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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versão On-line ISSN 1982-0232

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.17 no.2 São Paulo abr./jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000200024 

RESUMO

 

Estratégias de enfrentamento em professores com queixa de voz

 

 

Fabiana Copelli Zambon

Programa de Pós-graduação (Doutorado) em Distúrbios da Comunicação Humana, Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil; Centro de Estudos da Voz – CEV – São Paulo (SP), Brasil; Sindicato dos Professores de São Paulo – SINPRO-SP – São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 

Zambon FC. Estratégias de enfrentamento em professores com queixa de voz [tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 2011.

 

OBJETIVO: Compreender as estratégias de enfrentamento utilizadas por professores com queixa de voz, comparar as diferenças entre os que procuram ou não tratamento fonoaudiológico e verificar a relação entre enfrentamento e análise perceptivo-auditiva, sinais e sintomas de voz e restrição de participação e limitação nas atividades vocais.
MÉTODOS: Participaram da pesquisa 90 sujeitos, divididos em três grupos com idades semelhantes: Grupo 1 (G1) formado por 30 professoras com queixa de voz e que buscaram tratamento fonoaudiológico; Grupo 2 (G2) formado por 30 professoras com queixa de voz e que nunca buscaram tratamento fonoaudiológico; Grupo 3 (G3) formado por 30 professoras sem queixa vocal. Foram realizados os seguintes procedimentos: aplicação do questionário de identificação e caracterização pessoal e do trabalho, gravação de material de fala para análise perceptivo-auditiva do desvio vocal, Lista de Sinais e Sintomas de Voz, Protocolo Perfil de Participação e Atividades Vocais – PPAV e Protocolo de Estratégias de Enfrentamento nas Disfonias – PEED.
RESULTADOS: Em relação à análise perceptivo-auditiva do desvio vocal houve diferença significante entre os grupos com queixa (G1+G2), que apresentaram vozes desviadas em grau leve a moderado, e o sem queixa que apresentou voz dentro da variabilidade normal da qualidade vocal (média para G1 de 49,9, G2 de 43,7 e G3 32,3; p<0,001). O G1 teve maior média de sinais e sintomas de voz (G1=8,6 G2= 6,6 e G3 apenas 2,0 sintomas; p<0,001) e apresentou maiores escores em quase todas as dimensões do PPAV (p<0,001), com exceção de efeitos no trabalho e efeitos na comunicação social. Os indivíduos com queixa tiveram tendência a usar mais estratégias com foco no problema e os que procuraram tratamento fonoaudiológico apresentaram maior escore no PEED (G1=45,4; G2=38,5 e G3=9,5; p<0,001). Os aspectos que tiveram correlação com o PEED nos três grupos foram: para G1 grau do desvio vocal, escore total do PPAV e escores parciais auto-percepção da voz, efeitos na comunicação diária, efeitos na emoção e Pontuação de Restrição na Participação; no G2 apenas escore total do PPAV e parcial efeitos na comunicação diária e G3 todos os domínios do PPAV. Em nenhum grupo os sinais e sintomas tiveram correlação com o enfrentamento.
CONCLUSÃO: Professores com queixa de voz usam mais estratégias de enfrentamento com foco no problema, sendo que os que buscam tratamento fonoaudiológico usam um número ainda maior de estratégias. Os sintomas de voz têm influência na procura por tratamento fonoaudiológico, porém não se correlacionam com o enfrentamento em si. De modo geral, quanto maior a percepção de limitação e restrição na participação em atividades vocais, maior o uso de estratégias de enfrentamento.

 

 

Endereço para correspondência:
Fabiana Zambon
R. Visconde de Guaratiba, 100/81, Jardim da Saúde
São Paulo (SP), Brasil, CEP: 04125-040.
E-mail: fabiana@sinprosp.org.br

Conflito de interesses: Não

 

 

Trabalho realizado no Programa de Pós-graduação em Distúrbios da Comunicação Humana, Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil, para obtenção do título de Mestre em Ciências, sob orientação da Profa. Dra. Mara Behlau.