coletadas, por meio de sucessivas leituras, o primeiro passo foi estabelecer categorias, de acordo com aspectos destacados no conteúdo das respostas, definidas da seguinte forma:

- O trabalho da professora: a importância do uso dos recursos vocais e corporais, em sala de aula, presente no trabalho.

- Vivência diária: situações vivenciadas pelo professor, em seu dia a dia; auxílios e dificuldades encontrados em sala de aula e o que ela precisa fazer para desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível.

- Apoios necessários: apoio de outros profissionais, de familiares e recursos materiais e pedagógicos.

Essas categorias foram selecionadas com o objetivo de explicitar e organizar as respostas das professoras e, principalmente, expor o ponto de vista de cada uma delas. Após a definição das categorias e a organização do material, foram elaborados mapas de associação de ideias que permitiram a preservação da interação do contexto e possibilitaram a visualização do processo de interanimação, diante das perguntas, mantendo o contexto dialógico intacto. Esses procedimentos ocorreram durante o processo de organização dos conteúdos das entrevistas.

Segundo o método descrito(9), os resultados das três categorias de análise (Quadro 1), transcritos literalmente, foram:

- O trabalho da professora: no qual é explicitada a descrição do trabalho, em sala de aula, realizado por meio de recursos vocais e corporais.

- Vivência diária: na qual são ilustradas, de forma resumida, as situações típicas do trabalho da professora e sua atuação em sala de aula.

- Apoios necessários: nos quais é apresentado um levantamento dos suportes necessários (de outros profissionais, familiares; recursos materiais e pedagógicos) para o desenvolvimento do trabalho das professoras entrevistadas.

Para exemplificar as categorias (Quadro 1), alguns recortes dos relatos foram selecionados e tal seleção priorizou diferentes sujeitos dos diferentes grupos, como se segue.

P1 (GV) – Professora vidente, com 13 anos de experiência de ensino

Até que ponto os recursos corporais e vocais são levados em consideração no seu trabalho?

"[...] então se ele não puder tocar o corpo... e se você não puder usar o corpo para pode expressar e ficar só na voz você dá poucas informações e a criança cega precisa de muitas informações e também o trabalho corporal é muito importante... se você não for no corpo-a-corpo... se você não se envolver com ela fisicamente... então no jogo... numa brincadeira... não tem condições de você chegar na criança... então acho que voz é muito importante para o professor de deficientes visuais... a gente se comunica muito... a gente fala muito com os alunos mas o corpo também é muito importante [...]"

Qual a importância do uso da voz na transmissão do conhecimento?

"fundamental... eu acho que é fundamental porque é o maior instrumento de trabalho que a gente tem né?... a voz... éh:... de todo o professor... principalmente do professor de cego... eu acho que é... o professor que trabalha com criança cega é o que mais usa a voz... pra ele também é um instrumento de trabalho muito importante, mas de cego então é ao quadrado a importância [...]"

O que poderia ser feito para melhorar?

"O que poderia ser feito para melhorar?... ai... tanta coisa, né?... muita coisa... acho que um aspecto maior é o recurso... que os recursos fossem mais baratos... que no momento que o aluno precisasse de um atendimento médico a gente pudesse ter um braço estendido que pudesse ajudar... sabe... oferecer um recurso óptico [...]" (P1)

P2 (GVS) – Professora de visão subnormal, com 02 anos de experiência de ensino

Até que ponto os recursos corporais e vocais são levados em consideração no seu trabalho?

"Os recursos vocais... éh... no meu ponto de vista, auxiliam muito de acordo com a entonação da voz que se dá, acredito que para o deficiente visual você se expressa através da entonação e ele vai conseguir perceber bem melhor o jeito, o... como eu vou colocar pra você... é difícil... o seu tom mesmo, se você for agressiva no modo de explicar ele vai conseguir sentir... e ele mesmo dá o retorno... você consegue e eu sendo baixa visão eu também consigo captar isso do aluno mesmo sem eu ter noção total, corporal dele... é... de como ele tá reagindo através da voz dele ou pequenos gestos eu consigo visualizar."

