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Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

versão impressa ISSN 1516-8484versão On-line ISSN 1806-0870

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.31 no.3 São Paulo  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-84842009000300002 

EDITORIAIS

 

Fatores de risco e eventos trombóticos

 

Risk factors and thromboembolic events

 

 

José Maria P. de Godoy

Professor Adjunto do Departamento de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) – São José do Rio Preto-SP

Correspondência

 

 

Os principais fatores de risco estão bem definidos tanto no evento trombótico venoso como no arterial. A hipercoagulabilidade abrange causas congênitas e adquiridas, onde a tríade de Virchow – estase venosa, hipercoagulabilidade e a lesão endotelial – inclui os principais fatores envolvidos com a trombose. Destacam-se nas causas congênitas o fator V de Leiden, hiper-homocisteinemia, mutação 20210A do gene da protrombina, antitrombina III, e as deficiências das proteínas C e S. Nas causas adquiridas, os anticorpos antifosfolipídios, neoplasias, gestação, puerpério, cirurgias, traumas e o uso dos anticoncepcionais são os mais frequentes.

Tradicionalmente, os fatores de risco para arteriosclerose incluem a hipertensão arterial, elevação do colesterol, diabetes, fumo e associam-se com a doença coronariana arterial periférica e acidente vascular cerebral, mas eles têm pouca associação com risco de trombose venosa.1 Portanto, a arteriosclerose e a trombose venosa têm diferentes etiologias.

Estudo avaliando a associação de eventos trombóticos em pacientes arteriais e venosos com fatores de risco observou uma associação com o uso do álcool e do fumo em população regional.2 Contudo, quando se avalia a associação do álcool com trombose venosa na literatura não se observa esta associação.1,3. Entretanto, o fumo tem uma associação bem estabelecida com doenças arteriais.1,3

Neste estudo regional alerta-se para a recorrência da trombose venosa, que foi de 17,5%, e a associação com úlcera venosa.2 Esta recorrência sugere a manutenção de fatores de risco, onde a identificação destes pode ajudar a estabelecer uma forma de prevenção mais adequada. Esta decisão é avaliada individualmente, considerando sexo, local da trombose (proximal/distal), embolia pulmonar e condições associadas como trombofilia, câncer, cirurgias, etc. A evolução do trombo para recanalização, parcialmente recanalizada, e avaliação do D-dímero devem ser consideradas na retirada da anticoagulação.4 No entanto, esta frequência de recorrência é observada na literatura.

Outra associação neste estudo foi com a úlcera venosa mostrando uma complicação crônica do evento trombótico, que é a síndrome pós-trombotica, entretanto alerta-se para esta associação com as trombofilias.5 A idade é outro aspecto a ser considerado e que traz mudanças quanto aos fatores de risco. Nas trombofilias, o evento trombótico ocorre em pacientes mais jovens e geralmente antes dos 50 anos; em torno de 70% já o desenvolveram. Nas idades mais avançadas, as causas adquiridas tornam-se muito importantes e alerta-se para as neoplasias, onde a sua prevalência aumenta com a idade, atingindo em torno de 28% nas faixas etárias dos 60 aos 70 anos de idade.6

As doenças coronarianas e os acidentes vasculares cerebrais são mais prevalentes que a trombose venosa e esta prevalência aumenta com a idade. Contudo, as doenças arteriais têm um aumento mais pronunciado com o avançar dos anos do que os eventos trombóticos venosos.1

 

Referências Bibliográficas

1. Glynn RJ, Rosner B. Comparison of risk factors for the competing risks of coronary heart disease, stroke, and venous thromboembolism. Am J Epidemiol. 2005;162(10):975-82.         [ Links ]

2. Moreira AM, Rabenhorst SHB, de Holanda ARR, Pitombeira MH. Fatores de risco associados a trombose em pacientes do estado do Ceará. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2009;31(3):132-6.         [ Links ]

3. Pomp ER, Rosendaal FR, Doggen CJ. Alcohol consumption is associated with a decreased risk of venous thrombosis. Thromb Haemost. 2008;99(1):59-63.         [ Links ]

4. Agnelli G, Becattini C. Treatment of DVT: how long is enough and how do you predict recurrence. J Thromb Thrombolysis. 2008;25 (1):37-44.         [ Links ]

5. Pereira de Godoy JM, Andrade Torres CA, Braile DM. Prevalence of antithrombin deficiency in patients with chronic leg ulcer. Blood Coagul Fibrinolysis. 2001;12(7):593-5.         [ Links ]

6. Pereira De Godoy JM, Miquelin D, Braile DM, Menezes Da Silva A. Association of deep venous thrombosis with neoplasms in different age groups. Int Angiol. 2009;28(2):144-6.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
José Maria Pereira de Godoy
Rua Floriano Peixoto, 2950 – Santos Dumont
15020-010 – São José do Rio Preto-SP – Brasil
Tel.: (55 17) 3232-6362
E-mail: godoyjmp@riopreto.com.br

Recebido: 18/5/2009
Aceito: 20/5/2009

 

 

Avaliação: O tema abordado foi sugerido e avaliado pelo editor.

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