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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

On-line version ISSN 1982-0232

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.17 no.4 São Paulo Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000400026 

RESUMO

 

Análise do ruído de impacto na audição de integrantes do batalhão de operações especiais da polícia militar do Paraná: uma proposta de prevenção

 

 

Adriana Betes Heupa

Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Tuiuti do Paraná - UTP - Curitiba (PR), Brasil

Endereço para correspondência

 

 

Heupa AB. Análise do ruído de impacto na audição de integrantes do batalhão de operações especiais da polícia militar do Paraná: uma proposta de prevenção [dissertação]. Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná; 2010.

 

A prática de tiro é uma atividade que expõe o militar ao ruído de impacto. Os efeitos deste tipo de ruído caracterizam-se pela perda auditiva sensorioneural, zumbido, sensação de ouvido tampado, aumento da frequência cardíaca, contração muscular, entre outros. Este é um importante problema de saúde na vida profissional militar, sendo necessária a implantação de um Programa de Preservação Auditiva, que visa identificar os riscos, monitorar a audição e elaborar medidas de prevenção e conscientização. O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos do ruído de impacto na audição dos militares que fazem prática de tiro, para a implantação de um Programa de Preservação Auditiva. Este foi um estudo de caso-controle, com 115 militares, sendo 65 do Batalhão de Operações Especiais (grupo exposto) e 50 de serviços administrativos da Policia Militar (grupo não-exposto). Inicialmente foi realizada a avaliação do ruído emitido pelas armas de fogo durante uma prática de tiro. Os participantes convidados assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, responderam a um questionário e realizaram testes de audiometria e de emissões otoacústicas evocadas (transientes e produto de distorção). Como resultados, o nível de ruído avaliado ficou entre 118 e 133 dB(C). No questionário, 78% dos militares do grupo exposto acreditam que o ruído pode causar perda auditiva, 96,9% referiram que a melhor forma de proteção contra o ruído intenso da arma de fogo é o uso de protetores auditivos e 92% deles sempre utilizam o protetor auditivo nos treinos. Porém, 32,3% nunca receberam orientação quanto ao uso correto dos protetores. Nos sintomas e queixas auditivas e extra-auditivas destacam-se o zumbido logo após a prática de tiro (23%) e perda temporária da audição (7,6%). No perfil auditivo, 25% do grupo exposto apresentou perda auditiva sugestiva de PAIR, sendo observada diferença significativa quando comparados ao grupo controle. As emissões otoacústicas transientes estiveram presentes bilateralmente em apenas 21,4% do grupo exposto, também com diferença estatisticamente significante em comparação ao grupo controle. Nas emissões otoacústicas por produto de distorção, apesar se não ocorrer diferença significativa entre os grupos, foi possível observar amplitudes mais baixas no grupo exposto ao ruído. Estes resultados mostram que o nível de ruído emitido pelas armas de fogo ultrapassa os limites estabelecidos pela NR15. E apesar dos militares terem o conhecimento da importância do uso dos protetores auditivos quando expostos ao ruído das armas, muitos nunca receberam orientação sobre o uso correto. Existem diferenças significativas na qualidade auditiva dos militares mais expostos ao ruído da arma de fogo quando comparados a militares de serviços administrativos. Conclui-se que nesta população há uma grande necessidade de se implantar um Programa de Preservação Auditiva com o objetivo não só de evitar as perdas auditivas como também de conscientizar estes militares quanto à importância do uso correto dos protetores auditivos e demais cuidados com a audição.

 

 

Endereço para correspondência:
Adriana Betes Heupa
Setor de Fonoaudiologia
Hospital da Polícia Militar do Paraná
Av. Prefeito Omar Sabbag, 894, sl 5, Jardim Botânico
Curitiba (PR), Brasil, CEP: 80210-000
E-mail: adri.fono@ymail.com

 

 

Trabalho realizado no Programa de Pós-graduação em Distúrbios da Comunicação, Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) - Curitiba (PR) - Brasil, para obtenção do título de Mestre em Distúrbios da Comunicação, sob a orientação da Profa. Dra. Claudia Giglio de Oliveira Gonçalves.

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