Como é o trabalho com os alunos em sala de aula?

"gestos... bem poucos, mais toques, não sei se expressão corporal, se o toque entra também em expressão corporal, que a gente trabalha muito toque... tocar na coisas, sentir a expressão do outro através do toque... [...] expressão do rosto que ajuda bastante, [...]"

"Ah... a voz é de fundamental importância... principalmente pro DV porque é através dela que o aluno consegue identificar o professor... identificar os conteúdos que estão sendo trabalhados [...]"

O que poderia ser feito para melhorar?

"[...] bom... meu trabalho, o que poderia ser feito é o apoio de uma fonoaudióloga na escola que não tem isso, é algo que falta muito porque... mesmo pra nós profissionais da área ajudaria, alguns toques que a fono pudesse estar dando para que nós pudéssemos pôr em prática com o aluno, com o aluno múltiplo, com o aluno só deficiente visual, né, ou cego total, então a presença de uma fono na escola... ah... que mais que ajudaria... ah... um estúdio de gravação, orientação de fono, não sei se hoje isso existe, mas eu acredito que não [...]"

P3 (GV) – Professora vidente, com 12 anos de experiência no ensino

Qual a importância desses recursos no desempenho da sua função?

"Focando mais uma vez a oralidade... eu acho que é assim... é fundamental mesmo... é a mola mestre de tudo... [...] já o corpo nem sempre eu acho que vai ser tão fundamental... dependendo do conteúdo a ser trabalhado na sala de aula... então em determinadas situações... dependendo das... da professora... se é criança... se é adolescente... se é jovem... dependendo do conteúdo que tá sendo trabalhado... então esse contato físico... essa explicação física tem a sua importância, mas não é fundamental como a voz... a voz eu acho que é a espinha do trabalho [...]"

Qual a importância do uso da voz na transmissão do conhecimento?

"[...] vou estar assim... tentando explicar de outras maneiras com outras palavras... numa entonação e aí ele vai perceber... por exemplo... se eu estou com paciência suficiente pra estar orientando... se eu estou irritada porque ele não está entendendo... essa interação até mesmo pessoal pra com o aluno na hora do atendimento ele vai se basear na voz [...]"

O que poderia ser feito para melhorar?

"Olha... se a gente pensar em melhoria na sala de aula fica até difícil porque... nossa realidade no Estado de São Paulo não é algo que a gente possa reclamar... nós temos na sala de aula a televisão com a telelupa... nós temos o recurso do computador com a impressora e o scanner... nós temos... a... na sala os aparelhos de soroban... materiais lúdicos... então assim... os recursos de capacitação... a gente sempre vai pra São Paulo pra fazer... estar recebendo e dando continuidade... então essa formação continuada... éh:... fica complicado assim dizer o que poderia melhorar... claro que sempre tem o que melhorar [...]"

P4 (GC) – Professora cega, com 10 anos de experiência de ensino

Descreva uma situação típica de trabalho com seus alunos e do que encontra no seu dia a dia.

"[...] coloquei Braille eu trabalhei também o concreto com essa torta em madeira... gráficos que também é uma outra adaptação... éh:.. e a questão da parceria... família é base... acho que tem que ter um envolvimento maior, a família precisa incentivar esse aluno e infelizmente o que acontece é isso... a nossa família ela ainda... isso eu não estou generalizando [...]"

O que poderia ser feito para melhorar?

"Olha, o primeiro passo... o aluno com deficiência visual ele precisa querer... é a conscientização que precisa ser feita... porque infelizmente ainda nós temos uma sociedade um pouco de descrédito... às vezes até pela família... então precisa ter o que um envolvimento... e a questão da parceria... família é base... acho que tem que ter um envolvimento maior a família precisa incentivar esse aluno e infelizmente o que acontece é isso... a nossa família ela ainda... isso eu não estou generalizando... mas tem família que ela assim [...]"

P5 (GVS) – Professora de visão subnormal, com 01 ano de experiência de ensino

Até que ponto os recursos corporais e vocais são levados em consideração no seu trabalho?

