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Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

Print version ISSN 1516-8484

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.32 no.1 São Paulo Feb. 2010

https://doi.org/10.1590/S1516-84842010000100018 

CARTA AO EDITOR LETTER TO EDITOR

 

Perfil de beta talassemia heterozigota obtido a partir de análise data mining em banco de dados

 

The profile of beta thalassemia obtained by data mining analysis in a database

 

 

Ana L. B. DomingosI; Lucas A. GranzottoII; Edis Belini JuniorIII; Thiago Y. K. OliveiraIII; Ana C. B. DomingosIV; Claudia R. Bonini-DomingosV

IIniciação Científica - Depto. de Química, Unesp, São José do Rio Preto-SP
IIIniciação Cientifica - Depto. de Ciências da Computação, Unesp, São José do Rio Preto-SP
IIIBiólogo, Hemocentro USP – Ribeirão Preto-SP
IVFarmacêutica bioquímica. Programa de Pós-Graduação em Genética, Unesp, São José do Rio Preto-SP
VProfessora. Depto. de Biologia, Unesp, São José do Rio Preto-SP
Unesp, Departamento de Biologia, Laboratório de Hemoglobinas e Genética das Doenças Hematológicas - LHGDH, Unesp/Ibilce

Correspondência

 

 


ABSTRACT

Variations in the phenotypic expression of heterozygous beta thalassemia reflect the formation of different populations. To better understand the profile of heterozygous beta-thalassemia of the Brazilian population, we aimed at establishing parameters to direct the diagnosis of carriers and calculate the frequency from information stored in an electronic database. Using a Data Mining tool, we evaluated information on 10,960 blood samples deposited in a relational database. Over the years, improved diagnostic technology has facilitated the elucidation of suspected beta thalassemia heterozygote cases with an average frequency of 3.5% of referred cases. We also found that the Brazilian beta thalassemia trait has classic increases of Hb A2 and Hb F (60%), mainly caused by mutations in beta zero thalassemia, especially in the southeast of the country.

Key words: Data mining; beta thalassemia trait; bioinformatics; genetic diversity.


 

 

Sr. Editor

As doenças causadas por hemoglobinas variantes são responsáveis por cerca de 3,4% das mortes ocorridas antes dos cinco anos de idade,1,2,3 e no Brasil, em especial, com as migrações e miscigenação da população, uma gama de hemoglobinas está presente. Por esse motivo torna-se necessário a associação de análise laboratorial clássica e molecular, a fim de se desenvolverem perfis para os casos mais graves e facilitar a criação de uma política de saúde específica para as regiões em que ocorrem com maior frequência.3,4,5 A beta talassemia na forma heterozigota é caracterizada pela elevação dos valores de Hb A2 e/ou Hb Fetal nos casos clássicos.5,6,7 O acréscimo dos valores da Hb A2 pode sugerir o genótipo do indivíduo. Variações na expressão fenotípica são observadas, refletindo a formação da nossa população.6-9 Para se conhecer o perfil da beta talassemia heterozigota na população brasileira objetivou-se estabelecer parâmetros de norteamento de diagnóstico e a frequência de portadores a partir das informações depositadas em um banco de dados.

Foram avaliadas as informações referentes a 10.960 laudos de diagnóstico, depositados em uma base de dados, entre o período de janeiro de 2002 e julho de 2008. Os resultados de testes laboratoriais foram incluídos em banco de dados em modelo relacional e na linguagem SQL. As informações foram analisadas pela ferramenta data mining CLIBIA (Clinical Bioinformatic Analysis).10,11,12 Formularam-se as seguintes faixas de corte e classificação dos grupos, para estabelecer os perfis de beta talassemia heterozigota, segundo os padrões estabelecidos para as condições laboratoriais e população em estudo:

• Hb A2 aumentada: com valores acima de 3,99%;

• Hb A2 discretamente aumentada: com valores entre 3,51% até 3,98%;

• Hb A2 e Hb F aumentadas: Hb A2 acima de 3,99% e Hb F acima de 1,51%;

• Hb A2 e Hb F discretamente aumentadas: Hb A2 entre 3,51% até 3,98% e Hb F entre 1,01% até 1,5%.

Do total de amostras avaliadas, provenientes de todas as regiões do País, 868 (7,92%) apresentaram valores dentro dos perfis inicialmente estabelecidos, como critérios de corte. A frequência observada para cada região, no período de sete anos foi: 3,50% para a região Sul; 21,05% para a região Centro-oeste; 3,95% para o Nordeste; 1,20% para o Norte e 8,66% para a região Sudeste. Não houve diferença significativa entre os sexos. Os valores encontrados para a região centro-oeste refletem a dificuldade diagnóstica enfrentada pelos serviços de diagnóstico e a necessidade da busca por serviços de referência no auxilio diagnóstico.

A avaliação refinada pelo instrumento de prospecção mostrou que, no ano de 2002, início dessa pesquisa, o número de casos avaliados foi insuficiente para uma análise global. Em 2003, destacou-se o perfil de Hb A2 aumentada + Hb F como o mais frequente, conforme mostra a Figura 1. Em 2004 houve um aumento do perfil caracterizado como Hb A2 aumentada, que prevaleceu sobre os outros e se manteve constante até o período atual, resultado evidenciado na Figura 2.

 

 

 

 

Os perfis mais brandos foram pouco significativos na análise global, sendo o perfil de Hb A2 discretamente aumentada,o mais evidente a partir de 2005.

O maior número de registros de suspeitas de beta talassemia ocorreu em 2006 e representaram cerca de 15,70% do total de amostras avaliadas, correspondendo a 474 casos. Neste mesmo ano, houve um acréscimo na identificação de casos com o perfil de Hb A2 aumentada + Hb F e do perfil de Hb A2 discretamente aumentada, decorrentes principalmente da implantação de metodologias mais precisas e para a quantificação das frações de hemoglobinas, como a HPLC. Ressaltamos que as suspeitas laboratoriais, obtidas por metodologias clássicas, só podem ser confirmadas por meio de análise molecular. Nesse estudo evidenciamos que 60% das amostras com perfis de Hb A2 aumentada e Hb A2 aumentada + Hb F foram de casos de beta zero talassemia, principalmente da mutação CD 39.

Assim, a análise dos perfis de beta talassêmicos heterozigotos, obtido por meio de instrumento Data Mining, mostrou que a grande maioria dos casos representou um perfil de beta zero talassemia, com aumento de Hb A2 acima de 3,99%, refletindo a formação da população brasileira, principalmente da região Sudeste. O aumento na solicitação dos exames e a melhoria e precisão das metodologias de análise destacaram a importância do diagnóstico para essa forma hereditária de anemia e refletiram a preocupação e a importância que os profissionais de saúde apresentam em propor melhorias no diagnóstico laboratorial.

 

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Correspondência:
Claudia Regina Bonini-Domingos
Rua Cristóvão Colombo, 2265 – Jd. Nazareth
CEP 15054-000 – São José do Rio Preto-SP – Brasil
Tel.: (55 17) 3221-2392; Fax: (55 17)3221-2390
E-mail: claudiabonini@sjrp.unesp.br

Recebido: 03/07/2009
Aceito após modificações: 24/09/2009

 

 

Avaliação: Editor e dois revisores externos
Conflito de interesse: sem conflito de interesse

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