"Eu acho que é muito importante principalmente pro deficiente visual porque ele tem que estar escutando tudo... o deficiente visual tudo envolve o que? a audição... então a fala da professora e como ele fala é muito importante [...]"

Como é o trabalho com os alunos em sala de aula?

"ele já... às vezes... se... a gente... de repente tá dentro de uma sala de aula... chega uma pessoa conversando ele pode reconhecer essa pessoa através da voz... e é assim [...]"

O que poderia ser feito para melhorar?

"[...] a conscientização da sociedade melhor... né?... porque os professores também do ensino regular estão ajudando aquele aluno porque o trabalho da gente não tem um andamento se o professor do ensino regular não der essa base pro aluno... não cobrar do aluno se o professor não cobrar desse aluno ele não vai ter o interesse [...]"

P6 (GV) – Professora vidente, com 9 anos de experiência de ensino

O que poderia ser feito para melhorar?

"Éh:... pedagogicamente falando... eles reclamam muito de não ter livro falado... mas livros assim... sabe... não é só literatura brasileira... eles querem Sidney Sheldon... querem coisas diferenciadas... eu tenho uma aluna que assim já leu e já ouviu tudo que tinha lá... né? [...]"

P7 (GC) – Professora cega, com 10 anos de experiência de ensino

Qual a importância desses recursos no desempenho da sua função?

"Pra mim é fundamental por que:... se éh:... como eu escolhi ser professora... como eu tenho a deficiência visual... se eu estou sem a voz... – por exemplo – ... se eu fico rouca... eu me vejo impossibilitada de trabalhar... porque... pra mim a comunicação oral pra mim é de extrema importância [...]"

Como é o trabalho com os alunos em sala de aula?

"oriento os professores de sala e atividades de OM (orientação e mobilidade) eu faço com eles no interior das escolas, onde eles estudam e aqui na escola onde funciona a sala de recursos [...]"

P8 (GV) – Professora vidente, com 21 anos de experiência de ensino

Até que ponto os recursos corporais e vocais são levados em consideração no seu trabalho?

"Bom... ah: a voz é fundamental para o contato com o aluno porque é através dela... pelo aluno ter uma audição mais aguçada do que a nossa... então a voz é fundamental porque ela serve como guia pra tudo aquilo que você vai orientar... informar... para ajudar no aprendizado do aluno... então ela é super importante pra esse primeiro contato que você tem com o seu aluno [...]"

 

DISCUSSÃO

É importante lembrar que embora a Fonoaudiologia destaque a expressividade, desde os seus primórdios, a atenção dada às pesquisas, nessa área, é mais recente(3). O professor, na maioria, em sua formação, recebe pouca informação a respeito do bem-estar vocal(8,10) e menos ainda sobre a possibilidade de melhor atuação profissional se contar com a expressividade a seu favor. Se isso acontece no contexto de professores que atuam com alunos sem deficiência, é possível imaginar que com aqueles que estão envolvidos com alunos com deficiência(8) a situação é ainda mais precária(5).

Pode-se dizer que o ensino da criança que apresenta deficiência visual é semelhante ao da criança vidente, e consiste na fixação de conceitos por meio de recursos audiovisuais, com a preocupação do professor em fazer a transposição dos materiais do modo visual para o tátil(5). Contudo, a deficiência do aluno cego potencializa a força dos recursos vocais.

Além dos conteúdos educacionais, algumas professoras comentam a possibilidade dos alunos e de outras pessoas reconhecerem ou perceberem a manifestação das emoções e atitudes, por meio da voz.

Nota-se, nas pesquisas fonoaudiológicas com docentes, a preocupação com a questão do levantamento do perfil vocal desses profissionais(7). No entanto, para que o professor possa ministrar sua aula com maior efetividade, é necessário que seja dada atenção também às questões da voz, como forma de expressão.

No caso das professoras entrevistadas, nesta pesquisa, os temas sobre voz, expressividade e recursos são ainda mais prioritários, pois, por meio desses recursos, os alunos com deficiência visual aprendem melhor aquilo que lhes é ensinado.

No caso das professoras entrevistadas, nesta pesquisa, os temas sobre voz, expressividade e recursos são ainda mais prioritários, pois, por meio desses recursos, segundo elas, os alunos com deficiência visual aprendem melhor aquilo que lhes é ensinado. Sem se aprofundarem na questão mais teórica, elas puderam expressar que os recursos vocais são importantes marcadores das emoções e em alguns momentos podem se constituir num elemento que de fato destaca aquilo que está sendo dito(3).

A construção da voz ocorre por meio social, da vivência e convivência, por exposição a vários modelos(11). A voz torna-se um meio de identificação sensorial, por parte de quem fala e de quem a escuta, que sempre atribui um sentido a ela.

Em sala de aula, de professores e alunos videntes, a linguagem e a voz são os recursos mais utilizados como estratégias para que o aluno foque sua atenção no professor e participe das atividades(10).

No caso das professoras entrevistadas, isso ocorre para que o aluno com deficiência visual direcione sua atenção ao que é dito, principalmente em salas de aula com maior contingente de alunos.

O interlocutor, a partir da forma como um enunciado é produzido, atribui um sentido à voz, uma vez que a mesma é um objeto de construção social e seu uso é parte de um processo de socialização(1,3). A voz, enquanto gesto, responde às dimensões simbólicas, corporais, linguísticas e estilísticas. Os gestos vocais efetivam, na expressão do indivíduo, as demandas contextuais e subjetivas que refletem a variabilidade da língua e, por isso, integram a voz no universo da linguagem(3).

A interpretação das percepções das variações da voz (entoação, características vocais/pessoais, além das percepções corporais e do ambiente), somada ao olfato (ao captar os odores do ambiente) e, principalmente, à audição, que passa a ser a via mais importante na organização dos sons recebidos (por meio do eco dos próprios passos, dos ruídos e barulhos de toda ordem) fornecem inúmeras pistas para a orientação dos envolvidos numa atividade de ensino-aprendizagem(4).

No entanto, o GVS priorizou a questão da entoação da voz como marcador psicológico e físico. Por meio dela, tanto aluno quanto professor percebem diferentes emoções e atitudes, assim como, identificam pessoas, de acordo com as características vocais(12).

Para realizar um trabalho mais eficaz, o GC demonstra preocupação com a qualidade vocal, ao lembrar que se ela está alterada, ou comprometida, impossibilita e/ou dificulta o trabalho em sala de aula, diferentemente do que foi relatado pelo GV, ou mesmo por professoras de alunos videntes, uma vez que estas, mesmo frente a uma alteração de voz, não deixam de ministrar suas aulas. Um dos integrantes do GVS sugere o desenvolvimento de um trabalho vocal, com ajuda de um fonoaudiólogo, para atuação específica com os alunos com deficiência.

Os grupos com professoras de visão subnormal (GVS) e cegas (GC) salientam a necessidade de uma fala mais rica em informações prosódicas, porque ela possibilita a melhor descrição oral de objetos, do ambiente, das atividades, entre outros. Elas sentem-se limitadas na presença de alteração vocal, como o que ocorre no GV, mas, diferentemente desse grupo, o GC percebe o distúrbio da voz como uma impossibilidade na execução do seu trabalho.

Pode-se verificar, portanto, a necessidade de um trabalho com a expressividade, pois essa aborda a comunicação em sua totalidade, fato que corrobora as falas das entrevistadas, que consideram a voz um meio importante de expressão.

Mais uma vez, um alerta quanto ao direcionamento da atuação fonoaudiológica é enfocado, não apenas no que se refere às questões sobre o bem-estar vocal, mas também àquelas que tratam dos recursos vocais. Alguns autores(7,13) destacam também que a expressividade oral, na relação ensino-aprendizagem, é importante para a atuação do professor em sala de aula, com alunos com ou sem deficiência. Na declaração de uma professora do GV percebe-se a importância dada aos recursos vocais, com maior destaque que aos corporais. Ao falar sobre o recurso vocal, o GVS foi o que mais o priorizou como instrumento de trabalho.

As entrevistadas também relataram a importância da utilização dos recursos corporais, associados aos recursos vocais, principalmente na questão de orientação e mobilidade. A voz também é vista como um vínculo, uma vez que é carregada de informações e emoções.

As respostas, em relação ao uso do corpo como recurso, para o GVS, vão além do trabalho de exploração do ambiente, orientação e mobilidade. As professoras compreendem a importância de ver o aluno como um todo, e qualquer gesto ou reação corporal é considerado. A questão do corpo como referência no espaço, como forma concreta e presente no mundo, é muito importante para os alunos que apresentam deficiência visual(4).

Percebe-se que, para o trabalho das professoras, o GVS foi o que mais priorizou as características vocais como a entoação, por exemplo, na percepção das emoções e atitudes, humor e sentimento. Por outro lado, os recursos corporais, como a orientação, mobilidade e exploração do ambiente, foram mais destacados pelo GV. Se há carência na formação de professores em geral quanto aos aspectos relacionados a voz, em especial a expressão oral, pode-se imaginar que em especial para professores cegos ou com visão subnormal a preparação para o magistério deveria incluir também as questões relacionadas a expressão corporal.

Para além da voz e do corpo, as professoras ressaltam a importância do estabelecimento de recursos educacionais e pedagógicos, vínculos de confiança e afetividade para o trabalho com os alunos e com as famílias que apresentam deficiência visual. A orientação familiar, feita pelo professor especializado, é considerada fundamental para o acompanhamento e desenvolvimento das atividades em casa.

Nas situações típicas de trabalho, nota-se que o GV considera como pontos principais: a orientação do professor da sala regular, o número excessivo de alunos em sala de aula, e as participações em reuniões da equipe escolar. O GC atua com as informações vocais e a descrição de todas as ações, associadas ao material concreto. São enfatizadas a orientação dos professores do ensino regular e as orientações específicas no atendimento individualizado, na Sala de Recursos(6).

As relações interpessoais são fundamentais para o desenvolvimento do comportamento do indivíduo, e as expectativas e atitudes, principalmente da família, da sociedade e demais meios de convivência são importantes para o ajuste de qualquer pessoa.

Segundo os relatos (Quadro 1), as professoras apontaram diferentes direções, no que diz respeito aos recursos materiais e equipamentos: que as salas de recursos estão bem equipadas e, dessa forma, consideram necessário o acompanhamento de profissionais da saúde, como psicólogo e fonoaudiólogo para trabalharem em conjunto com o professor especializado. No caso desse último, solicitam um trabalho voltado para a orientação do uso adequado da voz e até mesmo pedagógica.

Nos relatos das professoras, a questão da orientação dos professores de sala regular e da sua melhor capacitação é um grande diferencial para o trabalho do professor em sala de recursos e para o maior entendimento do papel desse profissional. A contribuição ocorre, também, para o processo de inserção da pessoa com deficiência no contexto social(6).

De acordo com as respostas das professoras, quanto aos recursos específicos, a sala de aula deve ser bem equipada para o desenvolvimento, com qualidade, do trabalho pedagógico, com alunos que apresentam ou não deficiência visual. Na literatura, em especial, sobre o contexto com alunos que apresentam visão subnormal na escola, é enfatizada a necessidade de materiais, como por exemplo: livros em caracteres ampliados, recursos ópticos e não ópticos, equipamentos eletrônicos e de informática(14).

Todos os grupos trabalham praticamente da mesma maneira, utilizando recursos vocais e corporais, e apresentam, quase sempre, situações, dúvidas, angústias, soluções e sucessos semelhantes, em sala de aula.

Porém, a partir dessas entrevistas, os grupos mostraram algumas discordâncias em suas respostas; por exemplo: o GV considerou importantes as parcerias com a família, com a equipe escolar, com a comunidade e, principalmente, com o professor da sala regular. Notou-se também, em relação ao uso da voz em sala de aula, que, mesmo apresentando alteração, algumas continuam seu trabalho, pois têm a possibilidade de utilizar recursos auxiliares.

O GVS priorizou a entoação, a voz como meio de expressão de emoções e atitudes, concomitante às informações dadas pelo toque corporal. As professoras destacam a importância da clareza das palavras e o que vai ser explicado, em sala de aula.

Por sua vez, o GC destacou a importância de uma fala rica em informações, com a utilização de recursos vocais. Apontou ainda que na presença de alterações vocais, há comprometimento do trabalho, pois consideram a voz seu principal meio de comunicação.

Interessante mencionar a mobilização despertada por esta pesquisa, em suas entrevistadas, quando, ao final, disseram que a participação neste trabalho permitiu-lhes prestar atenção sobre o quanto a voz é importante.

Dessa maneira, cada um dos grupos apontou aspectos semelhantes ou divergentes em sua atuação em sala de aula, de acordo, também, com suas próprias necessidades.

É interessante apontar que todas as professoras (videntes, com visão subnormal ou cegas) apresentam as mesmas preocupações sobre os princípios e métodos em sala de aula e cada qual utiliza recursos próprios de interação com os alunos e trabalha com as necessidades específicas dos mesmos.

Tanto professores de alunos videntes quanto de alunos com deficiência não recebem, ou pouco recebem, orientações sobre o uso da voz, em contexto ocupacional. Portanto, especial atenção deve ser dada ao fato de as entrevistadas terem destacado as questões da voz de forma diferenciada quando comparadas aos professores de alunos videntes. Enquanto professores de classes regulares valorizam mais a voz como instrumento de trabalho, as professoras entrevistadas destacam a vertente expressiva da voz, que, em conjunto com os recursos corporais, auxiliam no ensino-aprendizagem de seus alunos. Sua prática ocorrerá de acordo com a necessidade de cada aluno(15).

 

COMENTÁRIOS FINAIS

As professoras especializadas na área da deficiência visual participantes desta pesquisa reconhecem a voz como fundamental meio de comunicação com seus alunos em sala de aula.

Tal importância é explicitada nos relatos que a consideram essencial para a convivência com a pessoa com deficiência visual, no contexto escolar, familiar e social. Para o trabalho do professor especializado, a voz, a expressividade oral aliada à expressividade corporal, ou a utilização concomitante dos recursos vocais e corporais proporcionam um impacto positivo e um resultado mais eficaz em sua atuação com os alunos.

Por meio de recursos vocais e corporais, as práticas pedagógicas subsidiam-se nos princípios de fornecer possíveis detalhes e informações a respeito do conteúdo, adaptar materiais, orientar quanto à mobilidade, entre outros.

Se a expressividade, tanto oral quanto corporal, é um processo de produção de sentidos, na relação entre as ações do professor e a recepção e interpretação do aluno, existe sempre a possibilidade de produção de novos sentidos. Estes são permeados no contato constante entre os interlocutores, pela cultura em que esses estão inseridos e atribuições dadas aos aspectos da fala e do corpo.

A formação do professor e de outros profissionais de áreas afins, como a Fonoaudiologia, para trabalhar com alunos e/ou pacientes com qualquer deficiência, é imprescindível.

Todas as professoras participantes apresentam as mesmas preocupações, entre os princípios e métodos, em sala de aula, cada qual utilizando recursos próprios de interação com os alunos e trabalhando com suas especificidades.

Para que aconteça a maior aproximação entre a Fonoaudiologia e a Educação, outras pesquisas que abordem a temática da voz do professor como recurso pedagógico, são fundamentais.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos às professoras que participaram desta pesquisa.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Denise Cintra Villas Boas
R. Monte Alegre, 984, Perdizes, São Paulo (SP), Brasil, CEP: 05014-001
E-mail: devillas11@yahoo.com.br

Recebido em: 13/9/2010
Aceito em: 6/7/2011

 

 

Trabalho realizado no Programa de Estudos de Pós-Graduação em Fonoaudiologia, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP – São Paulo (SP), Brasil, com bolsa concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).